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quarta-feira, 8 de abril de 2009

A próxima: Grande Prémio Constância

Fotos: Dezembro de 2007, Meia Maratona, Lisboa


Esta semana é curta, dizem... A semana tem sempre os mesmos dias, nós é que os vivemos de forma diferente se tal nos for possível.

Treinos e outros exercícios físicos não têm havido...

Por outro lado, por motivos que não são para aqui chamados, azáfama e uma certa ansiedade não têm faltado. Acho até que já precisava de férias outra vez. Mas só há férias se trabalharmos.

E como agora é tempo de trabalhar, resta-me viver cada dia o melhor que posso, e entrar na engrenagem de novo. A engrenagem do dia a dia que nos põe de novo na rotina, essa com quem lutamos para não nos esmagar.

Próximo sábado dia 11 de Abril, estarei em Constância, para correr o Grande Prémio.

Já por si, não seria uma corrida como outra qualquer. Mas desta vez é mais que nunca, uma corrida como nenhuma outra o foi ou será.

É em Constância que repousa o corpo de Margaret, falecida em Agosto de 2007, filha de Ana Paula Pinto.

E porque a Ana Paula nos lança o apelo, eu estarei lá a correr em homenagem à Margaret. Levá-la-ei ao peito por vontade de sua mãe, mulher de coração de ouro e força de leão, de quem tenho a honra de conhecer um bocadinho, e esse bocadinho ser suficiente para muito a admirar, e muito gostar dela.

Pela Ana Paula Pinto, porque essa é a sua vontade, no sábado eu correrei pela Margaret, como o fiz em Dezembro de 2007, em Lisboa, quando a Paula se estreou na Meia Maratona, e soube que algures a sua filha lhe sorriu e lhe diria: “Mãe, tu és a maior.” E provavelmente acrescentaria “Correste com a Ana Pereira? Tu és muito prá frente!”

E é! A Paula é muito prá frente! Uma grande mulher num corpo com pouco mais de 40 quilos!

segunda-feira, 6 de abril de 2009

27ª Corrida dos Sinos - A Corrida

“Corre como se a meta fosse os meus braços.”

A frase ecoava na cabeça dela como se ele estivesse ali ao lado dela, o tempo todo, sussurrando-lhe ao ouvido, tão perto que ela lhe podia sentir a respiração quente, e adivinhar o movimento dos lábios dele, carnudos, sensuais, enquanto deixava escapar as palavras. Assim correu ela em Mafra, na 27ª Corrida dos Sinos, durante 1h26m13s, decorria o ano de 2009, e a Primavera dava os primeiros sinais trazendo aves e flores e folhas novas. Folhas onde se escrevem estórias e aves que voam até ao infinito como os sonhos. Os sonhos dela hoje também. Voam como a borboleta branca que a acompanha uns metros apenas. Frágil mas bela e grandiosa, realizando o sonho da lagarta.

Passou o Convento de Mafra e o carrilhão não tocou como seria de esperar. Tocaram antes todos os sinos dentro dela, e sorri desta vez ela, não chora, não tem lesões nem mágoas para carpir desta vez. Está viva e está ali. A correr. Feliz.

Correu como se a meta fosse os braços dele… E chegou feliz aos braços dele, e conta-se que até hoje ainda não a largaram, num abraço eterno.

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A 27ª Corrida dos Sinos

Organizada pelos Amigos do Atletismo de Mafra, com a colaboração da Câmara Municipal de Mafra e apoio de comércio local, a prova realizou-se dentro dos parâmetros do satisfatório e regular.

Com um valor de inscrição a partir de EUR 7,00 para a Corrida principal, a prova proporcionou e retribuiu o valor em boas condições para a prática da corrida.

Com o secretariado instalado no Parque Desportivo Municipal Engenheiro Ministro dos Santos, local onde estava também instalada a meta, a Corrida principal registou 1076 atletas chegados, e proporcionou a participação a todos, com a realização da Corrida dos Sininhos, na distância de 6 km.

Entrega de dorsais eficiente, controlo por chip, partida pontual e as ruas de Mafra se viram coloridas com a enchente de gente.

Passagem pelo Convento de Mafra, que lamentavelmente emudeceu seu carrilhão à passagem dos atletas de há uns anos para cá, e o corso segue em direcção ao Sobreiro onde um palco montado com música popular cantada ao vivo anima a alma e o corpo, assim como o público, apesar de muito pessoalmente preferir um “We are the champions” dos Queen, que infalivelmente em circunstâncias semelhantes me levaria para lá do esforço e me enlevaria a alma quase ao ponto de deixar de sentir o corpo. Mas gostos… não se discutem. Marca pontos pois a organização por esta animação popular.

Abastecimentos suficientes (Km 5 e 10), apesar de serem apenas constituídos por água. Quilómetros marcados e percurso bem sinalizado e com efectivo e eficiente controlo do trânsito por parte das autoridades.

Uma chegada graciosa, o que é dado natural e facilmente pelo local (estádio). Espaço para retirar o chip e breve recuperação. Entrega de prémios de participação, constituídos por batatas fritas, marmelada e água, mas lamentavelmente o já famoso sino de cerâmica não chegou a todos os participantes conforme era anunciado e prometido. Um pólo fazia também parte do prémio de presença, que era levantado com os dorsais.

Balneários à disposição. Entrega de prémios por escalões no local.

Classificações rapidamente disponibilizadas no site oficial da prova


É corrida que certamente continua a agradar ao atleta de pelotão, e pela 27ª edição está pois a organização de parabéns.

Ana Pereira
5 de Abril de 2009





A Corrida dos Sininhos:

Alheia à Corrida, ali mesmo ao lado, a vida segue o seu curso:

domingo, 5 de abril de 2009

27ª Corrida dos Sinos - Imagens e pouco mais

Estive em Mafra e participei na 27ª Corrida dos Sinos

15 Km - 1h26m13s



Hoje, deixo apenas imagens, amanhã palavras.



Antes da prova, com a minha equipa: Clube do Sargento da Armada:
Com António Almeida e sua simpática família:

Com o fotógrafo que, (não menosprezando tantos outros amigos que se esmeram por me apanhar), até hoje tem captado as minhas melhores imagens, em bons e maus momentos (chegadas à meta), o amigo José Gaspar:

Com meu pai, António Melro:

Em período de aquecimento:

A zona da partida, minutos antes da mesma:

Quase a chegar:



A chegada à meta, com Sandra Martins e Carla Calçada:

O depois, derreada, com Magnífica e Henrique:

Pior, ainda depois:

E já quase renovada agora:
E depois do banho quente... então, estou como nova e pronta para outra: Fotos da AMMA - Atletismo Magazine Modalidades Amadoras

gentilmente cedidas, e onde se encontram milhares de fotos distribuídas em 3 Álbuns, da autoria de Carlos Viana Rodrigues, José Gaspar e ainda a colaboração de António Melro, que uma vez mais fizeram uma excelente cobertura fotográfica que possibilita a perpetuação de momentos únicos e de valor inestimável para cada um de nós que corre por aí, aparentemente alheios e indiferentes ao que nos rodeia.

sábado, 4 de abril de 2009

O Convento de Mafra e a 27ª Corrida dos Sinos

“D.João, quinto do nome na tabela real, irá esta noite ao quarto de sua mulher, D.Maria Ana Josefa, que chegou há mais de dois anos da Áustria para dar infantes à coroa portuguesa e até hoje ainda não emprenhou. Já se murmura na corte, dentro e fora do palácio, que a rainha, provavelmente, tem a madre seca, insinuação muito resguardada de orelhas e bocas delatoras e que só entre íntimos se confia. Que caiba a culpa ao rei, nem pensar, primeiro porque a esterilidade não é mal dos homens, das mulheres sim, por isso são repudiadas tantas vezes…/…

…/… Vestem a rainha e o rei camisas compridas, que pelo chão arrastam, a do rei somente a fímbria bordada, a da rainha bom meio palmo mais, para que nem a ponta dos pés se veja, o dedo grande ou os outros, das impudicícias conhecidas talvez seja esta a mais ousada. D.João V conduz D. Maria Ana ao leito, leva-a pela mão como no baile o cavaleiro à dama, e antes de subirem os degrauzinhos, cada um de seu lado, ajoelham-se e dizem as orações acautelantes necessárias, para que não morram no momento do acto carnal, sem confissão, para que desta nova tentativa venha a resultar fruto, …/…

…/… D.João V sonhará esta noite. Verá erguer-se do seu sexo uma árvore de Jessé, frondosa e toda povoada dos ascendentes de Cristo, até ao mesmo Cristo, herdeiro de todas as coroas, e depois dissipar-se a árvore e em seu lugar levantar-se, poderosamente, com altas colunas, torres sineiras, cúpulas e torreões, um convento de franciscanos, como se pode reconhecer pelo hábito de Frei António de S.José, que está abrindo, de par em par, as portas da igreja. Não é vulgar em reis um temperamento assim, mas Portugal sempre foi bem servido deles.”

In “Memorial do Convento", José Saramago


E eu...de regresso de férias hoje, e amanhã dia 5 de Abril do ano de 2009, em Mafra, na:

27ª Corrida dos Sinos, onde gostaria de ouvir o carrilhão do Convento a tocar, como aconteceu nalgumas edições passadas, mesmo chorando eu e rindo os sinos... mas mesmo que passemos em silêncio, minúsculos e insignificantes ao lado do imponente Convento, eu sei que irão repicar os sinos... basta querer... e eu quero!

Até amanhã

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Férias e Treinos

Os dias têm sido diferentes. Ou tenho-os eu vivido de forma bem diferente da habitual. O que só faz bem!

Divertimento, bom ar, paz, mas também muito divertimento, risadas e gargalhadas fruto de brincadeiras salutatares.
O que tenho feito: se de corrida, os dias têm sido vazios com execpção de hoje, posso dizer que em contrapartida, tenho gasto em média 3 horas por dia a mexer-me dentro de água, desde natação, hidroginástica a brincadeiras na água, que me deixam mais maçada do que fizesse uma meia maratona por dia.

Hoje, levantei-me cedo e fiz 1h10m de corrida contínua apesar do terreno ser extremamente desnivelado. É duro treinar aqui. Ainda assim adorei como seria de esperar.

Ver o dia nascer à beira Tâmega, ouvindo as aves a despertar, é maravilhoso. Compensa bem o fôlego ofegante e as pernas doridas fruto das subidas e descidas constantes do terreno.

Até amanhã querido diário

domingo, 29 de março de 2009

Treino? Ou.... Semear corrida?


Hoje, quando me preparava para ir treinar, fui agradavelmente surpreendida por três jovens que me são muito queridas, (entre os 11 e 12 anos) que me quiseram acompanhar.

Conclusão: o meu treino foi deliciosamente por água abaixo, tendo sido substituído por 20 minutos de corrida contínua bastante lenta e muitos alongamentos e outros exercícios de ginástica na companhia excepcional destas três meninas.

Produtividade do “treino”: esperemos que bastante alta, pela sementeira dedicada que foi este meu “treino”

Até amanhã querido diário

sexta-feira, 27 de março de 2009

Oficialmente de férias e Onde eu não vou

Estou hoje desde as 18:00 hrs. oficialmente de férias. Precisava. Precisava mesmo!
Evasão precisa-se!
E para começar as férias, nada melhor que retomar os treinos.
Corri 45 minutos apenas. Sinto-me mais leve pelo que o corpo parece que não custa tanto a suportar. No entanto, o ritmo não pode aumentar muito e há um certo cansaço para impulsionar o corpo a manter a corrida.
Amanhã, 28 de Março, com muita pena minha, eu não vou estar presente nos 7º Trilhos de Mogadouro, Amendoeiras em Flor:
Mas parada, ai isso é que não vou ficar! Garanto-vos!

Até amanhã querido diário

quarta-feira, 25 de março de 2009

Mundos


Todos, pelo menos todos os que conheço de mais perto, e onde eu me incluo, vivemos no nosso mundo. No mundo que criámos. Com os problemas à sua dimensão. Nossa e do mundo. Mundo esse, mais ou menos fechado, mas nosso, sempre nosso.

Quantas vezes não valorizaríamos muito mais o que temos, e desvalorizaríamos muito mais os nossos problemas e preocupações, se olhássemos um pouquinho só para além do muro que cerca o mundo, e que nós próprios criámos?

Poderia dizer como tenho andado. Não digo porque não me apetece. Apenas digo que não tenho treinado. Não propriamente que o meu mundo tenha parado, talvez seja precisamente o contrário, e ainda bem que assim é.

O stress, necessário e fundamental à vida, pode tornar-se verdadeiramente crítico se alimentado a pão-de-ló e transformado num monstro maior que nós que nos absorve e destroi.

Paro ao sinal. Tem havido vários sinais. E eu, levanto os olhos do chão, elevo-os para além da cerca e paro.

Uma serenidade quase súbita invade-me em vésperas de férias, e o facto de não ter andado a treinar, assume e retoma as proporções devidas e merecidas, uma quase absoluta insignificância.

Quero acabar de arrumar os papéis no emprego.
Quero ir de férias, treinar todos os dias e brincar, e rir e namorar.

Quero ir dia 5 de Abril correr a

27ª Corrida dos Sinos, em Mafra

E depois… depois na semana seguinte, quero ir ao

Grande Prémio de Constância

Porque…

Porque Constância, vila poema sempre me recebeu de braços abertos, como o Tejo recebe o Zêzere, fundindo-se este nele, para juntos seguirem viagem.

Já fiz a prova várias vezes. A última vez que corri foi com a Ana Paula Pinto, na Páscoa de 2007.

Depois… depois muita coisa aconteceu.

No ano passado, apesar de inscrita não consegui lá voltar. Queria esquecer o último dia em que visitara Constância, para deixar a Margaret na sua última morada, ali, no alto da vila, vigiando os rios e certificando-se que os seus cursos se cumprem, seguindo viagem. Como se o facto de lá não voltar, apagasse o dia, a memória, o acontecimento. Mas é falso. Não mudamos o passado. Podemos apenas viver o presente construindo o futuro. Nosso e dos outros e do mundo.

E no sábado de Páscoa, dia 11 de Abril, eu voltarei a correr em Constância. Porquê?

Porque tenho uma admiração tremenda e um carinho muito especial também de gratidão, por esta mãe. Por esta mulher e esta mãe, que é a Ana Paula Pinto, e que assim escreve no seu blogue:

“ ano passado não corri em Constância. Não tive coragem. Tinha corrido há dois anos. Este ano penso correr. Pensei também levar a efeito algo que já tinha pensado no outro ano...

Correr com a mesma t-shirt com que fiz a minha primeira Meia Maratona em memória da minha filha. Correr lembrando a Margaret em Constância tem um duplo significado: homenagear a sua coragem e a sua luta na luta contra o cancro e recordá-la a quem vir o seu rosto. Recordar ainda que esse rosto tão belo e suave está sob sete palmos de terra, lá no alto, junto à Igreja Matriz, num "amontoado" de areia à espera de sepultura mais digna.

Porque tarda tanto um pedido tão simples?

No Grande Prémio de Constância vou correr pela Margaret.

Haverá mais alguém?”


Eu estarei lá. Pela Ana Paula e pela Margaret, e por tudo que as suas vidas significam! E como ela, pergunto:

Haverá mais alguém? (informações para obtenção de t-shirt no blogue da Ana Paula)

Até amanhã ou depois, querido diário

domingo, 22 de março de 2009

19ª Meia Maratona de Lisboa

Realizou-se hoje, a 19ª Meia Maratona de Lisboa

A par do ano passado, estive este ano numa outra corrida, diria mesmo numa autêntica maratona: mais de 3 horas a fotografar.

Rostos, sorrisos, olhares, sombras, fantasmas, dores e vitórias, histórias por contar em cada homem e cada mulher...

Orgulhosa e emocionantemente, fazendo parte da equipa da AMMA - Atletismo Magazine Modalidades Amadoras, eu estive presente.

Milhares de fotos na Galeria de fotos, no site da AMMA








sexta-feira, 20 de março de 2009

Aninhou-se nos braços dele, como criança assustada e cansada, como se de porto de abrigo se tratasse e ali, segura, ao lugar que sabia agora, ela sempre pertencera, pudesse por fim descansar, ser amada e feliz, onde o único medo seria perder aquilo que a vida lhe dá hoje.

Fechou os olhos e adormeceu feliz, sentindo o calor do corpo dele junto ao seu, e a sua respiração no seu pescoço. Adormeceu e sonhou. Sonhou toda a noite e o dia seguinte também.

E por fim, quando os braços dele a soltaram, livre mas segura e forte, como se o amor que ele lhe dera perdurasse eterno dentro dela, ela levantou-se, equipou-se e saiu para a rua para correr.

Correu livre, com força apesar de cansada. Estranhamente o seu corpo avança mais rápido do que alguma vez nas suas últimas lembranças. Menos tempo para correr, o mesmo percurso. Mais rápido portanto. 40 minutos apenas. A corrida soube-lhe bem. A corrida sempre a ajudara a clarificar ideias e a imprimir-lhes uma clareza difícil de obter noutras circunstâncias. Sentiu-se forte, livre, independente. Não precisa dele. O porto de abrigo são afinal os seus próprios braços, e a força que aparentemente ele lhe dera, não era mais que a sua própria força adormecida.

Ao chegar a casa, a cama encontrava-se vazia a confirmar as suas suspeitas. Afinal, ele nunca tinha existido. Nem mesmo as manchas de esperma seco sobre os lençóis a convenceram que ele existia. Nada daquilo tinha acontecido de facto.

quarta-feira, 18 de março de 2009

A Morte

Entra assim de rompante, sem bater, sem aviso, deitando a porta abaixo com estrondo, sem ter dado sinais ou fazer-se anunciar.

Surpreende-nos, sentados mais ou menos confortavelmente no sofá da sala da nossa vida, pega-nos sem preparo, e no entanto nós sempre soubéramos que ela ali estivera, silenciosa e presente.

Pensamos sempre que é de acidente. Uma notícia assim, de uma morte precoce, súbita, inesperada, de quem no Natal passado estava perfeitamente bem, e que contava 42 anos de vida. Mas não. Não foi um acidente, pelo menos de viação que é dos que mais depressa nos lembramos, ou ainda dos cardiovasculares. Mas não. Foi um acidente no crescimento e desenvolvimento anormal das células do seu corpo. Só isso. Um acidente portanto.

Se na idade adulta, por força das circunstâncias da vida ou por fraquezas nossas, pouco convivemos, já a minha infância está repleta da sua presença. Brincadeiras, partidas, risos e reinações que me punham a chorar para depressa soltar gargalhadas entre corridas suadas e jogos de apanhada. Os passeios pelo campo a apanhar amoras silvestres, os coelhos, os nossos avós… Memórias apenas agora.

Ai… como queria acreditar num deus qualquer para lhe pedir menos acidentes. Mas não posso. Estou por isso desamparada, à mercê de todos os acidentes que a vida me reserva ainda… E como eu quero viver! Viver! Mais que nunca… eu acho…

Mas os acidentes são isso mesmo: acidentes, em qualquer segundo a vida muda, dá uma volta completa de 360º, ou maior volta ainda que deixa de ser ela própria, vida.

Inúteis pensamentos estes, restando apenas este preciso segundo para viver… e legar o que o nosso eu tenha de melhor. Aproveitemo-lo então. Somos nós capazes?

Amanhã acompanhá-lo-emos à sua última morada. Descansa em paz, Paulo Jorge…

terça-feira, 17 de março de 2009

Os treinos...

Há quem ache que ela os deveria incluir na rotina. Os tornasse parte integrada e enraizada bem aninhada num pedaço qualquer dos dias da sua vida, entre tarefas, mas bem definidos eles, como tarefa imprescindível e metódica a realizar com horário em situações específicas, sem falhas. Como lavar a cara ou os dentes, por exemplo.

Mas ela não pode fazer isso. Jamais. Por mais que um motivo. Correr jamais será rotina. Porque ela tem esta alma e ela corre como quem beija e como quem ama assim… perdidamente, como o poeta:

"Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e cetim…
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente…
É seres alma e sangue e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!"

Florbela Espanca


Hoje corri cansada, no entanto o corpo ia avançando sofrido mas ligeiro. Estranha sensação esta. Repetindo o que já se passara nos treinos da semana passada, para correr durante o mesmo período de tempo de treinos anteriores, tive de ir mais longe. E fui! 50 minutos de corrida contínua! Magnífico, apesar do cansaço.

Até amanhã querido diário (sim...porque as promessas continuam)

domingo, 15 de março de 2009

Corrida das Lezírias – 15 de Março de 2009

- Gosto do que tu escreves e como escreves, mas… é muito …à mulher… - disse-lhe um amigo há uns tempos atrás. Ela quis entender aquilo como um elogio e retorquiu que se calhar era precisa e simplesmente por ..ser ela mulher, pois ao escrever não pretende mais que ser ela.

E se assim não fosse, hoje, após a Corrida das Lezírias, provavelmente no ver dele, ela não diria que correu nas asas do vento, sob um sol morno que a acariciou junto com a brisa e o Tejo no olhar, sobre a terra e o pó e a erva, no dorso de um cavalo selvagem, tão livre quanto ela, cavalgando a galope, tão veloz quanto o vento, crina e cauda ondulando como o seu próprio cabelo, músculos torneados sob o pêlo suado do animal, braços dela nus em torno dele, coração forte como o dela, batendo juntos, num corpo só, ela e animal, sonhando todos os sonhos dentro de um sonho, onde o limite é o céu.

Assim é na Corrida das Lezírias. Prova organizada pela Câmara Municipal de Vila Franca de Xira com o apoio técnico da Xistarca, com distância de 15.000 metros, certificada pela CNEC, onde somos levados depois de uma breve passagem pela cidade, a atravessar o Tejo e a percorrer parte das lezírias ribatejanas, em caminhos de terra batida e vegetação, parte deles ao longo do Tejo, retornando à cidade, ao mesmo local de onde se partiu, e onde se encontra instalada a meta. Este ano com perto de 1400 atletas chegados à meta.

Com partida junto ao Pavilhão do Cevadeiro, dada em ambiente bem animado, com música e apelativo ao movimento, dada a horas, a Corrida das Lezírias proporciona também a Corridinha Infantil, para escalões jovens, e que decorre após partida da prova principal, assim como uma Caminhada aberta a todos.

Como a Xistarca já nos habituou, inscrições são feitas de forma expedida assim como a entrega dos dorsais. A prova principal tem controlo por chip electrónico, placas com marcação dos quilómetros e abastecimentos de água de 5 em 5 Km aproximadamente.

Percurso bem sinalizado e com trânsito perfeitamente condicionado, proporcionando a segurança necessária aos atletas. A passagem pelas lezírias com os campos, as quintas, os cavalos, o rio, a ponte e a cidade, é nota positiva que torna esta prova no que ela é: inigualável.

Enriquece e caracteriza também esta prova a presença do Campino ribatejano, vestido a rigor montados sobre seus cavalos, em vários pontos da prova.

Uma imagem emblemática da região, e na minha opinião a manter. O regresso à meta leva-nos de novo à cidade, passando a Estação dos Caminhos-de-ferro e a Praça de Touros, para nos encaminhar para o Parque Urbano de Vila Franca de Xira, onde a meta nos aguarda conforme merecemos, com espaço para alongamentos, repouso e devolução de chip.

Saco final com medalha com logótipo da prova, t-shirt, bolo, água e bebida isotónica. Mais uma vez está a Câmara Municipal de Vila Franca de Xira e todos os envolvidos, de parabéns!

Ana Pereira

Cobertura fotográfica com milhares de fotos captadas pela equipa da AMMA - Atletismo Magazine Modalidades Amadoras

Resultados no site da Xistarca


Agora, eu e os cavalos e a Corrida das Lezírias:

Como sabem os atentos, esta semana não posso dizer que não treinei. Treinei e muito! Mas como muitos poucos poderiam saber, chego a domingo, cansada! Mas verdadeiramente cansada!

Não que os treinos tenham sido muitos ou exigentes, mas a falta de descanso proporcional, provocou precisamente este cansaço. Após os 10 minutos de aquecimento antes da partida, sinto-me já cansada.

Parto com cautela e assim me deixo ir com o meu habitual companheiro de corrida nesta fase, Fernando Oliveira. Sem grandes aspirações, quereria fazer o melhor que conseguisse hoje, mas temo não ser muito melhor que Tomar ou mesmo se será melhor (prova com a mesma distância ).

Há um arrastar pelo asfalto que alivio com o olhar no rio e nas barcas nele adormecidas. Está calor mas esse não me aflige. A entrada nas Lezírias é sempre uma melhoria dos sintomas. Esquece-se o cansaço e a integração na paisagem é completa. Os cavalos que correm ao nosso lado levam-me dali para fora. Já não sou eu que corro, são eles. São os cavalos o misticismo desta prova que a mim me faz voar e sair dele, do meu corpo que deixo em terra, e me faz voar o espírito, abandonando as dores e os incómodos existentes, como a carne ferida entre as coxas, derivadas da fricção acompanhada de suor e de água, que resultaram em sangue e ferida em chaga ardente. Mas tudo isso é pormenor.

Ao km 11, o meu companheiro desta corrida, está ligeiramente pior que eu (talvez lhe faltassem os cavalos a ele) e eu, continuo a correr, arrisco e vou para a frente.

Cansada mas uma energia anímica difícil de compreender, e avanço pelas lezírias.

Passo bastantes atletas nesses últimos 4 km. Chego à meta e desligo o meu cronómetro que marca 1h30m01s (bem melhor que Tomar!).

O corpo volta e custa-me a andar. Mas é só isso. Depois de uns bons alongamentos, muito tempo para descomprimir, e um banho quente, sinto-me bem… apesar de mal conseguir andar…

Fiquei em 1209º lugar, entre 1384 chegados à meta. E por hoje é tudo. Não há provas à vista… só já para Abril. E até lá… logo se verá (foi só para rimar)

Antes da prova:
Já a partida dada e aqui vamos nós na cauda do pelotão:


Já a meio das Lezírias e já não posso dizer que vou muito bem:


Ao lado do Tejo:





E com a meta à vista:


O depois... a recuperar e a constatar os "estragos":


Já depois do banho: