O veículo seguia já a mais de 190 km/hr. A estrada era boa e o carro também, mas havia uma inquietude que se traduz em insegurança e medo e é melhor abrandar. O risco é demasiado grande e o preço da alucinada liberdade demasiado elevado. Ela estava bem consciente disso.


Ele parte, navega e voa, mas volta, tem para onde voltar e é bom que haja sempre alguma coisa que o prenda à terra, à vida, se não corre o risco de se perder para sempre e se despenhar contra os rochedos.
A rapariga à mesa do café, entornou a chávena nervosa e os seus dedos trémulos não acertavam uma. Sob o olhar penetrante e firme dele voltou a deixar cair a colher e com um risinho nervoso não conseguiu disfarçar o que sentia. Tentava desviar os seus olhos dos dele mas estes eram como ímanes e os seus colaram-se aos dele. Até hoje ainda.
Abrandei. Sinto-me doente e desde domingo que não corro.
2 comentários:
Mais uma vez, uma delícia de texto.
Os meus sinceros parabéns.
Ai que inveja que às vezes tenho de si, no bom sentido, claro, porque quem escreve assim, não há duvida que é uma predestinada.
Quero ler, ler muito, do que você tem para nos contar.
Força aí Ana.
Jorge Teixeira
Obrigada Jorge! É um querido!
Ana
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