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quarta-feira, 2 de agosto de 2006


Recordar olhando para trás, e Caminhar em frente com mais bagagem. Obrigada Sálvio!

Memorial Sálvio Nora - 9 de Julho de 2006

Agora custa-me escrever. Porque é que ontem à noite no meio da trovoada na noite escura apenas momentaneamente iluminada pelos relâmpagos, pelo piar assustado das aves e pelo correr do rio agitado pelas violentas gotas de chuva, tudo me parecia tão claro e óbvio, e as palavras dançavam na minha cabeça, fluidas, fáceis e belas e se entendiam e arrumavam em harmonia? Estarias comigo sem eu o saber?


Estou a escrever-te debaixo da mesma azinheira onde te ouvi e te falei pela última vez. Agora falo-te e ouço-te em qualquer lugar. Mas naquele dia, involuntariamente talvez, mentiste por certo dizendo que estavas melhor.

Pouco mais de dois meses passados reencontramo-nos. Na Serra da Freita desta vez. Para o Memorial Sálvio Nora. Se gostei do Memorial? Não, não gostei. Teria preferido que estivesses entre nós a correr naquele magnífico cenário numa prova igual mas com um outro nome qualquer.

Detestei olhar o teu velho equipamento agora sobre um boneco, como se fosse uma farda de um militar de que ninguém recorda o nome, meticulosamente limpa, vincada, arrumada, esquecida e sem vida no canto de um museu qualquer. Queria-o sujo e suado sobre o pulsar do teu corpo quente e coberto de pó.

Resta-me pensar que quem gosta de nós e quem nós gostamos nunca nos deixa completamente e na verdade tu estiveste entre nós esvoaçando entre as borboletas e guiando-nos pela magnitude desta serra tantas vezes lida mas nunca corrida, neste teu "Mundo Fantástico" que sem ti é de difícil compreensão e de sentido duvidoso, mas ajudai-nos por favor a tentar alcançar um pouco dessa sabedoria. Estou perdida Sálvio, muito para além da imensidão desta serra e do percurso desta prova onde as fitas sinalizadoras foram claramente ineficientes.

As vacas que me ensinaste arouquesas, a água que corre, o céu que nos cobre e abençoa e as pedras, as outras e as parideiras que guardo como valiosos troféus, uma aceite durante a minha experiência de 12 Km, e outra resgatada por um amigo que tu gostarias de ter acompanhado neste Trail de 50 Km, e que me foi ofertada dias depois, são preciosidades da vida contidas em forma de pedras agora a descansar na frescura da minha casa, amontoadas ao lado da tartaruga de madeira.

Um dos ensinamentos que me passaste e da forma mais abrupta possível foi que mesmo das coisas más poderemos sempre retirar coisas boas.

Com a tua partida fui levada a conhecer uma pessoa extraordinária. Ela é especial, encanta, transmite alegria e é uma tua grande e verdadeira amiga, companheira de treino também e sempre presente no teu "Mundo Fantástico", que aqui homenageio pois sempre preferi as homenagens aos vivos: Margarida Pinto!

Ao vê-la chegar dos 50 Km tive a certeza que tu estiveste ali o tempo todo a sorrir connosco e que tudo aquilo vale a pena, que a tua morte me fez conhecer esta maravilhosa pessoa e família, e que ainda fez nascer este Memorial que tem todo o potencial para se tornar uma referencia internacional no género, sem perder o essencial: o ar que se respira e a envolve e que és tu!

E tu, gostaste do Memorial, Sálvio? O que nos escreverias sobre ele de forma majestosa e apaixonante trazendo-nos até ele apelados pelas tuas palavras mágicas?

De forma humilde e talvez medíocre, em oposição à riqueza de emoções e sentimentos que sinto em catadupa, e lutando para contrariar a anarquia das palavras soltas que me assaltam, isto foi só o que eu consegui escrever sobre esta edição experimental do Memorial Sálvio Nora.



3ª feira, 1 de Agosto de 2006

O comboio partiu e eu fiquei no extremo da linha. Onde as pessoas chegam e de onde as pessoas partem. Quase todas com um rumo.

Encruzilhadas de linhas à minha frente misturam-se e baralham-me o olhar e o pensamento.

O Porto é além. O comboio partiu. Há outras e muitas maneiras de lá chegar. Mas cada dia que passa torna o caminho mais penoso.

Deverei ficar? Ou seguir a linha? Mas que linha? Ao comboio já lhe perdi o rasto e neste emaranhado não consigo perceber que linha hei-de seguir.

segunda-feira, 31 de julho de 2006



"Há buracos que uma vez lá caídos, nunca mais de lá se sai."

Revejo-me nas palavras, perfeita e demasiadamente ciente dessa realidade. E por essa consciencialização infeliz, rastejo pelas paredes numa inglória luta, chapinhando, escorregando, recusando-me a cair, arranhando as unhas até o sabugo sangrar e arrepiar-me com o ruído estridente e cortante das minhas próprias unhas a descerem lentamente as paredes que me cercam. Negras elas, negra eu.

Para que insisto nisto?
Nesta obsessão
Abolição e punição
Ao mesmo tempo?

Deixar de ser eu
Quem e o que sou eu?
Para me tornar no quê?

O caos reina
E eu estou perdida
Nesta imensão medonha que é a vida

Ficar, passar, ir
Já não percebo
A importância de tudo

E o que faço
Quero e posso
Já não sei o que é

Ai, como eu conheço esse abismo
Rastejo, contorço-me
Não querendo admitir
Que já estou nele
Há muito e muito tempo

As paredes do poço são viscosas
Negras e húmidas
Não, não estão geladas
Mas sim a uma temperatura amena
São moles e negras
Como vísceras de animais
Corroídas pelo cancro ou algo pior
Não têm odor
Estão só à minha frente
e ao lado e atrás
Ao meu redor afinal

Às vezes faltam-me as palavras e tenho de usar outras
Como se outras pudessem substituir aquelas,
Como se estas pudessem querer dizer
O que dizem aquelas

Loucura
A um passo da sanidade

Não, não vou deixar-me cair
Ainda não me acobardei a esse ponto
Resisto resignada apenas

E lá fora...
Há tanto para mim


O Comboio espera na estação
"Já não o vou conseguir apanhar", soluço

Parte para o Porto amanhã de madrugada. Tem chegada prevista lá para o dia 14 de Outubro de 2006.

E até ele sair há ainda uma noite para passar. Dolorosa como as demais.

Aperto o bilhete na mão transpirada e respiro fundo. Mas o ar está demasiado quente e não me deixa respirar. E as pernas não se movem. Ou levam-me pelo caminho errado, como se tivessem vontade própria.
Quase a despertar, ensonada ainda, cheguei à praia, mas à medida que o dia avançou...

Ontem, no

Raid Melides Tróia 2006

Foi um dia espectacular! Entre o Sol e a areia escaldante, o mar e a sombra do portal da meta refrescada pela brisa que ainda assim corria, com os olhos fixos na expectativa dos autênticos heróis que chegavam, estive eu das dez da manhã às cinco da tarde! Sobrevivi graças a quase quatro litros de água que bebi, ao fabuloso mar cheio de algas e à excelente e constante companhia do Carlos Viana, assim como de outros amigos e conhecidos, dos quais destaco o Zen entre outros, não mencionando aqueles que estavam em prova, e que tive um enorme prazer em ver chegar.

De máquina em punho, fotografei grande parte dos atletas que chegaram, em grande plano, e ainda vários "apanhados".

A brincar de fotógrafa, acho que fiz um "trabalho" bastante razoável, do qual tirei muito prazer para além das fotos. Não fosse a senhora da Câmara nos convidar a sair da sombra protectora que a meta nos proporcionava, onde os atletas chegavam de meia em meia hora , pois a senhora deve ter calculado que com tal afluência a nossa presença ali prejudicaria a chegada, e disponibilizaria de muito bom grado todas as fotos que tirei a essa entidade, mas dada a compreensão pelo que estávamos a fazer por parte dessa senhora, não o farei.

Mas o que é certo é que guardar para mim o que captei não serve de nada. Fechar um CD numa gaveta intitulado "Raid Melides Tróia 2006" não interessa a ninguém. Nem a mim!

À hora da partida, dormia eu, fazendo uso de um egoísmo também necessário, mas à medida que o dia avançou, junto à meta fui-me deixando absorver pelo ambiente ao ponto de sentir quase aquelas vitórias como minhas, em cada rosto que chegava.

Com o cartão da máquina a ficar cheio, tinha pensado deixar de fotografar todos os que chegavam para guardar "espaço" para os amigos que haviam de chegar. Mas depois, por cada atleta chegado, ao olhá-los, não pude deixar de fotografar. Eles e elas mereciam! Mereciam! Não podia ficar alheia ao esforço de 6 e mais horas, de máquina pendurada ao peito, indiferente.
Senti-me na obrigação. E fotografei todos os que pude. Muitos me escaparam. Os primeiros, pois eu ainda não me tinha decidido a fazer esta autêntica maratona fotográfica, e outros que ficaram menos bem. A todos esses peço desculpa por me terem escapado. Mas muitos ficaram bem. E calculo que gostem de se ver.

Vou criar um Album, e em breve aqui deixarei o endereço, para que todos (até a senhora da Câmara se se der a esse incómodo) possam ver as imagens e não só, do que consegui captar deste fabuloso dia! Ver, copiar, o que quiserem. Estive ao serviço. Dos Amantes da Corrida! Acho que vão gostar de ver.

Em breve voltarei a este espaço para divulgar o referido endereço.

Aproveito para felicitar todos os que venceram porque se venceram! Parabéns a Todos! Até aos que desistiram pois infelizmente alguma coisa não lhes permitiu prosseguir, mas pelo menos tiveram a coragem de aceitar o desafio (eu não tive).

Até breve
Ao dispor

quinta-feira, 6 de julho de 2006

terça-feira, 4 de julho de 2006


3ª feira, 4 de Julho de 2006 - De regresso às lides

Ora cá estou eu de novo!

Um pouco tarde (mas não tanto como a Câmara Municipal de Almada) para anunciar que o
meu clube - Clube do Sargento da Armada - venceu o Troféu de Almada - época 2005/2006!!!!!

1º Lugar finalmente! Bem merecido, bem ganho!

E eu? como é que fico?

Vaidosa, contente, feliz por pertencer a esta "família" e por continuar a vestir a camisola com todo o brio que o clube merece!

Mais que companheiros de estrada, de viagens, de almoços e jantares, de treinos, de esforço em conjunto, de competição saudável, de conversa, tenho ali alguns amigos. Posso chamá-los assim.

E meus "amigos", estou de volta! Jamais me calarão.

Até já

segunda-feira, 26 de junho de 2006

26 de Junho de 2006

Sentados à mesa do café, de olhos nos olhos, ela entusiasmada diz:

- Dia 9 vou à Serra da Freita! Queres ir? Podias ir! Ias gostar! Não queres ir? – a sugestão saiu espontânea e natural como era o brilho dos seus olhos quando falava de corridas e partilhava o seu entusiasmo na por vezes vã tentativa de transmitir aos outros o que sentia ela, contagiando-os.

- Ir…até podia ir. Até podia ir contigo… - diz o moço num misto de vontade e de falta dela – …mas depois…lá começava o outro outra vez a desconfiar, a ameaçar-me…essas coisas…

Ela, decepcionada sem surpresa, compreendeu e baixou os olhos, talvez para o não magoar mostrando a sua desilusão, ou talvez pelo contrário para dessa forma a acentuar:

- Pois….Claro…

Com os dedos delgados e compridos sensuais pegou na chávena de café e deu o último trago amargo e intenso, mudando de assunto, falando de nada.

- Tu já sabes, sou teu amigo – tenta remediar ele – Ajudaste-me quando precisei, por isso conta comigo quando precisares, já sabes.

Ela já sabia, e sozinha na mesa, sorri com tristeza.

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Ai, se nós não precisássemos de ninguém!

Se fôssemos independentes de tal forma, que uma total auto-suficiência de sentimentos e emoções nos chegasse para sermos felizes e estarmos bem!

Mas por mais que os outros nos passem ao lado, vivemos com os outros, e somos nós os outros para os outros.

É esta a nossa riqueza e a nossa perdição. A capacidade de sentir emocionalmente. O envolvimento e o sentimento que nos une, nos separa, nos ampara ou nos destrói.

Felizes os que se amam o suficiente para não precisarem de ninguém.

sábado, 24 de junho de 2006

Ainda na Vidigueira: 15 Junho 2006


Um adversário à minha altura neste momento: Ginja! Ainda não foi desta Ginja! Passaste-me na subida, mas depois foi ver-me voar por ti, que nem uma flecha! Claro que tive a ajuda da minha lebre!


A minha lebre nas últimas provas: Fonseca Santos... "obrigada Fonseca!"


Depois da prova, o almoço convívio


E depois do almoço, visita a padaria "caseira", escondida no quintal de uma aldeola, onde se pode comprar bom pão alentejano e bolinhos de fazer chorar por mais. Como é que se há-de emagrecer?

Ainda na Vidigueira…

A Vidigueira foi muito mais que uma Corrida. A Vidigueira para além da corrida em si, deu-me de novo a confiança em mim própria, no que sou e no que valho.

As pessoas que revi, que se mostraram reais e sinceras. Nos últimos meses muito tenho aprendido – aquilo que todos já sabemos mas que a melhor forma de aprender é passar por elas:

Os “amigos” que não o são. As duas caras e duas posturas: uma à nossa frente, e outra nas nossas costas. A imagem que se quer manter ao pé de nós, e a oposta quando não estamos presentes.

Hoje em mim, a desconfiança aguça-se e prima-se como nunca. Quando falamos raramente sabemos quem é a pessoa com quem falamos.

Amigos? Conto-os pelos dedos de uma só mão, e ainda sobram dedos.

O comportamento dos outros é coisa que nos ultrapassa. É pena e é triste é que as pessoas insistam em querer dar uma imagem do que não são. Mais genuíno seria retratarem-se ou então simplesmente absterem-se. Triste é quererem mostrar o que não são. E mais triste ainda é acharem-se mais espertos que os outros e acreditarem que podem manter duas posturas opostas consoante os interesses e saírem impunes, como se os outros fossem cegos.

Os amigos que o são (são?????) apenas quando julgam que de nós podem tirar benefícios. Os que alimentam o ego semeando palavras de um apoio que jamais tencionam dar.

É triste, imensamente triste…

Pouco resta…mas esse pouco que resta vale muito mais!

Mas nestes tristes episódios ganha-se também coisas boas! Pessoas que nos surpreendem. Pelo menos até ao dia em que hão-de falhar, como os outros.

Mas por vezes, no meio da tempestade, surge aquele alguém, e ainda mais aquele, que se mostra amigo, e que com o tempo quem sabe, conseguirá manter o estatuto.

Ontem, tive uma longa conversa ao telefone com….”um amigo”. Um nó na garganta, uma emoção revolvida e desenterrada das entranhas, uma comoção inesperada por descobrirmos o que valemos para alguém. O que a nossa postura vale, as nossas palavras, as nossas acções.

Tenho sido uma estúpida. O que valorizo, a confiança que deposito, as ilusões que creio reais.

Mas aprendo. Estou sempre a aprender. E não perdendo nunca a esperança no ser humano como ser racional capaz de amar, de se dar, ser genuíno, leal, fiel e coerente, assumido, quaisquer que sejam as circunstâncias, e não um verme viscoso e escorregadio que se contorce, esgueira e age conforme as conveniências e proveitos de que possa usufruir, aqui continuo eu, a escrever, a acreditar, a correr, a viver.

Por instantes de felicidade vale a pena continuar viva no meio da hipocrisia e da mentira que compõem o nosso mundo.

Como sempre tenho dito, se descobrirmos um único ser que valha a pena conhecer, que mereça a nossa sinceridade, sentimentos e entrega, não darei por perdido o tempo que gastei a descobrir centenas de vermes.

E se nos últimos meses conheci dezenas de vermes, também há esses seres que me fazem acreditar que vale a pena continuar neste mundo (no da Corrida e no outro)

E eu? Que sou eu para os outros? Não, não vou fazer a apologia de mim própria, usando palavras sem fim. Eu simplesmente, sou!

quinta-feira, 22 de junho de 2006

Há dias assim...
Em que nos sentimos quase derrotados
Resta-nos uma ténue esperança de conseguirmos resistir
De conseguirmos continuar a ter força
A força necessária para não sucumbir derreados

Aqui cá ando, mas... estão a dar cabo de mim... cabo de mim....e eu tenho deixado...



"Quer eu queira quer não queira
Esta cidade
Há-de ser uma fronteira
E a verdade
Cada vez menos
Cada vez menos
Verdadeira

Quer eu queira
Quer não queira
No meio desta liberdade
Filhos da puta
Sem razão
E sem sentido
No meio da rua
Nua crua e bruta
Eu luto sempre do outro lado da luta
A polícia já tem o meu nome
Minha foto está no ficheiro

Porque eu não me rendo porque eu não me vendo
Nem por ideais
Nem por dinheiro
E como eu sou e quero ser sempre assim
Um rio que corre sem princípio nem fim

O poder podre dos homens normais
Está a tentar dar cabo de mim
Cabo de mim"

Xutos & Pontapés

segunda-feira, 19 de junho de 2006


Voltando um pouquinho atrás…..

15 de Junho de 2006 – XX Escalada do Mendro – Vidigueira

Pela vigésima vez, realizou-se a Escalada do Mendro. Sou ainda do tempo de outros percursos e do injusto mas ainda teimosamente praticado por demasiadas organizações “Escalão Único” para a classificação das mulheres.

Hoje as coisas estão diferentes. A Escalada do Mendro integra-se no Desafio e no Circuito de Montanha. Tem uma Caminhada em simultâneo, provas para os mais jovens e dividiu o escalão feminino.

Organizada pela Câmara Municipal da Vidigueira com o apoio de Terras de Aventura, a XX edição foi uma prova muito bonita, bem cuidada e muito bem sucedida.

De inscrição gratuita, a prova bateu o record de participantes, que ultrapassou as 3 centenas na prova principal, e juntando ainda depois os caminheiros e os escalões jovens, foram sem dúvida mobilizadas para a prática do exercício físico umas centenas de pessoas.

Controlo à partida, três abastecimentos para uma prova dura de menos de 12 km foram mais que suficientes, apesar de no primeiro a água ter acabado antes de passar o último atleta, mas tendo em conta que esse abastecimento seria até dispensável, a falta não é grave, embora um pouco de água naquela altura e com aquele calor tivesse sabido bem. Restantes abastecimentos impecáveis, com pessoal bem organizado e solícito.

Percurso agradável bem sinalizado e policiado, segurança suficiente em relação ao trânsito nas partes de alcatrão onde o trânsito não foi completamente cortado. Uma boa parte do percurso em terra batida, com a novidade em relação à última edição, da descida ser também em terra batida, o que agradou a todos com quem falei e não foram poucos.

A chegada é feita sem problemas, a recepção é boa, e temos de novo água, e agora sumo, t-shirt e boné.

Balneários e piscina à disposição dos atletas.

É oferecido a todos um bom almoço: carne grelhada, pão, salada, vários tipos de fruta, e bebidas à escolha. O espaço é amplo e agradável debaixo de uns pinheiros.

A entrega de prémios é feita após o almoço no mesmo local. Atletas chamados ao pódio com o despacho suficiente e necessário, e são também sorteadas muitas garrafas de vinho da região entre todos os participantes. Um genuíno e salutar momento de convívio que foi proporcionado a todos os presentes que de certeza não deram por mal empregue a viagem até àquela terra alentejana.

É facultada de imediato a classificação a quem a solicitasse. Pessoal afável, simpático, modesto e acolhedor. Não estivéssemos nós no Alentejo!

XX Escalada do Mendro, uma prova que mostrou o que vale e que este ano atingiu um nível organizativo bastante elevado, que fazemos votos se mantenha por muitos e bons anos. A todos os envolvidos que de alguma forma contribuíram para a realização da prova, os meus Parabéns e até para o ano!

domingo, 18 de junho de 2006

Fim de Semana de 17 e 18 de Junho de 2006

O que se descobre a navegar por aí, pela vida…

Hoje poderia estar aqui a escrever de forma eloquente sobre a Corrida das Festas Cidade do Porto, prova em que estava inscrita e que com muita pena minha não pude estar presente.

Pois como nem só de Corrida vive a Mulher passei este fim-de-semana no Fórum Almada e suas imediações. No Fórum sim, mas não no comercial, que todos conhecem e frequentam, onde se compram marcas para nos rotularmos identificarmos.

Estive no Fórum Municipal Romeu Correia, a assistir a um espectáculo no Auditório Fernando Lopes Graça, em plena Almada.

E as coisas que descobri!

"Descobri" hoje Almerinda Correia e Romeu Correia. No átrio do Fórum, aguardo a hora de entrar para assistir ao espectáculo de dança em que a minha filha participa. E mente inquieta, decido saber quem foi Romeu Correia. E por ele chego a Almerinda Correia.

Amante da Corrida, surpreendida fico com o que descubro! E eu, a viver aqui, a correr aqui, e que ignorante sou!!

Obrigada a quem disponibiliza informação sobre estas duas ilustres figuras que viveram aqui tão perto, onde vivo eu, passo e corro todos os dias, nestas ruas de Cacilhas e Almada.

As lutas que travaram, as vitórias que alcançaram. O que usufruimos hoje, sem nos darmos conta do que custou aqui chegar...

E que ignorante sou...

Romeu Correia
nasceu em Cacilhas em 1917 e faleceu em Almada em Junho de 1996.

Apenas com a instrução primária, não deixou que a ignorância o abafasse, nem a ele nem aos outros, pois procurou instruir-se, leu, e aprendeu, e sempre tentou o mesmo para os outros.

Ele intervém, mobiliza e começa a liderar o Movimento Associativo de Almada.

Em 1942 casou com Almerinda Correia, que durante o período da II Guerra consagrou-se por cinco vezes Campeã Nacional, no Lançamento de Peso, Disco e Dardo. Era uma atleta completa pois destacou-se também na corrida, saltos e arremesso.

Ainda na década de 40, ela e o marido, praticante de Boxe, criam no Almada Atlético Clube um núcleo de raparigas praticante de Atletismo. Um escândalo para a época e local, em contraste com a descontracção, alegria e saúde que as raparigas transmitiam a praticarem Atletismo de camisola de manga curta e calção de meia perna!

Em 1943, ainda em plena II Guerra Mundial, junto com um grupo de jovens anti-fascistas, Romeu Correia funda a Biblioteca Popular da Academia Almadense e reorganiza a da Incrível Almadense.

Em várias colectividades promove recitais e conferências.

Em 1947, edita o seu primeiro livro “Sábado sem Sol”, revertendo os lucros para as tesourarias da Academia e da Incrível Almadense.

A PIDE alertada então para as características das suas obras: Generosidade, preocupação com o próximo, intervenção social e luta contra a exploração e a tirania, tenta apreender a edição de 1500 exemplares, mas pouco mais de 50 conseguiu apreender.

Duas figuras absolutamente admiráveis: Romeu Correia e Almerinda Correia! Conheci-os hoje, apesar de já não estarem entre nós. Mas o que eles foram e fizeram continua entre nós. De forma inequívoca!

A Liberdade que temos, as opções que são nossas, a livre expressão de opinião, de sentimento, de ideias, pela palavra, pelo corpo, pela atitude!

Sinto que tenho ainda muito para aprender, para ver, para sentir, para dar!!! Sinto que o tempo que me resta não é nada! A Vida tem tanto para nos dar e nós tanto para darmos! E nós por vezes (a maior parte das vezes) esquecemos e desperdiçamos. Estúpidos que somos...

Uma vontade louca de Viver invadiu-me. Por instantes senti que é bom estar Vivo! Que o Sol brilha, que há uma Vida para mim!


Hoje estive no Fórum a assistir ao espectáculo de dança da Companhia de Dança de Almada. Uma demonstração das várias classes e dos vários estilos. Gostei muito. E não tendo mais palavras, uso as de outro, com todo o merecido respeito:

“A arte não é o adorno da boa sociedade, mas sim a expressão freemente da vida.”

Fernando Lopes Graça

Cá fora o futebol: Portugal - Irão: Cristiano Ronaldo faz o 2-0!!! A massa agita-se, explode num frenesim de alegria e extâse.

Lá dentro, outro e o mesmo mundo:


E eu, como já disse, nem só de Corrida vive a Mulher, e troquei rapidamente o fim de semana no Porto (Corrida das Festas Cidade do Porto) tão só...e apenas ...por isto...

Amei!

sexta-feira, 16 de junho de 2006


Enquanto não me chega a genica e a inspiração para escrever algo (do imenso que se poderia dizer) sobre a XX Escalada do Mendro, Vidigueira, onde tive o privilégio de participar ontem, estou para aqui a ruminar pensamentos menos bons e com uma vontade danada de devorar chocolate preto. Ou de leite, ou branco, ou com avelãs (o meu preferido) ou uma mistura de todos. Ainda não sei se chegarei até final do dia sem cometer o pecado.

Sim, porque comer chocolate é pecado! É especiaria digna de deuses e seus filiados. E eu, simples mortal, não sou nem uma coisa nem outra.

Mas um pedacinho só… Ai, um pedacinho só não faz mal, pois não? Tenho direito ao verdadeiro néctar dos deuses, eu sei que tenho, mas outras crenças, ou antes outros factos, me dizem que não devia. É-me desnecessário e nada benéfico.

"Comes mais do que corres…" – ecoa-me na cabeça a frase proferida ontem e a mim dirigida com toda a veracidade, enquanto devorava eu uma bifana ainda quentinha e bem grelhada a escorrer o suco da carne para o pão caseiro alentejano, duas fatias generosas que nos deixam farinha à volta da boca após cada dentada gulosa.

Pois é, por isso é que estou como estou, e ainda desejo e penso comer chocolate negro delicioso.

Água na boca. É com água na boca que fico.

E fico assim a sonhar depois dos teus olhos me fixarem por instantes, num abraço furtivo, numa carícia disfarçada, pois sei que esse olhar existe ainda para mim, mesmo que não venha de ti.

Mas foi bom voltar a sentir os teus olhos pousados em mim. Deu-me forças para continuar a acreditar que essas coisas ainda existem, até para mim.

Ah, acho que agora vou até ali dar uma dentada no chocolate que me tenta só porque existe. São assim, as coisas boas da vida.

terça-feira, 13 de junho de 2006

3ª feira, 13 de Junho de 2006

Sentados no café diante de uma chávena agora vazia, escrevendo nele eu, e o meu caderno de capa negra à minha mercê. Meio cheio, meio vazio, à espera o meu caderno de capa negra.

Não tão negra como os corvos que esvoaçavam à nossa frente no treino de hoje. Por trás das árvores eles saíam e descarados e negros como os melros cruzavam o nosso caminho grasnando.

Por duas vezes passamos por um coelho. Não podemos garantir que fosse o mesmo coelho. Apenas estava na mesma área do primeiro que vimos, e reagiu da mesma forma em ambas as vezes. A menos de dois metros e de costas para o trilho onde seguíamos, voltou a cabeça à nossa passagem, viu-nos com os seus olhos negros, mexeu as narinas e deu dois saltinhos para a frente sem nunca nos perder de vista.

Quando ali voltamos a passar, a cena repetiu-se e eu trouxe comigo o seu olhar negro, vigilante e atento, mas sem medo! Corajoso coelhinho!

Há pinhas e caruma dos pinheiros caído pelo chão. O sol escondido realça ainda mais o cheiro dos pinheiros que nos acompanhou ao longo dos 45 minutos de treino. Pequenos desníveis dão-nos um treino vivo e a terra batida amortece-nos o impacto do nosso corpo pesado em cada passada que damos.

Obrigada Santo António por permitires estes prazeres aos Lisboetas num dia de semana.

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- O quê?! A Maratona em Outubro em menos de 4 horas?! Você?!
- Sim, eu!
- Desculpe-me menina, mas…você não tem corpo de atleta…desculpe mas vou dizer-lhe isto…é um elogio e uma crítica…desculpe-me desde já…mas você está…redonda! Quer dizer…como mulher está muito bem, não me leve a mal, mas como atleta… A Maratona em menos de 4 horas daqui a 4 meses?! Mas nem pense nisso! Não se meta nisso!
- Quer apostar?! E olhe, esta mulher redonda à sua frente vai continuar Mulher mas menos redonda e atleta o suficiente para em Outubro fazer a Maratona em menos de 4 horas! Quer apostar?!

Não, ele não quis apostar. E ainda bem, pois ainda ia ter pagar a aposta… porque se é um facto conforme os meus amigos comentaram na altura, ele não me conhece, não sabe do que eu sou capaz quando quero e acredito que vale a pena, e nessas circunstâncias eu consigo o que seria pouco provável, também é um facto que as circunstâncias de momento não são bem essas.

domingo, 11 de junho de 2006



Domingo, 11 de Junho de 2006

Grande Prémio de Atletismo S. Vicente de Fora - LISBOA

Não é todos os dias que se anda a aquecer à volta do Panteão Nacional.

Exactamente essa obra magnífica que se pode considerar a 1ª Igreja Barroca em Portugal, com origem em 1568, sendo depois roubada e destruída e nada tenha sobrado dessa igreja original, mas o projecto como conhecemos hoje data de 1683 e é da responsabilidade do arquitecto João Antunes, que à data da sua morte, viu ainda a sua obra idealizada muito longe de estar acabada, passando por várias mãos e retrocessos dos quais destaco o Terramoto até ser finalmente acabada já em meados do séc. XX, tendo sido respeitado no entanto o traço original do projecto, assistiu hoje pela 12ª vez à prova de Atletismo organizada pela Junta de Freguesia de S.Vicente de Fora.

Lisboa, essa mulher que se nos oferece com toda a sua beleza e onde todos os dias penetramos e saímos sem reparar na sua beleza!

Alfama enfeitada para o StºAntónio já amanhã à noite. Hoje palmilhamos as ruelas vazias mais coloridas pelos enfeites em papel. Stº António e as sardinhas assadas vendidas a preço de ouro aguardam-nos amanhã.

Hoje correu-se por ali. Uma prova de Atletismo que se faz há doze anos e que a organização nos indica, grata com a nossa presença, que a meta se situa entre a tampa de esgoto na estrada e o candeeiro. Este ano não houve dinheiro para uma lata de tinta, desculpa-se quase envergonhado um elemento da organização.

Sorrio. Nós sabemos que estas realidades existem, até em Lisboa e não apenas na aldeia penalizada pelo isolamento lá para Trás os Montes! Mas por vezes esquecemo-nos... Hoje fui recordada.

O percurso, para além do carro da organização que ia à frente, era explicado pessoalmente antes de cada partida. Uma volta pequena mais uma volta grande obrigaram-nos a subir e descer de forma bem violenta. O piso em paralelepípedos extremamente polidos e irregulares não ajudaram em nada. A distância entre 3 a 4 km foi o que nos safou.

Vários escalões, policiamento, ambulância, água em abundância e balneários à disposição dos atletas no final da prova.

Partidas dadas em separado pelo que se destaca a monstruosa diferença do números de participantes da prova principal (Seniores) e dos mais jovens, em relação à prova dos/as veteranos/as. Um problema que não é novo mas que tarda em solucionar-se.

Taças e troféus em quantidade e qualidade para distribuir pelos vários escalões. A distribuição dos mesmos foi feita com despacho e sem problemas. Um dos elementos da organização, enquanto distribuía os prémios sustinha entre os lábios de forma natural uma beata. Sinceramente não sei se mais alguém achou aquilo absolutamente fora do contexto, ou se teria sido só eu…

Reparei que os poucos atletas presentes eram diferentes do usual. As roupas, o calçado, o modo de falar, de gesticular, até as características físicas denunciavam um estrato social baixo. São na sua maioria moradores da freguesia.

Para mim, que já não sou nova nestas coisas, foi uma experiência absolutamente nova. Lisboa capital de Portugal e o Atletismo… Uma visão do que existe.

sábado, 10 de junho de 2006

A escassos metros da meta, com os companheiros de
viagem: Fernando Colaço e Fonseca Santos

I GRANDE PRÉMIO DA ARRÁBIDA – 1ª Versão

Sábado, 10 de Junho de 2006

Imagino! Imagino meu rosto cansado, vermelho e redondo, de bochechas gordas e reluzentes sob o sol, o suor e o esforço. E sorria eu ao conquistar o castelo de Palmela. Sorria para as pessoas que nos batiam palmas por termos conseguido chegar ali. Sorria porque estava feliz. Mesmo com aquele repugnante aspecto, estava feliz.

- Isto custa! – diz uma senhora que assiste e desta forma nos demonstra como nos valoriza o esforço.

Estive hoje no I Grande Prémio da Arrábida! Maravilhoso! A imposição do ritmo lento por duas Lebres não se fez sentir dado o meu muito próprio ritmo lento.

Saímos de Setúbal e seguimos na cauda – local onde agora sou sempre encontrada, e de onde dificilmente saio.

Vários amigos encontrados, e a conversa serve-me para esquecer o esforço com que me desloco.

A Serra. Ali está ela à espera que a amarinhemos. A Subida da Cobra! Uma verdadeira serpente se enrosca na serra e seguimos nós no seu dorso, serpenteando, ondulando sob o calor, até atingirmos o topo! Mas pelo meio faltaram-me as forças a mim para transportar a bagagem extra que levo (peso) e caminho.

Mas azar! Os meus amigos que me acompanharam desde o início da prova, dão pela minha ausência rapidamente e ao voltarem-se para trás, vendo-me a caminhar, não é que resolvem vir “buscar-me”?

- Oh, não! Assim sou obrigada a correr….

- E não foi para isso que vieste? Para correr? Vá, deixa-te de manhas! Vamos embora!

Senti-me perfeitamente resgatada e uma força invisível faz-me retomar o passo de corrida e assim sigo até ao topo. As coisas que fazem a Amizade e a Solidariedade…

Palmela! A conquista! O sorriso! A Felicidade! A Meta volante Sálvio Nora lá estava e eu passei-a feliz! Sem prémio, sem auge, mas só feliz! Foi suficiente!

Depois, a descida em alcatrão em que me sinto recuperada para logo a seguir enfrentarmos outro animal: A Descida da Lagartixa. Um caminho de terra batida com uma inclinação agreste ameaçando uma queda valente. Travões bem afinados para aguentar este peso todo embalado foram necessários e os ténis lá se aguentaram para me manter na vertical e chegamos os três à cauda do bicho, sãos e salvos! A descida continua mas agora já suave e agradável.

Metros antes da meta percorremos um jardim “a corta mato” mas muito bem sinalizado, e corto a mesma com 1h14m42s!

- Obrigada rapazes! Sem vocês ainda estaria a esta hora perdida na serra a cavalgar a serpente!

sexta-feira, 9 de junho de 2006

A Caçada - continuação da Parte I

Armadilhas

Pela savana ela corre veloz, num ritmo acertado, o corpo esguio em cada passo evidenciando os músculos bem definidos sob a lustrosa pele dourada, num constante vai vem das patas certeiras.

Ligeira, veloz, elegante, bela, perfeita na paisagem da sua cor. Suave e eficaz ela avança sem olhar para trás, parando por momentos para sorver tudo o que a rodeia, atenta e segura, olhando em frente.

Da sua longa e extensa experiência, sabe já reconhecer e evitar a maioria das armadilhas do seu único inimigo nesta selva. Mas por vezes ainda é por muito pouco que escapa, arriscando-se a ficar enclausurada para sempre, onde nunca mais os que a amam saberão dela e os seus rugidos serão inúteis pois ninguém a escutará.

Várias vezes caiu, várias vezes se levantou, ficou presa num emaranhado de redes mas aprendeu a livrar-se delas, foi ferida e muito sangrou, arrancaram-lhe a pele e espetaram-lhe vários punhais no dorso, punhais esses que espetavam e eram retirados para logo a seguir voltarem a cravar-se no animal ingenuamente confiante no Homem errado, mas com isto tudo aprendeu a reconhecer o cheiro do inimigo, a adivinhar os seus passos e estratagemas. As armadilhas por ele colocadas ao longo da caminho ensinaram-na a prever a próxima jogada dele, o próximo passo, a forma de actuar, de pensar e actuar.

Muito pouco a surpreenderá.

Corre perigo, mas nem por isso deixa de correr!

quinta-feira, 8 de junho de 2006


A Caçada - Parte I

Que todos os animais e todos os Homens se acautelem.

Ela anda à solta, buscando carne fresca para se alimentar.

Instintos naturais há que saciar e a leoa vagueia por aí, farejando ao longe corpos quentes, prontos a servirem com sua carne, sangue, suor e sémen as necessidades do animal mais temido da savana.

Há também crias a alimentar e o animal feroz levanta a majestosa cabeça, movendo as narinas subtilmente, sentindo algures num lugar longínquo o inequívoco odor que a atrai e amedronta ao mesmo tempo: o odor do Homem. Parte em sua perseguição. Poucos escaparão à sua passagem. Deu-se início à caçada!

terça-feira, 6 de junho de 2006


3ª feira, 6 de Junho de 2006

Ser. O que somos. O que gostávamos de ser. O que parece que somos. O que queremos fazer parecer que somos. Uma infinidade de situações muitas vezes difíceis de conciliar.

Coerência é uma das características que mais admiro no Ser Humano, e por consequência, a Incoerência uma das que dificilmente suporto, logo a seguir à Falsidade e à Hipocrisia.

Tudo características dos humanos. Um sem número delas faz cada um de nós ser o que é. Ser!

“Mais vale ser que parecer” é um dos muitos provérbios que uso e abuso.

Ontem estava infeliz. Hoje estou feliz. Apetecia-me usar o verbo em inglês (To be = Ser ou Estar, como se estes dois verbos tivessem rigorosamente o mesmo significado) e exprimir-me da seguinte forma, que neste caso melhor define o estado:

Ontem fui infeliz, e hoje sou feliz. São assim os momentos, uns a chorar, outros a rir. E os momentos fazem as horas, as horas os dias, os dias as semanas, as semanas os meses, os meses os anos, os anos a vida, ou seja: os Momentos fazem a vida!

Amigos. As características e consequentes actos dos indivíduos podem torná-los ou não, nossos Amigos.

Hoje elogio aqui a minha Amiga Teresa, porque ao longo destes anos todos, com ela chorei, com ela aprendi, com ela cresci, e com ela ri. E o processo continua! Porque assim como no Amor, na Amizade não pode haver estagnação. É um constante caminhar.

Que esta longa e nem sempre harmoniosa Amizade, continue por muitos e muitos anos até sermos velhinhas e uma de nós partir ficando não só no coração da outra, mas em tanto e tanto que já marcamos uma à outra ao longo da vida. Marcas que jamais se apagarão. Uma grande parte do que eu sou hoje, devo-o à Teresa.

Ao contrário do que às vezes parece que quero fazer parecer, não estou só. Nem pouco mais ou menos! Tem destas e de outras coisas os meandros da mente humana…

segunda-feira, 5 de junho de 2006



5 de Junho de 2006 Fim de Fim de Semana

Estás feliz meu amor, e por isso eu fico menos infeliz. É a isto que se resume a vida hoje.

Tudo o resto é literalmente paisagem. As pessoas que sorriem afáveis ou ríspidas e carrancudas, o Sol que teimo em não deixar entrar em casa, os carros que passam, os pássaros que esvoaçam rasteiros junto aos nossos pés nesta rua deserta. Deserta porque estamos sós. Irremediavelmente sós. Tudo acontece absolutamente indiferente à nossa figurinha. E o fim é certo. Por momentos não encontro razões para insistir neste jogo, onde por vezes ganho, por vezes perco, se já sei que no fim das contas, o balanço é sempre negativo. Porque é que eu nasci meu Deus? Como queria acreditar num deus. Queria mesmo. Num deus qualquer para poder rezar e sentir-me acompanhada. Invejo a simplicidade e inocência dos crentes. Mas eu não. A penitência dos ateus é mesmo esta. Irremediavelmente sós a chorar uma dor sem esperança de dias melhores. Só podemos contar connosco. Só e sempre só connosco. E as forças faltam. E os Homens falham, e resta muito pouco. Quase nada.

A Corrida pode desempenhar o papel da religião. A ela me agarrei muitas vezes como tábua de salvação, como outros se agarram a um Cristo crucificado. A devoção e entrega é a mesma. A intenção também, mesmo que a maioria não tenha consciência dela.

Pensar demais. Racionalizar demais. Queria ser mais simples e apenas viver.

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Ontem, domingo, fui à Corrida do Oriente. É a segunda vez que participo nela. Não sei porquê mas esta corrida tem qualquer coisa que não me cativa, ou falta-lhe qualquer coisa para me cativar.

O empedrado das ruas, o sol forte sobre o alcatrão e o próprio percurso levam o pelotão a seguir pelos passeios, numa autêntica corrida de obstáculos: bocas de incêndio, canteiros, ferros para impedir o estacionamento, bancos para as pessoas se sentarem, árvores, etc. A impressão com que fiquei o ano passado repetiu-se este ano. 10 Km (seriam?). Com tanto possibilidade de se cortar caminho, duvido que a prova tenha 10 km, e é missão da organização evitar estas situações, pois é sabido que o atleta legitimamente segue a linha mais curta para atingir a meta. O acesso aos largos passeios não lhe devia ser sequer permitido. A juntar a isso, uma nítida má marcação dos kms durante o percurso, e eis que chego à meta com 54m52s. Foi um belíssimo treino pela companhia dos colegas de corrida durante o tempo todo, e do magnífico Tejo durante escassos metros.

De forma semelhante ao ano passado, não gostei. E duas vezes já chega. Não tenho intenção de lá voltar.

sexta-feira, 2 de junho de 2006



6ª feira, 2 de Junho de 2006

6ª feira. Fim de tarde quase. Ainda um dia por acabar. Mas hoje é já 6ª feira e a semana foi tramada.

Esta semana perdi uma excelente oportunidade de praticar uma qualquer modalidade que se situa entre o duatlo e o triatlo, e que consistiria numa alternativa/solução à travessia do magnífico rio Tejo, que se impõe no meu caminho quando todas as manhãs tento chegar ao emprego e à tarde no regresso a casa.

Pois a Transtejo esteve em greve em horas específicas, e o rio ficou mais triste nessas horas, sem os velhos cacilheiros e os novos katamarans.

A natação seria sempre uma opção, naturalmente considerada pelo patronato em geral, que obviamente nada tem a ver com as talvez justas reivindicações dos funcionários da Transtejo, e consequentes atrasos de uma grande parte da população que trabalha em Lisboa.

A juntar às pequenas contrariedades descritas acima, uma auditoria na empresa onde trabalho, e tudo o que isso implica antes, durante e depois, ajudou à festa e tive uma semana daquelas...

O que vale é que hoje é ... 6ª feira!!!

E durante a semana valeu também a quantidade de visitas e de comentários de pessoas neste blog. Pessoas essas, queridas algumas, verdadeiras algumas, fictícias algumas, sinceras algumas.

Aproveito para agradecer aqui as palavras de todos, pois sem elas o blog não teria atingido 96 visitas num único dia.

Bom fim de semana a todos os que me lêem, independentemente do que pensem de mim.

quinta-feira, 1 de junho de 2006


Ainda a Estafeta de Palmela

Descobri a Estafeta de Palmela. Foi na sua 9º edição e que se realizou no dia 28 de Maio de 2006.

Reuniu no total 112 equipas, cada uma composta por 4 elementos.

Organizada pelo pessoal do Bairro Alentejano, com o apoio da Câmara Municipal de Palmela e do Inatel, entre outras entidades, esta é sem dúvida a melhor e mais participada estafeta realizada em Portugal.

Com transporte assegurado dos atletas para o local de transmissão e regresso, a prova este ano consistiu em 2 voltas, sendo o local de partida e chegada, também o início do 3º percurso, em vez de ir ao Castelo de Palmela e voltar como em edições anteriores, o que implicava dificuldades acrescidas em termos de controlo de trânsito, pelo que em termos de segurança esteve esse ano impecável.

Abastecimento no final de cada etapa. Controlo e condições minimamente suficientes nos locais de transmissão, o que foi dificultado pelos próprios atletas. Elementos da organização espalhados por todo o percurso garantiram as condições de segurança e de sinalização ao longo do mesmo.

Balneários à disposição dos atletas. Almoço convívio para todos, depois do qual se fez a entrega de prémios.

O calor abrasador que se fez sentir, e que se foi agravando pela manhã fora, obrigando atletas do 3º e 4º percurso a correr sob um sol escaldante entre as 11 horas e o meio-dia, não foi suficiente para que esta 9ª edição não fosse um sucesso, e talvez a melhor edição da prova que promete melhorar ainda mais face ao vigor desta gente que merece toda a confiança de patrocinadores. É uma prova para crescer, e provavelmente na próxima edição as inscrições terão de ser limitadas para se garantir a qualidade que já atingiu.

Com a honrosa participação de Alberto Chaiça, a prova foi também uma autêntica festa da Corrida para todos, onde o atleta popular é a vedeta.

A par da Estafeta, desenrola-se também uma Mini Estafeta, que sem prémios monetários este ano, teve uma participação reduzida face a anos anteriores.

Há pontos a melhorar, que passo a nomear. A existência de prémios alternativos ao dinheiro que possam cativar os escalões mais jovens e levá-los a participar, seria uma melhoria significativa. Também a colocação de casas de banho no local de transmissão é um ponto a considerar para as próximas edições. E se a organização disponibilizasse água antes das partidas no local de transmissão (fora da localidade) e onde os atletas são deixados com alguma antecedência, tal decisão também seria bem vinda.

Um outro ponto que viria melhorar bastante a prova seria a atribuição da tradicional t-shirt como prémio de presença a todos os participantes, ou outro prémio, independentemente da classificação obtida, o que não aconteceu.

A Estafeta de Palmela na sua 9ª edição atingiu um patamar de qualidade bastante elevado. A organização está de parabéns, pois soube angariar os meios necessários para oferecer uma excelente prova a 448 atletas e um excelente convívio a mais de mil pessoas.



Classificações:


Estafeta:

Masculinos

1º Conforlimpa 1h07m47s
2º G.D.R.Reboleira 1h10m33s
3º Serv.Soc.Cult.C.M.Palmela 1h11m22s


Femininos:

1º Clube Veteranos do Lis (Leiria) 1h33m36s
2º Ass. Morad.BºCasal Figueira 1h42m03s
3º Grupo Recr. Quinta da Lomba 1h45m42s




Mini Estafeta


Masculinos:

1º G.D. “O Independente” (Barreiro)
2º Assoc.Rec.Soc.Cult. Toledo (Vimeiro)
3º Ass. Dadores Sangue Pinhal Novo

Femininos:

1º Clube do Sargento da Armada (única equipa participante)

quarta-feira, 31 de maio de 2006


4ª feira, 31 de Maio de 2006

Hoje trago-vos aqui uma velha história, que talvez vos seja por demais conhecida, mas que me apeteceu recordar trazendo aqui, pois faço dela uma regra de vida, entre muitos outros provérbios e ditos populares, que sabiamente duram há séculos, e continuam sempre actuais e perfeitamente adaptáveis aos dias de hoje, pois o ser humano, apesar da evolução e sofistificação de tanta coisa, no mais íntimo do seu ser, conserva os mesmos ímpetos em termos de sentimentos e emoções. Temas como o amor, o ódio, o ciúme, a inveja, a maldade e a bondade, só para nomear alguns, são eternos e surpreendentemente o Homem age e reage da mesma forma hoje como há mil anos atrás.

O Velho, o Menino e o Burro

Um velho, um menino e um burro vinham caminhando por uma estrada. Algumas pessoas passavam e comentavam:- Olha para aqueles! São mais burros que o próprio burro. Caminham a pé e o burro segue descansado.O velho reflectiu e resolveu: Sentou-se no dorso do burro e continuaram acaminhada. Outras pessoas passaram e comentaram:

- Olha que maldade. O velho folgado em cima do burro e o pobre menino caminhando.

O velho achou melhor descer do burro e colocar o menino no seu lugar. A caminhada seguia tranquila até que alguns passantes comentaram:

- Olha o absurdo da situação. O menino, que é novo e forte vai no lombo do animal e o velhinho, coitado, segue caminhando.

O velho então, já confuso, tirou o menino do lombo do animal e terminou acaminhada carregando o burro nas costas. Claro que quem por eles passou, fez seu comentário:

- Olha para aquela estupidez! Têm o burro que os poderia carregar, e eles ainda por cima é que carregam com ele!

Além de divertida, esta fábula mostra que não podemos dedicar atenção irracional às críticas e opiniões alheias sobre a nossa pessoa e as nossas atitudes, pois estas existirão sempre, independente da maneira que agirmos.

E ensina-nos (a quem ainda não sabe) que o importante é estar e agir de acordo connosco próprios, pois haverá sempre, mas mesmo sempre, alguém para quem não estamos bem e que nos criticará até ao tutano.
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Hoje já é 4ª feira e ainda não treinei nada depois da estafeta. Mas de forma descontraída, assobio uma canção, dou um chuto na bola e continuo no meu caminho.

terça-feira, 30 de maio de 2006


2ºfeira, 29 de Maio de 2006

Arrelia!

A notícia vem escrita numa folha A4, meticulosamente dobrada em quatro, dentro da mochila junto com o equipamento. A notícia podia ser boa, mas não é.

Se até aqui julgava que nem os 350 km de viagem rigorosamente a meio da noite, a conduzir sozinha, depois de um dia bem preenchido e agitado, e as três escassas horas em que me seria possível dormir, me iam impedir de participar na Corrida das Festas Cidade do Porto no dia 18 de Junho próximo, hoje os meus planos caíram por terra ao ler aquela folha de papel.

Estar em dois lugares que se quer muito, em simultâneo, é simplesmente impossível. Não há força de vontade, loucura, energia ou versatilidade que alguma vez tenha alcançado tal proeza.

Por isso, inevitavelmente, prevalece o que mais pesa. E o que mais pesa não é a minha participação na Corrida das Festas, mas sim estar presente para a minha filha em momentos que se pretendem únicos e marcantes. E eu, assim a providência o permite, estarei presente, não ausente.

Por isso este ano, a par do ano passado, vou ficar por cá, embora em circunstâncias muito diferentes.

No ano passado desisti da minha participação em prol de uma ténue tentativa de desaparecer do planeta. Mas resisti eu e resistiu o planeta. Não desapareci e o planeta também não. E este ano cá estamos de novo os dois, espero é ainda continuar a estar, daqui por um ano, e a Corrida das Festas também, que eu ainda não a consegui fazer desde que a Runporto a organiza. Sou ainda do tempo em que esta distinta prova era organizada pelo Pedrosa. Era uma das melhores corridas que se realizava em Portugal (fins anos 90). Era a Corrida S.João. As garrafas de vinho do Porto com o rótulo alusivo à prova, foram guardadas com carinho, até ao dia que fui obrigada a deixá-las para trás assim como tanta e tanta coisa que se deixa pela vida fora… Não importa. O mais valioso tenho sempre comigo, onde quer que eu esteja, pois dentro de mim habita e o meu tesouro está aqui a dormir, como um anjo da guarda, que ainda os há.

domingo, 28 de maio de 2006

Estafeta de Palmela - No fim da minha prestação. Testemunho entregue. Agora corre ainda com
mais calor a minha colega de equipa

Domingo, 28 de Maio de 2006

Não. Não vou falar de coisas tristes, que seria do meu peso e da minha forma física depois de ter estado três semanas sem treinar.

Vou falar de coisas alegres e boas: A Estafeta de Palmela.

O nosso clube - Clube do Sargento da Armada – levou quatro equipas: duas femininas (uma delas para a Mini Estafeta) e duas masculinas.

Fui deixada na partida do segundo percurso, junto à Autoeuropa, que foi o que me coube em sorte: 5700 metros para correr.

A falta de casas de banho instaladas no local, levou-nos a todos atrás das escassas moitas existentes no local.

As necessidades são feitas rapidamente e os calções são levados abaixo e acima num abrir e fechar de olhos. O pior é que ao “abrir de olhos” detecto de imediato que tenho comigo qualquer coisa que não tinha quando me baixei. Uns arreliadores picos instalaram-se onde não deviam. Puxa daqui, puxa dali (que não havia tempo nem lugar para uma correcta e atenta observação com consequente remoção eficaz e completa dos variadíssimos picos que entretanto se quebraram e espalharam) volto a ficar minimamente confortável para correr, mas o que é certo é que quando no banho me dispo, a roupa interior está cravada de picos e o corpinho…podem imaginar…)

Quase depois de todos receberem o testemunho, lá vem a Isabelinha. Tomo o testemunho e parto enérgica(?). Em todo o meu percurso passo uma mulher (ganho uma posição) e sou passada por dois ou três homens. No fim, fiz 29m31s, o que dá uma média de 5m11s o km, vergonhoso para a distância.

Ainda assim, fomos a 5ª equipa feminina (entre 6), e pelo tempo, constato que também deixamos para trás três equipas masculinas!

Uma boa surpresa foi reencontrar aquele rapaz giro que aquecia em tronco nu, exibindo um fantástico e muito bem trabalhado e bronzeado peito e estômago, que me fez esquecer os picos no rabo, e que no fim insistia para tomar banho no nosso balneário (não sei se a brincar ou a sério), e a mim, só me assaltaram ideias fantásticas, e disse que por mim não me importava nada (já não sei muito bem se também era a brincar ou a sério…).

Só me resta esperar voltar a encontra-lo por aí a correr, pois apesar de muitos dos meus sonhos se terem tornado autênticos pesadelos, de forma teimosa ainda insisto em não deixar de sonhar.

sexta-feira, 26 de maio de 2006

26 de Maio de 2006

Planeamento de participações em provas

Objectivo: Obter Motivação intermédia para a Maratona do Porto – 15 Outubro 2006

Pois a Maratona está demasiado longe e não está a exercer sobre mim o efeito desejado. O pior é que o tempo passa, e a continuar assim, vou chegar lá perto, e …não há maratona para ninguém! (quer dizer…para mim)

Próximo domingo dia 28 de Maio – ao mesmo tempo que se realiza em Lisboa "A Corrida da Mulher", onde se paga EUR 10,00 para correr se tivermos a sorte de não ser cancerosas, (dinheiro que reverte para a LPCC), pois para termos a sorte de não pagar, temos de ter o azar referido em segundo, e eu, sortuda tendo em conta a segunda hipótese, mas azarada tendo em conta a primeira, estou solidária para com a minha equipa e para com as mulheres da minha equipa- CLUBE DO SARGENTO DA ARMADA , e vou participar na Estafeta de Palmela. E quando quiser e PUDER ofertar dez euros à LPCC, assim o farei. Mas de momento, a coisa está preta!

Uma equipa feminina! Todas dependemos de todas! Nós quatro fazemos a equipa. – será apenas mais uma forma de incentivar as mulheres a correr, a participar, a unirem-se na corrida, e quem sabe nalguma coisa mais.

Dia 4 de Junho – Corrida do Oriente (Sempre será melhor treinar no meio da molhada, que sozinha). Assim, até tenho a falsa sensação de que não estou sozinha.

Dia 10 de Junho – Grande Prémio da Arrábida – pelas razões acima mencionadas, e evidentemente pelo ambiente envolvente – a serra da Arrábida.

Dia 15 de Junho - 20ª Escalada do Mendro - Vidigueira

Dia 18 de Junho – Corrida das Festas Cidade do Porto (com muita vontade E NÃO SÓ) consegue-se… quase tudo – Vou pela festa.

Dia 24 de Junho - Corrida das Fogueiras - Peniche: por nada faltaria, quem lá esteve sabe do que falo, e quem não esteve bem que deveria experimentar correr no escuro, com o mar ao lado, e com as fogueiras por única iluminação

Dia 9 de Julho – Trail de 12 km na Serra da Freita, onde treinava o Sálvio Nora – Vou … porque sim…simplesmente.

Detalhes deste nobre evento em:

http://www.omundodacorrida.com/phpBB2/viewtopic.php?t=395

E treinos para isto tudo? Eh pá, já nem lembro a última vez que corri…

quinta-feira, 25 de maio de 2006


25 de Maio de 2006

Morreu na sua casa, deitada na cama com a cabeça pendida para o solo, num gesto de abandono total. Um fio de baba pendura-se-lhe da boca e está quente ainda.

Conforme caiu na cama, assim ficou, com as partes traseiras imóveis, ossos deformados, e estava assim há não mais de dois dias. A parcial paralisia ainda lhe permitiu sair da cama e vir cá fora fazer as necessidades. Não tocou na comida nem na água desde então. Quando lhe levantei o rosto pesado, sem força, viva ainda, ela moveu as sobrancelhas e entreabriu os olhos cansados. Olhou-me e sorriu-me. Juro que lhe vi um sorriso, apesar da dor adivinhada, em silêncio absoluto, nem um gemido sequer. Agoniou dois dias sem se queixar. Sofremos com ela, impotentes, e em consciência sabíamos a única coisa a fazer, mas a esperança, a maldita esperança que às vezes mais valia morrer, fez-nos mantê-la viva, a sofrer calada.

Hoje, já tudo passou. Está a descansar sem agonia debaixo da velha figueira, com sete palmos de terra em cima do corpo esquelético.

Ao volante, viro-me para trás e a minha filha tem duas grossas lágrimas a encharcarem-lhe o rosto. Sofre em silêncio. Como a Princesa sofreu.

Treze anos tinha a Princesa. Treze anos. Não, não vivia connosco, mas não passávamos mais de uma quinzena sem a vermos.

Na Natureza nada se perde, tudo se transforma. E nas ervas e nas plantas que hão-de nascer, e em todas as flores onde as borboletas e abelhas hão-de pousar um dia, estará o espírito da Princesa. Da terra nascemos, à terra voltamos, e se formos amados, seremos eternos.

“…a terra à terra, a cinza à cinza, o pó ao pó…” Descansa em paz Princesa. Nunca te esqueceremos.

quarta-feira, 24 de maio de 2006

24 de Maio de 2006

Portas fechadas
Silêncio
Uma voz que de longe me chama
E ainda mantém
No mais fundo de mim
Acesa uma pequena chama

Portas fechadas
Sem fechadura
Um selo na prova
Alguém do outro lado

Muitas portas
Muitos alguéns
A vida a passar
Dos dois lados da porta

O que me falta para te encontrar?
O que me falta para te ter?
Faltas-me tu precisamente

E esta porta entre nós
Que teimo em não abrir
Apenas com medo
Do que vou descobrir

Incongruências
Vidas sem sentido

E eu hoje só queria
Uma asa protectora
Dessas que nos cobrem
Envolvem e aquecem
E nos fazem esquecer que temos
De abrir uma porta

Pois não se pode viver
De porta fechada
Nem sempre,
Debaixo da asa


Nota: não queria estragar o Blog com lamechices destas, mas … há dias assim.

segunda-feira, 22 de maio de 2006


21 de Maio de 2006

Esquecermo-nos de nós…Pode acontecer pelos melhores motivos mas também pelos piores. Ou ainda pelo simples facto de nos anularmos e esquecermos que temos também direito à felicidade. À nossa. Só nossa. Mas isto leva-me também a pensar que a nossa Felicidade nunca é só nossa. Esse conceito é de uma Felicidade que não existe. Só somos felizes se conseguirmos fazer mais alguém feliz. Nem que seja por instantes.

Ao fim de longas horas a fazer e receber felicidade, paramos de repente e lembramo-nos que não almoçamos ou não jantamos. Que as horas passaram e nós por felicidade desta vez, esquecemo-nos de nós próprios, de necessidades tão básicas como a comida, ou a higiene, seguidas de uma vaidade para parecer e sentirmo-nos melhor ainda.

Pois foi o que me aconteceu este fim-de-semana. Estive bem, a fazer felicidade. A produzir como uma abelha obreira, a fabricar sorrisos e alegrias, e olhares brilhantes e vivos. Pela felicidade de todos os que me rodearam, estive eu feliz também. Estive feliz, mas… esqueci-me de mim. Estive feliz através da felicidade que me rodeou e também por mim produzida, mas e eu, eu? Tenho a sensação que me esqueci de mim.

Chama-se a isto egoísmo? Chama-se a isto felicidade forjada? Não creio…Apenas chego ao final dos dois dias, e sinto…que me esqueci de mim…Como se eu, as minhas necessidades e desejos, não tivessem importância. Chamar-se-á a isto que me aconteceu, resignação, anulação de mim própria?

Ou estarei finalmente mais perto de aprender a ser essa coisa fugidia e indefinida, qual imagem desfocada que nos escapa e foge das linhas rígidas e claras, que todos ambicionam, e que se chama ser feliz?

Vou-me deitar, e mesmo com esta vaga sensação de nada ter feito por mim, o que é um facto é que me sinto feliz, bastante feliz, e se calhar, fiz muito mais do que quando sozinha tento chegar a algum lado, numa luta desesperada e inglória, que travo desde sempre comigo própria e com o meu corpo.

sábado, 20 de maio de 2006



19 de Maio de 2006

Um estúpido cansaço apodera-se de mim. Como se tivesse subido uma montanha e estivesse no seu cume olhando o vasto vale sem forças para respirar sequer. “É da altitude…”, diria alguém e eu acreditaria que sim, deveria ser da altitude e da magnitude da paisagem que se alcança agora, depois do esforço da subida.

Mas eu estou a meio da montanha, nem sei bem se valerá o esforço de continuar a subir, ou se mais valerá descer. É que nos vales as pessoas também são felizes. E não é isso que se procura alcançar? A Felicidade? Seja lá através do que for?

Tomei hoje conhecimento que muito provavelmente não me vai ser possível ir à Corrida das Festas – Cidade do Porto, dia 18 de Junho próximo, que era programa que se cruzava com o meu, e no qual muito gostaria de participar.

Ainda não está totalmente fora de hipótese, mas será com bastante esforço se o conseguir concretizar, embora sem anúncio ou aparato, para além deste blog lido por meia dúzia de gatos, que teimosamente me invadem e insistem em ler-me.

Assim como eu, são também centenas de pessoas que vemos diariamente a correr com um sorriso na face, de forma modesta e discreta, e sabemos lá nós o que aqueles homens e mulheres têm de vencer para estar ali, simplesmente a correr. Mas enquanto olharmos só para o nosso umbigo, vanglorizando-nos dos nossos feitos, apregoando as nossas enormes dificuldades como se elas fossem únicas no mundo e mais nenhum ser sofresse do mesmo ou de mal pior, nunca saberemos as grandes vitórias que esses eles e essas elas, desconhecidos heróis (como o soldado) alcançam no dia a dia. Nunca saberemos, pois não há notícia nem aparato… Só quando morrem em combate…como o soldado …desconhecido ele, desconhecidos nós.

Então tocarão as trombetas a anunciar a nossa morte, e alguém nos oferecerá flores tardiamente entregues para poderem ser cheiradas. Sobre a nossa campa, acabarão elas de morrer também, transformando-se em terra de novo, para renascerem mais tarde.

É sexta-feira, a semana não foi fácil, tenho estado bastante constipada, não tenho corrido, e certamente a tudo isso se deve…isto.

quinta-feira, 18 de maio de 2006


18 de Maio 2006

Hoje (podia dizer que não sei porquê, mas sei muito bem!) lembrei-me do Sálvio, de quem ainda não apaguei os contactos, como se ao mantê-los, mantivesse tudo como dantes.
Dantes, eu escrevia e ele lia-me. Lia-me e escrevia ele também, vindo muitas vezes ao meu encontro, fazendo-me sorrir por entre as lágrimas, enternecendo-me numa onda ora de carinho, ora de alegre e sadio humor que me fazia soltar uma gargalhada.

E hoje, que a minha menina faz anos e se ele estivesse cá, estaria aqui alguma coisa sua. Escrito para ela. Tenho a certeza disso. Como ele já não o pode fazer, faço eu. Porque de alguma forma, ele está cá! Deixo aqui uma mensagem de Sávio Nora escrita a 1 de Dezembro de 2005, para a minha menina que faz hoje 9 anos.


“Hoje, por ser dia feriado com muita chuva e frio e por isso bom para estar em casa no quentinho, aqui vai uma poesia para a menininha que já tem duas gatinhas:

EU TENHO UM CÃOZINHO

Eu tenho um cãozinho
ai eu tenho tenho
por causa do cão
é que eu aqui venho.

Eu tenho um cãozinho
e você tem dois
adeus meu amor
e até depois.

Eu tenho um cãozinho
e você tem três
adeus meu amor
até outra vez.

Eu tenho um cãozinho
e você tem quatro
a cara do cão
é o seu retrato.

Não, não tenho um cãozinho e esta coisa do retrato é para brincar, tá bem!”

Sálvio J.Azevedo Nora

quarta-feira, 17 de maio de 2006


Já é 18 de Maio de 2006.

Passam 18 minutos da meia noite. Exactamente há nove anos atrás nascias tu, minha filha!

Querida! Parece que estás comigo desde sempre! E estás comigo sempre, como eu estou contigo, mesmo quando a ausência física está presente.

Há precisamente nove anos, nesta hora, aguardava por ti numa sala de hospital, entre uivos de dor, e a calmaria que me levava para lá da consciência. Um misto, de terror e medo, e de ânsia e prazer. Parir um filho! O culminar de oito meses em que te carreguei dentro de mim, para depois te carregar cá fora por bastante mais tempo. A partir da hora em que caíste no meu peito, ainda de pernas abertas a sangrar como um porco assassinado eu, e sebosa e inchada tu, com os pequeninos olhos semi-abertos como uma toupeira arrancada à toca, a minha vida mudou para sempre. Nunca mais estive só desde então. Companheira, cúmplice, que me obriga a acordar quando queria dormir, que me obriga a rir quando queria chorar, que me obriga a viver quando queria morrer!

Nada se equipara ao momento em que um filho depois de oito meses a gera-se em nós, do nosso sangue e da nossa carne, nem sempre em perfeita harmonia como que a antever a vida cá fora, se liberta para o mundo, cai em cima do nosso peito, nos aperta o dedo com força (evidentemente por reflexo) e nos olha de forma interrogativa enquanto de boca fechada movimenta os lábios treinando o movimento de sucção e respira de forma perfeita pelas narinas abertas! A natureza é quase sempre perfeita! Eu tive a grande sorte, de para mim, ela ter sido perfeita e sublime! Tenho uma menina linda (como lindas são todas as meninas).

Minha filha, meu amor! Nove anos que nos acompanhamos mutuamente. Que continuemos sempre como até hoje, e hoje, que tenhas um dia muito feliz! Como tu mereces! Tudo farei para que assim seja! Hoje, e sempre! Amo-te!

segunda-feira, 15 de maio de 2006


Esta noite acordei com fome. Levantei-me e dirigi-me à cozinha. Abri o enorme frigorífico branco, alto e robusto, comprado especialmente para circunstâncias bem diferentes das de hoje.

Olhei-o por fora. Austero, imponente, olhou-me ele também do alto dos seus dois metros de brancura maculada por desenhos infantis e recados ultrapassados no tempo. Senti-me tão pequenina. Nunca tinha reparado como ele era grande, forte, e frio. E imponente, ocupando um lugar de destaque na cozinha.

Passados os primeiros instantes de sinistra e invulgar intimidação, arranjei coragem para o abrir.

Não podia estar cheio evidentemente, mas com agrado e alívio verifiquei que com alguma perícia há comida que chegue até final do mês. Com satisfação revi os alimentos arrumados com ordem: manteiga, queijo, iogurtes, fiambre, legumes, ovos, sumo, uns restos de cozinhados, sobremesas, calda de tomate, sopa e leite.

Com prazer retirei o pacote deste último, enchi um copo e bebi sofregamente até ao fim, deixando um bigode branco sobre o lábio superior que lambi descontraída e descaradamente antes de voltar para a cama onde me esperava um corpo morninho no qual me aninhei e esqueci o mundo por umas escassas horas.

domingo, 14 de maio de 2006


Domingo, 14 de Maio de 2006

Obrigada Mãe por este prato de comida benevolentemente divido por dois quando já não era muito para um. Alguém conhece o aconchego do estômago por uma pequena dose de comida acompanhada de toneladas de amor? Alguém conhece esse calor que nos aconchega, acaricia, acalma e adormece com um doce e suave sabor?

Quando os excessos são mote na sociedade de hoje, como que para compensar tantos séculos de abstinência e de faltas cometidas, a começar pelas demonstrações de amor, pelos companheirismos e amizades bem teatralizadas e a acabar nos bens de consumo como oferendas de sentimento, não sabem o que me soube bem uma coisa tão simples, tão básica, que de tão simples e básica poucos alcançam já: um pratinho de comida dividido com amor.

A vida tem ciclos, e quando a volta parece que está dada por completo, regressa-se ao início, sempre com mais bagagem, se não andarmos cá a ver passar os comboios, sempre mais ricos, fazendo riqueza até com as perdas, pois com elas devemos sempre aprender algo, e isso é a bagagem que transportamos e que nos engrandece. E continuamos a caminhar quando não conseguirmos correr. E eu hoje não consigo correr. Mas o caminho está aí e eu vou ter de continuar a caminhar. Mas esperem. Vou sentar-em aqui um pouco a descansar antes de recomeçar. É que o caminho raras vezes é fácil, e o que se me apresenta hoje é árduo, mas hoje sinto-me incapaz de desbravar mato para fazer outro. Hoje, vou ficar aqui sentada um bocadinho. É que há dias assim. Parar também é preciso para depois se continuar em frente.

sexta-feira, 12 de maio de 2006


Tendências

Tem o ser humano a tendência para se agrupar. Pertencer ao grupo, ser aceite socialmente e ser membro de algo torna-se tão necessário e importante quanto a água para beber, e disso depende também a saúde do indivíduo, sendo saúde, não me canso de repetir, um Bem Estar Físico, Mental e Social. As três vertentes estão interligadas, e um desequilíbrio numa delas, afecta as restantes.

Nesta base, compreende-se perfeitamente o cumprimento entre dois corredores que se cruzam no meio de uma multidão, quando não falam a mais ninguém. Já vos sucedeu? Certamente que sim.

As crenças do grupo são também as nossas, na tentativa de garantirmos um suporte sólido para as nossas carências, que nos mantenha ao de cima, mesmo se grande parte das vezes deixamos de pensar para seguir o pensamento do grupo pois existe o risco da rejeição, da marginalidade, do chincalho dos outros, e consequentemente da solidão, sentimentos com que muitas vezes temos dificuldade de lidar.

O ser diferente, pensar diferente é um acto de coragem. Mesmo que o preço de o assumirmos seja demasiado alto, é sempre preferível a seguir o rebanho pela cabeça dos outros.

Eu? Sou uma cabra maltesa, subindo e descendo pedregulhos na serra mais alta e no vale mais maravilhoso, longe do rebanho do senhor, um senhor qualquer, que o que é preciso é acreditar num senhor qualquer, desde que ele guie o rebanho. Esta cabra segue quase sempre sozinha. Com as desvantagens mas também com as inequívocas vantagens. São opções que se tomam a cada minuto que passa.

Ah, é verdade! Ontem não cheguei a presentear-me com um treino. Obrigações impediram-me mais uma vez. Os cinco dias da semana são um problema para treinar! Sinceramente, não sei como resolver este assunto, e por momentos penso que a Maratona do Porto é uma triste utopia.

quinta-feira, 11 de maio de 2006



5ª feira, 11 de Maio de 2006

Ironicamente, os dias em que escrevo na minha agenda de treinos (uma folha excel bem organizada e estruturada) a palavra "Descanso" são aqueles em que mais me sinto cansada e sem energia para o que quer que seja.

O treino dá-me vigor e renova-me. Se fisicamente pode haver o óbvio desgaste e cansaço, em termos de cabeça, fico como nova. Não é que já não o seja, entenda-se, mas fico refrescada, pronta para quase tudo.

Os benefícios do treino serão então mais físicos ou psíquicos? Tudo depende dos indivíduos e do próprio treino, mas principalmente da forma como o treino é encarado.

Pessoalmente, elejo os benefícios psíquicos. Mas como o corpo e a mente são um só, inseparáveis e dissociáveis, concluo o que já toda a gente sabe embora não o aplique:

A prática do exercício físico é uma das actividades mais saudáveis e ricas que podemos oferecer-nos a nós próprios.

Acho que logo me vou presentear.

quarta-feira, 10 de maio de 2006


Ensinamentos / Caminho

O Sálvio já deve estar enterrado a esta hora. E nós, continuamos vivos por ora.

Diz-me um amigo que anda em baixo, também com isto do Sálvio entre outras arrelias e problemas pessoais, de relações, afectos, emoções, etc. Quem lhe dera a ele ter menos dez anos, diz-me resignado e infeliz.

- Menos dez anos?! – interrogo eu – para quê rapaz? Lembra-te que daqui a dez anos vais dizer precisamente a mesma coisa com a mesma triste nostalgia, impotência e resignação. O tempo é hoje! A vida é hoje! Olha o Sálvio!

- Sim, tens razão miúda – concorda.

E nós? Que fazemos nós que temos hoje precisamente os dez anos a menos que daqui a dez anos iremos desejar ter?

Recordo o Sálvio. Não choro. Mas estou triste. Muito triste. Mais do que quando chorava sozinha no meu quarto.

À minha volta rolam e circundam os outros. Mais ou menos afáveis, mais ou menos corajosos, mais ou menos fiéis, mais ou menos falsos, mais ou menos brincalhões, mais ou menos nada e tanta coisa.

Indiferente, faço o que aprendi e que tenho de fazer:

Sigo o meu caminho. Este que escolhi, que descubro, invento e crio e saboreio passo a passo. Árido por vezes, florido por outras. Mas é meu, único, e só no qual eu me sinto eu!

terça-feira, 9 de maio de 2006


A luz apagou-se.

A dor acabou.

Hoje Sálvio J. Azevedo Nora fechou os olhos pela última vez. Ou alguém lhos fechou. A dor acabou. É só o que quero pensar, que a dor acabou.

Ficará no coração de cada um, à maneira de cada um, com as marcas que deixou em tantos de nós, companheiro de estrada, serra, e vida!

Hoje, o Mundo ficou mais pobre…

Amanhã vai a enterrar (apenas o corpo, a matéria que há-de apodrecer e ser terra e vida de novo, em cada planta que há-de nascer, em cada raio de sol e brisa que nos tocará), e sai da Igreja de Matosinhos pelas 15:00Hrs de amanhã dia 10 de Maio de 2006.

Estarás sempre connosco Sálvio, e que o que nos deixaste nos ensine a viver melhor. Connosco e com os outros.

domingo, 7 de maio de 2006

Na partida, em agradável cavaqueira com as nossas meninas (Clube Sargento Armada)


Domingo, 7 de Maio de 2006

Dia da última prova do Troféu de Almada. Não me sinto mal, mas acho que o treino de uma hora de ontem não teria sido muito aconselhável para quem estando no meu deplorável estado, tinha prova hoje.

Não estava recuperada. Aqueci apenas 9 minutos – deveria ter sido mais, mas a conversa de café também soube bem, e a prova fi-la em esforço com a agravante de uma dor de burro (burra neste caso!) que se me instalou ao fim do primeiro quilometro, e com a qual tive de conviver durante mais dois, ou seja até final da prova, que pelo tempo que demorei (16m41s) devia ter um bocadinho mais dos 3 km anunciados).

O percurso resumiu-se num descida e retorno com consequente subida. Se eu estivesse bem... outro galo teria cantado! Assim, fui 4ª da geral feminina e quem cantou foram outras galinhas!

sábado, 6 de maio de 2006

No fim, cansadita, mas nunca esquecendo os alongamentos

Sábado, 6 de Maio de 2006

Apesar de ontem ter tido um ataque voraz e ter comido que nem uma larva, hoje, inexplicavelmente, acordo menos gorda. Peso 62,900 Kg, o que em termos semanais, em comparação com o sábado passado e ignorando as oscilações diárias, significa uma perda de 0,5 Kg. Bastante razoável. O importante é ir perdendo. Perdas muito rápidas não são boas para a saúde, pois acabamos por estar a perder massa muscular, e o que eu pretendo é a perda de gordura acumulada. Tenho de manter um consumo calórico e nutricional que garanta o funcionamento correcto do metabolismo, e a partir daí quanto menos ingerir melhor! Energia que gaste em movimento, terá o organismo que ir buscar às reservas em mim acumuladas.

E se esta larva hoje lhe apetecia começar a fazer casulo, optou por contrariar essa tendência e foi voar que nem borboleta colorida para o meio das flores! Maravilhoso! Uma hora certinha de corrida contínua lenta, em piso de terra batida, sob um sol primaveril e em aromas paradisíacos envolta. A larva hoje foi borboleta. Simplesmente porque assim escolheu, em vez de ficar fechado no casulo!

Mas há aqui um grande problema! A falta de resistência é notória! Ao fim de 25, 30 minutos, a corrida começa a ser em esforço. Apetece-me parar e pensar que já não foi mau, mas em esforço continuei pois sei que se quero ganhar resistência, tenho precisamente de ir aumentando a duração do tempo de corrida! Mesmo que diminua o ritmo! E foi isso que hoje fiz!

Com este treino de hoje, acabo a semana com o total de 4 treinos, totalizando 3h24m34s. Nada mau, apesar da irregularidade dos treinos: 3 dias seguidos de treino, 3 dias seguidos parados, e hoje, novo treino!

Amanhã outro dia! Acordarei larva, casulo ou borboleta? Hum…Acho que já sei…

quinta-feira, 4 de maio de 2006


5ª feira, dia 4 de Maio de 2006

Gostaria muito de vir aqui escrever que treinei assiduamente nestes dias em que não escrevi e que me estou a habituar de novo a treinar, mas seria mentira.

Gostaria de ter tempo e vontade para ter tempo, e tempo para ter vontade, mas a verdade é que não tenho. Nem tempo nem vontade. Estou aqui agora, com o tempo que me resta do dia de hoje, a escrever. Porque ainda tenho tempo e vontade.

Depois de ter corrido três dias consecutivos (fim semana e feriado), estou há três dias sem praticar exercício físico digno desse nome. Nada de importante ou grave, claro, mas a questão é que quando o dia é rotineiro por questões de obrigatoriedade, está-me a ser muito difícil encaixar uns míseros 30 minutos para correr, ou nadar, ou fazer outro exercício qualquer.

Significa isto apenas que o grande objectivo de fazer a Maratona do Porto em Outubro, será bem mais difícil de alcançar do que se poderia supor. Quando as semanas passam elas a correr, e a nós nos resta apenas o fim se semana e um feriado ou outro, as coisas ficam realmente complicadas. Mas nada de ser pessimista! Será apenas maior o desafio. Adivinha-se uma saborosa vitória na mesma proporção.

Hoje, estive a olhar a evolução da vida aqui dentro de minha casa. Um autêntico milagre! Tenho passado algum tempo a trepar a uma árvore específica para apanhar folhas que vão alimentar umas larvas que a minha filha trouxe aqui para casa.

Não param de comer! Comem o dia inteiro e até de noite. Param por curtos períodos para digestão e absorção dos nutrientes. São comedoras vorazes, quase que insaciáveis, pois precisam se alimentar dos nutrientes necessários para o período de hibernação de sua próxima fase de vida e para isso necessitam armazenar bastante energia. Quando param de comer por completo, estão preparadas para a nova fase. Aí, fazem o casulo com a própria saliva que em contacto com o ar adquire consistência de fios muito resistentes.

No casulo, a larva isola-se e alheia-se por completo do mundo. Fechada sobre si própria transforma-se, fruto de uma evolução, um crescimento e uma passagem para um novo estádio.

Há algo de verdadeiramente mágico e fantástico, na transformação de uma larva numa mariposa ou borboleta. Mais que uma mudança, é uma verdadeira metamorfose. Algo bem profundo.

Fechadas em si, no casulo por uns dias, elas alheiam-se do mundo e transformam-se de dentro para fora. Das suas entranhas refeitas, nasce outro ser, que é o mesmo afinal. É um segredo só seu, bem guardado e secreto, que todos nós humanos, pelo menos uma vez na vida devíamos conhecer e aplicar.

Mas elas guardam este segredo íntimo. Dentro do casulo, quando já não é visível para ninguém, acontece magia silenciosamente, até ao dia que essa magia explode depois em rara beleza para dar vida aos nossos jardins e cor às nossas vidas.

Esse milagre da Natureza está a acontecer na minha casa. E eu quero aprender.

segunda-feira, 1 de maio de 2006


2ª feira, 1 de Maio de 2006

Hoje acordei gorda. Inexplicavelmente 900 gramas a mais do que ontem! Sem nenhuma razão! Compreendo perfeitamente que se deve a retenção de líquidos e questões hormonais, mas de qualquer forma não é nada agradável, quando nos andamos a portar muito bem (exercício e alimentação) e temos esta notícia pela manhã!

Como adorei ontem o sítio onde corri, hoje lá voltei com a intenção de fazer 1 hora nas calminhas.
E faço os primeiros 30 minutos muito bem acompanhada por companheiros de areia que numa onda mais forte desaparecem como castelo construído à beira mar, deixando apenas as conchas agora vazias. Faço o retorno e constato de imediato que o tempo restante não ia ser fácil. Ainda por cima só.

Sinto-me pesada, e ainda me doem as coxas e os gémeos (de ontem). Há algum vento contra e mentalizo-me que qualquer coisa acima de meia hora, já não é mau, que o esforço dispendido na prova de ontem ainda não foi recuperado.

Como falava ontem com um amigo que fez a maratona de Madrid, tentando ensinar-nos a próprios que o nosso corpo tem limites e que devemos respeitá-los (nunca aplicamos!!), é necessário o tempo suficiente de recuperação e de descanso. Depois de um treino duro, é contraproducente outro treino de igual dificuldade.

Assim, para mim, depois de ontem, com os treinos que não tenho, voltar a querer fazer 1 hora e sentir-me bem era missão impossível pois o corpo ainda não está recuperado. Isto aplica-se a todos os níveis atléticos, desde a alta competição ao mais coxo do pelotão! Se eu tenho andado a fazer pouco mais de meia hora uma vez por semana, depois de ontem, como me queria sentir? Não sou a super Mulher!

Por isso, aceitando os limites (que existem), e agarrando-me ao bom senso, aos 35 minutos de corrida parei, tirei os ténis e mergulhei naquela água maravilhosa que só a Costa da Caparica possui, e revigorei-me! Segui o resto o caminho de retorno a caminhar energicamente com os pés dentro de água! Não foi como planeara, mas foi muito bom!

E amanhã outro dia!