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terça-feira, 5 de maio de 2015

Zé Duarte

Não disse nada, não escrevi, não consegui chorar sequer, não me despedi fisicamente sequer...

Não éramos propriamente amigos do peito, apenas pessoas que se estimam, respeitam e desejam bem mutuamente. Que partilham alguma coisa, que conversaram, trocaram ideias, estiveram de acordo e desacordo e até confidenciaram intimidades à laia de desabafo num passado longe dos dias de hoje. Esperanças e sonhos partilhados, não em comum note-se, mas o prazer e necessidade da partilhar as ilusões e desilusões da vida de cada um, tornaram-nos um pouco mais próximos e sim, Amigos.

Gostava do Zé Duarte, como provavelmente ele gostava de mim. Divergências à parte e caminhos de vida separados, ainda assim éramos Amigos. 

Recordo bem um balcão de café onde minutos antes de uma prova nos encontrámos, no longínquo ano de 2001 ou talvez 2002, e comentarmos em jeito de brincadeira que ele era o responsável por uma viragem de 180º na minha vida, à custo de um artigo que escrevera na Revista Atletismo e que eu tinha lido no último Verão. Rimos. Rimos muito enquanto bebericávamos o café da chávena de loiça lascada e sim, era verdade. Sorrio hoje ao lembrar-me da sua voz, do seu sorriso, do seu olhar, da sua alegria e das constantes piadas e brincadeiras e sim Zé, tu mudaste a vida de muita gente. Fizeste diferença. 

Hoje, continuo sem chorar mas uma dor em parte incerta mora em mim, adormecida muitas vezes, porque não quero acreditar nem aceitar que partiste, mas é verdade. Partiste. Não te vou encontrar em mais prova nenhuma. Não correrei jamais ao teu lado nem falaremos da nossa falta de forma ou do nosso peso. Não te vou poder sorrir quando em prova te encontrava a fotografar os atletas. Não te vou mais acompanhar virtualmente quando partilhavas um pouco da tua vida com o mundo e dessa forma vi a tua filha crescer linda e feliz com tudo o que eras para ela e fazias por e com ela.

Estou triste Zé. Não nos devias ter deixado assim, nem comprovar-nos da pior maneira o que já sabemos mas teimamos em esquecer: que a vida nos prega as rasteiras mais perigosas, subita e inesperadamente e o nosso mundo deixa de ser o que era de forma permanente e imutável. E esquecemos isso a maior parte do tempo Zé. 

Até sempre meu Amigo...


"No dia em que é celebrada a Missa do 30º dia em memória do nosso companheiro José Duarte, resolvemos recuperar um texto seu, escrito há alguns anos e publicado no espaço de Opinião do site antigo, para ler
aqui" - Amma Atletismo Magazine Modalidades Amadoras

6 comentários:

Sílvio Horta disse...

Coitado do senhor... :'( Acho que o conhecia de vista das corridas. Era muito novo não era? Foi algum ataque cardíaco?

Luis Estêvão disse...

Lembrarmo-nos de pessoas que já partiram é mantê-las vivas!

Força!

.JOSÉ LOPES disse...

Foi aluno na escola onde trabalhei desde 1983, Escola Secundária da Falagueira - Amadora.Não me lembro se foi meu aluno.Lembro-me de o ver nas corridas.Desapareceu tão novo é uma pena.

Anónimo disse...

Olá Ana,

Um belo texto. Eu conhecia-o e embora não falasse muito com ele sempre foi simpático para mim. Não sei o que te fez deixar-nos Zé mas resta-me dizer-te...até um dia...noutro lugar qualquer.

Um bj para ti Ana, bons treinos
Fernando Sousa

Sérgio Pontes disse...

Os meus sentimentos!

Horticasa hoticasa disse...

Agora fui apanhada de surpresa, fomos juntos a Sevilha em 1999, ainda eu nem pensava em correr e sim, foi essa viagem, à meia maratona de Los Palacios que me motivou a correr...
fiquei sem palavras, paz à sua alma