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quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

Esperança

Sentas-te à mesa diante do copo que a vida te estendeu, e com ambas as mãos pegas nele com força excessiva e aparentemente desnecessária, como se tivesses medo que ele te escapasse e num piscar de olhos desaparecesse, e sorves em tragos, ávido e sôfrego, réstias de Esperança que alguém te deu e que mal cobrem o fundo do copo, no entanto claramente suficentes para te manter vivo por mais um dia, o de hoje. E mais não é preciso. 

Esperança. Fé. Acreditar. É preciso acreditar. Ter Esperança. Que uma bondosa mão divina, meio à socapa te seja estendida por debaixo da mesa do pequeno almoço, do almoço ou do jantar, que tu não és esquisita na hora de comer, e rendida ao teu olhar de cachorro pobrezinho que passa muita fome, traga nela um bocadinho de pão, de preferência broa de milho que tu adoras e te ofereça com amor, de preferência repetidas vezes, que a memória da dádiva tem duração curta porque a cabeça da avó já não é a mesma. 

É preciso acreditar. Ter Esperança. E nós temos. 

Tão bom ter-te connosco Princesa Molly. 





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