Pesquisar neste blogue

domingo, 5 de novembro de 2017

14ª Maratona do Porto




Maratona do Porto é sempre uma festa. Começa para mim, alguns meses antes, com a organização dos autocarros que a Runporto disponibiliza para transporte entre Lisboa e Porto. Este ano não foi diferente. Quer dizer, na verdade foi! E muito! Extremamente limitada em tempo e meios, lá consegui reunir 67 participantes que viajaram num único autocarro com destino à magnífica cidade do Porto para desfrutarem da cidade e da fantástica prova rainha: a Maratona do Porto, ou da Family Race (15 Km) ou mesmo apenas da Caminhada, eventos que decorrem em simultâneo com a Maratona e permitem a todos participar na festa.






Saímos sábado de manhã de Lisboa rumo ao Porto. Sempre algum stress, receio de alguma coisa me ter falhado, de alguma coisa correr menos bem, receios esses que se vieram a revelar infundados mais uma vez. Mas até chegar a Lisboa no domingo à noite, não descanso.

Este ano, vinda de lesão, não consegui atrever-me a fazer a Maratona, pelo que me inscrevi na Family Race, prova de 15 Km, igualmente regulamentada e cronometrada. E mesmo para essa, os treinos foram os que o esporão no calcaneo me permitiu e não foram os que deveriam ter sido.

A feira da Maratona, situada no Edifício da Alfândega do Porto, recebe-nos com vários stands, onde se podem encontrar boas oportunidades de compra e também vários artigos alusivos à Maratona. 


Levantamento de dorsais fácil e rápido. E uma Pasta Party, gratuita para os inscritos na Maratona, acompanhada de música ao vivo num ambiente verdadeiramente especial.












O reencontro com amigos e conhecer novas pessoas, é sempre agradável e muito enriquecedor. Saímos da feira de barriguinha e coração cheio, deixando ainda espaço, especialmente no coração para muito mais que este fim de semana me veio a dar.

Rumo ao hotel, passear e descansar um pouco e de novo, novo reabastecimento de energia que preciso correr amanhã 15 Km....Só!








O dia da prova

Não há nervoso miudinho. Afinal vou só ali correr correr 15 Km. Há duas emoções distintas: tristeza por não partir para a Maratona e usufuir do que só a prova rainha nos dá, mas também uma espécie de alívio por ir apenas correr 15 Km e mais nada me ser pedido. Há algum conforto nisso acompanhado de tristeza e desalento. É estar dentro da minha zona de conforto, sem sequer poder ambicionar grande coisa nos 15 Km, pois não houve treinos para isso. É simplesmente ir correr 15 Km, ali, atrás dos Maratonistas...

O pequeno almoço é cedo e há uma mesa de iguarias. Pena ir correr, penso. Tanta coisa boa para degustar. Como bem mas demasiados ovos mexidos, que adoro e que continuaram a mexer dentro da minha barriga até ao fim da Corrida!






Depois, é ir para o local da Partida. Levados pelo autocarro da organização (uma das vantagens de ficar em hotéis com parceria com a Maratona). 








E num ápice lá estamos. Reconhecer o local de partida e de chegada, lamentar-me baixinho "ai, aqui não chegarei este ano, esta meta não vou cortar - a da Maratona, ai, ai, ali é que que queria estar...sou tão infeliz...ai ai", mas tão baixinho, tão baixinho que nem eu própria ouvi muito bem, pois mais alto ouvia o meu coração que gritava com alegria: Corre, Vive, Ama, Usufrui. E assim fiz, sem pensar muito mais!






E depressa chega a hora da Partida. Deixo o meu amigo António entrar no último bloco da Maratona e eu parto de trás, no bloco dos 15. Em menos de 2 km estava a apanhá-lo e a partir daí sigo com ele, sempre na conversa, até a Corrida bifurcar (ao km 12) e então sigo sozinha para a meta. Apanho uma boa subida (Av. Boavista) e só depois...meta!  Foi mais de 1 hora de conversa com ele, velho Amigo reencontrado, o que muita alegria me deu por o encontrar tão bem!






Corto a meta, marcava o cronómetro da prova 1h36m. Sabido que só passei a linha de partida alguns minutos (3 ou 4) depois do tiro de partida, devo ter feito a coisa em 1h32m, 1h33m. Dentro de expectável. 

Regresso ao hotel, almoço, e usufruir mais um pouco do Porto que daqui a nada é reunir as tropas e voltar a Lisboa.



O balanço: 

O balanço é a Felicidade a romper a pele e irradiar por todos os poros. São as emoções. Permitidas e proporcionadas por uma prova de excelência, que começa intensamente na véspera na viagem de autocarro disponibilizado pela Organização, e que eu mais uma vez coordenei. É as gargalhadas fáceis, a alegria genuína, as palermices, a amizade e o amor. É o enriquecimento nas conversas com as pessoas, na descoberta de algumas delas, no levantar do véu do tanto que é a essência de cada um. É afinal redescobrir que vale a pena deixar de ser o bicho do mato que tantas vezes me apetece ser, e acreditar que as pessoas ainda valem a pena! É redescobrir que Correr é bom. Que Viver é bom! E quando por fim, chego ao fim de Domingo, depois desta "Maratona", respiro, recosto o corpo, fecho os olhos e simplesmente me sinto intensamente mais rica, recompensada e grata pela Vida, porque isto tudo vale muito a pena!
  



Aguns dados da prova:

Maratona: 4537 chegados à meta
Family Race:  2843 chegados à meta

Um total de cerca de 15.000 participantes, contando com os da Mini/Caminhada

A Maratona do Porto, apesar de ter tido este ano um pequeno decréscimo no número de chegados à meta em relação ao ano passado, continua a ser a Maratona de Portugal com mais atletas chegados à meta, afinal um reflexo natural do trabalho desenvolvido pela Runporto e pela excelente Maratona que é.

Para o ano quero ser responsável por aumentar esse número, e usufruir de tudo a que tenho direito quando corto a meta da Maratona!

A Organização está pois de Parabéns! Duvidas? Anda ver para o ano! 

Marca já na tua agenda, a 15ª edição da Maratona do Porto é 4 de Novembro de 2018. Vens?

Mais informações e classificações no site da Organização, aqui

Algumas imagens para ver aqui

Pela Fernanda Silva, Album 1, aqui

E Album 2, aqui

Por Matias Novo, aqui

domingo, 24 de setembro de 2017

Corrida do Tejo 2017


Corrida do Tejo -  A desafiar-te desde 1981 - 37ª edição, 24 de Setembro de 2017

Marginal, Praia de Santo Amaro de Oeiras

Senta-te aqui neste muro. Vem falar comigo. Então tu foste fazer de novo a Corrida do Tejo? Tu que só a conheceste no final dos anos 90, e te achas por isso conhecedor da estória? Com direito a dizer mal e desdenhar?

O dia estava quente nessa manhã. Apesar do Outono já ter começado, a manhã era de Verão nesse dia. A rapariga sorriu. E se muitas vezes sente que mais vale calar-se por sentir ser inútil a sua opinião e os interlocutores serem "surdos", outras tantas ainda a Vida lhe mostra que vale a pena continuar a acreditar nas pessoas, a fazer-se ouvir, a partilhar, a lutar, a acreditar!

Sim, de facto conheci a Corrida do Tejo nos finais dos anos 90. Era uma Corrida completamente diferente. De cariz genuinamente popular, ainda bem enraizada nas origens da Corrida em Portugal, a Corrida para todos, surgida em Portugal logo a seguir ao 25 de Abril. Altura em que descobri a Corrida, por sinal (com 7 anos de idade apenas). De inscrição gratuita, percorria a Marginal de Algés a Oeiras (como hoje) embora tenha sofrido algumas ligeiras alterações no percurso. Até tenho ideia da distância ser 12 Km na altura. Recordo-me de partir bem junto à linha de água e de terminar no largo da Câmara Municipal de Oeiras, entidade que promovia e organizava a Corrida e que desde cedo se associou e trabalhou com sucesso e todo o mérito, como ainda hoje, em prol do desenvolvimento da Corrida, precisamente da Corrida para todos, e exemplo disso é o existente Troféu Corrida das Localidades. 

Nas minhas primeiras participações na Corrida do Tejo, recordo-me de um funil para a meta que nos obrigava a parar 500 metros antes da linha de chegada. Sim, porque isto do antigamente é que era bom, não é bem assim meus caros.

A Corrida foi crescendo. Desenvolvendo-se. Havia potencial. Muita procura, um percurso muito agradável, sempre junto ao Rio e Mar, uma distância acessível e ...entram os patrocínios. Muitos. Sobe o preço. Muito (afinal tudo acima de zero, seria uma afronta aos olhos de muitos que se habituaram a correr ali de graça ou quase). Ainda assim, cresce significativamente o número de participantes, que parece ser agora o principal objectivo da Organização. Vêm as t-shirts técnicas, a publicidade, o mediatismo, o pior slogan de sempre numa qualquer edição "Correr contra o Tejo", a moda! E a Marginal não estica nem alarga. A partida é caótica, não se consegue correr! Demasiada gente para o espaço. Faço a Corrida nestas condições. Não me recordo o ano. 2000 e qualquer coisa. E detestei! Detestei! E se detestei, se todo o encanto se perdeu, se os contras pesam mais que os prós, a Corrida do Tejo ficou totalmente fora da minha agenda, sem qualquer vontade de voltar. 

E a Câmara foi-se associando a novos patrocínios, novas entidades de apoio na organização, houve alterações, sucessivas alterações e novas alterações, mas eu, e muitos outros, já não estavam "lá". A Corrida do Tejo tinha-se perdido para mim e para muitos outros. Com um ideia e opinião formada nas últimas experiências, restava o negativismo, o mal dizer, e sentados no sofá somos todos muitos corajosos e numa conhecida plataforma rede-social (facebook) era ver um desfilar de comentários negativos, muito negativos, muitos a raiar a má criação e a falta de respeito, até sem argumentos alguns, o que leva a pensar que apenas o prazer de dizer mal leva as pessoas a comentar e participar num espaço de discussão que poderá também ser de muita utilidade, pela facilidade de utilização e alcance do mesmo. E até eu, longe de imaginar até onde as minhas palavras chegariam, dei a minha opinião. Negativa pois claro. 

Surpreende-me sobremaneira, que poucos dias depois, receba uma mensagem privada, de alguém que simplesmente queria perceber o porquê de tantos comentários negativos, incluindo o meu, alguém que trabalha em prol da Corrida há mais de uma década, precisamente na organização da Corrida do Tejo, que estava empenhado em reabilitar a Corrida do Tejo, em perceber o que as pessoas queriam de facto da Corrida do Tejo. Era um colaborador da Câmara de Oeiras na Divisão do Desporto, e era "só" o responsável do projecto Corrida do Tejo, o Filipe Leão. 

Caramba! Se o responsável da Corrida do Tejo escreve a um sujeito que vai para o facebook "dizer mal" da sua Corrida, se procura perceber o que está mal, ouvindo as pessoas, comunicando, interagindo, procurando dessa forma, ouvir realmente e melhorar, em prol da Corrida, só pode merecer a minha maior admiração, consideração e respeito, e toda a minha confiança. Resposta dada com a minha opinião e sem grande espanto, confesso, sou convidada a participar! Porque a Corrida está diferente, diz, porque há significativas alterações e porque, claro, se quer inverter essa onda de negativismo sobre a Corrida do Tejo. Sou convidada a participar, dorsal oferecido e ...porque não?

Ah! Então podes dizer que foste comprada? Comprada?! Mas o rapaz não me conhece de lado nenhum! Pode muito bem ser um tiro no pé! Posso levantar o kit, posso nem sequer correr, posso continuar desencantada, posso continuar a dizer mal, pode haver razões para dizer mal, e até posso ser uma grande cabra! 

Bem...vamos lá então à Corrida do Tejo 2017. Afinal o que tens a dizer?

A inscrição estava feita. Pagaria EUR 10,00 se fosse pagante e se feita na fase inicial. Muito sinceramente não me parece excessivo para o que é oferecido!

Levantamento de dorsais apenas nas vésperas da prova. Para 9500 inscritos, perfeitamente compreensível. Nas piscinas do Jamor, um espaço agradável e o levantamento do kit é rápido e fácil. Um t-shirt, do tamanho que pedimos, modelo diferenciado por género e de excelente qualidade. New Balance. Muito bom! Só por aqui, vale os EUR 10,00! Dorsal personalizado com o nosso nome, com chip incorporado (+ alfinetes) e devidamente identificado com a nossa caixa de partida! Ora aqui está o que em meu entender muda tudo:

A Partida foi dada em 3 Vagas, com 5 minutos de intervalo, por tempos (devidamente comprovados pelos atletas na altura da inscrição) e posso dizer desde já que aqui a menina correu da linha de partida à linha de chegada, sem parar, sem estorvar ninguém e sem ninguém a estorvá-la! Por isso o problema de que era muita gente, muita confusão, que não se consegue correr, que se anda a tropeçar nas pessoas, etc e tal (e era o pior que a Corrida tinha) está ultrapassado meus amigos! Plena e perfeitamente ultrapassado!

Bem...vamos lá atrás no tempo:

Antes do dia propriamente dito, a Corrida organizou treinos em algumas cidades do país, teve na véspera uma versão Kids, ou seja uma Mini Corrida do Tejo para as crianças e a promoção foi imensa.

Voltando ao dia: carro estacionado em Santo Amaro de Oeiras. O dorsal permitia-nos viajar gratuitamente de comboio para Algés, o local da partida. Muito bom. A organização leva-nos os pertences da Partida à Chegada, para quem quisesse deixar roupa e tê-la depois na chegada.

As partidas são por vagas, como já referido, tudo devidamente identificado e controlado.A animação é contagiante. Há marcadores de ritmo ( "-60" e "-55" são os marcadores da minha caixa, a marcar o passo para os participantes) 

Ao longo da prova há uma Marginal totalmente livre de carros (acham que isso não se paga, amigos?), um percurso muito bonito, controlado, com marcação de Kms, animação ao longo da prova, com bandas musicais e frases motivadoras. 

Chuveiros aos longo da prova, o que se revelou particularmente agradável no dia quente da prova, para nos refrescarmos.

Dois abastecimentos de água ao longo do percurso, mais água e uma maçã no final. Classificação a sair rapidamente e diploma disponibilizado no site da prova.

Meta com muita animação, condições para cortar a meta a correr, com toda a popa e circunstância. 

Massagens disponibilizadas no local, onde se alonga e descontrai. Quem quisesse poderia  tomar duche nas Piscinas.

Uma medalha é também entregue a todos à chegada. Muito bonita por sinal (o motivo). De acrílico. Espera! Pára tudo! Disseste acrílico?! Plástico, queres tu dizer! Uma ficha em plástico para os carrinhos de choque, como já se ouve por aí! Acrílico! Ora, ora, ora...Acrílico é um material termoplástico rígido, considerado um dos polímeros mais modernos e com maior qualidade do mercado! Bolas...é um plástico e em plástico não, por favor! A Corrida do Tejo, esta Corrida do Tejo merece mais! É como teres o melhor vinho e servirem-to num copo...olha, precisamente de plástico. Percebes? A essência está lá, o conteúdo tem a melhor qualidade mas depois...cai um bocadinho...e não há necessidade. A tradicional medalha de metal, tem literal e simbolicamente outro peso! Dá outra classe à coisa! 

Ah, e como bom portuguesinho que és, agarras-te a isso, dás-lhe o maior relevo possível e valorizas o que de menos bom a Corrida teve (o que até poderá ser discutível pois é meramente uma questão de opinião)  e fazes disso uma bandeira para continuares a dizer mal, esquecendo tudo o resto?!

NÃO!  A Corrida do Tejo hoje, está num patamar de excelência, garanto-vos! Estive lá, vi, corri, vivi e senti! Na pele! Por tudo o que referi acima, está a Câmara Municipal de Oeiras, entidade organizadora, em parceria com a New Balance, de Parabéns! 

Sim, é muita gente, mas e depois? Se tudo funciona muito bem, qual o mal? 

O essencial e até o menos essencial não falhou! Se recomendo? Sim, clara e inequivocamente que sim! Se volto para o ano? Quem sabe, quem sabe...

E a próxima podes já marcar na tua agenda: 23 de Setembro de 2018

Ana Pereira













A minha Corrida 

Corri os 10 Km em 53m14s, tendo sido o 2363º classificado, de um total de 7628 chegados à Meta

Voltei a ser feliz na Corrida do Tejo! Isto diz alguma coisa? 


Fotos da Corrida do Tejo 2017

Por Armindo Santos, RUN 4 FFWPU Album 1, a ver aqui

E Album 2, para ver aqui


Por Luís Duarte Clara, Album A para ver aqui

E Album B, para ver aqui


Pela Organização, Vários Albuns, a ver aqui


Informações várias, no facebook da Prova, aqui


E no site oficial da Organização, aqui




sábado, 9 de setembro de 2017

41ª Meia Maratona de S.João das Lampas

9 de Setembro de 2017 - Meia Maratona de S.João das Lampas








 

A minha história na 41ª edição da prova:


À medida que o tempo passa, fica-me mais fácil escrever. Como se o tempo quase apagasse as memórias dolorosas e restassem agora apenas as coisas boas! Tem destas coisas o Tempo. Ah, mas as coisas boas são tantas! Tantas! Estar ali, alinhar na Partida e percorrer todo o caminho da Meia Maratona de São João das Lampas, vivê-lo com suor no rosto e dor nas pernas, caminho sofrido, muito sofrido desta vez, mas chegar à meta, arrancar o maior sorriso de dentro do peito sem qualquer esforço, vale...vale...vale tudo!

Foi no dia 9 de Setembro de 2017. E é assim que chego à 41ª edição da Meia Maratona de S.João das Lampas. Fresca e fofa. Demasiado fofa, aliás. E amedrontada, sim. Já sei que me vai custar. Porque me conheço e sei como estou, o que fiz e o que não fiz. Ainda assim, nada que me impedisse de participar, como aconteceu no ano passado, em que seriamente lesionada, a participação não me foi sequer permitida. Por isso, este ano, muito longe da forma de há 2 anos, em que com 1h37m cheguei à meta, este ano simplesmente alinho na Partida com a ambição de chegar à meta, no melhor estado possível.

São João das Lampas está-me no coração. Por tanto e por nada. Pela forma como sempre sou recebida, que é afinal a natural forma de receber daquela gente.

Talvez especialmente por isso, não faltei este ano. Sabia de antemão que ia doer. E doeu! Até ao tutano. Mais...pior só se tivesse ficado em casa. E eu não fiquei! Hoje, é este o espírito.

As inscrições tinham um custo inicial de EUR 10,00, podendo atingir no máximo EUR 14,00 para os que deixassem para os últimos dias. De forma fácil e rápida. No dia da prova, levantamento de dorsais de forma simples e eficaz, que poderiam também ter sido levantados na véspera. Uma t-shirt, modelo diferenciado por género, muito bonita, fresca e de excelente qualidade! Chip incorporado no dorsal, personalizado este, também de cor distinta entre os 2 géneros.

E com o treino possível, eu lá estava no dia para participar nesta que é a 2ª Meia Maratona mais antiga de Portugal, a realizar-se pela 41ª vez! Caramba, na 1ª edição, eu já corria sim, na estrada, nos pinhais e na pista, e ganhava medalhas, mas tinha apenas 7 anitos! Impõe respeito uma prova destas. Que perdura, cresceu, ganhou a qualidade das entidades "profissionais" (de algumas!) sem no entanto perder a  essência da Corrida, o "amor à camisola", a forma genuína de ser e estar na Corrida. E isso muito se deve ao Fernando Andrade, Homem que está no leme deste barco desde a 1ª hora, há 40 anos, e tem conseguido, junto da equipa de que se faz rodear, fazer de S.João das Lampas um lugar onde se respira Corrida, quer na Meia Maratona, quer no Trilho das Lampas, quer nos treinos associados a estes eventos que promove ao longo do ano!

Hoje, nesta tarde de 9 de Setembro, lá anda ele, entre os participantes, no secretariado, a cuidar disto e daquilo, nos momentos antes da prova, a demonstrar uma serenidade e humildade, de braço dado com uma força que cremos inabalável.

Minutos antes, sussurra-me ao ouvido "Ana, hoje vou correr". Admirei-me, retorquindo com um "A sério?! Boa!" Mas não compreendi logo. 

Depois de algum tempo a aquecer, rever amigos e conhecidos, e envolver-me no bom ambiente festivo, a partida é dada. Ali, mesmo em frente à Junta de Freguesia. Muita alegria é  o que se vive por ali. Vou na multidão embalada e deixo-me contagiar, pelos atletas à procura do seu ritmo e pelo público que nos incentiva. E sinto cá dentro o verdadeiro privilégio de poder estar ali! Viva, com saúde para me propor ao desafio que vou vencendo passo a passo.

Pouco depois passa por mim o Fernando Andrade, vindo de trás. Vai bem melhor que eu, o que não é difícil hoje. "Força" digo-lhe para de seguida pousar os olhos nas costas da t-shirt que ele enverga e remeter-me ao mais profundo silêncio. Qualquer coisa como "Sempre presente Tomé", uma homenagem ao amigo que partiu inesperadamente em Maio passado, e que era também ele um pilar como membro desta Organização. Em silêncio, comovo-me e penso que devo sorrir, viver, usufruir com toda a alegria desta Corrida que posso correr! Era assim que o Tomé gostaria. E este ano o Fernando Andrade leva-o com ele a correr a prova toda! Comovo-me e sigo, triste e feliz ao mesmo tempo.

Pouco depois, todos já tomaram o seu ritmo e eu estou bem na cauda do pelotão. Começo mesmo a ponderar em desistir ao km 13, quando a prova passa pelo local da partida e meta.

Mas as Lampas é sempre tão...emocionante. Toca-me esta prova. Os vales, as descidas e as subidas, os chafarizes, os duches que a organização põe pelo caminho para a malta se refrescar ou mesmo a mangueira dos residentes que nos oferecem água para arrefecermos ao mesmo tempo que nos dão alento, com palavras, gestos e sorrisos. E sempre um "até para o ano" empurra-me" para a frente. Antes do km 10 sou obrigada a caminhar. E partir daí é um calvário. Os abastecimentos são suficientes e nada me falta. Força nas pernas talvez... Considero ficar pelo km 13...Avanço. O cronómetro, cansado, apaga-se. E remete-me à forma de correr de antigamente. Sente o corpo. Esquece o ritmo, liberta-te dele, dos metros, dos tempos, das marcas. Corre apenas. Sente! 

E senti! Senti que ia penar até à meta e assim foi! Entre corre e anda, lá alcanço o km 13, onde me liberto do relógio morto e o entrego ao meu pai e sigo ainda a correr. Ali, havia muita gente a ver, não podia caminhar. Depois, poucos metros à frente vejo-me obrigada a a parar. Caminho. Penso. Volto para trás? Não volto? Fico ali? Sigo? Bolas...mas não serei eu um atleta chegado à meta?! E mesmo caminhando, em exaustiva luta interna, lá vou seguindo e dali a pouco, já não há volta a dar. É continuar! Uma lástima! Bem que ouço o público...pena nas suas palavras, ou gozo talvez... "olha...já vai a andar outra vez...". E sim, não sou propriamente apologista de heroísmos que levam as pessoas de rastos até à meta num espectáculo doloroso, pouco digno e até humilhante. Correr não é isso. Mas...que sabes tu de mim? Que valor terá esta meta? Que batalhas vences dentro de ti? Sabes? E na força da minha certeza de querer alcançar aquela meta, sigo! Um passo de cada vez! 

Para ajudar à festa, uma revolução intestinal levou-me a procurar com um olhos e estudar minuciosamente durante longos metros uma boa moita para me aliviar. Ali não! Vem gente atrás (sim, ainda havia gente atrás!). Aqui também não, demasiado exposta! Talvez ali, oh não, aqui há casas e gente! Por fim, à medida que o assunto se tornava urgente, as exigências iam diminuindo significativamente e um muro baixinho que me deixava visível do tronco para cima, mesmo agachada, serviu perfeitamente! 

Aliviada a tripa, nenhumas melhorias nas pernas e a exaustão era tremenda. Mas segue! Segue!

E não fosse a minha cadela ter comido o 2ª par comprado dos calcanhares-palmilhas de gel que uso desde a Fascite plantar para acomodar o esporão no calcaneo que na altura ganhei e mantenho carinhosamente, e os estivesse a usar agora, talvez não me doesse o pé a cada passada. Talvez, talvez... Mas...segue!

O percurso, perfeitamente marcado, e com a segurança em relação ao trânsito devidamente assegurada pelas forças policiais, continua bonito e encantador. E eu, dolorosa e prazenteiramente, avanço, passo a passa!

Por fim, aproximo-me da povoação.São João das Lampas! Tão feliz por ver a placa! Lá consigo manter um passinho de Corrida e começo a avistar amigos. E o meu pai! Já me afloram todas as emoções à pele. Que significa isto? Que valor tem isto? Vou cortar esta meta! Sem dificuldade nenhuma, sai-me o sorriso, o sorriso, que aprendi ser uma das melhores coisas que temos para oferecer, para partilhar, para sentir e fazer os outros sentir. Tão simples e tanto num sorriso! Oferecem-me uma rosa com a qual corto a meta. Pequenos grandes gestos a fazerem-nos sentir especiais. E somos! Todos! Ali, em São João das Lampas.

Corto a meta, depois dos amigos me esperarem e fotografarem. Chego na 426ª posição, com 2h19m22s, num total de 440 atletas chegados à Meta. Que sentimento há dentro de mim: Gratidão! Tão só...Gratidão pela Vida!

Uma medalha muito bonita, de peso! A igualar a prova! Dura, muito bonita e com muita classe! 

Melancia, água, massagem, espaço para alongar e entregar prémios. Não pude ficar muito tempo que outras Corridas me esperam. O banho, que poderia tomar ali mesmo, nos balneários, foi tomado em casa, onde feliz reencontro os meus e a Vida segue. Corrida, como se quer e deseja!

Voltarei! Até breve São João das Lampas! E Obrigada por tudo! E MUITOS PARABÉNS POR ESTES 40 ANOS DE CORRIDA! 

Mais informações da prova:

No site da Organização, aqui

Na página Facebook da Organização: Meia Maratona de São João das Lampas - Grupo de Dinamização Desportiva




















Classificações, no site da Organização, aqui


FOTOS da 41ª Meia Maratona de S.João das Lampas

Pela AMMA, por Manuel António, a ver aqui

Por Armindo Santos, Abum 1, a ver aqui
Album 2, a ver aqui
Album 3, a ver aqui

Por Bernardete Morita, a ver aqui

Por Jaime Maurício, a ver aqui

Por Luís Duarte Clara, a ver aqui

A todos os fotógrafos, a perpetuar no tempo momentos especiais vividos, os meus agradecimentos pela dedicação e empenho! Muito obrigada!