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quinta-feira, 25 de setembro de 2008

E agora?

E agora, depois da minha experiência pessoal e bastante sofrida na Meia Maratona Sport Zone, ocorrem-me estas palavras agrupadas da forma que se segue:

Correr é como parir. Passam-se horas a transpirar, a conter e a soltar a dor, a forçar e a fraquejar, a cerrar os dentes e os punhos, a pensar que não se vai aguentar, que as nossas forças se esgotaram, a sofrer, sozinhas ou acompanhadas por quem não nos pode dar mais que a mão e o olhar e o coração. O esforço tem de ser nosso, só nosso. O corpo sua, esfria e contrai-se com dores. Ainda assim continua, experimentando prazer e dor em simultâneo, sem hesitar, harmonioso turbilhão unindo esforços resgatados de lugares ocultos e recônditos, para que se alcance um único fim. A meta.

Mas depois… depois já com o filho nos braços, não que se esqueça a dor, mas esta passa para segundo, terceiro, quarto, quinto, sexto, sétimo, ínfimo plano! E a recompensa que temos em mãos faz-nos pensar de imediato e sem hesitações que viveríamos tudo outra vez e outra vez e outra vez ainda.

E eu tenho muitos filhos nos braços, e muitas recompensas nas mãos. E nos meus 39 anos, o desejo de repetir tudo outra vez está vivo. Vivo como chama eterna, inextinguível num coração de pedra que a guarda e protege em refúgio impenetrável e indestrutível. O desejo da maternidade renova-se. Em cada nascimento. Em cada corrida.


Penso já na próxima, onde se adivinha que serei de novo mulher e mãe:

A 20ª Meia Maratona de Ovar, dia 5 de Outubro de 2008


5 comentários:

Anónimo disse...

Olá Ana

belas palavras!!!
Ainda não é este ano (com bastante pena) que irei a Ovar mas para o ano já está "marcada", com o feriado à 2ª feira não escapa.
Um bom fim de semana.
Bjs "Maria".
António Almeida

MPaiva disse...

Com que então, dar à luz é assim????

Para um homem curioso em tentar perceber aquilo que o transcende, esta é uma bela descrição da "coisa!

Ana Paula Pinto disse...

olá Ana

Bolas! Se em cada corrida eu sofresse tanto quanto sofri no parto dos meus dois filhos (fisica e emocionalmente falando), uma coisa podia garantir: jamais correria. Ia lá agora sofrer assim por uma corrida!
Como me ensinou a minha filha (que Deus tão cedo ma deu e mais cedo ainda ma levou), sofrer numa corrida, só na "corrida da vida" e sofrer por amor, só mesmo por um AMOR que valha a pena...pelos filhos,sobretudo. Digo eu...
Correr, eu corro por e com prazer. Quando a dor nas pernas for "notória" e o cansaço no "peito" se fizerem sentir ao ponto de dizer que "sofro", é hora de parar.
Mas somos todos diferentes, não? E apesar de nunca ter encontrado nada na vida que se assemelhe à emoção indescritível de ter um filho, achei engraçado teres comparado a corrida ao parto. Todos os partos são diferentes. Todas as corridas são diferentes.E "correr" assim, sofrida e contidamente...insistente e eternamente...respirando ao ritmo deles, passo a passo ao lado deles, prevendo, antecipando, evitando...sorrindo e chorando, só mesmo pelos filhos.
É o meu sentir. O sentir de uma mãe velha e de uma corredora jovem.

Olha, sempre que há provas e que vais, venho ver como correu. "Ando em cima" do acontecimento.
Continua.
Beijinho
Paula

Maria Sem Frio Nem Casa disse...

Olá e obrigada aos 3:

António Almeida, MPAiva e Ana Paula.


Como dia a Ana Paula... cada parto é um parto, cada corrida uma corrida.

Talvez eu não tenha tido um parto assim muito sofrido (há 11 anos),, ou talvez não tenha sofrido assim tanto na Meia...

Só quis equiparar: tanto num (parto) como na outra (corrida) por mais que nos tenha custado, quando acabamos e temos o devido "prémio" nas mãos, quase esquecemos o que passámos e já olhamos em frente (quando é a próxima?) - palavras vulgares quando se terminam provas, por mais duras que sejam.

Especialmente ao António: Ovar tem de estar na agenda! É prova "obrigatória" no currículo do corredor. Não deixe escapar para o ano - se este ano lhe for mesmo impossível.

Especialmente ao Miguel: não, nem todos os partos são assim. Aliás, são todos diferentes.

E especialmente para a Paula: fico muito contente que aqui venhas... às vezes penso que "desapareceste"...

Um beijinho aos 3 (um para cada um entenda-se, não é preciso dividir, que os beijos ainda são de graça e podem-se dar sem prejuízo)

luis mota disse...

Olá Ana!
Não há duas sem três!
No ano transacto efectuei em Ovar a primeira meia maratona após um longo afastamento da corrida.
Gostei da prova. Contudo foi de todas a que passei as maiores dificuldades.
Este ano conto estar presente. Estou melhor preparado e espero usufruir da beleza impar do percurso e terminar em melhores condições.
Bom fim-de-semana,
Luís Mota