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domingo, 29 de março de 2020

Covid-19…Portugal somos nós! - Fica em Casa





Covid-19…Portugal somos nós!

Uma semana em casa. Tenho a possibilidade de trabalhar em casa. Foi-me dada e permitida essa opção, como possível que era e como tinha de ser, se é que há alguma responsabilidade, sensatez e humanidade no espírito de quem manda. E há. E eu faço-o. Com empenho e entrega, com tanta ou mais do que se estivesse no escritório, supostamente observada, vigiada e controlada. Agradeço a confiança. E respondo. Respondo como sou. Simplesmente como sou.

Desde Agosto, com provações sucessivas que a vida me colocou no caminho. Caminho ladeado de flores, árvores, sol e sombra, pedras e terra batida. Caminho. Caminho que sigo, com medos e dúvidas, lágrimas e risos, mas sem dúvida o único a seguir. O meu. De repente (em Agosto), sem aviso ou preparação, a família passou de dois para quatro. Mais dependentes, mais trabalho, mais responsabilidade e inúmeras alterações de rotinas, ajustes materiais, físicos e emocionais. E ainda sem tudo “arrumado”, móveis ou cabeça, agora isto!

Um inimigo que não se vê, que está lá fora e que nos pode apanhar cada vez que pomos um pé na rua. Ir à rua apenas para o estritamente necessário! Daqui, deste castelo, muralhas altas construídas com sangue e lama, fechamo-nos sem nos fecharmos. Protegemo-nos. Por quem tem de ser protegido, mais que ninguém!

Só esta mulher sai desta casa. Ela e a cadela. Para fazer as necessidades esta e depois aquela para abastecer a despensa e comprar medicamentos, bens imprescindíveis para manter a matilha. Com todos os cuidados, com a humildade de saber que todos os cuidados são poucos e que um azar qualquer e já fomos apanhados e não podemos, pois estaremos a trazer a Morte para casa.

É só disso que se trata. Não querer trazer a Morte para casa a quem me deu a Vida.

Tenho medo, admito e confesso. Mas luto! Luto! Fico em casa e essa é a minha luta, a possível, a que está ao meu alcance e que abraço de coração! É fundamental não parar. Trabalho. Uma gota de água a alimentar a Economia deste país. Eu. Os meus colegas, e tantos outros. Actividades que aparentemente não estão directamente relacionadas com a batalha que todos travamos, mas ainda assim necessárias, uma luta nos bastidores, na sombra mas essencial para que tudo funcione, para que a Economia não colapse.

Tenho medo. O medo…essa emoção que nos apura os sentidos e nos faz recuar ou tomar medidas necessárias à nossa sobrevivência. Escolho a segunda opção. E é disso que se trata, de sobrevivência!

Uma semana em casa, um dia no escritório, quatro de teletrabalho, a lutar com unhas e dentes, nesta aparente inércia e passividade aos olhos desatentos, a descascar batatas, a preparar lanches, almoços e jantares, a manter o essencial, a dar banho a quem não pode, a lavar tachos e roupa e a apresentar propostas para vender material para o país não colapsar. Sou eu. És tu, somos todos nós, a lutar em silêncio, sem holofotes nem palmas. Somos Portugal! Portugal somos nós!

E depois, em casa, fechados, enclausurados a dar um valor inimaginável à liberdade antes garantida e por isso desvalorizada, de sair e apanhar Sol e mar e sal no rosto sem medo, medo de ser apanhado pelo vírus e trazer a morte para casa. Sem medo.

Dias que hão-de voltar. Por ora, é tempo de ficar em casa, tu que a tua profissão e missão te obriga a estar no terreno, a lutar cara a cara, por todos nós, injustamente a dar a cara e o corpo e alma ao diabo, a enfrentar o inimigo de frente e a olhá-lo nos olhos. Cuidem-se todos vós.

E vós, que a vossa profissão não vos exige esse grau de entrega, …por favor, apenas fiquem em casa. Não desvalorizem o inimigo. Não dificultem a luta. Não contribuam para a morte, por favor. Respeitem. A Vida, a vós próprios e respeitem os outros. Os vossos, e os meus, a todos! Quando pensam que sair não faz mal porque não estão com quase ninguém, estão! Garanto-vos que estão! Quando tocam na porta de entrada do prédio, quando respiram o ar que alguém expirou há minutos atrás, quando cumprimentas o vizinho, quando tens um azar e precisas de ajuda médica, garanto-te que está a empatar, a estragar a luta que deveria de ser de todos! Com as armas que cada um tem. E tu…só tens de ficar em casa! E dá valor, que ainda assim, com a depressão a assombrar-te (como se soubesses o que isso é e a maioria de nós não sabe felizmente), garanto-te que é o lado mais fácil desta batalha, que venceremos, mas para isso precisamos que cada um faça a sua parte! Fica em casa!

“Não te vás abaixo
Se o medo rondar.
É só um mau bocado
Que vai passar”

UHF, in “Portugal somos nós”

domingo, 22 de março de 2020

Covid-19



Fiquem em casa

Não me assusta nem encontro nenhum drama em ficar em casa.

Não me assusta viver com os meus dentro de quatro paredes 24 horas por dia, a tropeçarmos uns nos outros, a embirrarmos uns com os outros, mas também a cuidarmos uns dos outros, e ainda assim a tentar descontrair para não sermos vencidos pelo medo, pela ansiedade e pelo pânico. 

É importante a consciencialização, a responsabilidade e a atitude. Compreender o que já se sabe, ou se pensa saber, sobre o vírus, e agir em conformidade para evitarmos que ele nos apanhe e evitar propagá-lo. Quem nos garante que já não nos apanhou e quando “vamos só ali e não faz mal porque vamos sozinhos e não vemos ninguém”, não estamos a contribuir para a sua propagação? O tempo de vida do vírus nas diversas superfícies é assustador, isso sim, assusta-me! Nas paredes, no solo, nas portas, nos corrimãos, nas tampas do lixo, na porta da escada, no ar! Isso sim assusta-me! Assusta-me sim ter de sair e poder trazer o vírus para dentro de casa. Assusta-me a ligeireza com que alguns ainda lidam com o assunto. Assusta-me como agem. Assusta-me porque não compreendem que o seu argumento de “não faz mal porque vamos só ali e não vemos ninguém” é porque muitos “alguéns” ficam em casa! E também precisavam de arejar e fazer alguma outra coisa para manter alguma sanidade mental, acreditem!

Com duas pessoas dentro de portas, que reunem condições que as torna de risco para o Covid-19,  tanto pela idade como pelas patologias, fáceis de “controlar” ao contrário de muitos de quem os filhos se queixam por não compreenderem a importância do “Fica em casa”, as minhas preocupações e cuidados redobram, triplicam, quadruplicam e ainda assim tenho noção que podem ser insuficientes. Só eu saio à rua. Para o que tem de ser. Comida e bens de primeira necessidade (sem esquecer a cerveja, claro, que isto de manter a sanidade mental, aqui é levado muito a sério), medicamentos, levar a cadela a fazer necessidades, levar o lixo. Com mil e um cuidados, mas sei que um pequeno descuido, um gesto automático como levar a mão ao rosto, um vizinho que nos diz bom dia com demasiado entusiasmo e demasiado perto do nosso rosto, um “esquecimento” e um azar, e podemos ser infectados. E de igual modo infectar outros.

Não me assusta “ter tempo”, nem compreendo a dificuldade de muitos em ocupá-lo dentro de casa. 

E a Economia, dirão? E as contas por pagar, dirão…e sei muito bem do que falam, que eu até também as tenho! Mas mortos…de que vale termos as contas pagas? É preciso parar para parar o vírus, manter apenas o estritamente essencial para a sobrevivência das pessoas. Mas e o país?! O país são as pessoas! Sem elas, não há país...

O país...são as pessoas!

Depois…depois…Há-de ficar tudo bem! Mas por agora é preciso atitude, adoptar comportamentos que contribuam para isto parar! 

Por nós, pelos nossos, por vós, pelos vossos, fiquem em casa por favor!
Não é assim tão difícil.


sexta-feira, 20 de março de 2020

A noiva

Estórias de encantar, mas sem encanto

Da saga “Férias 2019”

Capítulo fora de ordem, racional ou outra

A Noiva

Algumas vezes, ao fim do dia, já noite dentro, depois de jantar e da loiça metida na máquina, reuníamo-nos à volta da mesa. Dessa mesma mesa de madeira onde tomávamos as refeições.

A fraca iluminação e as teias de aranha pelos cantos do tecto davam à habitação um toque fantasmagórico, misterioso e caprichoso, ao melhor sabor do fantástico e de filmes de terror.

Os jogos de tabuleiro, descobertos na casa, de entre uma pilha empoeirada de brinquedos e livros velhos, com décadas de uso, mil e uma histórias vividas, ocupavam o centro da mesa e depois de analisados era escolhido um. O papel amarelado, envelhecido pelo tempo e pelo uso, e o cartão amachucado, com vincos de memórias antigas, rugas desenhadas pela vida, incorrigíveis, eram características comuns a todos eles, mil e uma vez manuseados, testemunhas silenciosas de serões passados por ali. Também de noites dolorosas e de dias sombrios. De sangue derramado e de almas trespassadas por lanças de ferro enferrujado e frio. Mas eles não sabiam disso nem poderiam saber.

Naquela noite foi escolhido o Loto e a jovialidade dos jogadores deu vida ao jogo e o jogo deu vida aos jogadores.

Escolhidos os cartões, sobrou um, porque tu, Mãe, jogavas agora outro jogo. Precisamente à mesma hora, a centenas de quilómetros dali, jogavas com a morte e a vida e sorrias num corredor de hospital entre dezenas de outros que como tu, aguardavam uma decisão, uma sala disponível, uma operação, um parecer médico, uma evolução de estado, ou simplesmente a morte se os familiares ali os abandonaram. Porque há muitas formas de morrer, e ali, há já gente morta.

O cartão do Loto que assim sobrara, foi colocado no centro da mesa e prontamente decidido pela nossa menina mais nova, que dormia no quarto da noiva, e que com ela partilhava não só o espaço que era o seu quarto, não o tempo, mas também o nome: Carolina.

Deram início ao jogo e foram saindo os números. A sorte e o azar a brincar connosco. As risadas dos ganhadores, que tinham a sorte por eles e os rostos contrariados, quase amuados, meio a brincar meio a sério de quando os jogadores se viam a perder. A noiva, invisível, mas claramente presente ia ganhando pontos, à medida que os números iam saindo, preenchendo o seu cartão de forma anormal e assustadoramente rápida. E quando só lhe faltava sair um número, uma única peça, deu finalmente a vez aos outros, enganadores e enganados, rijos e sorridentes como petizes apesar da idade avançada de alguns deles.

Ganhou o avô. Foi o primeiro a preencher o cartão. Riu-se como um miúdo. Serão feliz à volta de uma mesa de madeira e de um gasto jogo de Loto. A noiva, só não ganhou porque, verificou-se depois, que a única peça que lhe faltava, era uma peça que simplesmente não estava na caixa. Teria desaparecido no passado e na história da casa e das pessoas que por ali passaram. Distribuídas todas as peças, faltava a única necessária para a noiva preencher o seu cartão: a peça número 77.

Risadas joviais, arrumado o jogo e siga o serão. Sigo para a cozinha. É preciso acabar de lavar as chávenas do café que bebericámos a acompanhar o jogo e bolinhos.

Remeto-me à cozinha e começo a lavar as chávenas. A água a correr, os salpicos e o emaranhado de fios, tomadas duplas e tripas e extensões eléctricas diversas ali tão perto… Num momento em que rodo a torneira, parece-me sentir um ligeiro formigueiro no braço direito. “Ui…não…isto deve ser impressão…isto não pode dar choque!” De seguida vou buscar as restantes chávenas à sala e quando pouso as mãos na pia do lava-loiça, agora cheio de água, entupido pela canalização e escoamento deficiente e nítida e claramente agora, apanho o maior choque eléctrico da minha vida. Grito e afasto-me do lava-loiça. Não é possível, isto não é possível…mas eu senti! Juro que senti!
- Mãe! Gristaste?!
- Sim! Apanhei um choque, saiam daqui, ninguém toque na bancada, afastem-se!
Afastaram-se, tão ou mais assustados que eu.

Pego na esfregona e começo a limpar os pingos de água no chão. A esfregona, farfalhuda, numa dança no chão, em círculos enérgicos que lhe imponho, involuntariamente levanta a cortina que tapa a bilha do gás debaixo do lava-loiças e para meu espanto traz com ela um pequeno objecto que arrasta no chão, preso às suas franjas. É azul e pequeno. E perante a surpresa de todos, é uma peça do loto! Mais especificamente, a peça com o número 77…




sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

Até já Abelha Maia



Querida Abelhinha

Faz mais de uma semana que nos deixaste. Faz mais de uma semana que te visito diariamente. Não. Minto. Visito-te mais de uma vez por dia. Para ver se estás "bem". Como se estar morto pudesse de alguma forma significar "estar bem". 

Aguentaste a noite e de manhã, voltei a aconchegar-te, pela última vez, sei-o agora,  no meu colo e ajustei a mantinha ao teu corpo encostado ao meu. Soube sem saber, que não durarias muito mais, acariciei-te e dei-te um beijo na cabecinha, autorizando-te a partir, meu amor. "Podes ir, querida, podes ir...", disse-te. Saí para comprar pão e quando voltei cinco minutos depois, já cá não estavas. A Morte tinha entrado em casa e tinha-te levado minha querida. Encontrei o teu corpo quando voltei, quente, sem vida, flácido e inerte. Toquei-te e percebi que já tinhas partido. Peguei-te e por instantes quis o meu coração ver-te viva, a ilusão de um ténue movimento do tórax, a dizer-me mentindo que estarias ainda a respirar, mas não, era ilusão e os teus olhos abertos agora sem vida e a cabeça pendida, diziam-me o contrário. 

Querida Abelhinha, nunca pensei que perder um ser assim, como tu, tão pequeno e "insignificante" pudesse tocar-me tanto. A Morte, cobarde, entrou em casa quando eu não estava e levou-te. O ser mais frágil. Aquele que tratei como um bebé, que alimentei a seringa, que lutei para resistir noutra ocasião. E conseguimos nessa altura, meu amor! A alimentação especial, a medicação e sem dúvida o amor agarraram-te à vida no passado. Mas agora, assim de repente, nada disso foi possível ou suficiente.

No espaço de 24 horas, disseste-me que estava a chegar a tua hora e partiste. 

Não consegui fechar-te os olhinhos. Deixei-te embrulhada num lençol branco dentro de uma caixa de cartão. Agora não havia tempo para tratar de ti, e tinha de ter a certeza de estares morta, minha querida, antes de decidir o que fazer ao teu corpo. À noite, com a alma do avesso, desembrulhei-te e olhaste-me sem vida, com a tua carinha fofa, serena, sem dúvida em paz e sem sofrimento agora. Não consegui fechar-te os olhinhos, minha querida. Fechei o lençol e vi-me rua acima de pá às costas  e um cadáver debaixo do braço.

A terra está dura apesar da chuva dos últimos dias. Há raízes e pedras. A pá parte-se. Acabo a escavar com as próprias mãos. Não há medo. Bem...só um pouco de repulsa quando toco numa minhoca. Instinto primitivo. E dor. Resignação. Aceitação. Reflexão. A Morte. Tu e eu. A tua carne igual à minha, a decompor-se a tua nos próximos dias. A luz que se apaga. A Vida. O último sopro. Que fazemos cá nós? Cuidamos uns dos outros, respondo sem hesitar. Por instantes, mais do que os desejáveis ou aceitáveis, desejo ficar ali contigo, à beira do riacho, sob a protecção das árvores, a ouvir a água correr, debaixo de um palmo de terra, que eu não consegui escavar mais fundo, a apodrecer em paz, até a Mãe Natureza me transformar em flores e ervinhas e quem sabe em borboleta ou até talvez em pássaro. Ou talvez ainda em ratazana ou morcego. Em vida de novo. Só isso importa. Vida de novo. E a minha e a tua, e a de todas as formas de vida, qual vale mais? Não sou mais que tu minha querida Escherichia (o teu nome oficial, mas para mim serás sempre a minha Abelha Maia, a minha Abelhinha). Deixaste-nos minha querida, e eu continuo cá por enquanto, nesta forma de gente.

Deixaste-nos..E a mana? O olhar da mana, que apesar das normais picardias entre irmãs, nas tuas últimas horas, esteve sempre contigo, colada a ti, sem se mexer? Só de manhã se afastou, farejando a Morte por perto, como eu, e o seu olhar, meu Deus, esse olhar de medo, sem compreender o que se passava, apavorada. Ou compreenderia e queria dizer-me mais, mais ainda do que eu via? Oh Dottie, minha pequenina, desculpa não conseguir tranquilizar-te, explicar-te o que eu própria não compreendo, confortar-te... O teu olhar nessa manhã em que a Abelhinha nos deixou, marcar-me-á para sempre. Sentiste a Morte, minha querida, mesmo antes dela levar a tua mana, e disseste-me muito mais do que eu poderia entender ou entendendo, explicar por palavras.

Sem palavras, calei. Calei a dor. Calei os pensamentos, calei as palavras. Anormalidade este consciente absurdo de emoções, esta necessidade mórbida de te visitar a toda a hora. De certificar-me que nenhum animal (de quatro ou duas patas) poderia profanar a tua última morada e o teu pequeno corpo. A necessidade de certificar-me de que estás "bem". A culpa de não te ter conseguido salvar. A culpa de não ter conseguido escavar mais fundo e deixar o teu corpo em segurança. A culpa...sem fundamento racional. A culpa de sentir mais do que o expectável e o socialmente aceitável. A culpa de querer estar contigo mas ainda não poder. A solidão. A paz que anseio ao lado do riacho que corre, onde os pássaros chilreiam e as árvores sussurram segredos imperceptíveis entre si...Onde uma parte de mim ficou...Abelhinha, até já minha pequenina. 


domingo, 19 de janeiro de 2020

A Música e as palavras na Vida da gente II...Tem de ser


"A Música e as palavras na Vida da gente II...Tem de ser"

"Escreve. Escreve sempre que precisares." Disse-lhe ele sem saber. Sem saber a importância das palavras. Das palavras escritas. Por ela. Para ela. E das dele próprio.

E como ela precisava escrever... Esse acto banal e simples e tão necessário como a sede e a fome têm de ser saciadas. E ela, acrescentou uns minutos à vida, sentou-se e...escreveu por fim.

Quando o palco é a Vida...

A Música, eterna e fiel amiga, presença constante na vida dela. A Música e as palavras a afagarem-lhe o rosto de pedra, sem lágrimas jorradas e sem sentimento visível. Emoção escondida porque assim tem de ser. A Música, a acariciar-lhe o rosto e a abraçá-la por inteiro. E a melodia e a voz do artista, e as palavras, soltas no ar a caírem sobre ela como um manto. Manto fiel às formas dela, exacto e perfeito, a dar voz à alma silenciada à força, amordaçada e ferida. A Música e as palavras, a lamberem feridas e a ajudá-la a levantar, porque assim tem de ser, porque o palco é a vida e assim tem de ser. Porque o palco é a vida e tem mesmo de ser...

Hoje, com Lena D'Água,  "Minutos", Album "Desalmadamente"





"Faltam dois minutos para entrar
A cortina vai levantar
Se há gente ali não sei
Sei que nunca esperei ninguém
Sei que nunca esperei ninguém
E o espelho já não sorri
Oiço a voz que há dentro de mim
Tem de ser, tem de ser, tem de ser
Tem mesmo de ser
Falta um minuto para entrar
A banda pronta p'ra tocar
E eu só no meu camarim
Não sei o que esperam de mim
Não sei o que esperam de mim
Se é quem sou ou quem nunca fui
Se é a voz que não me possui
Tem de ser, tem de ser, tem de ser
Tem mesmo de ser
Já passou a hora para entrar
Ao longe oiço alguém chamar
A banda já desespera
Eu não sei bem o que me espera
Eu não sei bem o que me espera
Só a lua é que dá por mim
E na rua canto por fim
Tem de ser, tem de ser, tem de ser
Tem mesmo de ser"

Lena D'Água,  "Minutos", Album "Desalmadamente"

quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

Alma UHF

Alma, UHF. Lê-se, como se quer. Como se quer e como se é capaz. Como a alma nos permite, com as portas abertas que tem e que se quer abertas. Lê-se com os olhos da cara, com a frieza da razão ou com o coração.Ou por inteiro, com o âmago do nosso ser. Com Alma UHF. 

Academia Almadense, 7 de Dezembro de 2019, 41 anos de UHF

Em 50 anos de Vida, a minha, 41 de UHF, o tempo de carreira UHF, a mesma admiração e o mesmo encantamento, agora multiplicado pela maturidade que a vida dá, pela passagem dos anos. Dos anos e dos danos que a vida nos faz. É uma vida, é uma constante na vida, namoro eterno, não sem arrufos e afastamentos, mas também e sempre com novas aproximações, relação fortalecida em cada novo reencontro, na certeza de uma relação eterna, de notas soltas intrínsecas ao meu ser, a moldá-lo ao ponto de se fundir nele, fazer parte dele. Melodias várias a embalar a minha vida. Um toque de amor, de pureza, admiração e deslumbramento próprio de uma miúda de 14 anos, a replicar nos anos que se seguiram, até hoje, com outra maturidade, outra visão, mas sem dúvida o mesmo encanto e prazer, acrescido de uma admiração adulta, séria e solidificada.

Portas que mantenho abertas, à Vida, ao Amor, à Amizade, ao Prazer e à Música em que me deixo embalar, que me faz pensar, agir e libertar!

Foi assim a 7 de Dezembro em Almada. Um jantar de amigos, mais de 50, a encherem o restaurante, pouco em comum a não ser esta paixão, e com ela arrastadas tantas outras coisas, muitas delas por descobrir.

E o concerto foi bestial. Onde não foi possível ficar sentada na cadeira. Onde tivemos de saltar e pular e cantar, e libertar-nos de dores (das mais variadas que se possam imaginar) e dos medos e dos fardos, a acompanhar cada tema com a força de uma nação inteira. Saí de lá rouca de tanto cantar a plenos plumões, mas feliz, tão feliz como nunca. Claro que ter a companhia da minha miúda foi peça chave no jogo. No jogo desta noite, a escrever páginas felizes na enciclopédia da Vida. A única preocupação era aguentar de pé e garantir que a perna se aguentasse sem ir abaixo. E aguentou. A aguardar o bisturi e novos medos e batalhas da vida, a "perna de pau" aguentou-se como devia, a permitir-me viver o momento como único que é! De joelhos no chão à beira do palco, "olhos fixos à procura do profeta da rebeldia", hipnose perfeita a tentar guardar imagens para além da memória. E o baterista é sempre tão difícil de guardar na foto do ctelemóvel barato... Desculpa lá Ivan...
A noite foi bestial, soube-me pela vida, e é disto que a vida também é feita, energia e alegria, a carregar baterias para o resto dos dias...

Obrigada UHF!



António Manuel Ribeiro, a mostrar-se como é, no jantar dos fãs, por Elisabete Wahnon, para ver aqui:

https://www.facebook.com/elisabetewahnon/videos/2743625435688427/




O jantar:




Os próximo concertos:


Até já

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

A Música e as palavras na Vida da gente

A música, as palavras, a rima, a melodia, o manto mágico que emerge da voz do artista, da alma do poeta, carregado de sentido e sentimento, a assentar em nós como uma luva numa ou outra fase da vida da gente. Como se nos conhecesse e desse voz à nossa alma, com a precisáo de um cirurgião. Sempre foi assim comigo e sempre assim será. Porque não vivo sem elas. A Música e as Palavras.




Por hoje, Sérgio Godinho:

"Há-de ser mais claro tudo um dia, vais ver tudo nos lugares que tu separares entre o tanto que há pra viver Por agora é tudo confusão, tempestade grita no mar alto dança no asfalto cruza os dias da tua idade É a vida o que é que se há-de fazer? é a vida o que é que se há-de fazer Viver!"

Sérgio Godinho, "É a vida o que é que se há-de fazer"


domingo, 1 de setembro de 2019

Férias, Campo, "Hipocampo", e outras coisas mais



Estórias de encantar, mas sem encanto
Da saga “Férias 2019”
Capítulo...por aí fora...
Agosto de 2019

Trabalhamos. Fazemos parte desse grupo, felizardo e sortudo que tem um trabalho, um ordenado fixo mensal, descontos, taxas e impostos impostos e trabalhamos. Por norma, oito horas a cada vinte e quatro, cinco dias por semana. Com mais ou menos afinco, com mais ou menos motivação e realização, com mais ou menos entrega, com mais ou menos justiça e com mais ou menos reconhecimento. E porquê? E para quê? Para comer! Comer pão com manteiga e amendoins e cerveja, que podemos comprar quase todos os meses. E pagar os estudos aos filhos e o tecto da casa. E somos assim felizes, tantas vezes. Não sempre, é certo, mas muitas vezes, pois a felicidade está apenas no momento e nada mais existe.

E trabalhamos onze meses e planeamos as férias grandes, a gozar uma vez no ano! Em "grande" se for possível. As férias! E se fingimos ser ingénuos e acreditamos que a maior das pessoas fica feliz com a nossa felicidade (que ridícula infantilidade...) é com prazer que anunciámos que vamos de férias! Fazemos planos, partilhamos para onde vamos, o que faremos, etc, e por vezes quase acreditamos mesmo, que a maior parte das pessoas que nos rodeia fica feliz por nós. Não fica, já sabemos, mas teimosamente continuamos a acreditar que sim. E continuaremos a acreditar. Teimosa e infantilmente, continuaremos a acreditar. 

Assim, eu, como o comum dos mortais pertencente a este grupo, fiz planos. Amealhei. Poupei afincadamente. E anunciei aos sete ou oito ventos que ia de férias. Estava tão feliz! E em cada Verão, são gravados dois ou três Cd´s para se ouvir no carro, durante a viagem. Este ano, havia também o CD da mãe, com temas escolhidos para acompanhar a viagem e acompanhar o Verão. Temas escolhidos pela mãe, para a mãe.

Entre eles, boa parte do último trabalho da Lena d´Água "Desalmadamente", que me delicia a cada tema. E a viagem de ida teve além das músicas da filhota, este ano teve também o CD da mãe! E como foi feliz essa viagem. Entre o calor do asfalto, as filas de trânsito e os disparates partilhados, ansiosas por chegar. Às férias, tão desejadas e prometidas. Nós,a cadela e as porquinhas e as nossas músicas como banda sonora do que prometia ser o mais belo filme de 2019.

Depois, ao segundo dia de férias, num lugar paradisíaco, cá dentro, mesmo aqui ao lado, um azar acontece. A avó cai e não se levanta mais. Fractura do colo do fémur, foi o diagnóstico. A partir daí, as férias foram absolutamente estrondosas, como podem imaginar. Mas a música, ai a música, melodia e palavras, foram a companhia, foram o abraço e o conforto, foram a confidente que permiti ver-me chorar completamente despida dentro do carro, num CD demasiadas vezes repetido nas viagens que se impunham entre as "férias" e o Hospital... Obrigada Lena d'Água e Obrigada Tânia Patrícia, porque tudo isto é verdade e porque me inspiram! E porque me ensinam, mostram e demonstram que cada palavra, cada gesto e cada atitude nossa, mesmo sem nos apercebermos, pode fazer diferença na vida das pessoas. E faz! Obrigada.

 

Hipocampo

Eu vou a caminho, vou e vou do inicio ori ,ori, xá chá e bolinhos ai coitadinhos dos meus gatinhos, ó eu vou a gozar o ar, o ar, da voz Sou do hipocampo e há tanto campo em mim estou a ir, meu anjo Ando louca para te fazer um tchim tchim, ai ai Eu vou a caminho, vou e sigo o instinto ora, ora, ção são dez e meia encho a aldeia de macaquinhos, ó vou inflamar o mar, o mar na foz Sou do hipocampo e há tanto campo em mim estou a ir, meu anjo Ando louca para te fazer um tchim tchim, ai ai Eu vou a caminho, vou vou sem destino tino, ino, cente Sente o sinal no mapa astral dos gambuzinos, ó eu vou a tornar o ar o ar em nós

Lena d'Água, em "Hipocampo"

sexta-feira, 30 de agosto de 2019

As férias e a Corrida

Estórias de encantar, mas sem encanto


Da saga “Férias 2019”

Capítulo III

As férias e a Corrida

Agosto de 2019...lá para dia 8 ou 9

Como se fosse possível, depois da tua partida inesperada, tentámos manter alguma normalidade e aproveitar as férias, o espaço e as pessoas. Tal como tu gostarias que fizéssemos e como me recomendaste com amor, repetida e insistentemente, alternando com pedidos de desculpa, ainda deitada na maca naquele escuro corredor de Hospital, a tremer descontroladamente, sem qualquer conforto ou fármaco para te aliviar as dores.

Assim, a par das viagens de 500 km para te visitar, com a preocupação acrescida da eventual falta de gasóleo nos postos de abastecimento, com que a comunicação social fazia questão de nos bombardear até à ridícula histeria colectiva, continuámos a usufruir das férias. Da piscina, da Sol quente, do descanso deitados na relva à sombra das árvores, da boa comida, da companhia dos que restavam connosco, enfim…da Vida, e claro que a Corrida não podia ser excepção. Lugares novos, com caminhos para explorar, como eu adoro. No entanto, confesso que a vontade era pouca e o cansaço do corpo não convidava. 

Mas contrariando as "desculpas", numa manhã, depois de escassas horas dormidas, depois dos pequenos almoços tratados, compras feitas e almoço adiantado, lá me empurrei, equipei-me e saí para a rua a correr!

E surpreendentemente (ou não), apesar dos caminhos secos e poeirentos, do Sol abrasador, do asfalto a queimar os ténis e a devolver o calor à atmosfera em ondas turvas à vista, corri com o original e genuíno prazer que a Corrida sempre dá. A liberdade e o prazer de estar só comigo mesma, necessidade que se impunha há muito, foi maravilhosa. Como banho de renascimento. Como baptismo repetido e ainda assim reinventado, cada vez que corro. Apenas os montes em meu redor, um ou outro cão ao longe, a guardar o seu monte, os olivais por onde me aventurei, a proporcionarem algumas sombras, a sinfonia das cigarras que claramente cantam com outro timbre no Alentejo, os rebanhos deitados à sombra dos sobreiros, a paz, a plenitude, e eu e a Corrida. Naqueles minutos, nada mais existe e de nada mais preciso. Momentos divinos estes os oferecidos pela Corrida, de forma singela e a encerrar neles tanta beleza. Assim, a passo de caracol, na imensidão do calor e paz deste nosso Alentejo, usufruí. Da Corrida e da Vida.

Poucos quilómetros corridos, mas regresso à casa como nova. O corpo, mais bronzeado, a luzir de suor sob o Sol escaldante, mais torneado e firme, sob a ilusão que a Corrida nos dá, mais forte, cheio de energia, invencível até, tal é a sensação ilusória que a Corrida nos dá. Mas claramente, sem qualquer ilusão, mais feliz, mais segura e cheia de ânimo! 

Uma alegria espontânea, quase infantil, apodera-se de mim. Recebem-me com alegria na casa, especialmente a cadela que não pára de abanar a cauda e de me lamber o rosto e as pernas, não como manifestação de afecto como gostaríamos de pensar, mas porque a transpiração lhe deve ser algo bastante apetecível ao paladar, enquanto alongo. Rio. Faz-me rir a cadela. Faz-me rir a Corrida. Fazem-me rir os meus que me esperavam à beira da piscina, onde e com quem, depois de um duche rápido, partilho mergulhos e brincadeiras com alegria e uma energia que não sentia há muitos dias, no que se hão-de transformar mais tarde, em boas recordações destas férias.

E num mergulho, de corpo totalmente imerso a deslizar nas águas azuis refrescantes, relembro-me que a Meia Maratona de S.João das Lampas está aí à porta e que eu estou inscrita!  




domingo, 25 de agosto de 2019

Todas as manhãs

Estórias de encantar, mas sem encanto

Da saga “Férias 2019”

Capítulo ...qualquer coisa e mais um...

Todas as manhãs

Agosto de 2019...lá para dia 6, 7, 8, 9 e seguintes...

Todas as manhãs, invariavelmente entre as seis e as sete, com os primeiros raios de luz e o cantar do galo, acordávamos cansadas. Noites mal dormidas, preocupadas, a deambular como fantasmas pela casa, com eles, percorrendo corredores infinitos, mal iluminados por candeeiros velhos decorados com teias de aranha, a produzir sombras fantasmagóricas pelas paredes, para ir à casa de banho, onde claramente nos sentíamos observados e vigiados, mas espantosamente sem medo. De coração aberto, só próprio de quem está ali e na vida, por bem, o medo nunca fez parte da equação. Afinal os invasores éramos nós e os espíritos só guardavam o que a eles pertencia. As aves nocturnas raramente nos davam o desejado e necessário silêncio nas longas noites, emprestando à noite um misticismo quase aterrador, e o nascer do dia era sempre por isso, muitíssimo bem-vindo.

A necessidade de manter uma normalidade rotineira, mesmo quando acabaram de nos tirar o tapete dos pés e caímos desamparados no chão, imperava, e assim, eu e tu meu amor, aos primeiros raios de luz de cada manhã, saíamos da cama. Enfiava umas calças de ganga, uma camisola e uns ténis, prendia o cabelo e afagava-te o pêlo, ainda sentada na sanita, eu, mas já acompanhada de ti meu amor, que me seguias agora pelo corredor infinito, em silêncio, enquanto o resto da casa dormia ainda.

Depois, íamos até à porta da rua, onde eu, ainda cá dentro, de joelho lixado, com dores a fazer adivinhar uma lesão qualquer que se há-de manifestar, me sentava no chão de pernas abertas e te pedia para te deitares entre elas, e então, te protegia a ligadura da tua pata partida e que não se podia molhar na geada da noite na erva do jardim, com uma peúga grossa, um saco de plástico para impermeabilizar e outra peúga para não escorregares. Por fim saíamos. Acompanhadas, sentia-o bem. Sem qualquer necessidade de medo. E o que nos recebia era sempre assombrosamente belo. O Sol no horizonte, a romper, ou apenas a sua luz quando as manhãs eram cinzentas acompanhadas de bancos de nevoeiro junto ao solo. No entanto, as aves recebiam-nos com uma alegria estonteante e contagiante. Estávamos vivos e a Vida é tão rica e valiosa! Andorinhas, pardais, rolas, e ainda uma ou outra ave nocturna que atrasada era surpreendida por nós e depressa se refugiava . Os sons, os cheiros e o cenário que me era oferecido nessas manhãs, presentes de valor inestimável, são inesquecíveis e apesar de tudo o que de menos bom se passava, sentia uma gratidão tremenda, repetida sem cansaço ou enfado, todas as manhãs, talvez pelo simples facto de constatar que estava viva e que o que mais me importa na vida, estava ali, cabia dentro da algibeira e não precisava de mais para estar grata e feliz.

Dávamos o nosso passeio madrugador pelo monte, surpreendíamos as rolas no seu banho matinal, as andorinhas e os pardais numa chilreada que me fascinava de forma pura e genuína e me surpreendia ingenuamente apesar de se repetir todas as manhãs. De forma irrepetivelmente bela! Manhãs de Sol, de nevoeiro ou mesmo de chuva. Espantosa e com tanto para nos ensinar, a Natureza! E eu, do alto dos meus cinquenta anos, ainda com tanto para aprender...

Contavam-me segredos as aves, segredos que o meu coração ouvia e com eles me fortalecia. 

Entre as ervas e a palha molhada, as aranhas fizeram as suas teias durante a noite e algumas maçãs caíram  assim como algumas ameixas e figos.

A nossa volta, normalmente, consistia numa visita às sebes que ladeavam a piscina, onde enfiavas o teu focinho e farejavas sofregamente em busca de algum animal, alimentando a esperança que uma distração dele te permitisse apanhá-lo, o que nunca aconteceu, claro, porque tu, meu amor, és uma pateta como eu, apenas curiosa e ávida de descobertas. Também as enormes oliveiras, abandonadas no meio do terreno mereciam sempre a nossa visita. Triste, uma casa na árvore, meia destruída e partida agora, chorava à nossa passagem, mas no entanto parecia agradecer-nos a visita e prometia ainda dias felizes por aqui. 

Fazias as tuas necessidades e eu alimentava as minhas. Enchia o coração de paz e de harmonia. Apenas contigo e a Natureza. Enquanto todos ainda dormiam a havia verdadeiramente paz,  aqueles momentos ao nascer do dias foram o que me deram alento para o resto das horas dos dias e para todos os outros dias que por lá passámos. E para agora. Tem este condão a Natureza. Com a sua espantosa simplicidade, equipa-nos com o mais forte escudo e torna-nos o mais destemido guerreiro.

Voltávamos para casa, mais leve tu, e mais leve eu, apesar de carregar na bagagem experiências e vivências impossíveis de pôr no papel. Ainda assim, ficam por aqui os registos numa tentativa de eternizar as emoções vividas.

Depois de comermos, ficávamos por ali as duas, a aguardar que os outros acordassem e tu, a aguardar que a relva secasse para poderes por fim, pisá-la à vontade.

 Obrigada Molly e obrigada Mãe Natureza.