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sábado, 18 de maio de 2019

7º Trilho das Lampas

11 de Maio de 2019

O 7º Trilho das Lampas realizou-se no passado sábado, dia 11 de Maio de 2019, e eu, estive lá!

Este ano com uma novidade (entre outras): para além da Caminhada e do Trail propriamente dito (cerca de 24 Km este ano), decorreu também o Trail em versão curta (15 Km), o qual em boa hora surgiu e assim me permitiu continuar a ser assídua participante neste Trail, que já vai na sua 7ª edição e no qual estou desde o início. Nada de especial, como verdadeiramente especial poucas coisas o são nesta vida, subvalorizadas na maior parte dos casos (ou tardiamente valorizadas) e que estão bem arredadas do mundo da Corrida. Ainda assim, porque este Trail me é verdadeiramente especial, e se mistura com valores sólidos como amizade, consideração, muita admiração, respeito e carinho pelo seu mentor, o amigo Fernando Andrade, sinto-me muito feliz e até sinto um pingo de orgulho por estar lá desde a 1ª edição e poder continuar a  sentir-me uma  felizarda e abençoada por isso. Haja vida e saúde e assim continuarei enquanto a Vida pulsar em mim!

Se haviam algumas dúvidas sobre o sucesso da prova, especialmente pela introdução deste ano do Trail Curto, e também da alteração do percurso, finda a mesma, facilmente constatámos pelos relatos dos que lá estiveram que a organização esteve muito bem e que no geral ninguém saiu de lá defraudado.

Confirmamos que as marcações estavam irrepreensíveis, a medalha era muito bonita, como sempre, assim como o percurso, (isto de começar de dia e acabar de noite, com o pôr-do-sol pelo meio dá um toque e sabor muito especial à prova), o levantamento de dorsais decorreu sem quaisquer complicações, t-shirt também bonita, a segurança ao longo do caminho esteve impecável, bons abastecimentos, com incentivo à diminuição do uso do plástico, pois cada atleta tinha de levar o seu recipiente para abastecer-se de água (não havia garrafas de plástico), no fim, sopa, bolinhos e fruta, depois de uma meta cortada no relvado do largo e medalha colocada ao pescoço, os resultados saíram rápidos e um certificado de participação foi disponibilizado a todos os finalistas. Foi esta a 7ª edição do Trilho das Lampas e está uma vez mais a organização: o Meia Maratona de S. João das Lampas - Grupo de Dinamização Desportiva, em parceria com a Sociedade Recreativa, Desportiva e Familiar de S. João das Lampas, de parabéns! Acrescente-se que este ano, a prova contou com o suporte técnico da WeRun, e estava integrada no Circuito Lisboa Trail de 2019. São dados e factos que se encontram com objectividade e fazem desta prova uma prova de sucesso, que cativa os atletas e cumpre parâmetros que satisfazem simultaneamente atletas de elite e atletas que fazem do Trail e da Corrida, uma forma de estar na Vida, simplesmente pelo prazer e pelas vivências experimentadas.
Muitos Parabéns à Organização e venha de lá a 8ª edição, que eu lá estarei de novo!

E agora, a minha prova...

Ah pois, a rapariga tem coisas que não lembra a ninguém. Corre há mais de 40 anos, já fez praticamente todo o tipo de provas. Claro que não corre "nada" mas experiência não é propriamente coisa que lhe falte. Em tão longo período à volta da Corrida, muitas fases passou e eis que chegou aqui e agora, 50 anos de vida, cansada um pouco mas ainda mexe. Confesso que descurou um pouco a preparação. Ai ele é isto, agora é aquilo, veio de uma operação onde lhe tiraram as safenas, perdeu peso, ganhou peso, perdeu peso, treinou bem, treinou mal, sentiu-e animada e forte e também fragilizada e completamente podre. Um jeito nas costas, umas dores danadas, treinos interrompidos, hoje sim, amanhã não. É o carrossel da vida a girar sem parar. Vai montada a galope num cavalo alado para logo de seguida se apear e seguir numa pileca magra mas de sorriso de ouro!

Está na partida do 7º Trilho das Lampas! Para sua sorte, esta edição proporcionou uma versão curta (15 Km) e ela pôde ir fazer que corria, ao invés de ter de aceitar que, tristemente, só estaria preparada para a Caminhada. Manias...

A coisa começou logo menos bem quando saiu de casa e verificou que o relógio/gps não tinha carga. Pensava que tinha carregado...Errado! Não tinha! Depois, segue-se o frontal. Pensava que tinha pilhas novas...Pensava...Errado! Não tinha! Pois, é verdade...a pensar morreu um burro! Gaita! Hoje o burro é ela! Mas o trail é o curto, pensa, talvez nem precise de frontal, pensa, uma vez mais, como o burro, num optimismo exagerado e fantasioso.

Assim, apresenta-se nas Lampas, sem ter cumprido o devido cerimonial que qualquer pileca que corra, cumpre minuciosamente. Ela...sente-se cansada desse cerimonial...Ou da vida. Ou simplesmente não teve tempo, que ocupou noutras coisas, mais ou menos importantes, depende dos valores de cada um...Nada de preparar equipamento com antecedência, nem o saco para depois, nem o cinto com o recipiente para a água, que era fundamental para repor água nos postos de abastecimento...,nada!. O carrossel gira a 1000 à hora e ela em 5 minutos prepara (?) tudo e está a caminho de S.João das Lampas. Mas porquê?!  Porque a Vida é isto: um Carrossel a girar sem parar e por vezes só temos mesmo de nos deixar ir, bem agarrados ao melhor cavalo de olhos assustadoramente arregalados que nos transporta na vida! 

S.João das Lampas está cheia de atletas. Reencontra alguns amigos, levanta o dorsal, que tão bem lhe fica, com o seu nome impresso e o contacto da organização. Pelo picotado, separa a "senha" que lhe daria direito à sopa no final, que oferece ao pai, que ali ficará a aguardar a sua chegada e no entretanto poderá aquecer-se com a sopinha de legumes que estava tão boa, veio a saber. Ela, dispensa-a sempre ao pai, pois também sabe pela experiência que após a chegada dificilmente o seu estômago aceitará alguma coisa.
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Com o dorsal, vieram umas lembranças e a t-shirt que ela veste por baixo da sua, pois verifica que a noite está fresquinha por ali. Mais uma vez, um excesso de confiança por ir "apenas" fazer o Trail Curto, fez com que menosprezasse os cuidados que deveria ter tido e claramente ir fazer a prova só em t-shirt, sabendo ela que haveria períodos obrigada a caminhar pela noite dentro, era uma imprudência.

E assim, desnorteada e arrepiada, lá alinhou na linha de partida, com um breve mas agradável aquecimento orientado pelo atleta, esse sim, Atleta, Paulo Guerra. Partida dada e segue feliz. Depois do beijo ao pai, corre feliz pelo relvado, como fosse ela serpente a deslizar natural e delicadamente no solo. Isto é como ela se sente, porque verdadeiramente, mais parece um bisonte no meio da manada.

Sensações tão boas quando corre! Depressa entra no terreno que ama, Solo, Terra! E o aroma! Oh meu deus o aroma! A vegetação! O moinho. A Terra. O percurso tem uma parte diferente das anteriores edições. Riachos, pontes e escadas! Sim, escadas, e cordas nas partes mais inclinadas. Aqui a medricas, que diz que gosta muito de Trail mas é uma desajeitada de primeira,  agradece! Senão ainda lá estaria a esta hora a estudar os melhores sítios para colocar os pés.E as mãos. E o rabo! A chegada à praia faz-nos passar bem junto à azenha. A praia! O Sol a pôr-se quando ela lá chega. Sublime. Sempre. A Vida na sua simplicidade, aparente repetição que não é mais que uma renovação, um começar de novo, sempre! A saída da praia. A subida íngreme mas a proporcionar-nos vistas arrebatadoras. De novo terreno para correr. E ela corre. A querer despachar-se para não escurecer já. Lembra-se da parte final das edições anteriores em estradões largos de terra mas com iluminação eléctrica. Esquece-se que está num versão nova. E dá por ela a enveredar-se no meio da mais densa vegetação, pareceu-lhe! É noite já! Elementos da organização (Bombeiros?) avisam-na para ter cuidado, há aí à frente muita pedra, muita pedra! Oh...se há! E árvores! Árvores no caminho dela! Ou é ela que está no caminho das árvores?! Vai só! Às "apalpadelas"! Ela, a noite e os ramos das árvores que lhe tocam, provocando-a "porque não trouxeste frontal mulher?!" e dão gargalhadas estridentes as árvores. As árvores... indiferentes ao medo dela, divertem-se e riem-se. De vez em quando um atleta passa por ela, iluminando um pouco o caminho, e sim, lá estão as setas em material reflector, para que ninguém se perca. Mas ela, sem luz, não vê nada. Segue muito devagar, a passo de caminhada, e as costas queixam-se quando o solo está mais abaixo do que ela supunha e o passo parece cair em falso. Sabem como é? Quando pensamos que o chão está aqui e afinal está mais abaixo e sentimos aquela falha nas costas, como se algo se quebrasse?  Até que de repente no meio da escuridão, há umas pequenas luzes, ali, à frente dela, piscando, indicando o caminho, pois permitiam-lhe ver as setas reflectoras. Que era aquilo? um atleta mais à frente? Mas virado para ela? Virado para trás?! Sem saber, seguiu as luzes que seguiam as setas, agora visíveis. Seguiu assim, em perseguição das luzinhas que piscavam, sempre alinhadas com as setas, uns valentes metros. Até que se apercebeu! As luzinhas que lhe indicavam o caminho não eram mais que pirilampos! Que assim, no meio do nada, dos troncos traiçoeiros, dos ramos manhosos e da total escuridão, acompanharam a rapariga e lhe indicaram o caminho por dezenas de metros. Sinais da vida. Sinais de vida. A seguir sempre! 
Depois as rãs. Um coaxar ensurdecedor, ao longo do caminho. Ela, a noite, as rãs e a vegetação. Isto de caminhar em plena escuridão tem também o seu encanto. Tenta rir-se mas está quase à rasca! O ritmo até para caminhada era agora muito lento. É passada por vários atletas, por ali desde o km 11,5 ou 12... em que a noite se instalou. Não há desespero nem medo. A rapariga apenas se dá. Vive as circunstâncias, aceita-as e avança como pode. Momentos longos de introspecção e de vivências verdadeiramente especiais! Até que de novo passa por um elemento da organização (ou Bombeiro) que a avisa "cuidado, muito cuidado aí à frente, e você sem lanterna, tenha muito cuidado". A palavra fez-lhe luz! Estupidamente, constatou que apesar de não ter frontal, ela tinha "lanterna"! A palavra! A palavra faz a diferença! Lembrou-se que apesar de todas as imprudências, ela levava o telemóvel, e o telemóvel, carregado esta manhã, tem lanterna! Literalmente, fez-se luz! E a partir daí a prova transformou-se de novo! Agora iluminada! Pela sua "lanterna! Usou as mãos, segurou-se onde foi preciso, avançou mais rápido, apesar da exaustão já não lhe permitir correr mesmo quando o terreno o proporcionava. Há troncos de árvore a obstruírem o caminho. Baixa-se. Passa-os por cima alçando a perna. Transpõe-os. Agora iluminada, a prova faz-se muito melhor. E se ela estivesse melhor preparada até poderia correr nalgumas partes. Já não sabe em que km vai, mas segue agora com outro ânimo e vivacidade. E de repente dá por ela num relvado macio (teria chegado ao céu?) plano e ladeado de archotes mágicos com as suas chamas magníficas. Alguém, sim, aqui já parece haver público, lhe diz que são só mais uns metros e ela corre, corre por entre os archotes, elevada a um patamar e dimensão extrassensorial compreensível por poucos. Estava de facto a chegar a S.João das Lampas. É verdade. Estava a chegar à meta. De 15 Km percorridos, "apenas". Viagem maravilhosa que este 7º Tilho das Lampas lhe proporcionou...
Sim, entra no relvado, já no largo de S.João das Lampas, agora de novo em passo de Corrida e corta a meta, vencedora! Sim, vencedora! De dúvidas, medos e fantasmas! Vencedora! Depois de uns escassos e meros 15 Km percorridos, mas que se revelaram uma viagem inesquecível. 
Marca o cronómetro da prova 2h13m06s. Uma menina coloca-lhe a medalha ao pescoço. Gesto singelo a dizer tanto! Carregado de simbolismo e emoção! Sabes? O que vale este gesto? O que pesa e significa? Sabes? Não? Então vem ao 8º Trilho das Lampas em 2020 e talvez percebas.
Reencontra o  pai e o Fernando Andrade, que sem ele, não estaria aqui. Agradece. Agradece tudo. A oportunidade de viver isto. A oportunidade de estar aqui. A oportunidade de desafiar-se e a oportunidade de se enriquecer, porque a riqueza da vida são os momentos vividos, a amizade comprovada, as emoções vividas e partilhadas. Nada mais...

Meta cortada, uma farta mesa com fruta, bolinhos, sopa e muito carinho em nos receber, como campeões, como se tivéssemos feito algo digno de reconhecimento, algo especial, quando no fundo não passou de uma viagem dentro de nós mesmos, com os obstáculos que nós próprios armadilhamos. E apesar disso tudo, saímos vencedores!

Obrigada Trilho das Lampas, e que venha a 8ª edição!

Da linha de partida à linha de chegada, demorei 2h12m42s (tempo líquido) para percorrer os 15 Km do Trail Curto, e fui o 320º atleta a cortar a linha de chegada de um total de 454 nesta prova.




















Resultados do Trail Curto (15 Km), podem er vistos aqui

Do Trail Longo (24 Km) podem ser vistos



Fotos do 7º Trilho das Lampas:

Por Luís Duarte Clara, para ver aqui

Por Leonor Durte, para ver aqui

Pelo Jaime Maurício, para ver aqui

Por WeRun.pt, para ver aqui

Pelo Luís Parro, para ver aqui

E algumas fotos tiradas entre mim e o meu pai, para ver aqui


quinta-feira, 2 de maio de 2019

Amizade, Corridas, Livros para ler e outras coisas mais




Conta. Conta hoje. Não esperes por amanhã, por depois de amanhã nem pelo dia a seguir, não esperes pelo tempo que não virá e em que as tuas palavras serão inúteis. E acredita que hoje são úteis. E carrega no peito com brio aquilo em que acreditas e faz eco das tuas crenças.

Conheci-a em 2010. Tomou a liberdade de me contactar e fomos juntas à Corrida do Mirante, na Ota. Descobri uma jovem mulher, de olhos claros, límpidos, timidamente a deixar transparecer a alma bonita e delicada. Uma simplicidade adorável e uma sensibilidade e capacidade rara para me "ler". Nasceu, cresceu e solidificou-se a amizade. Partilhámos mais alguns momentos, sempre com a Corrida em pano de fundo. Partilhámos também dores vividas quando estas já não eram suportáveis caladas dentro do peito. Um abraço quando se precisou. Uma Amiga. É a Ana Groznik.

2010

2012

2012

Foi embora de Portugal em 2014. Longe geograficamente mas jamais longe do meu coração, pois com a sua forma de ser e estar, ganhou um lugar cativo no meu coração.

Pelas vicissitudes da vida, o contacto foi rareando e já não sabia dela há algum tempo.

Até há alguns dias atrás em que me liga um elemento dos Run 4 Fun, equipa em que a Ana correu. O Vitor Aguilar, que não me conhecia, diz-me que a pedido da Ana tem um livro para me oferecer. "Correr pelo bem estar - O Clube Run 4 Fun"", da autoria de João Ralha, fundador do clube e grande dinamizador do mesmo. Pois na compra de 1 livro, o que ela fez, os elementos do clube teriam "direito" a poder oferecer mais dois livros a quem bem entendessem. E com surpresa minha, uma das pessoas que a Ana indicou para receber o livro fui eu. Eu...
Gestos que me tocam e marcam. Mais que qualquer coisa material, como o próprio livro em si, que conta um pouco da história do clube e que vou descobrir, mergulhando avidamente nas suas páginas daqui a nada, mais que qualquer coisa material, o gesto e o sentimento é o que valorizo, me toca e me marca. E me faz sentir que esta vida tem muita coisa boa e que vale a pena viver de verdade. Assim, a nos darmos, de forma tão natural que nem nos apercebemos que também marcamos os outros, assim, natural e simplesmente sendo nós próprios.

Obrigada Ana
Obrigada Vitor pela gentileza de me fazer chegar o livro de forma tão especial.
Obrigada João Ralha, pela dedicatóriacriativa e pela partilha dessa história que terei todo o gosto em descobrir em cada página que adivinho, vou devorar.

domingo, 14 de abril de 2019

13 anos de Maria Sem Frio Nem Casa

A Maria Sem Frio Nem Casa nasceu há 13 anos, precisamente na noite de 14 de Abril de 2006 - ver aqui

13 anos...

Muitas palavras correram. Muito correu ela também. Entretanto, aprendeu que afinal não faz mal admitir que tem frio. Já não tem medo de o dizer em voz alta.

Já sobre a falta de casa, esta continua a estar em parte incerta, se quisermos encontrar um ponto geográfico no mapa, com coordenadas bem definidas e inequívocas. A Casa dela é o lugar onde se sente bem, onde está feliz e tranquila (não é assim com toda a gente?!). Por isso, longe dos tempos em que se assumia uma sem-abrigo, hoje ela sabe e assume sem medo que a sua casa é a melhor e a mais rica que ela poderia ter: encontra-a sempre dentro dela e por isso só será despejada se ela própria o permitir, que é como quase tudo nesta vida. 

Portanto, poderíamos querer resumir que esta Maria, pode passar a chamar-se Maria Sem Medo. Mas não...não é verdade. O que não lhe faltam são medos e fantasmas dentro dela. 

No entanto (mal seria se assim não fosse) há uma aprendizagem contínua para viver o melhor possível, e se nem sempre os consegue espantar, aprende a viver com eles.

E tem Corrido. E em breve aparecerá num novo desafio: 24 Horas a Correr. Calma! Que a rapariga não endoideceu de vez! Vai participar sim nas 24 horas a Correr, dia 27 e 28 de Abril, em Mem Martins, mas integrada numa equipa de 4 elementos, em que durante as 24 horas um elemento da equipa  terá sempre de estar em prova (que decorre num circuito fechado de 2,100 Km) e vão-se revezando. Ainda está por definir a "estratégia" mas a animação está em alta, e este desafio, proposto por um amigo, foi abraçado com alegria e gratidão. E vocês que fazem no último fim de semana de Abril? Ainda estão a tempo de se inscreverem: 24 horas a correr, 12 horas, 6 horas, 3 horas, Maratona nocturna ou 24 horas em equipa de 4, como eu vou fazer.


Informações e Inscrições, aqui


sábado, 29 de dezembro de 2018

Estórias que as casas nos contam

À força de tantas vezes passar por ela, ela, a casa, acabou por confiar na rapariga e contar. Aos anos que suporta o fardo do segredo, do que aconteceu e se quis apagar e esquecer. Mas há coisas que é impossível apagar ou esquecer.

O António e a Rosa viviam na casa há pouco mais de três anos. Um amor genuíno, puro e rebelde que acabou por convencer os pais e lá os jovens juntaram os trapinhos e viviam maritalmente felizes como poucos. A vida no campo era dura e fosse pelo árduo trabalho ou por imperfeição do corpo da Rosa (sim, já que no varão não se supunha sequer que residisse a causa) a Rosa não emprenhava. E se tal questão não fazia vacilar o seu amor, a verdade é que um certo mau estar se vinha a instalar entre o casal, pressionado pelos familiares e vizinhança e pelo seu próprio ego.

E foi na altura da apanha do milho que tudo aconteceu. Vinham pessoas de fora que ficavam albergadas no palheiro, num piso acima, mesmo por cima dos animais. Eram moços e moças novas, que traziam alegria, reboliço e novidade ao lugar.

A Rosa, de olhos claros e pele escura curtida pelo sol, de sorriso fácil, branco e franco, irradiava alegria e simpatia. Depressa falava com todos, tratava-os pelo nome e adorava conversar e saber coisas de outros lugares e outros costumes. Já o António, rapaz reservado, tímido e pouco falador, limitava-se ao contacto estritamente necessário ao trabalho e não via com bons olhos a simpatia e a admiração que a sua Rosa recebia de todos os forasteiros.

Já se habituara à atenção que a Rosa sempre despertara. Mas desta vez era diferente. Ele sentiu-o pela primeira vez quando, à roda da fogueira, cá fora, à noite, findo o dia de trabalho, a Rosa dançava numa roda, como as outras moças, de mão em mão, e rodopiando as saias e dando uma volta sobre si própria, acaba de encontro ao peito daquele estranho, alto e bonito. Com um sinal na face direita em forma de um minúsculo coração, de olhos de um castanho claro cor de mel, cabelo louro e camisa branca amarrotada, destacava-se de todos os outros. Ampara a Rosa num gesto natural mas num abraço exageradamente demorado aos olhos do António. Por um instante, parecia que o tempo parara e o casal ficara abraçado de olhos nos olhos e sorriso nos lábios por uma eternidade.

Os dias passavam e o António distanciava-se mais e mais, muito mais rapidamente nestes dias do que nos últimos meses de vida em comum do casal. Mal humorado, sem palavras mas roído de ciúme. A Rosa, alegre por natureza, ignora os sinais e foi sempre igual a si própria e quando deu por si, estava no milheiral, embrulhada com o forasteiro alto e bonito e peito que parecia desenhado à medida para ela se aninhar. Os corpos despidos, o toque da pele, os beijos trocados, as carícias prometidas nos olhares trocados nos dias anteriores, foram completamente cumpridas em cada milímetro de pele dos seus corpos. 

O trabalho no campo avançava e a Rosa sabia que o forasteiro partiria em breve. Alheia ao mau humor do António e à sua crescente e aparente indiferença, ou até incentivada por ela, a Rosa voltou a procurar o forasteiro e amou-o com o corpo e a alma até ao êxtase, por entre os fardos de palha e os balidos dos animais. 

O dia da partida chegou e com ela se abateu uma tristeza sobre a Rosa, no entanto feliz pelo que vivera. O António, de novo sozinho com a Rosa, parecia agora mais feliz, mais descansado e bem disposto, agora aparentemente indiferente à tristeza da Rosa.

Os dias do casal voltaram ao normal, e o António chegou mesmo a voltar a procurar a Rosa, que de olhos fechados e punhos cerrados, se deixou possuir, enquanto sonhava com outro rosto, outra boca, outras mãos, e uma lágrima se soltava.

Várias semanas se passaram e o ventre da Rosa começou a crescer. O António, radiante, parecia feliz como nunca, de uma alegria tão contagiante que a própria Rosa chegou a voltar a parecer feliz.

Depois...depois chegou o dia do parto. A curiosa mandada chamar da vizinhança mais próxima mandou sair o António enquanto a Rosa gritava de pernas abertas. 

Nervoso o António, aguardava cá fora, a antecipar a melhor alegria da sua vida: um filho, finalmente. Varão, claro, nem outra coisa seria de esperar. Por fim os gritos da Rosa acalmaram e ouve-se o choro de uma criança. É um rapaz! É um rapaz! Grita a curiosa.

O António entra disparado na divisão e aproxima-se da Rosa, a certificar-se que estava bem, ao mesmo tempo que deita um olho ao recém-nascido embrulhado num lençol branco. Tudo sereno. A Rosa sorri, o petiz geme como um gatinho e o António sorri também e enterra o rosto no peito de Rosa, e quando o levanta a Rosa jura que lhe viu uma lágrima a escapar-se. De alegria. 

A vizinha já saíra e o casal está agora só com o petiz. Os três e a casa por testemunha.
A Rosa, estende o bebé embrulhado ao António. Pega-lhe, diz-lhe. E o António pegou, aconchegando-o no colo. Afasta um pouco o lençol para lhe vislumbrar o rosto e nesse instante...Não! Grita, ao descobrir na face direita um minúsculo sinal em forma de coração na minúscula face direita do bebé...Nãaaoooo!

A Rosa grita desesperada enquanto o António eleva o recém nascido no ar, já desembrulhado e a chorar desalmadamente, despido, avermelhado e cabeçudo, com a cabeça a tombar para trás, numa posição estranha e perigosa, e o exibe mesmo em frente da cara da mãe, olha, olha o que fizeste, sua cabra! Nãoooo, grita a Rosa, e de navalha em punho o António desventra o cachopo, numa chacina nunca vista. Gritos ensurdecedores da Rosa misturados com o choro do menino que se calaram já, e agora só a Rosa, a Rosa e os gritos de quem não suporta a dor na alma e já endoideceu e pede para morrer também. Os gritos da Rosa, o sangue e o palavreado enlouquecido do António enchem a casa e entranham-se nas suas paredes, atravessando-as até às mais profundas estruturas e marcando-a para sempre, como machado espetado fundo num tronco.

No dia seguinte, quando as vizinhas vieram para visitar a mãe e o petiz, encontraram uma mulher de boca exageradamente aberta num grito agora mudo e olhos vidrados fixos no tecto da casa, gritando em silêncio o horror vivido, e um recém nascido sobre ela, ambos desventrados numa poça de sangue, e um homem pendurado numa corda na árvore defronte da casa, a balançar levemente, ouvindo-se apenas o subtil ranger da corda no tronco da árvore, para cá e para lá, para cá e para lá, conforme o corpo oscilava num balançar trágico e triste.

E ainda hoje, em dias em que por um motivo qualquer mais nada se ouve, há quem ali páre, à sombra da árvore, para descansar ou beber água do cantil, e garanta que ainda ouve o ranger da corda, a balançar presa no tronco, a suportar o peso de um corpo que balança levemente, para cá e para lá, para cá e para lá.








quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

Banco de Jardim


Passo por ele, hoje só, triste e vazio. A combinar com o tempo cinzento deste Inverno e desta manhã. A aguardar pelos Domingos de Sol que trazem as famílias felizes com os seus petizes irrequietos que apenas se aproximam dele (do Banco de Jardim) para darem uma dentada no lanche que a avó trouxe, entre um chuto na bola e uma corrida pela relva para apanhar de novo os amigos. Aguarda pacientemente por outros dias, de Sol, para ser ocupado pelos idosos conversadores, pelos desempregados a arrastar os pés a chorar a triste sina, enquanto fazem uma pausa no Banco de Jardim. Entre a miséria da vida e o regresso a casa, é o Banco de Jardim que os apoia, segura, escuta e abraça.
Aguarda também por outros dias em que o Jardim se enche de jovens adolescentes, que escapam entre intervalos das aulas a viverem os primeiros amores. Os primeiros beijos trocados no Banco de Jardim. E outros amores maduros também. Silenciosamente, o Banco de Jardim guarda segredos como ninguém.

Hoje o dia está triste e o Banco de Jardim também. Ainda assim, ampara as folhas caídas das árvores. Vê-me passar por ele, o Banco de Jardim, a caminhar. Não paro. Caminho a ritmo regular, a sentir cada passo seguro e bem estudado antecipadamente, com precaução, como se cada passada, desde o levantar do pé até pousar no chão um pouco mais adiante fosse uma manobra perigosa e carecesse de projecto avançado de física e engenharia. De dentes e punhos cerrados nalguns deles, a suportar as dores ou apenas a temê-las. Dores normais, diz o médico. Se é normal, avancemos. E se caminhar é preciso, caminhemos.

E o Banco de Jardim é hoje a minha companhia. E eu passo, olho-o e sigo em silêncio. Nem os pássaros se ouvem cantar hoje…e os segredos que eu hoje conto ao Banco de Jardim são um sussurro demasiado vago e imperceptível. No entanto, sei que ele amanhã se vai recordar deste dia e estes segredos, ficarão com ele bem guardados, como todos os outros que já lhe confiei, de quando me levantava às cinco da manhã e ia Correr, e ele, era um ponto de encontro, um local seguro, onde muitas vezes fazia exercícios de alongamento depois dos treinos madrugadores. Ele diz-me que adorava esses momentos e que tem saudades. Confesso-lhe baixinho que eu também…







quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Regresso aos treinos escritos e descritos





Fim de dia. É noite já. Algumas janelas dos prédios próximos exibem já uma árvore de Natal iluminada e enfeitada. Que exagero, pensa a rapariga...Que pressa que a Vida passe rápido! E ela passa já tão demasiado rápido...E ela quer ainda viver tanta coisa, rir tanto, amar tanto, beijar tanto, viajar tanto, surpreender tanto, ser surpreendida pela positiva também, correr tanto...

Sai do escritório já equipada e ruma ao Parque. Pensa que liga o relógio, mas não liga, que os olhos já lhe falham e a nabice com as tecnologias são uma característica incorrigível nela. Correu com as árvores. Despidas. Sem luzes ou artifícios de Natal ou outros. Só elas, nuas e belas, apenas iluminadas pelo frontal da rapariga! Um pequeno paraíso no meio do bulício das vilas próximas, a aspirar a metrópole, como se isso fosse uma coisa boa.! Mas aqui, apenas as árvores e ela! E alguns espectros, claro! Belíssimo! Ah sim, também encontrou dois amigos, mas eles correm noutro campeonato e o encontro durou escassos segundos! O resto foi mesmo só com as árvores! E foi muito bom! Fim de dia em cheio! Porque Correr faz milagres!


sexta-feira, 9 de novembro de 2018

15ª Maratona do Porto - 4 de Novembro de 2018



MARATONA DO PORTO

Conheci-a um embrião. Sem rosto e sem corpo, ainda um ser imaginário, que desde cedo muitos desejaram e a quem já davam as boas-vindas e outros tantos denegriram, mesmo antes dela ver a luz do dia. Mas ela vingou, nasceu mesmo e viu a luz do dia em Outubro de 2004 com 317 atletas chegados à meta. 
Eu não estive presente e perdi o seu nascimento. Mas no seu primeiro aniversário, pelo 2ª edição da prova, eu fui lá corrê-la e desde essa data nunca mais faltei. Poucas vezes a correr a Maratona, é verdade, mas sempre presente, a correr a Family Race, ou até a fazer a Caminhada ou ainda, por lesão extrema, simplesmente a apoiar quem corre. Sempre presente! E é com muito gosto e orgulho que fui assistindo ao seu crescimento e evolução. Talvez por a acompanhar desde os seus primeiros passos tenho por ela um carinho muito especial e é sem dúvida a Maratona do meu coração. Não que feche os olhos a alguma coisa menos boa, que sempre as vai havendo, mas atenta e crítica e é com orgulho e prazer ver a Organização ano após ano, querer melhorar, servir melhor, com uma frontalidade e responsabilidade rara, num compromisso assumido de bem servir os corredores. 

E chegamos a 2018. É a 15ª edição da Maratona do Porto, prova consolidada, com muitas provas já dadas pelo caminho até aqui, com tropeços e avanços, mas hoje é inegável que ocupa meritoriamente um lugar notável conquistado no panorama da Corrida, quer nacional quer Internacional. 

Extremos: de besta a bestial e de bestial a besta num ápice

Sabemos que as gentes não perdoam. O povo, o público, a sociedade. E que hoje dormes no chão de um quarto partilhado com 4 pessoas, e a tua única companhia é um cão grande que encostado a ti, te ajuda a aquecer o corpo estendido no chão porque te faltam cobertores e amanhã estás num luxuoso quarto de um qualquer hotel de 5 estrelas. Do nada ao tudo num instante. Do tudo ao nada noutro instante ainda mais veloz. É a celeridade e a efemeridade da vida, onde o imediato é que conta para a maioria, esquecendo depressa e facilmente o que não se devia esquecer: o que se construiu, a obra feita, as provas dadas, as dificuldades, as circunstâncias, o factor humano, sempre presente! Seguimos o rebanho ou paramos para pensar?


Lisboa, Sábado, 3 de Novembro de 2018, 8 horas da manhã

Enche-se um autocarro com destino à Maratona do Porto. 67 pessoas ao todo, incluindo participantes nas várias provas do evento. Transporte disponibilizado pela Organização, a Runporto, tal como tem feito nos  anos anteriores. Organizo e coordeno a viagem. Bem ou mal, desde o início praticamente. E cada ano me desafio de novo. A fazer de novo. Igual ou melhor. Como posso, como sei. É sempre um desafio que muito me enriquece e gratifica. 

Vamos directos à Feira da Maratona no edifício da alfândega no Porto. Aí se levantam os dorsais e kit do atleta com t-shirt e brindes de patrocinadores, e se almoça também. Pasta Party: massa com fartura, carne, queijo, fruta, gelatina, bebidas e pão. E quando, porque eu não como carne, já me preparava para ficar apenas com uma pratada de massa, surpreendentemente oferecem-me uma bolonhesa de soja! Fantástico penso! É um pormenor, claro, mas também as grandes coisas são feitas de pormenores.
Encontro com vários amigos. Sempre um prazer rever, e visita à feira, que está cada vez melhor. Muito bem composta. Um espaço agradável com vários stands de interesse para os corredores. Podia perder-me por ali, mas ala que se faz tarde. Voltar a meter toda a gente no autocarro e rumar à Rotunda da Boavista. Daqui seguimos para o hotel e por fim descanso um pouco. Sinto que a 1ª etapa da jornada está feita! Cálice de Porto na mão, degustado lentamente e estou no céu por momentos, apesar de estar apenas num 4º andar.


Recosto-me e sonho acordada que é habilidade que muito prezo em alimentar e daqui a nada são 6 da manhã de domingo e estamos já à mesa do farto pequeno almoço.
Iguarias do melhor e só penso que pena ir correr e não poder comer tudo à vontade (ainda me lembro do excesso de ovos mexidos do ano passado, que correram comigo a prova toda, 15 km também, entre o estômago e a garganta!) 

O hotel tem autocarros que nos levem à partida e lá vamos nós. Mais ou menos nervosos. Eu não ia fazer nada de especial, apenas 15 Km, e de nervosa pouco tinha, o que me chateia! Bom, bom é sentir a adrenalina ao rubro nestes momentos antes dela, da prova rainha, da Maratona! Mas eu ia só fazer 15 km...um pequeno desafio, ainda assim sem a confiança de o conseguir superar. Só queria fazer os 15 km a passo de Corrida. Só queria não me ver obrigada a caminhar, a gatinhar ou a rastejar, o que poderia muito bem acontecer, tendo em conta a minha forma.

Na zona da partida deram-nos uma espécie de manta térmica, um plástico que até soube muito bem pois era cedo e estava fresco. Mas esse foi um dos erros da organização, como se verificou mais tarde, quando faltaram plásticos para os atletas que acabavam a Maratona, depois de várias horas debaixo de chuva forte e vento frio!

Reencontra-se sempre amigos nesta zona da partida, enquanto fazemos tempo e há um prazer genuíno nestes reencontros. Até podemos encontrar-nos apenas uma vez por ano, mas há uma alegria genuína nos sorrisos e nos abraços! E que estejamos lá todos para o ano novamente, é o que se deseja!

Vou para a minha zona de partida e é dado o tiro. Sei que os da Maratona vão ali à frente. Partem à nossa frente. Ouço a música e não deixo de me emocionar. Sempre! Feliz por eles, feliz por mim, por me ser permitido ali estar, mesmo só na Family Race. E para o ano...não sei. Aprendi a resguardar-me das promessas pois a vida coloca-nos muitas e variadas rasteiras, mas que gostaria de estar ali à frente, a partir para a Maratona, ai isso gostava, oh se gostava!

Mas agora não é tempo de pensar nessas coisas. Agora é tempo de concentrar-me no meu passinho o mais certo possível, acreditar que o posso manter por 15 km, assim como a respiração controlada e estável, e seguir, um pé a seguir ao outro. Alguns Maratonistas por perto. Alguns equipamentos curiosos, muitos estrangeiros e é uma alegria correr aqui. Muita gente a assistir, a animar a malta. E animamos! Rotunda do Castelo do Queijo, subir parte da Boavista, contornar o Parque da cidade, ir a Matosinhos, porto de Leixões e regresso, de novo subir e descer um pouco da Boavista e por fim ir cortar a meta, feliz e contente, no Queimódromo. Os abastecimentos estiveram bem, a animação era muita. Chip incorporado no dorsal, postos de controlo, percurso totalmente fechado ao trânsito e chegada pomposa à meta, com direito a foto, medalha e muitos mimos. Dispenso a cerveja e procuro o meu pai para seguirmos para o hotel. O tempo, já com alguma chuva durante a prova agravava-se agora. Seguimos para o hotel. Banho retemperador e segue-se almoço com amigos. Muito, muito bom! Mas...vir à Maratona do Porto e não correr a Maratona, pode ser muito bom correr a Family Race, mas... não é a mesma coisa.

Soube mais tarde pelos amigos que chegavam da Maratona, que algo tinha corrido muito mal: o guarda roupa. Que a organização disponibilizou mas que funcionou pessimamente mal, agravado pelas também péssimas condições atmosféricas. Se estivesse bom tempo, as pessoas iriam beber a sua cerveja, alongar, confraternizar no espaço que têm para isso, e não, como aconteceu e é perfeitamente compreensível, irem todos ao mesmo tempo, mal cortavam a meta, a correr buscar o seu saco na ânsia de vestirem roupa seca e saírem dali. A arrumação dos sacos também não era a melhor e além disso muitos sacos ficaram à chuva, molhando as roupas que continham. Assim, muitos atletas esperaram perto de 1 hora para recuperarem o seu saco e quando o conseguiram, tinham as suas roupas completamente encharcadas. Além disso, faltaram os ditos plásticos para se protegerem do frio. Os tais, que foram dados na partida, perfeitamente dispensáveis aí.Um cenário muito triste, com a organização desesperada por não conseguir responder e os atletas desesperados sem condições para se abrigarem e trocarem. Muito, muito mau. Perigoso até. Correr uma Maratona com chuva e vento frio e ao terminar ficar completamente desabrigado, é mau demais. Na minha opinião, os sacos de plástico, fornecidos pela organização para os atletas porem as suas coisas, como acontecia nos anos anteriores, onde o nr. de dorsal fica bem visível e os sacos uniformizados facilitava a arrumação dos mesmos e agilizava a sua entrega. Mas este ano não deram esses sacos de plástico. Cada atleta identificava o seu próprio saco com uma pequena tira onde estava mencionado o nr. de dorsal. O agravamento do tempo a juntar-se a tudo isto, levou ao caos que se viveu por ali.

Vem o director da prova, Jorge Teixeira, no dia seguinte assumir publicamente o erro grave que se cometeu, pedir desculpa e prometer que jamais se repetirá uma situação destas.

E agora? Valem de pouco as desculpas dirão alguns. Pois eu digo que o que não vale de nada é ficarmos agarrados ao que correu mal, dizermos cobras e lagartos e deixarmos de ir à Maratona do Porto. Vale a pena sim, acreditar num Homem que em 14 anos pôs de pé uma Maratona de qualidade como Portugal nunca teve, ao nível das melhores que se fazem lá por fora! Porque quem admite, assume com frontalidade e vai corrigir, só pode continuar a merecer toda a minha admiração, respeito, confiança e preferência! Porque errar é humano. Porque só não erra quem nada faz! 

Por isso, por tudo o que a Maratona do Porto já provou, e por tudo o que conseguiu dar à Corrida em Portugal e no Mundo, pela frontalidade, coragem e seriedade do homem que está à frente dela, para o ano eu só posso dizer "presente" na 16ª edição, já com data marcada: 3 de Novembro de 2019.

E continua a Runporto a merecer toda a minha confiança. Parabéns pela realização da 15ª Maratona do Porto, que mesmo com o desfecho que se viu, esteve perfeitamente bem em tudo o resto! Se foi grave? Foi! Se acredito que não se vai repetir? Acredito! Pois se os atletas sofreram na pele, adivinho sem falhar muito que a Organização sofreu na pele e na alma, a falha que aconteceu e que não podia ter acontecido.

E tu, vais lá para o ano?


Ana Pereira



























15 Km da Family Race corridos em 1h36m16s. Classificada na posição 2055 de um total de 2769 chegados à meta da Family Race.

Total de atletas chegados à meta na Maratona: 4658 atletas

Resultados podem ser vistos aqui 

Fotos:

Pela Prozis, para ver aqui, Album 2  

e Album 1, para ver aqui

e Km 35, para ver aqui, também da Prozis

Por Matias Novo, para ver aqui

Pela Organização, para ver aqui

e Album 2, para ver aqui

Pela inAction, para ver aqui

Por Project Run, Album 1, para ver aqui     e Album 2, para ver aqui

Por Objetiva em Movimento:

Album 1, para ver aqui

Album 2, para ver aqui

Album 3, para ver aqui

Album 4, para ver aqui

Album 5, para ver aqui

Por mim, album quase pessoal, para ver aqui