Quem me costuma ler, sabe que há uns dias que nada aqui escrevia. Antes de Sesimbra. Até houve quem se "preocupasse" com a ausência - por não me conhecer o suficiente, por certo - obrigada Ana.
Não escrevi não porque nada houvesse a contar. Treinos, ginásio, bicicleta (sem cair), festas, praia, almoços e jantares, passeios, peso e balança, cães e crianças, dietas e excessos, comida e bebida, farras e velórios, trabalho e ócio. Gostos e desgostos. Dores do próprio e alheias. Vida e Morte, que enquanto a última não for a nossa, fará sempre parte quer queiramos quer não, da primeira, da nossa Vida. Porque houve, houve isso tudo e muito mais. No entanto, sem público. Sem divulgação ou agitação, a provocar o que quer que seja no âmago do ser humano, onde habitam as mais nobres mas também as mais ignóbeis das emoções e sentimentos conhecidas e desconhecidas.

Assim estive. Só a viver. Simplesmente, a viver. Nestes dias sem necessidade ou vontade de ostentar troféus, pequenas grandes vitórias, nem de lamuriar derrotas, tropeços, ou ainda carpir dores, minhas ou de outros. Dias de introspecção apenas, a culminar dentro da Corrida de Sesimbra.
Dias em que voltei a correr. Voltei a correr. Só vos digo que voltei a correr e depressa reencontrei a Corrida, essa amante incondicional, e hoje quero dizê-lo e escrevê-lo. Aqui. E porque reencontrei a Corrida, aquela que nos faz sentir cavalo selvagem à solta, sem freio, e crina ao vento, fui correr a Sesimbra. Não fui a Sesimbra para me lembrar do que é amar a Corrida e dos tempos em que ela me fazia feliz. Foi ao contrário. Porque tenho de novo bem vivo dentro de mim, o que é o amor à Corrida, fui a Sesimbra correr.
E em Sesimbra, corri de novo, como cavalo selvagem à solta, sem freio nem sela, de crina ao vento (nem de propósito, tinha-me esquecido de um elástico para prender o cabelo), e voltei a sentir-me... assim...em casa! Na minha casa de novo. E nasceu vontade de... de tanta coisa!
Enquanto corria pelas ruas de Sesimbra, ouvi o meu nome. O meu nome repetido aqui e ali e além. Amigos, diria e pensei, e não me engano por certo. As ruas estão cheias de amigos. A correr como eu. Ou simplesmente a ver passar os atletas e a aplaudir. E o meu nome foi repetido inúmeras vezes (não, os dorsais não tinham o nome do atleta em letras grandes!).
O meu nome nas bocas deles, cansados e suados como eu, e eu também gritei o nome deles, oxalá tenha a minha voz o mesmo efeito neles que a deles em mim. Oxalá. Vozes de uma multidão, com rostos de gente. Definidos, únicos.

E oxalá este amor dure, como tem durado, conforme está visto por provas dadas. Esteve sempre cá. Aqui, dentro de mim, sempre. Simplesmente à espera de eu o viver, sem medo. Oxalá o consiga.
Em Sesimbra corri os
10 Km em 56m17s, e fiquei muitíssimo satisfeita. Porquê? Perguntarão. e eu apenas desejo que ... oxalá percebam, porque a mim, agora, já não me apetece escrever mais.
Resto de boa semana para todos que me leram até aqui, e também para os outros que saltaram linhas e também chegaram aqui, mesmo sem terem feito o percurso completo. Como nas corridas fazem os batoteiros! (és um batoteiro?) Ainda assim, resto de boa semana mesmo para todos!