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sábado, 16 de março de 2013

Estados

A princípio é sempre assim. Vem devagarinho, em silêncio, pé ante pé, em pezinhos de lã, sem aviso ou ruído. Vai avançando para nós e vai-se assim, silenciosamente instalando enquanto impotentes damos por isso.

Primeiro fingimos não dar por ela, desviamos o olhar, não queremos ver e acreditamos que se olharmos em frente, quando nos virarmos ela já lá não vai estar. Ziguezagueamos para a despistar na vã esperança dela nos perder o rasto.

Mas não. Ela acaba sempre por nos alcançar. Implacável. Ruidosa agora. Impossível ignorar ou fingir. O silêncio seria quebrado se conseguíssemos gritar. Mas não. Sob o peso dela os gritos são mudos. Queremos levantar-nos mas o peso dela impede-nos, esmagando-nos e abafando-nos o corpo, a voz e a alma.


2 comentários:

Jorge Branco disse...

Um beijinho "Pikena".

Eugenia Do Vale disse...

Ó pá!!
Nunca mais vem o verão? para nos passar estas gosmas que se agarram e não nos querem largar??
beijinho