Pesquisar neste blogue

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

15ª Maratona do Porto - 4 de Novembro de 2018



MARATONA DO PORTO

Conheci-a um embrião. Sem rosto e sem corpo, ainda um ser imaginário, que desde cedo muitos desejaram e a quem já davam as boas-vindas e outros tantos denegriram, mesmo antes dela ver a luz do dia. Mas ela vingou, nasceu mesmo e viu a luz do dia em Outubro de 2004 com 317 atletas chegados à meta. 
Eu não estive presente e perdi o seu nascimento. Mas no seu primeiro aniversário, pelo 2ª edição da prova, eu fui lá corrê-la e desde essa data nunca mais faltei. Poucas vezes a correr a Maratona, é verdade, mas sempre presente, a correr a Family Race, ou até a fazer a Caminhada ou ainda, por lesão extrema, simplesmente a apoiar quem corre. Sempre presente! E é com muito gosto e orgulho que fui assistindo ao seu crescimento e evolução. Talvez por a acompanhar desde os seus primeiros passos tenho por ela um carinho muito especial e é sem dúvida a Maratona do meu coração. Não que feche os olhos a alguma coisa menos boa, que sempre as vai havendo, mas atenta e crítica e é com orgulho e prazer ver a Organização ano após ano, querer melhorar, servir melhor, com uma frontalidade e responsabilidade rara, num compromisso assumido de bem servir os corredores. 

E chegamos a 2018. É a 15ª edição da Maratona do Porto, prova consolidada, com muitas provas já dadas pelo caminho até aqui, com tropeços e avanços, mas hoje é inegável que ocupa meritoriamente um lugar notável conquistado no panorama da Corrida, quer nacional quer Internacional. 

Extremos: de besta a bestial e de bestial a besta num ápice

Sabemos que as gentes não perdoam. O povo, o público, a sociedade. E que hoje dormes no chão de um quarto partilhado com 4 pessoas, e a tua única companhia é um cão grande que encostado a ti, te ajuda a aquecer o corpo estendido no chão porque te faltam cobertores e amanhã estás num luxuoso quarto de um qualquer hotel de 5 estrelas. Do nada ao tudo num instante. Do tudo ao nada noutro instante ainda mais veloz. É a celeridade e a efemeridade da vida, onde o imediato é que conta para a maioria, esquecendo depressa e facilmente o que não se devia esquecer: o que se construiu, a obra feita, as provas dadas, as dificuldades, as circunstâncias, o factor humano, sempre presente! Seguimos o rebanho ou paramos para pensar?


Lisboa, Sábado, 3 de Novembro de 2018, 8 horas da manhã

Enche-se um autocarro com destino à Maratona do Porto. 67 pessoas ao todo, incluindo participantes nas várias provas do evento. Transporte disponibilizado pela Organização, a Runporto, tal como tem feito nos  anos anteriores. Organizo e coordeno a viagem. Bem ou mal, desde o início praticamente. E cada ano me desafio de novo. A fazer de novo. Igual ou melhor. Como posso, como sei. É sempre um desafio que muito me enriquece e gratifica. 

Vamos directos à Feira da Maratona no edifício da alfândega no Porto. Aí se levantam os dorsais e kit do atleta com t-shirt e brindes de patrocinadores, e se almoça também. Pasta Party: massa com fartura, carne, queijo, fruta, gelatina, bebidas e pão. E quando, porque eu não como carne, já me preparava para ficar apenas com uma pratada de massa, surpreendentemente oferecem-me uma bolonhesa de soja! Fantástico penso! É um pormenor, claro, mas também as grandes coisas são feitas de pormenores.
Encontro com vários amigos. Sempre um prazer rever, e visita à feira, que está cada vez melhor. Muito bem composta. Um espaço agradável com vários stands de interesse para os corredores. Podia perder-me por ali, mas ala que se faz tarde. Voltar a meter toda a gente no autocarro e rumar à Rotunda da Boavista. Daqui seguimos para o hotel e por fim descanso um pouco. Sinto que a 1ª etapa da jornada está feita! Cálice de Porto na mão, degustado lentamente e estou no céu por momentos, apesar de estar apenas num 4º andar.


Recosto-me e sonho acordada que é habilidade que muito prezo em alimentar e daqui a nada são 6 da manhã de domingo e estamos já à mesa do farto pequeno almoço.
Iguarias do melhor e só penso que pena ir correr e não poder comer tudo à vontade (ainda me lembro do excesso de ovos mexidos do ano passado, que correram comigo a prova toda, 15 km também, entre o estômago e a garganta!) 

O hotel tem autocarros que nos levem à partida e lá vamos nós. Mais ou menos nervosos. Eu não ia fazer nada de especial, apenas 15 Km, e de nervosa pouco tinha, o que me chateia! Bom, bom é sentir a adrenalina ao rubro nestes momentos antes dela, da prova rainha, da Maratona! Mas eu ia só fazer 15 km...um pequeno desafio, ainda assim sem a confiança de o conseguir superar. Só queria fazer os 15 km a passo de Corrida. Só queria não me ver obrigada a caminhar, a gatinhar ou a rastejar, o que poderia muito bem acontecer, tendo em conta a minha forma.

Na zona da partida deram-nos uma espécie de manta térmica, um plástico que até soube muito bem pois era cedo e estava fresco. Mas esse foi um dos erros da organização, como se verificou mais tarde, quando faltaram plásticos para os atletas que acabavam a Maratona, depois de várias horas debaixo de chuva forte e vento frio!

Reencontra-se sempre amigos nesta zona da partida, enquanto fazemos tempo e há um prazer genuíno nestes reencontros. Até podemos encontrar-nos apenas uma vez por ano, mas há uma alegria genuína nos sorrisos e nos abraços! E que estejamos lá todos para o ano novamente, é o que se deseja!

Vou para a minha zona de partida e é dado o tiro. Sei que os da Maratona vão ali à frente. Partem à nossa frente. Ouço a música e não deixo de me emocionar. Sempre! Feliz por eles, feliz por mim, por me ser permitido ali estar, mesmo só na Family Race. E para o ano...não sei. Aprendi a resguardar-me das promessas pois a vida coloca-nos muitas e variadas rasteiras, mas que gostaria de estar ali à frente, a partir para a Maratona, ai isso gostava, oh se gostava!

Mas agora não é tempo de pensar nessas coisas. Agora é tempo de concentrar-me no meu passinho o mais certo possível, acreditar que o posso manter por 15 km, assim como a respiração controlada e estável, e seguir, um pé a seguir ao outro. Alguns Maratonistas por perto. Alguns equipamentos curiosos, muitos estrangeiros e é uma alegria correr aqui. Muita gente a assistir, a animar a malta. E animamos! Rotunda do Castelo do Queijo, subir parte da Boavista, contornar o Parque da cidade, ir a Matosinhos, porto de Leixões e regresso, de novo subir e descer um pouco da Boavista e por fim ir cortar a meta, feliz e contente, no Queimódromo. Os abastecimentos estiveram bem, a animação era muita. Chip incorporado no dorsal, postos de controlo, percurso totalmente fechado ao trânsito e chegada pomposa à meta, com direito a foto, medalha e muitos mimos. Dispenso a cerveja e procuro o meu pai para seguirmos para o hotel. O tempo, já com alguma chuva durante a prova agravava-se agora. Seguimos para o hotel. Banho retemperador e segue-se almoço com amigos. Muito, muito bom! Mas...vir à Maratona do Porto e não correr a Maratona, pode ser muito bom correr a Family Race, mas... não é a mesma coisa.

Soube mais tarde pelos amigos que chegavam da Maratona, que algo tinha corrido muito mal: o guarda roupa. Que a organização disponibilizou mas que funcionou pessimamente mal, agravado pelas também péssimas condições atmosféricas. Se estivesse bom tempo, as pessoas iriam beber a sua cerveja, alongar, confraternizar no espaço que têm para isso, e não, como aconteceu e é perfeitamente compreensível, irem todos ao mesmo tempo, mal cortavam a meta, a correr buscar o seu saco na ânsia de vestirem roupa seca e saírem dali. A arrumação dos sacos também não era a melhor e além disso muitos sacos ficaram à chuva, molhando as roupas que continham. Assim, muitos atletas esperaram perto de 1 hora para recuperarem o seu saco e quando o conseguiram, tinham as suas roupas completamente encharcadas. Além disso, faltaram os ditos plásticos para se protegerem do frio. Os tais, que foram dados na partida, perfeitamente dispensáveis aí.Um cenário muito triste, com a organização desesperada por não conseguir responder e os atletas desesperados sem condições para se abrigarem e trocarem. Muito, muito mau. Perigoso até. Correr uma Maratona com chuva e vento frio e ao terminar ficar completamente desabrigado, é mau demais. Na minha opinião, os sacos de plástico, fornecidos pela organização para os atletas porem as suas coisas, como acontecia nos anos anteriores, onde o nr. de dorsal fica bem visível e os sacos uniformizados facilitava a arrumação dos mesmos e agilizava a sua entrega. Mas este ano não deram esses sacos de plástico. Cada atleta identificava o seu próprio saco com uma pequena tira onde estava mencionado o nr. de dorsal. O agravamento do tempo a juntar-se a tudo isto, levou ao caos que se viveu por ali.

Vem o director da prova, Jorge Teixeira, no dia seguinte assumir publicamente o erro grave que se cometeu, pedir desculpa e prometer que jamais se repetirá uma situação destas.

E agora? Valem de pouco as desculpas dirão alguns. Pois eu digo que o que não vale de nada é ficarmos agarrados ao que correu mal, dizermos cobras e lagartos e deixarmos de ir à Maratona do Porto. Vale a pena sim, acreditar num Homem que em 14 anos pôs de pé uma Maratona de qualidade como Portugal nunca teve, ao nível das melhores que se fazem lá por fora! Porque quem admite, assume com frontalidade e vai corrigir, só pode continuar a merecer toda a minha admiração, respeito, confiança e preferência! Porque errar é humano. Porque só não erra quem nada faz! 

Por isso, por tudo o que a Maratona do Porto já provou, e por tudo o que conseguiu dar à Corrida em Portugal e no Mundo, pela frontalidade, coragem e seriedade do homem que está à frente dela, para o ano eu só posso dizer "presente" na 16ª edição, já com data marcada: 3 de Novembro de 2019.

E continua a Runporto a merecer toda a minha confiança. Parabéns pela realização da 15ª Maratona do Porto, que mesmo com o desfecho que se viu, esteve perfeitamente bem em tudo o resto! Se foi grave? Foi! Se acredito que não se vai repetir? Acredito! Pois se os atletas sofreram na pele, adivinho sem falhar muito que a Organização sofreu na pele e na alma, a falha que aconteceu e que não podia ter acontecido.

E tu, vais lá para o ano?


Ana Pereira



























15 Km da Family Race corridos em 1h36m16s. Classificada na posição 2055 de um total de 2769 chegados à meta da Family Race.

Total de atletas chegados à meta na Maratona: 4658 atletas

Resultados podem ser vistos aqui 

Fotos:

Pela Prozis, para ver aqui, Album 2  

e Album 1, para ver aqui

e Km 35, para ver aqui, também da Prozis

Por Matias Novo, para ver aqui

Pela Organização, para ver aqui

e Album 2, para ver aqui

Pela inAction, para ver aqui

Por Project Run, Album 1, para ver aqui     e Album 2, para ver aqui

Por Objetiva em Movimento:

Album 1, para ver aqui

Album 2, para ver aqui

Album 3, para ver aqui

Album 4, para ver aqui

Album 5, para ver aqui

Por mim, album quase pessoal, para ver aqui

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

38ª Corrida do Tejo


Domingo, 23 de Setembro de 2018


Mas não queres falar nisso? Estás-me a evitar?! Tu não estiveste nessa coisa do Tejo? Na Corrida? Conta lá como foi! Eu conto, eu conto, ando só cansada, muito cansada, só isso, tal qual como corri neste dia.Mas eu conto.

O convite estava feito e eu não ia falhar. Podes pensar que sabes tudo da prova se visitares o site da Organização, mas não. Enganas-te redondamente! Não ficas a saber quase nada para além de que a prova é organizada pela Câmara Municipal de Oeiras em parceria com a New Balance, com a colaboração da Last Lap – Eventos e Comunicação e o CCD 477 Oeiras e que conta com o apoio da Água Serra da Estrela, Gatorade e a Peugeot Sucursal.

Ficas depois a saber que houve 7849 chegados à meta, que havia preços de inscrição crescentes à medida que o número de inscritos aumentava, que houve treinos de preparação organizados nas semanas que antecediam a prova, que irias receber uma t-shirt da New Balance e uma medalha se chegasses ao fim, que havia blocos de partida por tempos, animação, abastecimentos, possibilidade de tomar banho no final da prova, guarda-roupa, transporte gratuito entre a partida e a chegada, diploma que se pode tirar do site com o teu tempo e classificação. Que o percurso é linear, entre Algés e Oeiras, sempre ao lado do Tejo, que dá nome à Corrida. Que os dorsais são personalizados, com chip incorporado, que há controlo a meio do percurso. Ficas a saber que há atletas de topo e que a Corrida, com os blocos de partida até te permite caminhar se não tens condições para mais, mas és posicionado na cauda da partida. Que há 3 vagas de partidas. Que o percurso está totalmente fechado ao trânsito. Que os dorsais se entregam apenas nos dias de véspera da prova.

Ficas a saber tudo isto e pensas que sabes tudo. Mas não. Inscreve-te. Através do site da prova, fácil e rápido e sentes que, após esse esse último "clic", por impulso ou após profunda reflexão, acabaste de te comprometer. Com o Tejo, com a Corrida do Tejo e especialmente contigo! 

Treinas. Ou não treinas. Ou treinas muito pouco, como foi o meu caso. A organização promove treinos, fortalece-te a motivação ao longo das semanas. Para estares o melhor possível no dia da prova. Da tua prova. Aproveitas ou não.

Na véspera, ainda na 6ª feira ao fim do dia, vais levantar o dorsal, nas Piscinas do Jamor. Uma mini-feira, um último treino a decorrer, com a animação ao rubro, uma fila considerável  de gente para levantar o dorsal mas uma rapidez surpreendente e num instante estás na tua vez. Um saquinho de cartão do Município de Oeiras, uma t-shirt bonita, do tamanho que pediste aquando da inscrição, de boa qualidade, (não fosse New Balance!), e com corte feminino se fores mulher, o que é sempre um cuidado especial, que eu, como mulher que sou, muito aprecio, o dorsal com o teu nome impresso e o chip incorporado e 4 alfinetes, e ainda panfletos de publicidade e informações importantes para o dia da prova.

E já de dorsal ao peito, no domingo de manhã, deixo o carro em Oeiras, onde a meta está instalada, despeço-me do meu pai que me iria aguardar aí, e corro para a estação de comboio, que gratuitamente para todos os portadores de dorsal, faz o transporte até Algés, local da partida. Um mar de gente enche já o comboio, Quase todos para a Corrida. Já em Algés, aguarda-se agora a hora de partida. Um ou outro reencontro com amigos da Corrida e algum aquecimento. Pouco, que isto é para partir e acabar nas calmas, penso. Entro no bloco dos Sub 60, justificadíssimo pelo tempo feito na distância durante o último ano, mas sabia bem que acabar abaixo da hora seria já um bom feito para mim actualmente. Aliás, fazer a prova sem ser obrigada a caminhar era o meu objectivo, que não cheguei a concretizar. Mas na hora da partida sonhava com 59m59s e acreditava que estavam ao meu alcance. 

A animação é muita a contrastar com as águas serenas do Tejo mesmo ali ao lado. Já vem de longe o Tejo, mais de 1000 Km e está cansado. Apazigua as lutas travadas até aqui chegar e agora, corre serenamente para o Mar e entrega-se nos seus braços por fim. A música desperta-me e o alvoroço agora é muito. Tempo de reflectir, de expelir o nervoso miudinho através de um saltitar de pés ou nuns últimos, curtos e breves alongamentos.

Já está cheia a caixa de partida. É dada a 1ª partida (1ª vaga) e dali a 5 min, é a nossa partida. Imensa gente mas é sempre possível correr. E eu corro! E como me sinto bem a correr! Muita animação pelo caminho. Uma avenida cheia de corredores, completamente fechada ao trânsito. Marcadores de ritmo. O dos 60 min vai ali perto à minha frente, sempre à vista...até o perder de vista, ainda antes de metade da prova feita. O Tejo a correr ao nosso lado. Paz. Alegria. E  serenidade roubada às águas do Tejo, que no bulício da Corrida, me conseguem contagiar e me invadem de paz. Os meus olhos nem sempre pousam nele, mas sei-o ali e eu corro com ele. Com o Rio Tejo! 

Está muito calor e surge em boa hora um abastecimento de água. Música a tocar ao vivo. Chuveiros de água para refrescar. Vou muito bem sensivelmente até meio da prova (passei aos 5 Km com 31min) mas depois...houve por ali qualquer coisa que morreu em mim. A força! A força que uma preparação adequada me teria dado, não estava a ser suficiente para que eu conseguisse manter uma passada de Corrida, por mais lenta que fosse. Caminho, e partir daí até à meta, caminhei alguns períodos, mais do que queria. E estava calor. E aquela marginal, não é plana, já todos sabemos, com excepção de quem só lá passa de carro. E aí quando eu estou a  afundar-me, eis que surge mais um chuveiro para nos refrescarmos. E recomeço a correr. E quando de novo penso em caminhar, um animador, e eles eram tantos, nos gritam: "façam isto por vocês, vocês conseguem, vá lá, façam isto por vocês!!" E se alguém estava "esquecido" da razão que o levou ali, foi de imediato chamado à terra, e o passinho lento de Corrida foi mantido. Não faltou água (2 abastecimentos durante a prova) nem os chuveiros para referescar. E assim, devagarinho, alternando Corrida e caminhada, vou alcançando as placas dos kms, avisto o meu pai e a meta já não estará longe. Sinto que o apoio foi imenso. Muitos animadores, música ao vivo, e muitos atletas. Nunca estamos sós. Por fim, passo ao lado da meta, mas ainda tenho de ir à rotunda dar a volta e aí sim, entrar na recta da meta. Três cronómetros distintos, cada um a registar o tempo de cada vaga de partida. Muita gente e muita animação. Corto a meta! Estou exausta. Feliz por ter conseguido terminar apenas. Temos água, uma peça de fruta e Gatorade. Dão-nos uma medalha, muito bonita, uma medalha de peso, verdadeiramente à altura da Corrida do Tejo. Mas...então mas tem de haver um "mas"?! As pessoas nunca estão contentes, bolas! Bem...eu estou contente! Mas acho que se a medalha nos fosse colocada ao pescoço tinha outro valor e outro sentido, completamente diferente de ser dada com a fita meticulasamente embrulhadinha dentro do saquinho de plástico em ambiente perto do esterilizado, feito à medida. Esta agora! Mas tens sempre de reclamar? Não, eu não estou a reclamar! Estou apenas a sugerir outra forma de entregar a medalha aos finalistas, uma forma bem mais carregada de simbolismo, que nos faz sentir vencedores, gesto que valoriza o nosso esforço e nos faz sentir merecedores, mas isto é a minha opinião, que também valorizo as coisas aparentemente insignificantes. 

E meta cortada, reencontro amigos da minha equipa, foto tirada e é tempo de procurar o meu pai e rumar para casa.

Fui o 5188º participante a cortar a meta, com o tempo de 1h07m47s de um total de 7849.

Esta custou-me sobremaneira. Remete-me  à reflexão e reprogramação de todo um estilo de vida levado ultimamente, e leva-me à promessa de querer voltar para o ano, melhor preparada, o que à primeira vista, não será nada difícil. 

Muitos Parabéns à Organização, a 38ª edição da Corrida do Tejo foi uma excelente prova. A permitir uma boa competição na frente e também cá pelo meio e cauda do pelotão. Uma prova para todos os andamentos, permitindo a todos usufruir da Corrida e das excelentes condições criadas para o fazer.

Não menos importante, a prova teve ainda uma versão para a pequenada, a Corrida do Tejo Kids, que decorreu no sábado no Jamor, em que as receitas reverteram totalmente para a David Vaz Associação, associação cuja missão se prende com a promoção da amizade, do desporto inspirado na ética e na solidariedade, e do encorajamento a apoio de projetos de investigação no âmbito da oncologia. 
Mais uma vez, os meus Parabéns à Câmara Municipal de Oeiras por ter elevado a Corrida do Tejo ao nível da excelência.

Ana Pereira

____________________________________


Algumas imagens:

Antes da Partida, junto à entrada do bloco "Sub 60", quando acreditava que ia conseguir:

A Partida:
Foto da Organização

Foto da Organização

Foto da Organização

Foto da Organização

"Estação" para refrescar, durante o percurso, uma de entre várias existentes:


A meta já não está longe mas eu vou que não posso...

Meta cortada, aqui junto aos amigos da equipa: Runners da Frente Ribeirinha da Póvoa de Santa Iria











O video da chegada, para ver aqui, minuto 43:27

Até para o ano Corrida do Tejo!

sábado, 15 de setembro de 2018

42ª Meia Maratona de S.João das Lampas e a 1ª Meia Rampa




8 de Setembro de 2018

A estória remonta a muitos anos atrás. 41 anos precisamente, quando se realizou a 1ª edição, em 1977. Na verdade há mais tempo certamente, quando a ideia nasceu, germinou, para por fim dar à luz a que é hoje a 2ª mais antiga Meia Maratona de Portugal, bem viva e activa hoje e de muito boa saúde: a Meia Maratona de S.João das Lampas. Muitos de vós não corriam ainda nesse tempo. Outros nem nascidos eram. Muitos outros já cá andavam, já corriam e já faziam parte da história da Corrida em Portugal. Como eu. Já cá andava e não muito longe dali, sem saber sequer o que era uma Meia Maratona, do alto dos meus 8 anos de idade, corria e ganhava as minhas medalhas de participação, numa alegria genuína e pura que ainda mantenho e numa liberdade que o país ganhara "há dias" (25 de Abril de 1974) e que permitiu que surgisse e crescesse o espírito da "Corrida para todos".

E desses dias, guarda-se a dedicação e amor à Corrida. Respira-se Corrida, entranhada no pele, a circular nas veias e a demorar-se na passagem pelo coração. E o Mestre Fernando Andrade, timoneiro desta obra desde o seu nascimento, bem rodeado de uma equipa de homens e mulheres singulares e empenhados, traz-nos até hoje esse espírito bem vivo. Renovado, revigorado e também ajustado aos dias de hoje, mas sem esquecer a essência desses primeiros anos. É o que se sente e o que se vive em S.João das Lampas. Quer na Meia Maratona, quer no Trilho das Lampas, que terá a sua 7ª edição em Maio de 2019, quer em qualquer outro evento onde esteja o cunho deste Homem: Fernando Andrade.

Eu e as Lampas

Sempre ouvi muito falar desta Meia. Das "Rampas", corre a palavra entre o pelotão, meio a brincar meio a sério, trocadilho com Lampas, mas perfeitamente justificável face às valentes rampas que por lá se encontram. Desde "não te metas nisso" até "essa é a doer", passando pelo "todos fazem pelo menos mais 5 ou 10 minutos nessa meia do que numa meia normal" tudo ouvi antes de me atrever a experimentar. E experimentei! Em 2005. E de facto a Meia Maratona de S.João das Lampas não é "normal". Estava assustadíssima antes mas...maravilhada depois, absolutamente rendida aos encantos das Lampas! O resultado nesse ano: 1h50m47s, e uma desmistificação completa do "papão" Meia das Lampas/Rampas. Já habituada na altura a Corridas de Montanha, com algum desnível, a Meia Maratona das Lampas é uma Meia durinha sim senhor, mas...nada que não se faça! Um desafio especial. Uma prova de estrada a testar singularmente as nossas capacidades. Adorei desde a 1ª hora. Um carrossel de subidas e descida para Correr, um público muito acolhedor e umas paisagens bucólicas, um cheiro a campo, um ambiente 
rústico, absolutamente encantador e apaixonante. E uma Organização execpcional! Não que isso signifique que não tenha havido desde a 1ª hora, coisas menos boas, pontos a corrigir, mas a humildade, seriedade e responsabilidade de quem está à frente dela, é o que faz dela especial: sempre soube ouvir os atletas, respeitar opiniões, assumir erros, reflectir, aprender, melhorar. E assim é até hoje! E assim é hoje!

E por isso hoje e sempre, eu volto a S.João das Lampas.

A minha 1ª Meia Rampa, 8 de Setembro de 2018

O Inverno foi rigoroso. Passei por ele, quase em hibernação. Lesões mail curadas, novas lesões, a gestão delas e os poucos treinos, o reconforto na comida e o consequente aumento de peso, poucos treinos, poucas provas, mil e duas novas e velhas obrigações e responsabilidades, o tempo a fugir, um Verão magnífico a usufruir mais do Sol e do Mar e das comezainas e patuscadas com amigos, do que da Corrida (tudo desculpas!) e chega o convite! O desafio a mim mesma! A 42ª Meia das Lampas estava aí!

Os dias a passarem e eu apavorada! Não ia conseguir correr a Meia das Lampas! Em boa hora soube que este ano ia haver uma novidade: a 1ª Meia Rampa! Prova devidamente cronometrada e classificada, a decorrer em simultâneo com a Meia Maratona, sendo o percurso, exactamente os primeiros 13 Km da Meia Maratona. Ainda estiquei o prazo de inscrição ao máximo, para ver se conseguia melhorar de forma e fazer a Meia Maratona, mas não consegui. A uma semana da prova, faço a minha inscrição na Meia Rampa, o que já não me deu direito a dorsal personalizado com o meu nome. Toma, bem feita! Mas isso é um pormenor.

E assim, feliz da vida, por a vida e os amigos me permitirem estas coisas, e lá me apresento em S.João das Lampas no sábado à tarde. O ambiente é de festa, até porque é altura das Festas de S.João das Lampas e o relvado junto ao coreto está todo ele cheio de carrosséis e outros divertimentos e barraquinhos com comida. 

Ali ao lado, no asfalto, o carrossel é outro. Levanto o meu dorsal, com chip incorporado e uma bonita t-shirt. Reencontro o amigo Vitor Marques, uma máquina da equipa que venho representar: Runners da Frente Ribeirinha da Póvoa de Santa Iria. Infelizmente não lhe correu bem este ano. Mas para o ano lá estaremos os dois de novo! A cortar a meta da Meia Maratona! Fica a promessa!

Outros amigos do coração, que revejo com muito prazer. É quase sempre assim. Podemos afastar-nos, andar cada um pelas suas vidas, mas quem me faz bem, eu não esqueço. Sabem quem são.

O meu pai, sempre comigo, não para repetir vivências, mas para continuar a viver! Também através de mim na Corrida! 

Este ano, parece-me que são menos atletas. E mais tarde, constato que sim. 407 chegados à meta na Meia Maratona e 69 na Meia Rampa, onde me incluí. Prometo que para o ano farei parte dos chegados à Meta da Meia Maratona! 

A partida é dada e sigo no meu ritmo, bem ciente que este tem de ser especialmente lento, para conseguir mantê-lo ao longo dos 13 Km e manter o lento passinho de Corrida mesmo nas valentes rampas que sabia ir ter de enfrentar. Era esse o meu objectivo. Não ter de caminhar e chegar bem.

Depressa encontro esse meu ritmo, e também uma amiga, a Elisete, que vai num ritmo idêntico ao meu, embora com outro objectivo bem distinto: terminar a Meia Maratona, e ganhar com isso um bom treino físico e mental para a Maratona do Porto, que ela vai correr em Novembro.

A conversa flui agradavelmente (excepção às Rampas...quando apareciam, tínhamos de nos calar e limitar-nos a respirar e forçar as pernas a continuarem, o que sempre conseguimos) e a Corrida também. Flui naturalmente e com relativa facilidade. Os quilómetros estão marcados e passam demasiado depressa. Há abastecimentos de água. Há controlo de passagem. Há mangueiras de água para quem se quisesse refrescar, há público a incentivar, com quem trocamos um "até para o ano" delicioso. Não há trânsito, a segurança é máxima. Marcações irrepreensíveis, apoio total. E assim, demasiado "depressa" mas já com o corpo a dar-me sinais que já chegava, chegámos a S. João das Lampas. A poucos metros da meta, o meu pai estende-me uma flor que colheu por ali e que eu recebo com amor mas  de imediato a ofereço à Elisete. Leva-a até à meta, peço-lhe. Eu tinha a meta ali e ela teria de seguir por mais 8 Km de um percurso nada fácil, precisava mais que eu. Ela sorri, guarda a flor junto ao peito e seguiu, com a força dela e a que eu lhe pûde dar. 

Contorno o largo e entro agora sim na recta da meta. Uma rosa branca é-me estendida, recebo-a com o maior sorriso que tenho, a comprovar que tudo o que damos, recebemos de volta, empunho a rosa e corro feliz para a meta. Tapete verde, muito público e muita animação e termino a minha prova, sendo recebida com popa e circunstânciaVários fotógrafos me apanham, a registar o momento, a eternizar o instante, a emoção vivida, a ficar assim bem guardada para além da memória e da nossa própria vida. A todos eles, o meu muito obrigada. Correr uma prova pode ser muito cansativo, mas fotografar uma prova, assim como vocês tão bem fazem, cansa muito mais, garanto, pois conheço bem os dois lados.

E sem esperar mais nada, recebo uma medalha muito bonita. Mesmo muito, muito bonita. De peso! Magnífica! A dignificar a prova e a nossa humilde participação. Não estava à espera. Esta afinal é uma prova (Meia Rampa) dentro da prova principal (Meia Maratona) e não esperava mais nada. Já tinha o bastante! Mas não! Dão-me os parabéns, medalham-me e ainda recebo bolinhos, água e batatas fritas. Depois, há ainda melancia fresquinha e temos tudo para descomprimir da prova, alongar, e assistir à chegada dos restantes atletas e depois à entrega de prémios no local.

Mas não há mesmo nada que possa ter sido de meu desagrado ?  Não! Não há! 

Mas...mas permita-me a Organização uma mera opinião: A Meia Rampa é uma ideia excelente! Permite a quem, estando melhor preparado para se limitar a  participar apenas na Caminhada, mas não tanto que lhe permita participar na Meia Maratona, ter assim a possibilidade de fazer o gostinho ao pé e Correr dentro da Meia Maratona. Adorei a iniciativa. Mas se não for pedir muito, acho que o singular e fantástico pórtico da meta da Meia Maratona deveria ficar para os atletas da Meia Maratona apenas.

Terminar na mesma linha da Meta...não o merecemos! Só corremos afinal 13 Km! Um segundo pórtico, mesmo ao lado, uma divisão dos atletas ali um bocadinho atrás, já na recta da meta, acho que era melhor. Eu, teria gostado mais. E poupar-me-ia de explicar a meio mundo a foto da meta da Meia Maratona com tempos visíveis no relógio, que nem em sonhos eu posso fazer. Fica a sugestão, meramente opinativa. Deixar o pórtico especial para os finalistas da mítica e também especial prova: a Meia Maratona de S.João das Lampas.

E por tudo isto e muito mais que só se pode saber e sentir, correndo em S.João das Lampas, muitos Parabéns à Organização!

E para o ano lá nos encontraremos!

Ana Pereira


NOTAS:
A minha classificação na 1ª Meia Rampa: fui 48ª chegada à meta de um total de 69, com o belíssimo tempo de 1h25m34s


Classificações e outras informações no site da Organização, ver aqui

FOTOS da 42ª Meia Maratona de S.João das Lampas:

Pelo Armindo Santos,  RUN 4 FFWPU, para ver aqui

Pelo Miguel BaptistaMB Run&Photo:

Album 1 - Km 4, para ver aqui

Album 2 - Km 12, para ver aqui

Album 3 - Km 21, para ver aqui


Pelo Orlando Duarte:

Album 1, para ver aqui

Album 2, para ver aqui

Album 3, para ver aqui

Album 4, para ver aqui


Por Paulo Sezilio, para ver aqui





Com o amigo Vitor Marques

A Partida


A tartaruga teimosa

A fugir ao amigo António Almeida

Com a Elisete, que foi comigo até ao fim da minha prova e seguiu para terminar e bem, a Meia Maratona


A chegar à meta


A medalha