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segunda-feira, 7 de novembro de 2022

18ª Maratona do Porto e a minha Family Race, Corrida dos Ossos Saudáveis, 10 Km

Já sabemos que a Maratona do Porto é organizada pela Runporto e facilmente saberemos que a 6 de Novembro 2022 se realizou a 18ª edição, com novo record da prova obtido pelo queniano James Mwangui com 2h08m47s. 

No sector feminino, venceu a prova a atleta queniana Alice Jepkemboi Kimutai, com 2h29m58s

Destaco o 1º Português, José Sousa, do C.D.S.Salvador do Campo, em 6º lugar, com 2h18m.34s e a Vanessa Carvalho, 1ª Portuguesa e 2ª da geral feminina, com 2h35m24s.

Mas tudo isso se sabe com um pingo de interesse e com toda a facilidade.

Estar lá, Correr, viver e sentir o pulsar da Maratona do Porto, é que é outra coisa, completamente diferente. Privilégio de quem se desafiou e esteve presente. E eu, fui um dos milhares que disse "Presente" e se desafiou a Correr, no meu caso, a Family Race, Corrida dos Ossos Saudáveis, que decorre em simultâneo com a Maratona, na distância de 10 Km. E quem conta alguma coisa do que foi e do que é a Maratona do Porto, são esses milhares, que se amontoaram na partida, ombro a ombro, de roupa colorida, entre olhares cúmplices e nervosos alguns, mas todos com um brilho especial, sob uma chuvinha miúda que depressa se dissipou, saltitando no lugar para manter o corpo quente, são esses que se arrepiaram e sentiram um nó na garganta nos minutos que antecederam a partida, que palmilharam as ruas do Porto e Matosinhos, que suaram na estrada, que ouviram palmas e a animação da prova, que descansaram o olhar no Douro enquanto o corpo trabalhava, os que duvidaram de si e os que estiveram sempre seguros. Os que viveram mil emoções durante o percurso e cortaram a meta com um sabor de vitória que os faz chorar de alegria, vitória essa de mil batalhas travadas na maior parte dos casos e que vai muito além das medalhas e dos tempos registados pelo cronómetro. São esses que contam de facto como foi a 18ª Maratona do Porto. Com o risco da parcialidade e subjectiviade, é verdade, mas também com a autenticidade de quem é genuíno e mostra ao mundo a sua vivência no evento, que para além de sonhada, foi tornada real.

A  minha Corrida

Tenho meia dúzia de Maratonas corridas. A prova rainha. Tem tanto de doçura como de crueldade. Ela é apenas justa para connosco. Sem piedade se a substimamos, mas de abraço materno reconfortante a orgulhar-se de nós se a respeitamos.É mágica, muito apelativa e fascina-me por completo. Corri a última em 2016, em Sevilha. Depois disso, são circunstàncias várias da vida e uma lista de lesões e outras chatices que nunca mais me deixaram embarcar noutra. No entanto, o sonho mantem-se. Assim, desde essa altura, quando participo em provas, opto sempre por versões pequeninas das provas ou mesmo só e apenas por Caminhadas. Parar é que não.

Confesso que tenho uma ligação muito especial com a Maratona do Porto. Soube dela antes dela nascer e conheci-a na sua 2ª edição. Apaixonada pela Maratona e pela cidade, desde então tenho sempre marcado presença, e já lá estive nos vários moldes: como participante da Maratona, da Family Race e da Caminhada e até mesmo só como acompanhante de outros que foram correr, e ainda também como coordenadora de autocarros a sairem de Lisboa, que a Runporto disponibilizou durante várias edições para participantes na prova e seus familiares.

Este ano, não seria diferente e lutando contra várias contrariedades, não impeditivas de Correr, lá me armei em guerreira brava e desafiei-me para fazer a Family Race. Prova que em boa hora passou para 10 Km (anteriormente era de 14 - 15 Km).

Três ou quatro treinos umas semanas antes, só para ver se ainda sabia correr, seguidos de dias a recuperar das mazelas, e véspera da prova, lá me organizei para levar a família comigo pois de outra forma não seria possível.

O Porto já me viu muito feliz, em circunstâncias muito variadas e desta vez seria com a família completa. Só faltou a Lucy que, com o coração apertadinho, tivemos de a deixar aos cuidados de terceiros.

Dizem que não devemos voltar aos lugares onde já fomos felizes para não estragar memórias, mas eu prefiro voltar sim, e criar novas memórias, de preferência felizes também.

O dia está de Sol bonito e vamos directos à Alfândega do Porto onde está a Feira da Maratona, para levantar dorsais. Não consegui estacionamento muito perto, o que me obrigou a deixar os meus pais num banco de jardim (pois a dificuldade de mobilidade da minha mãe assim obriga) e ir "a correr" levantar o dorsal, pois ainda tinha de ir a Santa Maria da Feira buscar a filhota e voltar ao Porto, para que a família ficasse, dessa forma, completa.

A feira estava muito composta e muito bem organizada. Vários stands, e excelente organização no levantamento dos dorsais e saco do atleta. Levantei o meu e do meu amigo António Pereira que só chegaria à noite. Pena não poder estar lá mais tempo para ver tudo aquilo com mais atenção: produtos desportivos e outras Maratonas pelo mundo a fazer-me sonhar. Sonhar sempre! Pasta Party, que este ano dispensei. Reencontro alguns amigos e a alegria é genuína. Podemos estar um ano sem nos falarmos, mas a alegria é genuína nestes reencontros, por breves que sejam.

Ficamos no Hotel oficial da Maratona, o Crown Plaza Porto onde ficamos muito bem instalados. Excepção feita ao pequeno almoço servido aos atletas a partir das 5:30hrs da manhã, que claramente era muito fraco na diversidade, além de faltar os ovos mexidos, os iogurtes, os cereais, as torradas, os ovos quentes e a fruta. Felizmente, o pequeno almoço servido mais tarde, para a família e as pessoas "normais" voltou ao padrão habitual do hotel. Novo reencontro com outros amigos no átrio do hotel. Fotos da praxe e autocarro para o local da partida, este ano dada às 8:00hrs.

Uma chuva miúda e um céu cinzento mas perto da hora da partida, a chuva parou e as condições ficaram excelentes para a Corrida.

Novos reencontros de velhos amigos. Partida bem organizada. Marcadores de passos para a Maratona. Muita animação. A emoção está ao rubro, mesmo lá atrás no sector C, da partida dos 10 Km, para quem previa fazer mais de 60 minutos e onde eu me encontrava.

A partida é dada e estou a Correr. A correr novamente, penso. Só quem vem de lesões e/ou já se viu impossibilitado de Correr ou corre com limitações, pode entender a alegria, quase infantil que senti. Ritmo calmo, calmíssimo, aquele que me permitiria fazer a prova toda em passo de Corrida, esse era o objectivo que acabei por conseguir, sem grandes quebras, dores ou sofrimento. Os 10 Km foram sempre junto ao rio, ida e volta, um abastecimnto de água, e a animação é uma constante. Pena não corrermos um pouco com os participantes da Maratona, mas esses, começaram logo a subir a Av. Boavista e só os seguimos por escassos metros, pois o percurso separou-nos logo. A nossa prova foi curtinha, é a sensação que tenho. Quero mais, mas já estou a ir para a meta. Bom sinal, sentir isso, penso. É sinal que estou "bem". A animação é imensa e somos muito apoiados, quer pelo público quer pelos elementos da organização, e com isso somos ajudados a subir para a Meta. Corto a meta, páro o cronometro. Medalha ao peito e um saquinho com produtos de patrocinadores: leite, refrigerantes, bolachas e bananas.

Não é preciso mais nada. Adoraria ficar por ali e ver os Maratonistas chegar. Ver os meus amigos chegar, mas no hotel a família aguarda-me e não me posso dar ao luxo de gastar muito mais tempo só para meu belo prazer. Faço uma caminhada até ao Hotel, atravessando o belíssimo Parque da Cidade e reuno-me com os meus. Almoço, voltinha rápida e curta pela cidade e é tempo de regressar a Lisboa para chegar a tempo de ir buscar a Lucy.

Corri. Corri muito (em vários sentidos da palavra). Revi amigos. Convivi um pouquinho com eles (o que foi possível). Fui bem tratada. Acarinhada. Tudo bem organizado.O corpo aguentou. Hoje queixa-se mas isto passa. Estou cansada, mas não muito. E valeu tanto o esforço. Estar com os meus, dar-lhes esta vivência, enche-me de uma satisfação imensurável.Tudo isto é Vida. Tudo isto é Porto. Tudo isto e muito mais é a Maratona do Porto.

Tenha eu saúde e vida, e próximo ano, dia 5 de Novembro de 2023 lá estarei de novo. Sem grandes promessas (ai como eu gostaria de dizer que para o ano seria de novo na Partida da Maratona), pois estas, as promessas só devem ser feitas quando temos intenção e mais que intenção, condições para as cumprir, e com sinceridade, neste momento, não sei se terei.

A prova tinha ainda uma Caminhada de cerca de 6 Km, a Fun Race, dando a possibilidade de participação a todos.

Por tudo isto e muito mais, está pois a Runporto de parabéns pela 18ª edição da Maratona do Porto, com o amigo Jorge Teixeira na frente deste barco, director da prova, a quem tenho o prazer de poder chamar de amigo.

Até para o ano, Maratona do Porto

Ana Pereira

























Fui o 1529º (milésimo quingentésimo vigésimo nono) atleta a chegar à meta de um total de 1899, de acordo com os resultados provisórios da Family Race (10 Km)

A Maratona teve, também de acordo com os resultados provisórios, 2874 atletas a cortar a meta.

Classificações podem ser consultadas aqui

FOTOS DA MARATONA DO PORTO:

Pela Organização, podem ser vistas aqui

Pela Fotop, podem ser vistas aqui

domingo, 11 de setembro de 2022

3ª Meia Rampa, dentro da 44ª Meia Maratona de S.João das Lampas

10 de Setembro de 2022

S.João das Lampas

Inicialmente inscrita para a Meia Maratona. Depois, por razões que não interessam nada para aqui, choraminguei e pedi para os dados serem alterados para a Meia Rampa (13 Km) e ainda assim sabia que não seria fácil conclui-los. Depois, uma semana antes da prova um entorse que não sendo grave, vem ajudar à festa das mazelas que este corpo de 53 anos carrega.

E eis que chega o dia. Iria apenas fazer a Caminhada, que esta prova também proporciona a possibilidade de participação em modo Caminhada, e assim decidida saí de casa. O Fernando Andrade iria compreender, claro. Vá lá que não fui de botas grossas da tropa para caminhar, pois pouco depois de chegar a S.Joâo das Lampas, duas palavrinhas trocadas aqui e ali com velhos amigos destas lides, e com uma facilidade admirável, decidi prontamente ir Correr os 13 Km.Correr, quer dizer, percorrê-los, sempre que o corpo me permitisse, em passito de Corrida, que é a minha paixão, ainda e sempre! E ainda bem que assim o decidi. A comprovar-se uma vez mais que somos capazes de muito mais do que aquilo que julgamos.

A prova tinha um tempo limite de 1h30m. Não queria passar disso, era o objectivo, ou não passar muito disso. Porque fazer uma prova inteira a caminhar ou a um ritmo que não permite terminar no tempo limite estipulado pela Organização, não é bonito nem se aconselha. A começar pela segurança do altetas em relação ao trânsito, por exemplo. Arrastar-nos no asfalto, para além desse tempo, não é bonito,não é nenhum acto heróico e não é bom para ninguém. No entanto, sendo esta uma prova dentro da Meia Maratona, e tendo esta um limite de 2h30m, menos mau para quem passasse da estipulada hora e meia nos 13 Km. O que acabou por ser o meu caso. 

O ambiente é de festa em S.João das Lampas. Cheira a farturas e pipocas. Atletas dão uma voltinha nos carrinhos de choque com as suas crianças antes da prova. Reencontro vários amigos de antigamente, quando fazia provas quase todas as semanas e escrevia assiduamente nesta página.

A entrega de dorsais foi rápida e eficaz. Parques de estacionamento bem indicados na estrada. Policiamento a cumprir muito bem a sua função.

Não aqueço por aí além. Não posso acrescentar mais impactos nos pés a fazer eco pela coluna acima, passando pelo ciático, do que aqueles que já seriam necessários para fazer os 13 Km. Tão bom fazer parte desta festa. Dorsal ao peito para Correr! Alegria infantil esta! Ainda bem que não fui só caminhar, penso.

As pessoas. Quem organiza, quem participa, quem assiste e apoia, estão todos de parabéns! Fazem a festa, são e dão felicidade. Um instante que seja! Não há equívocos. Sou feliz a Correr! 

A prova é durinha, como já sabemos. Mas passinho a passinho fui alcançando as placas dos quilómetros, vencendo-os. A caminhar na maior parte das subidas, a travar nas descidas, a manter um passinho de caracol no plano. Há público a incentivar-nos. Abastecimentos suficientes e há chuveiros para nos refrescarmos. As fontes e os tanques, a verem-me passar uma vez mais. A alegria das palmas, das piadinhas de uma ou outra pessoa no público que não compreende que corramos assim, tão devagar, quase sem ninguém atrás e ao mesmo tempo tão felizes. Sorrio, só sorrio e sigo. Até para o ano, digo, e quase todos respondem, com votos de saúde e que para o ano nos reencontremos. É assim Correr em S.João das Lampas.

Na chegada à meta, a animação cresce. A poucos metros da meta, ainda a correr, agora com mais genica, estendem-me uma rosa, que adoro receber. Branca. Ergo-a e sigo ainda com mais alegria, certa do merecimento. Certifico-me que não vem nenhum atleta da Meia atrás de mim para a Meta, e entro então no tapete e passo o famoso e original pórtico da meta! Está feito! Poucos segundos depois, chega a 1ª mulher da Meia Maratona! 1h33m50s. Patrícia Rivotti, os meus parabéns para ela! 

Temos imensos fotógrafos ao longo do percurso e também na meta. Medalha, água, bolinhos e melancia à chegada. E o Fernando Andrade! Reponsável por isto tudo! Muito Obrigada, e muitos parabéns pela 44ª edição da Meia Maratona de S.João das Lampas, extensíveis a toda a equipa da Meia Maratona de S.João das Lampas - Grupo de Dinamização Desportiva que uma vez mais nos recebeu de forma irrepreensível e sempre, mas sempre, tão calorosa.  

Percorri os 13 Km da Meia Rampa em 1h33m20s, tendo-me classificado na 55ª posição de um total de 67 chegados à meta. Ainda um 3º lugar no escalão V50 (acho que só lá estavam 3 participantes, ah ah ah) 

Se tudo isto vale a pena? Momentos de evasão cada vez mais preciosos na minha vida! E não preciso dizer mais nada.

Ana Pereira

Notas:

Chegados à meta:

217 atletas na Meia Maratona

67 atletas na Meia Rampa

O site da prova, com toda a informação, aqui

Resultados podem ser consultados aqui

Fotos por Luís Duarte Clara, aqui

Fotos por O Homem da Maratona, aqui

Fotos, pela Fotop, aqui


Quase a cortar a meta, por O Homem da Maratona


No final, já de medalha ao peito, com o amigo Fernando Andrade

Antes da Partida


Durante a prova, com o Ricardo Leitão e João Rosinha, apanhados pela Fernanda Neto, muito Obrigada!

A t-shirt, a medalha e a rosa

O largo das Festas

A zona da partida, quando ainda andavam todos a aquecer

A minha medalha

Os bolinhos


segunda-feira, 16 de maio de 2022

8º Trilho das Lampas - 14 de Maio de 2022

Não sei se será da idade, se das experiências com que a vida me tem presenteado, o certo é que aprendi a relativizar as coisas e a valorizar o que realmente é importante. Também perdi a impetuosidade de outros tempos (em parte), própria da juventude e aprendi a viver com paixão e alegria tudo aquilo que a vida me permite fazer ao invés de chorar o que não posso fazer. É outra Ana.

E a antiga Ana, não iria jamais ao 8º Trilho das Lampas. A má forma, aliada às lesões e algumas limitações que não interessam nada para aqui pois cada um tem as suas, jamais se permitiria acreditar que seria capaz de percorrer os 15 Km do Trilho. Mas esta Ana, eleva ao expoente máximo, o valor da amizade, da saúde e das oportunidades que a vida lhe dá. E quando o Fernando Andrade a desafia, em poucos minutos passou do "nem pensava nisso de todo, não estou em condições" para um firme "Vou sim senhor!" A tal impulsividade ainda cá mora e em doses moderadas é uma coisa bastante positiva na maior parte das vezes.

A verdade, é que o Fernando Andrade simplesmente me pôs lá a Correr e eu...fui. Fui e fiz! Simples! E com a brincadeira continuo a ser totalista da prova, a dizer presente desde a 1ª edição, o que muito me orgulha, até porque foi no Trilho das Lampas que me iniciei no Trail, decorria o ano de 2013.

"...eu quero é que desfrute do Trilho"...foram as palavras-chave. Deixou de interessar a péssima forma e outras condições físicas limitativas e passou a ser prioridade...desfrutar do Trilho, e assim foi. Prioridade também a amizade, dos amigos que convenceu a participar (nas 3 modalidades da prova: Caminhada, Trilho curto e Trilho Longo), do Fernando Andrade, que por razões de força maior teve de assistir a tudo de forma remota e não podemos dar-lhe aquele abraço e agradecer por tudo isto e ainda a amizade dos amigos que reencontrámos, e que mexem com emoções por vezes adormecidas.

O Trilho das Lampas começou às 19:30hrs, e corro por aquele relvado tão familiar, o plano era correr na partida e depois na chegada. Era o mínimo exigido a mim própria. No durante, faria o que pudesse, acautelando-me para não sofrer desmesuradamente e não me dar mal. 

Dou por mim a aguentar-me relativamente "bem" no meu passinho de Corrida muito lenta. E o Trilho está tão bonito. Tão docemente apetecível, como se me abraçasse e me envolvesse nos seus braços à medida que avanço. Há sensações inexplicáveis, e ali, sinto-me em casa, acolhedoramente abraçada por toda a Natureza e ambiente envolvente. Caminho nalgumas subidas, naturalmente. E descubro que afinal as Caminhadas que tenho feito por serras e vales, contam alguma coisa para a preparação, e foram o que me valeram aqui, não tenho dúvida alguma.

O tempo está seco, algum vento, mas mal começamos a correr, sentimos a temperatura amena. O céu está cinzento e não vai haver pôr-do-Sol. A praia da Samarra, o som do mar, os riachos que atravessamos, a água que parece cantar, o verde, os pássaros, as rãs. Todos os sentidos alerta, uma sinfonia de emoções, orquestra magistral a tocar na minha alma. Depois fica noite, acendem-se os frontais (desta vez com pilhas novas) e apuram-se ainda mais os sentidos. Há passagens verdadeiramente mágicas no Trilho das Lampas, Marcações irrepreensivelmente bem colocadas e mesmo quando fiquei sozinha no Trilho, senti-me tão bem, tão segura, talvez porque nunca estamos verdadeiramente sós. Sensivelmente a partir do km 11 ou 12, apesar do Trilho ser perfeitamente corrível e o meu frontal iluminar o caminho muito bem, foram as pernas que me traíram e passei para o modo Caminhada. Não respondiam simplesmente. Mas a cabeça também manda e segui firme um passo a seguir ao outro. Queria também guardar alguma energia para cortar a meta a Correr e também por isso, mantive o passo de Caminhada. Entra-se num espaço, que fiquei a saber ser privado, gentilmente cedido para a nossa passagem e parece uma floresta mágica. As árvores nossas amigas, iluminadas pela luz do frontal, espectros fantásticos a alimentar a magia. Há archotes a iluminar o caminho e é hora de recomeçar a correr. Por fim sai-se do portão para o largo de S. João das Lampas, entra-se no relvado e corto a meta, feliz e completa, com a inequívoca certeza de que somos capazes de muito mais do que julgamos. Na Corrida ou no que for.

Demorei 2h25m43s para percorrer o Trilho curto (15 Km). Fui a 215ª a chegar à meta de um total de 268, e ainda a 14ª no escalão (F50) de um total de 20 miúdas do meu escalão.

A versão Trilho Longo, com a distância de 24 Km, teve 199 atletas chegados à meta.

Os abastecimentos foram do melhor, e ainda uma sopinha de legumes no final. Muito bom.

A medalha muito bonita. E até a Caminhada teve medalha! 

A Corrida, o Trilho, a Amizade. Coisas boas da Vida. E Correr, Correr no Trilho das Lampas é tão bom! Sem dúvida que usufruí do Trilho. De forma grandiosa e intensa. Por inteiro. Com todos os sentidos apurados, dedicados e empenhados em absorver tudo avidamente e processar internamente e depois transformar em emoções que nos fazem sorrir e ser feliz por dentro.

Agradeço especialmente ao amigo Fernando Andrade por tudo, à Organização: Meia Maratona de S.João das Lampas - Grupo de Dinamização Desportiva, à Sociedade Recreativa, Desportiva e Familiar de S.João das Lampas e a todos os envolvidos que contribuíram para que o 8º Trilho das Lampas se realizasse e nos recebesse assim, desta forma única e tão especial.

Para o ano, lá estarei de novo! Afinal, sou totalista da prova, já vos tinha dito não já? E enquanto houver vida em mim,  assim quero continuar.

 A minha prova, registada pelo Strava, pode ser vista aqui

Outras informações:

O site da prova: Trilho das Lampas

Resultados podem ser consultados aqui

o Evento no facebook

A Partida, por Miguel Pinho, pode ser vista aqui

E para quem tiver curiosidade, aqui, através dos links abaixo, fica a minha história de amor com o Trilho das Lampas, desde o seu início:

1ª edição - 2013   + Imagens, aqui

2ª edição - 2014

3ª edição - 2015

4ª edição - 2016

5ª edição - 2017

6ª edição - 2018

7ª edição - 2019


Com o amigo Mário Lima















Por Celina Jorge, o Trilho:



Por Celina Jorge, a Caminhada:

sábado, 9 de abril de 2022

Um ano sem ti, meu amor. Molly 26-05-2009 - 09-04-2021

 9 de Abril de 2022

Um ano sem ti, meu amor. Sem o teu olhar, sem o teu amor, sem...sem....é o que fica, nada, o vazio e a ausência, é o que fica. O vazio.

Pois...no coração és eterna. Amo-te como sempre te amei e sempre te amarei, sei que estás presente... sem estar. Como um amor imaginário. Mas tu foste real. Bem real! Quase doze anos de amor real. Nem todos se podem gabar disso. Nem todos têm a sorte de sentir um amor assim e de serem amados assim por quase doze anos.

Há um ano por esta altura, estava a trabalhar em casa tal como estou agora. Demasiadas coincidências a entristecer os dias. Foi ontem. O que vivemos há um ano por esta altura, está tão presente como se tivesse sido ontem a esta hora. E ainda choro sem ninguém saber.

Mas não há lugar a tristeza nem a nostalgias. A vida segue, qual carrossel gigante, sem parar, sem dó ou piedade ou sequer lugar para segundas oportunidades. Gira e segue. E tu, ou segues ou ficas. E se ficas morres. Morres em vida, que é a pior morte possível. Morrer em vida.

Por isso, eu segui, meu amor. Sem ti. Segui. Um ano.   

Temos agora uma rafeira arraçada de dinossauro como diz o meu pai e eu concordo com ele. É a Lucy. A dar-me cabo da cabeça todos os dias. Um potencial grande amor, ainda em construção, confesso. Há horas que me apetece atirá-la da janela, devolvê-la ao canil, abandoná-la na serra à mercê de lobos e gaviões e ursos e leões, fazê-la desaparecer e retomar devagarinho a minha triste e pacata (???) vida do período "antes da Lucy". Ups...e o sentido de responsabilidade etc e tal?! Tu eras capaz?! Claro que não, querida Molly, sabes bem que não. Mas sou humana e por vezes o cansaço e o peso dos dias, levam-nos a estes pensamentos e emoções menos bonitas e politicamente incorrectas. Mas...e depois? Depois, e antes e durante, somos seres racionais, mas também emocionais. Esta cadela apenas dá trabalho, muito trabalho mas eu vou conquistá-la e ensiná-la e amá-la! E confesso, ela já me conquistou. Como amor que dá trabalho, a recompensa é também enorme! E eu já não abro mão dela. E não desisto dela! Deste pirralho, terrorzinho cá de casa e arredores. Quatro meses de vida, 16 Kg de "gente", a desafiar como ninguém. Não desisto dela, por mais difícil que seja. Uma necessidade de amar, cuidar, ser amada e também cuidada, faz de mim isto que sou. Por isso fui buscar a Lucy e estou muito feliz por isso. Lá de cima onde estás, hás-de fartar-te de rir destas cenas aqui em baixo. Até eu me rio, depois de passar aqueles momentos críticos. É que isto, de cuidar de cachorro é como ser Mãe...não são só rosas e há momentos absolutamente desesperantes, Mas depois, depois...a recompensa é de ouro e não troco esta vida por nenhuma outra.

Um ano sem ti, meu amor. Sempre no meu coração, querida Molly.

26-05-2009 - 09-04-2021

A minha querida Molly:







Lucy, o terrrorzinho cá de casa, 4 meses de vida, 16 Kg de "gente", a desafiar como ninguém: