Por agora deixo apenas algumas fotos. Amanhã palavras.
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domingo, 31 de maio de 2009
12ª Estafeta de Palmela
Por agora deixo apenas algumas fotos. Amanhã palavras.
sexta-feira, 29 de maio de 2009
12ª Estafeta de Palmela

E os treinos pá? Sei lá o que isso é, pá!
Um encolher de ombros descontraído termina o diálogo, para disfarçar a tensão, não da estafeta e dos treinos ou da falta deles, mas de um milhar de coisas, que acumuladas, embora positivas, não deixam de pesar sobre as costas e os ombros, que mereceriam uma boa massagem para descontrair, mas que na falta desta, uma repetição de "pás" em cada frase que se diz, denuncia bem o estado da nação e busca um alívio qualquer.
E é neste estado que a rapariga alinhará na Estafeta de Palmela já no próximo domingo dia 31 de Maio de 2009.
12.ª Estafeta de Palmela e 8.ª Mini-Estafeta
A 12.ª edição da Estafeta de Palmela (Bairro Alentejano – Autoeuropa – Bairro Alentejano) realiza-se no dia 31 de Maio, a partir das 10h00.
A prova é organizada pela Sociedade Recreativa e Cultural do Povo do Bairro Alentejano, com o apoio da Câmara Municipal de Palmela, Junta de Freguesia de Quinta do Anjo e Associação de Atletismo de Setúbal.
A estafeta é aberta a equipas de 4 atletas masculinos e femininos, populares e federados, com mais de 18 anos, em representação de clubes, firmas ou equipas informais.
Em simultâneo, decorre a 8.ª Mini-Estafeta (circuito de 1.500 metros), para jovens entre os 12 e os 17 anos.
Para mais informações e inscrições contactar a Sociedade Recreativa e Cultural do Povo do Bairro Alentejano.
Telefone: 212 131 546 / Fax: 212 131 542E-mail: srcpbairroalentejano@hotmail.com
informação retirada do site da Camara Municipal Palmela
sexta-feira, 22 de maio de 2009
Não respire... Pode respirar

de Sérgio Godinho :
"Tudo na vida nos diz
que é num momento fugaz
o tempo de um raio-x
que a gente quer ser feliz
vai ser capaz?
Vai ser capaz de sair?
vai ser capaz de aguentar?
por todo o ser no parar
e nisso enfim emergir
vir respirar!
Não respire!
Pode respirar…
Ando sobre brasas
desço a ladeira
com o trocado certo
dentro da algibeira
É um dia que morre
e outro que nasce
se encontrar o homem
o negócio faz-se
Este bairro ao vento
é meu desamigo
quero mais eu quero mais
eu bato ao postigo
Tremo e treme o vento
quero de novo
o falcão que pousa
no meu braço o seu ovo
Não respire!
Pode respirar…
Ando sobre rodas
subo à cidade
giro na rotunda
do Marquês de Sade
Esquartejou os Távoras
e os Jesuítas
desenhou prás casas
as ruas malditas
Liberdade é nome
só de avenida
longe fica o rio
da impossível partida
Um barco trancado
na minha veia
e braços como aranhas
enredadas na teia
Não respire!
Pode respirar…
Vou deitado em pregos
eu vou de maca
e é na sala branca
que chega a ressaca
Na sala castanha
chega a polícia
preso reincidente
já não é notícia
Grito que me perco
ninguém me acode
quem já me matou
também que não se incomode
Sou só carne e osso
belo dueto
vou doar à pátria
o coração e o esqueleto
Não respire!
Pode respirar…
Tudo na vida nos diz
que é num momento fugaz
o tempo de um raio-x
que a gente quer ser feliz
vai ser capaz?
Vai ser capaz de sair?
vai ser capaz de aguentar?
pode tudo o ser no parar
e nisso enfim emergir
vir respirar!"
E eu? Eu tenho feito muitos raios x esta semana. Ora respiro, ora não respiro.
Treinos... é que nada.
segunda-feira, 18 de maio de 2009
Sport Zone - A Corrida da Mulher
SPORTZONE CORRIDA DA MULHER 2009 from pixbee on Vimeo.
Sport Zone – A Corrida da Mulher – Porto, 17 de Maio de 2009
Aquecer e partir ao lado de Marisa Barros, Fernanda Ribeiro e Jéssica Augusto, só para mencionar algumas grandes atletas portuguesas, presentes na Corrida da Mulher, não é privilégio que se tenha muitas vezes.
Mas assim foi no Porto, na 4ª edição de uma corrida que é um sucesso desde o seu aparecimento no ano de 2006.
Com carácter maioritariamente solidário, sobrepondo-se completamente ao competitivo, fomentando a prática de exercício físico, nomeadamente a Caminhada e a Corrida para indivíduos do sexo feminino, cuja participação ainda não consegue ganhar a expressão merecida em todas as outras corridas fim-de-semana após fim-de-semana, levou às ruas da bonita cidade do Porto esta corrida, mais de 14.000 mulheres, que com um valor simbólico de inscrição (EUR 2,00) ajudaram a Liga Portuguesa contra o cancro, especificamente na luta contra o cancro da mama, envergando uma bonita t-shirt rosa de corte adaptado ao corpo feminino e percorrendo uma distância próxima dos anunciados 5 Km.
Com organização da Runporto, a corrida teve entrega de dorsais e t-shirt nos dias antecedentes à prova, no Norte Shopping, junto à loja da Sport Zone, entidade que se associou a este evento e que por cada mulher inscrita doou EUR 1,00 à Liga Portuguesa contra o cancro, assumindo um papel social que servirá de exemplo a muitos outras entidades.
O ambiente da partida era de festa, onde a alegria e a simples participação/convívio, associado a uma causa, se sobrepôs a qualquer outro objectivo.
Com uma animação espectacular, soube uma vez mais a Runporto fazer da Corrida uma festa, e num percurso curto com o corte total do trânsito levou quase 15.000 mulheres a aderirem em massa à solidariedade de mãos dadas com a actividade física, percurso esse onde se destaca a passagem pelo Túnel de Ceuta, onde praticamente sem luz, uma banda musical ecoava sobrepondo-se às passadas e respirações ofegantes entre gargalhadas, ao vivo e a cores, os sons e a voz de um canto que a todas animou.
Já junto à Câmara Municipal do Porto estava instalada a meta, onde Marisa Barros chegou antes de qualquer outra das quase 15.000 mulheres, mas onde estranhamente a igualdade imperava, pois o objectivo de cada uma seria muito provavelmente o objectivo de todas . Não faltou a água, nem muito apoio e animação, quer antes, quer durante e depois da prova.
Venha para o ano a 5ª edição e se não melhor, que seja igual a este maravilhoso espectáculo rosa que varreu de alegria as ruas do Porto.
Parabéns à Runporto e a todas as entidades que de alguma forma colaboraram para que este evento fosse possível e tivesse a magnitude que se viu.
..........
Eu… e a Corrida da Mulher
Desta vez ia para correr. Chegamos cedo ao local de partida, junto à Casa da Música. Demasiado cedo, pensei. Café com atendimento demorado, afinal nunca se pode esperar 15.000 pessoas e acompanhantes para tomarem café, e um breve aquecimento à volta do leão que esmaga a águia (Rotunda da Boavista).
Como desta vez ia para correr, queria posicionar-me onde me fosse permitido de facto correr. Sorte não de principiante, e admitem-me na zona VIP, onde jamais me incluo, mesmo quando tenho dorsal VIP (por conhecimentos e outros méritos não menos lisonjeiros e meritórios e respeitosos que os que seriam jamais aplicados à minha pessoa, os desportivos, pois numa prova normal, eu nessa posição na Partida, só prejudico os verdadeiros atletas e até a minha própria pessoa e sua modesta prestação, mas nesta Corrida, tudo era diferente. Correr era sem dúvida alguma, objectivo de uma minoria das mulheres presentes. Por isso, foi de bom grado que dividi um espaço privilegiado com atletas como a Fernanda Ribeiro, Marisa Barros e Jéssica Augusto, entre outras, e bem mais importantes que estas, algumas amigas que revi com imenso e sentido prazer. Abraços, beijos e toques de mãos em demonstrações afectivas e efectivas. Sentimentos e emoções ao rubro demonstrados em cada olhar e sorriso.
Mal as grades que nos separam do pelotão se afastam e somos literalmente aconchegadas pelas costas por imensos corpos de mulheres que se encostam descaradamente de uma forma nunca vista em corrida alguma. Piores que os homens! Confesso também que nunca tinha encabeçado uma multidão de 15.000 indivíduos, fazendo eu de corrente para que não se avançasse mais, antes do tempo.
Aurora Cunha sempre presente e é dada ordem para correr. As verdadeiras atletas partem e depressa as deixamos de ver. Quem vem atrás de nós, não nos chega a ultrapassar ou sequer a acompanhar, e dou por mim a correr lado a lado com a minha amiga Lígia, durante a prova inteira, praticamente sozinhas. Vamos bem. Rápidas, para o que nós poderíamos dar. Mas eram só 5 km, dizia o regulamento. Avancemos pois. E avançamos. O Túnel de Ceuta escuro onde o ar nos parece faltar mas depressa a música ao vivo nos anima e comove. Ecos. Da música, da voz do cantor, dos nossos passos, da nossa respiração e dos nossos corações também. Sigo ligeiramente à frente da Lígia. Talvez não esteja tão mal como ela. Ou talvez não esteja eu tão mal como penso.
Uma mão no ombro e volto-me. Um jovem bonito, rosto sobejamente conhecido, olha-me nos olhos e incentiva-nos enquanto ele próprio corre acompanhando a prova: “Força! Ajudem-se uma à outra!”. Agradeço com um sorriso e olho para a Lígia ligeiramente atrás de mim. Não avanço mais. “Vamos!” Seguimos juntas. Quase sem darmos por isso estamos a chegar ao Largo da Câmara. Já? Sim, já! Uma volta lá abaixo, subir de novo, a lembrar a S.Silvestre do Porto, contornar a Câmara e agora sim, a meta. Juntas! Boa! Marca o cronómetro 19m33s. 5Km? Nem pensar! Mas que importância terá isso? Pois… teria sempre alguma para mim, mas não hoje, não aqui, jamais nesta corrida. De novo mãos dadas e uma manhã feliz terminava para depois dar lugar, já entre estes e outros amigos, à melhor Francesinha que alguma vez comi! Talvez a companhia ajudasse. Talvez a Imperial que teimam em chamar Príncipe nesta cidade bonita. Talvez o Príncipe… Talvez a amizade…Talvez…
domingo, 17 de maio de 2009
Corrida da Mulher - Porto
sábado, 16 de maio de 2009
Sport Zone - Corrida da Mulher - Porto

Quando ainda o ano de 2006 aguardava despontar e eu em acesas discussões em cerrada defesa de uma utópica corrida para todos e não de corridas para mulheres, como se tal coisa tivesse algum sentido existir, considerando até esses eventos um acto de discriminação e autêntico e nítido retrocesso num processo que se pretende evolutivo e que será um dia a igualdade de direitos e oportunidades entre homens e mulheres, na prática, o que se distingue abismalmente da teoria, estava eu longe de imaginar que à sua 4ª edição, seria uma sua fiel defensora sustentada em não menos sólidos argumentos e factos, como por exemplo o que significa trazer para a rua, para correr ou caminhar 15.000 mulheres, pelo custo simbólico para cada uma delas, de apenas EUR 2,00, revertendo metade desse valor para a Liga Portuguesa Contra o Cancro, na luta contra o Cancro da mama, o que a Runporto faz com um profissionalismo invejável, não esquecendo a vertente humana no tratamento de toda a logística.
E se em 2006 até chorei em defesa do meu ideal, onde o assunto não mereceria uma lágrima sequer, mas têm destas coisas as lágrimas, surpreendem-nos caprichosamente em situações alheias às que efectivamente as mereceriam, soltando-se assim, num pranto e liberdade há muito desejados, hoje avanço veloz pela estrada , para pela primeira vez fazer a prova a correr.
Na 1ª e 2ª edição, fi-la acompanhada da minha filha, caminhando apenas. No ano passado (3ª edição) não me foi permitido unir os 300 km que me separam do Porto e não estive presente.
E hoje... cá estou eu, ainda certa que a Corrida da Mulher em pouco ou nada contribui para um aumento da participação feminina na Corrida, sendo a meu ver o problema fruto de uma mentalidade de uma inteira sociedade (homens e mulheres) que no seu dia a dia, fim-de-semana a fim-de-semana, pouco ou nada fazem para motivar, incentivar e criar condições para que seja possível à Mulher ter uma participação tão activa quanto os homens nessa coisa maravilhosa que é a Corrida para todos.
No entanto, a Corrida da Mulher aí está, e pelo menos amanhã, terá a cidade do Porto 15.000 mulheres a encher-lhe as artérias e a pulsar nas suas veias, numa corrida sem dúvida de carácter e caracterísiticas muito particulares, mas que ainda assim com um inegável valor quer no âmbito social quer no desportivo. Pela solidariedade, pela ideia e consequente alerta e consciencialização para uma doença mortal que se diagnosticada a tempo poderá ter outro desfecho, pelo incentivo à prática do exercício físico, quer caminhada quer corrida, pelo convívio e pela união demonstrada na resposta das massas ao apelo feito, e só por fim pela Corrida em si.
Por tudo isto e muito mais, pela 3ª vez eu cá estou, e pela 1ª irei correr no meio da mancha rosa...
terça-feira, 12 de maio de 2009
Dias úteis...
De Sérgio Godinho:
"Dias úteis
às vezes pretextos fúteis
pra encontrar felicidades
no percurso de um só dia
Dias úteis
são tão frágeis, as verdades
que se rompem com a aurora
quem as não remendaria?
Dias úteis
mesmo se a dor nos fizer frente
a alegria é de repente
transparente
quem a não receberia?
Mesmo por pretextos fúteis
a alegria é o que nos torna
os dias úteis
Dias raros
aqueles que por amparos
do bom senso e da imprudência
fazem os prazeres do dia
Dias raros
como os ares, Rarefeitos
amores mais do que perfeitos
quem os recomendaria?
Dias raros
em que os mais dados às rotinas
ouvem sinos, seguem sinas
cristalinas
quem as não perseguiria?
Por motivos talvez claros
o prazer é o que nos torna
os dias raros
Por pretextos talvez fúteis
a alegria é o que nos torna
os dias úteis
Por motivos talvez claros
o prazer é o que nos torna
os dias raros
Por pretextos talvez fúteis
por motivos talvez claros"
Também porque treinei e porque treinei entre amigos, hoje... foi um dia útil e um dia raro. Muito útil e por demais raro...
Treino: 50 minutos de corrida contínua lenta

- Domingo, vou à Corrida da Mulher, no Porto. Queres ir? Eu levo-te! – Pergunta ela entre um golo de café amargo e forte e um olhar doce e intenso, penetrante como ela gostava de olhar, quando falava com amigos, como se para ver além do visível.
- Então não é só para mulheres? – Pergunta ele em vez de responder à pergunta dela.
- Ora! E se fosses e não corresses? Morria alguém? – Replica ela a adivinhar já a resposta dele e os motivos para ela.
- Não… não vou, ainda se fosse correr… - responde ele por fim, vindo ao encontro do pensamento dela.
- Fod****!!! Mas quando e onde é que eu arranjo amigos normais? Pessoas que não corram?! E que ainda assim tenham prazer em me acompanhar?!
Desviou o olhar e só não se levantou da mesa por respeito, mas uma raiva contida apossou-se-lhe da garganta e inundou-lhe os olhos de lágrimas. Não, não era por ele não ir com ela ao Porto. Era… por mil e uma coisa… e por nada também. Menina mimada… pensou ele, e com carinho acariciou-lhe o rosto que ela desviou magoada. Não com ele, é certo. E ele não merecia aquela cena. Então ela limpou os olhos com as costas das mãos e com o sorriso triste mais bonito que ele já tinha visto, disse-lhe:
-Desculpa…desculpa…
domingo, 10 de maio de 2009
XX Meia Maratona Internacional de Setúbal
XX Meia Maratona Internacional de Setúbal, com apoio técnico da Xistarca, onde se disponibiza alguma informação sobre a prova e Resultados
Antes da prova, a equipa onde estou inserida e que represento: Clube do Sargento da Armada
Setúbal foi onde me consagrei Meia-maratonista, num já distante ano do final da década de noventa. Voltei lá mais algumas vezes, poucas, e hoje de novo.
Corri entre amigos, num ritmo refreado e acabei excelentemente bem. Não sofri o que esperava, tendo em conta os treinos que deixei por fazer, e a conversar ou tão só a apoiar-nos mutuamente em silêncio, num esforço partilhado, assim, sem dar por ela, cheguei à meta, feliz, após correr 21095 metros em 2h03m36s.
É assim a Corrida, momento feliz da minha vida, fugaz ou duradouro, como todos os momentos que vivemos. Cansada de palavras hoje, não consigo escrever mais nada.
sexta-feira, 8 de maio de 2009
Combinação e Treino
s. f.
1. Acto de combinar ou combinar-se.
…/…
6. Vestuário feminino que reúne numa só peça o corpete e saia ou o corpete e as calças, etc.
treino:
s. m.
Acto de se treinarem pessoas ou animais para festas desportivas.
treinar:
v. tr.
…/…
2. Fig. Adestrar; acostumar.
v. pron.
3. Adestrar-se para festas ou provas desportivas.
4. Fig. Acostumar, habituar

Hoje não há aves nem beijos ou abraços. Sol que se põe ou rio que corra mais que eu (nada difícil) e me leva para o mar para naufragar e acordar salva em terras distantes, praias fluviais onde um príncipe me espera com seu cavalo alado ou qualquer outro meio de locomoção, de preferência motorizado e bem potente. Hoje não há nada disso. Hoje há apenas a Combinação e o Treino.
Porque combinar um treino é seguramente um modo de evitar desistências de última ou antecipada hora. A Combinação serve de incentivo e é fonte de motivação. Para o Treino se efectuar.
A Combinação fortalece a vontade de efectuar o Treino. Assim, hoje, consegui uma Combinação e efectuei mais um Treino. Acompanhada desta vez. Muito lento, mas proporcionalmente agradável e muito gratificante, corri apenas 50 minutos. Muito devagar, mas igual ou superiormente bom!
Olho para trás e vejo os treinos que fiz para a Meia Maratona de Setúbal, na qual alinharei na partida já no próximo domingo dia 10. Inequivocamente insuficientes. Ainda assim a vontade prevalece. Domingo, alinharei na partida e está nos meus planos cortar a meta. Como em tantas e tantas coisas na vida… veremos.
quinta-feira, 7 de maio de 2009
O Tejo, as lágrimas e o treino
Depois, quando ao fim do dia o sol prometer deitar-se sobre o mesmo Tejo que o viu acordar, e o rio já sem lágrimas descansar aliviado do seu contínuo correr, na maré vazia da Baía, que as vazou e levou para o oceano e do oceano para outro rio, outra foz e outra margem, ela já sem lágrimas correrá ao seu lado, onde as lágrimas desapareceram e resta apenas uma serenidade que se emana da baía tranquila, onde aves resgatam alimento do fundo agora visível, em cada passada que ela dá, catadupas avassaladoras de tranquilidade e paz que ela assimila e interioriza com avidez e segurança. Cada vez mais forte. Em cada passada serena e calma que dá.
Correu 45 minutos
terça-feira, 5 de maio de 2009
Amor...

E ao fim, ao fim dele, ela precisa. Precisa de sentir a sua voz doce e sensual a sussurrar-lhe ao ouvido palavras de amor e outras também. Precisa dos seus braços e do seu abraço quente e forte. Das suas mãos nela, acariciando-a e aninhando-a como porto de abrigo seguro, onde ela sabe que pertence desde sempre e para sempre, mesmo sabendo que sempre é uma palavra demasiado longa. Precisa descansar a cabeça no seu peito e recarregar forças, assimilando emoções e sentimentos resgatados nesse encontro, agora esporádico e raro.
Assim, ao fim do dia, correndo ao seu encontro, encontro esse que ela sabia não ir durar o tempo desejado, mas ainda assim gratificante e muito compensador, ela chegou a casa a correr, despiu-se a correr, equipou-se a correr e saiu a correr para se encontrar e se dar, e dando-se, dessa forma receber. Receber amor e através dele o ânimo e a força necessária para ainda viver esta noite e para o dia de amanhã que há-de nascer. Com sol ou sem sol, que se põe agora, prometendo voltar.
É assim a história deste amor. Por vezes aparentemente distante e até impossível, mas inequivocamente presente, sempre e tão presente e constante e consistente, mais que qualquer outro amor. É assim a história do amor dela e da Corrida, que nasceu há mais de trinta anos, quando se encontraram pela primeira vez numa dessas curvas da estrada, era ela uma miúda pequena.
segunda-feira, 4 de maio de 2009
E a seguir a Setúbal... a Corrida da Mulher no Porto
Corrida da Mulher, na bela cidade do Porto:

Aguardam-se 20.000 mulheres a correr ou caminhar durante 5 quilómetros pela bela cidade do Porto, em prol de uma causa, promovendo a Corrida e a Caminhada, em simultâneo com o contributo para a Liga Portuguesa Contra o Cancro, Núcleo Região Norte, Cancro da Mama, e também uma sensibilização para o problema.
Com um custo por inscrição de apenas EUR 2,00 por pessoa (mulher), com o patrocínio da Sport Zone, que por cada inscrição doará EUR 1,00 à Liga Portuguesa Contra o Cancro, esta prova não é apenas a prova de que a solidariedade se pode fazer com gestos simples, mas também que a mesma pode ser mote para a participação massiva das mulheres em eventos (Corrida) onde raramente a sua participação atinge os 10%
Com características muito próprias, levará esta prova à rua milhares de mulheres, a praticar Corrida ou apenas a caminhar. No entanto, sairão à rua, e a Corrida sairá enriquecida.
E eu… estarei lá, a par das duas primeiras edições, a participar, mas desta vez a correr, correr devagar, mas a correr, como gosto e preciso.
Uma organização da Runporto
domingo, 3 de maio de 2009
Evasão, Felicidade e Treinos
Fim de semana de 3 dias esteA rapariga caiu exausta no sofá. Um sorriso desenha-lhe os lábios e os olhos brilham como estrelas em noite de luar. Revê a situação. A dela:
Evasão: até ao céu
Felicidade: até ao céu
Treinos: … hum? O quê? Mas isso é mesmo necessário? É que foram nulos…
Bem… para ser feliz… pode não ser necessário em muitos casos, mas pode ter importância e tu sabes bem que tem, para ti e para manter esse Amor aceso que te sustenta há tantos anos quantos os que tens.
E para a Meia Maratona de Setúbal que se aproxima veloz, garanto-te que têm toda a importância, toda a importância do mundo, e tu não a vais abandonar agora, essa amante incondicional, exigente às vezes, muitas vezes tolerante não deixando de ser intransigente por vezes, mas que ainda assim te ampara, desde sempre. Não a abandones agora essa única fiel amante que tens: a Corrida.
“Não abandonarei” – responde ela, planificando já as possibilidades de treino que terá esta semana, a derradeira antes da Meia Maratona de Setúbal, já no próximo domingo dia 10 de Maio.
terça-feira, 28 de abril de 2009
E os treinos pá?! (II) - Amizade

- Oh pá…eu… pelo tempo há que não corro, acho que já não sei correr… – Confidenciou-lhe ele num raro lamento, suave e terno como só ele às vezes sabia entoar e embalar as palavras que proferia. Quase doçura numa boca bem desenhada e perfeitamente enquadrada num rosto másculo e viril.
- Ora! Correr é como andar de bicicleta! Uma vez sabendo, sabe-se sempre! – Retorquiu ela – E quem gosta… gosta sempre!
- Pois, tens razão… é como fazer amor… ehehehehhe... depois de começar… – Ripostou ele sem acabar a frase, na sua já habitual voluptuosa e pretendida inocente malícia.
- Olha! Já isso, eu é que não sei, se ainda sei… - as palavras saíram-lhe espontâneas, com naturalidade e facilidade, soltas como ela estava com ele desde há anos, pouco depois de se conheceram, seguidas por umas boas gargalhadas, partilhadas entre os dois.
- Oh rapariga! Tu não digas isso! – Apressou-se ele a emendar, como se hipoteticamente pudesse contribuir para modificar o modo de pensar dela no que ao que acabara de dizer, dizia respeito.
Riram, deram um golo no vinho tinto que descansava nos copos e ficaram a conversar noite dentro. Ainda não foi hoje que nenhum dos dois voltou a treinar. Nem juntos, nem separados.
E os treinos pá?! – agora quem pergunta, sou eu! E quem me responde? Alguém me responde?
segunda-feira, 27 de abril de 2009
E os treinos, pá!?
Não fosse O Setubalense e talvez nada ou muito pouco se encontraria acerca da mesma… pelo menos no que à Internet diz respeito.
E os treinos pá?! E os treinos pá?!
E as promessas? As promessas feitas de flores e escritas no céu, onde estão? Acaso desfolhou-as o vento e as pétalas voaram e se espalharam pela terra? Ou caíram graciosas num ninho de aves?
Onde estão os beijos e a promessa de não parar? Não agora nem desta feita? Onde estão?
Bem… os beijos não sei onde estão, mas a promessa, meus amigos, a promessa está aí:
Despertador às 5:00hrs da manhã e é ainda é de noite quando saio para a rua para correr.
Quando regresso passou 1 hora. 1 hora de corrida e já o dia nasceu. Enquanto eu corria.
E depois? Que tem isso de especial?
"afinal, no fim do treino, por mais que custe a começar, ou a continuar, há uma recompensa à espera. e está dentro de cada um de nós, agradecida por se poder dar."
António Bento, in A Febre do Tartaruga
Até amanhã querido diário
sábado, 25 de abril de 2009
25 de Abril - 1974 - 2009
"As Portas que Abril abriu"
José Carlos Ary dos Santos
Era uma vez um país
onde entre o mar e a guerra
vivia o mais infeliz
dos povos à beira-terra.
Onde entre vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
um povo se debruçava
como um vime de tristeza
sobre um rio onde mirava
a sua própria pobreza.
Era uma vez um país
onde o pão era contado
onde quem tinha a raiz
tinha o fruto arrecadado
onde quem tinha o dinheiro
tinha o operário algemado
onde suava o ceifeiro
que dormia com o gado
onde tossia o mineiro
em Aljustrel ajustado
onde morria primeiro
quem nascia desgraçado.
Era uma vez um país
de tal maneira explorado
pelos consórcios fabris
pelo mando acumulado
pelas ideias nazis
pelo dinheiro estragado
pelo dobrar da cerviz
pelo trabalho amarrado
que até hoje já se diz
que nos tempos do passado
se chamava esse país
Portugal suicidado.
Ali nas vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
vivia um povo tão pobre
que partia para a guerra
para encher quem estava podre
de comer a sua terra.
Um povo que era levado
para Angola nos porões
um povo que era tratado
como a arma dos patrões
um povo que era obrigado
a matar por suas mãos
sem saber que um bom soldado
nunca fere os seus irmãos.
Ora passou-se porém
que dentro de um povo escravo
alguém que lhe queria bem
um dia plantou um cravo.
Era a semente da esperança
feita de força e vontade
era ainda uma criança
mas já era a liberdade.
Era já uma promessa
era a força da razão
do coração à cabeça
da cabeça ao coração.
Quem o fez era soldado
homem novo capitão
mas também tinha a seu lado
muitos homens na prisão.
Esses que tinham lutado
a defender um irmão
esses que tinham passado
o horror da solidão
esses que tinham jurado
sobre uma côdea de pão
ver o povo libertado
do terror da opressão.
Não tinham armas é certo
mas tinham toda a razão
quando um homem morre perto
tem de haver distanciação
uma pistola guardada
nas dobras da sua opção
uma bala disparada
contra a sua própria mão
e uma força perseguida
que na escolha do mais forte
faz com que a força da vida
seja maior do que a morte.
Quem o fez era soldado
homem novo capitão
mas também tinha a seu lado
muitos homens na prisão.
Posta a semente do cravo
começou a floração
do capitão ao soldado
do soldado ao capitão.
Foi então que o povo armado
percebeu qual a razão
porque o povo despojado
lhe punha as armas na mão.
Pois também ele humilhado
em sua própria grandeza
era soldado forçado
contra a pátria portuguesa.
Era preso e exilado
e no seu próprio país
muitas vezes estrangulado
pelos generais senis.
Capitão que não comanda
não pode ficar calado
é o povo que lhe manda
ser capitão revoltado
é o povo que lhe diz
que não ceda e não hesite
– pode nascer um país
do ventre duma chaimite.
Porque a força bem empregue
contra a posição contrária
nunca oprime nem persegue
– é força revolucionária!
Foi então que Abril abriu
as portas da claridade
e a nossa gente invadiu
a sua própria cidade.
Disse a primeira palavra
na madrugada serena
um poeta que cantava
o povo é quem mais ordena.
E então por vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
desceram homens sem medo
marujos soldados «páras»
que não queriam o degredo
dum povo que se separa.
E chegaram à cidade
onde os monstros se acoitavam
era a hora da verdade
para as hienas que mandavam
a hora da claridade
para os sóis que despontavam
e a hora da vontade
para os homens que lutavam.
Em idas vindas esperas
encontros esquinas e praças
não se pouparam as feras
arrancaram-se as mordaças
e o povo saiu à rua
com sete pedras na mão
e uma pedra de lua
no lugar do coração.
Dizia soldado amigo
meu camarada e irmão
este povo está contigo
nascemos do mesmo chão
trazemos a mesma chama
temos a mesma ração
dormimos na mesma cama
comendo do mesmo pão.
Camarada e meu amigo
soldadinho ou capitão
este povo está contigo
a malta dá-te razão.
Foi esta força sem tiros
de antes quebrar que torcer
esta ausência de suspiros
esta fúria de viver
este mar de vozes livres
sempre a crescer a crescer
que das espingardas fez livros
para aprendermos a ler
que dos canhões fez enxadas
para lavrarmos a terra
e das balas disparadas
apenas o fim da guerra.
Foi esta força viril
de antes quebrar que torcer
que em vinte e cinco de Abril f
ez Portugal renascer.
E em Lisboa capital
dos novos mestres de Aviz
o povo de Portugal
deu o poder a quem quis.
Mesmo que tenha passado
às vezes por mãos estranhas
o poder que ali foi dado
saiu das nossas entranhas.
Saiu das vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
onde um povo se curvava
como um vime de tristeza
sobre um rio onde mirava
a sua própria pobreza.
E se esse poder um dia
o quiser roubar alguém
não fica na burguesia
volta à barriga da mãe.
Volta à barriga da terra
que em boa hora o pariu
agora ninguém mais cerra
as portas que Abril abriu.
Essas portas que em Caxias
se escancararam de vez
essas janelas vazias
que se encheram outra vez
e essas celas tão frias
tão cheias de sordidez
que espreitavam como espias
todo o povo português.
Agora que já floriu
a esperança na nossa terra
as portas que Abril abriu
nunca mais ninguém as cerra.
Contra tudo o que era velho
levantado como um punho
em Maio surgiu vermelho
o cravo do mês de Junho.
Quando o povo desfilou
nas ruas em procissão
de novo se processou
a própria revolução.
Mas eram olhos as balas
abraços punhais e lanças
enamoradas as alas
dos soldados e crianças.
E o grito que foi ouvido
tantas vezes repetido
dizia que o povo unido
jamais seria vencido.
Contra tudo o que era velho
levantado como um punho
em Maio surgiu vermelho
o cravo do mês de Junho.
E então operários mineiros
pescadores e ganhões
marçanos e carpinteiros
empregados dos balcões
mulheres a dias pedreiros
reformados sem pensões
dactilógrafos carteiros
e outras muitas profissões
souberam que o seu dinheiro
era presa dos patrões.
A seu lado também estavam
jornalistas que escreviam
actores que se desdobravam
cientistas que aprendiam
poetas que estrebuchavam
cantores que não se vendiam
mas enquanto estes lutavam
é certo que não sentiam
a fome com que apertavam
os cintos dos que os ouviam.
Porém cantar é ternura
escrever constrói liberdade
e não há coisa mais pura
do que dizer a verdade.
E uns e outros irmanados
na mesma luta de ideais
ambos sectores explorados
ficaram partes iguais.
Entanto não descansavam
entre pragas e perjúrios
agulhas que se espetavam
silêncios boatos murmúrios
risinhos que se calavam
palácios contra tugúrios
fortunas que levantavam
promessas de maus augúrios
os que em vida se enterravam
por serem falsos e espúrios
maiorais da minoria
que diziam silenciosa
e que em silêncio fazia
a coisa mais horrorosa:
minar como um sinapismo
e com ordenados régios
o alvor do socialismo
e o fim dos privilégios.
Foi então se bem vos lembro
que sucedeu a vindima
quando pisámos Setembro
a verdade veio acima.
E foi um mosto tão forte
que sabia tanto a Abril
que nem o medo da morte
nos fez voltar ao redil.
Ali ficámos de pé
juntos soldados e povo
para mostrarmos como é
que se faz um país novo.
Ali dissemos não passa!
E a reacção não passou.
Quem já viveu a desgraça
odeia a quem desgraçou.
Foi a força do Outono
mais forte que a Primavera
que trouxe os homens sem dono
de que o povo estava à espera.
Foi a força dos mineiros
pescadores e ganhões
operários e carpinteiros
empregados dos balcões
mulheres a dias pedreiros
reformados sem pensões
dactilógrafos carteiros
e outras muitas profissões
que deu o poder cimeiro
a quem não queria patrões.
Desde esse dia em que todos
nós repartimos o pão
é que acabaram os bodos
— cumpriu-se a revolução.
Porém em quintas vivendas
palácios e palacetes
os generais com prebendas
caciques e cacetetes
os que montavam cavalos
para caçarem veados
os que davam dois estalos
na cara dos empregados
os que tinham bons amigos
no consórcio dos sabões
e coçavam os umbigos
como quem coça os galões
os generais subalternos
que aceitavam os patrões
os generais inimigos
os generais garanhões
teciam teias de aranha
e eram mais camaleões
que a lombriga que se amanha
com os próprios cagalhões.
Com generais desta apanha
já não há revoluções.
Por isso o onze de Março
foi um baile de Tartufos
uma alternância de terços
entre ricaços e bufos.
E tivemos de pagar
com o sangue de um soldado
o preço de já não estar
Portugal suicidado.
Fugiram como cobardes
e para terras de Espanha
os que faziam alardes
dos combates em campanha.
E aqui ficaram de pé
capitães de pedra e cal
os homens que na Guiné
aprenderam Portugal.
Os tais homens que sentiram
que um animal racional
opõe àqueles que o firam
consciência nacional.
Os tais homens que souberam
fazer a revolução
porque na guerra entenderam
o que era a libertação.
Os que viram claramente
e com os cinco sentidos
morrer tanta tanta gente
que todos ficaram vivos.
Os tais homens feitos de aço
temperado com a tristeza
que envolveram num abraço
toda a história portuguesa.
Essa história tão bonita
e depois tão maltratada
por quem herdou a desdita
da história colonizada.
Dai ao povo o que é do povo
pois o mar não tem patrões.
– Não havia estado novo
nos poemas de Camões!
Havia sim a lonjura
e uma vela desfraldada
para levar a ternura
à distância imaginada.
Foi este lado da história
que os capitães descobriram
que ficará na memória
das naus que de Abril partiram
das naves que transportaram
o nosso abraço profundo
aos povos que agora deram
novos países ao mundo.
Por saberem como é
ficaram de pedra e cal
capitães que na Guiné
descobriram Portugal.
E em sua pátria fizeram
o que deviam fazer:
ao seu povo devolveram
o que o povo tinha a haver:
Bancos seguros petróleos
que ficarão a render
ao invés dos monopólios
para o trabalho crescer.
Guindastes portos navios
e outras coisas para erguer
antenas centrais e fios
dum país que vai nascer.
Mesmo que seja com frio
é preciso é aquecer
pensar que somos um rio
que vai dar onde quiser
pensar que somos um mar
que nunca mais tem fronteiras
e havemos de navegar
de muitíssimas maneiras.
No Minho com pés de linho
no Alentejo com pão
no Ribatejo com vinho
na Beira com requeijão
e trocando agora as voltas
ao vira da produção
no Alentejo bolotas
no Algarve maçapão
vindimas no Alto Douro
tomates em Azeitão
azeite da cor do ouro
que é verde ao pé do Fundão
e fica amarelo puro
nos campos do Baleizão.
Quando a terra for do povo
o povo deita-lhe a mão!
É isto a reforma agrária
em sua própria expressão:
a maneira mais primária
de que nós temos um quinhão
da semente proletária
da nossa revolução.
Quem a fez era soldado
homem novo capitão
mas também tinha a seu lado
muitos homens na prisão.
De tudo o que Abril abriu
ainda pouco se disse
um menino que sorriu
uma porta que se abrisse
um fruto que se expandiu
um pão que se repartisse
um capitão que seguiu
o que a história lhe predisse
e entre vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
um povo que levantava
sobre um rio de pobreza
a bandeira em que ondulava
a sua própria grandeza!
De tudo o que Abril abriu
ainda pouco se disse
e só nos faltava agora
que este Abril não se cumprisse.
Só nos faltava que os cães
viessem ferrar o dente
na carne dos capitães
que se arriscaram na frente.
Na frente de todos nós
povo soberano e total
que ao mesmo tempo é a voz
e o braço de Portugal.
Ouvi banqueiros fascistas
agiotas do lazer
latifundiários machistas
balofos verbos de encher
e outras coisas em istas
que não cabe dizer aqui
que aos capitães progressistas
o povo deu o poder!
E se esse poder um dia
o quiser roubar alguém
não fica na burguesia
volta à barriga da mãe!
Volta à barriga da terra
que em boa hora o pariu
agora ninguém mais cerra
as portas que Abril abriu!
Lisboa, Julho-Agosto de 1975
quarta-feira, 22 de abril de 2009
Uma mulher... uma história
Pode ter sido da vela esquecida acesa ou do cigarro mal apagado, deixado abandonado a arder no cinzeiro quando ela fora apanhada pelo toque do telemóvel e pela excitação de ver o nome dele na identificação da chamada. Pode ter sido um púcaro de leite esquecido ao lume quando ela vencida pelo cansaço se deixou adormecer na sala. Pode não ter sido nada disto ou pode ter sido até muito mais que isto.A recente separação, num grito de coragem há muito abafado, de um casamento de mais de doze anos, mantido pela fachada e por interesses, quer sociais quer de outra índole, a dura realidade de uma hipotética e utópica independência, agora constatada com um emprego precário e uma filha pequena a seu cargo que ainda chora pelo pai, agora tão ausente como antes, podem ser causas tão ou mais plausíveis como as anteriores.
As contas por pagar, a comida para pôr na mesa, as guerras dentro e fora do tribunal, pelo poder paternal onde se esquece o paternal e busca apenas o poder, o maior poder de aniquilar e magoar o outro, esquecendo por completo o mais importante, as noites mal dormidas revendo problemas e projectando soluções na maior parte dos casos impraticáveis, também em conversas inúteis até quase de madrugada, com um amante casado, enchendo-a simultaneamente de esperança e de dor, e a dúvida acerca da sua própria capacidade de levar esta jornada escolhida para a frente: criar a filha sozinha, levaram-na a um estado de desgaste tal que se poderá facilmente compreender o descuido, se é que o houve.
Acordou a meio da noite, desorientada, no sofá da sala, com a filha aos gritos, um intenso cheiro a queimado e uma luz alaranjada crepitante e oscilante desenhando sombras gigantescas e assustadoras na parede do corredor, vinda da cozinha, e labaredas altas que consumiam já a cozinha inteira.
Foram chamados os bombeiros, a polícia e não há quaisquer danos físicos e visíveis em nenhuma das duas ou sequer da vizinhança que acudiu solidariamente não sem disfarçar uma censura muda transmitida em olhares acutilantes que a ferem como lâminas e espadas espetadas fundo no seu peito. Não tanto como umas outras que lhe trespassam não o corpo mas sim a alma e que se chamam culpa. Questiona tudo agora. A sua sanidade, a sua capacidade de tomar conta de si própria e da filha, o seu direito de egoisticamente ter acabado com um casamento que a fazia infeliz, quando sujeita a filha a privações e até a perigos graves como se está a ver.
Neste momento não se apercebe da mulher forte que é. Nem consegue conceber que o que aconteceu foi um acidente. Que a filha está bem, assim como sempre esteve nos seus dez anos de vida, e que isso se deve essencialmente a ela, sua mãe, que tantas vezes prescindiu da sua própria vida em prol da filha, e que agora, pensar nela própria e que lhe parece egoísmo, não é mais que pensar também na filha. Ela tem direito à felicidade. E lutar por ela… ninguém disse que ia ser fácil. Isso ela já sabe hoje, mas tem ainda muito mais a aprender. A levantar a cabeça e avançar.
Quem me dera poder ajudá-la… E talvez possa sim….
domingo, 19 de abril de 2009
XXI Grande Prémio Moinho de Maré
E assim, neste dia 19 de Abril de 2009, o Miratejo recebeu cerca de 115 atletas que participaram no Grande Prémio Moinho de Maré, que se realizou pela 21ª vez num bairro à beira de um braço de rio, plantado.
Prova integrada no XXII Troféu de Atletismo do Seixal e organizada pelo Clube Recreativo e Desportivo de Miratejo, com o apoio da Câmara Municipal do Seixal e Juntas de Freguesia do Concelho, com inscrições gratuitas, na distância aproximada de 6.400 metros, num percurso em estrada, suficientemente marcado e seguro no que ao condicionamento do trânsito diz respeito, desnivelado, de duas voltas, partida e chegada junto à sede do Clube, transformou uma manhã vulgar numa festa do atletismo para todos.
Controlo por fitas, abastecimentos de água, apesar da curta distância, e água e uma peça de fruta para todos, no final.
Classificações rapidamente disponibilizadas no local, e entrega de prémios por escalões e por equipas em pódio merecido e honroso onde se distribuíram medalhas e taças aos vencedores, anunciados por um “speaker” à altura de provas de outro gabarito e recursos.
Saliente-se também o trabalho de voluntários, nomeadamente o dos Escuteiros, para além de todos os envolvidos, que em conjunto puseram de pé mais esta edição da prova e estão por isso de sinceros parabéns.
Ana Pereira
19 de Abril de 2009
A prova dela:
“Corre nas asas do vento”
As palavras ecoavam-lhe na alma, dando-lhe alento e força. O vento, sob um sol morno, não passava hoje de uma brisa doce, macia e suave como as mãos dele, a acariciar-lhe o rosto à medida que ela avançava na corrida.
Partiu de trás, e foi avançando. Conforme pôde, pois uma semana parada não lhe permitiria jamais qualquer ambição para além de chegar ao fim. Sentiu-se bem. Correu nas asas dele, e chegou ao fim com 33m16s, o que equivalerá à distância aproximada de 6,400 Km.
Agora, o tempo é de não parar… como a promessa feita há dias. Os rascunhos se delinearão e ganharão formas, pois exactamente daqui a três semanas, dia 10 de Maio de 2009, ela estará na Meia Maratona de Setúbal, e uma Meia não se coaduna nem compadece com 6 dias por semana parados…
Até amanhã querido diário







