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segunda-feira, 7 de junho de 2010

9ª Corrida Do Mirante - Ota

9ª Corrida do Mirante - Ota - 6 de Junho de 2010

Sete euros e meio. Sete euros e meio e terra e pedras para calcar numa extensão a ultrapassar os 11 km na serra que aconchega Ota, terra que nos deu as chaves e abriu as portas, ofereceu a Natureza no seu esplendor para nos ver correr nela, olhou por nós como mãe a ver os filhos brincar, oferecendo-lhes a liberdade e os brinquedos, mas sempre olhando por eles, cuidando, prevenindo que se magoem e tratando das feridas quando caem. Limpando o suor depois da brincadeira e garantindo que recuperássemos energias com um bom prato de comida no final.

Isto, partido em partes, podia ser escrito em relação a várias provas, mas muito dificilmente podia ser unido para descrever uma mesma prova. E a 9ª Corrida do Mirante reúne tudo isto.

Sete euros e meio e é-nos oferecido uma prova fantástica, muito bem cuidada e que nos deixa agradados.

Adjectivos... palavras, mas afinal o que tem a Corrida do Mirante? É uma prova de montanha, é a Montanha, sem grandes montanhas, mas grandes são as gentes que a fazem.

Modesta, sem aparatos. No entanto, encanta!

A 9ª edição da Corrida do Mirante conseguiu reunir 148 atletas a chegar à meta e ainda cerca de 100 participantes na caminhada que partilhou os mesmos trilhos que os atletas (quase por completo, pois tinha a distância aproximada de 9 Km), embora meia hora mais cedo, o que evitou, mas não completamente, atropelos por parte daqueles para com estes.

As inscrições são simples e fáceis: correio, fax, mail, com comprovativo de pagamento e já está.

Chegado o dia, a entrega de dorsais é feita eficazmente. Recibos passados, questões respondidas.

Controlo dos atletas à partida. Ota para aquecer. As ruas vazias de trânsito e depressa a hora chega, como chegou este dia. O dia de eu participar pela 1ª vez nela. Na Corrida do Mirante.

Corrida sobre a qual me meteram medo, muito medo. A verificar que afinal o medo dos outros é o de se enfrentarem a si próprios, talvez como o meu, e talvez ficarem na classificação com apenas cinco atletas atrás de si, como eu fiquei (e um por cortesia), e ainda assim amar uma Corrida, porque a Corrida continua a ser isso: Vida! E eu amei e amo, esta e aquela, porque a primeira me dá a segunda, e a segunda me proporciona a primeira! Como um ciclo! E o Mirante podia não ter nada com isto, mas tem!

Levou-nos pelo verde, entranhas da serra, fez-nos saltitar a água e caminhar quando as forças não eram suficientes para correr.

Subimos ao Mirante e descemos. E subimos e descemos, e subimos e descemos, e subimos e descemos, e enfrentamos o "V", a descida íngreme que lá em baixo volta a subir, fazendo-nos vislumbrar um horizonte de pedras e terras, e um quase perfeito "V" no horizonte. Ainda assim, nada de especial. Nada que não se faça! E eu fiz! Até eu fiz!

Pelo percurso fora, sempre muito bem sinalizado, há voluntários e a Cruz Vermelha, presença constante, palavras amigas, de cuidado, que nos caem bem. E bem vamos nós. Só podia!

Água não faltou, nem sacos para as garrafas vazias, embora estes em minha opinião pudessem estar ligeiramente mais afastados dos pontos de abastecimento, evitando talvez (ou não) a falta de respeito do atleta para com o Meio que o rodeia, que deixa as garrafas de plástico em locais menos visíveis e/ou acessíveis.

Corremos e sentimo-nos sós, connosco, mas ainda assim perfeitamente seguros! A cada curva, elementos da organização vigiavam, e numa prova em perfeitos caminhos de cabra, sabia bem ter ali alguém, a olhar por mim, a acudir caso fosse preciso. Uma sensação única! Deram-nos a liberdade para nos sentirmos em comunhão com a Natureza e em simultâneo acompanhados, se fosse preciso. Comigo não foi preciso. Mas houve quem precisasse, como sempre acontece inevitavelmente em provas de Montanha.

Por fim, depois de muitas subidas e descidas e descidas e subidas, a vila de volta. Ota. A Meta.

Recebemos um saco com 1 t-shirt, um pequeno troféu, água e um bolo. Temos massagem à disposição se nos dispuséssemos a aguardar, assim como banho, se a nossa paciência fosse prevalecente à pressa e assim pudêssemos usufruir do que a Organização nos quis proporcionar.

O cuidado de abordar quem chegava sobre eventuais comentários e pareceres à prova (ou foi só a mim?!). Não acredito que fosse.

Tudo nos agradou, até e depois da chegada à Meta.

De seguida foi oferecido a todos um almoço-convívio no Parque de Merendas, com carne para grelhar, salada, pão e vinho, à disposição e discrição, relativamente bem organizado, mas muito bem cuidado, disso não há quaisquer dúvidas. Período esse durante o qual se fez a entrega de prémios por classificação, de onde de cima de uma camioneta de caixa aberta, se fez a chamada e distribuição.

Sorrisos e simplicidade. Modéstia e alguma falta de rigor nas classificações instantâneas que entretanto se corrigiram (ou não).

Uma prova muito bonita e simples, muito simples como simples é a Natureza mas onde não se descurou o essencial. A segurança, o cuidado e empenho de todos os envolvidos para que a prova corresse bem, fez-se sentir! Fez-se muito bem sentir! Em cada passo que dávamos!

Por tudo o que conseguiram proporcionar a todos os participantes, os meus mais sinceros Parabéns! Que a preseverança se mantenha, aliada a meios que vos sejam disponibilizados e vos permitam continuar a fazer esta prova por muitas mais e excelentes edições, como o foi já esta, a nona.

Ana Pereira

Prova organizada pela Junta Freguesia de Ota, Assembleia de Freguesia, Centro Social Recreativo e Desportivo Da Ota, Futebol Clube de Ota, Concelho Directivo dos Baldios, e ainda o apoio da Câmara Municipal de Alenquer

Classificações


algumas fotos...

O secretariado da prova e Meta:
Antes da partida, com António Pinho, prazer de rever:
Partida, da cauda, claro, ladeada dos meus amigos José Carlos Jorge, que em grande forma depressa me deixou para trás (força companheiro para esse desafio megalómano para que te preparas) e Rui Lopes, um principiante nestas coisas, mas que se portou melhor que eu:
pouco depois da partida, segui agora também com o meu amigo Adelino, que a preparar-se para a Freita, teve a paciência de nos acompanhar:
A "minha" chegada, ainda com o meu querido amigo Joaquim Adelino, que se puxou por mim o caminho todo, também teve o direito de me tapar completamente quando nos aproximávamos da meta e nos preparávamos para a foto :)
Já depois de cortada a meta:
Seguia-se o almoço no (já que do banho não há fotos):A Cruz Vermelha Portuguesa, no merecido repouso:
Com o meu pai, já de pratos vazios, depois de nos reabastecermos com carne e salada:
A entrega de prémios de cima de um veículo de caixa aberta (se fosse fechada, seria complicado...digo eu):


A minha amiga Ana a receber o prémio pela sua magnífica prestação e consequente classificação:

6 comentários:

Dona D disse...

Dizem que a beleza da vida está nos detalhes... imagino uma corrida apreciando essas ruazinhas tão lindas... deve ter sido uma bela corrida mesmo!
Me deu saudades de Portugal!

joaquim adelino disse...

Gostei muito da forma como fez a leitura de tão bonita prova, foi feita com um espírito bem guerreiro tal a dificuldade que ela (a montanha) continha, e que bem soube aqueles 1.500 metros finais sempre a descer que até deu para eu ensaiar a nossa chegada para o grande amigo Melro registar, só que, ou eu ensaiei mal aquilo ou então eu estava "feito" com o grande Melro para que ficasse sózinho lá no retângulo. Que grande desastrado eu fui ao sair da minha trajectória, nem me apercebi que ali as forças da Ana já não permitia que se defendesse daquele obstáculo que lhe tapava o caminho da Máquina. Sem ter graça tal discuido permita que diga que ri imenso pelo seu comentário à dita foto e pelo seu desportivismo pela minha imprudência.
Um beijinho do Pára

Filipe Fidalgo disse...

Ana,
Parabéns por mais uma prova terminada, e esta era bem dificil por sinal. A próxima na estrada irá ser bem mais fácil certamente.
E olhe que terminar com uma guarda de honra como o Pára não é para todos.
Cumprimentos.

alexandre disse...

Ana em primeiro lugar obrigado pela sua presença,depois obrigado pela forma como descreve toda a prova e respectiva organização,pois são comentários como os seus que fazem com que ano após ano levemos a bom porto esta prova.Quanto à abordagem que lhe fiz para saber a opinião,é uma preocupação que tenho desde a primeira edição que é saber a opinião dos vários participantes para assim melhorarmos.
Foi um prazer conhecê-la e espero encontrá-la em breve.
Alexandre Beijinha

Vitor Veloso disse...

olá Ana,
Adorei ler o post, dá para imaginar que a prova foi fenomenal, palmilhando serras com a beleza da natureza presente, ouvir os pássaros a cantar…, o ambiente sem duvida é outro.
Prova com o seu grau de dificuldade, sem duvida, mas foi ultrapassado com a força e coragem em nela participar, com boa companhia torna-se mais fácil, os meus parabéns.
Agora e recuperar, que venha a próxima!!
Bjs
Vitor

Anónimo disse...

Cara Ana,
Foi mesmo uma corrida muito bonita, com ambiente encantador e todos muito amáveis. Sem ti não era capaz de ter participado neste agradável dia na Ota. Agradeço muito!
A tua amiga, Ana :-))