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domingo, 25 de abril de 2010

25 de Abril de 1974 - Portugal

Há datas que jamais me passarão ao lado... Para que não se esqueça...

25 de Abril de 1974

Tinha apenas 5 anos de idade, esta criança que fui... Memórias vagas, ainda assim recordo o medo dos adultos, o medo de falar, de pensar, de ser, e de eu não compreender. Lembro-me sim. Dos livros proibidos e das ideias interditas. Dos que eram "apanhados" pela PIDE, contado em conversas surdas, murmúrios em surdina, a medo, medo até que as paredes ouvissem, reforçando o medo, a resignação e silêncio.

Em certo dia houve uma revolução, contaram, o povo andava na rua, os militares derrubaram o governo, éramos livres agora, diziam. Contagiada pela alegria incompreendida, cantei a acompanhar o rádio em altos gritos, agora sem medo, sentada na soleira da porta enquanto a minha tia lavava roupa no tanque, cabelos presos por um lenço, e ela também cantava a "A Tourada", por Fernando Tordo, letra de Ary dos Santos, uma crítica aberta ao então regime fascista, agora em altos berros na rádio, sem medo, e eu cantava com os meus pulmões cheios de ar e de brio, com os meus tenros cinco anos de idade:




E dias depois, enchendo os pulmões e a alma com uma alegria que não compreendia na totalidade, cantei vezes e vezes sem conta, até hoje às vezes:



25 de Abril de 1974

"Aqui posto de comando do Movimento das Forças Armadas.
As Forças Armadas portuguesas apelam para todos os habitantes da cidade de Lisboa no sentido de recolherem a suas casas, nas quais se devem conservar com a máxima calma. Esperamos sinceramente que a gravidade da hora que vivemos não seja tristemente assinalada por qualquer acidente pessoal, para o que apelamos para o bom senso dos comandos das forças militarizadas no sentido de serem evitados quaisquer confrontos com as Forças Armadas. Tal confronto, além de desnecessário, só poderia conduzir a sérios prejuízos individuais que enlutariam e criariam divisões entre os portugueses, o que há que evitar a todo o custo.”

"25 de Abril de 1974

Os acontecimentos deste dia revelam que o Movimento das Forças Armadas estava organizado e que era mais do que uma organização corporativista. Os militares da Revolução preconizaram um momento da História Portuguesa, com milhares de outros protagonistas anónimos.
Situações impossíveis apenas 24 horas antes, marcaram os derradeiros momentos do Estado Novo. Imaginemos o Terreiro do Paço entre as 8 e as 11 da manhã, o Largo do Carmo ao meio-dia, e, mesmo, a tensão vivida na António Maria Cardoso durante toda a tarde.
Foi a Revolução dos Cravos.

00:20
A Rádio Renascença transmite a canção "Grândola, Vila Morena",


de José Afonso, segundo sinal do MFA, para que os militares dessem início às operações previstas.
Grândola, Vila Morena, José Afonso, 1971
Zeca Afonso




03:00
Início do cumprimento das missões militares, de acordo com o "Plano Geral das Operações".
As principais forças do MFA são as seguintes:
• Regimento de Engenharia N.º 1 (RE1), Lisboa
• Escola Prática de Administração Militar (EPAM), Lisboa
• Batalhão de Caçadores N.º 5 (BC 5), Lisboa
• Regimento de Artilharia Ligeira N.º 1 (RAL1), Lisboa
• Carreira de Tiro da Serra da Carregueira (CTSC), Lisboa
• Regimento de Infantaria N.º 1 (RI1), Lisboa
• Centro de Instrução de Artilharia Antiaérea e de Costa (CIAAC), Lisboa
• Regimento de Artilharia Antiaérea Fixa (RAAF), Lisboa
• 10º Grupo de Comandos, Lisboa
• Escola Prática de Infantaria (EPI), Mafra
• Escola Prática de Cavalaria (EPC), Santarém
• Escola Prática de Artilharia (EPA), Vendas Novas
• Regimento de Cavalaria N.º 3 (RC3), Estremoz
• Centro de Instrução de Operações Especiais (CIOE), Lamego
• Agrupamento do Norte
São consideradas forças inimigas:
• Guarda Nacional Republicana (GNR)
• Polícia de Segurança Pública (PSP)
• Direcção-Geral de Segurança (PIDE/DGS)
• Legião Portuguesa (LP)
• Regimento de Cavalaria N.º 7 (RC7)
• Regimento de Lanceiros N.º 2 (RL2)
Plano Geral das Operações de Otelo Saraiva de Carvalho


03:10
Principais movimentações das forças do MFA:
• Quartel General da Região Militar de Lisboa, ocupado por uma companhia do BC 5;
• Rádio Clube Português (RCP), defendida por outra companhia do BC 5 e ocupada pelo 10º Grupo de Comandos;
• Rádio Televisão Portuguesa (RTP), estúdios do Lumiar ocupados pela EPAM;
• Emissora Nacional, estúdios ocupados pelo CTSC;
• Posicionamento de uma bateria da EPA em Almada;
• A EPC dirige-se ao Terreiro do Paço;
• EPI sai para ocupar o Aeroporto de Lisboa;
• Companhias de Caçadores ocupam as antenas do RCP;
• 5º Grupo de Comandos sai de Tomar para intervir no RC 7;
• Força do RI 14 junta-se à da Figueira da Foz;
• Sai uma força da EPE de Tancos;
• O CIOE vai ocupar a sede da PIDE/DGS no Porto.


04:00
O BC 5 garante a segurança da residência do General Spínola.


04:20
O Rádio Clube Português transmite o primeiro comunicado do MFA. O Aeroporto de Lisboa é ocupado pela EPI.
Transmissão do primeiro comunicado do MFA emitido às 04:20 pelo Posto de Comando
Comunicado do MFA do dia 25 de Abril de 1974 às 04:20h


04:45
Transmissão do segundo comunicado do MFA.
Comunicado do MFA do dia 25 de Abril de 1974 às 04:45h


05:15
O Aeródromo de Tires é ocupado é ocupado pelo CIAAC. Transmissão do terceiro comunicado do MFA.
Comunicado do MFA do dia 25 de Abril de 1974 às 05:15h


05:45
A Escola Prática de Cavalaria ocupa o Terreiro do Paço. Transmissão do quarto comunicado do MFA.
O Terreiro do Paço ocupado no final da madrugada do dia 25 de Abril.
As tropas de oposição ao governo ocupam o Terreiro do Paço no final da madrugada do dia 25 de Abril.


06:00
A EPC cerca os ministérios, a Câmara Municipal de Lisboa, os acessos ao Governo Civil, o Banco de Portugal e a Rádio Marconi.
O Tenente de Inf. Nelson dos Santos, em frente ao Ministério do Exército, no Terreiro do Paço, aguarda com outros oficiais, para proceder à prisão das altas individualidades militares.


06:30
Chegada ao Terreiro do Paço de um pelotão do Regimento de Cavalaria 7, fiel ao Governo, comandado pelo Alferes Miliciano David e Silva que, após conversações, se coloca às ordens do MFA.


06:45
O Posto de Comando toma conhecimento de que Marcelo Caetano, Presidente do Conselho de Ministros, está no Quartel do Carmo.
Marcelo Caetano


07:00
O Agrupamento do Norte dirige-se ao Forte de Peniche, prisão da PIDE/DGS. O RAP 2 toma posição junto à ponte da Arrábida e a EPA junto ao Cristo Rei, em Almada. No Terreiro do Paço, oficiais da Polícia Militar e o Capitão Maltez da PSP, põem-se às ordens de Salgueiro Maia após conversações.
Os instruendos da Escola Prática de Cavalaria utilizam as carrinhas da PSP como protecção, ainda no Terreiro do Paço.
Capitão Salgueiro Maia, Tavares de Almeida e o Alferes Miliciano Maia Loureiro mandam descongestionar o trânsito no Terreiro do Paço, aos guardas da PSP, que entretanto se puseram à disposição da Escola Prática de Cavalaria.


07:30
Transmissão de outro comunicado do MFA. Chegada à Ribeira das Naus de nova força do RC 7, comandada pelo Tenente-Coronel Ferrand de Almeida.
Comunicado do MFA do dia 25 de Abril de 1974 às 07:30h
Ao largo da praça do Município instruendos da EPC, pertencentes ao 5.º pelotão de atiradores esperam, as forças leais ao Governo.
Na praça do Município instruendos da EPC, pertencentes ao 5.º pelotão de atiradores esperam, de armas na mão, as forças leais ao Governo.


08:00
Uma força do Regimento de Lanceiros 2, contrária ao MFA, toma posição na Ribeira das Naus, em Lisboa. Prisão do Tenente-Coronel Ferrand de Almeida por Salgueiro Maia.
Ferrand de Almeida, Salgueiro Maia e o seu adjunto Assunção, são os protagonistas dos primeiros momentos de tensão, quando forças fiéis ao governo, progrediram do Cais do Sodré em direcção aos blindados da EPC.


08:30
Uma força da PSP chega ao Terreiro do Paço, mas nem tenta entrar em confronto com as tropas de Salgueiro Maia.
Capitão Salgueiro Maia, Tavares de Almeida e o Alferes Miliciano Maia Loureiro mandam descongestionar o trânsito no Terreiro do Paço, aos guardas da PSP, que entretanto se puseram à disposição da Escola Prática de Cavalaria.


09:00
A fragata "Gago Coutinho" - que integrava as forças da NATO em exercícios – toma posição frente ao Terreiro do Paço, recebendo ordens para disparar sobre as tropas de Maia, mas não chega a fazê-lo.
O dispositivo militar ocupa o Terreiro do Paço na madrugada do dia 25 de Abril e surpreende-se com a presença dos navios da Nato que já deviam ter-se feito ao largo para partirem no exercício "Dawn Patrol".


09:30
Os ministros da Defesa, da Informação e Turismo, do Exército e da Marinha, o Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, o Governador Militar de Lisboa, o sub-secretário de Estado do Exército e o Almirante Henrique Tenreiro fogem por um buraco que abriram na parede do ministério do Exército e dirigem-se para o Regimento de Lanceiros 2, onde instalaram o Posto de Comando das forças leais ao Governo.
Buraco aberto na parede do ministério do Exército por onde fugiram vários ministros e o chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, dirigindo-se para Posto de Comando das forças leais ao Governo.


09:35
Forças leais ao Governo, comandadas pelo Brigadeiro Junqueira dos Reis, chegam ao Terreiro do Paço.


10:00
Na Ribeira das Naus, o Alferes Miliciano Fernando Sottomayor, do RC 7, não obedece às ordens do Brigadeiro Junqueira dos Reis para disparar sobre Salgueiro Maia e as suas tropas, o que leva o Brigadeiro a dar ordem de prisão a Sottomayor e a ordenar aos soldados que disparassem. Tendo-se estes recusado também a disparar, Junqueira dos Reis dispara dois tiros para o ar, abandona o local e dirige-se para a rua do Arsenal.
Na Rua do Arsenal, tanques da Escola Prática de Cavalaria barram o caminho às forças fiéis ao Governo. Salgueiro Maia regressa ao Terreiro do Paço e em cima do carro de combate, reconhece-se o Alferes Cardoso, hoje Tenente-Coronel.


10:30
Rendição do Major Pato Anselmo, do RC 7 e transmissão de um novo comunicado do MFA.
Jaime Neves e Pato Anselmo entre outros, são os protagonistas dos primeiros momentos de tensão, quando forças fiéis ao governo, progrediram do Cais do Sodré em direcção aos blindados da EPC.
Comunicado do MFA do dia 25 de Abril de 1974 às 10:30h


10:45
Na Rua do Arsenal, o Brigadeiro Junqueira dos Reis dá ordem de fogo sobre o Tenente Alfredo Assunção, que fora enviado por Salgueiro Maia para negociar com as forças de Junqueira dos Reis. Tendo sido, de novo, desobedecido pelos seus militares, acaba por dar três murros no Tenente Assunção.
Na Rua do Arsenal, tanques da Escola Prática de Cavalaria barram o caminho às forças fiéis ao Governo, uma parte recua sob o comando do Brigadeiro Reis e outra passa-se para o lado dos revoltosos.


11:30
O Posto de Comando envia uma coluna militar, comandada pelo Major Jaime Neves, para ocupar a Legião Portuguesa na Penha de França e uma coluna, comandada por Salgueiro Maia, para o Quartel do Carmo, onde se encontravam Marcelo Caetano, Rui Patrício, ministro dos Negócios Estrangeiros e Moreira Baptista, ministro da Informação e Turismo.
Salgueiro Maia comanda as forças da EPC que vão cercar o Quartel da GNR no Largo do Carmo, em Lisboa.
Salgueiro Maia atinge o Largo do Carmo. Em segundo plano o Capitão Tavares de Almeida e o Aspirante Laranjeira à civil.


11:45
O MFA informa o país, através do RCP, que domina a situação de Norte a Sul.
Foi cumprida a missão inicial: ocupar a Baixa de Lisboa.
Dono da situação, Salgueiro Maia reorganiza a força, que conta agora com carros de combate pertencentes às unidades até há pouco leais ao governo.
Comunicado do MFA do dia 25 de Abril de 1974 às 11:45h


11:50
Os oficiais feitos prisioneiros no Terreiro do Paço são enviados para o Posto de Comando, na Pontinha.


12:00
Uma força do Regimento de Infantaria 1 tenta impedir o acesso da coluna da EPC ao Quartel do Carmo, mas Salgueiro Maia convence-os a juntarem-se às suas tropas.
Salgueiro Maia atinge o Largo do Carmo e manda ocupar as ruas envolventes e cerca o quartel.
Salgueiro Maia e o Tenente Santos Silva conversam com o Major Velasco da GNR, acompanhados dos homens das transmissões, no Largo do Carmo.


12:15
A coluna da EPC, comandada por Salgueiro Maia, chega ao Chiado pela Rua do Carmo, envolvida por uma multidão de apoiantes civis.
Capa do jornal A Capital do dia 25 de Abril de 1974
A confiança expressa desde a primeira hora pela multidão transmite-se aos soldados do Alferes Marcelino, Comandante do 1.º pelotão de atiradores.


12:30
As forças de Salgueiro Maia cercam o Largo do Carmo e recebem ordens do Posto de Comando para abrir fogo sobre o Quartel da GNR, para obter a rendição de Marcelo Caetano.
O dispositivo militar instala-se no Largo do Carmo.


12:45
A população distribui comida, leite e cigarros pelos militares presentes no Largo do Carmo. Forças da GNR tomam posição na retaguarda das tropas de Salgueiro Maia, em defesa do regime.


13:00
O Brigadeiro Junqueira dos Reis tenta cercar as forças de Salgueiro Maia com a ajuda da GNR, da Polícia de Choque e uma companhia do RI 1. Forças do RC 3 chegam à ponte sobre o Tejo e dirigem-se ao Largo do Carmo. É transmitido novo comunicado do MFA.
Comunicado do MFA do dia 25 de Abril de 1974 às 13:00h


13:30
Um helicanhão sobrevoa o Largo do Carmo, provocando ansiedade entre militares e civis.


13:40
Forças do MFA ocupam a sede da Legião Portuguesa.


14:00
A companhia do Regimento de Infantaria 1 que apoiava Junqueira dos Reis, passa-se para o lado de Salgueiro Maia. Iniciam-se as conversações entre o General Spínola e Marcelo Caetano, para a obtenção da rendição do Presidente do Conselho, através de intermediários.
Capa do jornal Diário de Notícias do dia 25 de Abril de 1974


14:30
Transmissão novo comunicado do MFA, informando que estavam ocupados os principais objectivos. O esquadrão do RC 3, comandado pelo Capitão Ferreira, cerca as tropas do Brigadeiro Junqueira dos Reis.
Transmissão de um comunicado do MFA emitido às 14:30 pelo Posto de Comando
Comunicado do MFA do dia 25 de Abril de 1974 às 14:30h


15:00
Por ordem do Posto de Comando, Salgueiro Maia pega num megafone e faz um ultimato à GNR para que se renda, ameaçando rebentar com os portões do Quartel do Carmo. É transmitido novo comunicado do MFA.
Salgueiro Maia pega num megafone e dá ordens à GNR para que se renda, ameaçando com fogo sobre os portões do Quartel do Carmo.
Transmissão de um comunicado do MFA emitido às 15:00 pelo Posto de Comando
Comunicado do MFA do dia 25 de Abril de 1974 às 15:00h


15:15
Forças da EPA recebem ordens para libertar os militares presos no Forte da Trafaria, na sequência do 16 de Março.
A saída em falso do Reg. das Caldas da Rainha a 16 de Março de 1974, como reacção à demissão de Costa Gomes e de Spínola, constituiu o ensaio militar do dia 25 de Abril.


15:30
Disparos sobre a fachada do Quartel do Carmo, por ordem de Salgueiro Maia, o que obriga ao reinício das conversações para a rendição de Marcelo Caetano.
Disparos sobre a fachada do Quartel do Carmo, sob as ordens de Salgueiro Maia, obriga a população a refugiar-se.


16:15
Elementos da PIDE/DGS abrem fogo sobre a multidão que cerca a sua sede, na rua António Maria Cardoso, provocando um morto e vários feridos.
Rua António Maria Cardoso, onde se situa a sede da PIDE/DGS.
Forças de cavalaria, de infantaria e da marinha ocupam as entradas da rua António Maria Cardoso, onde se situa a sede da PIDE/DGS.


16:25
Em consequência da não evolução das negociações para a rendição de Marcelo Caetano, Salgueiro Maia coloca um blindado frente ao Quartel e inicia a contagem para abrir fogo, quando é interrompido por Pedro Feytor-Pinto e Nuno Távora, da Secretaria de Estado da Informação e Turismo, que se dizem portadores de uma mensagem do General Spínola para Marcelo Caetano. Salgueiro Maia autoriza a entrada no Quartel desses dois mensageiros.
Cartoon de Augusto Cid, no jornal República do dia 27 de Abril de 1974


16:30
Contactos telefónicos entre o Spínola, Marcelo Caetano e o Posto de Comando do MFA.


17:00
Salgueiro Maia entra no Quartel do Carmo e exige a rendição a Marcelo Caetano, que lhe responde que só se renderia a um Oficial-General para que o Poder não caísse na rua. O Posto de Comando mandata o General Spínola para ir receber a rendição de Marcelo Caetano ao Quartel do Carmo.
Os militares experimentam cada vez mais dificuldades para conterem a multidão que aguarda o carro em que se transporta o General Spínola.


17:30
Transmissão de outro comunicado do MFA.
Comunicado do MFA do dia 25 de Abril de 1974 às 17:30h


18:00
Spínola chega ao Largo do Carmo e, acompanhado por Salgueiro Maia, entra no Quartel para dialogar com Marcelo Caetano.
Spínola chega ao Largo do Carmo completamente rodeado pela população em euforia.


18:20
Transmissão de novo comunicado do MFA.
Comunicado do MFA do dia 25 de Abril de 1974 às 18:20h


18:30
A Chaimite Bula entra no Quartel do Carmo para transportar Marcelo Caetano à Pontinha.
Reportagem sobre a entrada da chaimite Bula no Quartel do Carmo
Aceite a rendição de Marcelo Caetano, iniciam-se os preparativos para o transporte até à Pontinha do chefe do Governo e respectivos ministros, que abandonam o local num blindado.


18:40
Declaração do MFA na RTP.


18:45
Decreto-Lei 171/74: extinção da PIDE/DGS, Legião Portuguesa e Mocidade Portuguesa.
Extinção da Direcção-Geral de Segurança, da Legião Portuguesa e da Mocidade Portuguesa (Dec.-Lei 171/74 de 25 de Abril)
Destituição dos Dirigentes Fascistas (Lei 1/74 de 25 de Abril)
Cartoon de C. Brito, no jornal República do dia 10 de Maio de 1974


19:00
Marcelo Caetano e os ministros Rui Patrício e Moreira Baptista entram na Chaimite Bula.
Aceite a rendição de Marcelo Caetano, abrem-se os portões do quartel do Carmo e iniciam-se os preparativos para o transporte até à Pontinha do chefe do Governo e dos ministros, que abandonam o local num Chaimite de nome Bula.


19:30
Salgueiro Maia levanta o cerco ao Largo do Carmo e conduz Marcelo Caetano e os ministros ao Posto de Comando, na Chaimite Bula, literalmente envolvida por uma enorme multidão que grita "Vitória! Vitória! Vitória!". A população manifesta-se nas ruas de Lisboa, durante o percurso da “Bula” até ao Posto de Comando e, cerca de 20 minutos depois é emitido novo comunicado do MFA.
Aceite a rendição de Marcelo Caetano, iniciam-se os preparativos para o transporte do chefe do Governo e respectivos ministros. Um coro gigantesco de assobios e palavras de ordem acompanham a saída da coluna de passageiros.
Capa do jornal República do dia 25 de Abril de 1974
Comunicado do MFA do dia 25 de Abril de 1974 às 19:50h
Reportagem sobre a saída do Professor Marcelo Caetano do Quartel do Carmo e entrega do poder ao General Spínola


20:00
Transmissão da Proclamação do MFA através do RCP.
Proclamação do MFA, distribuído à Imprensa no dia 25 de Abril de 1974
Reportagem sobre a Proclamção do MFA


21:00
A Chaimite Bula chega ao Posto de Comando com Marcelo Caetano e os dois ministros, que ali ficam detidos até ao dia seguinte.
Elementos da PIDE/DGS disparam sobre a população que cerca a sua sede, causando 4 mortos e 45 feridos. Forças da Marinha juntam-se ao MFA, alcançando a rendição da PIDE/DGS.
Comunicado do MFA do dia 25 de Abril de 1974 às 21:00h
Forças de cavalaria, de infantaria e da marinha ocupam as entradas da rua António Maria Cardoso, onde se situa a sede da PIDE/DGS.


22:00
Forças de paraquedistas chegam à prisão de Caxias, onde a PIDE/DGS ainda resiste. É transmitido novo comunicado do MFA.
Comunicado do MFA do dia 25 de Abril de 1974 às 22:00h


23:30
São promulgadas a destituição dos dirigentes fascistas (através da Lei 1/74) e a extinção da PIDE/DGS, da Legião Portuguesa e da Mocidade Portuguesa.
Destituição dos Dirigentes Fascistas (Lei 1/74 de 25 de Abril)
Extinção da Direcção-Geral de Segurança, da Legião Portuguesa e da Mocidade Portuguesa (Dec.-Lei 171/74 de 25 de Abril)"


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Pouco depois da Revolução de Abril, comecei a correr, quando o associativismo comunitário proliferava e se faziam coisas! Correr, proporcionar a corrida para todos, foi uma dessas coisas. Da qual beneficiei desde os seus primeiros tempos. Livre!



25 de Abril de 2010 - 36 anos depois da Revolução dos cravos


Um exemplo:

Somos livres... De pensar, de dizer, de ser... - dizem. É verdade. Somos livres...

Livres de dizer que o Estado nos rouba. Quando nos obriga a descontar mensalmente para a Segurança Social uma boa fatia dos nossos rendimentos, para depois quando necessitamos de cuidados de saúde, esperarmos quatro meses (quando não é mais) por uma consulta de saúde mental, sermos medicados com uma droga qualquer, à experiência, e mandarem-nos depressa dali para fora para lá voltarmos dali a outros quatro meses. E quando aviamos os medicamentos a comparticipação do estado vai de mínima a nula. Claro que a consulta custa "apenas" EUR 4,90, mas e o serviço? Vale menos que isso, garanto-vos! Corresponderá este apoio social de saúde ao que eu desconto mensalmente? A resposta não deixa espaço para dúvidas. A resposta é NÃO!

Livres... de dizer o que sentimos... De agirmos? Isso já é outra conversa...

25 de Abril SEMPRE, mas ainda há muito a fazer para nos podermos considerar livres.



O meu dia 25 de Abril de 2010

Não corri, não andei em manifestações, nem me exaltei com ninguém defendendo uma revolução com armas e de peito cheio, nem nada disso.

Olhei para o ponteiro do gasóleo do carro, e "livremente" não saí com ele. Está a entrar na reserva e ainda faltam uns dias para o fim do mês.

Não comprei pão nem fiambre. "Livremente" aguento-me assim até final do mês, com os restos que ainda há na despensa e no frigorífico, altura em que priveligiadamente receberei uma remuneração por um mês de trabalho, 40 horas por semana. "Livremente" tenho um trabalho remunerado, que me permite subsistir, e sinto-me completamente felizarda por isso. Uma sortuda da sociedade portuguesa!

Livremente não faço exercício físico hoje e livremente decido que o meu peso NÃO VAI SUBIR MAIS!


Esclarecimento: JAMAIS ponho em causa a importância do 25 Abril, do qual sou defensora a raiar o inflamado, Fascismo NUNCA MAIS! Não deixando no entanto de sentir um grande desalento e falta de esperança no regime actual, nos moldes em que temos vindo a ser governados... e questiono-me muitas vezes de que nos serve na prática a conquistada e hipotética Liberdade...

6 comentários:

horticasa disse...

Muito bem!
Viva o 25 de Abril sempre e que bom texto que ensina o que muitos não sabem e muitos mais não querem saber.É triste ver que tanta gente não sabe dar valor a esta data.
Também te sobra mês no fim do ordenado?
Pois é! mas pelo menos somos livres de reclamar, a minha mãe quando eramos pequenos não comia e tinha que andar calada.
Até à manhã beijo
eugenia

António Almeida disse...

Olá Ana
excelente post, gostei também do modo como terminas...
Quanto à "Tourada" acho delicioso como o Ary "fintou" a censura e marcou golo na europa...também ai se começou a ver que o regime iria cair mais cedo ou mais tarde.
Adoro a canção, adoro "Ary"...
Obrigado pelo telefonema de ontem.
Grande abraço.

Fernando Andrade. disse...

Abril, assim, minuto a minuto, revive-se muito mais intensamente.
Gosto de recordar esse tempo de esperança, que infelismente, como a gaivota, voou.
Vamo-nos contentando com a "liberdade" possível.
Obrigado, Ana, por este momento.
Beijinho
FA

Zen disse...

Querida Ana

Os anseios de liberdade colectiva do 25 de Abril submergiram ante as tentações individualistas da organização social liberal a partir dos anos 80 ( mudou a economia, o trabalho e claro as pessoas -quem não se lembra de Tatcher, Reegan e aqui de Cavaco?)). Estamos hoje talvez mais ricos de materialidade e quiçá por oposição grosseira mais "livres" de participar em sociedade do que no tempo fascista, contudo mais pobres de sentido colectivo e cívico.

És da minha geração, viveste tal como eu uma alegria que agora para mim sobra sobre a forma de nostálgia que me aperta a garganta e embarga a voz cada vez que celebramos o dia da liberdade.
Vêm-me à memória, uma noite de serviço na terrível "solidão" que é um banco de urgências de um grande hospital de Lisboa, e um "galego" talvez fugido com a família da perseguição franquista que ali se tratava dizendo perante a falta de condições e desorganização do serviço mas generalizando... " pobre portugal, pobre portugal que nunca se cumpriu".

Sem ideologias bafientas, preconceitos ideológicos e/ou cores políticas, eu direi até morrer: 25 de ABRIL SEMPRE!!!

Beijinhos.

PS - Obrigado pela msg no Trilhos"

José Xavier disse...

Ana;

25 de Abril Sempre!...
Infelizmente, que o espírito tem-se esvaziando, até o PR não gosta de cravo na lapela.....esse que deveria de ter a moralidade do exemplo...mas lamentávelmente o espírito é outro.

Gostei deste post.....bom trabalho de pesquisa.

Um abraço
dos Xavier's

Marília Gonçalves disse...

25 de Abril Sempre



Espasmo interior

ou revolta fulminante

qual o nome para a dor

vinda do meu tempo infante?

algozes vis destruíram

em feroz atrocidade

os sorrisos que fugiram

ao futuro da verdade.

Antecedendo o dia luminoso

eles mataram, feriram sem remorso

da tortura fazendo intimo gozo

curvando ao povo as almas e o dorso.

Mas a alma do povo é resistente!

De humilhações de feridas de peçonha

que lhes fechavam as portas do presente

em crueldade bárbara, medonha:

Ânimo erguido! Na luta, na arena

na solidão feroz de cada cela

desprezando o sarcasmo da hiena

caindo em bando sobre uma gazela

o povo foi erguendo em cada não

a história portuguesa do futuro:

fez luz nascer da escuridão!

Um jardim nascia no monturo.


Marília Gonçalves