

E depois levantamo-nos e deparamos com as mesmas faltas e com as mesmas abundâncias dadas como inúteis. Apenas com mais feridas para lamber e sarar. Apenas com mais dor e mais ódio e pena, de nós mesmos, pelo que desperdiçamos e que parece nunca virmos a saber usar. Estúpida inteligência esta...

Falta-me correr. Esta imobilidade não me faz bem. Talvez por isso mesmo a admita e a procure deliberadamente apenas mal disfarçada com desculpas esfarrapadas. A auto flagelação dá-me o que eu mereço. Por isso caio. Por isso levanto-me só para cair de novo. O prazer da dor. Há outra forma de viver?
Eu sei que há. Até eu, em tempos, vivi feliz…
E lá diz a canção para nos embalar e fazer-nos acreditar que é possível... ainda:
“Muda de vida
Se tu não vives satisfeito
Muda de vida
Estás sempre a tempo de mudar
Muda de vida
Não deves viver contrafeito
Muda de vida
Se há vida em ti a latejar
Ver-te a sorrir, eu nunca te vi
E a cantar, eu nunca te ouvi
Será de ti ou pensas que tens
Que ser assim
…/…
Olha que a vida não,
Não é nem deve ser
Como um castigo que
Tu terás que viver
Olha que a vida não,
Não é nem deve ser
Como um castigo que
Tu terás que viver …/…”
Humanos
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