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terça-feira, 5 de junho de 2018

Maria Celeste

Fim da tarde. 1h07m a Correr. Ao lado do Trancão...tão bom começar assim o fim do dia, absolutamente revigorante, a lavar os pensamentos e a libertar a alma!

O gps diz que foram 11,200 Km, mas não é informação fidedigna...Fica o tempo de Corrida e as memórias do corpo e da alma no decorrer do treino, e hoje são ambas muito boas. E fica a história. Hoje, da Maria Celeste que correu comigo.



A Maria Celeste veio correr comigo hoje, Não levava nada, nem cronómetro nem relógio nem sequer telemóvel. Apenas ela, inteira, corpo e alma despida. Estava triste e ansiosa. E um pouco revoltada, apesar de o tentar negar com uma convicção mal disfarçada. No fim do treino, ao chegarmos ao carro, quase desesperadamente verifica o seu telemóvel que tinha ficado guardado no carro, na ânsia e esperança de ter uma chamada, uma mensagem, qualquer coisa. Dele! Mas não, não tinha. Se, apesar dele já ter dito que não ia ser possível, ela alimentava a esperança de que talvez ele mudasse de ideias e a convidasse para jantar. Se ele se atrevesse. Se ele quisesse. Talvez tivessem um serão muito agradável, talvez comemem bem, à volta de um prato de comida reconfortante e talvez rissem demasiado alto quando o jarro do vinho tinto já estivesse quase vazio e os empregados do restaurante quisessem fechar dada a hora tardia e o tempo ter voado sem eles terem dado conta. Talvez falassem e ouvissem como raras vezes acontecia nas suas vidas.Talvez partilhassem medos e ganhassem forças para os enfrentar só pelo simples facto de os ouvir em voz alta. Talvez partilhassem sonhos e esperanças e talvez sentissem o apoio do outro, quando todos nas suas vidas os acham loucos, desajustados e desadequados. Talvez a Amizade se sobrepussesse a amores acomodados, de conveniência e de falso conforto. Se ele a convidasse para jantar...

Mas não, ele não a convidou para jantar. E ela, a Maria Celeste, depois do treino despediu-se do rio e das águas que não levaram todas as suas mágoas para o mar como ela queria e regressou à sua casa, onde quase ignorada, apenas lhe dirigem a palavra para perguntar o que era o jantar. Alguma coisa para aquecer, responde ela, podes pôr no micro-ondas que eu tomo duche num instante.
Jantaram em silêncio não fosse a televisão em altos berros, aos quais o marido dela parecia responder num tom inflamado e muito interessado, e depois da louça lavada e cozinha arrumada, ela por fim, derreada,  atira-se para o sofá onde se enrosca no marido, como animal de estimação a implorar carinho e atenção e finge que os tem e finge assim que é feliz, enquanto pensa... se ele a tivesse convidado para jantar...

domingo, 3 de junho de 2018

Descida à Terra

Ontem, muito animada, apostava a vida que me ia preparar muitíssimo bem para em Setembro me aproximar do resultado de há 3 anos (1h37m) na Meia Maratona das Lampas e ingenuamente acreditava que era (quase) possível.

Hoje...deixem-me rir! Hei-de ter um resultado próximo sim senhor, se pudermos considerar próximo uma tolerânica para mais, de mais de meia hora! O que dará acima das 2 horas!

Hoje calcei os ténis e fui correr. Queria fazer 14. Fiz 12 Km. Diz o gps que me engana com os dentes todos e se ri de mim descaradamente, inventando quilómetros, normalmente, o que falseia resultados e me ilude nas distâncias e nas médias que faço. 

Chateia-me isto! Deixa-me desorientada, quase perdida, à deriva.

Demasiada agarrada às tecnologias? Quem não está? Longe do tempo em que saía de casa, olhava as horas no relógio da cozinha e voltava a ver quando regressava a casa e me sentia fantástica porque tinha corrido "x" minutos. Distância? Não fazia ideia. Ritmo? Não fazia ideia. Series e afins? Pista de Atletismo quando era possível.

Hoje, queremos saber tudo ao pormenor e eu neste momento corro apenas com o telemóvel e registo os treinos pela aplicação do Strava, mas ultimamente, não dá para confiar de todo! Saudades de ter o meu Garmin no pulso...mas esse...já era! E infelizmente, não é possível adquirir substituto nos tempos mais próximos. Nem nos mais longe...

Hoje, porque conheço relativamente bem o terreno, não deve estar muito longe da realidade o  treino de hoje -  foi isto, registado assim pelo Strava, para ver aqui

Qualquer coisa como 12 Km em 1h12m, média de 5:55/km o que me traz de volta à Terra. Abrupta e violentamente, desço à Terra!

Melhorar sim, muita margem para melhorar, mas sem esquecer o ponto em que me encontro e todas as circunstâncias actuais. 

Um "bom" treino, sem dúvida, mas, pelo forma como me senti, a fazer-me adivinhar o trabalho que tenho pela frente, para "simplesmente" cortar a meta da 42ª Meia Maratona de S.João das Lampas, a 8 de Setembro próximo.

Até amanhã querido diário



sábado, 2 de junho de 2018

Livre ou perdida e desorientada?


Acabada a vaga de provas à borla, que de alguma forma me mantinham alerta e motivada para treinar alguma coisa porque tinha esta ou aquela prova em vista e em breve, agora, sem foco concreto e específico à vista nas próximas páginas do calendário, sem provas a que queira e possa ir em breve, eis que me sinto um pouco livre ou antes, perdida e desorientada, é verdade e eu admito.

E se é verdade que corro para ser feliz, para me sentir bem e melhor no restante do tempo em que não corro e enfrentar a vida de forma mais positiva, saindo sempre de cada treino, psicologicamente fortalecida e revigorada, o que inevitavelmente também se reflecte no corpo, também é igualmente verdade que uma provazita nos dá um foco, uma motivação extra, uma linha condutora que queremos seguir nas semanas (ou meses) que a antecedem.

E eu por agora, só almejo a 42ª Meia Maratona de S.João das Lampas, e depois a Corrida do Tejo (10 km), mas isso é só lá para Setembro, e se o desempenho da 2ª será uma consequência da forma que conseguir atingir na altura da primeira, esta, a Meia Maratona de S.João das Lampas é de facto uma prova onde gostaria de chegar na minha melhor condição possível. E se em 2015, corri os 21,097 Km em 1:37:34, o que me valeu um 2º lugar na Geral Feminina. Sim, é um orgulho esse resultado, fruto de muito e bom treino, do peso "pluma" que tinha na altura, e de um dia feliz, onde tudo correu muito bem, hoje, 3 anos depois, não digo que esse seja um objectivo, até porque as circunstâncias são outras bem distintas, no entanto, qualquer coisa que se lhe aproxime, deixar-me-á muito feliz. Treinar para isso é possível, perder peso é possível, mas não posso esquecer as condicionantes.

Por isso, sem um objectivo de tempo específico, uma coisa é certa: o objectivo "específico" é melhorar até onde conseguir. E em Setembro, veremos o que dá, sendo que e não esquecendo de forma nenhuma, que ter o privilégio de poder correr, de poder correr na 2ª Meia Maratona mais antiga de Portugal, é já por si, uma alegria, de que não me privarei se por ventura chegar à meta com 2 horas e muito.

Por isso, seguem por agora não os habituais relatos de provas, mas o prazeroso
caminho para a 42ª Meia Maratona de S.João das Lampas. 

E hoje, foram 6,2 Km em 38 minutos, numa luta contra o vento e um cansaço inexplicável.

Até amanhã querido diário




domingo, 27 de maio de 2018

Corrida de Belém

Lisboa, 27 de Maio de 2018 

Este é o "dorsal da solidariedade e da amizade e isso é lindo!", disse-me o meu amigo Jorge Branco, quando num concurso promovido pela Running Magazine, a minha foto foi uma entre as 10 mais votadas, o que me permitiu ganhar um dos 10 dorsais que eles tinham para oferecer. E isto só aconteceu porque...concorri, empurrada por uma amiga e fiz o que acho que nunca tinha feito nem é muito de meu feitio fazer: pedinchei (pedi, chateei, incomodei) uma boa parte dos meus amigos, e confesso, fui estrondosamente surpreendida pela forma como responderam, muitos deles, não só votando mas pedindo também aos seus amigos para votar, o que, apesar de parecer uma coisa singela, muito me  surpreendeu e tocou de uma forma que não estava à espera. Foram mais de 200 os que perderam o seu tempo a votar na minha foto, e só por causa deles todos, é que me foi possível participar nesta Corrida e viver esta experiência. Uma vez mais, a todos eles o meu Muito Obrigada!


A Corrida de Belém

A Corrida de Belém é organizada pela Junta de Freguesia de Belém, em colaboração com o Clube de Futebol “Os Belenenses”, o Clube de Atletismo Amigos de Belém, com a Câmara Municipal de Lisboa e tem o apoio técnico da HMS Sports Consulting, Lda. 

Tem a prova principal com 10 Km, a Caminhada com cerca de 4 e ainda provas para os pequeninos, que decorrem ali mesmo na pista do Estádio do Restelo, onde é a partida e a meta da prova principal.

Com um custo de inscrição, na 1ª fase, de EUR 8,00, a prova oferece-nos uma t-shirt de participação, unisexo, um ambiente animado e local fantástico, para a partida e chegada (chegar dentro de um estádio, com pista de atletismo, eleva sempre qualquer prova e qualquer chegada à meta é sempre engrandecida por esse facto), um dorsal com chip e controlo de tempos e passagens, alfinetes, um percurso durinho e bonito pela capital, em total segurança em relação ao trânsito, bem sinalizado, com quilómetros marcados, abastecimento de água pelo meio, tudo bem controlado e uma maçã e água num saco de plástico no final. Temos rapidamente as classificações disponíveis on-line, e todos os chegados à meta podem ter o seu diploma com o tempo e classificação. 

Prémios (troféus) para os 3 primeiros da geral, masculinos e femininos e ainda vouchers e outros prémios similares a oferecer aleatoriamente pelos chegados à meta, oferecidos por patrocinadores, como o Hotel Vila Galé, o Ginásio Infante Sagres e a Hyundai.

As provas da pequenada, tinham um valor de inscrição de EUR 3,00, e a Caminhada EUR 6,00.

Os dorsais eram levantados apenas na véspera da prova e na tarde do dia anterior, não se entregavam no dia, o que pode sempre causar alguns transtorno, mas nada que não se ultrapasse.

Antes da partida, também muita animação com exercícios físicos de aquecimento.

Eram ainda disponibilizados os balneários do Estádio para banhos depois da prova e o extenso relvado para alongamentos.

Com tudo isto, parece não faltar nada para termos uma manhã desportiva muito bem passada.

Faltará uma medalha de participação, dirás (nem uma medalhinha, choramingas...),mas... não queres mais nada, não?! Ah, querer... queria...uma máquina de tirar imperiais no final por exemplo. Pois então paga mais! Ah, mas isso não queria!  Então, então...meu amigo, está muitíssimo bem assim!  Parabéns à Organização e venha de lá a 7ª edição em 2019!





A minha prova ou a percepção das coisas

Ganhei o dorsal. Graças à simpatia de mais de 200 amigos e amigos de amigos. Tal como no ano passado. A prova é simpática. A partida e a meta no Estádio do Restelo, as voltas na pista de atletismo, azulinha a contrastar com o verde do relvado dão-lhe um toque muito especial. Gostei no ano passado e gostei este ano.

Acredito que posso fazer 55 minutos. Sem entusiasmos exagerados, mas acreditava que era possível. 

O meu pai acompanha-me sempre. Máquina fotográfica ao peito, partilhada a estratégia, combinados os pontos de encontro e vê-me partir. 

Mal se sai do Estádio, temos uma subida. Depois plano (pouco tempo) para de seguida se enfrentar nova subida. Sinto-me forte e subo bem, sendo que "bem" é muito subjectivo como sabemos, mas aqui significa fundamentalmente que me sinto bem e com força. Depois há de novo alguns metros planos para depois se descer com a Torre de Belém ao fundo! É uma imagem que guardava do ano passado e este ano, de novo fez o meu deleite. 

Por aí procuro com os olhos uma amiga que tinha prometido ir ver-me passar e que estaria por essa zona. Mas triste, começo já a pensar nas sempre aceitáveis e justificáveis desculpas, afinal as pessoas têm mais que fazer que assistir a uma cambada de coxos a arrastarem-se no asfalto. Mas não, lá estava ela! Fizemos uma festa que durou 2 segundos, afinal eu ia a descer e ia embalada. Fico contente de a ver. Muito contente. A amizade vê-se em pequenos gestos, tão pequeninos por vezes que nem nos apercebemos do seu poder extraordinário e do novo rumo que podem dar à vida das pessoas.

Chego lá abaixo e segue-se uma recta em direcção ao Padrão dos Descobrimentos. E aí...aí meninos...sinto cair-me em cima todo o peso que tenho e mais algum. Se antes de embalar na descida já as pernas me pesavam, então, a partir do momento que entro na recta, parece-me que mal consigo correr. O ritmo quebrou, claro! E mentalizo-me que lá se vão os 55 minutos e o melhor é esquecer isso e usufruir da prova. Recta infindável tal era o meu estado. Há retorno lá à frente e tento distrair-me com os atletas com que me vou cruzando. E só penso...bem, se este vai aqui, então ainda há-de faltar uma distância gigantesta para eu chegar ao ponto de retorno. Mas vou controlada! Simplesmente sinto que carrego o mundo e as pernas não respondem como na 1ª parte, mesmo quando enfrentei as subidas.

Por fim, lá alcanço o retorno e é fazer o caminho de volta. Sempre firme, mas num ritmo mais lento e com maior dificuldade. Penso que a prova engana. Pelo menos, engana os menos preparados. Um pessoa está bem e faz o início com a força toda e depois, nem no plano parece conseguir correr! Caramba! Pareço uma iniciante nesta coisa das Corridas. 

Avista-se os Jerónimos e aí encontro o João e a Elsa a assistir à prova. Gritam por mim e tiram-me uma foto. Surpreendida de os ver ali, mas adorei!  Sigo com mais alguma força, a deles, ou a minha renovada, mas depressa tenho outra "longuíssima" subida para enfrentar. Lembro-me de ter caminhado aqui no ano passado, mas este ano consegui manter um passinho certo e chegar lá acima a correr!  Breve recta para de novo subir para o Estádio. Ah, mas não pensem que esta subida era de mais de meia dúzia de metros, que não era, eu é que já ia tão exausta, que mal mexia as pernas e mal levantava os pés do chão! Mas mexi! E levantei! Mantive o passinho de tartaruga e entro no Estádio triunfante como uma campeão. Voltinha na pista, que adoro, e está feita!


Acabei por cortar a meta na 352ª posição de um total de 639 chegados, com o tempo líquido de 57m50s, na distância de 10 Km

Procuro o meu pai e lá está ele. Já me tinha fotografado na entrada para o Estádio e agora é só o reencontro. Feliz.

É por isto que eu corro. Foi isto que ganhei quando os meus amigos me fizeram ganhar um dorsal: uma manhã feliz proporcionada ao meu pai e por consequência redobrada a minha própria felicidade. Mais uma Corrida, mais uma experiência vivenciada e partilhada com o meu Melro. Companheirismo e cumplicidade rara. Que faço questão de manter. Só porque sim.



Com o amigo João Lima

Foto de Gustavo Figueiredo


Foto de João Campos

 





A minha Corrida registada pelo Strava, pode ser vista aqui, sempre a registar uns metros que não fiz...

A partida, em video, para ver aqui

Ainda a partida, em video, pelo Jaime Maurício, para ver aqui

Classificações podem ser vistas aqui

Algumas fotos, pelo Melro, para ver aqui

Mais fotos, aqui, por Francisco Trabucho

A Organização no facebook, aqui

O site da Organização, aqui

sábado, 26 de maio de 2018

9 anos de ti meu amor

Foi bom o teu dia meu amor? 
Com a simplicidade, alegria e genuinidade com que vives todos os dias, todos os momentos, todos os exactos instantes que vives, meu amor?
Em que nos ensinas e mostras o que é de facto importante nesta passagem por este mundo, em que temos o privilégio de viver, de sentir, de dar, de amar e partilhar?
Foi bom o teu dia meu amor?
9 anos de ti. Já não sou eu sem ti. Entraste e entranhaste a nossa vida, a nossa alma, de ti! Assim como esta casa jamais se livrará dos teus pêlos, também a nossa alma jamais se libertará do teu ser, do teu amor. Estás gravada, entranhada, marcada a ferro e fogo na alma dos que têm o privilégio de partilhar a vida contigo.
Obrigada meu amor. Parabéns e Obrigada pelos 9 anos de vida contigo, meu amor!












terça-feira, 22 de maio de 2018

7ª Corrida Bucelas "Capital do Arinto"


Bucelas, 20 de Maio de 2018

Conheço Bucelas há anos. Conheço a Corrida Bucelas Capital do Arinto, desde 2015, quando a corri pela 1ª vez. Falhei 2016 (por lesão),
voltei em 2017 e este ano, só me lembrava de razões para voltar!

Faz parte do Troféu Corrida das Colectividades do Concelho de Loures, que vai este ano na sua 34ª edição, e é organizada em conjunto pelo

Clube de Futebol “Os Bucelenses” e a Junta de Freguesia de Bucelas, com o apoio da Camara Municipal de Loures, Bombeiros Voluntários de Bucelas e comércio local.

É uma prova com inscrição gratuita e perto de casa. Este ano com uma distância mais curta: cerca de 8,800 Km que demorei 51m42s a percorrer, o que me valeu um 3º lugar na classificação por escalões (num total de 6 atletas do meu escalão), posição essa de pódio (3ª), que curiosamente tenho repetido aqui em Bucelas:

na 4ª edição,em 2015, par ver aqui
na 6ª edição, em 2017, para ver aqui

Fazendo parte do Troféu, há sempre provas dos escalões mais jovens, que decorrem antes da nossa, e é uma alegria ver a pequenada a correr. Também eu comecei assim, aqui bem perto (Grupo Desportivo de Vialonga), há mais de 40 anos atrás e desde essa altura que a Corrida se entranhou em mim de tal forma que me corre nas veias e simplesmente faz parte de mim.

E por causa das provas dos pequeninos, acaba a prova principal por começar um pouco tarde, o que é mau se o dia já estiver para o quentinho. Mas nada que não se faça!

A partida é dada junto à Igreja, à hora marcada e parte rápida, que aquela gente corre muito e disputa o Troféu com unhas e dentes. Uma pequena volta por Bucelas, logo com uma subidnha, para depois irmos em direcção a Vila de Rei, onde temos de enfrentar uma valente subidinha, e consequente descida, de novo retorno a Bucelas, nova subidinha para a Bemposta, e descida e agora é uma recta para a meta, de 2 ou 3 km.

Tive de caminhar uns metros nas 2 subidas. Ai como queria prometer que para o ano a fazia toda a correr...É treinar, treinar! E porque não? Estamos cá para o ano para ver!

Abastecimento de água, pulseira de controlo a meio do percurso, trânsito bem condicionado pelas autoridades competentes e portanto, segurança suficiente. Na meta temos água e não saímos de lá defraudados.

Este ano, tive a companhia de alguns elementos dos amigos Runners da Frente Ribeirinha da Póvoa de Santa Iria, clube que represento, e já ouvi promessas que para o ano é para repetir com invasão! Da minha parte, conto voltar pois claro!

A entrega de prémios no local, é rápida. Há garrafas de Arinto para os primeiros classificados da geral, e medalhas para os 3 primeiros de cada escalão. Coube-me ainda um vale de EUR 5,50 na "Ana Cabeleireira" em Sacavém. Um gesto simpático. 

A organização está pois de parabéns e muito provavelmente vou voltar em 2019.

A minha prova é sempre uma luta, um campo de batalha onde se mistura o suor, a dor e o prazer e a chegada à meta, sempre uma vitória. O sorriso, o pódio e a medalha igual a milhares de outras, valem ouro. O orgulho e alegria genuína podem ser facilmente confundidos com gabarolice e ostentação, mas não passam de pura gratidão. Gratidão por me ser permitido estar ali, correr e viver o momento, sozinha comigo, ou com amigos ou até com companheiros de ocasião que partilham connosco alguns quilómetros da prova, e depois, depois reencontrar sempre o meu pai à minha espera na meta! Subir ao pódio é para ele, definitiva e claramente, para ele! E foi assim em Bucelas! Até para o ano Bucelas!



















Fotos, quase todas pelo meu pai, o Melro, para ver aqui

Classificações desta prova e de todas do Troféu de Loures, para ver aqui

quarta-feira, 16 de maio de 2018

6º Trilho das Lampas



S.João das Lampas, 12 de Maio de 2018

Já sabemos que a Organização deste Trilho é o Meia Maratona de S. João das Lampas - Grupo de Dinamização Desportiva, em parceria com a Sociedade Recreativa, Desportiva e Familiar de S. João das Lampas e podemos encontrar todos os pormenores, regulamento  e demais informações da prova, aqui, no site da mesma. É só clicar aqui e pensamos que  podemos ficar a saber tudo do Trilho das Lampas.

Mas não, não...não...lamento mas não é assim e desengane-se quem assim pensa. Para saber o que é o Trilho das Lampas, é preciso ir lá. Correr e sentir. Basicamente sentir. S.João das Lampas!

Não foram este ano? Temos pena, agora só para o ano. Mas...Talvez, só talvez vos possa transportar lá se estiverem interessados na viagem...Estão?  Entremos então no Trilho das Lampas!

No alto da arriba, por cima da praia de S.Julião, com mais de 11 Km percorridos a "partir pernas", num lusco-fusco a esvair-se para o negrume da noite, encontro-me sozinha varrida e despertada pela brisa fresca que me cola a roupa ao peito, que encho de ar, e me revigora de forma única e fabulosa. Olho o mar e o céu, absorvo toda aquela imensidão do universo e sozinha, encontro-me. Simplesmente encontro-me. Sensação única e inexplicável. Ah, isso podia ser em qualquer trilho, dirás. Mas não. Não podia! Quando valores como a amizade, carinho, respeito e estrondosa admiração perfeitamente justificável me levam às Lampas, tudo nas Lampas é diferente. Transcendente. E é "apenas" uma prova que nem chega a 21 Km de distância e pouco mais de 500 m de desnível positivo, ideal para quem quer experimentar o Trail e aparentemente não se percebe tanto êxtase por cortarmos aquela meta, quando já for noite escura.

Ah pois! O Trilho das Lampas é especial. Pelo ar que se respira em que se  sente o trabalho e empenho daquela gente, que tudo faz para nos abrir o Trilho das Lampas como se desvendasse um segredo valioso e nos oferecesse uma prova magnífica para nos deliciarmos.E na verdade assim é!

Quando ainda antes da praia, acelero o passo para chegar à praia antes do Pôr-do-Sol, subo a encosta íngreme e com os músculos das pernas a arder e  a suplicar por uma pausa, ouço chamar atrás de mim "Maria Sem Frio Nem Casa!" e quando me volto vejo uma menina bonita, de olhos claros bonitos, de escrita bonita a revelar um bonito coração, e o meu coração se invade de genuína alegria ao ponto de a abraçar com uma espontaneidade rara, porque sou um bicho do mato pouco dado a manifestações daquilo que sente, e então sinto-me imensamente tão feliz por a encontar ali, o regresso dela após a participação na 1ª edição destes Trilhos e tão feliz simplesmente por eu ali estar a viver o momento. Mas queremos chegar à praia antes do Pôr-do-Sol. Nem de propósito encontrar  ali a Susana. Ela avança pois vai melhor que eu e deixa-me para trás. E eu, avanço como posso. Mas o Sol não esperou. Outra vez não esperou por mim. Treinasses, diz-me ele baixinho com malícia e sarcasmo, já escondido no mar, enquanto eu atravesso a praia conformada.

Ah! Então dizes que o Trilho das Lampas é magnífico porque tens sensações de total comunhão com o universo, sensações de plenitude e porque dás abracinhos a amigas que reencontras no Trilho?! Mas lá isso são razões?! Isso poderias encontrar em qualquer trilho...

Não, não podia. E eu digo-te o que o Trilho das Lampas tem, se a ti te interessam apenas factos concretos e palpáveis.

Tem uma inscrição no valor de EUR 10,50 na 1ª fase, depois vai, natural e compreensivelmente subindo até chegar a EUR 14,50 apenas a uma semana da prova, caso ainda haja inscrições o que este ano não aconteceu, pois as inscrições esgotaram.


Tem chip incorporado no dorsal personalizado com o nome do atleta e um contacto da organização para caso de emergência. Pontos de controlo pelo percurso.

Tem uma Caminhada de cerca de 10 Km a decorrer em simultâneo. Tem uma excelente e eficiente organização nas inscrições e levantamento de dorsais.

Uma t-shirt de boa qualidade e de corte feminino para as mulheres.

Tem um bonito relvado e um pórtico insuflável na Partida que é pontal e animada.

Tem um percurso maioritariamente em Trilhos e caminhos de terra, com marcações absolutamente irrepreensíveis, quer de dia quer para o período da noite, com setas reflectoras e pontos de luz. Faltaram este ano os archotes a arder na ponte Romana, que lhe davam um ambiente absolutamente mágico, mas luz não nos faltou.


Tem o Rancho folclórico a cantar, tocar e dançar pelo meio do percurso, ainda de dia. Tem abastecimentos suficientes com água para beber, em copos e depósitos de água para reabastecer, lava-mãos, banana e laranja, bolinhos, batatas fritas e tomate. Eu vi tomate?! Tenho quase a certeza que vi tomate com sal, petisco que andava a pedinchar desde o 1º trilho, e tenho quase a certeza que vi uma meia rodela de tomate perdida e solitária num tabuleiro vazio, mas, a ser mesmo tomate, era já só meia rodela, abandonada, o que me levou a preferir a laranja que era com fartura e acabadinha de cortar. O que só prova que o tomate ou tem muita saída ou então não arriscaram a cortar muito. Ou então eu apenas imaginei e não havia tomate nenhum...

O Trilho das Lampas tem um bonito percurso, um Pôr-do-Sol na praia para a maioria do pelotão que chega à praia por essa altura, tem trilhos de dificuldade de média a reduzida, o que o torna ideal para principiantes e é também muito corrível. Haja pernas, força e folêgo.

Há apoio da organização pelo caminho. Mesmo sozinho nunca te sentes verdadeiramente só. Mais além há sempre alguém a orientar, apoiar ou acautelar numa ou noutra parte do percurso que possa ser mais perigosa.

À chegada à meta, há o pórtico e uma chegada condigna. Medalha muito bonita é colocada ao peito dos atletas.

Chá quente, sopa de legumes, água, fruta, bolinhos e batata frita. Nada falta para repor energia aos atletas.

Há banho disponibilizado, embora de água fria. 

Entrega de prémios, com troféus e taças, na geral e por escalões, em absoluta igualdade entre os géneros.

Classificação disponibilizada muito rapidamente no site da organização.

Foram ainda disponibilizados fogareiros para quem quisesse compor a ceia ali no largo de S.João das Lampas.

E isto é o que o Trilho das Lampas oferece, de forma visível, palpável e inegável. Mas o que o torna especial? Ah, o que o torna especial são as pessoas! As pessoas e a energia que emanam, as pessoas que o organizam e te recebem em S.João das Lampas. É o empenho, a entrega, o trabalho e a humildade, ah a humildade, essa coisa cada vez mais rara de encontrar. E o resultado é este: um Trilho absolutamente espectacular, num ambiente único e fantástico que não deixa de encantar e cativar quem lá vai! Mas o que tem de especial, insistes em perguntar. Vai lá para o ano e ...sente! Sente! Porque só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos e é o essencial que torna o Trilho das Lampas muito especial.

Muito Obrigada Fernando Andrade e toda a sua equipa! Estão uma vez mais de Parabéns! 

Se penso voltar? Sempre!













20,8 Km percorridos, em 2h55m49s

Fui 510ª classificada da geral de um total de 585 chegados à meta


Em video, uma das belas passagens neste Trilho das Lampas: na Ponte da Fonte da Bolembre, ao Km 3,5, por Rui Manuel Andrade, para ver aqui - E este som da água? Maravilha!

Resultados, para ver aqui

Fotos

Por Luís Duarte Clara, para ver aqui

Pelo Melro, para ver aqui

Por Rui Manuel Andrade, para ver aqui


Em video, por Luís Gouveia:



E pela Saloia TV para ver aqui, a Partida  da prova e a adorável entrevista com o responsável e mentor disto tudo: o mestre Fernando Andrade

Do arquivo de uma totalista da prova, pateta orgulhosa e que espera daqui a 20 anos continuar a poder dizer com orgulho, prazer e alegria que é totalista da prova:

A minha história no Trilho das Lampas:

O 1º Trilho das Lampas - 2013
O 2º Trilho das Lampas - 2014
O 3º Trilho das Lampas - 2015 
O 4º Trilho das Lampas - 2016
O 5º Trilho das Lampas - 2017