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segunda-feira, 28 de junho de 2010

31ª Corrida das Fogueiras - 26 Junho 2010 - palavras

Albano Ginja - atleta-guia em muitas competições

A Realidade e a Verdade

A realidade é tudo o que existe. A verdade é uma interpretação mental da realidade transmitida pelos sentidos. É a apreensão dos dados que nos são dados pelos sentidos. Também é verdade que a verdade de um, não é a verdade de outro. Porque apreendemos a hipotética realidade de forma diferente dos outros, de forma única, sujeita às nossas experiências, vivências e análises pessoais, por mais que as queiramos universais.


A 31ª Corrida das Fogueiras

É uma realidade que a prova se realizou pela 31ª vez, ao fim do dia 26 de Junho de 2010, com a organização da Câmara Municipal de Peniche.

É verdade que a corrida levou à meta 1849 atletas que percorreram a distância certificada de 15.000 metros.

É também verdade que não gostei nada de ter apenas metade da estrada para correr nos primeiros quilómetros, nem de ser atropelada pelos rápidos (?!) atletas da Caminhada de 6 Km, que colocou milhares a correr e a caminhar na noite penichense, iluminada e aquecida pelas fogueiras e pelas gentes, alegres, a ladear as estradas dentro da cidade.

Outras verdades da prova:

Uma animação organizada e popular muito grande. Partida a horas, quando o Sol já se pôs, e a noite caía. Cheira a carvão e a peixe e a mar. Peniche é uma terra bonita, muito bonita. Sobrevoam-nos as gaivotas, gemendo ou cantando, neste fim de dia enquanto aquecemos junto aos barcos ancorados ao cais.

Foguetes e partida dada. Corremos pela cidade, sendo rapidamente apanhados (quem partiu do fim do pelotão) pelos caminheiros que partem imediatamente a seguir, favorecendo uma maior moldura humana mas impedindo a Corrida de se desenvolver nos primeiros quilómetros (para os atletas de meio/cauda do pelotão) tendo em conta que se tem apenas metade da estrada para avançar. Com a consciência de quem faz quase hora e meia aos 15, aponto serenamente o erro que é manter apenas metade da estrada e permitir que a Caminhada saia imediatamente a seguir à prova principal, misturando-se nesta. Um coxo que corre 15 km tem direito a correr os 15 km, sem ser obrigado a parar por a estrada ilusoriamente afunilar devido ao elevado número de atletas.

A prova começa a partir do Km 6 quando se deixa o burburinho da cidade. Ficássemos ali e o encanto se esfumaria numa prova de massas, para as massas, onde a Corrida em si, fica para segundo ou terceiro plano em prol de imagens que se querem mostrar a patrocinadores e afins.

Percurso sempre bem marcado, delineado, seguro porque fechado ao trânsito, acompanhado, ainda com pontos de aglomerado de público, de muito apoio popular e da organização, fogueiras a guiar-nos, quando corremos ao lado do mar e salpicados pela maresia. Abastecimentos fartos de água. Anunciado o nosso tempo aos 10 km. Controlo por chip.

Camisola de qualidade técnica (?) para todos os participantes e medalhão. Ainda prémios por classificação.

Aplausos bem merecidos para a Câmara Municipal de Peniche. Que venha a 32ª edição.

Resultados



Confissões lá pelo quilómetro 12 ou 13 da Corrida das Fogueiras

Escuro. Asfalto. Passos no solo. Respiração ofegante. Músculos rígidos. Salpicos de mar e de suor no rosto e no corpo. O coração a bombear o sangue que corre o corpo e revigora os pensamentos, enchendo-os de luz na noite escura.

- António, deixe-me confessar-lhe uma coisa... há muito muito tempo que não me sentia assim tão bem.
- Isso é que é importante. "A gente" sentir-se bem!

Eu eu senti-me! Muito bem! Com força! Parti e depressa me fiz acompanhar do Pinho e do Torres, um trio que se espera repetir a 7 Novembro na Maratona do Porto. Depois de os ter avisado que provavelmente os ia deixar avançar, logo ao final do km 5, lá me consegui aguentar porque eles também abrandaram, e agora (km 10 ou 11), depois de deixarmos o Torres para trás, queixando-se de uma lesão já sua conhecida, eu e o Pinho seguimos juntos ainda. Com força.
Sigo muito confiante e forte. ("forte" significa aqui que vou bem e não me arrasto, o que não quer dizer de forma nenhuma que vá num ritmo forte! - só para o caso de não terem percebido). Falo. Confesso o meu bem-estar. Ali às escuras, a sentir o coração e a correr como uma gazela, com o mar e o vento e o luar na cara, confesso que há muito tempo não me sentia assim! Assim tão bem! Feliz. Plenitude. A correr para os que me esperam na meta. Feliz por os saber ali também. A correr por eles hoje! Também isso sim! É esta a minha Verdade.

E é verdade que gosto de correr ali! Gosto da noite, do ar, das gentes, das inclinações, do fogo, do mar... Peniche. Corrida das Fogueiras:

Um prato cheio de emoções, servido e consumido em 1h25m56s, que levo para casa e vou sorvendo devagar, a fazer durar, render, até nova refeição.

É verdade também que a Organização oferece sardinhas assadas no final da prova, num espaço onde é promovido o convívio. Desde há algumas edições, fujo da confusão e saio de mansinho. Admito que seja extremamente difícil servir refeições de sardinhas assadas e pão e vinho a milhares de pessoas, de forma minimamente aceitável. Pessoalmente evito e dispenso as guerrilhas por uma sardinha enquanto outros participantes carregam geleiras de sardinhas para levar para casa.

7 comentários:

ana paula pinto disse...

Rapariga,

Deste fim-de-semana, a única pena que tenho é não ter podido estar nas duas provas ao mesmo tempo. Peniche é uma marca que estará sempre aliada a outros voos que teimo em voar (como a gaivota)
Parabéns que estás a voltar à grande forma!

Anónimo disse...

Olá Ana bom dia
Antes de mais as melhoras ao companheiro Torres
Em relação à nossa prova devo dizer-lhe
Que fiquei bastante surpreendido consigo
Pela positiva, e eu a pensar que ia consigo assim na boa
Quando na parte inicial diz que lá para os 5 ou 6 km que
Iria abrandar, não notei nada, ao contrário manteve sempre
O mesmo ritmo, fez uma excelente prova.
Obrigado por ter puxado por mim nos últimos 1500 metros
Muito honestamente já ia todo partido.
Ana também lhe digo que há muito tempo não me sentia tão bem
É verdade que correr ao seu lado é sempre um prazer
A partir de agora já sabe, há que treinar Maratona do Porto á vista
Beijinhos e bons treinos
Apinho

José Xavier disse...

Olá Ana;

É bom correr, ter prazer e sentir-se bem.
Esta prova deve ser muito boa, numa terra que conheco muito bem.

Triste é a ponta final do seu texto:...levarem as geleiras cheias de sardinha....Bem mentalidade Portuguezinha!!

Um abraço
Xavier's

Fernando Andrade. disse...

Bravo, Bravo, Ana

1,25h!!! revela bem a sua excelente progressão e que os seus treinos estão a dar frutos. Temos Ana na Maratona do Porto, YES.
Grande beijinho.
FA

S* disse...

Junte-se o convívio a um sítio fantástico como Peniche... perfeito.

horticasa disse...

Afinal parece que vamos a S. André.
depois vemo-nos lá
beijos eugenia

Otília disse...

Olá Ana
Parabéns pela tua boa prova, principalmente pelo prazer de te sentires bem durante a corrida.
A maratona do Porto que te aguarde!
O meu desejo de ser uma Finisher esse não consegui concretizá-lo, a Vida é assim nem sempre calha como queremos.
Bons treinos
Otília