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quinta-feira, 14 de junho de 2012

XVIII Grande Prémio de S.Vicente de Fora, Coisas em que se reparam

Curiosamente, cerca de 12 horas depois da Corrida de Santo António, gigantesca máquina, polvo poderoso a chamar e a captar as massas para correr, decorreu na mesma cidade, capital de Portugal, no domingo dia 10 de Junho, quase em silêncio, o XVIII Grande Prémio de S.Vicente de Fora, a cargo da Junta de Freguesia com o mesmo nome. Curioso também é ser este santo, S.Vicente, ele o padroeiro de Lisboa, e não Santo António como a maioria dos portugueses julga (obrigada Mário Lima)  e ainda assim ele usufruir nem de um décimo da popularidade do primeiro, tal qual como a Corrida.

No entanto, ou precisamente por isso, não  deixa de ser o Grande Prémio de S.Vicente de Fora meritório dos mais rasgados elogios, pois realizou-se pela 18ª vez, com os escassos meios que facilmente se adivinham, em contraste com a titânica vontade das pessoas.

Assim tivemos de novo um caixote do lixo acompanhado das fitas plásticas a marcar a meta, o apoio inestimável, incansável e grandiosamente humano dos Bombeiros, uma Polícia que não aparece a horas e quando aparece não é em número suficiente, "obrigando" a encurtar a prova das Veteranas para uns rápidos e violentos 1.600 metros para evitar problemas com o trânsito que se manifestaram na prova maior, onde os atletas tiveram de ir a outras artérias da cidade, e onde apesar do voluntariado do pessoal da organização, não se conseguiu um controle adequado do trânsito. Houve suficientes abastecimentos de água, muitas taças para todos os escalões e para as equipas, tendo mesmo ficado taças por dar devido ao número insuficiente de participantes.Uma manhã de desporto e de convívio em que se promoveu a Corrida para todos. Numa época em que se ameaça extinguir muitas Freguesias do Portugal dos pequeninos, deseja-se a esta prova e a esta gente que tenha força e meios para a continuar a realizar, pois estão claramente de parabéns e promovem de facto a Corrida.


Tudo isto ali, vida que fervilha e sangue que pulsa, bem no coração de Lisboa, no Campo de Santa Clara, à volta do Panteão Nacional, onde jazem distintas figuras...mas mortas.












Corri a minha prova de 1,600 Km em 9m44s, com muita vontade, mas falta de pernas e fôlego nas subidas e completamente "a travar" nas descidas (nas descidas é quando me doí mais a perna), parte essa do percurso que percorremos 2 vezes e onde fui estupidamente ultrapassada, se não foi por todas as atletas que ainda seguiam atrás de mim nessa altura, foi quase.

9 comentários:

Mário Lima disse...

Ana

Felizmente ainda há freguesias que mantêm bem vivas estas corridas populares Se esta freguesia fizer parte das que irão estar sobre o cutelo de quem governa Portugal, lá se apagará mais uma acha da memória de S. Vicente que, só por si, já não há fogueira que o renasça tal o esquecimento a que foi votado pela população alfacinha.

E já agora para completar a história de S. Vicente. O corvo faz parte do brasão da cidade e tem a ver com o corpo martirizado de S. Vicente, morto no tempo de Diocleciano imperador romano, ao ser lançado para ser devorado pelos animais ter sido 'salvo' por um corvo. Quando D. Afonso Henriques transladou o seu corpo do Cabo de Sagres (chamado hoje Cabo de S. Vicente) que estava sobre o domínio dos mouros, para Lisboa, o barco com os seus restos mortais foi acompanhado por dois corvos. Daí o barco com os corvos no brasão lisboeta.

Foi só um aparte para dar ênfase a uma prova que tem o nome do padroeiro lisboeta.

As provas curtas, para nós, já não dá. Mas vale sempre a pena participar quem tem por hábito lá ir, o que parece ser o teu caso.

Tudo de bom!

horticasa disse...

Adorei ler este poste, tanto o teu como o comentário do Mário, cheguei a ficar emocionada,não fazia a menor ideia, obrigada...
Agora vou pedir-te um favor, sempre que haja provas deste tipo em Lisboa diz-me, é que apesar de morar aqui não tenho essas informações.
Posso até não estar cá, mas se estiver vou de certeza.
beijinho

Jorge Branco disse...

" Numa época em que se ameaça extinguir muitas Freguesias do Portugal dos pequeninos, deseja-se a esta prova e a esta gente que tenha força e meios para a continuar a realizar, pois estão claramente de parabéns e promovem de facto a Corrida."

Faço minhas estás palavras da "Maria".
Conheço, relativamente bem, o trabalho dessa junta porque trabalhei mais de 12 anos nessa zona da minha cidade.
Curiosamente nunca fiz a prova ( tenho pena) e temo que ela venha a acabar com o atentado ao poder locar (e à democracia) que está em curso.
Presentemente também me é difícil deslocar a essa zona de Lisboa pois traz-me recordações muito amargas mas as vezes ainda lá vou até porque deixei lá alguns amigos entre os quais os donos de um restaurante (um casal) que serve as melhores iscas de Lisboa!

Luciana disse...

Hello!
O que conta em primeiro lugar é a participação e divertimento :)a posição é um detalhe.
Beijos

Corre como uma menina disse...

Por acaso também não ouvi falar desta corrida. É pena, porque é numa zona bem bonita.
O que interessa é o teu gosto em participar, e não a classificação! Além disso, se sobraram troféus, sempre podiam distribuir os restantes eheh ;)

Beijinhos**

Jose Xavier disse...

Olá Ana;

Que bom manteres o hábito de participar neste tipo de provas. Merecem ser acarinhados os organizadores.

Achei interessante, que os Bombeiros acompanhavam os atletas.....mas na tua foto não tiveste a companhia de um Bombeiro...hahhahaah....

Um abraço
dos Xavier's

Gois disse...

Olá Ana, quero agradecer-lhe por me apresentar a prova “o grande prémio de S. Vicente de Fora”.
Agradeço também a informação do Sr. Mário Lima sobre o verdadeiro e genuíno santo padroeiro da minha cidade natal, o saber nunca ocupa lugar (um abraço e até dia 22/7 na U.M.A).

Creio tratar-se de uma das mais antigas freguesias lisboetas. Além do Panteão e da famosa igreja de santa Engrácia com as suas intermináveis obras (motivo de risota em casa sempre que a minha mãe se refere a qq coisa que eu faça e ainda esteja por terminar.) pouco ou nada conheço. Em relação á prova achei admirável o trabalho da Junta de freguesia sem grandes meios não deixar de realizar um evento humilde mas que promove a participação popular. Especial realce para os Bombeiros e a ajuda que prestaram aos atletas em prova acompanhando a correr junto dos mais atrasados. São de facto pessoas muito especiais.

Por vezes nas grandes organizações desportivas, perde-se esse tal espírito de bairro em que a entreajuda e a solidariedade estão presentes e fazem parte da mística e que ajudam a manter uma prova sem ajuda de meios, sem recursos apenas suportada pela boa vontade de todos.
Cada vez gosto mais dessas provas
Bem hajam todos os que contribuem para a divulgação do desporto amador

S* disse...

As subidas são tãooooo difíceis. :D

Mia disse...

Isso é que foi correr! Devia fazer o mesmo :)

http://pegadafeminina.blogspot.pt/