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quarta-feira, 25 de março de 2009

Mundos


Todos, pelo menos todos os que conheço de mais perto, e onde eu me incluo, vivemos no nosso mundo. No mundo que criámos. Com os problemas à sua dimensão. Nossa e do mundo. Mundo esse, mais ou menos fechado, mas nosso, sempre nosso.

Quantas vezes não valorizaríamos muito mais o que temos, e desvalorizaríamos muito mais os nossos problemas e preocupações, se olhássemos um pouquinho só para além do muro que cerca o mundo, e que nós próprios criámos?

Poderia dizer como tenho andado. Não digo porque não me apetece. Apenas digo que não tenho treinado. Não propriamente que o meu mundo tenha parado, talvez seja precisamente o contrário, e ainda bem que assim é.

O stress, necessário e fundamental à vida, pode tornar-se verdadeiramente crítico se alimentado a pão-de-ló e transformado num monstro maior que nós que nos absorve e destroi.

Paro ao sinal. Tem havido vários sinais. E eu, levanto os olhos do chão, elevo-os para além da cerca e paro.

Uma serenidade quase súbita invade-me em vésperas de férias, e o facto de não ter andado a treinar, assume e retoma as proporções devidas e merecidas, uma quase absoluta insignificância.

Quero acabar de arrumar os papéis no emprego.
Quero ir de férias, treinar todos os dias e brincar, e rir e namorar.

Quero ir dia 5 de Abril correr a

27ª Corrida dos Sinos, em Mafra

E depois… depois na semana seguinte, quero ir ao

Grande Prémio de Constância

Porque…

Porque Constância, vila poema sempre me recebeu de braços abertos, como o Tejo recebe o Zêzere, fundindo-se este nele, para juntos seguirem viagem.

Já fiz a prova várias vezes. A última vez que corri foi com a Ana Paula Pinto, na Páscoa de 2007.

Depois… depois muita coisa aconteceu.

No ano passado, apesar de inscrita não consegui lá voltar. Queria esquecer o último dia em que visitara Constância, para deixar a Margaret na sua última morada, ali, no alto da vila, vigiando os rios e certificando-se que os seus cursos se cumprem, seguindo viagem. Como se o facto de lá não voltar, apagasse o dia, a memória, o acontecimento. Mas é falso. Não mudamos o passado. Podemos apenas viver o presente construindo o futuro. Nosso e dos outros e do mundo.

E no sábado de Páscoa, dia 11 de Abril, eu voltarei a correr em Constância. Porquê?

Porque tenho uma admiração tremenda e um carinho muito especial também de gratidão, por esta mãe. Por esta mulher e esta mãe, que é a Ana Paula Pinto, e que assim escreve no seu blogue:

“ ano passado não corri em Constância. Não tive coragem. Tinha corrido há dois anos. Este ano penso correr. Pensei também levar a efeito algo que já tinha pensado no outro ano...

Correr com a mesma t-shirt com que fiz a minha primeira Meia Maratona em memória da minha filha. Correr lembrando a Margaret em Constância tem um duplo significado: homenagear a sua coragem e a sua luta na luta contra o cancro e recordá-la a quem vir o seu rosto. Recordar ainda que esse rosto tão belo e suave está sob sete palmos de terra, lá no alto, junto à Igreja Matriz, num "amontoado" de areia à espera de sepultura mais digna.

Porque tarda tanto um pedido tão simples?

No Grande Prémio de Constância vou correr pela Margaret.

Haverá mais alguém?”


Eu estarei lá. Pela Ana Paula e pela Margaret, e por tudo que as suas vidas significam! E como ela, pergunto:

Haverá mais alguém? (informações para obtenção de t-shirt no blogue da Ana Paula)

Até amanhã ou depois, querido diário

4 comentários:

joaquim adelino disse...

Eu vou estar lá e quero a t-shirt.
e associar-me a essa bonita homenagem.
Um beijinho.

ana paula pinto disse...

Olá Ana

Obrigada por te teres "associado" a esta minha intenção e divulgares a "homenagem" que pretendo fazer à minha filha.
Seja em que corrida for, corro sempre com a minha estrelinha. Porém, esta corrida é especial.
Foi aqui, em Constância que ela chegou à meta definitiva, ou (quero eu acreditar) partiu para uma corrida que não tem fim.

Até lá

Beijinhos
Paula

Carlos Lopes disse...

Vou lá estar também

António Nascimento disse...

António Nascimento,
Em Constância irei corrr por Margaret.
Amigos do Parque da Paz