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domingo, 28 de fevereiro de 2010

XI Grande Prémio do Atlântico

Eu estive lá e corri!

E fui 950ª classificada, (classificação geral) com1h02m13s (em 10 Km), entre 1037 atletas chegados à meta

Antes da prova, o encontro/reencontro com velhos amigos. Sempre o prazer de os rever. Ver que estão bem, de saúde, e a fazer o que tanto gostam e sendo umas vezes a única coisa que nos une, a Corrida, outras, desta para o mundo, a Amizade sai mais fortalecida e outros sentimentos e pontos de comunhão se revelam e reforçam, e damos por nós com verdadeiros Amigos neste mundo.

Com o Canelas e outro amigo:
Com o Daniel:Com o António Almeida e a Isabel:
Aquecimento, com o Artur:
A aquecer sozinha entre a multidão:
Na Partida:Concentração ou momento de reflexão?
Cronómetro a zero, tudo pronto?
A aproximar-me da Meta:
E a chegar à Meta:
Depois de ter corrido...

Com António Almeida, sua esposa Isabel, e Hélder Ferreira, o vencedor da prova e sua família:

Com o meu pai:
Classificações do XI Grande Prémio do Atlântico, no site da Xistarca, aqui

Mais fotos muito em breve na Galeria de Fotos do site da AMMA - Atletismo Magazine Modalidades Amadoras

Esperam-se umas palavrinhas amanhã. Aqui, neste mesmo sítio, sensivelmente à mesma hora.

Até amanhã queridos leitores

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

O Peso e O Treino

O Peso

Não se pesou no sábado, nem no domingo, nem na 2ª feira, nem na 3ª feira, nem ontem, nem hoje. No entanto tem a certeza que está mais gorda. Basta sentir. Acordou assim. Gorda. Basta parar para se sentir, e sim, inequivocamente está mais gorda. Talvez não se tenha pesado deliberadamente. Por vergonha de mostrar que os planos falham, uma e outra vez falham, como se emagrecer e atingir um determinado peso fosse um objectivo, uma batalha, uma luta cerrada que se trava, e se ganha for, nos premiasse com um heroísmo imaginário, conferindo-nos uma identidade de super herói, idêntico ao que sentimos quando atingimos a meta de uma Maratona. Um heroísmo imaginário apenas. Que nos torna melhores. Que nos torna especiais. Aos olhos dos outros e aos nossos. Principalmente aos nossos. Ainda assim, é importante. Ou precisamente por isso, é importante. Muito importante. Importante simplesmente pela importância que lhe damos. Simplesmente por isso.


O Treino

Madrugada 5:00hrs (da manhã claro, senão, não seria madrugada)

Desembaraçou-se dos braços do seu amor, fortes e suaves, que a envolveram toda a noite num abraço protector, aconchegado e quente, e afastando o corpo dela do dele, descolando, seria a expressão mais exacta pois a noite e o amor os tinha unido, num ser só, quente, suado, uno.

Uma corrente de ar frio que entra entre os lençóis provoca-lhe um arrepio no seu corpo nu, agora separado do dele, que após alguma relutância, a liberta abrindo os braços, mas ainda a dormir, levanta um braço, aproxima a mão do rosto dela, e pela nuca, delicadamente mas firme, puxa-a para si, beijando-a e dizendo-lhe para ter cuidado "Eu te amo", sussurra-lhe ao ouvido.

Ela, absorve feliz mais uma torrente de amor que ele lhe dá constante e repetidamente renovado, em cada gesto, palavra ou olhar, e fortalecida, beija-lhe os lábios com todo o amor que tem e afasta-se do seu corpo nu, inalando uma vez mais o odor único dos seus corpos juntos, suados e quentes, e já fora da cama, aconchega-lhe a roupa ao corpo para o manter quente, levanta-se, equipa-se e sai para a rua para treinar.

O ar frio da rua desperta-a. Acorda-a. Acorda-a literalmente, mas não foi o ar frio da ainda noite, mas sim o som do despertador que a acorda. Tudo não passara de um sonho. Está na sua cama vazia, o amor ausente ou inexistente, e não se equipou nem saiu para a rua para treinar. Foi tudo apenas um sonho. Até a questão de estar mais gorda, talvez não passe de um sonho também. Talvez. Às vezes é difícil perceber onde acaba o sonho e começa a realidade, ou onde acaba a realidade e começa o sonho.

Ainda imersa no sonho, não beija ninguém antes de sair da cama, não se equipa nem treina, mas veste-se com roupa da rua, acorda as filhas e sim, a essas beija-as de verdade e com muito amor, prepara-lhes o pequeno almoço e leva-as à escola. O sonho tinha acabado para dar lugar a outro: a vida real.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Uma espécie de treino e...

Uma espécie de treino e... a receita da Fillipa

- Fiz 9750 metros e demorei 57m55s - ela
- Nada mau... - ele
- Mas foi um treino de... bicicleta... - ela, quase envergonhada
- Oh pá, mas isso... andaste com a bicicleta às costas ou quê?!
- Não... é que ando ainda a aprender... - ela
- Ah... - ele

O "treino" foi uma brincadeira. Melhor que nada. Levantar o cu do sofá e apanhar ar ao mesmo tempo que me mexo e divirto. Aprender a andar de bicicleta na idade adulta, praticar pouco e chegar aos 41 anos e decidir andar melhor... das duas uma: ou é uma idiotice ou uma boa ideia. Opto pela segunda e prometo a mim mesma que hei-de chegar ao fim deste Verão a andar quase como uma pessoa normal que saiba andar de bicicleta.

Passo a explicar que se demorei tanto para pedalar tão pouco, para além de andar devagar, foi principalmente devido à minha luta constante em prol do equilíbrio, e das várias paragens forçadas com consequentes e numerosas nódoas negras nos membros inferiores, e dificuldades a subir e dificuldades a descer e dificuldades no plano. Enfim, foi um treino de dificuldades, que quero repetir vezes sem conta até reduzir as dificuldades e as nódoas negras e já agora aumentar os metros percorridos no mesmo tempo, ou seja, diminuir a lentidão com que me desloco. "Treino" que adorei e me fez muito bem, e que quero repetir, repetir, repetir...

Se gastei muitas calorias ou não, não sei nem me interessa por aí além, pois tenho a certeza que gastei bem mais do que se tivesse optado por ficar em casa, e como sem comer não se vive, e eu afinal gosto de viver e de comer (e de cozinhar) segui a sugestão da nutricionista Filipa Vicente, considerei a minha brincadeira de duas rodas, uma espécie de treino, senti que merecia comer bem, e em boa companhia, preparei e tive o prazer de degustar uma receita nova: Massa al Vongole, receita que muito apreciei e que recomendo. Devia era treinar mais, isso sim. Prometo que... sim, vou treinar mais (fácil, quando alguma coisa é sempre mais que nada, que é o que eu tenho feito).

O resultado da receita:


O resultado do acompanhamento da receita:


Até à próxima querido diário. Próximo treino? É quando? .... ?? A pé ou a cavalo?

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Uma história de uma corrida

Convido-vos a ler a experiência da minha Amiga Teresa na Corrida. Numa corrida, Na única corrida que fez, e ainda assim gostou, apesar de não o suficiente para repetir a dose...

Um beijinho para ela, e se puderem leiam e dêem-lhe uma palavrinha. Simplesmente porque ela merece!

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Maria Sem Frio Nem Casa

O Vitor Dias teve a iniciativa de no seu blogue, onde se encontra muita, variada e útil informação sobre Corrida, Alimentação e hábitos de vida saudável, também divulgar o que outros amantes da corrida vão escrevendo por aí, pela net, em rascunhos de notícias, mistos de informação, humor, tristezas, alegrias, denúncias, críticas e louvores a provas e a vários assuntos de uma forma ou de outra ligados à Corrida.

A palavra chave é Divulgar. Divulgar! Há divulgação. Boa, má, média...cabe a cada um julgar, gostar ou não gostar. Mas há. É importante que haja. Destes "bloguinhos" todos, de campeões e de coxos, uma coisa não se pode negar: a Corrida é divulgada, espalhada aos quatros ventos, cantada e ecoa pelo mundo!

Hoje, o convite honroso, calhou à Maria Sem Frio Nem Casa se apresentar. Lá. No Correr por Prazer, e que podem ler pelas suas próprias palavras um pouco da origem da Maria Sem Frio Nem Casa.

G.P. Carnaval Alto do Moinho - Classificações

CLASSIFICAÇÕES DO XXIV GRANDE PRÉMIO DE CARNAVAL ALTO DO MOINHO

domingo, 7 de fevereiro de 2010

24º Grande Prémio de Carnaval do Alto do Moinho

Em fase de aquecimento:
A Partida:
Organizado pelo Centro Cultural e Recreativo do Alto do Moinho, com o apoio da Câmara Municipal do Seixal e Junta de Freguesia de Corroios, realizou-se hoje o XXIV Grande Prémio de Carnaval do Alto do Moinho, prova inserida no Troféu de Atletismo do Seixal.

Prova com inscrição gratuita, levantamento de dorsais de forma amadora mas sem por isso ter deixado de atingir o objectivo. Problemas de ocasião, que sempre os há, resolvidos rapidamente e com bons modos.

A entrega de dorsais:Abastecimento a meio do percurso com água e no final também com bebida isotónica. Camisolas para os primeiros 250 atletas chegados e vales de descontos em compras, oferecidos pela Casa Senna e pela Garmin, Golden Nutrition e Asics.

Por classificação, prémios em taças e troféus, quer na geral, por escalão, quer por equipas. Assistência médica garantida pelos Bombeiros Voluntários do Seixal, durante um percurso de duas voltas bem sinalizado mas com trânsito apenas condicionado de forma inequivocamente insuficiente e ineficiente. Uma nota completamente negativa para o trabalho da Polícia que a saber, são dos serviços mais bem pagos por uma Organização de uma prova.
Quilómetros bem marcados ao longo do percurso.

Controlo por fita/pulseira em certa parte do percurso, boa recepção na meta, onde depressa se disponibilizou as classificações, e mais uma vez se resolveu questões legitimamente levantadas por um ou outro atleta.

Entrega de prémios no local num pódio humilde mas digno.

Uma prova que se realiza "assim" pela 24ª vez, e onde estive pela primeira vez, só pode estar de parabéns e desejar que se mantenha. Por muitos e bons anos, mas...de preferência sem trânsito que é das piores nódoas que uma prova pode mostrar, pela gravidade em que se pode traduzir.

As drogas, O meu Grande Prémio de Carnaval e A Combinação

Durante a prova:

Encharcada em comprimidos, que é os que os psiquiatras melhor conseguem fazer, a tratar pacientes à laia de cobaias, objectos, animais em experiência constante até ao sucesso ou ao suicídio, resultado indiferente no currículo do médico, depois de um sábado completamente drogada e alucinada, acordo hoje cedo ao som do despertador. De imediato assalta-me aquela vontade que é antes falta de vontade, e penso desmarcar a minha combinação. Ensaio mentalmente as palavras "Não, eu não vou, não me sinto bem, desculpem por favor, não estou bem...não me sinto bem...

Enquanto ensaiava as palavras, a campainha da porta toca. Pronto! Nada a fazer. Que remédio senão ir! Não ia mandar o meu pai embora... Equipo-me, como, pulo para o carro e arranco. Como gosto de arrancar! E levo o meu pai. E ele adora. Veste o colete da AMMA, pega na câmara e é importante. Mais importante ainda do que se sente.

Destino: Margem Sul. Os amigos. Encontros e reencontros . É sempre assim. Vale sempre mas mesmo sempre a pena! Viver é sempre melhor que nos deixarmos morrer em vida. Acredito que não há pior morte. A que nos deixamos morrer em vida. Por isso corro. Para me manter viva. Levo o meu pai comigo. Feliz ele. Por isso... feliz eu.

Sinto-me querida, acarinhada, por instantes que sejam, mas dos quais me alimento sofregamente para os outros momentos, os sós, aqueles em que me quero só, para não magoar mais ninguém além de mim.

Corro feliz, como acontece em mais de 95% das vezes. Durou 51m04s desta vez. 9 Km. Queria mais.


Médias por km:
1º Km: 5m08s
2º Km: 5m43s
3º Km: 5m40s
4º Km: 5m32s
5º Km: 5m14s
6º km: 6m25s (a subir estoirada)
7º km: 5m56s
8º km: 6m27s (estoirada)
9º km: 4m51s (avisto uma mulher à frente e .... "Fernando! Vamos apanhar aquela!" - e apanhamos; vale o que vale mas soube bem, gosto SEMPRE de fazer o melhor que posso.

O Fernando acompanhou-se sempre durante a prova toda. Foi companheiro de 51 minutos.

Amigos à volta. O meu pai. Senti-me bem. Bem melhor que uma carteira de comprimidos engolidos à mão cheia a imitar um bem estar. Azul bebé ou cor-de-rosa. A Corrida dá-me bem estar, daquele, do verdadeiro e único. Por isso, a não ser que opte pela desistência permanente e irremediável da minha vida, jamais poderei deixar de correr. Jamais!
E agora, isto... é para continuar. Tomem nota e sigam-me, se forem capazes e tiverem paciência.

Classificações disponíveis em breve (espero)
Fotos da prova na Galeria de fotos da AMMA - Atletismo Magazine Modalidades Amadoras

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Boas Intenções

De boas intenções está o Inferno cheio.... dizem. Dizem... e é verdade, que eu já lá estive por diversas vezes e pude inalar até à náusea o odor a carne queimada misturado com as boas intenções a arder, a transformarem-se de papel pardo em carvão, até serem apenas cinzas a esvoaçarem no ar que ferve e nos queima o rosto e os lábios e as pálpebras.
E de boas intenções estou eu farta. Das dos outros e mais ainda das minhas. Estou cansada e farta. Destas intenções, das boas, e deste Inferno.
É preciso é acções! Dizem. Mais importante do que o que se diz, é o que faz. Dizem! É incrível o que dizem. Sempre tão assertivos, justos, correctos, implacavelmente irrepreensíveis. Depois...de facto, faltam mesmo é as acções. As minhas e as dos outros. Para se sair do Inferno, deste, onde se alojam não as boas acções, mas as boas intenções.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

O Regresso do Peso e a intenção do Desaparecimento do Peso...


Para os atentos e assíduos visitantes, já não é novidade que o Peso regressou a este espaço. Está aí, na linha em cima, O Peso da Maria, à espera de descer milagrosamente, e na grelha do lado, esperando mostrar semanalmente resultados surpreendentes fruto da força de vontade e de muito juízo.
Requisitos esses, necessários para manter o peso num estádio saudável e notoriamente em falta nos últimos longos meses, senão anos, na vida desta e de outras Marias e Manéis.
Uma pessoa vai-se deixando andar, comendo disto e daquilo, comendo muito e mal, e desleixando nos treinos, e quando dá por ela, está pertinho dos 70 Kg! (ai que saudades de me preocupar por ter acrescido 500 gramas aos meus 57 ou 58 quilos...) Há que parar! Retroceder o ponteiro. Outra vez. Outra vez. Ainda outra vez. As vezes que forem precisas, e agora está simplesmente a ser preciso.
O Peso regressou.
A intenção de o fazer desaparecer também. Mas de boas intenções, está o Inferno cheio, dizem...

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Tanto e tão pouco



O meu pai, sempre presente:
Tanto peso (de volta) e tão pouco tempo de treino.

Num dia forçosamente diferente, podia treinar. Num dia opcionalmente diferente, podia não treinar. Num dia igual porque os mesmos amigos se renovam e reforçam a Amizade e o Amor, umas simples palavras, aqui e ali, e o empurrão foi dado. Aproveitei, equipei-me e fui correr.

A um ritmo de quase 6 minutos o quilometro, corri durante 32 min. apenas.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

XXI Grande Prémio Fim da Europa

O XXI Grande Prémio Fim da Europa e o dia dos meus anos


Organizado pela Câmara Municipal de Sintra e Junta de Freguesia de Colares, realizou-se a 24 de Janeiro de 2010, o XXI Grande Prémio Fim da Europa.

Com 1750 inscrições que esgotaram, acabou por ter a prova principal 1453 atletas chegados à meta.

.../...

Quando nos abstraímos da logística porque alguém ou um clube trata de tudo, e nos limitamos a recolher o dorsal já da mão do nosso parceiro de equipa e apenas correr, há uma serie de pormenores que nos escapam e a nossa apreciação da prova fica também limitada a uma vivência bastante parcial.

Foi o caso. Ainda assim, há sempre uma estória a contar. Uma experiência a partilhar. A juntar a centenas de outras com o mesmo, mais ou menos valor.

Inscrições on-line, fáceis e práticas. Não as fiz, mas foi como se as tivesse feito. E dou por mim no dia da prova, minutos antes da partida, na vila de Sintra, de dorsal na mão, com o nr. 1035 e o meu nome impresso. Coloco o chip, com o qual será feito o controlo da prova.

Falar de Sintra é falar de romance. Nesta manhã pouco fria mas coberta de humidade que dá a Sintra a tonalidade de verde sobre os muros e as casas, toma-se o café no centro da vila, ao preço do ouro quando só vale lata só porque o alvo é o turista de passagem, e degusta-se os amigos encontrados. Hoje faço anos. Há um prazer redobrado em cada amigo encontrado. E são muitos.

A zona de partida está já cortada ao trânsito, são levados em autocarros para a partida da Mini/Caminhada, os caminheiros, e ficam os atletas a aquecer. Os atletas e outros como eu. Que por um motivo desconhecido e misterioso insistem em continuar a correr.

Portal insuflável emoldura os atletas alinhados na partida, que é dada a horas e soltam-se as pernas e um mar de cor começa a subir a serra. O percurso está bem marcado, vigiado e abastecido em dois pontos, com água apenas mas em quantidade suficiente (eu fazia parte da cauda do pelotão).

A paisagem transforma esta prova, em minha opinião, numa das mais bonitas de Portugal e o verde da serra de Sintra, envolto em nevoeiro, rompido por raios de sol aqui e além, sempre com um cheiro magnífico e intenso a invadir-nos as narinas penetrando e perfurando o corpo até atingir a alma, dá-nos um prazer de comunhão com a terra e o ar, difícil de alcançar.

Depois das duras subidas, ligeiramente suavizadas durante escassos metros para logo se retomar a subida, inicia-se a descida para o Cabo da Roca, onde está instalada a meta. O vislumbre do mar ao fundo, onde acaba a Europa, incita-nos a correr para ele em passos largos. O farol, guardião, aguarda-nos. A meta é logo ali, e depois de vencer a Serra harmoniosamente, e os ventos fortes que nos varrem, cortar a meta ao fim de 16.945 metros com 1h53m20s e ser recebido numa tenda que nos abriga poderia ser algo muito confortável, não fosse o cenário de devastação de mesas vazias e pratos e copos virados, onde ainda me serviram um chá quente e doce depois de esperar que reabastecessem o depósito do mesmo. Quantidade insuficiente para o abastecimento daqueles que abasteceram mais do que o necessário e suficiente. É assim a natureza do ser humano civilizado. Entretanto, fazia-se nesse espaço a entrega de prémios em pódio.

É-nos dado em mão uma medalha e água, temos uns bancos e espaço para retirar o chip, e depois de conseguir o tal chá, poderíamos procurar o nosso saco entre os sacos de toda a gente, com a roupa de cada atleta que a organização se encarregou de trazer da partida para a meta, e levar para casa o que mais nos agradasse, com a nossa roupa ou a de outro eventualmente. Espaço de vestiários que acabou por funcionar deficientemente. Depois da prova, a par de anos anteriores, houve autocarros de regresso a Sintra, mas ao contrário do ano passado, a desorganização foi bastante maior do que seria desejável.

Fora da tenda, apesar do Sol, o vento continuou a fustigar-nos e o conforto de um simples casaco colocado carinhosamente sobre o meu corpo suado e já a arrefecer, completa o prazer que foi correr pela 4ª vez consecutiva de Sintra ao Cabo da Roca. Serra de mistério e romance, bela e doce, de cogumelos gigantes a crescer na berma da estrada e troncos de árvore revestidos a hera até ao cimo. De subidas árduas compensadas pela beleza. Pela beleza, pela paz, pelos odores.

É assim correr o Grande Prémio Fim da Europa.

As minhas participações:

2007 - 1h28m00s
2008 - 1h38m00s
2009 - 2h01m02s
e para inverter a tendência, este ano...
2010 - 1h53m20s

2011 - aguardemos... mas conto lá estar, ai isso conto!

Antes da prova:


Com meu pai, Joaquim Adelino, Susana Adelino e Mário Lima


A partida
Ainda a partida a deixar Sintra em direcção à Serra


Meta:


Com o Zé Gaspar


Com Carlos Viana e S.E.

Com o meu pai
Fotos de meu pai António Melro, S.E., José Gaspar e Carlos Viana, equipa da AMMA - Atletismo Magazine Modalidades Amadoras


Resultados no site da prova

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Medo da chegada à Meta e da nova Partida

Com a aproximação do dia, ela tem andado pior. Muito pior. Mas mesmo muito pior!

Apoderou-se dela um nervosismo, um misto de ansiedade e medo a roçar o pânico em toda a sua amplitude. As expectativas são propositadamente mantidas baixas por mera defesa.

Desejou o dia desde o dia que partiu, há cerca de três meses atrás, contudo partiu atrasada como ela bem sabe. Ainda assim partiu. Devagar. A fazer valer o "mais vale tarde que nunca", e o "vale sempre a pena quando a alma não é pequena". E a dela não é, isso ela sabe.

No entanto tem medo. Muito medo. Um medo quase maior que a alma e que encobre esta. Medo que não resulte a par de outras tentativas, medo de não chegar a esta Meta, ou chegar quando for demasiado tarde para ela. Meta essa que a obrigará a nova Partida. Imediatamente. Apenas a continuação da Corrida. Desta corrida que dura há mais de quatro décadas, e que lhe marca esta meta volante para dia 28 de Janeiro de 2010. Como outras, alcançadas todos os dias sem ela se dar conta que o faz.

Tem medo. Muito medo. Vontade de parar, encostar à berma ou mesmo voltar para trás. Desistir. Há momentos em que pensa que não vai conseguir, que o esforço até aqui é completamente inglório e inútil. Não vai conseguir. Não ela. Momentos em que é tentada pelo mais fácil: parar, desistir, fechar-se , trancar-se, abandonar-se, despejar-se da vida que lhe resta para por fim descansar.

Outros momentos há, em que se sente confiante e que almeja uma luz. A esperança é a última a morrer, dizem. É preciso é que não morra ela antes.

No entanto, enquanto não morre, continua. A correr. Devagar, em direcção àquela meta, sabendo de antemão que é apenas mais um passo para continuar a Corrida.

E dentro desta Corrida está também inserida sem dúvida alguma o XXI Grande Prémio Fim da Europa, onde ela alinhará, já no próximo domingo dia 24 de Janeiro de 2010.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

O Banho


Nunca entendeu verdadeiramente, a razão porque os vivos lavam os mortos e os vestem com os melhores arreios, quando afinal aquilo tudo, principalmente a matéria de que somos feitos (carne, músculos, ossos, sangue, vísceras, etc.) vai ser comido, senão devorado avidamente em perfeito deleite, por larvas e outros vermes do género.

Talvez uma preparação para o desconhecido, para onde o morto, outrora vivo, agora parte. Visão romântica e doce da morte propositadamente induzida para se a conseguir suportar. Ou talvez apenas para o odor da carne a apodrecer em rápida decomposição não sufoque as narinas e os pulmões dos ainda vivos enquanto dolorosamente se despedem do corpo.

Seja lá porque razão for, se a pensar nisso e a poupar trabalho a terceiros, ou se noutra coisa qualquer, ela hoje acordou cedo e em vez de ir correr como planeia quase todas as noites quando se deita, depois de passar longos minutos imersa num torpor inexplicável, envolta em pensamentos macabros, levantou-se e tomou banho. Banho. Um banho grande. Primeiro molhou-se e ensaboou-se com sabão azul e branco, substância elegida pelas suas propriedades anti-bacterianas, depois uma segunda passagem com sabonete de alfazema, que sempre cheira melhor, sabonete para a higiene íntima, com o qual lavou as partes mais íntimas do seu corpo de mulher, com uma espuma abundante, e por fim ainda embebeu uma esponja em gel de banho, delicamente perfumado, e esfregou cada milímetro do seu corpo como se lavasse o chão. Com vigor exageramente enérgico para a situação, esfregou o pescoço, a barriga e os seios, os ombros, as costas, os braços, as nádegas, as coxas, os joelhos, os pés, não necessariamente por esta ordem e repetindo várias vezes as mesmas áreas. Tudo isto já depois de ter esfregado o cabelo com idêntico vigor, com várias passagens de champô, e agora, que este absorvia o amaciador num emaranhado de cabelo espetado.

Tomou banho como quem toma outra coisa qualquer. Uma bebida. Um medicamento. Que limpe, remedei estragos, alivie sintomas e feche chagas, provoque sensações de uma melhoria qualquer. Mesmo que sejam apenas sensações. Efémeras como efémera é a própria vida.

“É uma estupidez isso que dizes!”

Calou-se, resignada à sua “estupidez”.

A voz ecoava-lhe na cabeça uma e outra vez enquanto tomava banho e esfregava a pele. Uma estupidez.

E estupidamente, sem treinar a ponta de um corno há semanas, está a pensar alinhar na partida do Grande Prémio Fim da Europa já no próximo domingo dia 24 de Janeiro de 2010, dia em que completará 41 anos de vida, e mais estupidamente ainda, pensa que vai chegar à meta. A correr. Estupidamente… a correr.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

O Amor a 300 Km... e o G.P. Fim Europa a 16 dias...

Bom fim de semana para todos os que por aqui passarem. E para os outros também, só que esses (a maior parte deles) não vão ter o prazer de saber que eu lhes desejo Um Bom Fim de Semana. De preferência com alguma Corrida pelo meio, mas que não passe a correr. Da minha parte, quero ver se corro alguma coisa. Porque o Grande Prémio Fim da Europa está quase aí. Precisamente no dia que completarei 41 anos.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Dipsy


Dipsy (11.10.1999-03.01.2010)

Dizem que foi só um cão. Dizem que foi só um cão que morreu. Mas não, estão enganados, não foi só um cão que morreu.

Quando entrou na nossa vida, tinha a nossa filha 2 anos e era ele também um bebé, de 2 meses apenas.

Lembro-me como se fosse hoje. Estávamos a fazer a árvore de Natal (1999) - eu e a Mafalda - de lareira acesa e aguardávamos ansiosas a chegada do novo elemento da família. Tocava uma música de Natal e sem saber porquê as lágrimas vêm-me aos olhos, a adivinhar a felicidade da chegada de um novo ser ao seio da família. Feliz, na altura. O Luís e o Pipas tinham ido buscá-lo, longe, lá para cima, numa terra algures a tocar fronteira com Espanha. Viera enjoado no carro, numa caixa de cartão, e chegou assustado e moído.

Lindo. Como o são todos os cachorros. Brincalhão, traquinas, um amor.

2 anos a tratar dele como um filho. Quando me perguntavam quando vinha o 2º filho, respondia sempre que tinha o Dipsy. O meu segundo filho, porque em amor, preocupação, despesa e trabalho não difere muito de um filho, um cão.

2 anos a brincar com ele, dar-lhe banho, limpar chão, aspirar pêlos e pêlos pela casa toda, acordar a meio da noite e dar-lhe medicamentos, tratar dele, a correr com ele, a amá-lo. Um companheiro raro de muitas horas e momentos da minha vida.

Depois...depois divorciei-me e aí veio ao de cima a diferença entre um filho e um cão. Saí de casa e nem outra hipótese coloquei, a Mafalda veio comigo. Já o Dipsy, um Serra da Estrela de 2 anos de idade, cheio de saúde e vigor, a pesar tanto como eu na altura (50 e muitos quilos), a ele não tive outra hipótese senão deixá-lo com o Luís. Ele ficava bem e eu não consegui nunca criar condições para o ter comigo. Até agora. Que as tenho e esperava voltar a tratar dele dentro em breve por necessidade do Luís e prazer e opção minha, ele não aguentou e saiu das nossas vidas de forma abrupta e para sempre. Para todo o sempre.

Para a Mafalda, para além de tê-lo visto crescer nos seus 2 primeiros anos de vida, continuou sempre a conviver com ele. Praticamente todas as semanas. O Dipsy, um amigão. Cresceram juntos afinal. Ela a crescer. Ele, primeiro a crescer, depois a envelhecer, até hoje, dia da sua morte. Dentro do tempo previsto de duração para um cão da sua raça, é verdade. Já doente, é verdade. Mas por mais preparados que estejamos...dói sempre.

Um Amigo que fica no coração, apesar de fisicamente não existir mais neste mundo. O seu corpo descansa agora no quintal, onde brincou, correu, escavou, e ainda hoje o vejo, a brincar às escondidas com a minha filha, à volta da casa. Vejo-lhe o brilho dos olhos, a língua pendente a pingar saliva, diria mesmo que um sorriso lhe preenchia o focinho, e ouço, nitidamente, o seu arfar e as patas a correr no chão do quintal, ao mesmo tempo que gargalhadas da minha filha me enchem o coração. De felicidade. O Dipsy deu-me muita Felicidade. Muita. Até hoje, que já cá não está.

Vejo-o noutros momentos de paz, a suportar o peso da Mafalda que se deitava sobre ele, e ele nem se mexia, satisfeito. Vejo-o ainda a correr ao meu lado nos treinos, a chorar ao portão quando eu continuava o treino sozinha. A saltitar de madrugada quando me pressentia a sair para mais um treino com ele. A vomitar porque tinha comido o que não devia. A aprender lições de bom comportamento nas aulas (eu e ele). Ai... lembro-me de tanta coisa...

Hoje, partiu. Já cá não está. Aquele corpo enorme e a alma delicada e doce(apesar do mau génio com alguns outros cães). Desapareceu simplesmente. Transformar-se-á em ervas, e folhas e flores que brotarão da terra e que borboletas e abelhas sobrevoarão. Transformar-se-á o meu Dipsy, e de alguma forma, sei que ele continua entre nós.

Eu...estou triste mas não chorei sequer. Ultimamente as lágrimas saem-me em alturas impróprias e desadequadas. Estou triste apenas. Aceito o facto, com a naturalidade possível.

A minha filha... Nunca tinha visto a Mafalda tão triste...nem quando morreram os avós paternos ou a Margarete.





Descansa em paz Dipsy, estarás para sempre no nosso coração, de uma forma muito especial

Ana e Mafalda


"Peixinhos dourados, tartarugas ou hamsters são animais de estimação, os cães são Família"

Mark R.Levin, em "Como salvámos Sprite"