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terça-feira, 31 de maio de 2011

10ª Corrida do Mirante

Ota, 29 de Maio de 2011

Manhã cedo e pouco mais de uma centena de atletas começam a encher o centro da Ota. Tomam café, ou mesmo o pequeno almoço, e fazem o levantamento dos dorsais no Centro Social e Recreativo da Ota. Entre essas pessoas, está a Maria. Observa as andorinhas nos beirais, numa rua ainda calma onde estacionou o carro e dirige-se também ela ao Centro, onde já borbulham vozes e fervilham entusiasmos. Sempre os agradáveis encontros e reencontros com velhos amigos e conhecidos, e vai ela também levantar o seu dorsal. É o número 52.

Depois desaparece a Maria. Volta agora passados 2 dias do término da prova, e sentada no sofá onde estica as pernas doridas, conversa com o Buscador, de agora em diante denominado de B, sendo-lhe atribuído a ela, por falta de originalidade, a denominação de M (Maria).

B - Foi a 1ª vez que fez a Corrida do Mirante?
M - Não. É a 2ª vez, estive cá no ano passado.

B - Gostou desta 10ª edição?
M - Está a brincar não está? Eu não gostei... eu adorei!

B - Algumas diferenças assinaláveis em relação à edição do ano passado?
M - A prova está muito mais dura. Noto também menos participantes. Talvez por haver imensas provas neste dia. E o almoço a querer ser mais organizado pecou por excesso de zelo por parte de um dos voluntários renitente em oferecer uma fatia extra de tomate a quem dispensou a alface. Gesto totalmente desnecessário, despropositado e de muito mau tom ... no ano passado, a boa vontade e simpatia e ainda a quantidade disponível, não proporcionaram episódios do género...

B - Mas coisas positivas teve a prova certamente. Pode indicar-nos algumas, que se destaquem em sua opinião?
M - Com certeza. Aprecio o bom resultado de um amadorismo delicioso que põe de pé uma prova, resultado esse, fruto de esforços a vários níveis, e de muitas e várias pessoas que se empenham trabalhando afincadamente para proporcionar uma excelente manhã seguida de almoço/convívio, onde a prática da Corrida e o exercício físico na Natureza são promovidos e incentivados. Dou os meus Parabéns e demonstro o meu apreço a toda a Organização, na pessoa do Alexandre Beijinha, consciente que toda uma equipa foi necessária e contribuiu para o sucesso. Gostei da facilidade da inscrição, da disponibilidade e iniciativa de contacto por parte da organização e da seriedade para resolver problemas como foi por exemplo o pagamento em duplicado de uma inscrição. Gostei da forma da entrega dos dorsais, também facilitada pelo número pouco elevado de inscritos. Gostei da Caminhada, que proporcionou um magnífico passeio pela serra de cerca de 9 Km a muita gente, embora considere um percurso não muito acessível para algumas pessoas. Gostei que a partida dos Caminheiros fosse bem antes da nossa, de forma a só os irmos apanhar já bem serra dentro. Adorei e adoro esta serra, de verde implacável, da subida ao Mirante, das descidas envoltos em verde, embora muito pessoalmente dispensasse uma descida em particular, em que perdi totalmente o controlo e só não caí e me parti toda por razões absolutamente misteriosas e supranaturais. Falta de técnica dirão, e têm razão.
Gostei da pontualidade das partidas. Dos abastecimentos durante a prova, da sinalização apesar de saber que falhou lá para o Km 9, para um grupo da frente, provocando enganos com consequente perda significativa de lugares, e isso quando se corre lá na frente, é para cima de chato, muito chato mesmo! Gostei da quase constante vigilância dos serviços de Primeiros Socorros ao longo da prova. Gostei do verde envolvente. De correr sozinha só envolta pela serra. De correr longe dos carros e da poluição, mesmo dentro da vila. Gostei da dureza. Gostei da chegada, das massagens disponibilizadas assim como o banho. Gostei do toque pessoal, humano, das palavras e dos gestos de todos os envolvidos no evento (com excepção para a senhora zeladora pela exacta distribuição do tomate no almoço).
Gostei do saco com a t-shirt, a árvore de madeira/Troféu com alusão à prova, da lata de sardinhas e da água que não faltou. Gostei do Convívio/Almoço, da entrega de prémios e das taças e troféus distribuídos. Das classificações rapidamente divulgadas na internet. Não desgostei do preço da inscrição (EUR 9,00) para o que nos é oferecido. É justo.

B - E coisas más, a prova teve?
M - Já as mencionei acima, sendo a mais grave e talvez a única digna de menção, o descuido de sinalização para um grupo de atletas. De resto, esteve tudo muitíssimo bem!

B - Aconselhas a prova aos teus amigos e pensas voltar?
M - Fez-me 2 perguntas ao mesmo tempo não sei se reparou, mas a resposta é a mesma para ambas: Sim, sem dúvida que sim!

B - Obrigado Maria.
M - Eu é que agradeço à organização ter-me dado oportunidade de viver esta manhã fantástica e a si, agradeço por permitir-me partilhar tudo o que vivi nesta 10ª edição da Corrida do Mirante


Consta que a Maria percorreu os 11.920 metros da prova em 1h44m20s, tendo sido a média completamente irrelevante, porque a Corrida do Mirante é autêntica, pura, dura e bela Montanha, que ela tanto ama.

6 comentários:

JoaoLima disse...

Excelente entrevista! :)

Mário Lima disse...

A Maria Sem Frio Nem Casa, numa entrevista à Maria, que se embrenhou na serra, por vezes só, sentindo o prazer de correr em liberdade mesmo quando no verde aparecem descidas manhosas que contrariam a ideia que na natureza tudo é belo.

:)

Essa da fatia de tomate extra é uma negação dentro da própria negação. Negar é proibido como é proibido proibir.

Houve realmente muitas provas nesse dia, para todos os gostos e feitios, mas as que corremos, eu no Guincho e a Maria na Ota valem bem o ir, não há prova de estrada que se lhes compare.

... E voltaremos à serra numa outra prova qualquer, que já poderá ser em Sesimbra a 12 de junho.

Tudo de bom!

horticasa disse...

Essa ideia de ser entrevistador e entrevistado é boa.
Assim ninguém te interrompe nem te contradiz, perfeito.
beijinhos nossos
eugénia

Jorge Branco disse...

Cá está uma prova que eu ainda quero ver se consigo fazer nesta fase de “pré reforma”.
Esta, o Laminha, o Porto de Mós – Serra de Aire andam debaixo de olho!
Vamos ver se o esqueleto ainda aguenta!
Espero que para o ano o calendário não de esta sobreposição de datas e a “Maria” posso ir ao Guincho também. Tenho a certeza que vai gostar pois não é qualquer em qualquer prova que se consegue correr na praia e na serra!

Fernando Andrade. disse...

Ela subiu, subiu até ao cume
Onde, erecto, jazia o tal mirante.
Cansou-se, e sem fazer disso queixume
Extasiada olhou p’ra bem distante.
Soberba era a paisagem e o seu perfume
E o ar que respirava bem excitante.
Então, contemplativa, apreciou
O que a mãe natureza lhe mostrou.

Aceite o desafio e feita a prova
Em fraternal convívio mergulhou
Quando o “a-la-assa-tu” com regra nova
Lhe veio a cair mal e a indignou,
Pois, por excesso de zelo que reprova,
É cometido um grande disparate
Ao negar-lhe a rodela de tomate!

-Ah ele é isso!? Espera que eu te digo,
-Pois desumana é tua atitude-
Aguarda-me um repórter muito amigo
Para uma entrevista em que se alude
Ao que vi por aqui, e então eu digo
Que tudo estava bom, que nada mude.
Mas por favor, p’ra evitar embates
Tirem dali o “gajo dos tomates”.

elis disse...

oi, ana!!!

que aventura deliciosa!
mas olha, me deu tanta vontade de também correr essa prova!!!
sei, sei que teria que atravessar o oceano, mas seria por uma boa causa;)

terei que um dia ir correr aí em Portugal... é o jeito;)
acho que 2012 será um ano bom pra essas aventuras além mar;)

bjs