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sexta-feira, 10 de novembro de 2006

"Perguntei às violetas
Se não tinham coração
Se o tinham, porque escondidas
Na folhagem sempre estão?

Responderam-me a chorar,
Com voz de quem muito amou:
Sabeis que dor os desfez,
Ou que traição os gelou
?"











"Há sonhos que ao enterrar-se
Levam dentro do caixão,
Bocados da nossa alma.
Pedaços do coração!


Ai tirem-me o coração
Que o tenho todo desfeito!
Cada pedaço um punhal
Que trago dentro do peito."
















"COVEIROS, SOMBRIOS, DESGRENHADOS,
FAZEI-ME DEPRESSA A COVA,
QUERO ENTERRAR MINHA DOR
QUERO ENTERRAR-ME ASSIM NOVA

COVEIROS, SÓ O CORPO É NOVO,
QUE HÁ POUCOS ANOS NASCEU;
FAZEI-ME DEPRESSA A COVA
QUE A MINHA ALMA MORREU."




Florbela Espanca

1894: A 8 de Dezembro, nasce Florbela Espanca em Vila Viçosa.
1930: Em Matosinhos, Florbela põe fim à vida


"Examina-se diante do espelho e dizendo-se "grosseira e feia, grotesca e miserável" põe em dúvida se saberia fazer versos. Colocando-nos uma vez mais em face das contradições que a atormentam permanentemente e que exprime numa outra frase: "Viver é não saber que se vive".
…/…
Poucos dias antes de morrer interroga-se "que importa o que está para além?" Responde, repetindo o que diz no soneto A um moribundo: seja o que for será melhor que o mundo e que a vida.
A morte anunciada ao longo da sua escrita ocorrerá pouco depois. Põe fim à vida em 8 de Dezembro de 1930, dia em que faz trinta e seis anos, em Matosinhos, onde vive. Aí é enterrada sendo mais tarde trasladada para a sua terra natal.
Com a morte de Florbela, morre, não talvez a maior poetisa do seu tempo, mas uma das que mais agudamente e sem temor exprimiu as grandes contradições da sensibilidade feminina nas suas paixões. Ao mesmo tempo, com uma certa ingenuidade, impregnada das verdades simples ou complexas do que é a mulher, na convergência da cultura e do ser.
Que conduz Florbela para a morte?
Fernanda de Castro, em escrito citado por Carlos Sombrio, sintetiza a resposta: "Porque nunca soube pôr de acordo o seu corpo, o seu espírito e a sua alma".


Ver artigo completo em: http://www.vidaslusofonas.pt/florbela_espanca.htm (Vale a pena)

por ROLANDO GALVÃO

Nota: Se corri estes dias? É óbvio que não. Tenho vindo a caminhar, a pisar e repisar merda e lama. Patinho, e chapinho no estrume. Inevitavelmente aconteceu: Caí. Perdi o controlo e comi mais nesta semana do que nos últimos dois meses. Comida em quantidade e qualidade industrial que dá para alimentar um hipopótamo durante meses. Porque o fiz? É apenas mais uma forma de me destruir. Porque o faço? Não tenho bem a certeza. Porque o escrevo publicamente? Porque enquanto não me puder dar ao luxo de pagar a um "Bom" profissional de saúde mental, e tudo o que isso significa (horas roubadas ao emprego e/ou à filha, e a coragem de tomar uma decisão inteligente) o meu blog é o meu psicanalista, que me ouve e me obriga a ouvir-me. O que pensam de mim? Estou-me nas tintas!

Domingo, Nazaré? Já não sei porque vou nem se valerá a pena...

5 comentários:

carlos lopes disse...

Com tanta mágoa dentro de si, tente pensar sempre em algo, simples e agradável. Eu penso sempre numa que muitas vezes acaba sempre no bem estar…. Correr.Cmp desportivos.

Anónimo disse...

Ana, já há tempos aqui lhe escrevi, dizendo que por vezes temos de atravessar um deserto. É o que lhe está a acontecer. Não desanime.

Sabe, o sol existe, é quente e agradável. Por vezes não o conseguimos sentir, simplesmente porque temos uma qualquer nuvem escura que nos está a escondê-lo. Como não o vemos até não nos lembramos dele. Pensamos que não existe.

E, muitas vezes, a solução mora mesmo ao lado. Basta que nós tenhamos a coragem de afastar essa insignificante nuvem que teima em nos esconder o sol.

Sabe, quando estamos na lama, nada pior nos pode acontecer, a partir daí é só melhorar. É preciso que tenhamos coragem para mudar. E, quando digo mudar, não é só pensar diferente, é agir diferente e tomar decisões que podem ser custosas e que por vezes nos conduzem à solidão. Não tenha medo da solidão. A solidão é só a ausência de pessoas. Nos meus momentos de solidão sou imensamente feliz, pois consigo voar, viver, imaginar e muito mais.

Talvez eu consiga imaginar o que se passa consigo.Mas é só talvez...
E por isso lhe escrevo assim.

Se estiver errado, peço-lhe desculpa. A intenção é ajudar.

A Ana está condenada a dar a volta por cima. Não lhe resta alternativa.

Força Ana.

José que também corre

Anónimo disse...

Talvez estejas a enfrentar a "prova" mais difícil da tua vida.
Como em tantas outras, apesar das dificuldades, conseguiste vencê-las, esta também não a podes perder!!!

Eu apenas grito mais uma vez,como o fiz na mararona do Porto, agora ainda mais alto:

- Força Maria Sem Frio!!!!


José C.

Anónimo disse...

Ana, lembre-se que mesmo na noite mais escura, basta uma pequena luz, vinde não se sabe de onde, emergindo lá do fundo, bem lá do fundo... para nos guiar e nos ajudar a encontrar o nosso caminho.

De certeza que essa réstea de luz existe. Siga-a.

Força.

José que também corre

Maria Sem Frio Nem Casa disse...

Parece que não leio e não ligo, mas leio e ligo.

E as palavras também servem para alguma coisa. Para muita coisa aliás.

Se costumo dizer que os actos é que contam, as palavras leva-as o vento, isso só se aplica aos próximos, àqueles a quem de alguma forma nos damos e que por isso mereceríamos desses muito mais que apenas palavras.

Dos que aqui escrevem, aqueles que nunca saberei quem são,nem isso importa, nada se espera, nada se exige, por isso a Palavra é tão importante, pois mais que isso seria ridículo esperar. E a única coisa que lhes é permitido dar é precisamente isso: a Palavra.

A Palavra que mima, que fere, que ama, que nos transporta e que pode até mudar a direcção dos carris de uma vida. Pois a Palavra é poderosa. Saibamos usá-la e ouví-la.

Obrigada a todos e todas pelas
Palavras, que sempre de alguma forma me tocam, quer ao de leve a roçar a pele somente, quer bem lá no âmago do meu ser onde se escondem e coabitam fantasmas e sonhos.