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domingo, 5 de novembro de 2006

Há um pouco de arco-íris no céu.

Negrume paira sobre a minha cabeça e pesa-me nos ombros como se de um fardo inevitável se tratasse, mas levanto os olhos e há um pouco de arco-íris no céu. Um pouco apenas, mas está lá.

Fiz as X Milhas do Guadiana em 1h26m45s, o que dá uma média de 5m25s/Km, o que não traduz exactamente o que aconteceu, pois cheguei aos 3 km com 15 min certinhos, aos 4 km com 20 min certinhos, aos 5 km com 25 e 12 segundos, e a partir daí pode-se adivinhar o que aconteceu para justificar a média efectuada.

E durante a recta desde a saída da ponte até Vila Real, fomos fustigados por um vento forte que nos impelia para trás. Até tive de tirar o meu boné se não corria o risco de ficar sem ele. Cabelos ao vento, sem um único no rosto, tal era a minha velocidade (corrijo: tal era a intensidade e fúria do vento).

Passo, sou passada, volto a passar, volto a ser passada. Não há nada mais frustrante do que ser ultrapassada por alguém que nós já ultrapassamos. Eu fico absolutamente fula e psicologicamente é como se me pregassem uma rasteira e me deixassem de rastos no chão com as mãos e os joelhos a sangrar. Às vezes ainda tenho força para me levantar, sacudir o pó e reagir. Por vezes recupero a posição perdida, muitas vezes, não. Isto no que respeita mais às mulheres, pois é com elas que mais posso chamar estar a competir, embora também não gosto da mesma situação quando se passa com indivíduos de sexo oposto ao meu, mas aí considero uma Competição paralela. Com elas, jovens ou menos jovens, é que quero marcar posição. No meio do pelotão, é só avistar uma lá à frente! Só lá não chego e não a passo se não puder!

Mas senti-me cansada. Muito cansada, quase exausta. Tão mal que me assalta um nó na garganta e me vêm as lágrimas aos olhos! Corro sozinha. Que faço ali? Contra o vento, contra o meu corpo que implora que eu pare. Porque estou ali? Com as costas das mãos limpo as lágrimas que nem atingiram sequer o meio do rosto e se misturam no suor. Há que controlar-me, o aperto intenso na garganta arrisca-me a deixar de conseguir respirar. Soluço baixinho. Ex-Companheiros de equipa passam por mim. Simpáticos e queridos uns, estupidamente indiferentes outros. Estou magoada. Física e emocionalmente. Parece que não vou superar. Mas superei. Volto a conseguir respirar de forma normal, e avanço colando-me ora a um ora a outro que me iam passando. Chego à meta. Vitoria? Vitória de quê? Que ganhei eu hoje? Gostaria de vir aqui fazer a apologia da alegria da chegada, mas não consigo. Hoje não ganhei nada para além do facto de passar mais um dia da minha vida e não ter ainda acabado com ela.

A Lénia Gamito e eu, no fim. Durante a prova, logo no início, deixei-a para trás, eu quebro e ela passa-me e depois acho que ela com pena de mim, me deixou voltar a passá-la...


E lá no céu, bem longe, quase inalcancável, muito ténue, continua um bocado do arco-íris para quem o quiser ver. E eu ainda o consigo ver, mas será que quero?

4 comentários:

Lénia disse...

Ana,
Sei que a prova de ontem não te correu da melhor forma. Antes de acabarmos a prova, já eu sabia que algo não estava a correr bem ctg.
Mas afinal, o que interessa não foi termos "engolido" aquelas subidas, vencido aquele vento maldoso que nos empurrava para trás, e ultrapassado alguns calmeirões (que depois no final me ultrapassaram a mim :-))?????
Ontem fomos e seremos sempre vencedoras. Estivemos lá, lutámos contra aquilo e contra o que vai dentro de nós e chegámos ao fim. E isso, minha cara, para mim é vencer.
É claro que para a próxima pode sempre correr melhor. Força!
Beijinhos,
Lénia

Álvaro disse...

Anofa:

Não há paciência...Que telhas!!!!

Então, corres contra ventos e subidas, chegas viva ao fim, ultrapassaste a Lénia, dum escalão abaixo do teu, e ainda te queixas????
Não fizeste um tempo melhor...E depois??? Que raio!!!!

E agora, já sei q na próxima em q eu te der um ganda bigode, vais ficar fula comigo...!

Vá lá, ultrapassa essa, lembra-te Q é o Sol que faz o arco-íris e enquanto há Sol, há esperança!

E o comentário à foto: Que belos borrachinhos!

;-)

Beijinhos

carlos Lopes disse...

O meu comentário vai para o Álvaro, sobre a foto…faço as suas palavras as minhas . Outra coisa, era só pra dizer que já tem este Blog noutro Blog….

www.gdbva.blogspot.com.

Anónimo disse...

Ana,
estou mesmo a ver o Álvaro, numa
próxima corrida a dar-lhe um ganda
bigode, e depois? vai dizer que
numca mais corre, Ó Ana, por Amor de Deus, 1h26m, é muito bom, fiz a
prova á dois Anos, sei que não é
facil, agora por dois ou três minutos, na minha modesta opinião
não justifica tanta tristesa.
vai ver, a desforra vai ser na Nazaré, estou lá pra ver
Ana, Atenção á carga de esforço.
AP