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quinta-feira, 27 de março de 2008

Trilhos de Mogadouro - Viabilidade e Ponderação

Pegou no mapa, abri-o estendendo-o na vertical encostado à parede. Levantou o braço esquerdo e segurou-o ao alto, alisando-o contra a parede, passando a mão direita sobre ele.

Num instante correu do Norte ao Sul, levantando voo na zona do Alentejo.

Olhou o ponto onde ela se encontrava e o ponto que lhe sussurrava ao ouvido “Mogadouro”.

Dali, desde este lado de onde o Tejo se faz ao mar até à sonhada (literalmente sonhada esta noite) localidade denominada de Mogadouro, uma linha vermelha se estendia, atravessando terreno, passando montes e vales, encaminhando para cima, para a montanha.

“Desculpa lá a frontalidade, mas digo-te já, não vás, eu acho que não deves de ir… Já viste? Gasolina, portagens, dormida e comida, gastas uma pipa de massa e é muito cansativo”

“Pois… se eu fosse uma rapariga sensata e desse ouvidos apenas à parte racional da questão, não ia não, podes crer! Nem pensava nisso!”
– responde ela.

Recordou-se da conversa desta manhã, mas ela sabe que não prima pela sensatez, e sabe também que agir apenas tendo em conta a racionabilidade não é vida que ambicione ou deseje. Se assim fosse, ai… quanta emoção deixada por viver, quanta corrida por correr, quanta alegria por viver, quantos sorrisos por dar, quanta felicidade por sentir. E depois, quem falou em dormida e em comida?

Olha o mapa, percorre de novo a linha vermelha que liga os dois pontos, e pensa para consigo:

- Bolas… ainda é um grande esticão…

quarta-feira, 26 de março de 2008

Antes que a noite caia

Antes da noite cair temos o dia. Para passear, trabalhar, rir ou chorar, brincar e ser feliz (ou infeliz). Hoje passei uma boa parte dele no Parque da Paz - Almada.

O nome "Parque da Paz" traz-me à memória um qualquer cemitério, talvez por achar tão difícil ter paz em vida, e acreditar na morte como leito onde por fim se descansa "em paz".

O Parque da Paz dá-me paz sim quando corro nele sozinha. Mas acho que isso me acontece em inúmeros cenários de treino, pelo que julgo que a paz me é trazida pela corrida e não propriamente pelo lugar.

O Parque da Paz dá-me alegria quando corro nele brincando com a minha filha. Quando jogo à bola e pontapeio, e caio e rebolo. E rio!

Cenário sereno sim, com o ruído da cidade, a encher-se de gente outra vez ao final do dia, gente que regressa da capital para dormir uma noite a correr. Infernal zumbido do trânsito ao longe, mas não suficientemente longe. Luzes que se acendem ao longe e aqui ao meu lado passa um ou outro sujeito a correr. Olho-o de relance, lembrando-me que eu não tenho corrido.

O facto de não ter podido ir a Constância e de começar a ver os Trilhos do Mogadouro e dezenas de outras provas a centenas de quilómetros de distância, que gostaria de ir, por um canudo, está-me a dar cabo dos nervos. Claro que há sempre umas provazinhas aqui à porta de casa, e tenho por exemplo já no próximo domingo corrida a contar para o Troféu de Oeiras - Joaninhas de Leião aqui bem perto de casa - mas não são àquelas a que eu queria ir...

Esta mania do tudo ou nada… Nestes últimos dias, corrida e exercício físico têm sido nada...

Dou por mim em constante adaptação e aprendizagem. E prevejo que seja assim até morrer. Serei eu uma eterna desadaptada e insatisfeita sonhadora?

terça-feira, 25 de março de 2008

Noite

Noite. Avança em mim e instala-se como virús num computador. Silenciosa e negra cai sobre mim. E o sono não vem, ou vem, mas eu não posso adormecer.

Noite. Boa ou má conselheira. Já não sei. As palavras confundem-se e atropelam-se. Saem trocadas e baralham-se e baralham-me.

Os risos do dia apagam-se, guardados seguros para se soltarem amanhã. Agora não. É noite aqui e eu não durmo. Aguardo. Pela manhã, e pelo sorriso dela. E olhar. E riso. E brilho. E sonhos e vida e alegria. Interesse e vivacidade. Dela.

Noite. Noite em mim agora. Noite. É noite aqui. Sem dormir, mais logo despertarei para retomar a vida. Agora, mesmo sem dormir, deixai-me fingir que a noite é descansada.


segunda-feira, 24 de março de 2008

(In)Certezas


Terão reparado os mais atentos que estava no meu programa a minha participação no Grande Prémio de Páscoa, em Constância, no passado sábado 22 de Março e que após a realização deste, não me manifestei sobre tal evento, o que não é habitual em mim.

Indiferente ou desatenta a maioria, lá um(a) ou outro(a) me abordou “Atão e Constância?”

Para esses, para os outros e para mim, aqui deixo estas palavras:

Constância ficou por correr. Não que a prova não decorresse, não chega a tanto a minha pretensão, eu é que fui “obrigada” a não ir. Como provavelmente serei obrigada a faltar aos Trilhos do Mogadouro. Não que a prova perca grande coisa sem a minha graciosa presença, quem perde sou eu, mas é pena. Por mim e pela prova. Seria só mais uma. A marcar presença. Que importância tem?

Isto…para o caso de não ir mesmo, que ainda não é certo, como tudo nesta vida.

Certo, certo, só mesmo a morte. A vida corre sobre e sob uma incerteza constante. Mesmo a dos que a julgam ter por certa. Ou talvez principalmente a desses… pois os outros, os que sabem viver na incerteza, pelo menos já não serão surpreendidos pelas certezas que deixam de o ser de um segundo para outro.

Mas não é precisamente esta certa incerteza que embeleza a vida e lhe dá fascínio? Não é ela que nos livra de uma prevista e por isso monótona e enfadonha vida? Acho que sim, mas às vezes … bem que a dispensava.

Até amanhã, com certeza (?)

domingo, 23 de março de 2008

Fluviário de Mora

Porque as férias estão aí, e estamos nós mesmo dentro delas, fomos na passada 6ªfeira ao Fluviário de Mora

Uma visita que nos permite seguir o percurso de um rio, da nascente à foz, mostrando-nos várias espécies onde muito dificilmente noutro local se deixariam ver. Algumas estão até já extintas dos nossos rios...

Pena que as lontras pouco se tenham deixado ver...

Se valeu a pena? Claro que valeu a pena. Deixo aqui a sugestão para graúdos e miúdos.

sábado, 22 de março de 2008

domingo, 16 de março de 2008

18ª Meia Maratona de Lisboa



Não, não fui correr esta prova. Então ia eu lá agora participar numa prova e não avisava os meus “amigos” leitores com antecedência? Nem pensar!
Em 1996, depois de ter corrido “oficialmente” apenas quando criança, e de muitos treinos isolados apenas para manter a forma (ou evitar que esta se tornasse completamente redonda), foi 1996 o ano em que descobri as provas abertas a todos.
Precisamente numa Mini inserida na Meia de Lisboa, aliciada pela oportunidade de passar o tabuleiro da Ponte 25 de Abril a pé. Fiquei de tal forma agradada que me apaixonei ao ponto de nunca mais ter parado! Com uma gravidez feliz pelo meio (corri a mesma Mini em 1997 grávida de 6 meses – Corri, pois teimo em opinar que as Corridas são para correr salvo lesão ou dificuldade física ou psíquica que nos surpreenda durante a mesma, e que as Caminhadas são para Caminhar. Uma simples opinião, tão simples como o significado das palavras neste caso, mas que muitos organizadores gostam propositadamente de baralhar para ver assim monstruosamente aumentado o número de atletas (???) na sua Corrida. Opiniões…
E se deslumbrada fiquei na estreia, se adorei correr grávida no ano seguinte, já não gostei muito quando fui acompanhar o meu pai, e menos ainda nas Meias que lá fiz em anos que se seguiram.
Uma fingida separação das partidas da Meia e da Mini, tornam a prova demasiado confusa, e se o atleta que quer correr não tomar posição na partida demasiado tempo antes desta se dar, arrefecendo músculos, arrisca-se a ter de parar porque caminheiros estão a fotografar as vistas ou a si próprios, completamente parados em pleno percurso, ou porque o triciclo do bebé se engatou na grelha e o papá está a tentar soltá-lo, ou ainda porque o jovem arrojado vem a furar para ganhar posições e se espalha ao comprido a seus pés. São estes os 30.000 “atletas” que estiveram hoje na Ponte, e para o ano estarão 35.000 se entretanto a Ponte não cair, pois segundo se ouve o tabuleiro precisa de ser substituído mas como nem todos são da mesma opinião…
E por isto e nada mais, eu deixei de fazer tal prova. Paga-se e deve-se ter o retorno. E para mim Correr é fundamental! Não há medalha ou camisola que valha o dinheiro se somos impedidos de fazer aquilo para o que nos inscrevemos: Correr!
Para mim esta questão é clara como água, e por isso não faço contas de voltar a participar.
Entretanto, hoje, estive lá. Como parte integrante de uma equipa que se propôs a fazer uma reportagem fotográfica. E fez! Foi uma experiência diferente, que adorei. Estive 3 horas a fotografar. Adorei! Fotos já disponíveis no site da AMMA – Atletismo Magazine Modalidades Amadoras.

Entretanto, há o resto de domingo para passar, e ele passou, e não, com ida ao Centro Comercial e ao cinema, entre pipocas e a escolha de novo membro adoptivo para a família (peixinho) não houve tempo para treinos nem meio treinos! E amanhã é já 2ª feira. E se a petiza não tem escola, eu tenho trabalho (felizmente!)
Até amanhã

sábado, 15 de março de 2008

Risco de Duatlo? ou Sábado de Sol

1 hora de Corrida num parque só para mim +
56 minutos de Natação numa piscina só para mim "De promessas de ontem e de boas intenções está o Inferno cheio. Dizem. Mais ainda a Terra, digo eu. "

Parece-me que já escrevi esta frase há poucos dias. Às vezes é bom, relermos o que escrevemos e até voltarmos a escrever para que a memória não seja curta. Principalmente a nossa!

Por isso hoje, de novo cumpri:

1 hora de corrida em terreno, digamos que… com algum desnível, que eu procurava descaradamente até voltar a sentir a dor que me pareceu na Corrida das Lezírias: músculo da parte da trás da coxa direita: da curva do joelho à nádega, e que pensava que já tinha passado… Passou nada, mas também não há-de ser nada! Volta-se ao anti-inflamatório e siga a dança! O que vale é que só se manifestou por volta dos 50 minutos.

Depois, tendo por intervalo uma curta deslocação, um duche rápido e uma ensaboadela das zonas críticas (mais mal cheirosas) e ainda uns bons golos de água e de uma bebida isotónica, mergulho no azul e faço 56 minutos de natação. Todos os estilos, excepto mariposa que não é para todos, e para mim não é, e ainda alguns exercícios mais específicos com prancha e outros acessórios, de forma a obrigar, ora só as pernas, ora só os braços a trabalharem mais, não esquecendo tudo o resto, que a Natação é dos desportos mais completos que existem (digo eu) ainda com a vantagem do nosso peso (imenso) ser totalmente suportado pela água. Tenho a piscina praticamente toda para mim, mas quem se lembra de ir nadar depois da tradicional hora de almoço? Claro que o meu almoço foi perto das 4 da tarde, mas que importa? O que importa sim, não é obedecer ao relógio que a sociedade criou com horário para as pessoas se alimentarem. Desde que se coma as vezes necessárias, sem estar demasiado tempo sem comer, não tenho de todo, hora de almoço ou de jantar, e muito menos de treinar!

Hoje foi um sábado de Sol, com muito Sol! Daqui a nada ainda me meto no Duatlo. Não fosse “aquilo” tão competitivo (digo eu, pelo menos é a ideia que tenho, não é como as nossas corridas em que mais um coxo para engrossar o pelotão é sempre bem-vindo!) e ainda pensaria nisso. Sempre é mais simples que o Triatlo que envolve e exige outro arcaboiço quer de treinos, quer de carteira, quer de logística.

Até amanhã (agora é assim, todos os dias até ao Mogadouro...isto se não mudar de ideias)

sexta-feira, 14 de março de 2008

Férias de Páscoa

Não sendo eu propriamente estudante, mas antes eterna aprendiz, trazem-me no entanto as férias escolares um doce sabor, tão só por ser mãe de uma petiza de 10 anos e o período de férias trazer sempre com ele uma significativa e positiva alteração na rotina, sobrando mais tempo para ela e mais tempo para mim, o que se traduz em mais e principalmente melhor “tempo” para ambas.

Assim, como o coelho, de cesto cheio de amêndoas e ovos de Páscoa num braço, e ainda flores primaveris no outro, doces e cores que prometem adoçar a vida, entro eu também no grupo que embarca hoje nas Férias de Páscoa. Duas semanas em que se espera fazer algumas coisas saborosas há algum tempo sonhadas e prometidas, e que se não forem fantásticas, serão garantidamente bem diferentes dos restantes dias do ano, eternas prisioneiras e fugitivas da rotina, sempre capturadas também.

Entretanto, não esqueço que tenho o Grande Prémio de Páscoa em Constância, prova de 10 km fáceis no sábado de Páscoa, dia 22, e para terminar este período diferente tenho os Trilhos do Mogadouro logo no sábado seguinte, dia 29 de Março, já em jeito de despedida para logo retomar a rotina. E é bom que assim seja. Mas antes disso, temos estas duas semanas para passar. Nossas.

Nota: se fiz alguma coisa hoje? Corrida? Ginástica? Bicicleta? Natação? Não, não fiz qualquer espécie de exercício físico a que se possa chamar “Exercício Físico”. Mas a Montanha não se compadece, e sei que se quero chegar ao Mogadouro e usufruir de tudo aquilo, tenho de me mexer. E muito! Faltam apenas duas semanas para os Trilhos de Mogadouro. Preparação física e tudo o mais que me apetecer, aqui será apresentado em forma de palavras e de imagens, e assim verão como se conquista a Montanha em duas semanas (conquista?!)

Até amanhã

quinta-feira, 13 de março de 2008

Hoje

Hoje é hoje. De promessas de ontem e de boas intenções está o Inferno cheio. Dizem. Mais ainda a Terra, digo eu.

Pois se ontem prometi, hoje cumpri. Não, não corri nem fiz ginástica. Hoje, nada! Nada ela, substituindo o rosa pelo azul e mergulha na piscina onde nada (nada mesmo!) 55 minutos. Bom! Muito bom!



Tão bom que agora lhe doem todos os músculos que envolvem os ombros, estendendo-se pelos peitorais. É o que faz estar tanto tempo sem nadar. Ameaça de lesão? Não! Nada disso! São mesmo daquelas dores musculares saudáveis depois de um exercício físico que trabalhou músculos habituados ao descansado descanso. Isso acabou-se meus amigos! Não se vão ficar a rir das pernas, que coitadas são sempre elas as solicitadas, domingo após domingo… e hoje apesar de não fugir muito à regra, mas pelo menos, mais uns músculos tiveram de arcar com o trabalho árduo (até porque eu sou um bocado preguiçosa para bater pernas, e acabo sempre por trabalhar mais braços e tronco). Considero uma compensação das corridas. Ali, na água, as pernas pouco mais fazem que ser massajadas pela própria água.

Até amanhã

Ainda para ilustrar as minhas Lezírias 2008...


quarta-feira, 12 de março de 2008

Eu sou assim

Sou assim. Não esperem muito de mim.

Trapo rasgado e ruçado pelo uso e pelo tempo. Tempo feliz ou infeliz, é indiferente. A gente usa-se, envelhece, amadurece, cresce, cansa também às vezes e pára. Para mais logo recomeçar.

Eu sou assim, não esperem muito de mim.

Prometo que amanhã como com moderação e equilíbrio. Prometo que amanhã exercito o corpo parado e dorido desde domingo. Prometo que amanhã … Prometo… Prometo…

Eu sou assim, não esperem muito de mim...

Tenho o Mogadouro e a Montanha à minha espera dia 29 de Março, onde fui feliz em 2004 e pela última vez em 2005, para logo dias depois saber que afinal só pensava que era feliz quando achava que o era mas não era, pondo em questão a realidade da nossa realidade, ou a sua relativa importância se simplesmente nos sentimos felizes, porque ignoramos outra realidade que é (afinal) também a nossa mas que não vemos ou não queremos ver. Mas que raio! Alguém é feliz assim? Eu não. Eu sou assim. E não esperem muito de mim.


Trilhos de Mogadouro, Fevereiro de 2005

domingo, 9 de março de 2008

Corrida das Lezírias 2008

Sob um sol que acordou tímido mas que acabou por se afirmar acompanhado de um vento forte, mais uma vez se realizou esta que é uma prova única em Vila Franca de Xira.

Organizada pelo Pelouro de Desporto do Município de Vila Franca de Xira com o apoio técnico da Xistarca, esta prova ofereceu um percurso de 15 Km extremamente agradável e de baixa dificuldade, entre a cidade de Vila Franca de Xira e os caminhos de terra das lezírias ribatejanas, inseridos na Reserva Natural do Estuário do Tejo, aos 1301 atletas chegados na prova principal, e ainda uma Caminhada e provas para os mais jovens no recinto do Pavilhão do Cevadeiro, local aprazível, seguro e bem animado.

Prova decorrida em terra de touros e toureiros não faltou o campino ribatejano montado a cavalo e bem representado em vários pontos do percurso.Inscrições, levantamento de dorsais e partida regulares. Abastecimentos suficientes, percurso bem sinalizado, com os quilómetros marcados, seguro e com ponto de controlo. Animação antes e depois da prova, com uma meta viva e digna. Massagens e duches disponibilizados. Prémios de presença constituídos por pequeno medalhão, t-shirt, bolo, água, bebida isotónica e saco.

Uma prova bonita, bem organizada e que se quer repetir depois de experimentar. Simplesmente isto. Recomenda-se!

















Fotos de autoria de meu pai Antonio Melro, e de Carlos Viana Rodrigues e José Gaspar da AMMA



Resultados em:

http://www.revistaatletismo.com/Lezirias_07.htm


Fotos no meu Álbum, em:

http://picasaweb.google.pt/anamariasemfrionemcasa

E também em:

http://www.ammamagazine.com/

http://www.fotodesporto.com/home.php



Agora … Eu, as Lezírias e os Cavalos

Não me canso. Não me canso de correr como os cavalos cinzentos, brancos, pretos, castanhos e malhados das Lezírias ribatejanas.

Dou pinotes, abano a cabeça soltando a crina que esvoaça pelo ar e corro. E mudo de direcção sempre que se me aprouver. E se me apetecer ou se for preciso relincho. Cavalo à solta na vida. Sem freio ou arreios, rédeas, ou selas. Corro. Jamais montada de carrasco que me faz capacho.

É isto a Corrida das Lezírias. É pisar a terra e saltar as ervas. É viajar no Tejo e correr para o mar. É ser livre. É ser um cavalo. E eu hoje fui! E corri ao lado dos cavalos e do Tejo cinzento corrido pelo vento. Como eu.

Feliz por encontrar o João, o António, a Maggy, o Ginja, o Henrique, a
Lénia, o António Bento, o António Almeida com a pequena Vitória, a Rosa Alexandra, e outros, tantos outros que me perdoem por não os mencionar ou por os não saber mencionar sequer, mas que me sorriem e num sorriso e num olhar e numa única palavra ou aceno ao longe, nos dão alento. Senti a falta de outros que deviam de estar ali … Paula?

Como de costume parti do fim. Devagar mas nunca querendo perder o grupo dos amigos que fiz no Clube do Sargento da Armada. Mesmo uns fugindo para a frente e a Maggy ter ficado ligeiramente para trás já perto do fim, foram lebres até ao fim.

Resumindo, fui sempre “a puxar”, a ser “puxada” ou seja, em esforço para a minha condição. Ainda assim não tive quebras e terminei os 15 Km com 1h18m54s. Diria que foram quilómetros regulares, e cheguei bem.

Estou contente. Fui 893ª classificada em 1301 atletas chegados à meta.


sábado, 8 de março de 2008

A Gordura Hidrogenada, o peso e as corridas para Março

Querido diário

Esta semana não me cuidei como mereço. Não me lembro de ter tomado uma refeição decente, com excepção dos pequenos-almoços. Ao longo do dia distribuo porcarias pelas horas, enganando o estômago, que acabam por me dar calorias a mais e nutrientes a menos, sem dúvida alguma. Nada de mais errado…

Alguém duvida que um bom prato de brócolos cozidos com peixe e uma pequena batata, temperado com azeite, é nutritivamente bem mais rico e bem menos calórico que um copo de leite e pão com margarina (mesmo que seja da dita magra, como se tal coisa se conseguisse alguma vez ter inventado), ou meia dúzia de bolachas a que chamam dietéticas e integrais e naturais e outras coisas que tais, embora carregadas da tal gordura vegetal, na grande maior parte das vezes hidrogenada e sobre a qual se julga não fazer mal por ser de origem vegetal? Puro engano! As únicas gorduras vegetais são os óleos e para os tornar sólidos, através de processos industriais, estes são submetidos a altíssimas temperaturas e pressões em câmaras com hidrogénio, transformando-os numa massa preta que deixa tudo crocante porque solidifica nos alimentos após a fritura, formando uma casquinha. Isso acontece também nos vasos sanguíneos, que ficam impedidos de dilatar quando por exemplo durante a prática de exercícios físicos é fundamental que aconteça. São as gorduras hidrogenadas, sem dúvida alguma, um forte contributo para a ocorrência de paragens cardíacas durante a prática desportiva ou outra actividade em que o coração seja mais solicitado. Durante a actividade física, o fluxo sanguíneo aumenta, mas se o vaso não dilata para a passagem do sangue, que poderá acontecer? Tão só um enfarte.

Alarmista? Não, antes… realista.

E onde está essa gordura hidrogenada? Escondida em toda (ou quase) a espécie de bolacha, biscoito, pão de massa doce, massa folhada, gelados, leite com chocolate empacotado, tostas, batatas fritas de pacote, e tantos, tantos outros alimentos pré cozinhados. É só dar uma olhadela na lista de ingredientes e lá está ela: Gordura vegetal hidrogenada, que afinal pouca diferença tem com a gordura animal saturada encontrada numa fatia de toucinho ou de bacon. É bom saber.

E as bolachinhas integrais, de água e sal e etc e tal, têm de ser ingeridas com moderação, bastante moderação, ao contrário do que é ideia geral: lá por a embalagem anunciar: saudável, de dieta, não quer dizer que possa ser consumido em total inconsciência por se achar que não faz mal.

Fica o alerta para os/as tão ou mais malucos que eu nesta coisa da alimentação. Mas também pode servir para os outros, os “normais” que acham que sempre comeram e beberam de tudo, e a eles nada de mal acontece. Sortudos, é o que são.

Pois o resultado das bolachinhas ditas “indicadas para quem quer manter a linha” está hoje na balança. Pois… verdade seja dita não comi só uma, o que certamente contribuiu para o desastroso resultado. A chave está na moderação, mas eu esta semana, não fui moderada, não!

E exercício? Moderei-me tanto que apenas fiz ginástica na 2ª feira, o resto dos dias consumiram-se e consumiram-me. E hoje é sábado. Faço essa figura na balança:

Mas resta-me programar o futuro próximo: Ter mais juízo. Na comida e no exercício, a começar já hoje, e com certeza amanhã na Corrida das Lezírias (15 Km em plenas lezírias ribatejanas), com direito a campinos e cavalos - dispensemos os touros:e depois Constância dia 22 Março, no sábado de Páscoa, 10 Km em Vila Poema, onde o Zézere se deita no Tejo, desaguando nele:


e por último (grande objectivo por agora), de novo a Montanha, a 29 de Março nos Trilhos de Mogadouro – Amendoeiras em flor, 13,5 Km no meio das amendoeiras em flor, com sorte com neve à mistura:

segunda-feira, 3 de março de 2008

XXVI edição Manteigas - Penhas Douradas

Gostaria de ver “A Montanha” mais bem tratada…

Com a 26ª edição dos 12 km Manteigas – Penhas Douradas realizada ontem dia 2 de Março de 2008, “só” se deu início ao Circuito Nacional de Montanha Salomon 2008.

Hoje, mais de 24 horas depois, as informações sobre este acontecimento são inexistentes, ou tão difíceis de encontrar que eu… não as encontro.

Certamente (?) daqui a uns dias, se encontrem classificações e a “notícia oficial” no site da Federação Portuguesa de Montanhismo e Escalada, ou no Terras de Aventura, ou ainda no da Câmara de Manteigas, entidades organizadoras, ou ainda nalgum jornal local. Mas hoje não. Afinal foi só o início do Circuito Nacional de Montanha Salomon 2008.

Eu estive lá. Não sou nem tenho aspirações a jornalista, cronista ou repórter. Sou apenas uma Amante. Da Corrida e da Montanha.

A corrida

Levar a cabo uma corrida pela 26ª vez não deve ser nada fácil. Mas a Câmara Municipal de Manteigas, em colaboração com a Federação Portuguesa de Montanhismo e Escalada fê-lo. E fê-lo muito bem!

Uma prova integrada no Circuito Nacional de Montanha Salomon 2008 e no XXVII Troféu Spiridon, proporcionando também uma Caminhada, prova de BTT e Cicloturismo.

A prova partiu de Manteigas, nos Paços do Concelho, a 770 m de altitude, e depois de uma volta inicial pelas principais artérias da cidade, encaminhou os atletas para uma constante subida em estrada florestal asfaltada e um pequeno troço em terra batida, com uma inclinação média a oscilar entre os 7% e os 10%. O percurso passa pela Capela de São Sebastião e pelo Observatório Meteorológico das Penhas Douradas, e a prova termina, a 1530m de altitude, no Largo do Vale Formoso – Penhas Douradas, em pleno coração da Serra da Estrela. (Informação retirada de O Norte Deportivo on-line)

Uma inédita e excelente iniciativa foi a criação do “Prémio Estrela Limpa” que incentivou os caminheiros a recolher a maior quantidade de lixo da serra (garrafas de plástico, papéis, etc.) enchendo sacos fornecidos pela organização.

Inscrições, levantamento de dorsais, e partida com controlo dado a cada atleta, feitos de forma satisfatória e regular.

Três postos de abastecimento, e uma meta que soube receber o atleta chegado com simpatia e cuidado (apesar do excesso de “tráfego” de atletas e caminheiros que já tinham acabado a sua prova e se passeavam poucos metros à frente do funil da meta), e pequenos detalhes dos quais destaco o chá quente e a laranja.

Os prémios de presença foram a tradicional T-shirt e um medalhão colado a um pedaço de madeira, recordando-nos a Natureza e todo o cenário deslumbrante onde esta prova decorre: o coração da Serra da Estrela.

No final, foram também disponibilizados autocarros para o transporte dos atletas de regresso a Manteigas, assim como balneários.

Prémios monetários para os primeiros. Uma, que se espera boa, reportagem fotográfica levada a cabo pelo Monte da Lua, e cerimónia de entrega de prémios a que não assisti pelo que forçosamente me tenho de abster.

Por tudo isto, está de parabéns a organização. Foi a primeira vez que lá fui e não deverá ser a última.

Ana Pereira



Agora... "a Maria na corrida" ou "Eu e a Montanha":

Saí de casa às cinco da manhã. Com o meu pai e o meu amigo Fernando. A noite e o intenso nevoeiro não facilitaram a viagem que teve paragem em Castelo Branco para uma solta de pombos (o meu pai já foi columbófilo e como as corridas, há coisas que nos correm no sangue e nunca nos abandonam).

Seguindo as indicações dadas pela organização, chegamos a Manteigas passava pouco das 8:30.

O inevitável e sempre agradável reencontro com amigos e conhecidos, café e mais café, arranjar boleia para o pai (estas provas com partida num sítio e chegada noutro dão-nos sempre mais trabalho), e depressa estou eu alinhada na partida. Nem acredito. Eu nos 12 km Manteigas – Penhas Douradas! Uma estreia na 26ª edição!

O dia está primaveril, e é como se Manteigas nos abrisse os braços num afago morno. A Serra e nós. Olhamo-nos. Respeito-a. Não a temo. Amo-a. Quero-a. E sei que ela me aceita e me chama. Por isso estou ali. Ao encontro dela. Ao meu encontro.

Sem muito tempo, a partida é dada. E já desfilam pelas ruas empedradas os coloridos diversos dos atletas, como auréolas que transportam e levam pela cidade dentro, para depois se embrenharem na serra, começando a subida, diluindo-se nela.

Vou calma, devagar (como poderia ir de outra forma??) e sinto-me muito bem. Confiante nela. Confiante em mim. Inicia-se a subida. Por uma estrada florestal asfaltada. Depressa me isolo. Quase todos vão bem mais à minha frente. Muito poucos vão atrás de mim. Vou comigo! Nela. Com ela. Ouço-me. Água cristalina a cair em cascata invade-me os sentidos. Pássaros. A respiração. Eu. Ela.

Queria chegar aqui e dizer que fiz a prova toda a correr, mas não consegui. Passei aos 6 Km com 46 minutos. Aqui o tempo não importa. Continuei a correr. Com palmas agora dos poucos que eram público. Corri até aos 51 minutos. Entramos num caminho de terra. A inclinação acentuou-se e as minhas coxas não podiam mais e custava-me a respirar. Caminhei. Corri, caminhei. Passei alguns atletas e um que caminhava diz-me: “para que me meti nisto?!” Respondo-lhe que quando chegar lá acima terá a resposta. Eu já a tinha. Ali. Comigo. Em todos os instantes.

E entre correr e caminhar, ora passo, ora sou passada por outros que iam como eu. Sou apanhada por um companheiro que vendo-me caminhar me anima dizendo que dali a nada se volta ao asfalto e a inclinação diminuirá bastante. “Depois é mais fácil.”. Acreditei. Tinha lido algures que os últimos 2 ou 3 kms não eram tão acentuados como os restantes, com excepção do 1º ainda na cidade. Mas fi-lo confirmar que não me estava a mentir, e ele confirma, que já tinha feito a prova muitas vezes, que há 3 ou 4 anos aquele caminho de terra estava enlameado com neve, e que a estrada que iríamos pisar estava totalmente coberta de gelo escorregadio.

Chegamos à estrada e sim, agora era mais fácil. Não o largo, ele não me larga. Continua-se a subir. Mas é mais fácil, bem mais fácil. Quase fácil…

É praticamente Verão. Sinto muito calor. As Penhas Douradas brindaram-me com Sol e a neve era quase miragem lá muito longe.

Atletas que já acabaram a prova incentivam-nos dizendo que falta pouco. E falta. Agora é verdade. Falta pouco. E vou bem. Bastante bem. Avisto o meu amigo Fernando já de saco na mão e logo a seguir o meu pai de máquina em punho. Cheguei.

Já fiz os 12 Km Manteigas – Penhas Douradas! Marca o cronómetro 1h28m31s.

Mas na Montanha não há “tempo”. O tempo somos nós.

E que arranjei com tudo isto? Vontade de ir no fim do mês aos Trilhos de Mogadouro – Amendoeiras em Flor, só isso…

Maria Sem Frio Nem Casa






domingo, 2 de março de 2008

12 Km Manteigas - Penhas Douradas

Antes da prova, em Manteigas:
Absoluta e completamente… sem palavras… por hoje!

Tenho 4 horas dormidas, 700 km nas rodas e 12 nas pernas.

As palavras que me bailam na cabeça virão amanhã aqui procurar pouso e assentar. Por agora ficam as 74 imagens, praticamente todas captadas pelo meu pai: António Melro Pereira

Podem ver (e comentar) no meu Album de Fotos Actual
Depois da prova, em Penhas Douradas (significa que a acabei, né? - amanhã conto):

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Manteigas... porque a Estrela (Serra) tem coração

Esta frase dá entrada ao site da Câmara Municial de Manteigas

E porque o coração às vezes manda, vou sair de Lisboa, percorrer cerca de trezentos e tal quilómetros para depois sair de Manteigas e correr (pelo menos tentar correr) cerca de 12 quilómetros para chegar às Penhas Douradas. Uma subida e tanto, dura de roer, dizem os que a já experimentaram.
Para mim será a estreia numa prova que vai já na sua XXVI (vigésima sexta!!) edição, e que abre o Circuito Nacional de Montanha Salomon 2008.

É preciso ouvir o coração. E por isso, este ano eu vou!

A vila de Manteigas é sede de concelho, distrito e diocese da Guarda. Situa-se a cerca de 700 metros de altitude.
Manteigas assim como todo o seu concelho está integrado na vasta área da Cordilheira Central e especificamente na Beira Interior Norte, em pleno Coração da Serra da Estrela, estando totalmente incluído no Parque Natural da Serra da Estrela. Pelas suas características naturais, ecológicas e paisagísticas é sem dúvida uma zona privilegiada.

As Penhas Douradas localizam-se naquela que é considerada a região mais fria de Portugal, em plena Serra da Estrela, a cerca de 1500 metros de altitude.

São parte integrante do Parque Natural da Serra da Estrela, e dizem ter uma fantástica vista sobre Manteigas e sobre o Vale Glaciar do bonito Rio Zêzere.

Há quem as considere abençoadas pela natureza Serrana, que as presenteou com uma beleza única.

Eu vou lá estar. E vou lá correr. Haverá perspectiva muito melhor para um fim-de-semana? Talvez, mas dentro das possibilidades, é esta que eu escolhi, e cá para nós, acho que escolhi bem.

Especialmente para os meus "amigos" do Brasil ou de outros locais do planeta menos familiarizados com este jardim à beira mar plantado (Portugal), e supondo que sabem onde fica Lisboa, só para terem uma ideia, esse pontinho vermelho é onde fica Manteigas. Claro que Portugal comparado com o Brasil em tamanho, é apenas um quintal:


Agora, mais perto, já em pleno coração da Serra: Manteigas - Penhas Douradas


Mapas, desenhos, linhas e cores. Eu quero é imagens. Imagens com vida. Vivas! Com paixão. Com cor! Com suor! Com dor! Com alegria! Com magia! Com sentimento! Seja ele lá qual for! Na retina e na lente da máquina! Espero conseguir trazer alguma coisa para mostrar, nem que sejam apenas palavras, e essas trarei sempre, até ao dia em que não conseguir falar...