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quarta-feira, 10 de maio de 2006


Ensinamentos / Caminho

O Sálvio já deve estar enterrado a esta hora. E nós, continuamos vivos por ora.

Diz-me um amigo que anda em baixo, também com isto do Sálvio entre outras arrelias e problemas pessoais, de relações, afectos, emoções, etc. Quem lhe dera a ele ter menos dez anos, diz-me resignado e infeliz.

- Menos dez anos?! – interrogo eu – para quê rapaz? Lembra-te que daqui a dez anos vais dizer precisamente a mesma coisa com a mesma triste nostalgia, impotência e resignação. O tempo é hoje! A vida é hoje! Olha o Sálvio!

- Sim, tens razão miúda – concorda.

E nós? Que fazemos nós que temos hoje precisamente os dez anos a menos que daqui a dez anos iremos desejar ter?

Recordo o Sálvio. Não choro. Mas estou triste. Muito triste. Mais do que quando chorava sozinha no meu quarto.

À minha volta rolam e circundam os outros. Mais ou menos afáveis, mais ou menos corajosos, mais ou menos fiéis, mais ou menos falsos, mais ou menos brincalhões, mais ou menos nada e tanta coisa.

Indiferente, faço o que aprendi e que tenho de fazer:

Sigo o meu caminho. Este que escolhi, que descubro, invento e crio e saboreio passo a passo. Árido por vezes, florido por outras. Mas é meu, único, e só no qual eu me sinto eu!

1 comentário:

Fernando Sousa disse...

Infelizmente a morte é a nossa maior inimiga . Assim que nascemos ela espreita-nos e aguarda a melhor oportunidade para fazer a sua aparição. Ela não escolhe momentos, idades, sexo... ela nada respeita.

Sermos privados de pessoas que nos são mais ou menos queridas, custa-nos a todos, mas a vida continua... e, pessoalmente, e o que me faz uma certa impressão, é que quando olho em redor tudo continua igual, como se nada de mau se tivesse passado.
Mas tem de ser assim para nosso bem ... e existem mesmo determinados povos com outra cultura em que após alguém “desaparecer” se festeja, se dança, como se de um casamento se tratasse.

Por tudo isto, e enquanto o nosso “motor” estiver a funcionar, é de evitar sermos agressivos uns para os outros, é de evitar aliarmo-nos à “nossa maior inimiga”, é de evitar aliarmo-nos a tal “negatividade” da vida. A vida que temos, dificil, de stresse, leva-nos por vezes a cometer actos que nos acabam por destruir, a nós, ao próximo, a tudo que nos rodeia. Tentemos pois ser amigos uns dos outros, da natureza, dos outros seres da Terra, no nosso caso, companheiros, camaradas da estrada, da corrida.

Ao Sálvio e a todos os outros companheiros de corrida que nos deixaram... até...

FS