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sábado, 21 de abril de 2007

Sportzone 6.ª Milha Urbana Cidade de Ovar - 21 de Abril de 2007

Foi Primavera em Ovar!

Pegou-se em cerca de 150 crianças, com a mesma delicadeza de quem pega no caule de um dente de leão e sopra para que as suas sementes voem e se espalhem pela terra, e aqui e ali venham a criar raízes, e ganhar vida e crescer com saúde e vigor e garra, e foi esta a grande inovação da Sportzone 6.ª Milha Urbana Cidade de Ovar.

A mim impressionou-me especialmente este empenho da Organização (Habitovar), com a habitual dedicação mas não vulgar nem fácil de encontrar noutras personalidades, da campeã Aurora Cunha, não só durante a prova, mas em autêntica campanha pré-Milha directamente nas escolas do concelho. Angariaram nada menos que cerca de 150 crianças para participar e muito provavelmente ter o primeiro contacto com esta vertente do Atletismo: a Corrida.

O dia estava maravilhoso: de autêntica Primavera. As provas foram dadas dentro dos horários previstos e decorreram com bastante entusiasmo. No total 366 atletas, englobando as crianças das escolas, os atletas de elevado valor e os outros como eu que só lá vão para participar, correr um pouco, conviver, fazer alguma coisa pela sua saúde, mas não deixando por isso de dar o seu melhor.

Uma autêntica pista de asfalto (estrada) separada por arbustos baixos a fazer de separador central e com rotundas nos extremos, onde se virava, foi o palco escolhido, e duas voltas perfaziam a distância da milha. Um óptimo cenário onde só faltaram umas bancadas para o público, e um cronómetro à chegada.

Tudo muito bem organizado e do agrado senão de todos, pelo menos da maioria: entrega de dorsais, partidas, classificações, balneários à disposição, prémios, dos quais destaco não o medalhão em si (que merece) mas o facto de o mesmo nos ser colocado ao peito à chegada. A todos sem excepção. Um pequeno pormenor de muito valor. E se pensarmos nas crianças que o receberam assim colocado, o pormenor ganha ainda uma outra dimensão que nem todos alcançarão.

Não vou falar de resultados e de grandes planos que também lá estiveram, pois para isso há já bastante informação por aí. Resumo apenas que esta Milha na sua 6ª edição é já uma Milha de elevada qualidade e que pode ainda e tem condições para se tornar de elevado nível também internacionalmente. Falo na vertente competitiva mas também na do desporto para todos, duas vertentes que são perfeitamente coabitáveis numa tarde de atletismo como foi aquela. Tem como base um grupo coeso que funciona na perfeição e só uma equipa assim poderia obter este resultado, este ano vendo ainda qualitativamente o seu valor subir em flecha com o dinamismo e entrega invulgar de um novo elemento, de seu nome Joaquim Margarido. A todos eles os meus parabéns!

Agora… a minha Sportzone 6.ª Milha Urbana Cidade de Ovar:

Acordo com o odor do pão fresco, o borbulhar do café e com o riso das crianças em sussurro. Ovar recebe-me de braços abertos nas ruas de azulejo e de janelas ímpares sob um sol maravilhoso que empresta um brilho a tudo e a todos. O mercado com os seus sons e cheiros e cor, invade-me os sentidos até à alma e lá no fundo sinto o calor da amizade dos que estão comigo.

A tarde começa cedo com as várias partidas das crianças. A minha menina também correu. Feliz a pequena, feliz eu.

As partidas vão sendo dadas por escalões, e as provas decorrem rápidas.

Em quase todas as séries há amigos e conhecidos para apoiar. Palmas, gritos de incentivo e depressa chega a minha hora de aquecer. Uns 20 a 25 minutos talvez. Depois a chamada e a seguir o tiro. Parto. Imponho o que chamo um ritmo rápido mas que afinal significa apenas que estou quase no meu limite e nada mais, e sigo sorrindo ainda para os que me incentivam agora eles. Estou atrás (donde aliás parti) e tento manter não largando as da frente (minha frente, entenda-se!). Ainda passo duas ou três, mas a partir da segunda volta, o esforço já não me permite sorrir e esboço apenas um esgar indecifrável com pressa de acabar. Dói-me o abdómen, o fígado e o esófago e sei lá mais o quê! Temo que as pernas não me obedeçam e fraquejem não sem aviso. Sou passada. Muito poucas atletas seguem atrás de mim. Mas será que os 1609 m são assim tão compridos e difíceis de concluir? Bolas que isto é pior que uma meia maratona!


A meta! Ali!

“Boa Ana, muito bem!” – ouço.

Mas não é nada bom nem está nada bem! Valho neste momento 6m48s à Milha! Mais palavras para quê?

À chegada, colocam-me o medalhão ao peito, dão-me um saco e a filhota abraça-me e amigos vários felicitam-me. Volto a sorrir, claro! Que outra coisa poderia fazer? O resultado? Foi o único possível e o já esperado.

– Feliz Ana? – alguém me pergunta
– Sim, claro! – respondo de novo com o sorriso inicial, mas muito mais vermelha e reluzente.


Resultados em:

2 comentários:

Jackelyne disse...

Puxa Ana..
Deve ser interessante correr uma milha.. aqui no Brasil eu nunca ouvi falar de uma prova dessas!
E sua menina linda também correu! Q delicia... seguindo os passos da mamãe!

Tenha uma ótima semana!

TOTO disse...

Olà Ana ;
parabéns pêla sua corrida; et tambén para a sua menina:
boa continuacçâo
boas corridas
antoine
((toto))