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sexta-feira, 29 de novembro de 2013

O Campo e a Cidade - ou - As Pessoas - Karpe Diem

..ou ainda "Como se a pressa fosse urgente..." - Karpe Diem
.

Instituiu-se em tempos que na Cidade se tem uma melhor vida, se vive melhor porque há mais oportunidades, onde há mais e melhor evolução, modernização e educação e outras palavras a acabar em ão, mas não todas claramente, mas damos por nós sozinhos no meio da multidão, é o que é.

Treinar na Cidade é passar por 100 corredores e apenas meia dúzia deles (com sorte!) te responderem ao teu "Bom dia", para o caso de tomares a iniciativa de o dares.

No Campo, as coisas são diferentes. Passas por 10 corredores e 9 respondem ao teu cumprimento.

Mas eu vivo no meio termo. Cidade a cheirar a Campo. Campo a cheirar a Cidade. E as pessoas, ai as pessoas são um bicho interessantíssimo para se observar e neste meio Cidade, meio Campo há uma certa confusão social e as tais, as pessoas, não sabem bem como se comportar.

E hoje, ao longo de 18 ,120 Km corridos em 1h50m, pelo "Campo", talvez tenha encontrado os tais 10 corredores e desses dez, nove responderam ao cumprimento, por voz ou por gesto para o caso dos que iam muito ofegantes, mas um deles, que por caso era mulher deu-me a inspiração total para este texto.

"Passou por ela em sentido contrário, ambas em passo lento de corrida. Os olhos desta batem nos daquela e genuina e naturalmente esta atira com um "Bom dia" ao que a outra responde com um grunhido, um som grotesco entre dentes. Fantástico, pensa esta. E sorri. E segue. Volta e mais volta e eis que o caminho destas duas se cruza de novo. Desta vez, esta, não disse nada. Calada, seguiu e nem sorriu ou acenou, como por hábito faz. Desta vez, continuou apenas a ouvir a vento e seguiu ao ritmo do seu coração. Escusado será dizer que deve ter sido um descanso para a outra! Somos umas bestas, é o que é. É triste mas é verdade. E se não tivermos cuidado, ficamos como estas pessoas, porque afinal nós, também somos pessoas.

"As Pessoas"

As pessoas são agressivas
Apressadas e fechadas
Alugaram por uns dias
Uma vida com assoalhadas

As pessoas morrem de tédio
Avançam sem dormir
Nos olhos pobres diabos
Sôfregas no aperto do tempo

As pessoas sobem, as pessoas trepam, as pessoas pulam
As pessoas sobem, as pessoas trepam, as pessoas pulam

.../...


As pessoas morrem de tédio
Avançam sem dormir
Nas margens da loucura
Como se a pressa fosse urgente

.../...

Como se a pressa fosse urgente, Como se a pressa fosse urgente
É como se a pressa fosse urgente
Como se a pressa fosse urgente, Como se a pressa fosse urgente

As pessoas sobem, trepam e pulam, fingem pacatamente
Tugem pelas margens da loucura
Como se a pressa fosse urgente"

Letra: António Manuel Ribeiro
Música: Karpe Diem





2 comentários:

Eugenia Do Vale disse...

Muito bom!...
Boa noite, beijinho

Jorge Branco disse...

Eu "fugi" da cidade para o campo! E não estou nada arrependido!
Mas aqui quando se encontra outro corredor é algo tão raro que é quase uma festa! E claro que nos cumprimentamos!
Mas na falta de colegas corredores tenho vizinhos e conhecidos que me dizem bom dia, vários que me tratam pelo nome e um que me conhece deste criança e me chama sempre campeão!
Correr por aqui é um luxo, bom demais!