Não escrevi não porque nada houvesse a contar. Treinos, ginásio, bicicleta (sem cair), festas, praia, almoços e jantares, passeios, peso e balança, cães e crianças, dietas e excessos, comida e bebida, farras e velórios, trabalho e ócio. Gostos e desgostos. Dores do próprio e alheias. Vida e Morte, que enquanto a última não for a nossa, fará sempre parte quer queiramos quer não, da primeira, da nossa Vida. Porque houve, houve isso tudo e muito mais. No entanto, sem público. Sem divulgação ou agitação, a provocar o que quer que seja no âmago do ser humano, onde habitam as mais nobres mas também as mais ignóbeis das emoções e sentimentos conhecidas e desconhecidas.

Dias em que voltei a correr. Voltei a correr. Só vos digo que voltei a correr e depressa reencontrei a Corrida, essa amante incondicional, e hoje quero dizê-lo e escrevê-lo. Aqui. E porque reencontrei a Corrida, aquela que nos faz sentir cavalo selvagem à solta, sem freio, e crina ao vento, fui correr a Sesimbra. Não fui a Sesimbra para me lembrar do que é amar a Corrida e dos tempos em que ela me fazia feliz. Foi ao contrário. Porque tenho de novo bem vivo dentro de mim, o que é o amor à Corrida, fui a Sesimbra correr.
E em Sesimbra, corri de novo, como cavalo selvagem à solta, sem freio nem sela, de crina ao vento (nem de propósito, tinha-me esquecido de um elástico para prender o cabelo), e voltei a sentir-me... assim...em casa! Na minha casa de novo. E nasceu vontade de... de tanta coisa!
Enquanto corria pelas ruas de Sesimbra, ouvi o meu nome. O meu nome repetido aqui e ali e além. Amigos, diria e pensei, e não me engano por certo. As ruas estão cheias de amigos. A correr como eu. Ou simplesmente a ver passar os atletas e a aplaudir. E o meu nome foi repetido inúmeras vezes (não, os dorsais não tinham o nome do atleta em letras grandes!).
O meu nome nas bocas deles, cansados e suados como eu, e eu também gritei o nome deles, oxalá tenha a minha voz o mesmo efeito neles que a deles em mim. Oxalá. Vozes de uma multidão, com rostos de gente. Definidos, únicos.

Em Sesimbra corri os 10 Km em 56m17s, e fiquei muitíssimo satisfeita. Porquê? Perguntarão. e eu apenas desejo que ... oxalá percebam, porque a mim, agora, já não me apetece escrever mais.
13 comentários:
Parabéns Ana
Pela participação e conclusão desta prova.
Não é uma corrida difícil com um percurso quase plano e o mar ao nosso lado.
Um bom tempo
Com os cumps
J.Lopes
Que bom que voltas-te!
Eu cá estou completamente parada.
beijos nossos...áh! eu li tudo OK?!
mais beijos
eugenia
Oi Maria, esta corrida deve mesmo ter sido muito boa. Adorei seu texto e sempre venho aqui dar uma olhadinha...
Bjs
Lu
www.lucorredora.blogspot.com
Cá do Brasil te parabenizo pelo inspirado relato. Tem vezes em que queremos estar realmente sós para depois nos abrirmos novamente para o mundo. Parabéns pela bela prova.
Um abraço,
Sergio
corredorfeliz.blogspot.com
Olá, Ana
É sempre bom lê-la, mas ainda é melhor quando aquilo que escreve traduz a felicidade do reencontro com a Corrida. Que esse estado de espírito seja duradouro, é o meu desejo, ou melhor, convicção.
Beijinho, Ana
FA
também me sinto assim tantas vezes, ana... só quando vejo o de sempre com um novo olhar é que tenho essa necessidade de escrever!
de outro modo, soa falso... ou fútil...
correr com paixão é o que há de mais gratificante... e é o que transforma mais uma corrida de rua em uma aventura inesquecível... dentro de nós mesmos;)
um grande abraço!
elis
http://elismc.blogspot.com
Olha Maria,
Só digo... Dá cá mais cinco...
Bjs
Lobi
Saudade de voce, das receitas, do hospital abandonado, pai amigo, do fiel totó, do seu geito de escrever que me cativou. Finalmente voce voltou. Um abraço Eduardo,
Pelotas,
Rio Grande do Sul
Brasil
Como sempre, o texto bonito!
Porque escreves com um coração bonito...
Beijinhos de Pittsburgh :-))
Ana G.
Oh! Ana e ainda deu para pescar esse grande peixão para o jantar!
Ana,
Só posso dizer PARABÉNS!
Fico muito feliz por ti e li o que não escreves-te...
Beijo grande
Belo tempo!
(O do relógio claro. Se bem que o atmosférico também não fosse mau. Com calor é bem pior.)
Pois...parece que, quanto ao resto, está tudo na mesma:-)
beijinhos
Olá Ana
tivesse eu estado em Sesimbra e seria mais um a gritar o teu nome, como não fui fica aqui o meu BRAVO MARIA.
Beijos e abraço do teu amigo corredor.
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