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quarta-feira, 14 de setembro de 2016

A 40ª Meia Maratona de S.João das Lampas e eu


À primeira vista dir-se-á que decorreu a 40ª Meia Maratona de S.João das Lampas e que eu fiquei de fora. 


Mas mesmo quando apetece esconder e ficar calada longe de todos, mesmo quando o mar é revolto e a maré arrasta-nos num sentido que não queremos e por instantes sentimos que esgotámos as forças e a vontade é deixar-nos ir, mesmo com tudo e mesmo com nada, rumei a S. João das Lampas na tarde de sábado 10 de Setembro de 2016 e mesmo sem poder correr, eu não iria por nada deixar de estar presente na 40ª edição daquela que é a 2ª Meia Maratona mais antiga de Portugal e aquela que tem lugar cativo no meu coração. Estive lá e fiz parte da festa. Entre o cheiro a óleo das farturas e os copos de imperial na mão e a música dos carroceis, dão-se encontros casuais de muitos velhos amigos da Corrida. Eles já em fase de levantamento de dorsais e aquecimento e eu...sem correr. Ainda assim, eu estive lá e eu também fiz a festa e vivi intensamente a 40ª Meia Maratona das Lampas! Como? Assim:

A 40ª Meia Maratona de S.João das Lampas e eu 


Já experimentaram? Sentir intensamente uma felicidade avassaladora que nos invade o peito e transborda em lágrimas não estivessem estas devidamente aprisionadas e uma tristeza profunda marcada a ferro em brasa no flanco do cavalo, em simultâneo, exactamente no mesmo perfeito e exacto segundo? Pois foi o que me aconteceu nas Lampas durante largos minutos. Primeiro, é rever amigos, dois dedos de conversa com este, e este, e mais este e aquele ali também. E eles são tantos... Depois é ver ser dada a partida e ficar de pés no chão e coração a esvoaçar por entre aqueles corpos coloridos e já suados que se fazem à estrada.


Revejo mentalmente o percurso e voo sem ninguém saber. Vou com eles e eles não sabem. Estou tão feliz. Por eles. Por eu estar ali. Por tudo. Pela Meia Maratona das Lampas acontecer e pela 40ª vez fazer muitas pessoas felizes a correr. 

A correr, sempre soube que é possível levarmos alguém connosco, que não estando fisicamente presente, é levado no nosso pensamento, no nosso coração e por várias vezes no passado, enquanto corria e o suor me lavava o rosto, eu levava comigo tantos amigos...Não sabia é que também podia ser levada! Ficar de pés pesados no chão e ser assim transportada! Leve, tão leve...apesar do peso físico. Não sei quem me levou, mas sinto que foram muitos pois este corpo não se levita assim do chão facilmente.

Poucos minutos depois da partida, é vê-los passar de novo por nós, ainda frescos. Depois nova pausa, esta mais longa, pois os atletas só voltam a passar ali quando já levarem cerca de 13 Km de percurso corrido. Tempo de reflexão, enquanto pairo sobre o percurso mentalmente. Revejo o sobe e desce, as pessoas na rua a apoiar-nos, a subida aos 10 Km, o tanque de água, os chuveiros que a organização sempre disponibiliza. Revejo os meus passos do ano passado, e de outros anos também. Sempre tão diferente e sempre tão especial correr aqui nas Lampas. Depressa chega a altura de os ver passar agora com 13 km nas pernas. Apoio. Apoio cada um e todos. Palmas, uma palavra de incentivo, um sorriso. Tão pouco e tanto. Alguns demasiado concentrados e aparentemente alheios a estas manifestações saloias  (eu sou uma rapariga saloia, já vos disse?). Mas outros dão o sorriso mais bonito que têm e de olhos iluminados agradecem. Não sabem eles, que eu é que lhes agradeço. Porque eles não sabem, mas eu estou a correr com eles porque eles me levam.

Mais depressa chega a hora prevista da chegada dos primeiros classificados e é altura para me posicionar bem perto da meta para os ver chegar. O pórtico da meta, tão especial aqui nas Lampas está vazio ainda. Sozinho, sossegado, silencioso e misterioso. Aguarda os atletas. Os que vêm suados e a espumar, cansados mas felizes por ali chegarem. Portal mágico a levar-nos além e nem sempre se deixa atravessar. Está apenas destinado aos esforçados, aos que acreditam, aos que lutam e por isso são merecedores e vencedores. "Este ano aqui não passarás!", diz-me a bruxa de cabelo louro encrespado e áspero, de verruga no nariz e olhar enganosamente doce. Passarás, passarás, se não for mais à frente, há-de ser lá atrás! Respondo-lhe desafiadora e confiante. Bem, o que queria dizer era que se não era este ano, noutro ano seria, mas com uma infantilidade genuína, quis que rimasse. 

Sou desperta e trazida à Terra, pela aproximação da mota da polícia e o carro da organização. Já lá vinha o 1º atleta. Depois dele, outros. E outros. E se aplaudo todos sem execpção, começo a aperceber-me que pelo meio das palavras de incentivo e apoio, que dou, estou a usar o nome próprio de cada um deles com espantosa frequência. Vitor! Chantal! Rafael! Pedro! Albísio! Paulinho! Álvaro! João! Fernando! Rui! Isa! Carla! Mário! Edu! (só para enumerar alguns). Conhecidos e companheiros de ocasião que a Corrida juntou há mais ou menos anos. E Amigos, também. E não são poucos. Genuinamente feliz por eles, sinto uma vontade forte de pular o gradeamento e acompanhá-los nos últimos passos antes da meta e atravessar aquele pórtico mágico com eles. Mas conforme já explicado, não me é permitido e a minha passagem está vedada. Ele não é para todos. Há que o merecer! E ouço a bruxa rir-se estridente e histericamente. E a Tristeza invade-me o peito como nuvem de fumo negro, mas a Felicidade está lá explosiva, a ocupar todos os recantos da alma, alimentada dos sorrisos que recebo dos rostos suados, e diz à Tristeza que hoje já não há ali lugar para ela!

Isto é viver a Meia Maratona de S.João das Lampas. Este ano do lado erróneo da estória, mas sem por isso deixar de a contar. 

Obrigada Runners da Frente Ribeirinha da Póvoa de Santa Iria. Aos presentes nas Lampas e a muitos outros, que sabem quem são, obrigada por tudo! E António, para o ano quero ver-te a cortar aquela meta!


Razões distintas, mas o meu igual Obrigada...por tudo! Ao Fernando Andrade e ao meu pai!

O portal mágico

Uma imagem a dizer mais que mil palavras: a chegada do Vitor com o filhote pela mão; são momentos pelos quais a vida simplesmente vale a pena! Obrigada Vitor, que mesmo sem teres consciência disso, nos mostraste isso mesmo! 


Classificações no site da prova, aqui

Fotos: 

pela AMMA - Atletismo Magazine Modalidades Amadoras, a ver aqui

pelo Marcelino Almeida, Album 1, Partida e percurso, a ver aqui    e

 Album 2, Chegada à Meta e Entrega Prémios, a ver aqui

por Orlando Duarte, a ver aqui

pela Mafalda Lima, Album 1, a ver aqui  e Album 2, a ver aqui 

por P.S. Foto Desporto, a ver aqui

e muitas mais que podem se encontradas na página de facebook da Meia Maratona de S. João das Lampas - Grupo de Dinamização Desportiva, aqui

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

A Fascite Plantar e eu

7 de Setembro de 2016

Patas... Tão diferentes e tão iguais. Continua—se pois a "tratar da saúde" da F.P. que teima em persistir e resistir. Mas falamos de persistência e resistência? Queres luta FP?! Quando quero, também sei o que é isso FP! E eu quero! "Correr" contigo FP! Para depois Correr sem ti! Livre! Livre de ti!

A Fascite Plantar e eu

6 de Setembro de 2016

"Sempre ao teu lado, pronta para te ouvir com o máximo de atenção"




A Fascite Plantar e eu

5 de Setembro de 2016

Tratar a fascite plantar (de ora em diante designada por F.P., abreviatura que por sinal lhe assenta como uma luva)...não é fixe. É apenas...o que é. 

Mas o melhor mesmo é confirmar—se que Amigo é aquele que também nos momentos menos bons, simples e naturalmente está lá! Bem ao nosso lado! Bem perto de nós! Tão perto que às vezes até nem era preciso tanto, "né" menina Molly?


A Fascite Plantar e eu

4 de Setembro de 2016

Tratar a fascite plantar é uma caca...porque significa que ela vive em mim, sem ter sido convidada, ok, talvez tenha aberto um pouco a porta por onde ela poderia entrar e entrou, mas caramba, ninguém a convidou para se instalar e ficar refastelada no sofá a gravar séries para ver mais tarde, a fazer planos para vários meses, em que não lhe passa pela cabeça sequer fazer as malas e pôr—se a andar daqui para fora... Não desistes? Pois eu também não!


A Fascite Plantar e eu

2 de Setembro de 2016

Tratar a fascite plantar com uma lima congelada é fixe. 

Fixe mesmo era a fascite nunca se ter instalado no meu pé, como lapa numa rocha ou lontra num sofá acompanhada de um prato de bolachas e outros abastecimentos como se não houvesse amanhã! 

O melhor mesmo é a companhia fiel nestas autênticas sessões de fisioterapia em casa. Entre investidas de focinho e patadas vigorosas na tentativa de me roubar a lima, ouço nitidamente: "Mas...Mamã...dá bolinha! Vamos brincar!" E lá tive de usar da autoridade, mesmo que me estivesse a rir por dentro, não fosse o drama real da situação...


A Fascite Plantar e eu

1 de Setembro de 2016

Tratar a fascite plantar é fixe! (Ok...ok... Não tanto como Correr, mas fixe como Correr....só Correr! Mas temos de tirar sempre o melhor partido das coisas e ser optimistas!)

 Agora constato que quando eu dizia que sim, sim senhor, eu faço alongamentos, sim senhor, afinal fazia apenas uma pequenina amostra de alongamentos...

Vamos continuar porque ao Monte eu quero voltar!!!



A Fascite Plantar e eu

29 de Agosto de 2016

 O
O que fazes quando o médico te diz (há 2 meses atrás) que tens de esquecer a Corrida? Fazes coisas feias — "Só tu dizes que é feio..." Horas Vagas, para ver e ouvir aqui:


 E além disso, mudas de médico, começas efectivamente a fazer alguma coisa na direcção certa e voltas a acreditar a sério que vais voltar a correr! Foi o que me aconteceu hoje! 

sábado, 27 de agosto de 2016

Amor

A alegria é sempre genuína. Nos primeiros passos apressados, assim que pisa a areia, numa correria louca direita ao Mar. Lembra—a uma outra menina, quase esquecida, há mais de 40 anos atrás quando as idas à praia eram ocasiões raríssimas e tão especiais e ela corria exactamente assim, solta e feliz numa correria doida em direcção ao Mar, para, assim que molhava os pés e as pernas, voltar para trás com o maior sorriso do mundo, agora ainda mais rasgado, dar meia volta e correr de novo ao encontro das ondas. Sorria com a boca e os olhos, corria e era feliz nesse instante. Revê—se e é feliz hoje ao reviver esta cena. Depois caminham ao longo da beira mar. À solta.  Livres. Apenas forte e firmemente ligadas por um elo invisível. Daqueles essenciais, invisíveis aos olhos portanto, como todos sabemos. Vão ao fim da Praia e voltam. A chegada ao ponto de partida é sempre festejada com um mergulho. Baptismo repetido e imprescindível onde se renovam e renascem todos as vezes. Depois, já cansadas, vão sentar—se um pouco. Bebem água, ajeita—se a toalha sobre a areia e eis que se é surpreendida por um inesperado  beijo em forma de lambidela, mesmo em cheio sobre o olho direito. Olho—a. Indiscutível e inequivocamente...sente! O Amor.

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Saudades / Instantes

Há um saudosismo avassalador e sufocante que a invade por instantes e um nó na garganta que se manifesta apesar da alegria e felicidade que em simultâneo sente. Alegria e felicidade pelo que é e pela Vida que vive hoje! Grata! Não obstante, sente saudades e alguma tristeza. 

Saudades destas mesmas estradas ladeadas de pinheiros e destas mesmas ruas e vielas de casario branco, corridas de madrugada. Saudades dos cães que ladram à passagem deles. Saudades desta paisagem sobre as arribas em que com eles dividia o prazer da Corrida e da descoberta. 

Saudades dos estradões de terra batida por entre os pinheiros, acordados pelos primeiros raios de Sol que os trespassam e vêm até ela, afagando-lhe a pele suada.

Saudade daquela "ela". Hoje sem correr. Sente saudades desta paisagem absorvida em ritmo confortável de Corrida, acompanhada pelo chilrear das aves mais madrugadoras que ela. Saudades do rosto suado, da brisa e do mar imenso onde repousava o olhar e refrescava o corpo e a alma, esse mesmo mar onde hoje se banha e mergulha, apenas... Feliz sim. Mas falta ela! A Corrida! Tem saudades de correr neste lugar. Neste e em todos os outros em que já correu e até dos lugares onde nunca correu. Sente saudades...

Saudades deste lugar recôndito onde se abriga e refugia. Onde ganha coragem e força para novas e velhas batalhas. 

Saudades de correr. Saudades de um abraço, de um sorriso, de paz, de conforto, de desafio e até de um beijo e de tudo o mais que a Corrida lhe dava. "Lhe dava" - o tempo verbal ecoa na alma dramático e dói como punhal ferrugento enterrado fundo no peito. Ela já não corre. E isso dói. 

Instantes... São instantes. A Vida reinventa-se a cada dia, a cada instante!  Mas que estar sem poder correr é...tramado, muito, mas mesmo muito tramado...isso é uma grande verdade para esta rapariga. 

É que não se trata apenas do facto de correr ou de não correr. Trata-se sim, da percepção que se tem do mundo quando se corre e da percepção que se tem do mundo quando não se corre. 

Trata-se sim dos olhos do coração que se abrem quando se corre. Trata-se sim do nosso olhar com que se abraça e alberga o mundo inteiro quando se corre. Trata-se sim de todo o mundo que se transforma quando simplesmente...se corre!

Melhores dias virão, ela quase não tem dúvidas que virão sim. Não sabemos é quando...E no entretanto, é viver e aproveitar estes muito bem.







segunda-feira, 18 de julho de 2016

Estar sem correr é ...

Estar sem correr é ...

Ser pássaro engaiolado
Ave ferida de pelagem negra como breu
E sozinha ... olhar o azul do céu 
E o alto da montanha
Sem lhes poder tocar

É ser fera apunhalada, urrando baixinho
Debaixo de um sorriso que abafa a dor

É ser animal selvagem baleado 
Arrastando-se devagarinho na floresta, 
Rasto de sangue entre as árvores
Em círculos, 
Até esquecer,
Até anoitecer,
Até endoidecer...
E ensurdecer para calar os seus próprios uivos e gemidos...


Estar sem correr...

É diante do melhor repasto, ter o copo vazio 

É sorrir porque sim
Querer ser forte mas chorar por fim
É ter a alma incompleta 
Corrompida e dilacerada 
Assombrada e perturbada
A ansiar por ti
Vazia.

Estar sem correr é...

É ter tudo para ser feliz
E não o ser.

É ser surpreendido pelo melhor da vida
Sem o poder de verdade viver...

Só... porque não se pode correr.

sábado, 25 de junho de 2016

Costumava ter um Amigo

Costumava ter um Amigo. E uma Amiga também. E não raras as vezes estávamos os três. A partilhar sorrisos, a erguer os copos e brindar à vida e à amizade, na certeza  de que esta última não acabaria nunca. Pelo menos enquanto durasse a primeira. E a primeira julgava-se longa assim como as circunstâncias dos três, pelo que a alegria era constante sempre que se encontravam. E encontravam-se muitas vezes! Dividiam pratos, copos, gargalhadas, abraços e até amuos e birras, também canções e melodias, histórias felizes e tristes também. E mesmo quando passavam demasiados dias sem saberem uns dos outros, naturalmente distanciados pelos trilhos da vida de cada um, bem distintos para os três, eles sabiam-se lá, presentes, amigos, caso precisassem. De falar, de serem ouvidos, embalados ou até abanados, sacudidos e acordados. A certeza da Amizade e de que se tinham uns aos outros era pilar seguro em cais de mar tumultuoso.


Mas muitas vezes as certezas são frágeis e as alegrias efémeras.

Agora a amizade continua lá, mas há dor. Dor. Muita dor. O pilar abanou e nada é igual. Digere-se a dor, ensaia-se constantemente uma aprendizagem com vista a um presente feliz, resgata-se o que ainda houver para resgatar e segue-se em frente. Agora caminhando devagar, muito devagar, porque a dor não deixa correr. E solto gritos, cabeça levantada e rosto lavado de lágrimas já limpas e arrumadas e urro desesperada como fera ferida que deixa um rasto de sangue atrás de si ...E sigo. 

"Continuo a ler livros
À procura de sinais
Elevando o instinto
E as falhas mortais.
.../...
Procurando à volta
O que fizeste de ti
.../...
É a saga de uma vida
Como a vida de milhões
É a história que fica
Alguns anos depois.

Velhos amigos onde estais
Oiço os gritos que soltais
Velhos amigos onde estais
Oiço os gritos que soltais."

UHF - "Velhos Amigos (onde estais)"
Album: "69 STEREO" - 1996

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Autocarro para a 13ª MARATONA DO PORTO

A partir de Lisboa, no sábado 5 de Novembro, com destino à

13ª MARATONA DO PORTO

viagem de AUTOCARRO por EUR 17,50 / pessoa / ida e volta

Anda daí! Faz a tua reserva de viagem e vem correr A Maratona, com o Douro a assistir!

Um serviço prestado pela Organização da Prova, a Runporto, e coordenado por:

Ana Pereira
anamariasemfrionemcasa@gmail.com
Tlm 964 937 456

Anda daí e muito provavelmente...és capaz de querer repetir! 




Autocarro para a Meia Maratona do Porto Sport Zone


A partir de Lisboa no sábado dia 17 Setembro, para a 

Meia Maratona do Porto Sport Zone   - dia 18 de Setembro de 2016

AUTOCARRO, ida e volta, EUR 15,00 / pessoa

Estás à espera de quê? Faz já a tua reserva e vem passar um fim de semana diferente a fazer o que mais gostas!

As margens do Douro esperam-nos! Vamos lá correr e ensaiar uns passos num percurso fabuloso!

O autocarro? Um serviço prestado pela Organização da Prova, a Runporto, e coordenado por:

Ana Pereira
anamariasemfrionemcasa@gmail.com
Tlm 964 937 456

Faz já a tua reserva de viagem!





quarta-feira, 1 de junho de 2016

A Binter, as Canarias e a Binter Night Run

A Binter e o convite

Atendeu a chamada e quando se apercebeu do convite ficou estupefacta. Diante das pilhas de papel que se amontoam diariamente, e do monitor onde material eléctrico desfilava indiferente à crescente excitação que lhe crescia nas entranhas, incrédula, ela ouvia surpreendida, o seu amigo Carlos Viana Rodrigues, criador, principal mentor e director do espaço AMMA - Atletismo Magazine Modalidades Amadoras, portal que se dedica à promoção e divulgação de actividades desportivas amadoras onde ela colabora como colunista, e o seu cérebro parara no preciso momento em que ele referiu Santa Cruz de Tenerife. 

Santa Cruz de Tenerife! Não podia acreditar no que ouvia! A Binter, companhia aérea que aposta nos voos directos Ilhas Canárias - Portugal, e nos leva em duas horas de Lisboa a Las Palmas, estava a organizar uma Corrida Nocturna, a Binter Night Run  (página no facebook, aqui) e convidava generosamente (e que generosidade, veio ela a descobrir depois) alguns jornalistas Portugueses para assistirem ao evento, conhecerem as potencialidades e ofertas das Ilhas, principalmente no que ao Desporto diz respeito, e que após a experiência de 3 dias, viessem para este jardim à beira mar plantado e fizessem eco do que vissem. E a AMMA tinha recebido um convite, que por impossibilidade de outros colaboradores, era então confiado e oferecido a esta rapariga. Uma responsabilidade e uma confiança que lhe era dada e lhe pesou sobre os ombros mas desafio que ela prontamente aceitou após saber que custos teria e o que lhe era pedido para fazer, que era "apenas" ver, absorver todas as informações e fazer o que habitualmente faz: descrever o evento. E tudo isso a custo zero. A Binter tem uma política de marketing admirável e louvável, onde não faltam apoios a inúmeras actividades desportivas e culturais nas Ilhas Canárias. Também com uma aposta em voos para Cabo Verde, onde escasseiam os voos regulares e também entre ilhas, a Binter tem uma forte componente social, cultural e desportiva, promotora de um desenvolvimento necessário e desejável.

Diante deste convite irrecusável, a rapariga só quis acrescentar como se de exigência se tratasse, a sua participação na Corrida, o que foi prontamente e de muito bom grado aceite.

Assim, no dia 19 de Maio apresenta-se no Aeroporto de Lisboa e encontra os restantes convidados Portugueses e companheiros desta viagem, eles sim, jornalistas, Luís Milhano do Record, e o já seu conhecido Manuel Sequeira, da Revista Atletismo, com quem veio também a partilhar a Corrida.

Voo directo e em duas horas aterram em Las Palmas, Gran Canaria. Uma recepção muito calorosa pela Binter, por aquele que foi o seu incansável, simpatiquíssimo e irrepreensível anfitrião, o José Escudero a quem se veio juntar por diversas ocasiões, a igualmente incansável, simpática e atenta Olga Castrillón. Um breve passeio na noite de Las Palmas pelas ruas histórias do bairro de "La Triana", onde jantaram soberbamente bem.

As ofertas desportivas:

Estadia de uma noite em Las Palmas para no dia seguinte visitarmos o complexo desportivo Gran Canaria Arena, inaugurado em 2014, tendo sido para nós uma honra, termos o responsável de diversos eventos desportivos da Ilha, o Sr. Carlos Arteaga, a fazer-nos a apresentação. Não só das impressionantes e magníficas instalações da Arena (Estádio, campos de futebol, de basquetebol, ginásio, etc), como das diversas actividades  que aí decorrem, desde jogos de competições Mundiais (Basquetebol) à utilização pela comunidade, incluindo as escolas, passando por eventos culturais diversos, como espectáculos musicais, pois é um espaço polivalente e de grande versatilidade.

Tivemos ainda uma breve apresentação dos eventos desportivos que elevam a Gran Canaria a Ilha Europeia do Desporto, sendo um projecto já posto em prática com sucesso, com o objectivo de oferecer grandes eventos desportivos, no mínimo um por mês, eventos esses a alcançarem repercussão internacional e uma posição conceituada e de destaque, como já é o caso de alguns deles, dos quais destaco a Transgrancanaria, (no facebook, aqui) com a próxima edição a realizar-se de 24 a 26 Fevereiro 2017, e a Gran Canaria Marathon, Las Palmas (no facebook, aquipróxima edição a realizar-se a 22 de Janeiro 2017, provas estas onde muito gostaria de participar.

E se destaco esses porque a Corrida e o Trail são a minha paixão, outros há de igual ou maior dimensão, como serão por exemplo o Campeonato do Mundo de Windsurf, a Semana Olímpica de Vela, a Trans Gran Canaria Bike, a Travessia a Nado Maspalomas,  e muitos outros.


História, Cultura, Gastrononia

A Binter fez também questão de nos presentear com uma breve visita pela cidade de Las Palmas, acompanhados de uma guia que falava Português e nos iniciou na história das Canárias. Fiquei a saber que os Guanches, povo nativo das Canárias já ocupava as ilhas quando lá chegaram os europeus, para serem escravizados e por fim erradicados juntamente com toda a sua cultura, hábitos e a própria história que se perde nos tempos. 
No entanto, terá hoje ainda, uma boa parte dos naturais das Canárias, ascendência Guanche. Também soube que o nome das Ilhas, entre outras teorias, se poderá dever ao facto de na Ilha se terem encontrado imensos cães e por isso as denominaram de Canárias (Ilhas dos Cães).

Conhecemos um pouco das ruas de Las Palmas, onde curiosamente decorriam as filmagens do filme "Allied’ com Brad Pitt. Conhecemos a praia de Las Canteras, onde almoçámos esplendidamente bem, como nos estavam a habituar desde o início. Peixe grelhado, polvo, peixe frito, batatas, bacon, salsichas, ovos, beringela frita com mel, nacos de suculenta carne grelhada e sempre tudo muito bom e sempre bem acompanhado de umas belas "Canhas". 

Ao fim da tarde é tempo de recolher as malas e rumarmos ao Aeroporto de novo. Num voo de 15 minutos estamos a aterrar em Tenerife. 11 Km separam-nos de Santa Cruz de Tenerife, onde ficaremos até final da estadia. Aqui a rapariga em vez de descansar, vê que lhe sobra tempo antes de jantar para um curtíssimo "treino". Vai de se equipar e palmilhar as ruas de Santa Cruz de Tenerife. Depois de estudar o mapa, tenta ir reconhecer no terreno a zona da Partida e Meta da Corrida, que decorreria no dia seguinte, e assim vê-se deslumbrada na "Plaza de Espanha", a maior praça das Ilhas Canárias, onde uma imponente fonte artificial se impõe, um monumento aos mortos da Guerra Civil e onde ainda se encontram restos das muralhas originais do "Castillo de San Cristóbal", fortaleza edificada no Sec. XVI pelos Espanhóis, para defesa de (outros) invasores.

O jantar é no hotel e de estômago cheio, antes de deitar impõe-se um passeio de novo pelas ruas de Santa Cruz de Tenerife. Animação nas casas de comer e beber e a noite está fantástica.

Hora de dormir e o dia de sábado é de novo passado nas ruas de Santa Cruz de Tenerife, agora também com um novo guia turístico, e parte do dia livre. Curtos mas muito interessantes ensinamentos e curiosidades sobre as Canárias. Tenerife, de clima ameno todo o ano, deixa-me absolutamente encantada e rendida a seus encantos e uma enorme vontade de voltar, para ficar mais tempo, alugar um carro e visitar toda a Ilha, com visita obrigatória ao Teide, a montanha vulcânica e o pico mais elevado de Espanha, com 3718 metros de altitude. As praias no Sul de Tenerife e o verde do Norte da Ilha ficaram por ver, mas a vontade de lá voltar e apreciar a beleza da ilha num todo é enorme. Sem dúvida,Tenerife fica na agenda para uma próxima visita. Assim como as restantes ilhas, La Palma, Lanzarote, El Hierro, La Gomera, Fuerteventura e Gran Canaria.



A Binter Night Run  - A Corrida

Não acredito. Esta rapariga saloia, dos subúrbios de Lisboa, está aqui, em Santa Cruz de Tenerife e vai participar numa Corrida! É a Binter Night Run e eu estou cá! Aos saltinhos, um nervoso miudinho sem saber porquê e já devidamente equipados - mentira! Falha imperdoável: a bandeira Portuguesa, esse inexplicável orgulho luso que ostento sempre que corro fora deste quintal tinha ficado em casa esquecida! Não importa (muito). Eu estou cá e ostento a t-shirt da nossa Maratona do Porto! Os dorsais e o kit do atleta, incluindo uma bonita t-shirt, já os tínhamos desde a véspera na chegada ao hotel. Tanto o meu como do Manuel Sequeira foram-nos entregues mal chegámos. Dorsais personalizados com o nome (curiosamente o primeiro e o segundo) e com o chip incorporado.









Agora, estávamos já no local de Partida (Plaza de Espanha) e aguardávamos a nossa hora enquanto desfrutávamos de todo o ambiente na Plaza de Espanha.

A prova, nesta sua 1ª edição, teve duas vertentes: uma Corrida de 5 Km, e com partida uma hora depois, uma Corrida de 10 Km, sendo esta duas voltas da primeira.

O ambiente é fantástico. Muita animação. Existem 3 posicionamentos na partida consoante os tempos que se esperam fazer. Ficámos no "Mais que 50 minutos". 

A Prova de 10 Km teve 649 atletas chegados à meta e a de 5 Km, 672. Os tempos dos primeiros classificados, foram modestos, tendo sido na distância de 10 Km:

1º Masculino: Miguel Angel Vaquero Agama, com 32:00
1º Feminino: Pili Ramos Guanche, com 42:19

Voltemos à Partida, de onde ainda não saímos. Os nossos anfitriões deixam-nos para vestirem a sua camisola de voluntários e nós, eu e o Manuel ficamos por ali, aproveitando para fotografar o ambiente e a partida dos 5 km e depressa chega a hora de aquecermos um pouco para nos posicionarmos no nosso grupo de partida. Enquanto aguardamos o tiro de partida, dois pequenos palcos, um de cada lado da Partida, cada um com um guitarrista à desgarrada, tocam acordes de hinos pop-rock bem conhecidos e os atletas deliram, oram voltando-se para um ora para outro.

Por fim a Partida é dada e surpreende-me a animação, com fogo de artifício, muita música, muitas palmas, muitos sorrisos e papelinhos ao ar, e somos lançados na noite pelas ruas históricas e movimentadas de Santa Cruz de Tenerife. Tinha combinado ir junto com o Manuel na prova, mas ele impôs um ritmo demasiado rápido para mim e deixo-o seguir talvez ainda nem tivéssemos 1 km de prova percorrido. Sigo por minha conta, ao meu ritmo.

A prova é rápida e a animação é tal que nos primeiros quilómetros vemo-nos praticamente num corredor, ladeados por muito e animado público, animação essa que nos é passada em sorrisos, olhares, toques de mãos, gritos. Ânimo, muito ânimo e nem damos por passar os primeiros 3 a 4 Km, mesmo com algumas suaves subidas e descidas. Depois, na passagem já perto da meta (metade de prova, relembro que são 2 voltas), a animação silencia-se e vamos sós embora sempre acompanhados de atletas, até ao Km 5 (ponto de partida e depois de chegada), onde é feito um controlo. Mas desengane-se quem julgue que não há animação aqui. Um palco montado com músicos a tocar, que nos anima de novo. O que acontece é que me estava a habituar a correr com os passeios cheios de público a gritar por mim. Passa-se pela meta, e de novo animação ao rubro não estivéssemos em território Espanhol, e falta agora apenas uma volta. Temos um abastecimento de água e sigo forte e animada.

De novo o mergulhar na animação do público espanhol, as ruas iluminadas, cheias de gente, as esplanadas onde estivera de manhã a tomar umas "Canãs", adoro isto! Depressa o km 7 e tal e aí começo a sentir dificuldades em manter o mesmo ritmo. Mas esforço-me. Ou se me esforço! O calcanhar que grita de dor, cada vez mais alto, mas o coração é mais forte! Avisto o Manuel e ele parece seguir mais lento que eu. Alcanço-o com facilidade e sigo, dizendo-lhe que nos encontraríamos ao pé da estátua (local combinado para o caso de nos separarmos). Continuo até à meta e sinto que esta Corrida foi feita não só pelas minhas pernas mas também pelo coração e pelo ânimo recebido por este fantástico público, injectado no âmago da alma, em cada passo dado, em cada metro percorrido, pelas palavras de encorajamento recebidas, pelos olhos brilhantes e os sorrisos rasgados e límpidos, carregados de emoção recebida e ofertada de novo, multiplicada em cada passo dado nesta noite quente em Santa Cruz de Tenerife, no meio da cor verde da Binter.

A partir do km 8 muitos atletas me passam. Não gosto, mas não consigo manter o meu ritmo. Houve claramente uma quebra. E agora é seguir neste ritmo mais lento até à Meta. Olho para o cronómetro e vejo que estou com 53 minutos e qualquer coisa. Acelero o passo como posso para chegar antes dos 54. Alcanço a meta com 53:50 e 10 Km percorridos, o que pode ser visto aqui em video.

Levanto os braços e esta está concluída. Esqueço a dor e abrando por fim. Um voluntário jovem dá-me os parabéns e coloca-me a medalha ao pescoço. Uma amiga voluntária, dá-me água e um beijo. Sim, um beijo! Nas minhas faces a escorrer suor! Agradeço-lhe. De imediato atrás de mim, surge o Manuel. Muito bom. Por pouco não me apanhava de novo. Fico contente. Ele também. Há muito que não fazia este tempo aos 10.

A minha Corrida terminara por hoje, mas a festa continua. Entrega de prémios no local para os primeiros da geral. Já os prémios por escalão, foi marcada uma data posterior e outro local (patrocinador) para serem recebidos. Ainda bem que não estava em condições de ganhar nada, senão, lá teria de voltar a Tenerife nos próximos dias para receber o prémio. Situação pouco agradável, visto que eventualmente muitos dos participantes seriam de outras ilhas. Também notei a falta da marcação de quilómetros ao longo da prova, se bem que a maioria dos atletas corre com gps, é minha opinião que a marcação dos quilómetros no terreno seja importante e uma mais-valia para todos.

A festa continuou noite dentro com música no local, mas nós, continuamos a nossa "Corrida" para o Hotel, para um duche rápido e de novo regressarmos ao Centro para o último jantar desta estadia, num pitoresco restaurante. De novo o reencontro com os nossos anfitriões, outros participantes na Corrida, Imprensa Espanhola e amigos.



É hora de voltar ao hotel e minutos antes de dormir verifico que as classificações já estão disponíveis on-line, no site da prova. Muito bom.  Noite retemperadora e regresso a casa. 

No jornal "La Opinion de Tenerife" com que somos presenteados já a bordo do avião da Binter, verifico com surpresa que vêm publicadas as classificações completas da Corrida e que eu fui a 48ª mulher a cortar a meta de um total de 153. Pena terem trocado o "Pereira" por um nome espanhol qualquer... Mas isso é um pormenor.  Enriquecida é como eu volto. Por tudo o que vivi, pelas pessoas que conheci, pela amizade e partilha e volto com muita vontade de voltar, para passear, conhecer mais deste povo e destas Ilhas, conhecer e participar na Transgrancanaria (na distância mais curta, claro!) ou na Gran Canaria Marathon, já no início de 2017. Sim, deixem-me sonhar, porque o sonho comanda a vida e porque vivi dias felizes nas Canárias, eu hei-de lá voltar.

Ana Pereira

A minha prova registada pelo Strava, a ver aqui

FOTOS:
Por mim, Pequeno album da Partida da Corrida de 5 Km, aqui


Album pessoal da visita, aqui

Pela Organização, aqui

CLASSIFICAÇÕES, AQUI


Videos:





Mais videos, várias câmaras, por tempos de chegada, etc, a procurar aqui

terça-feira, 31 de maio de 2016

4º Trilho das Lampas


Por vezes parece que, por exaustão disto e daquilo, já não consigo escrever. Tal como a partir do km 16 do Trilho das Lampas parecia que não conseguia correr. Mas nós conseguimos. Muito mais que aquilo que pensamos.

O 4º Trilho das Lampas (no facebook, aqui) decorreu no passado sábado, 14 de Maio, em S.João das Lampas, com a habitual organização da Meia Maratona de S. João das Lampas - Grupo de Dinamização Desportiva, em parceria com a Sociedade Recreativa, Desportiva e Familiar de S. João das Lampas.

É uma prova conceituada, não fosse fazer parte do Campeonato Nacional de Trail Running. Traz também por isso a S.João das Lampas, freguesia saloia adorável, a nata do Trail, "atletas a sério", que ambicionam alcançar patamares na sua carreira desportiva, acessíveis a muito poucos. Depois há os outros, que até correm alguma coisa ou nada de jeito, que têm algum jeito para o Trail ou pelo contrário, como eu, são uns desajeitados de primeira, os que têm anos disto e os que se iniciam, os que ambicionam uma determinada marca e prestação e os que completamente alheios à competição, apenas desfrutam do percurso e do convívio. Mas todos eles gostam desmesuradamente daquilo. Sentem-se bem ali. A chapinhar na lama, a atravessar a praia, a subir e a descer arribas. Alcançam a meta com um gostinho de vitória, de superação, de meta alcançada alegoricamente. 

S.João das Lampas e o Trail das Lampas é também para eles. E por isso "eles" nesta 4ª edição chegaram ao milhar de inscritos, atingindo o número limite. E se poderia descrever assim também algumas outras provas, as Lampas têm sempre um gostinho único e muito especial. Há nas Lampas  uma vontade férrea e uma perseverança que caminham de braço dado com a experiência, a sabedoria e que acompanhadas de uma natural e encantadora simplicidade e humildade, fazem das provas ali (também a Meia Maratona de S. João das Lampas, que terá este ano a sua 40ª edição a 10 de Setembro), provas muito especiais, onde o carinho, a amizade e o gosto pela Corrida e pelo bem receber, entram também no baralho na dose certa e de braço dado com a vasta experiência e conhecimentos na matéria, conseguem proporcionar provas com o agrado geral da maioria dos participantes.

Não se julgue no entanto que pelo cariz simplista da coisa, a coisa seja simplória. Bem, pelo contrário. Encontram ali os mais competitivos e supostamente mais exigentes, todas as condições para mostrarem o que valem, da mesma forma que os que mais parecem fazer turismo às vezes também em passo de Corrida encontram ali também todas as condições para simplesmente desfrutarem dos trilhos e passarem umas horas das suas vidas, felizes e completos, a escorrer suor e sujos de lama, ora em trilhos estreitos e verdes, ora em altas arribas e praias, ora em estradões largos. 

E esta edição foi mais uma prova disso. Entrega de dorsais de forma simples e eficiente. Uma t-shirt muito bonita, saco e algumas revistas compõem o kit do atleta. Ambiente festivo, com uma admirável actuação de Ricardo Paz, mesmo antes da Partida, que podem ver aqui.

Partida dada e saem os afoitos pela relva fora, serpentando, antes de enveredarem pelos Trilhos. Algum congestionamento para a malta da cauda do pelotão, onde eu me incluía. Nada preocupante, pelo menos para quem segue já naquelas posições.

As vistas, os cheiros e os sons deslumbram-me e encantam-se uma e outra vez, mesmo já conhecendo bem estes Trilhos. O verde, o constante coaxar das rãs, os ribeiros onde a água canta e onde temos de molhar os pés mais que uma vez, este céu, este mar, estes Trilhos encantam-me. A descida e a travessia da praia da Samarra. Ouves a água? A esgueirar-se entre as pedras redondas e lisas, em corrida nervosa para se juntar ao mar? Molhas os pés. Não importa! Vou devagar para tentar não cair. Olho o mar. Este ano, o Sol escondera-se muito antes da hora de se deitar e o meu andamento deste ano, faz-me sair da praia já com um ar da noite que cai. Aquela subida para sair da praia. Amo! Evito olhar lá para baixo. Mãos nos joelhos e upa, upa, upa! Respiração ofegante e pernas doridas, mãos sujas de lama por me agarrar a pedras e à vegetação. Mas que importância tem isso? Tem toda! Se assim me sinto feliz. Sei bem que vou (ainda) mais lenta do que normalmente vou, mas sinto-me tão bem e não me importo mesmo nada com o tempo. 

Abastecimento fantástico já noite. Há água e detergente para lavar as mãos. E comida. Boa e suculenta! E água. E salgados e doces! E depois... Red Bul. Dá-te asas, diz o slogan. Aqui, acho que seria melhor não levarmos o slogan muito à risca! Arribas, o mar lá em baixo, uma brisa a sacudir-nos o corpo...Hum...é melhor manter os pés no chão. Red Bul dá-te asas. Ah pois dá que eu sei, mas pessoalmente é cafeína a mais e dispenso. A cafeína mantêm-nos despertos e evita a fadiga, dizem. Mas não, não evita a fadiga, evita "apenas" a sensação de fadiga e esta é um aviso que o nosso corpo nos dá, para abrandarmos. Ou não! Que somos todos crescidos e sabemos (?) o que fazemos. Sigo. Sem Red Bul. Mas com asas sim senhor! Pois se o corpo me pesa, a alma voa, oh se voa sobre aquelas arribas e aquele mar.

Há descidas e novas subidas. Devagar! A sinalização agora são apenas pequenos pontos reflectores que brilham diante da luz dos frontais e são tantos que não damos dois passos sem pisar um. Impossível perder-nos mesmo em plena escuridão e sem trilho definido pelo cimo das arribas. Uiva o vento e lá em baixo o mar. Há elementos da organização, voluntários e bombeiros, aqui e ali, a marcarem presença e a velarem por nós. "Boa noite e obrigada", faço sempre questão de os cumprimentar. Dão-nos segurança estas pessoas. Depois seguimos sós. Mas não exactamente sós. Sabemos que eles estão lá! Estou a adorar a prova. Doí-me um pouco o pé, mas esqueço a dor com facilidade diante do turbilhão de sensações e emoções vividas. É para isto que corro. É por isto que amo o Trail. Para estas Corridas dentro de mim. Degustando devagar.

E assim segui a viver este autêntico e belo idílio mais ou menos até ao Km 16. Aí...foi pior que muro na Maratona! Meus amigos, não há milagres. Faltam os treinos, faltam as forças, sobram os quilos, chiam as dores no calcanhar que parecem subir agora pela perna acima até à nádega. Não hesito em caminhar. Vou só. Há um ou outro atleta que me passa. Não importa. Quer dizer... eu importo-me mas não posso fazer melhor. Sigo como posso, alternando caminhada com alguns passos de Corrida arrastada. Agora que o terreno permite correr a bom correr, onde estão as minhas pernas?! Arrastam-se, especialmente o pé esquerdo que vem literalmente arrojado pelo chão.

Agonio-me. Caminho. Corro. E eis que lá pelo km 17 ou 18 surge a Ponte Romana! Oh como eu queria estar bem para degustar este cenário medieval! Nova subida valente toda iluminada por archotes de ambos os lados. Subo como posso, alienada pelo cenário e por momentos "esquecida" do meu penar.

Sempre os voluntários aqui e ali, a quebrarem a solidão que me aconchega, e depois eis que piso de novo asfalto, já em direcção à Meta. Esforço-me por imitar tropegamente uns passos de Corrida e assim chego à Meta com 20,200 Km percorridos e com o tempo de  3h21m. Percurso registado pelo Strava, a ver aqui.

Vale-me o meu pai, o Zé Gaspar e o Pedro Mestre, que estão na Meta! O primeiro porque me espera sempre, os outros dois porque sempre esperam por todos, a registar instantes em forma de fotografia, desde o primeiro atleta chegado até ao último. É assim a equipa da AMMA - Atletismo Magazine Modalidades Amadoras

Medalha ao peito, e afasto-me. Não quero que me vejam tão mal. "Atiro-me" para o chão, relva fria e molhada agora. Tremem-me as pernas. Não consigo comer. Nada do belo repasto que nos é oferecido para recuperação, em que destaco a sopa, chá quente, fruta e bolinhos. Agonio. Agonio. Estou feliz pelos momentos vividos, mas se quero continuar nisto tenho de me preparar um bocadinho que seja. Reconsidero. Revejo o que fiz, o que não fiz e sei bem onde está o "mal".  Por nada deste mundo (quase nada vá lá) faltaria ao Trilho das Lampas, mas Mulher, tu trata desse pé, pelo menos não continues a engordar e treina! Treina! Treina!

Se ainda assim valeu a pena? Se volto para o ano? Mas alguém duvida?! E porquê, perguntam. Venham comigo e terão a resposta!


Imagens:
Eu sou uma felizarda e tenho um dorsal para os 4º Trilho das Lampas:



Euforia dos primeiros Kms:


Já doí, mas disfarça, vá:


O amigo Zé Gaspar e o meu pai:

Vida de fotógrafo... a longa espera

A chegada dela:


Felicidade:


Classificações, aqui

Fotos:
Pela AMMA, Atletismo Magazine Modalidades Amadoras, aqui


Por Paulo Sezílio, aqui 

Por Ricardo Oliveira, aqui  


Pelos Runners Dream Moments, aqui

Pelas Tartarugas solidárias, aqui