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segunda-feira, 15 de maio de 2006


Esta noite acordei com fome. Levantei-me e dirigi-me à cozinha. Abri o enorme frigorífico branco, alto e robusto, comprado especialmente para circunstâncias bem diferentes das de hoje.

Olhei-o por fora. Austero, imponente, olhou-me ele também do alto dos seus dois metros de brancura maculada por desenhos infantis e recados ultrapassados no tempo. Senti-me tão pequenina. Nunca tinha reparado como ele era grande, forte, e frio. E imponente, ocupando um lugar de destaque na cozinha.

Passados os primeiros instantes de sinistra e invulgar intimidação, arranjei coragem para o abrir.

Não podia estar cheio evidentemente, mas com agrado e alívio verifiquei que com alguma perícia há comida que chegue até final do mês. Com satisfação revi os alimentos arrumados com ordem: manteiga, queijo, iogurtes, fiambre, legumes, ovos, sumo, uns restos de cozinhados, sobremesas, calda de tomate, sopa e leite.

Com prazer retirei o pacote deste último, enchi um copo e bebi sofregamente até ao fim, deixando um bigode branco sobre o lábio superior que lambi descontraída e descaradamente antes de voltar para a cama onde me esperava um corpo morninho no qual me aninhei e esqueci o mundo por umas escassas horas.

1 comentário:

Fernando Sousa disse...

Olá Ana

É engraçado que o mesmo se passou comigo. Hoje também acordei por volta das 3h e até me doía o estômago. Que FOME! Levantei-me, também fui ao frigorífico, saquei da manteiga magrinha como eu, procurei o pão e "pimba". Devorei duas fatias num ápice mas apenas acompanhadas de um copo de água. Por vezes também olho para "a bonecada" que tenho no "matulão do meu fresquinho" mas geralmente o que está no seu interior interessa-me mais. É como procedo para com as pessoas, olho mais para o seu interior do que para o exterior pois é a parte que mais interessa, a essencial, a que nos "alimenta" melhor ou pior...nesta passagem por cá.
Após devorar o pão regressei ao meu leito aonde a minha companhia já com a cabeça ligeiramente erguida me lançava um olhar interrogativo e ao mesmo tempo ameaçador... como que dizendo "Então? Que andas a fazer a estas horas? Vem para aqui, deixa-me enroscar em ti..."
Depressa adormecemos os dois bem quentinhos.
Quanto a se ter fome...a toda a hora, acho que é do tempo, anda esquisito né?
Beijinhos