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sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Atravessou os portões, abertos de par em par como que a acolherem-na ou a convidarem-na a entrar.

O edifício estava iluminado, fortes holofotes incidiam nele a fazerem-no sobressair da noite e da escuridão envolvente em que se encontrava. Portas altas e estreitas e janelas similares, como olhos a mirarem-na do alto, uns abertos, outros meio fechados, conforme as persianas estavam subidas ou descidas. Iluminados alguns, às escuras a maioria, como a guardar quem a vigiava, em segredo e silêncio, supostamente protegidos de um mundo austero.

O edifício olhou-a do alto. Imponente, majestoso e misterioso, austero, frio e forte. Como uma fortaleza no meio da cidade. E o silêncio… Ao mesmo tempo aterrador e reconfortante. É noite na cidade. Há o burburinho do trânsito lá fora, para lá dos portões, o normal para uma hora de ponta ao fim do dia na metrópole, mas ali dentro, há sossego e paz. Por instantes ela desejou pernoitar. Em paz e sossego, e dormir uma noite bem dormida como há muito tempo não dorme. Esta noite. E talvez outra e mais outra ainda.

Mas não. Não será certamente esta noite ainda. Pelo menos ali, protegida pelas espessas paredes cor de rosa suave, a fingir uma doçura e a esconder uma realidade dura por trás delas. Tão suave e tão dura como a vida cá fora afinal. E há uma vida para viver, um fim de semana para passar e uma corrida para correr. Por isso ela deu meia volta e voltou a atravessar os mesmos portões, agora em sentido oposto, com a certeza no entanto, de que vai lá voltar.

2 comentários:

Mité disse...

Nuska

Uma escrita de sensibilidade tocante que me deixa com um nó na garganta e me faz ter vontade de te abraçar.

Aqui ou noutro lado qualquer, estarei sempre presente..quando de mim precisares !!!

Bjos
Bjos

Carlos Lopes disse...

Olá Ana, podias me enviar mais informações sobre o troféu da Costa?? e as datas das provas, gostaria de participar