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quinta-feira, 10 de junho de 2010

XVI Grande Prémio de S.Vicente de Fora

Lisboa, 10 de Junho de 2010

Freguesia de S.Vicente de Fora, Alfama, Lisboa, Portugal

Organizado pela Junta de Freguesia de S.Vicente de Fora, neste Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, 10 de Junho, data comemorativa e feriado hoje nacional, desde a Proclamação da República Portuguesa de 5 de Outubro de 1910, lembrando o dia da morte de Camões, homenageando a pátria e a língua, nem sempre tendo a mesma filosofia, que oscilou consoante os tempos e os regimes políticos, realizou-se hoje o XVI Grande Prémio de S.Vicente de Fora em Lisboa, na freguesia com o mesmo nome.

Participante na provas desde há pouco tempo, pouca diferença notei das edições anteriores. Para o bem e para o mal, mal que tem sido insignificante ao ponto de se tornar perfeitamente tolerado perante o genuíno amadorismo mas igual vontade e carisma desta gente.

Uma prova castiça feita por gente castiça de uma Lisboa também ela castiça em época a antever o Santo António e a Sardinha assada. Ali, por estas mesmas ruas de calçada irregular e de eléctricos a passar (não durante a prova convenhamos, que apesar de curta, manteve de uma forma geral, nas várias provas dos vários escalões, o trânsito devidamente condicionado).
A meta montada marcada por um contentor do lixo, amovível que se deslocava consonte havia trânsito ou não, e até para definir o funil abrindo-se para o atleta cortar a meta ou fechando-se para lhe indicar que tinha mais uma volta a dar. Excelente apoio para os vários membros da organização que desde a minha primeira estada ali, teimam em fumar e deixar crescer a barriga.

Uma atleta a entrar feliz no funil da meta:
Brincadeiras à parte, que sem elas esta prova não seria o que é, e o Grande Prémio de S.Vicente de Fora é uma prova de gueto, dentro de uma cidade monstruosa e bela, e ainda assim, ali, como num microclima, proliferam a dedicação e o amor à corrida.

Policiamento a condicionar devidamente o trânsito, muita água, inclusive pelo percurso o que nem se justificaria dadas as curtas distâncias, carro de apoio e polícia à frente e no fim da prova ambulância, tornando a prova quase em circuito fechado, provas para vários escalões e muitos, muitos prémios. Taças, troféus, medalhas, por escalão, por equipas por escalão etc. etc. Quanto a mim, taças e troféus a mais, mas pelos vistos, a Junta assim faz questão de ser, angariando e disponibilizando orçamento para isso. Este ano não houve t-shirt, mas o essencial, o essencial esteve lá: Segurança e a vontade de manter uma corrida de pé, daquelas ao pé de casa, onde se pratica a teoria da Corrida para todos. Foi ainda disponibilizado banho nas instalações da Voz do Operário.
É uma prova de brincar, mas a brincar, os Homens aprendem. Dão de si e colhem. É isso que se passa ali. Confusão com as classificações, quando na maioria dos escalões os atletas contavam-se pelos dedos de uma mão, uma fraca ou inexistente divulgação, uma organização desorganizada, de beata ao canto da boca, nódoas de gordura nas calças, humilde e tosca, mas ainda assim, ainda assim puseram a correr nesta manhã dezenas de pessoas. Um movimento dentro de uma cidade que por acaso é a capital de Portugal. O movimento do amor à corrida ao vivo. Bem haja a todos eles, homens e mulheres empenhados que proporcionaram uma excelente manhã desportiva a todos que se dispuseram a participar.

Uma prova Sui generis, que na sua XVI edição, mais uma vez, põe de Parabéns muitos os envolvidos que a tornaram possível.

Se para o ano lá estarei? Talvez. E se pondero um "Não", não é tanto pelos seus pontos menos positivos, mas apenas pala distância em si, que para o meu escalão não é propriamente do meu agrado. E se pondero um "Sim" é porque é na freguesia de S.Vicente de Fora que é a sede do clube que hoje represento: Cube do Sargento da Armada.

230 Fotos de António Melro, em AMMA - Atletismo Magazine Modalidades Amadoras

Eu? Eu na prova? Para a distância de apenas 3000 metros, demorei 17m37s. Fiquei em 2º lugar num escalão onde participaram 3 atletas! A prova é muito desnivelada apesar da curta distância, a recordar que Lisboa é a Cidade das Sete Colinas e hoje corremos numa delas (Castelo, São Vicente, São Roque, Santo André, Santa Catarina, Chagas e Sant'Ana).

Com amigos, antes da provaA nossa partida:
A minha chegada:
O Panteão Nacional, de portas abertas hoje - entrada gratuita aos domingos e feriados -, a observar silencioso o rebuliço à sua volta:

9 comentários:

joaquim adelino disse...

Ainda que pequena (a prova) sempre contribui para aumentar o pecúleo e a motivação, é esse o caminho, por estradas, colinas ou montanhas pouco importa, o importante é estar lá, seja onde for.
As fotos estavam bonitas e desta vez eu não estava lá para atrapalhar, hehehe, parabéns e um beijinho do Pára

Jorge Branco disse...

Felizmente ainda há estas “voltas ao coreto” que estiveram na origem das grandes provas que temos hoje em dia e da força que a corrida tem.
Tenho que lá ir pelo espírito da prova e até porque o local onde decorre é uma das “minhas pátrias”.
Vamos ver se para ano não me esqueço da data.
Fico com a ideia que foi uma prova muito mais bem organizada que a Meia Maratona do Douro Vinhateiro.
A corrida continua a precisar destas provas despretensiosas mas que a brincar, a brincar, podem levar muitos jovens para o atletismo levando-os a uma vida mais sadia e até podem aparecer alguns talentos.
Obrigado Ana por mais este excelente texto.

José Xavier disse...

Ana ;

Muito bem em participares. O mundo é feito destas coisas populares, em que tanto os organizadores e os participantes só têm um objectivo principal, conviver atravéz do desporto!

Um abraço
dos Xavier's

Jacke Gense disse...

Q corridinha gostosa Ana... sabe, as vezes provinhas deste tipo dão tanto prazer quanto uma maratona da vida!

bjs

Jacke

Zen disse...

Ana, boa, boa!

Deste que te conheço recordo-me sempre de te ver participar nesta prova. Julgo que é o carinho e um regresso à tua ( minha também) "escola" do outrora chamado "atletismo popular",herança de uma fase na qual o atletismo fazia parte da educação para a democracia/cidadania e o movimento associativo estava pungente.
Novos tempos, novas motivações, hoje o fenómeno está associado ao consumo e aos média e o "atletismo popular" que subsiste em raras expressões ( pela mão dos velhos dirigentes das colectividades), deu lugar ao "atletismo das massas" ( que educa mais para o consumo do que para a cidadania), sinal dos tempos.
Força Ana.

Anónimo disse...

Boa Ana
parabéns
a distância é curta? sim, de facto! mas longo e sólido é o companheirismo e o espírito de amizade, convivência e partilha que envolve todos os que participam nestas iniciativas.
e a Vossa equipa é super.
bjinho
até breve
AB - Tartaruga

S* disse...

Podem ser provas a brincar mas servem para unir a comunidade... é o que importa.

António Almeida disse...

Olá Ana
parabéns para ti e para os "sargentos" presentes.
Tenho um amigo que costuma participar nessas provas dos bairros de Lisboa, inclusivé nessa.
Continuação de boas corridas.
Beijinhos.

Jorge disse...

Olá Ana que festa foi essa verdadeira prova, parabéns menina mandou super bem continue firme e forte hein.
Bjs

Jorge Cerqueira
www.jmaratona.com