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segunda-feira, 16 de maio de 2022

8º Trilho das Lampas - 14 de Maio de 2022

Não sei se será da idade, se das experiências com que a vida me tem presenteado, o certo é que aprendi a relativizar as coisas e a valorizar o que realmente é importante. Também perdi a impetuosidade de outros tempos (em parte), própria da juventude e aprendi a viver com paixão e alegria tudo aquilo que a vida me permite fazer ao invés de chorar o que não posso fazer. É outra Ana.

E a antiga Ana, não iria jamais ao 8º Trilho das Lampas. A má forma, aliada às lesões e algumas limitações que não interessam nada para aqui pois cada um tem as suas, jamais se permitiria acreditar que seria capaz de percorrer os 15 Km do Trilho. Mas esta Ana, eleva ao expoente máximo, o valor da amizade, da saúde e das oportunidades que a vida lhe dá. E quando o Fernando Andrade a desafia, em poucos minutos passou do "nem pensava nisso de todo, não estou em condições" para um firme "Vou sim senhor!" A tal impulsividade ainda cá mora e em doses moderadas é uma coisa bastante positiva na maior parte das vezes.

A verdade, é que o Fernando Andrade simplesmente me pôs lá a Correr e eu...fui. Fui e fiz! Simples! E com a brincadeira continuo a ser totalista da prova, a dizer presente desde a 1ª edição, o que muito me orgulha, até porque foi no Trilho das Lampas que me iniciei no Trail, decorria o ano de 2013.

"...eu quero é que desfrute do Trilho"...foram as palavras-chave. Deixou de interessar a péssima forma e outras condições físicas limitativas e passou a ser prioridade...desfrutar do Trilho, e assim foi. Prioridade também a amizade, dos amigos que convenceu a participar (nas 3 modalidades da prova: Caminhada, Trilho curto e Trilho Longo), do Fernando Andrade, que por razões de força maior teve de assistir a tudo de forma remota e não podemos dar-lhe aquele abraço e agradecer por tudo isto e ainda a amizade dos amigos que reencontrámos, e que mexem com emoções por vezes adormecidas.

O Trilho das Lampas começou às 19:30hrs, e corro por aquele relvado tão familiar, o plano era correr na partida e depois na chegada. Era o mínimo exigido a mim própria. No durante, faria o que pudesse, acautelando-me para não sofrer desmesuradamente e não me dar mal. 

Dou por mim a aguentar-me relativamente "bem" no meu passinho de Corrida muito lenta. E o Trilho está tão bonito. Tão docemente apetecível, como se me abraçasse e me envolvesse nos seus braços à medida que avanço. Há sensações inexplicáveis, e ali, sinto-me em casa, acolhedoramente abraçada por toda a Natureza e ambiente envolvente. Caminho nalgumas subidas, naturalmente. E descubro que afinal as Caminhadas que tenho feito por serras e vales, contam alguma coisa para a preparação, e foram o que me valeram aqui, não tenho dúvida alguma.

O tempo está seco, algum vento, mas mal começamos a correr, sentimos a temperatura amena. O céu está cinzento e não vai haver pôr-do-Sol. A praia da Samarra, o som do mar, os riachos que atravessamos, a água que parece cantar, o verde, os pássaros, as rãs. Todos os sentidos alerta, uma sinfonia de emoções, orquestra magistral a tocar na minha alma. Depois fica noite, acendem-se os frontais (desta vez com pilhas novas) e apuram-se ainda mais os sentidos. Há passagens verdadeiramente mágicas no Trilho das Lampas, Marcações irrepreensivelmente bem colocadas e mesmo quando fiquei sozinha do Trilho, senti-me tão bem, tão segura, talvez porque nunca estamos verdadeiramente sós. Sensivelmente a partir do km 11 ou 12, apesar do Trilho ser perfeitamente corrível e o meu frontal iluminar o caminho muito bem, foram as pernas que me traíram e passei para o modo Caminhada. Não respondiam simplesmente. Mas a cabeça também manda e segui firme um passo a seguir ao outro. Queria também guardar alguma energia para cortar a meta a Correr e também por isso, mantive o passo de Caminhada. Entra-se num espaço, que fiquei a saber ser privado, gentilmente cedido para a nossa passagem e parece uma floresta mágica. As árvores nossas amigas, iluminadas pela luz do frontal, espectros fantásticos a alimentar a magia. Há archotes a iluminar o caminho e é hora de recomeçar a correr. Por fim sai-se do portão para o largo de S. João das Lampas, entra-se no relvado e corto a meta, feliz e completa, com a inequívoca certeza de que somos capazes de muito mais do que julgamos. Na Corrida ou no que for.

Demorei 2h25m43s para percorrer o Trilho curto (15 Km). Fui a 215ª a chegar à meta de um total de 268, e ainda a 14ª no escalão (F50) de um total de 20 miúdas do meu escalão.

A versão Trilho Longo, com a distância de 24 Km, teve 199 atletas chegados à meta.

Os abastecimentos foram do melhor, e ainda uma sopinha de legumes no final. Muito bom.

A medalha muito bonita. E até a Caminhada teve medalha! 

A Corrida, o Trilho, a Amizade. Coisas boas da Vida. E Correr, Correr no Trilho das Lampas é tão bom! Sem dúvida que usufruí do Trilho. De forma grandiosa e intensa. Por inteiro. Com todos os sentidos apurados, dedicados e empenhados em absorver tudo avidamente e processar internamente e depois transformar em emoções que nos fazem sorrir e ser feliz por dentro.

Agradeço especialmente ao amigo Fernando Andrade por tudo, à Organização: Meia Maratona de S.João das Lampas - Grupo de Dinamização Desportiva, à Sociedade Recreativa, Desportiva e Familiar de S.João das Lampas e a todos os envolvidos que contribuíram para que o 8º Trilho das Lampas se realizasse e nos recebesse assim, desta forma única e tão especial.

Para o ano, lá estarei de novo! Afinal, sou totalista da prova, já vos tinha dito não já? E enquanto houver vida em mim,  assim quero continuar.

 A minha prova, registada pelo Strava, pode ser vista aqui

Outras informações:

O site da prova: Trilho das Lampas

Resultados podem ser consultados aqui

o Evento no facebook

A Partida, por Miguel Pinho, pode ser vista aqui

E para quem tiver curiosidade, aqui, através dos links abaixo, fica a minha história de amor com o Trilho das Lampas, desde o seu início:

1ª edição - 2013   + Imagens, aqui

2ª edição - 2014

3ª edição - 2015

4ª edição - 2016

5ª edição - 2017

6ª edição - 2018

7ª edição - 2019


Com o amigo Mário Lima















Por Celina Jorge, o Trilho:



Por Celina Jorge, a Caminhada:

sábado, 9 de abril de 2022

Um ano sem ti, meu amor. Molly 26-05-2009 - 09-04-2021

 9 de Abril de 2022

Um ano sem ti, meu amor. Sem o teu olhar, sem o teu amor, sem...sem....é o que fica, nada, o vazio e a ausência, é o que fica. O vazio.

Pois...no coração és eterna. Amo-te como sempre te amei e sempre te amarei, sei que estás presente... sem estar. Como um amor imaginário. Mas tu foste real. Bem real! Quase doze anos de amor real. Nem todos se podem gabar disso. Nem todos têm a sorte de sentir um amor assim e de serem amados assim por quase doze anos.

Há um ano por esta altura, estava a trabalhar em casa tal como estou agora. Demasiadas coincidências a entristecer os dias. Foi ontem. O que vivemos há um ano por esta altura, está tão presente como se tivesse sido ontem a esta hora. E ainda choro sem ninguém saber.

Mas não há lugar a tristeza nem a nostalgias. A vida segue, qual carrossel gigante, sem parar, sem dó ou piedade ou sequer lugar para segundas oportunidades. Gira e segue. E tu, ou segues ou ficas. E se ficas morres. Morres em vida, que é a pior morte possível. Morrer em vida.

Por isso, eu segui, meu amor. Sem ti. Segui. Um ano.   

Temos agora uma rafeira arraçada de dinossauro como diz o meu pai e eu concordo com ele. É a Lucy. A dar-me cabo da cabeça todos os dias. Um potencial grande amor, ainda em construção, confesso. Há horas que me apetece atirá-la da janela, devolvê-la ao canil, abandoná-la na serra à mercê de lobos e gaviões e ursos e leões, fazê-la desaparecer e retomar devagarinho a minha triste e pacata (???) vida do período "antes da Lucy". Ups...e o sentido de responsabilidade etc e tal?! Tu eras capaz?! Claro que não, querida Molly, sabes bem que não. Mas sou humana e por vezes o cansaço e o peso dos dias, levam-nos a estes pensamentos e emoções menos bonitas e politicamente incorrectas. Mas...e depois? Depois, e antes e durante, somos seres racionais, mas também emocionais. Esta cadela apenas dá trabalho, muito trabalho mas eu vou conquistá-la e ensiná-la e amá-la! E confesso, ela já me conquistou. Como amor que dá trabalho, a recompensa é também enorme! E eu já não abro mão dela. E não desisto dela! Deste pirralho, terrorzinho cá de casa e arredores. Quatro meses de vida, 16 Kg de "gente", a desafiar como ninguém. Não desisto dela, por mais difícil que seja. Uma necessidade de amar, cuidar, ser amada e também cuidada, faz de mim isto que sou. Por isso fui buscar a Lucy e estou muito feliz por isso. Lá de cima onde estás, hás-de fartar-te de rir destas cenas aqui em baixo. Até eu me rio, depois de passar aqueles momentos críticos. É que isto, de cuidar de cachorro é como ser Mãe...não são só rosas e há momentos absolutamente desesperantes, Mas depois, depois...a recompensa é de ouro e não troco esta vida por nenhuma outra.

Um ano sem ti, meu amor. Sempre no meu coração, querida Molly.

26-05-2009 - 09-04-2021

A minha querida Molly:







Lucy, o terrrorzinho cá de casa, 4 meses de vida, 16 Kg de "gente", a desafiar como ninguém:






sábado, 11 de dezembro de 2021

A carta que nunca irei receber

 "A Mãe, Molly? Onde está a Mãe, Molita?!" Ouço a Menina, a sua voz, clara e nítida como se fosse hoje e eu estivesse aí agora, neste exacto instante, com vocês. Ouço-a atentamente, como se ela me estivesse a atribuir uma tarefa importantíssima. E estava: encontrar-te! Arrebito as orelhas e os meus olhos castanhos, com uma expressividade única, com as minhas pestanas louras e o sobrolho a acompanharem cada movimento ocular, procuram-te nas várias direcções possíveis, para de seguida me levantar e começar a procurar-te com entusiasmo. E tu, escondida nos locais mais prováveis e descobertos, e eu, pateta, passava por ti sem te ver. Chamavam-me patetinha quando por fim eu te encontrava ou simplesmente, tu saías do esconderijo quando eu demorava aquela eternidade, sem saberes que eu só queria fazer durar mais a brincadeira, fazer durar mais o momento. Chamavam-me patetinha, enchiam-me de beijos e festas e eu adorava! Brincadeiras nossas. e eu morro de saudades delas, das brincadeiras. E vossas! Morro de saudades vossas! Irónico. Como se eu pudesse morrer outra vez. Porque para vocês, humanos, simples mortais, eu já estou morta e por isso não posso morrer de novo. Mas vocês não sabem nada.

Morro de saudades, Mãe, tal como tu morres, mas eu não gosto de te ver assim. Este é o teu momento. Vive-o no seu esplendor! O teu momento...e como te ensinei, tu sabes que nada há mais valioso que o momento. Momento presente. Como presente que é, com que a vida nos brinda. Não o desperdices, Mãe. Fizeste-te forte e és forte, como o são todas as Mães, mas não faz mal chorar. Admitir que foste derrubada, que foste vencida pelo Cancro que me levou, e levou um pedaço de ti também, deixando marcas inapagáveis como cicatrizes profundas. Não faz mal, assumires que te sentes dilacerada, rasgada por dentro e que essas feridas ainda estão abertas e em muitos dias ainda sangram. 

Foram quatro meses muito duros, em que fizeste o possível e até o impossível para o meu bem-estar. Com doses de esperança difíceis de aceitar ou até compreender, sem tempo para desânimos ou tristezas. Nem um segundo a desperdiçar. Vivemos cada momento desses quatro meses, sorvendo cada instante como se fosse o último, sorvendo cada sopro de que a vida nos permitiu usufruir. E como nós os aproveitámos, Mãe! Estiveste sempre presente e deste-te por inteiro, como nem sabias ser capaz. Como te amo, Mamã! Como te admiro e te amo por isso, Mãe! Foste o meu mundo, foste tudo para mim, até ao meu último suspiro.

Agora, Mãe, continua a viver por favor. É tempo de deixares que essas feridas, que insistes em manter abertas, sarem de vez. É tempo de deixares de te maltratar, é tempo de te cuidares, te amares e seguires. Mãe, não faz mal "morrer" de saudades, mas continua a viver por favor. Por ti, pela Menina, pela Avozinha, pelo Pipas, pelos gatos que invadiram a casa e até por aquele cãozinho que precisa de ti e eu sei que o vais buscar, um dia, para a tua casa, para o teu coração. Para aí, onde eu sempre estarei, no teu coração. Não podia ter tido uma melhor Mamã. Continua o teu caminho. É o teu! Só te pude acompanhar, fisicamente, uma parte dele, mas continuarei sempre aí, contigo, em espírito, porque a vida é muito mais que matéria. E eu ficarei para sempre dentro de ti, sendo parte de ti, transformada em ti, gravada em ti, pois se as nossas vidas não se tivessem cruzado, serias tu outra pessoa hoje e eu outro cão. Mas não, eu sou e serei sempre a tua Molly e tu a minha Mamã. E nada pode mudar isso e por isso, eu continuarei viva, bem viva, entre vós, através e dentro de ti.

Molly, 26/05/2009-09/04/2021

sábado, 9 de outubro de 2021

Preciso de escrever uma carta à Molly , Seis meses sem ti meu amor

 "Preciso de escrever uma carta à Molly". Levantou-se da mesa e dirigiu-se assim ao escritório, resoluta, como se escrever uma carta à Molly fosse uma natural e urgente necessidade, como quem vai ali à casa de banho, ou vai ali desligar o forno, acto que caso não fosse feito, algum resultado terrível e irrecuperável se manifestasse... Mas é assim que é sentido. E se assim é sentido, assim é vivido. De outra forma, a vida é uma farsa e isso não é para o nós.

Querida Molly

Não imaginas como a vida aqui sem ti continua. Sabes? Temos agora dois gatos! Dois seres maléficos e satânicos, como o são todos os gatos, que a menina fez o favor de trazer cá para casa...Ah, é verdade, ainda conheceste o Timmy Boy, esse anjo revelado mais tarde, um amor de gato, que chegou escanzelado e tímido, de olhos verdes e grandes, a preencher-lhe grande parte do focinho, como lanternas acesas, que assistiu a tudo. À nossa luta, às forças resgatadas de lugares desconhecidos até ali, à esperança desgastada, à tua partida, à morte, à tristeza disfarçada de aceitação, à dor fingida de resignação. Revelou-se um anjo, o meu Timmy, um verdadeiro anjo, que tem uma compreensão muito para além do compreensível. Olha-me e ele sabe e eu sei. Não precisamos falar. Ele ensinou-me a gostar de gatos, imaginas isso Molita? Eu?! Gostar de gatos?! Pois o Timão conquistou-me... Mas para além deste bicho, a menina trouxe também, passado pouco tempo de tu partires, a Olívia, uma desmiolada, uma destravada, uma gata sem juízo nenhum, uma filha rebelde, com tudo o que sempre me fez detestar gatos. E no fundo ainda detesto, sabes? Mas a Olívia, para além desse diabrete à solta pela casa, tem também uma faceta singular. Muito singular. Fala comigo! Fala! Juro que fala! E depois, claro...conquistou-me também. Talvez eu tenha um coração de manteiga. (não tenho!!!), mas esta miúda, completamente destravada, é como uma filha rebelde. Desafiadora, sempre a testar-nos e a medir forças. Teimosa, difícil, que dá luta e nos obriga a nunca baixar os braços, se a quisermos educar. E nós queremos e jamais desistiremos, por muito trabalho que dê! Como um filho! Mas depois...depois, quando ela fala comigo, eu derroto-me completamente. A sério Molly, nunca pensei que um estúpido gato pudesse fazer-me sentir assim, sentir isto. Amor.

É...por aqui muita coisa mudou com a tua partida e uma delas foi a invasão da casa por estes dois felinos. Ocuparam. O espaço, o tempo, os pensamentos. As mãos em tarefas e afagos. Ajudaram-me. A estar ocupada. Claro que não têm nada a ver contigo! Nada! E nunca jamais te "substituirão". Um Cão é sempre um Cão e eles são só dois gatos. Mas esta ocupação, confesso e admito, tem-me ajudado a continuar a viver sem ti, admito perfeitamente. Mas tu meu amor, tu estás cá sempre e para sempre. Sabes? Eles por vezes vão-se deitar nos teus lugares preferidos da casa, e sabes, por vezes até adoptam as tuas posições, o que não me parece nada normal num gato, mas juro que até se parecem contigo. Claro que os lembro sempre num tom fingido de repreensão "esse lugar é da Molly!" O teu "lugar" jamais será ocupado! Porque tu, meu amor, és inesquecível, única, eterna dentro de mim, e de mim para fora, nunca te esquecerei e estás "cá" sempre e para sempre! Nem sei mesmo se algum dia conseguirei ter outro cão...as comparações serão inevitáveis e talvez inaceitáveis e insuportáveis...E o "pobre novo cão" não terá culpa nenhuma...Agora gatos...perfeitamente! São "só" gatos, afinal de contas.

Olho para o calendário: 9 de Outubro de 2021. Faz exactamente 6 meses que partiste para parte incerta. Já não te procuro pelos montes e vales que palmilho afincadamente, ora a sorrir ora a conter lágrimas. Encontro-te segura, serena e feliz, onde sempre estiveste e sempre estarás: no meu coração.

Até já Molito! 













sexta-feira, 10 de setembro de 2021

Molly, cinco meses e um dia sem ti, meu amor

 Meu Amor

Deixem-me chamar-te assim, porque assim o sinto e porque assim o sinto, assim o é! Amor! Amor! Eras só um cão pois eras... Ironia, claro. Sabem lá eles...Tu eras e és... Amor! Puro! O ser mais puro que conheci.O que eu daria para te ter de volta...

Fez ontem cinco meses que partiste, que nos deixaste, que te fiz partir, empurrei para a porta do desconhecido, e deixei de te ter material e fisicamente falando, acreditando que era o melhor para ti. Mas tu continuas em mim, viva, tão viva como qualquer outra parte de mim, como uma benção, como um sinal, cicatriz que doí e sempre irá doer e conta a história de uma vida, capítulo longo da minha vida, inapagável e feliz! Até àquele dia, até aqueles últimos quatro meses, que balançamos entre a força e a esperança e a impotência humana e o desespero e por fim a resignação, sem compreensão ou aceitação...Mas continuas a correr-me nas veias...Como se cá estivesses. E estás!

Aprendi contigo. Sempre. Até com a tua partida. Aprendi a relativizar, a seleccionar, acontecimentos e pessoas. A valorizar o que (para mim) efectivamente tem valor. A desvalorizar o que nada de facto nada vale. E tanta coisa e tanta gente, simplesmente perdeu "importância"...Cresci, meu amor, com a tua partida, claramente cresci. Mais sozinha talvez, ou apenas, apenas mais perto do que importa e de quem importa. A fazer valer cada instante da vida. Cada sopro possível. A ser feliz apenas e só pelo Agora. Como tu fazias de forma natural e extraordinária. Aprendo. Em cada memória de ti, aprendo!

Obrigada Molly

Corro montes e vales e chamo por ti! Chamo! E choro em silêncio e ninguém  vê ou sabe sequer e muito menos compreende, e eu encontro-te onde sempre estiveste e sempre estarás, no lugar mais importante do mundo, no meu coração. 

Obrigada Molly
E até já meu amor





quarta-feira, 26 de maio de 2021

Como queria que estivesses aqui...

Molly 26/05/2009 — 9/04/2021. Farias hoje 12 anos minha pequenina. Mas o teu corpo já cá não está. Matéria transformada. Em cinzas, de volta à matéria inerte para logo se transformar de novo em vida! Em flores, árvores, borboletas, abelhas, pássaros, cão ou gato, gente ou insecto, ave ou planta, não importa, será Vida de novo!! Como o de todos nós um dia. Mas o teu espírito, a tua luz, a tua alma, a tua doçura, o teu amor, perdurará para SEMPRE em nós!!! Para SEMPRE no nosso coração! Da tua menina, uma singela e bela homenagem, meu amor:

Wish that you were here


Hoje já cá não estás. Não há festa, bolo, bananinha nem passeios especiais para festejar os 12 anos que não chegaste a fazer. Hoje não há nada. Só as lembranças e o coração cheio de um amor que guardo eternamente. Tenho muitas saudades tuas meu anjo...

quarta-feira, 12 de maio de 2021

Um mês e três dias sem ti


Partiste há mais de um mês e eu ainda não acredito. Não acredito, simplesmente. Ainda ontem estavas aqui e agora não estás. É só isso que vejo, é só isso que sinto. É só isso que conta. É só isso que existe: a tua inexistência. Onde estás Molita? Onde estás… meu amor? Faltas-me. Penosa e dolorosamente faltas-me! Pedaço de mim em falta. Pedaço de mim ausente. Pedaço de mim inexistente, pedaço de mim nem sequer vazio, antes inexistente. Inexistente é a palavra mais próxima ao que sinto, pedaço de mim perdido, irremediavelmente perdido, arrancado sem dó, sem sentido, pedaço de alma roubado, ceifado em pouco mais de três meses e ainda assim num ápice. Tudo tão rápido, tão dolorosamente rápido e talvez por isso a tornar-se inacreditável e inaceitável. Ainda não acredito, não aceito, não concebo esta vida sem ti e eu sei que terei de aceitar e continuar a viver, e eu assim faço, mas não escondo mais, não posso esconder mais esta dor de perder parte de mim. A vida continua, dizem, e é verdade, continua sim, mas não para ti, não para mim contigo ao lado. Continua para mim, sim é verdade, mas sigo amputada que é como me sinto. Faltas-me.

Dizem romanticamente que te transformaste numa estrelinha e estás lá no céu dos cães a olhar por nós, livre de dor, liberta por fim, a correr feliz num campo verdejante salpicado de malmequeres sob um Sol radioso e um céu azul brilhante e a imagem é tão bonita que até nos dá vontade a todos de morrer depressa para vivermos nesse paraíso idílico. Dizem…para que seja mais fácil a aceitação e possamos nós seguir em frente com as nossas vidas felizes. Dizem… Eu…só sei que tu me faltas, como membro amputado, ferida aberta em chagas e ainda assim eu continuarei a viver, eu sei, e tenho mil e dois motivos para sorrir e ser feliz.

Ajudei-te a transpor a porta da morte, abri-a para ti meu amor, e partiste. E eu fiquei do lado de fora, ainda do lado de cá, como dita a lei natural da vida. E não, não vieste em sonhos dizer-me nada como me fizeram acreditar. Que virias dizer-me que estás bem e que eu podia continuar feliz a seguir a minha vida feliz. De consciência tranquila por ter feito tudo o que estava ao meu alcance. Mas os dias e as noites passam e tu não voltas. Tu não voltarás nunca mais e tudo isto parece-me ainda que não aconteceu. Foi tudo demasiado rápido e agora resta apenas a tua falta. E a certeza de poder ter feito muito mais Molly. Muito mais ao longo destes quase doze anos.

Sonho número um

Cerca de três semanas depois de partires, por fim, sonho contigo. Tenho tantas saudades tuas meu amor. Eu sei que os sonhos vêm do nosso subconsciente e só nos revelam a nossa própria alma. Os nossos medos, os desejos, o que nos preocupa e inquieta, o que mais desejamos ou mais tememos. E normalmente essas revelações vem sempre em linguagem simbólica. Sempre gostei de sonhar e sonho imenso. Imenso. Como até os meus amigos mais chegados bem sabem. E eu queria, queria muito sonhar contigo e sonhar que eras tu que me visitavas e talvez esse sonho me apaziguasse e confortasse. Estava a demorar e por fim “apareces-me” em sonho. No entanto, sem apaziguamento e sem qualquer espécie de conforto possível.

Uma imagem, um flash, uns segundos. A doença. A luta. Vindas da rua, onde teimosamente continuávamos a ir para fazer de conta que a vida seguia o seu curso normal, sobes os três degraus das escadas da entrada no prédio, com dificuldade como já o fazias ultimamente, vens toda torcida, trôpega e cabisbaixa e tens fezes agarradas ao rabinho. Dor. Doença. Decadência.Impotência. Medo. Força. Esperança. Medo. Força. Força. Muita força. Impotência. Impotência! Abraçamos a luta desde a primeira hora e nunca houve tempo nem espaço nem forças para desperdiçar com lágrimas, lamúrias ou tristeza. Nesse segundo sonhado, cabem os três meses de luta desde que te foi diagnosticada a doença.

Sonho número dois, 9 de Maio

Faz precisamente um mês que partiste. Um mês. E surges-me de novo em sonho. Desta vez, estou na rua, convivo alegremente com um grupo de jovens, e estou bem apesar de ter consciência no próprio sonho que partiste e que já cá não estás. Estou de férias e é Verão. Levo os jovens para a casa de férias, e animada mostro-lhes a casa, e quando saio para o amplo jardim, surpreendentemente vejo-te! Sob o sol brilhante, deitada na relva, à sombra de uma oliveira, está tu deitada, com o ar mais feliz do mundo, na posição de esfinge do Egipto, elegante, sorridente, de olhos brilhantes e língua pendurada devido ao calor e por teres por certo andado a brincar. Estás um pouco mais magra mas o teu ar “limpo”, livre de mazelas, feridas ou chagas, quer na pele quer nas mucosas, deixa-me tão radiante quanto surpreendida. Mas…mas, tu estás viva?! Mas afinal tu ainda cá estás meu amor!! Perante o meu espanto e alegria, o meu pai apressa-se a explicar “Desenterrei-a, e ela ainda está viva e está bem!” (na verdade, nem sequer foste enterrada meu amor, o teu corpo físico, a matéria sem vida foi entregue a correr no crematório municipal, com o teu corpo, monte de carne e ossos e músculos, ainda quente…) Mas, mas…e nem está suja de terra nem nada?! O meu pai apressa-se a dizer que só te sacudiu as orelhinhas e a ponta do nariz, e que estás óptima! Afago-te as orelhas, macias como seda e delicio-me com o brilho do teu olhar, esses olhos castanhos profundos, essas pestanhas lourinhas, e o ar saudável e feliz que tens! Oh meu deus, eu ainda tenho a minha Molly comigo e ela está bem…oh meu deus…tenho de ligar à Maria para lhe dizer, tenho de lhe ligar e dizer-lhe!

Acordo. A realidade mantém-se. Continuas a faltar-me.

Sonho número três

Imediatamente na noite seguinte, 10 de Maio, volto a sonhar contigo. Queria guardar o sonho de ontem, convencer-me que estás bem, guardar aquela imagem para sempre, que estás feliz, que ajudar-te a atravessar a porta que todos nós atravessaremos um dia, foi o melhor que podia ter feito (e foi), que estás agora livre de dor e estás bem, mas não, hoje apareces-me em sonho, num local onde nunca estiveste. Estás triste, deitada no chão num passeio imundo bem conhecido no centro da cidade. Encosto a minha cabeça à tua e lágrimas grossas soltam-se dos teus doces olhos e correm como rios até ao chão, como se fosses humana, lágrimas que eu precisava de soltar, soltá-las tu. Somos só nós no mundo, todo o burburinho da cidade à nossa volta se cala e tudo o resto parece desaparecer apesar de estarmos numa zona muito movimentada da cidade e há uma tristeza imensurável a rodear-nos, a cercar-nos, a tolher-nos como manto negro caído pesarosamente sobre nós.

terça-feira, 13 de abril de 2021

Molly 26-05-2009 - 09-04.2021

Até sempre querida Molly

Há um prato com frango cozido sobre a mesa da cozinha. Foi o teu jantar ontem e hoje seria a tua refeição da manhã, comida que adoras, com massa e um fio de azeite, mas hoje de manhã tu já não comeste, pela primeira vez recusaste comida, e eu hoje, olho as pernas do frango, ainda por desossar e choro, choro compulsivamente porque tu já cá não estás para as comer. E agora o que é que faço ao frango, interrogo o Universo como se a questão fosse mesmo essa e não estivesse apenas a disfarçar uma outra pergunta bem mais dolorosa e de resposta imutável.

Nós encomendámos a morte. É o que parece à primeira vista. Mas nós apenas combinámos o dia, a hora, o local e abrimos-lhe a porta, ajudando a nossa amiga parceira na vida, de quase 12 anos, a transpô-la. Afinal ela, a morte, já andava por aqui a rondar há imenso tempo e nós a fintá-la enquanto pudemos. Foi assim na passada 6ª feira dia 9 de Abril de 2021. A Molly deixou-nos. Partiu. Enquanto lhe acariciava o corpo e lhe embalava a alma com doces palavras. Tantas. Tantas, tantas palavras. Enquanto o líquido azul bonito a prometer o céu, lhe entrava nas veias e se espalhava pelo corpo, imobilizando todos os músculos até ela deixar de respirar e partir por fim. De certeza que só ouviu um terço ou menos do que a minha voz calma lhe dizia baixinho com amor. Tanto amor Molly. Tu sabes. A Molly deixou-nos. 15h09m, 9 de Abril de 2021, e nunca mais o chão da minha cozinha será só o chão da minha cozinha.

Fujo. Fujo. Fujo daqui. Desta casa onde vivemos, deste pedaço de chão, frio e agora insuportavelmente vazio e limpo, antes sempre ocupado por ti meu amor, deitada a meus pés, onde quer que eu estivesse, a “estorvar-nos” o caminho e a obrigar-nos a dar passos de gigante só para não te pisar ou incomodar. Fujo à velocidade que o Intercidades consegue deslocar-se no espaço e desejo e confundo que o espaço seja o tempo. E dolorosamente, é tão vagaroso, tão mais vagaroso do que eu queria fugir daqui, deste hoje, deste presente, deste dia, desta hora. Ironicamente o meu lugar no comboio é um lugar “de costas” em que nos dá a percepção de viajar “para trás”, simulação perfeita pois é para aí que eu no fundo quero ir. É para aí que eu queria fugir. Em busca de ti meu amor, do teu corpo quente, do teu coração a bater, do teu peito a subir e descer enquanto dormias confirmando a respiração e descansando os meus temores nos últimos tempos, dos teus olhos brilhantes, do teu sorriso radiante e pobre de quem não saiba que os cães sorriem sim. Quero voltar lá atrás, para um dia qualquer destes últimos onze anos e encontrar-te feliz e saudável ao nosso lado, onde sempre estiveste. Queria voltar a passear contigo no jardim, dar uma volta nas hortinhas com o Byron, cheirar o Jonas e brincar com a Kira, lembrar o Rot e o Billy e até a Fiona e o Simba, cumprimentar o Cooper e o Fox e tolerar o jovem Sall com a sua energia estonteante e jovial e cumprimentar o Thor de fugida. Queria voltar a ver-te passear na praia com o Alex. Queria voltar a ralhar-te por andares sempre de nariz no chão à procura de restos de comida na rua e devorares tudo o que era porcaria como se passasses fome em casa. Queria atirar-te bolinhas no jardim, que depois tinha de ser eu a ir apanhá-las (nunca foste desses cães ágeis, atléticos e espertos que trazem a bolinha de volta para o dono a voltar a lançar. Normalmente corrias para a ir apanhar, mas depois largavas, entretendo-te de imediato com qualquer outra atracção perto do local onde a bola caía, fosse um pau, uma cana ou simplesmente o acto de arrancar erva com os dentes com um interesse fantástico e único. Queria voltar aos dias em que nos trazias da rua, uma bola velha ou um brinquedo esquecido ou perdido no meio da erva, e eu cansada, já desistira de te contrariar. Temos vários cá em casa, que depois de lavados, faziam e fazem parte dos teus brinquedos. Queria voltar aos dias de praia, aos dias que nadavas comigo no mar, em que paciente aguardavas que o Pipas partilhasse a merenda contigo, aos dias na piscina, onde não entravas mas do lado de fora jogavas à bola connosco lá dentro. Queria voltar aos dias em que acompanhavas a menina a correr no Parque de Santa Iria. Aos dias em que te sujavas de lama. Aos dias em que te plantavas à beira da mesa quando a avozinha tomava o pequeno-almoço ou a qualquer outra das refeições da família onde pertences e pertencerás para sempre, na esperança de alguém te dar um pouco de pãozinho ou de broa de milho que adoravas. Até aos dias por uma razão ou outra menos felizes, mas em que a tua presença me apaziguava e confortava de forma absolutamente única e genuína.

Mas não, a vida não anda para trás e assim como este comboio não anda para trás e jamais volta a passar num local e tempo onde já passou, nenhum desses dias volta, nem eu nem tu podemos voltar a eles.

Agora, hoje, neste exacto momento chamado presente, tu já cá não estás e está apenas um prato com frango cozido sobre a mesa da cozinha, e eu ao olhá-lo, choro, choro em silêncio porque assim tem de ser, mas com uma dor e desespero sem consolo possível, que nunca pensei que um prato de frango cozido sobre uma mesa branca de cozinha pudesse desencadear.

Não sei como voltará a ser a vida para todos nós, nesta casa, sem ti. Saberemos em breve.

Dormimos juntas a última noite. Lado a lado no chão. Ouvi-te sem falhar um minuto, a tua respiração, cada inspiração e cada expiração, o bater do coração, os movimentos peristálticos, tão pouco “poéticos”, mas é deles que é feito o cancro, de merda e de sangue, e de postas de carne viva a saírem de ti, de feridas e pus, de fluidos de odor nauseabundo, de podridão e decadência, de lágrimas de sangue, de olhos baços cansados. E se depois da decisão tomada na véspera ainda me surgiram algumas dúvidas ao fim do dia, hoje, depois de te acompanhar de perto, tão perto que mais perto só seria possível dentro de ti e acho que foi mesmo aí onde eu estive, dentro de ti, toda a longa e dolorosa noite, aos primeiros raios de Sol, todas as dúvidas se dissiparam. O teu bem-estar, o teu conforto, a tua alegria por viver, por estar cá, connosco, foram sempre, mas sempre a minha única prioridade e objectivo desde o início desta batalha. Mas a noite, com inúmeras interrupções em que tive de te ajudar a levantar para ires ao terraço fazer necessidades, os teus olhos sem vivacidade, a tua boca inflamada, tudo o que era mucosa quase em carne viva e a tua recusa em comer pela 1ª vez desde que travámos juntas esta batalha, deram-me todas as certezas de que estávamos a fazer o que tinha de ser feito. Já não estaríamos a prolongar-te a vida, mas sim a prolongar o teu sofrimento e isso eu não ia permitir. Não mais. Por isso, quando o dia clareou, só implorava que a Drª não demorasse muito mais para acabar com o teu sofrimento o quanto antes.

De 2ª a 6ª feira o cancro galopou desenfreado, qual besta desencabrestada, com uma velocidade que não acreditava ser possível, e nesta que seria a semana da tua 5ª sessão de quimioterapia, a batalha estava perdida. Se de início, em Janeiro, começamos o tratamento com quase toda a esperança do mundo, ao longo das semanas fomos percebendo que apesar de todos os nossos esforços e do teu corpo se manter relativamente forte e estável para continuar a lutar e aguentar o choque do tratamento, ele, o cancro, foi-nos sempre ganhando aos pontos, primeiro em silêncio e por fim da forma gritante e alarmante que descrevi. Sempre um passo à nossa frente e nós a corrermos atrás, reparando os danos, acreditando sempre que o dia seguinte seria melhor, e às vezes era. Até ele nos vencer por fim. Caímos derrotadas. E agora descansas, livre de todo o sofrimento.

Questiono-me de algumas coisas. E respondo-me. Se terá valido a pena toda esta luta? Claro que sim, se havia uma hipótese de sucesso, uma única hipótese em mil…tínhamos de tentar e lutar por ela. E nós lutámos! Juntas! Se deveria ter-te “libertado” mais cedo? Não, enquanto te senti “cá”, connosco, a lutar ao nosso lado, lutei contigo e nunca desisti de ti, por muito “fácil” e “confortável” que poderia ter sido para mim, acabar contigo e alegar para conforto do meu ego que “foi o melhor para ti” quando na verdade saberia que a verdade é que o teria feito por ser o melhor para mim, e eu, pus-te sempre em primeiro lugar e continuaria a fazer tudo de novo e mais que fosse, por ti, se soubéssemos que ainda havia esperança e que o saldo na balança era positivo. Se, se, se…Revejo minuciosamente todos os passos que demos lado a lado e faria tudo de novo, com a mesma esperança, com a mesma fé, com a mesma alegria que partilhavas comigo, que me ensinasse a sentir, por cada segundo de vida em que éramos felizes, só por estarmos aqui! Perante as adversidades, as partidas que a vida na prega, os desafios que nos lança e as provas que nos exige sem passar diploma no final, temos de erguer a cabeça, lutar, ter fé, esperança, munirmo-nos de todos os aliados possíveis e fazer o que tiver de ser feito com um único objectivo em mente: o teu bem-estar, a tua alegria de viver, o teu conforto, ignorando a dor que isso nos causa a nós próprios. Porque tu meu anjo, mereceste tudo de mim, e tudo de mim eu te dei. Até ao último dia.

Foram tempos duros, muito duros, a ver o cancro ganhar terreno, a ver-te degradar aos poucos desde Janeiro, ainda que com algumas conquistas a alimentar-nos a esperança para de seguida serem de novo resgatadas pelo cancro, e de forma assustadoramente rápida e sem dar tréguas ou ilusões, nesta última semana.

Foi uma prova muito dura meu amor e tu passaste com excelência até ao limite do possível. Lutaste com alegria e viveste com alegria, dando-nos lições de vida, ensinamentos básicos que esquecemos, tão simples como aproveitar a vida, dar o melhor de nós, lutar e acreditar sempre e ser feliz com o que temos e com o que a vida nos oferece e fazer os outros felizes e buscar neles o seu melhor também. E tu foste mestre e eu aprendiz. Só espero não te desiludir, ter estado e continuar a estar, à tua altura. E continuar a viver mais rica, porque me ofereceste quase 12 anos da tua vida, a fazer-me feliz meu amor. E perdoa-me por alguma que deveria ter feito de forma diferente e não o fiz porque não soube.

Foste o cãozinho mais doce e corajoso que conheci. E eu…fui só a tua mamã, aquela que ama, que cuida e privilegia acima de tudo e dela própria, o teu bem-estar. Sempre por ti, muitas horas, literalmente ao teu lado, até ao teu último suspiro.

Até já meu amor. Estás para sempre no meu coração.

 

Molly, 26-05-2009 – 09-04-2021

Roubada da minha vida pelo Linfoma Cutâneo, tipo T

 

Ps: Um agradecimento muito especial, directo do coração, ao Dr. José Martins (Hospital Veterinário de Berna) pela sua permanente disponibilidade, apoio, acompanhamento e orientação clínica e admirável humanidade; à Drª Sónia Ribeiro (VetLonga), por todos estes anos a acompanhar a Molly e …por tudo, à Drª Joana e à Drª Georgiana (Vip Pets), à Drª Sara; à Daniele e à Inês (VetLonga) e a todos que de uma forma ou outra estiveram connosco nesta luta desigual.

Aos amigos que fizemos, muitos sem nos conhecerem pessoalmente e ainda assim torceram por nós, a nossa maior gratidão

Até sempre Molly, meu anjinho