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quinta-feira, 27 de setembro de 2018

38ª Corrida do Tejo


Domingo, 23 de Setembro de 2018


Mas não queres falar nisso? Estás-me a evitar?! Tu não estiveste nessa coisa do Tejo? Na Corrida? Conta lá como foi! Eu conto, eu conto, ando só cansada, muito cansada, só isso, tal qual como corri neste dia.Mas eu conto.

O convite estava feito e eu não ia falhar. Podes pensar que sabes tudo da prova se visitares o site da Organização, mas não. Enganas-te redondamente! Não ficas a saber quase nada para além de que a prova é organizada pela Câmara Municipal de Oeiras em parceria com a New Balance, com a colaboração da Last Lap – Eventos e Comunicação e o CCD 477 Oeiras e que conta com o apoio da Água Serra da Estrela, Gatorade e a Peugeot Sucursal.

Ficas depois a saber que houve 7849 chegados à meta, que havia preços de inscrição crescentes à medida que o número de inscritos aumentava, que houve treinos de preparação organizados nas semanas que antecediam a prova, que irias receber uma t-shirt da New Balance e uma medalha se chegasses ao fim, que havia blocos de partida por tempos, animação, abastecimentos, possibilidade de tomar banho no final da prova, guarda-roupa, transporte gratuito entre a partida e a chegada, diploma que se pode tirar do site com o teu tempo e classificação. Que o percurso é linear, entre Algés e Oeiras, sempre ao lado do Tejo, que dá nome à Corrida. Que os dorsais são personalizados, com chip incorporado, que há controlo a meio do percurso. Ficas a saber que há atletas de topo e que a Corrida, com os blocos de partida até te permite caminhar se não tens condições para mais, mas és posicionado na cauda da partida. Que há 3 vagas de partidas. Que o percurso está totalmente fechado ao trânsito. Que os dorsais se entregam apenas nos dias de véspera da prova.

Ficas a saber tudo isto e pensas que sabes tudo. Mas não. Inscreve-te. Através do site da prova, fácil e rápido e sentes que, após esse esse último "clic", por impulso ou após profunda reflexão, acabaste de te comprometer. Com o Tejo, com a Corrida do Tejo e especialmente contigo! 

Treinas. Ou não treinas. Ou treinas muito pouco, como foi o meu caso. A organização promove treinos, fortalece-te a motivação ao longo das semanas. Para estares o melhor possível no dia da prova. Da tua prova. Aproveitas ou não.

Na véspera, ainda na 6ª feira ao fim do dia, vais levantar o dorsal, nas Piscinas do Jamor. Uma mini-feira, um último treino a decorrer, com a animação ao rubro, uma fila considerável  de gente para levantar o dorsal mas uma rapidez surpreendente e num instante estás na tua vez. Um saquinho de cartão do Município de Oeiras, uma t-shirt bonita, do tamanho que pediste aquando da inscrição, de boa qualidade, (não fosse New Balance!), e com corte feminino se fores mulher, o que é sempre um cuidado especial, que eu, como mulher que sou, muito aprecio, o dorsal com o teu nome impresso e o chip incorporado e 4 alfinetes, e ainda panfletos de publicidade e informações importantes para o dia da prova.

E já de dorsal ao peito, no domingo de manhã, deixo o carro em Oeiras, onde a meta está instalada, despeço-me do meu pai que me iria aguardar aí, e corro para a estação de comboio, que gratuitamente para todos os portadores de dorsal, faz o transporte até Algés, local da partida. Um mar de gente enche já o comboio, Quase todos para a Corrida. Já em Algés, aguarda-se agora a hora de partida. Um ou outro reencontro com amigos da Corrida e algum aquecimento. Pouco, que isto é para partir e acabar nas calmas, penso. Entro no bloco dos Sub 60, justificadíssimo pelo tempo feito na distância durante o último ano, mas sabia bem que acabar abaixo da hora seria já um bom feito para mim actualmente. Aliás, fazer a prova sem ser obrigada a caminhar era o meu objectivo, que não cheguei a concretizar. Mas na hora da partida sonhava com 59m59s e acreditava que estavam ao meu alcance. 

A animação é muita a contrastar com as águas serenas do Tejo mesmo ali ao lado. Já vem de longe o Tejo, mais de 1000 Km e está cansado. Apazigua as lutas travadas até aqui chegar e agora, corre serenamente para o Mar e entrega-se nos seus braços por fim. A música desperta-me e o alvoroço agora é muito. Tempo de reflectir, de expelir o nervoso miudinho através de um saltitar de pés ou nuns últimos, curtos e breves alongamentos.

Já está cheia a caixa de partida. É dada a 1ª partida (1ª vaga) e dali a 5 min, é a nossa partida. Imensa gente mas é sempre possível correr. E eu corro! E como me sinto bem a correr! Muita animação pelo caminho. Uma avenida cheia de corredores, completamente fechada ao trânsito. Marcadores de ritmo. O dos 60 min vai ali perto à minha frente, sempre à vista...até o perder de vista, ainda antes de metade da prova feita. O Tejo a correr ao nosso lado. Paz. Alegria. E  serenidade roubada às águas do Tejo, que no bulício da Corrida, me conseguem contagiar e me invadem de paz. Os meus olhos nem sempre pousam nele, mas sei-o ali e eu corro com ele. Com o Rio Tejo! 

Está muito calor e surge em boa hora um abastecimento de água. Música a tocar ao vivo. Chuveiros de água para refrescar. Vou muito bem sensivelmente até meio da prova (passei aos 5 Km com 31min) mas depois...houve por ali qualquer coisa que morreu em mim. A força! A força que uma preparação adequada me teria dado, não estava a ser suficiente para que eu conseguisse manter uma passada de Corrida, por mais lenta que fosse. Caminho, e partir daí até à meta, caminhei alguns períodos, mais do que queria. E estava calor. E aquela marginal, não é plana, já todos sabemos, com excepção de quem só lá passa de carro. E aí quando eu estou a  afundar-me, eis que surge mais um chuveiro para nos refrescarmos. E recomeço a correr. E quando de novo penso em caminhar, um animador, e eles eram tantos, nos gritam: "façam isto por vocês, vocês conseguem, vá lá, façam isto por vocês!!" E se alguém estava "esquecido" da razão que o levou ali, foi de imediato chamado à terra, e o passinho lento de Corrida foi mantido. Não faltou água (2 abastecimentos durante a prova) nem os chuveiros para referescar. E assim, devagarinho, alternando Corrida e caminhada, vou alcançando as placas dos kms, avisto o meu pai e a meta já não estará longe. Sinto que o apoio foi imenso. Muitos animadores, música ao vivo, e muitos atletas. Nunca estamos sós. Por fim, passo ao lado da meta, mas ainda tenho de ir à rotunda dar a volta e aí sim, entrar na recta da meta. Três cronómetros distintos, cada um a registar o tempo de cada vaga de partida. Muita gente e muita animação. Corto a meta! Estou exausta. Feliz por ter conseguido terminar apenas. Temos água, uma peça de fruta e Gatorade. Dão-nos uma medalha, muito bonita, uma medalha de peso, verdadeiramente à altura da Corrida do Tejo. Mas...então mas tem de haver um "mas"?! As pessoas nunca estão contentes, bolas! Bem...eu estou contente! Mas acho que se a medalha nos fosse colocada ao pescoço tinha outro valor e outro sentido, completamente diferente de ser dada com a fita meticulasamente embrulhadinha dentro do saquinho de plástico em ambiente perto do esterilizado, feito à medida. Esta agora! Mas tens sempre de reclamar? Não, eu não estou a reclamar! Estou apenas a sugerir outra forma de entregar a medalha aos finalistas, uma forma bem mais carregada de simbolismo, que nos faz sentir vencedores, gesto que valoriza o nosso esforço e nos faz sentir merecedores, mas isto é a minha opinião, que também valorizo as coisas aparentemente insignificantes. 

E meta cortada, reencontro amigos da minha equipa, foto tirada e é tempo de procurar o meu pai e rumar para casa.

Fui o 5188º participante a cortar a meta, com o tempo de 1h07m47s de um total de 7849.

Esta custou-me sobremaneira. Remete-me  à reflexão e reprogramação de todo um estilo de vida levado ultimamente, e leva-me à promessa de querer voltar para o ano, melhor preparada, o que à primeira vista, não será nada difícil. 

Muitos Parabéns à Organização, a 38ª edição da Corrida do Tejo foi uma excelente prova. A permitir uma boa competição na frente e também cá pelo meio e cauda do pelotão. Uma prova para todos os andamentos, permitindo a todos usufruir da Corrida e das excelentes condições criadas para o fazer.

Não menos importante, a prova teve ainda uma versão para a pequenada, a Corrida do Tejo Kids, que decorreu no sábado no Jamor, em que as receitas reverteram totalmente para a David Vaz Associação, associação cuja missão se prende com a promoção da amizade, do desporto inspirado na ética e na solidariedade, e do encorajamento a apoio de projetos de investigação no âmbito da oncologia. 
Mais uma vez, os meus Parabéns à Câmara Municipal de Oeiras por ter elevado a Corrida do Tejo ao nível da excelência.

Ana Pereira

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Algumas imagens:

Antes da Partida, junto à entrada do bloco "Sub 60", quando acreditava que ia conseguir:

A Partida:
Foto da Organização

Foto da Organização

Foto da Organização

Foto da Organização

"Estação" para refrescar, durante o percurso, uma de entre várias existentes:


A meta já não está longe mas eu vou que não posso...

Meta cortada, aqui junto aos amigos da equipa: Runners da Frente Ribeirinha da Póvoa de Santa Iria











O video da chegada, para ver aqui, minuto 43:27

Até para o ano Corrida do Tejo!

sábado, 15 de setembro de 2018

42ª Meia Maratona de S.João das Lampas e a 1ª Meia Rampa




8 de Setembro de 2018

A estória remonta a muitos anos atrás. 41 anos precisamente, quando se realizou a 1ª edição, em 1977. Na verdade há mais tempo certamente, quando a ideia nasceu, germinou, para por fim dar à luz a que é hoje a 2ª mais antiga Meia Maratona de Portugal, bem viva e activa hoje e de muito boa saúde: a Meia Maratona de S.João das Lampas. Muitos de vós não corriam ainda nesse tempo. Outros nem nascidos eram. Muitos outros já cá andavam, já corriam e já faziam parte da história da Corrida em Portugal. Como eu. Já cá andava e não muito longe dali, sem saber sequer o que era uma Meia Maratona, do alto dos meus 8 anos de idade, corria e ganhava as minhas medalhas de participação, numa alegria genuína e pura que ainda mantenho e numa liberdade que o país ganhara "há dias" (25 de Abril de 1974) e que permitiu que surgisse e crescesse o espírito da "Corrida para todos".

E desses dias, guarda-se a dedicação e amor à Corrida. Respira-se Corrida, entranhada no pele, a circular nas veias e a demorar-se na passagem pelo coração. E o Mestre Fernando Andrade, timoneiro desta obra desde o seu nascimento, bem rodeado de uma equipa de homens e mulheres singulares e empenhados, traz-nos até hoje esse espírito bem vivo. Renovado, revigorado e também ajustado aos dias de hoje, mas sem esquecer a essência desses primeiros anos. É o que se sente e o que se vive em S.João das Lampas. Quer na Meia Maratona, quer no Trilho das Lampas, que terá a sua 7ª edição em Maio de 2019, quer em qualquer outro evento onde esteja o cunho deste Homem: Fernando Andrade.

Eu e as Lampas

Sempre ouvi muito falar desta Meia. Das "Rampas", corre a palavra entre o pelotão, meio a brincar meio a sério, trocadilho com Lampas, mas perfeitamente justificável face às valentes rampas que por lá se encontram. Desde "não te metas nisso" até "essa é a doer", passando pelo "todos fazem pelo menos mais 5 ou 10 minutos nessa meia do que numa meia normal" tudo ouvi antes de me atrever a experimentar. E experimentei! Em 2005. E de facto a Meia Maratona de S.João das Lampas não é "normal". Estava assustadíssima antes mas...maravilhada depois, absolutamente rendida aos encantos das Lampas! O resultado nesse ano: 1h50m47s, e uma desmistificação completa do "papão" Meia das Lampas/Rampas. Já habituada na altura a Corridas de Montanha, com algum desnível, a Meia Maratona das Lampas é uma Meia durinha sim senhor, mas...nada que não se faça! Um desafio especial. Uma prova de estrada a testar singularmente as nossas capacidades. Adorei desde a 1ª hora. Um carrossel de subidas e descida para Correr, um público muito acolhedor e umas paisagens bucólicas, um cheiro a campo, um ambiente 
rústico, absolutamente encantador e apaixonante. E uma Organização execpcional! Não que isso signifique que não tenha havido desde a 1ª hora, coisas menos boas, pontos a corrigir, mas a humildade, seriedade e responsabilidade de quem está à frente dela, é o que faz dela especial: sempre soube ouvir os atletas, respeitar opiniões, assumir erros, reflectir, aprender, melhorar. E assim é até hoje! E assim é hoje!

E por isso hoje e sempre, eu volto a S.João das Lampas.

A minha 1ª Meia Rampa, 8 de Setembro de 2018

O Inverno foi rigoroso. Passei por ele, quase em hibernação. Lesões mail curadas, novas lesões, a gestão delas e os poucos treinos, o reconforto na comida e o consequente aumento de peso, poucos treinos, poucas provas, mil e duas novas e velhas obrigações e responsabilidades, o tempo a fugir, um Verão magnífico a usufruir mais do Sol e do Mar e das comezainas e patuscadas com amigos, do que da Corrida (tudo desculpas!) e chega o convite! O desafio a mim mesma! A 42ª Meia das Lampas estava aí!

Os dias a passarem e eu apavorada! Não ia conseguir correr a Meia das Lampas! Em boa hora soube que este ano ia haver uma novidade: a 1ª Meia Rampa! Prova devidamente cronometrada e classificada, a decorrer em simultâneo com a Meia Maratona, sendo o percurso, exactamente os primeiros 13 Km da Meia Maratona. Ainda estiquei o prazo de inscrição ao máximo, para ver se conseguia melhorar de forma e fazer a Meia Maratona, mas não consegui. A uma semana da prova, faço a minha inscrição na Meia Rampa, o que já não me deu direito a dorsal personalizado com o meu nome. Toma, bem feita! Mas isso é um pormenor.

E assim, feliz da vida, por a vida e os amigos me permitirem estas coisas, e lá me apresento em S.João das Lampas no sábado à tarde. O ambiente é de festa, até porque é altura das Festas de S.João das Lampas e o relvado junto ao coreto está todo ele cheio de carrosséis e outros divertimentos e barraquinhos com comida. 

Ali ao lado, no asfalto, o carrossel é outro. Levanto o meu dorsal, com chip incorporado e uma bonita t-shirt. Reencontro o amigo Vitor Marques, uma máquina da equipa que venho representar: Runners da Frente Ribeirinha da Póvoa de Santa Iria. Infelizmente não lhe correu bem este ano. Mas para o ano lá estaremos os dois de novo! A cortar a meta da Meia Maratona! Fica a promessa!

Outros amigos do coração, que revejo com muito prazer. É quase sempre assim. Podemos afastar-nos, andar cada um pelas suas vidas, mas quem me faz bem, eu não esqueço. Sabem quem são.

O meu pai, sempre comigo, não para repetir vivências, mas para continuar a viver! Também através de mim na Corrida! 

Este ano, parece-me que são menos atletas. E mais tarde, constato que sim. 407 chegados à meta na Meia Maratona e 69 na Meia Rampa, onde me incluí. Prometo que para o ano farei parte dos chegados à Meta da Meia Maratona! 

A partida é dada e sigo no meu ritmo, bem ciente que este tem de ser especialmente lento, para conseguir mantê-lo ao longo dos 13 Km e manter o lento passinho de Corrida mesmo nas valentes rampas que sabia ir ter de enfrentar. Era esse o meu objectivo. Não ter de caminhar e chegar bem.

Depressa encontro esse meu ritmo, e também uma amiga, a Elisete, que vai num ritmo idêntico ao meu, embora com outro objectivo bem distinto: terminar a Meia Maratona, e ganhar com isso um bom treino físico e mental para a Maratona do Porto, que ela vai correr em Novembro.

A conversa flui agradavelmente (excepção às Rampas...quando apareciam, tínhamos de nos calar e limitar-nos a respirar e forçar as pernas a continuarem, o que sempre conseguimos) e a Corrida também. Flui naturalmente e com relativa facilidade. Os quilómetros estão marcados e passam demasiado depressa. Há abastecimentos de água. Há controlo de passagem. Há mangueiras de água para quem se quisesse refrescar, há público a incentivar, com quem trocamos um "até para o ano" delicioso. Não há trânsito, a segurança é máxima. Marcações irrepreensíveis, apoio total. E assim, demasiado "depressa" mas já com o corpo a dar-me sinais que já chegava, chegámos a S. João das Lampas. A poucos metros da meta, o meu pai estende-me uma flor que colheu por ali e que eu recebo com amor mas  de imediato a ofereço à Elisete. Leva-a até à meta, peço-lhe. Eu tinha a meta ali e ela teria de seguir por mais 8 Km de um percurso nada fácil, precisava mais que eu. Ela sorri, guarda a flor junto ao peito e seguiu, com a força dela e a que eu lhe pûde dar. 

Contorno o largo e entro agora sim na recta da meta. Uma rosa branca é-me estendida, recebo-a com o maior sorriso que tenho, a comprovar que tudo o que damos, recebemos de volta, empunho a rosa e corro feliz para a meta. Tapete verde, muito público e muita animação e termino a minha prova, sendo recebida com popa e circunstânciaVários fotógrafos me apanham, a registar o momento, a eternizar o instante, a emoção vivida, a ficar assim bem guardada para além da memória e da nossa própria vida. A todos eles, o meu muito obrigada. Correr uma prova pode ser muito cansativo, mas fotografar uma prova, assim como vocês tão bem fazem, cansa muito mais, garanto, pois conheço bem os dois lados.

E sem esperar mais nada, recebo uma medalha muito bonita. Mesmo muito, muito bonita. De peso! Magnífica! A dignificar a prova e a nossa humilde participação. Não estava à espera. Esta afinal é uma prova (Meia Rampa) dentro da prova principal (Meia Maratona) e não esperava mais nada. Já tinha o bastante! Mas não! Dão-me os parabéns, medalham-me e ainda recebo bolinhos, água e batatas fritas. Depois, há ainda melancia fresquinha e temos tudo para descomprimir da prova, alongar, e assistir à chegada dos restantes atletas e depois à entrega de prémios no local.

Mas não há mesmo nada que possa ter sido de meu desagrado ?  Não! Não há! 

Mas...mas permita-me a Organização uma mera opinião: A Meia Rampa é uma ideia excelente! Permite a quem, estando melhor preparado para se limitar a  participar apenas na Caminhada, mas não tanto que lhe permita participar na Meia Maratona, ter assim a possibilidade de fazer o gostinho ao pé e Correr dentro da Meia Maratona. Adorei a iniciativa. Mas se não for pedir muito, acho que o singular e fantástico pórtico da meta da Meia Maratona deveria ficar para os atletas da Meia Maratona apenas.

Terminar na mesma linha da Meta...não o merecemos! Só corremos afinal 13 Km! Um segundo pórtico, mesmo ao lado, uma divisão dos atletas ali um bocadinho atrás, já na recta da meta, acho que era melhor. Eu, teria gostado mais. E poupar-me-ia de explicar a meio mundo a foto da meta da Meia Maratona com tempos visíveis no relógio, que nem em sonhos eu posso fazer. Fica a sugestão, meramente opinativa. Deixar o pórtico especial para os finalistas da mítica e também especial prova: a Meia Maratona de S.João das Lampas.

E por tudo isto e muito mais que só se pode saber e sentir, correndo em S.João das Lampas, muitos Parabéns à Organização!

E para o ano lá nos encontraremos!

Ana Pereira


NOTAS:
A minha classificação na 1ª Meia Rampa: fui 48ª chegada à meta de um total de 69, com o belíssimo tempo de 1h25m34s


Classificações e outras informações no site da Organização, ver aqui

FOTOS da 42ª Meia Maratona de S.João das Lampas:

Pelo Armindo Santos,  RUN 4 FFWPU, para ver aqui

Pelo Miguel BaptistaMB Run&Photo:

Album 1 - Km 4, para ver aqui

Album 2 - Km 12, para ver aqui

Album 3 - Km 21, para ver aqui


Pelo Orlando Duarte:

Album 1, para ver aqui

Album 2, para ver aqui

Album 3, para ver aqui

Album 4, para ver aqui


Por Paulo Sezilio, para ver aqui





Com o amigo Vitor Marques

A Partida


A tartaruga teimosa

A fugir ao amigo António Almeida

Com a Elisete, que foi comigo até ao fim da minha prova e seguiu para terminar e bem, a Meia Maratona


A chegar à meta


A medalha

terça-feira, 28 de agosto de 2018

Compromisso

Compromisso. A palavra surge-lhe de surpresa, a apanhá-la desprevenida. Quando sabemos que o seu uso é vulgar e corrente, mas contrariamente à frequência de utilização, já não se pode dizer que seja muitas vezes honrada e levada a sério.

Compromisso. Surge-lhe assim do nada. Concretamente numa publicação no facebook, acerca da Meia Maratona de S.João das Lampas. Clarificava e muito bem a Organização, mediante as dúvidas levantadas por alguns, que um atleta que se tenha inscrito na Meia Maratona, caso opte entretanto por terminar a sua prova na meta da prova dos 13 Km (1ª Meia Rampa, versão a estrear este ano e a decorrer em simultanêo com a Meia, percorrendo precisamente os primeiros 13 km desta), não será, como é óbvio e evidente, classificado na prova dos 13 Km. Simplesmente será um desistente da Meia, pois a sua inscrição é na Meia e não na Meia Rampa (prova 13 km).

E é aí que surge a palavra. Compromisso. Com todo o seu peso e imponência. Se o compromisso é com a Meia, é a Meia que vais querer terminar. Isto leva-nos à reflexão acerca de "Compromisso". Para o honrarmos, não é suficiente querer, ou dizer que se quer. É preciso termos-nos munido das condições necessárias para nos ser possível honrá-lo. E levá-lo a sério, como compromisso que é.

E quando os desafios a nível de Corridas são cada vez maiores e cada vez surgem mais provas e atletas a se superarem em distâncias e condições cada vez mais arrojadas, aqui a rapariga assume o modesto compromisso de correr os 13 Km da Meia Rampa. Sim, claro que gostaria de poder ter um compromisso com a Meia Maratona das Lampas. Claro que sim! Mas já sabemos que não será este ano. Não reúne condições necessárias para a correr e mais nada precisa ser dito. Nem justificações nem lamentações.

Com o maior prazer e gratidão do mundo, assume o compromisso de correr os 13 km da 1ª Meia Rampa.

Obrigada Organização pela criação desta prova que permite a quem não estiver preparado para os duros 21, ainda assim possa usufruir um pouco da magia da Meia das Lampas.

E hoje, sem GPS, ou relógio sequer, sabe que correu continuamente, a ritmo confortável 1h20m. E sentiu-se muito bem, constatando finalmente que já tem alguma resistência e que os treinos anteriores, tão difíceis e desmotivantes na sua maioria, estão a dar fruto afinal.

Tudo isto, hoje e nos últimos meses, simplesmente para...honrar o compromisso.

Inscrição feita! E tu? Já te inscreveste? Que compromisso assumes?



quarta-feira, 27 de junho de 2018

Autocarro para a 15ª Maratona do Porto

Realiza-se a 4 de Novembro de 2018, a 15ª Maratona do Porto



E este ano não vai ser diferente: a Runporto, entidade organizadora e responsável pela melhor Maratona de Portugal, vai disponibilizar autocarros para o evento, desde Lisboa.

Partida de Lisboa no sábado de manhã, 3 de Novembro
Levamos-te à Feira da Maratona (Edifício da Alfândega do Porto) para levantamento dos dorsais e depois deixamos-te no Centro do Porto e estás por tua conta.
Depois, no dia seguinte, Domingo 4 de Novembro, depois de teres arranjado um interessante jeito novo de andar, trazemos-te de volta a Lisboa.

Mais informações e reservas, a mesma do costume:

Ana Pereira

por mail: anamariasemfrionemcasa@gmail.com
por Tlm: 964 937 456
por facebook

Faz já a reserva do teu lugar! 

terça-feira, 5 de junho de 2018

Maria Celeste

Fim da tarde. 1h07m a Correr. Ao lado do Trancão...tão bom começar assim o fim do dia, absolutamente revigorante, a lavar os pensamentos e a libertar a alma!

O gps diz que foram 11,200 Km, mas não é informação fidedigna...Fica o tempo de Corrida e as memórias do corpo e da alma no decorrer do treino, e hoje são ambas muito boas. E fica a história. Hoje, da Maria Celeste que correu comigo.



A Maria Celeste veio correr comigo hoje, Não levava nada, nem cronómetro nem relógio nem sequer telemóvel. Apenas ela, inteira, corpo e alma despida. Estava triste e ansiosa. E um pouco revoltada, apesar de o tentar negar com uma convicção mal disfarçada. No fim do treino, ao chegarmos ao carro, quase desesperadamente verifica o seu telemóvel que tinha ficado guardado no carro, na ânsia e esperança de ter uma chamada, uma mensagem, qualquer coisa. Dele! Mas não, não tinha. Se, apesar dele já ter dito que não ia ser possível, ela alimentava a esperança de que talvez ele mudasse de ideias e a convidasse para jantar. Se ele se atrevesse. Se ele quisesse. Talvez tivessem um serão muito agradável, talvez comemem bem, à volta de um prato de comida reconfortante e talvez rissem demasiado alto quando o jarro do vinho tinto já estivesse quase vazio e os empregados do restaurante quisessem fechar dada a hora tardia e o tempo ter voado sem eles terem dado conta. Talvez falassem e ouvissem como raras vezes acontecia nas suas vidas.Talvez partilhassem medos e ganhassem forças para os enfrentar só pelo simples facto de os ouvir em voz alta. Talvez partilhassem sonhos e esperanças e talvez sentissem o apoio do outro, quando todos nas suas vidas os acham loucos, desajustados e desadequados. Talvez a Amizade se sobrepussesse a amores acomodados, de conveniência e de falso conforto. Se ele a convidasse para jantar...

Mas não, ele não a convidou para jantar. E ela, a Maria Celeste, depois do treino despediu-se do rio e das águas que não levaram todas as suas mágoas para o mar como ela queria e regressou à sua casa, onde quase ignorada, apenas lhe dirigem a palavra para perguntar o que era o jantar. Alguma coisa para aquecer, responde ela, podes pôr no micro-ondas que eu tomo duche num instante.
Jantaram em silêncio não fosse a televisão em altos berros, aos quais o marido dela parecia responder num tom inflamado e muito interessado, e depois da louça lavada e cozinha arrumada, ela por fim, derreada,  atira-se para o sofá onde se enrosca no marido, como animal de estimação a implorar carinho e atenção e finge que os tem e finge assim que é feliz, enquanto pensa... se ele a tivesse convidado para jantar...

domingo, 3 de junho de 2018

Descida à Terra

Ontem, muito animada, apostava a vida que me ia preparar muitíssimo bem para em Setembro me aproximar do resultado de há 3 anos (1h37m) na Meia Maratona das Lampas e ingenuamente acreditava que era (quase) possível.

Hoje...deixem-me rir! Hei-de ter um resultado próximo sim senhor, se pudermos considerar próximo uma tolerânica para mais, de mais de meia hora! O que dará acima das 2 horas!

Hoje calcei os ténis e fui correr. Queria fazer 14. Fiz 12 Km. Diz o gps que me engana com os dentes todos e se ri de mim descaradamente, inventando quilómetros, normalmente, o que falseia resultados e me ilude nas distâncias e nas médias que faço. 

Chateia-me isto! Deixa-me desorientada, quase perdida, à deriva.

Demasiada agarrada às tecnologias? Quem não está? Longe do tempo em que saía de casa, olhava as horas no relógio da cozinha e voltava a ver quando regressava a casa e me sentia fantástica porque tinha corrido "x" minutos. Distância? Não fazia ideia. Ritmo? Não fazia ideia. Series e afins? Pista de Atletismo quando era possível.

Hoje, queremos saber tudo ao pormenor e eu neste momento corro apenas com o telemóvel e registo os treinos pela aplicação do Strava, mas ultimamente, não dá para confiar de todo! Saudades de ter o meu Garmin no pulso...mas esse...já era! E infelizmente, não é possível adquirir substituto nos tempos mais próximos. Nem nos mais longe...

Hoje, porque conheço relativamente bem o terreno, não deve estar muito longe da realidade o  treino de hoje -  foi isto, registado assim pelo Strava, para ver aqui

Qualquer coisa como 12 Km em 1h12m, média de 5:55/km o que me traz de volta à Terra. Abrupta e violentamente, desço à Terra!

Melhorar sim, muita margem para melhorar, mas sem esquecer o ponto em que me encontro e todas as circunstâncias actuais. 

Um "bom" treino, sem dúvida, mas, pelo forma como me senti, a fazer-me adivinhar o trabalho que tenho pela frente, para "simplesmente" cortar a meta da 42ª Meia Maratona de S.João das Lampas, a 8 de Setembro próximo.

Até amanhã querido diário



sábado, 2 de junho de 2018

Livre ou perdida e desorientada?


Acabada a vaga de provas à borla, que de alguma forma me mantinham alerta e motivada para treinar alguma coisa porque tinha esta ou aquela prova em vista e em breve, agora, sem foco concreto e específico à vista nas próximas páginas do calendário, sem provas a que queira e possa ir em breve, eis que me sinto um pouco livre ou antes, perdida e desorientada, é verdade e eu admito.

E se é verdade que corro para ser feliz, para me sentir bem e melhor no restante do tempo em que não corro e enfrentar a vida de forma mais positiva, saindo sempre de cada treino, psicologicamente fortalecida e revigorada, o que inevitavelmente também se reflecte no corpo, também é igualmente verdade que uma provazita nos dá um foco, uma motivação extra, uma linha condutora que queremos seguir nas semanas (ou meses) que a antecedem.

E eu por agora, só almejo a 42ª Meia Maratona de S.João das Lampas, e depois a Corrida do Tejo (10 km), mas isso é só lá para Setembro, e se o desempenho da 2ª será uma consequência da forma que conseguir atingir na altura da primeira, esta, a Meia Maratona de S.João das Lampas é de facto uma prova onde gostaria de chegar na minha melhor condição possível. E se em 2015, corri os 21,097 Km em 1:37:34, o que me valeu um 2º lugar na Geral Feminina. Sim, é um orgulho esse resultado, fruto de muito e bom treino, do peso "pluma" que tinha na altura, e de um dia feliz, onde tudo correu muito bem, hoje, 3 anos depois, não digo que esse seja um objectivo, até porque as circunstâncias são outras bem distintas, no entanto, qualquer coisa que se lhe aproxime, deixar-me-á muito feliz. Treinar para isso é possível, perder peso é possível, mas não posso esquecer as condicionantes.

Por isso, sem um objectivo de tempo específico, uma coisa é certa: o objectivo "específico" é melhorar até onde conseguir. E em Setembro, veremos o que dá, sendo que e não esquecendo de forma nenhuma, que ter o privilégio de poder correr, de poder correr na 2ª Meia Maratona mais antiga de Portugal, é já por si, uma alegria, de que não me privarei se por ventura chegar à meta com 2 horas e muito.

Por isso, seguem por agora não os habituais relatos de provas, mas o prazeroso
caminho para a 42ª Meia Maratona de S.João das Lampas. 

E hoje, foram 6,2 Km em 38 minutos, numa luta contra o vento e um cansaço inexplicável.

Até amanhã querido diário




domingo, 27 de maio de 2018

Corrida de Belém

Lisboa, 27 de Maio de 2018 

Este é o "dorsal da solidariedade e da amizade e isso é lindo!", disse-me o meu amigo Jorge Branco, quando num concurso promovido pela Running Magazine, a minha foto foi uma entre as 10 mais votadas, o que me permitiu ganhar um dos 10 dorsais que eles tinham para oferecer. E isto só aconteceu porque...concorri, empurrada por uma amiga e fiz o que acho que nunca tinha feito nem é muito de meu feitio fazer: pedinchei (pedi, chateei, incomodei) uma boa parte dos meus amigos, e confesso, fui estrondosamente surpreendida pela forma como responderam, muitos deles, não só votando mas pedindo também aos seus amigos para votar, o que, apesar de parecer uma coisa singela, muito me  surpreendeu e tocou de uma forma que não estava à espera. Foram mais de 200 os que perderam o seu tempo a votar na minha foto, e só por causa deles todos, é que me foi possível participar nesta Corrida e viver esta experiência. Uma vez mais, a todos eles o meu Muito Obrigada!


A Corrida de Belém

A Corrida de Belém é organizada pela Junta de Freguesia de Belém, em colaboração com o Clube de Futebol “Os Belenenses”, o Clube de Atletismo Amigos de Belém, com a Câmara Municipal de Lisboa e tem o apoio técnico da HMS Sports Consulting, Lda. 

Tem a prova principal com 10 Km, a Caminhada com cerca de 4 e ainda provas para os pequeninos, que decorrem ali mesmo na pista do Estádio do Restelo, onde é a partida e a meta da prova principal.

Com um custo de inscrição, na 1ª fase, de EUR 8,00, a prova oferece-nos uma t-shirt de participação, unisexo, um ambiente animado e local fantástico, para a partida e chegada (chegar dentro de um estádio, com pista de atletismo, eleva sempre qualquer prova e qualquer chegada à meta é sempre engrandecida por esse facto), um dorsal com chip e controlo de tempos e passagens, alfinetes, um percurso durinho e bonito pela capital, em total segurança em relação ao trânsito, bem sinalizado, com quilómetros marcados, abastecimento de água pelo meio, tudo bem controlado e uma maçã e água num saco de plástico no final. Temos rapidamente as classificações disponíveis on-line, e todos os chegados à meta podem ter o seu diploma com o tempo e classificação. 

Prémios (troféus) para os 3 primeiros da geral, masculinos e femininos e ainda vouchers e outros prémios similares a oferecer aleatoriamente pelos chegados à meta, oferecidos por patrocinadores, como o Hotel Vila Galé, o Ginásio Infante Sagres e a Hyundai.

As provas da pequenada, tinham um valor de inscrição de EUR 3,00, e a Caminhada EUR 6,00.

Os dorsais eram levantados apenas na véspera da prova e na tarde do dia anterior, não se entregavam no dia, o que pode sempre causar alguns transtorno, mas nada que não se ultrapasse.

Antes da partida, também muita animação com exercícios físicos de aquecimento.

Eram ainda disponibilizados os balneários do Estádio para banhos depois da prova e o extenso relvado para alongamentos.

Com tudo isto, parece não faltar nada para termos uma manhã desportiva muito bem passada.

Faltará uma medalha de participação, dirás (nem uma medalhinha, choramingas...),mas... não queres mais nada, não?! Ah, querer... queria...uma máquina de tirar imperiais no final por exemplo. Pois então paga mais! Ah, mas isso não queria!  Então, então...meu amigo, está muitíssimo bem assim!  Parabéns à Organização e venha de lá a 7ª edição em 2019!





A minha prova ou a percepção das coisas

Ganhei o dorsal. Graças à simpatia de mais de 200 amigos e amigos de amigos. Tal como no ano passado. A prova é simpática. A partida e a meta no Estádio do Restelo, as voltas na pista de atletismo, azulinha a contrastar com o verde do relvado dão-lhe um toque muito especial. Gostei no ano passado e gostei este ano.

Acredito que posso fazer 55 minutos. Sem entusiasmos exagerados, mas acreditava que era possível. 

O meu pai acompanha-me sempre. Máquina fotográfica ao peito, partilhada a estratégia, combinados os pontos de encontro e vê-me partir. 

Mal se sai do Estádio, temos uma subida. Depois plano (pouco tempo) para de seguida se enfrentar nova subida. Sinto-me forte e subo bem, sendo que "bem" é muito subjectivo como sabemos, mas aqui significa fundamentalmente que me sinto bem e com força. Depois há de novo alguns metros planos para depois se descer com a Torre de Belém ao fundo! É uma imagem que guardava do ano passado e este ano, de novo fez o meu deleite. 

Por aí procuro com os olhos uma amiga que tinha prometido ir ver-me passar e que estaria por essa zona. Mas triste, começo já a pensar nas sempre aceitáveis e justificáveis desculpas, afinal as pessoas têm mais que fazer que assistir a uma cambada de coxos a arrastarem-se no asfalto. Mas não, lá estava ela! Fizemos uma festa que durou 2 segundos, afinal eu ia a descer e ia embalada. Fico contente de a ver. Muito contente. A amizade vê-se em pequenos gestos, tão pequeninos por vezes que nem nos apercebemos do seu poder extraordinário e do novo rumo que podem dar à vida das pessoas.

Chego lá abaixo e segue-se uma recta em direcção ao Padrão dos Descobrimentos. E aí...aí meninos...sinto cair-me em cima todo o peso que tenho e mais algum. Se antes de embalar na descida já as pernas me pesavam, então, a partir do momento que entro na recta, parece-me que mal consigo correr. O ritmo quebrou, claro! E mentalizo-me que lá se vão os 55 minutos e o melhor é esquecer isso e usufruir da prova. Recta infindável tal era o meu estado. Há retorno lá à frente e tento distrair-me com os atletas com que me vou cruzando. E só penso...bem, se este vai aqui, então ainda há-de faltar uma distância gigantesta para eu chegar ao ponto de retorno. Mas vou controlada! Simplesmente sinto que carrego o mundo e as pernas não respondem como na 1ª parte, mesmo quando enfrentei as subidas.

Por fim, lá alcanço o retorno e é fazer o caminho de volta. Sempre firme, mas num ritmo mais lento e com maior dificuldade. Penso que a prova engana. Pelo menos, engana os menos preparados. Um pessoa está bem e faz o início com a força toda e depois, nem no plano parece conseguir correr! Caramba! Pareço uma iniciante nesta coisa das Corridas. 

Avista-se os Jerónimos e aí encontro o João e a Elsa a assistir à prova. Gritam por mim e tiram-me uma foto. Surpreendida de os ver ali, mas adorei!  Sigo com mais alguma força, a deles, ou a minha renovada, mas depressa tenho outra "longuíssima" subida para enfrentar. Lembro-me de ter caminhado aqui no ano passado, mas este ano consegui manter um passinho certo e chegar lá acima a correr!  Breve recta para de novo subir para o Estádio. Ah, mas não pensem que esta subida era de mais de meia dúzia de metros, que não era, eu é que já ia tão exausta, que mal mexia as pernas e mal levantava os pés do chão! Mas mexi! E levantei! Mantive o passinho de tartaruga e entro no Estádio triunfante como uma campeão. Voltinha na pista, que adoro, e está feita!


Acabei por cortar a meta na 352ª posição de um total de 639 chegados, com o tempo líquido de 57m50s, na distância de 10 Km

Procuro o meu pai e lá está ele. Já me tinha fotografado na entrada para o Estádio e agora é só o reencontro. Feliz.

É por isto que eu corro. Foi isto que ganhei quando os meus amigos me fizeram ganhar um dorsal: uma manhã feliz proporcionada ao meu pai e por consequência redobrada a minha própria felicidade. Mais uma Corrida, mais uma experiência vivenciada e partilhada com o meu Melro. Companheirismo e cumplicidade rara. Que faço questão de manter. Só porque sim.



Com o amigo João Lima

Foto de Gustavo Figueiredo


Foto de João Campos

 





A minha Corrida registada pelo Strava, pode ser vista aqui, sempre a registar uns metros que não fiz...

A partida, em video, para ver aqui

Ainda a partida, em video, pelo Jaime Maurício, para ver aqui

Classificações podem ser vistas aqui

Algumas fotos, pelo Melro, para ver aqui

Mais fotos, aqui, por Francisco Trabucho

A Organização no facebook, aqui

O site da Organização, aqui