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sexta-feira, 20 de abril de 2012

Quem é o palhaço aqui afinal?

Hoje, com o tempo curto para ir treinar para o Parque (que fecha às 20:00hrs), e cansada de correr na estrada, decidi ir para a Serra. Sim, porque eu moro num vale e tenho a sorte de ter serras ao meu redor. E correr na serra é maravilhoso e muito apaziguador de inquietações mentais e gerais, mas é DURO, muito DURO para as pernas e para o coração! Pelo menos para uma balofa como eu! Então, corri 3 km a subir, 3 a descer e por fim mais 3 em terreno plano proporcionado pela minha amiga estrada!

Mas os condutores, meus amigos, são um dos (se não os) maiores inimigos dos corredores. Portam-se de forma absolutamente alheia ao peão. E ao peão corredor, alguns até parece que fazem pontaria!  (deve ser do colete reflector que uso). Indiferença, malandrice (buzinadelas  e bocas pela janela fora quando passam a muitos à hora ao nosso lado, acelerações malandrecas com o carro em ponto morto, a mostrar uma virilidade certamente inexistente, quando passamos numa passadeira com semáforo verde para o peão e onde o veículo está parado porque está vermelho para ele), há de tudo um pouco, resumindo-se numa falta de civismo e de respeito no geral. E não foram poucas as vezes hoje, que (mentalmente, ou vá, entre dentes muito baixinho) chamei a uns tantos de palhaço!(*)

Mas diante desta selvajaria, acabo por me perguntar se eu, ao acreditar que tenho direito a correr em locais criados para o peão, respeitando as regras, e estando estes locais ocupados pelos carros, quer estacionados quer em movimento (passeios com carros estacionados ou a encostar a qualquer momento, bermas inexistentes, passadeiras onde os carros não param, carros a mudar de direcção indiferentes ao peão que vai a atravessar essa via, etc.etc.), acabo por me perguntar, dizia eu, se a palhaça aqui afinal, a fazer mil malabarismos para chegar viva a casa, não serei eu...

Corri 9 Km em 56m12s, média de 6:15 / Km

(*) - sem ofensa para o Palhaço de profissão ou amador

9 comentários:

Pedro Carvalho disse...

Pois pois, sei o que isso é.
Claro que não são os piropos (pelo menos as condutoras da margem sul não têm esse hábito) ou as demonstrações másculas de parvoíce ao quilo, mas sim as razias e afins que, por vezes, obrigam mesmo a um saltinho ás urtigas.
Mas não é só contigo. Uma vizinha atleta queixou-se do mesmo durante um treino não há muitos dias atrás.
Mas pronto, o que pode fazer quando a inteligência e a educação não abundam?

Joana disse...

Olá! :)

Isso é uma tremenda falta de civismo. Quando eu conduzo e passo por alguém a correr ou de bicicleta tento passar por eles o mais longe possível (às vezes até demasiado longe, porque eu própria já quase tive um acidente à conta disso) :)

A mim já me aconteceu isso numa corrida uma vez no Norte e nunca mais corri à beira da estrada - a não ser que seja para dar a volta ao quarteirão, mas é diferente porque vivo num sítio pacato.

No entanto, tenho a dizer-te que se isso fosse no Norte não era em palhaço que pensarias mas sim em palavras muito diferentes ;)

Beijinhos e bom fim-de-semana :)

Jorge Goes disse...

Estranho país aquele onde vivemos, onde certas pessoas ao sentarem-se ao volante de um carro e mudam de personalidade (parece irreal). Apesar da tentativa quase heróica de correr e andar de bicicleta estrada a horas impróprias, carregado de material para estar o mais visível possível..já fui pra berma várias vezes, já cai outras tantas. Há poucas semanas em pela serra da Arrábida (zona protegida) vínhamos a treinar e como normalmente uso head-phones vinha mais descontraído pois era um carreiro largo quase que fomos atropelados por 6/7 moto 4..em total desrespeito pelas pessoas. Falamos nós de países civilizados, das condições existentes, do respeito que existe pelos ciclistas e pelos atletas em geral, das distâncias de segurança que deixam e das prioridades que cedem, aqui nem nas passadeiras temos paz. Temos o país que temos e isso não muda nas próximas gerações. Não há respeito por ninguém e o “carro” ainda é visto como a extensão de uma personalidade mesquinha, baixa e torpe. Razões mais que suficientes para os índices de mortalidade nas estradas. Por isso tb prefiro correr em parques, serras e praias, onde possa praticar desporto em paz e onde ainda não hajam veículos.

.JOSÉ LOPES disse...

Olá Ana
Neste nosso País de que tanto gostamos continua a haver muita gente (mesmo muita) inculta, tanto desportivamente como noutros aspectos, pensam por terem um bom carro são os "maiores".
Saiem do carro e não são "nada"
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Eu às vezes tb corro à beira da estrada e sei o que isso é, só não oiço piropos de miudas:):):) mas já ouvi algumas bocas de homens.
Quantas das vezes não ia sendo atropelado.
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Se quiser posso enviar-lhe uma lista de nomes que eu costumo chamar e que pode chamar entre dentes, alivia :):):)
bjs
J.Lopes

Luciana disse...

Na minha terra podiam ter pelo menos feito passeios. Quando eu era pequena, ia da minha casa para a escola a pé (+-2Km). Agora é quase impossível porque não há bermas. Muitas senhoras idosas, continuam a fazer o percurso, mas acaba por ser perigoso.
Isto para dizer, que muitas vezes nem pensam nos peões mesmo os que não são corredores.
Como condutora, tento ser o mais civilizada e cooperante possível.
Beijos e bom f-d-s...

Mokas disse...

Pois...infelizmente no nosso país, o respeito e civismo é uma coisa que não abunda. Mas que te conforte o facto de estares certa. Bjts e bom fim de semana

Jorge Branco disse...

Uma das muitas razões que me levaram a “fugir” da cidade grande e me “exilar” aqui nesta vila ribatejana, já lá vão mais de 22 anos, foi ter excelentes condições para treinar.
Quando leio relatos como os seu vejo que fiz mesmo a opção certa.
Convivo tão pouco com os carros que quando faço um ou outro treino em estrada alcatroada até acho “piada” aos automóveis!
Realmente treinar nessas condições é um acto de teimosia e coragem que não está ao alcance de todos.
Pensava que o bicho homem já estava mais civilizado mas constato, infelizmente, que não.
Beijinhos.

elis disse...

ai, Ana, esses treinos em estrada são mesmo de tirar o fôlego:)
já passei por isso, muitas vezes, nos meus longões em estrada... muito desrespeito, de todo tipo...
mas de vez em quando encontrava também bons exemplos de civilidade, de compreensão, de respeito...

não, não somos palhaços, somos apenas corredores, querendo ir mais além, conhecer mais, explorar mais, esse mundo incrível em que vivemos, a começar por nossas aldeias;)

quando saio pra correr em lugares assim, já vou sabendo que não posso me distrair nem com meus próprios pensamentos! um olho na pista, outro nos carros;)
não deixo de ir, mas sei que serão momentos salpicados de muita tensão!

não sabia que você morava perto de Serra! que delícia!
na próxima tira umas fotos pra mostrar pra gente;)

beijão!

Corre como uma menina disse...

É mesmo verdade isso dos carros e bocas foleiras. Tenho sorte de poder quase sempre evitar zonas com carros, já as bocas não se podem evitar, mas ignoram-se. Por vezes levo os phones postos, mesmo que não esteja a ouvir música, para poder "fingir" que nem estou a ouvir, é o melhor.
E estou com a Joana, eu penso sempre num nome muito menos simpático do que palhaço... ;)

Beijinhos e continuação de bons treinos! Está quase, quase! :)