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quinta-feira, 26 de junho de 2008

A Chama e a 29ª Corrida das Fogueiras

Com as insignificantes e minúsculas contrariedadezitas que teimosamente se têm atravessado à minha frente, ao longo dos últimos e largos (muito largos) meses, se não me dei por vencida, andei lá perto. Dando prioridade e concentrando-me no mais essencial e básico, sobrepondo a subsistência e o bem-estar no que à minha filha diz respeito acima de tudo, esqueci-me de mim.

Esqueci-me de como gosto de correr. Esqueci-me de me alimentar cuidadosamente. Esqueci-me de dar comida à alma e ao coração. Esqueci-me que sou um indivíduo. Esqueci-me que sou mulher. Esqueci-me que tenho gostos e desejos e prazeres por sentir. Esqueci-me de beijar. Esqueci-me de amar. Aprendi a desviar o olhar para não me encontrar. Esqueci-me de alimentar a chama. Deixei-a quase apagar sem perceber que sem ela ponho em causa tudo o resto. Até a tal. A subsistência.
A chama. É preciso mantê-la acesa. Sempre. Sem ela, sem nos apercebermos, vamos perdendo tudo, mas mesmo tudo, até um dia em que ficamos sem mais nada, até mesmo sem nós, e aí… será tarde demais.

Esta ida ao Porto, à Corrida das Festas, fez-me reacender a chama. Não, não me apaixonei nem encontrei um cavalo magnífico com um príncipe no dorso. Mas a chama reacendeu. Ao longo dos 15 Km, à beira Douro, a correr num tempo que se aproxima do que já fiz numa meia maratona, algo se modificou. A chama reacendeu. Roçou ao de leve os que comigo estavam e há que ter cuidado para não causar danos.

Amo a Corrida sim. Não sei como alguma vez pus este amor em causa. Beijei-a e deixei-me abraçar, e ali à frente de todos amei-a e prometi voltar dia 26 de Outubro de 2008, para passar o km 30, e o 31, 32, 33, 34, 35, 36, 37, 38, 39, 40, 41, 42 e correrei ainda mais 195 metros para completar a minha 5ª maratona.

E entretanto, eu sei que

Em qualquer dia,
A qualquer hora,
Vou estoirar, p‘ra sempre.

Mas entretanto,
enquanto tu duras,
Tu pões-me tão quente.

Já sei que hei-de arder na tua fogueira,
mas será sempre, sempre à minha maneira.

E as forças que me empurram
E os murros que me esmurram
Só me farão lutar,
À minha maneira (à minha maneira)
À minha maneira

Por essa estrada,
Por esse caminho
A noite, de sempre

De queda em queda,
Passo a passo,
Vou andando, prá frente

Já sei que hei-de arder na tua fogueira
Mas será sempre, sempre à minha maneira

E as forças que me empurram
E os murros que me esmurram
Só me farão lutar
À minha maneira (à minha maneira)
À minha maneira

À minha maneiraaaaa
À minha maneira!”


Xutos e Pontapés

E com a chama acesa, sábado estarei a correr na 29ª edição da Corrida das Fogueiras, em Peniche.

4 comentários:

Lénia disse...

Um beijinho, Ana!
Desculpa não te contactar há tanto tempo, mas fica a saber que quando venho à net, és sempre a minha primeira leitura.

Beijinhos e até breve!

António Almeida disse...

Olá Ana

bom que vai correr as "Fogueiras", à sua maneira...à maneira de uma mulher que afinal sempre ama a corrida.
Gosto bastante desse tema dos xutos, como de muitos outros (homem do leme, chuva dissolvente...), afinal também cresci a ouvir xutos.
Até sábado.

Maria Sem Frio Nem Casa disse...

Obrigada Lénia.

Obrigada António! Utilizei parte do seu comentário para alterar de novo o subtítulo do blog. Acho que assim está melhor. Obrigada

Ana Pereira

Fátima disse...

Ana fabtástico texto, é assim mesmo. Talvez nos encontremos por lá, gostaria imenso de te conhecer pessoalmente.Fico contente por teres "acordado".
Beijoca e até amanhã