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sábado, 2 de julho de 2011

Sábado, 2 Julho 2011

Repousavam há demasiados dias debaixo do alpendre. Inactivos, inúteis numa dormência de sentidos e acções, aguardavam. Impotentes, total e completamente dependentes dela, não podiam fazer mais nada para além de aguardar. Aguardar o dia que ela voltasse a pegar neles, calçá-los e correr com eles. Era disso que eles gostavam. Era por isso que eles aguardavam, pacientes embora preocupados. E se ela os tivesse substituído? E se ela tivesse desistido deles? E dela? Não, isso não ia acontecer outra vez. Eles acreditavam que já não ia demorar muito para ela os voltar a chamar à vida. À vida dela, da qual eles fazem parte.

Foi hoje. Ao fim da tarde, ela pegou neles, e levou-os a passear:

Correu com eles 11.060 metros num tempo de 1h:00m35s, numa média de 5:28 / Km, contra um vento forte, por vezes muito forte, mas também por vezes a favor. Assim como na vida, ora o vento sopra contra, ora sopra a favor, tal e qual como no treino de hoje.

"Ela, a doninha, não me levou hoje. Foi correr para aquela serra verde ali ao fundo. Ai...como eu queria que ela me tivesse levado... Só me resta esperar que ela chegue e me leve a passear. Ela chega sempre, e depois, leva-me sempre a passear, que eu sei."

3 comentários:

.JOSÉ LOPES disse...

Olá Ana
Gostei
Excelente imaginação

Dos textos já estamos
habituados a serem excelentes

Continuemos a correr

Bjs
J.Lopes

José Xavier disse...

Olá Ana;

E os sapatos que até estavam todos contentes. Estavam de férias, no repouso e na boa vida.

Mas foste lá, e muito bem, e estragaste aquilo que era a vida boa deles.
Devo dizer-te que fizeste muito bem, sapatos é para treinar e tem nos interválos muito tempo de descansar.

Continua assim.
Um abraço
dos Xavier's

elis disse...

olá, ana!!!

hoje mesmo vou tirar as teias de aranha de meus tênis... estão abandonados desde sexta-feira...

fiquei inspirada!
e certamente me lembrarei de você durante minha corrida;)

bjs