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segunda-feira, 4 de dezembro de 2006

2ª feira, 4 de Dezembro de 2006

Releio o que escrevi domingo de manhã, e interrogo-me com a certeza da resposta se não estarei apenas e só mais uma vez a agarrar-me a algo que ilusória e temporariamente me levanta do chão. Falsos valores, falsos objectivos, falsa força. É tudo isso que eu sou. Uma falsidade, enquanto não deixar finalmente viver a minha essência. Mas como também disse ontem: que importa? Sabemos nós o tempo que cá estaremos? Hoje estou quase bem assim.

Não corri nem fiz qualquer outra espécie de exercício físico. Mas estou contente. Parece que contribui um pouco para o renascimento da Lénia. Amanhã irei treinar com ela. 40 minutos é o que está combinado. A experiência dos treinos virtuais vai ser posta em prática.

Hoje, acho que não almocei nem jantei. Limitei-me a comer quando tive fome, e o resultado foi fazer nada mais nada menos que seis refeições, mas tendo em conta que foram “espalhadas” por cerca de 16 horas, não me parece nada prejudicial para a saúde, bem pelo contrário.

O que ingeri:

- Chá de ervas (cavalinha, sene, hortelã-pimenta, funcho) (logo em jejum)

- 1 chávena café com leite magro + Bolachas água e sal + 1 café

- 1 iogurte natural magro + 1 ovo cozido + 1 maçã

- 1 Barra de proteínas

- 1 iogurte natural magro + Bolachas de água e sal + 1 café

- 1 Barra de Proteínas

- Leite magro + Cereais integrais




Olhando para a ementa, acho que faltaram verduras e frutas. Só uma saborosa maçã verde. Foi pouco, e legumes nem os vi. A carne e o peixe foram perfeitamente substituídos pelas barras de proteínas e pelo ovo. Hidratos de carbono foram obtidos principalmente a partir das bolachas e dos cereais. Lacticínios estiveram bem presentes. Água não faltou entre as muitas refeições. Em relação aos lípidos, creio que para uma pessoa no meu estado, a gordura escondida mas efectivamente contida nas bolachas de água e sal, foi mais que suficiente.

Daqui a nada, talvez já amanhã comece a falar em provas. São sempre um incentivo para se treinar, um objectivo para de degrau em degrau, domingo a domingo, ir correndo, e dessa forma sentir-me bem. E está aí o tempo das S.Silvestres.

Amanhã outro dia. Voltarei.

domingo, 3 de dezembro de 2006

Domingo, 3 de Dezembro de 2006

Depois de cair, há várias coisas a fazer, entre elas:

Levantarmo-nos e tentar aprender para que não se caia de novo pelos mesmos estúpidos motivos.

Hoje pesei-me, depois dos disparates alimentares e outros que tenho feito desde a Maratona do Porto.

Estou farta de chorar em seco. Vou recomeçar tudo de novo.

Eu sem correr, estou bem pior do que quando corro. Em todos os aspectos. Sem correr, falta-me o ar, falta-me vida, falta-me saúde. Sinto-me mal, pesada, enferrujada e doente.

Por isso só há uma coisa a fazer: Recomeçar!

Porque correr dá-me saúde, pois se há matéria escolar que não esqueci foi a definição de “Saúde” pela Organização Mundial de Saúde: "saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência da doença".

E a corrida dá-me tudo isso, mais que não seja temporariamente. E se me dá temporariamente, diz a lógica que se correr muitas vezes, terei saúde muitas vezes, e pode ser até que a consiga fazer perdurar no tempo em que não estou a correr.

- Por quanto tempo essa vontade? Até voltares a cair? - Perguntarão em tom irónico e trocista os já experientes leitores dos meus dramas e tragédias.

E eu responderei:

- E que importa isso? Sabemos nós o tempo que duramos? Só sabemos que nada é para sempre, com excepção da morte, fiel e constante aos que estão consigo, para sempre! Tudo o resto é passageiro. O que importa é hoje, e amanhã que está já ali. Toda a nossa vida futura não passa de uma projecção fictícia que fazemos para nós próprios e para os outros, mas não passa disso mesmo, uma película de imagens. Só o hoje é real, assim como o ontem, que originou o hoje, e por isso é inalterável. Mas se não podemos apagar e alterar o ontem, podemos fazer o hoje, mesmo que este não seja mais que o reflexo do outro.

E eu hoje pesei-me! 61 Kg!

E eu hoje corri! 1h03m de corrida contínua lenta (5'30" a 5'40"/Km)

Objectivos: os de sempre! Embora com algumas variantes:

Baixar de peso:

1ª meta: 57 a 58 Kg
2ª meta: 53 a 54 kg
3ª meta: 50 a 52 Kg

Depois da última meta alcançada, segue-se o mais difícil, mas que por ora é cedo para falar: manter o peso.

E continuar a correr e a escrever. E a viver (às vezes sou vencida e esqueço-me).

Passará o blog também a ser um Diário alimentar, para não poder esconder e fingir que não aconteceu cada recaída que tenha.

Hoje ingeri:

-1 chávena café com leite magro + Pão torrado com margarina anti-colestrol, pois já tive esse valor elevado e demonstro uma tendência para tal. Nada como prevenir.

- 1 chávena café com leite magro + 1 Barra de proteínas

- Água com sumo de limão (a seguir ao treino)

- 1 Iogurte natural meio-gordo + 1 “bom” prato com: pescada cozida + 1 ovo + batata + couve portuguesa; a temperar: azeite

- 1 chávena de chá de ervas (cavalinha, sene, hortelã-pimenta, funcho) (ao deitar)

Hoje o dia foi pequeno, pois levantei-me não muito cedo, logo o pequeno-almoço foi quase à hora de almoço, e depois, para ir treinar ao fim da tarde não podia almoçar grande coisa, por isso hoje foi assim. Amanhã será bem diferente com o despertador a tocar às 6h10m da manhã.

Nota: Estão expressamente proibidos de tentar fazer em casa o que se passa neste blog. O meu exemplo só para mim serve! Durante um mês certinho, virei aqui expor tudo o que como, e semanalmente o meu peso, e sempre, o treino ou outro exercício físico que exerça.

Daqui a um mês terei alcançado a 1ª meta? Acredito que sim. É uma perda de peso sensata: 3 a 4 kg em 4 semanas. É que o que me interessa é perder gordura mesmo, não massa muscular. Depois, mediante os resultados, reajustarei as metas seguintes. Problema: atravessar o Natal e o Fim de Ano, com os excessos a rondar-nos, e toda a gente a querer que eu coma. Resistirei?

E uma coisa vos garanto: não vou ficar doente, fraca ou anémica, e estarei a comer bem melhor do que quando esqueço os cuidados alimentares que todos devem seguir e como que nem um alarve. Nessas alturas, por incrível que pareça, sinto uma falta de energia imensa, só digna dos desfavorecidos, doentes e mal nutridos. Por isso, há que comer menos e melhor.

Até amanhã a esta hora

Por vezes caímos. Caímos porque não temos nada e porque temos tanto que não sabemos usar. Caímos afinal, porque não sabemos viver. Porque nos falta o que não temos, mas também porque nos sobeja o que não sabemos usar. Por isso caímos.

E depois levantamo-nos e deparamos com as mesmas faltas e com as mesmas abundâncias dadas como inúteis. Apenas com mais feridas para lamber e sarar. Apenas com mais dor e mais ódio e pena, de nós mesmos, pelo que desperdiçamos e que parece nunca virmos a saber usar. Estúpida inteligência esta...
Caímos porque estamos frágeis e vulneráveis. Porque nos falta o pão, o amor e a saúde. Porque nos falta uma festa no rosto, um afago nos cabelos, uma noite descansada ou a ilusão de sermos amados, ou ainda a certeza de sermos queridos. Porque nos falta paz e o amor próprio. A eminência do fundo do abismo, leva-nos a querer agarrar algo, e esse algo nem sempre é o melhor. É a mesma queda sem darmos conta. Para o fundo, para esse mesmo abismo. Sem retorno. O pior de tudo é que eu estou consciente. A consciência é uma grande chatice. A embriaguez salvar-me-ia desta racionalidade inútil. Estúpida inteligência esta...

Falta-me correr. Esta imobilidade não me faz bem. Talvez por isso mesmo a admita e a procure deliberadamente apenas mal disfarçada com desculpas esfarrapadas. A auto flagelação dá-me o que eu mereço. Por isso caio. Por isso levanto-me só para cair de novo. O prazer da dor. Há outra forma de viver?

Eu sei que há. Até eu, em tempos, vivi feliz…

E lá diz a canção para nos embalar e fazer-nos acreditar que é possível... ainda:

“Muda de vida
Se tu não vives satisfeito
Muda de vida
Estás sempre a tempo de mudar
Muda de vida
Não deves viver contrafeito
Muda de vida
Se há vida em ti a latejar

Ver-te a sorrir, eu nunca te vi
E a cantar, eu nunca te ouvi
Será de ti ou pensas que tens
Que ser assim
…/…

Olha que a vida não,
Não é nem deve ser
Como um castigo que
Tu terás que viver
Olha que a vida não,
Não é nem deve ser
Como um castigo que
Tu terás que viver …/…”

Humanos

terça-feira, 28 de novembro de 2006

Há um livro para escrever. Inacabado. E para pintar também. Personagens brancas delineadas com um traço grosso a preto, esperam cor.

As palavras são escritas e apagadas consecutivamente. Escrevo de novo sobre o que escrevi, apago, volto a escrever, borro a tinta sobre elas e quase rasgo o papel ao tentar apagar.

Difícil este capítulo. Longo, já sem interesse e difícil da página virar. Escrevo. Insisto e não desisto, apesar dos retrocessos, do apagar com raiva até quase rasgar o papel para depois afinal escrever as mesmas frases, as mesmas lamúrias e ainda os mesmos sonhos.

Para as figuras faltam-me os lápis de cor. Tenho de pedir à minha filha. Na sua imensa mochila da escola, a avaliar pelo peso, de certeza que traz até o arco-íris inteiro e o céu atrás!

De tanto borrão neste papel amarelo, já muito poucos conseguem ler o que lá está escrito e descrito, tantas vezes a história alterou, avançou e recuou. Hoje, muito poucos me ouvem e são ainda menos os que me vêm quando me olham. A paciência esgota-se, e até eu estou farta de mim. Compreendo todos. Os que deixaram de me ouvir e de me ver ao olharem-me. Como os compreendo…

Mas sabe bem saber que ainda sobra alguém, que simplesmente… me vê, quando me olha.Correr? Já nem sei o que isso é. Tenho as vias respiratórias em chagas, o corpo debilitado e a cabeça pesa-me uma tonelada, o que me parecem razões mais que suficientes para não treinar sem ter quaisquer problemas de consciência pesada. O pior vai ser quando melhorar...

sábado, 25 de novembro de 2006



Árvore é uma planta lenhosa de grande porte.

A árvore é composta por raízes, tronco e ramos e folhas. Há muitas espécies de árvores.

No entanto, há características comuns.

Todas têm raízes que as seguram ao solo e através delas as árvores sorvem alimento e se mantêm vivas.

E um tronco ou caule, que serve fundamentalmente para suportar as folhas, flores e frutos e para transportar alimento desde as raízes para os órgãos aéreos da planta, o que lhe garante a subsistência.

As árvores constituindo florestas e bosques, desde sempre que apresentam uma grande ligação com o nosso imaginário, como morada de fadas e de duendes, de bestas imaginárias e reais, local de esconderijos e fantasmas, de criminosos e de corpos enterrados, resumindo, um local mágico de grande mistério e singular beleza.

Para muitos povos, culturas e religiões, a árvore foi no passado um símbolo místico, que representava a capacidade de renascer.

Hoje, eu gostaria de ser árvore para ter raízes e através delas me alimentar, e dar flor e fruto e dançar no céu, mas também borboleta e pássaro, para me transformar e para voar.

Mas eu sou só eu. Não tenho corrido nem voado.

Claro que já engordei de novo! Sem correr, e sem rédeas nos cavalos, tenho comido mais do que o necessário, e claro, a roupa volta a apertar. É impressionante a velocidade com que recupero peso. Pareço essa árvore inchada aí em baixo.Mas para além do resto, tenho andado com o aparelho respiratório afectado, pelo que me sinto incapaz de correr, mesmo quando posso, o que neste momento me serve perfeitamente de desculpa.

Por aqui ando eu, a fingir que sou árvore, pássaro e borboleta. E às vezes, por momentos, até parece mesmo que sou, e sou feliz nessa hora.

sábado, 18 de novembro de 2006

As Palavras e os Homens

Houve tempos em que me apaixonei por palavras e nelas acreditava. Outros tempos houve em que me apaixonei por homens e neles acreditei.

Hoje nem as primeiras nem os segundos me fazem apaixonar ou acreditar. Tão pouco as mulheres se tornaram alvo dessa entrega.

As palavras como os homens podem-nos embalar e seduzir. Fazer-nos sorrir ou chorar. Comover-nos ou enraivecer-nos. Alegrar-nos ou entristecer-nos.

Tempos houveram em que me apaixonei por palavras. E depois confundi as palavras com os homens. E depois descobri que há muitos homens de muitas palavras, mas muito poucos homens de palavra, e que “palavra de Homem” é na maior parte dos casos um logro total. Muito poucos se despem. Habituamo-nos a ver o superficial, o embrulho, as roupas e o corpo. E esquecemos que somos tudo menos isso. A essência dificilmente se alcançará se nos limitarmos a julgar e catalogar baseados nos acessórios, no superficial.

Hoje já não me deixo enganar (pelo menos com a mesma facilidade de há uns anos atrás) e as palavras e os homens são analisados num autêntico laboratório improvisado para o propósito, antes de assimilados e dados como factos efectivos e reais. O que também me faz correr o risco de não acreditar em nada e em ninguém e estar condenada para sempre à solidão, mas dá-me também a segurança e a garantia de não ser atraiçoada e enganada.

Hoje, um bom livro cheio de palavras ainda me consegue encantar. Vou com elas (as palavras) para a cama, deixo-me embalar e seduzir, e saboreio cada instante com volúpia divinal e com elas (as palavras) me esqueço do meu e do resto do universo e sou feliz por momentos, que poderão ou não perdurar no tempo de forma mais ou menos intensa e crucial. Já tem acontecido.

A par das palavras, estão os homens. Deito-me com eles, deixo-me embalar e saboreio cada instante com volúpia divinal, e com eles me esqueço do meu e do resto do universo e sou feliz por momentos, que poderão ou não perdurar no tempo de forma mais ou menos intensa e crucial. Raramente acontece.

Mais fácil perdurar no tempo as palavras que os homens. Elas pelo menos raramente me traem. Também é certo que as escolho para minha companhia, Já em relação aos homens, de certo, as escolhas não têm sido as mais inteligentes. E não me venham falar do coração, que deverá prevalecer sobre a razão.

Não é de todo inteligente ou lógico sequer, gostarmos (o que é isso, gostar?) de quem nos faz mal. Às palavras, servindo-me delas para um noite de insónia, de seguida abandono-as. Começo a fazer o mesmo com os homens. Sofre-se muito menos.

O preço que se paga é o da solidão. Mas de que vale a companhia que nos esfaqueia na primeira oportunidade? Ou pior, que procura a oportunidade para nos esfaquear? De que serve estar sozinho acompanhado? De que serve dormir com o inimigo? Ao menos às palavras, quando nos agridem ou maltratam, podemos sempre virar a página definitivamente. Ou até arrancá-la do livro e fazê-la desaparecer para sempre da nossa vida. Creio que aos homens também. Mas há imensos factores que tornam essa corajosa atitude difícil de tomar. E talvez até por motivos inconscientes, a adiamos até ao infinito talvez.

Tenho um amigo (dos poucos que assim considero) que acha que eu deva procurar ajuda psiquiátrica. Tens razão AC, mas antes disso há que fazer o que está ao meu alcance:

As atitudes que tomo e que me fazem nitidamente mal e eu tenho plena consciência disso, vou evitar ao máximo de as ter. Diz o AC: “mas se tiveres essa ajuda profissional, podes muito melhor controlar essas tuas atitudes”.

É verdade o que ele diz. Eu, é que ainda não sou corajosa o suficiente.

Corrida, diz aí em cima que isto é um blog sobre corrida? Ai pois é! É que as pessoas que correm são e têm exactamente o mesmo que as outras que não correm. E para além disso tudo, existe ainda na vida delas a Corrida. Por essa razão está isso tudo aí escrito em cima. De seguida passo a transmitir que não fiz qualquer tipo de exercício físico desde domingo passado na Meia da Nazaré. Estou a descansar…E preciso de inventar um objectivo, que neste momento não enxergo. S. Silvestre do Porto? Seria com certeza uma boa opção mas usar uma fatia demasiada grossa do meu orçamento nesse objectivo, parece-me exagerada para satisfazer esse desejo, o que acaba por tornar a coisa praticamente inviável. São momentos na vida das pessoas e eu até nem me posso queixar muito. Ainda não fui despedida à semelhança de colegas de vários anos.

É que isto de andar a correr país para correr, não é para qualquer um. Por motivos económicos e também familiares e profissionais (só para salientar alguns) isto… não é para qualquer um.

segunda-feira, 13 de novembro de 2006

Meia Maratona da Nazaré

A Sombra

Não sou mais que uma sombra.

Faço a Meia Maratona e pelo caminho cruzamo-nos com amigos que saudamos com gosto e que assim insistimos em chamar para nos iludirmos que os temos.

Excepção feita ao meu amigo António Pereira, que não por casualidade, me acompanha mais uma vez, do princípio ao fim da prova. Da partida à chegada. Obrigada António!

A prova inicia-se com a alegria vulgar, pois já vulgar é a alegria, não por ser frequente mas por ser ineficaz um segundo depois.

Os dois primeiros terços da prova são feitos com travões metidos (obrigada outra vez António), e depois como me sinto razoavelmente bem, deixo de ir tão devagar. Ai tenho a ilusória mas vertiginosa sensação de ultrapassar dezenas de atletas que parece que estão parados. Bem, ainda assim, apesar da nossa estonteante velocidade, houve outros que nos passaram…

Apanho a Estela dos Flecha. Pergunto-lhe pelo António Pinho que ainda não se tinha deixado ver:

- O Pinho está para a frente ou para trás?
- Está para a frente – diz ela – se esticares um bocadinho ainda o apanhas.

Esticar… Não estava assim tão bem para esticar e ainda faltavam uns sete ou oito quilómetros. Mas estiquei até apanhar o Pinho!

A dois passos dele (que ainda me foi difícil alcançar depois de o avistar), tenho o prazer de lhe dizer:

- Sr. António Pinho! É chamado à cabine de som! Onde pensa que vai?!

Acho que ficou contente de me ver e instiga-me a ir para a frente. Mas o passo dele era bom e não ia arriscar passá-lo para depois ser passada dentro de poucos quilómetros ou mesmo metros. Vamos com ele. A passada é boa e viva. “Tomara a mim mantê-la”, penso. O António Pereira vai à vontade, mas eu e Pinho temos quebras alternadamente, mas houve um esforço (de ambos) e nunca descolamos. Seguimos os três.

Talvez a uns quatro quilómetros da meta, o sol está precisamente nas nossas costas pelo que corremos com a nossa sombra à frente. Ali vão. Três indivíduos, três sombras.

Não desgosto da minha sombra. Talvez pelo ângulo do sol, a minha sombra não é tão gorda quanto eu. E dou por mim a gostar da minha sombra. “Já é um começo”, penso, mas depois comparo com as sombras deles. A do António Pereira mais à frente, como se ele fosse mais alto e não é), e a do Pinho por vezes a baixar-se no alcatrão como que a deixar-se ficar . Depois voltava a alinhar a sombra com a minha.

O Porto da Nazaré ao nosso lado, O mar ao nosso lado. E a sombra à frente, sempre uns passos à nossa frente. Inalcançável. Quando me calo depois de tentar puxar pelo Pinho mais uma vez, fingindo estar eu muito bem, olho de novo para a sombra e constato que só eu sou sombra. Eles são reais. Eu sou só uma sombra do que já fui e do que poderia ser.

Terá o sol de mudar de posição? (Bem que posso esperar, não é?) Ou deverei eu posicionar-me de forma diferente? Parece-me que a segunda opção é a mais inteligente.


Chegamos à meta os três juntos! 1h58m00s! Mais 10 minutos que no ano passado... Mas gostei! E muito!

sexta-feira, 10 de novembro de 2006

"Perguntei às violetas
Se não tinham coração
Se o tinham, porque escondidas
Na folhagem sempre estão?

Responderam-me a chorar,
Com voz de quem muito amou:
Sabeis que dor os desfez,
Ou que traição os gelou
?"











"Há sonhos que ao enterrar-se
Levam dentro do caixão,
Bocados da nossa alma.
Pedaços do coração!


Ai tirem-me o coração
Que o tenho todo desfeito!
Cada pedaço um punhal
Que trago dentro do peito."
















"COVEIROS, SOMBRIOS, DESGRENHADOS,
FAZEI-ME DEPRESSA A COVA,
QUERO ENTERRAR MINHA DOR
QUERO ENTERRAR-ME ASSIM NOVA

COVEIROS, SÓ O CORPO É NOVO,
QUE HÁ POUCOS ANOS NASCEU;
FAZEI-ME DEPRESSA A COVA
QUE A MINHA ALMA MORREU."




Florbela Espanca

1894: A 8 de Dezembro, nasce Florbela Espanca em Vila Viçosa.
1930: Em Matosinhos, Florbela põe fim à vida


"Examina-se diante do espelho e dizendo-se "grosseira e feia, grotesca e miserável" põe em dúvida se saberia fazer versos. Colocando-nos uma vez mais em face das contradições que a atormentam permanentemente e que exprime numa outra frase: "Viver é não saber que se vive".
…/…
Poucos dias antes de morrer interroga-se "que importa o que está para além?" Responde, repetindo o que diz no soneto A um moribundo: seja o que for será melhor que o mundo e que a vida.
A morte anunciada ao longo da sua escrita ocorrerá pouco depois. Põe fim à vida em 8 de Dezembro de 1930, dia em que faz trinta e seis anos, em Matosinhos, onde vive. Aí é enterrada sendo mais tarde trasladada para a sua terra natal.
Com a morte de Florbela, morre, não talvez a maior poetisa do seu tempo, mas uma das que mais agudamente e sem temor exprimiu as grandes contradições da sensibilidade feminina nas suas paixões. Ao mesmo tempo, com uma certa ingenuidade, impregnada das verdades simples ou complexas do que é a mulher, na convergência da cultura e do ser.
Que conduz Florbela para a morte?
Fernanda de Castro, em escrito citado por Carlos Sombrio, sintetiza a resposta: "Porque nunca soube pôr de acordo o seu corpo, o seu espírito e a sua alma".


Ver artigo completo em: http://www.vidaslusofonas.pt/florbela_espanca.htm (Vale a pena)

por ROLANDO GALVÃO

Nota: Se corri estes dias? É óbvio que não. Tenho vindo a caminhar, a pisar e repisar merda e lama. Patinho, e chapinho no estrume. Inevitavelmente aconteceu: Caí. Perdi o controlo e comi mais nesta semana do que nos últimos dois meses. Comida em quantidade e qualidade industrial que dá para alimentar um hipopótamo durante meses. Porque o fiz? É apenas mais uma forma de me destruir. Porque o faço? Não tenho bem a certeza. Porque o escrevo publicamente? Porque enquanto não me puder dar ao luxo de pagar a um "Bom" profissional de saúde mental, e tudo o que isso significa (horas roubadas ao emprego e/ou à filha, e a coragem de tomar uma decisão inteligente) o meu blog é o meu psicanalista, que me ouve e me obriga a ouvir-me. O que pensam de mim? Estou-me nas tintas!

Domingo, Nazaré? Já não sei porque vou nem se valerá a pena...

terça-feira, 7 de novembro de 2006


Desalento

Um velho problema. Não me conseguir amar. A insistência em me maltratar. A incapacidade de dar um passo, e se o dou trémula, a seguir recuo, medrosa, cobarde. Cobardia maior que a dos suicidas. Sem a cobardia suficiente para sair da vida, mas também sem a coragem suficiente para me ir embora num segundo, sem força para mudar, vou andando indiferente, definhando, anulando-me, maltratando-me, matando-me. É o que eu estou a fazer. A matar-me. Aos poucos, devagar, em silêncio e passando despercebida aos demais, sem força para o derradeiro impulso e sem a verdadeira coragem para dar a volta e mudar de direcção. Sem a verdadeira coragem (para viver) e sem a falsa coragem (para morrer). Sem nada afinal. Vazia apenas. Eu.
Porquê?! Porquê? Se eu vejo isto tudo e de tudo tenho plena consciência? Preferia mil vezes ser um burro e não me aperceber sequer do que me estou a fazer.

Olhar o Sol, tomar um café, ver as gaivotas e estar com uma amiga. Coisas simples mas gostosas. Onde está o gosto agora? O pouco gosto que existia em respirar, em correr, em estar viva. Olhar o mar? Rir? Onde está? Perdi-o. Talvez saiba onde o possa encontrar mas uma força qualquer que não consigo vencer impede-me de o ir tentar reencontrar. Continuo a punir-me, quase quase resignada. Resta ainda um ténue brilho lá no fundo, uma luz que me diz que é possível, que ainda não está tudo perdido (se estivesse nem sequer estaria aqui a gritar), mas está lá tão no fundo que não sei se algum dia serei capaz de a trazer cá acima.

Até quando?

Correr? Treinar? Para quê? Não, nem ontem nem hoje, e provavelmente nem nos próximos dias.

Domingo Nazaré. Irei? Sim irei. Porquê? Para me salvar do sono em que não se acorda. Por isso vou com certeza. Mas não é a solução, apenas um subterfúgio efémero. Depois voltarei para de onde não posso fugir: a esta casa e a este ser: voltarei a mim de novo.

“Coitada! Que falta de força de vontade” - pensarão muitos a esta hora. Mas muito poucos sabem do que estou para aqui a falar, e ainda bem que é assim.

domingo, 5 de novembro de 2006

Há um pouco de arco-íris no céu.

Negrume paira sobre a minha cabeça e pesa-me nos ombros como se de um fardo inevitável se tratasse, mas levanto os olhos e há um pouco de arco-íris no céu. Um pouco apenas, mas está lá.

Fiz as X Milhas do Guadiana em 1h26m45s, o que dá uma média de 5m25s/Km, o que não traduz exactamente o que aconteceu, pois cheguei aos 3 km com 15 min certinhos, aos 4 km com 20 min certinhos, aos 5 km com 25 e 12 segundos, e a partir daí pode-se adivinhar o que aconteceu para justificar a média efectuada.

E durante a recta desde a saída da ponte até Vila Real, fomos fustigados por um vento forte que nos impelia para trás. Até tive de tirar o meu boné se não corria o risco de ficar sem ele. Cabelos ao vento, sem um único no rosto, tal era a minha velocidade (corrijo: tal era a intensidade e fúria do vento).

Passo, sou passada, volto a passar, volto a ser passada. Não há nada mais frustrante do que ser ultrapassada por alguém que nós já ultrapassamos. Eu fico absolutamente fula e psicologicamente é como se me pregassem uma rasteira e me deixassem de rastos no chão com as mãos e os joelhos a sangrar. Às vezes ainda tenho força para me levantar, sacudir o pó e reagir. Por vezes recupero a posição perdida, muitas vezes, não. Isto no que respeita mais às mulheres, pois é com elas que mais posso chamar estar a competir, embora também não gosto da mesma situação quando se passa com indivíduos de sexo oposto ao meu, mas aí considero uma Competição paralela. Com elas, jovens ou menos jovens, é que quero marcar posição. No meio do pelotão, é só avistar uma lá à frente! Só lá não chego e não a passo se não puder!

Mas senti-me cansada. Muito cansada, quase exausta. Tão mal que me assalta um nó na garganta e me vêm as lágrimas aos olhos! Corro sozinha. Que faço ali? Contra o vento, contra o meu corpo que implora que eu pare. Porque estou ali? Com as costas das mãos limpo as lágrimas que nem atingiram sequer o meio do rosto e se misturam no suor. Há que controlar-me, o aperto intenso na garganta arrisca-me a deixar de conseguir respirar. Soluço baixinho. Ex-Companheiros de equipa passam por mim. Simpáticos e queridos uns, estupidamente indiferentes outros. Estou magoada. Física e emocionalmente. Parece que não vou superar. Mas superei. Volto a conseguir respirar de forma normal, e avanço colando-me ora a um ora a outro que me iam passando. Chego à meta. Vitoria? Vitória de quê? Que ganhei eu hoje? Gostaria de vir aqui fazer a apologia da alegria da chegada, mas não consigo. Hoje não ganhei nada para além do facto de passar mais um dia da minha vida e não ter ainda acabado com ela.

A Lénia Gamito e eu, no fim. Durante a prova, logo no início, deixei-a para trás, eu quebro e ela passa-me e depois acho que ela com pena de mim, me deixou voltar a passá-la...


E lá no céu, bem longe, quase inalcancável, muito ténue, continua um bocado do arco-íris para quem o quiser ver. E eu ainda o consigo ver, mas será que quero?

sexta-feira, 3 de novembro de 2006

Da janela do meu escritório vejo-os passar. Em grupos de cinco ou mais, ou sozinhos, quando se deixam ficar para trás. Sobem a rua ou descem a rua, em plena hora do dia, e no coração da cidade. Suponho que vão e venham das margens do Tejo, onde Lisboa é plana e os treinos podem ser feitos longe do trânsito. Quem me dera estar com eles. Ou sozinha. Quem me dera apenas.

É costume dizer-se que se deseja sempre o que não se tem. Ora aqui está um exemplo:

Engaiolada no escritório queria voar sobre a cidade, planar sobre o rio e treinar sob a luz do dia.
Impossível. Entre mim e eles há um vidro intransponível que poderia chamar barreira invisível mas razões várias impedem-me pois de facto o vidro é tudo menos invisível.

Ao fim do dia, subo as escadas do parque de estacionamento mas é como se as descesse. Já é noite. Cai sobre tudo um manto de névoa e humidade que me envolve também. Não caio eu, mas escorrego. Escorrego nos degraus húmidos e viscosos e frios. Pouco passa das seis da tarde. Subo os degraus lentamente e mais lentos do que eu atrevem-se enormes caracoletas a atravessar os degraus de pedra para procurar nova vegetação na outra margem da escadaria, ou quem sabe uma melhor vida. De cinco em cinco degraus encontro uma caracoleta. Corpo e corninhos esticados, com a enorme casa às costas, eles não se detêm e avançam no seu passo, no seu caminho escolhido e com convicção. Apenas um pé humano desatento ou por maldade os impede drasticamente de chegar à outra margem, onde novas urtigas, malvas e outra vegetação desconhecida para mim, se debruçam pelas escadas, ameaçando invadi-las e juntar-se ao verde semelhante da outra margem da escadaria. Tudo está coberto de humidade e uma névoa abraça-nos, envolve-nos como manta gelada e húmida que nos leva para o túmulo. Não é agradável.

E eu tenho frio. Procuro quem me leve a casa. O meu carro espera-me lá em cima e ele me levará. Só tenho de chegar a ele.



- Não, a Ana não vai treinar, tem a menina.

A Ana tem a menina sempre. E ai dela se não a tivesse. Jamais treinaria num outro mundo qualquer, pouco fantástico e frio, frio como o que sentem os que não têm casa e vivem eternamente no Inverno.
Morro sem morrer. Corro sem correr. 3ª, 4ª, 5ª e 6ª: não treinei dia nenhum.

Amanhã parto para o Algarve. Vou fazer as X Milhas do Guadiana.

segunda-feira, 30 de outubro de 2006


2ª feira, 30 de Outubro de 2006

Estão a ver essas calças aí em cima? Eu já coube dentro delas. E não foi assim há muito tempo…

Hoje, não sobem mais que meio da coxa… Se as calças encolheram? Não, eu é que aumentei de tamanho. Não, não cresci, engordei.

E hoje fiz uma coisa que já não fazia há imenso tempo: pesar-me. E fiquei horrorizada como facilmente acontece a 95% da população feminina.

Mas é que eu andei a ter (ainda ando) cuidados alimentares com o intuito de que essa atitude inteligente e saudável me ajudasse a perder peso. Em simultâneo, bem ou mal, andei a treinar para a Maratona, o que sempre significa umas boas horas a transpirar. E …agora, depois de me andar a conter para não comer uma Bola de Berlim cheia de creme há séculos, subo para a balança e… 59,200 Kg ?!

Bem, de facto perdi peso. Quando me atirei para esta loucura da Maratona o meu peso oscilava entre os 64 e os 65 kg, mas ainda assim, acho que já deveria pesar menos. Estou um bocado decepcionada com o peso e o corpo que ainda não entra nas calças em questão. Mas os tempos eram outros, o peso outro, as marcas nas provas outras bem diferentes das de hoje.

Podia dizer que não há nada a fazer, e resignar-me à situação num conforto tentador mas destrutivo, mas há! Quase sempre há alguma coisa a fazer.

Hoje, fui treinar ao final do dia: 41 min de corrida contínua a ritmo médio. Depois do treino senti-me tão bem que quase me senti mais magra.

domingo, 29 de outubro de 2006

Na véspera, em cavaqueira com o Antonio Pinho


Domingo, 29 de Outubro de 2006

O DEPOIS DA MARATONA
Acabaram as pipocas? O filme está prestes a recomeçar! Estão acordados? Retomem os vossos lugares.

Depois da Maratona do Porto, estive parada 5 dias, no sábado fiz 1h23m de corrida contínua lenta; no dia seguinte estou com uma dor intensa no pé (remanescentes da calçada tradicional do Porto) e volto a parar até 5ª feira, dia 26 Outubro, altura em que já me sinto melhor e faço 1 hr de corrida contínua.

Hoje, tenho a Meia Maratona do Algarve.

E hoje estou na Lua! Sim, porque não são apenas orgasmos bombásticos e o facto de pensarmos que somos correspondidos quando apaixonados, que nos deixam assim.

Passo a explicar: 5ª feira passada fui “dispensada” do Clube Sargento da Armada, porque desobedeci a uma ordem, e as ordens são para cumprir! Não fosse aquilo um clube de militares onde afinal impera mesmo o militarismo. Suspeitava-se que a 1ª prova do Troféu de Almada pudesse ser a 29 Outubro. A cinco dias de não se saber sequer se ia haver Troféu (era outra suspeita) , e se houvesse não se sabia se seria nesse dia, sou informada que ia mesmo haver troféu e ia mesmo ser a 1ª prova hoje, 29 Outubro.

Naturalmente eu desobedeci à ordem que era: “temos de nos manter disponíveis!”, quais tropas em tempo de guerra, quando a certeza era a incerteza em duplicado! Inscrevi-me na Meia do Algarve a 6 dias da prova, e logicamente quando o clube me informa da realização da 1ª prova do troféu, eu já estou inscrita no Algarve. Azar! Começo mal. A faltar a uma prova.

Azar maior (para quem?) é quando recebo em mão a carta com a dispensa/expulsão. E pronto, a partir de hoje não vou ouvir mais durante as provas pelo país inteiro: “Olha a Armada anda aqui; Cuidado com a Marinha; atenção que vai aqui uma Sargenta!).

Hoje, ao troféu faltaram imensos ex-colegas de equipa. Fico a pensar: irá o Clube Sargento Armada expulsar os seus atletas sempre que um deles se inscreva noutra prova quando até 5 dias antes não se sabe se vai haver prova do troféu? Correm o risco de ficar com 2 ou 3 atletas apenas, mas são políticas.

Já passei à frente! Porta fechada aqui, porta aberta ali!

Corri pela Espiral Run, que isto acaba-se um contrato aqui, começa-se ali! Não fosse eu uma atleta tão valiosa e requisitada.

E assim foi a Meia: 1h53m38s (O meu cronómetro é que vale!!!) Feliz, contente e alegre.

Começo a prova com a Lénia Gamito que ficou pelos 10km, e com o António Pinho, que acabou por ficar para trás.

Estava bem, mandei-me para a frente, e aos 13 estava um bocado rota. Faltou-me o meu amigo António Pereira para me conter o ritmo inicial e não me deixar ter estas quebras…

Cruzo-me com o meu amor e ouço: “Vais bem, mantém, tens poucas mulheres à frente, Querida!”

Ele, o “querida” não o disse, mas deve ter pensado, pois eu ouvi-o nitidamente e aquilo deu-me animo. Ainda ultrapasso mais uma atleta e venho a saber no final que o meu esforço valeu o 2º lugar no escalão (Vet. I - F) e o respectivo prémio de EUR 200,00!

Claro que a 1ª do escalão fez 1h35m e eu apenas tive a sorte de não estar presente mais ninguém.

Quase a cortar a meta

Mas esforcei-me e o meu esforço foi bastante recompensado, pois para além do lugar e do prémio, tirei nem mais nem menos que 9 a 10 minutos às últimas meias que andava a fazer! E isto 15 dias depois da Maratona, é excelente! Absolutamente excelente!

O pé? Está lixado o pé! A calçada que tivemos de correr em Monte Gordo não ajudou nada… Mas a cabeça? Está excelente! Nas nuvens! Com a Timmy (amiga da Lénia), 4ª sénior com 1h31m, a Lénia e eu

sexta-feira, 20 de outubro de 2006

6ª feira, 20 de Outubro de 2006
Já não falta nada para nada

Acabei a viagem que foi a 3ª edição da Maratona do Porto.

Hoje encontro-me sem destino. Mais do que de correr (ainda não corri desde a Maratona ) senti a falta de escrever.


E em vez de ir comentar nos “Comentários” dos que me dedicarem algum do seu tempo, a ler-me e “acompanhar-me” ao longo destes meses, e agora a felicitar-me, resolvi escrever tudo aqui, em primeiro plano:

Agradeço a todos, o tempo que alguns possam considerar perdido a ler-me, e a deixar-me comentários que por vezes foram cruciais e decisivos para a direcção que a viagem/história tomou. É que tudo é importante. Por vezes gestos tão simples podem mudar o curso de uma vida, só porque chegaram no momento exacto em que precisávamos deles. Alguns comentários tiveram esse poder. Aliás todos! Pois mesmo os negativos (que os houve para quem não tiver memória curta) tiveram também papel preponderante na minha atitude. Deram-me mais força! Para continuar a lutar. Para continuar a acreditar e para continuar a ser eu. Cada vez com mais força. Até a esses eu agradeço.

Hoje quero destacar alguns “comentadores”, mas não deixo de modo nenhum de valorizar os que não vou mencionar .

Assim, começo pela Helena(este ano) e Tatiana(ano passado) - do Núcleo de Psicologia do Desporto e da Actividade Física, Instituto Superior de Psicologia Aplicada, que no terreno me ajudaram (e de que maneira!), na véspera e no dia da Maratona! Para além disso agradeço a sua visita a este humilde espaço, e as suas palavras, que me tocam, principalmente quando estamos frágeis e as lágrimas parecem querer sair por qualquer coisinha; Para elas o meu sentido agradecimento e o sincero desejo de muitas felicidades para a vida, em todos os campos. Do que vi e senti, merecem! Tudo de bom para vocês e quem sabe até para o ano;

Não significando a ordem, a importância, pois é-me muito difícil ordenar, mas também não preciso, segue-se o António Pinho, que ao longo de já mais de um ano me tem seguido, de fórum para fórum, de fórum para blog, sempre ali, presente com palavras curtas mas valiosas. Obrigada António Pinho;

Carlos Viana Rodrigues, uma das pessoas mais íntegras, sensatas e coerentes, que soube sempre manter uma posição que muito admiro; obrigada Carlos! Do coração!

Joaquim Margarido! Tomou a sua posição, também íntegra e coerente, assim como o João Hébil. Para eles o meu obrigada.

Fernando Sousa, que debaixo de severas intempéries se manteve ao meu lado, quase até ao fim! Obrigada Fernando.

Álvaro Costa, que de uma forma mais real que virtual sempre esteve ao meu lado! Obrigada Álvaro.

Zen! Obrigada também. Foste importante!

Fernando Andrade, muitas vezes na sombra, só surgindo em causas dramáticas, em geral também senti o seu apoio. Obrigada Fernando

José Carlos Jorge, que afinal parece que me vem seguindo em silêncio mas que agora para o fim, mostrou-se à luz, incentivando-me! Obrigada José Carlos.


Aos que não conheço pessoalmente:

Lénia Gamito, recente nestas lides, deu-me também alguma força com as suas palavras. Obrigada Lénia.

Tartaruga! Um ser especial! Obrigada!


Aos que não conheço de todo:

Carlos Manta Oliveira, que me felicita hoje. Obrigada. Servir de inspiração a alguém para correr, é um valioso elogio. Serve para alguma coisa esta minha vida…(de corrida e de blog)

Ao José C. que gritou em plena maratona “Força Maria Sem Frio” – obrigada, aquilo demonstra que afinal tinha muito mais gente a “acompanhar-me” e a torcer por mim do que imaginava.

Ao Sálvio Nora que já não me pode ouvir, mas que esteve comigo neste Maratona sem sombra de dúvida. Obrigada Amigo, estejas lá onde estiveres.

E agradeço a todos os anónimos, a todos que me apoiaram, sem dar nas vistas e sem alarido. Uns sei quem são, e eles também sabem, outros continuarão na sombra.

O meu querido pai, que está sempre comigo. A minha filha que me alenta para eu continuar viva. A minha mãe que me facilita muitas vezes a logística dos treinos e das provas.

E por fim, mas não menos importante, o Eduardo Santos, que quer pela negativa (passado recentíssimo) quer pelo presente, muito me ajudou a chegar onde cheguei. A força que me deu para continuar (de forma involuntária ), e agora quando logísticamente me tornou possível treinar. Sem ele não teria conseguido. Obrigada Eduardo.

Isto parece uma carta de despedida. Não o é. Mas por ora apetece-me fechar o pano, correr as cortinas, fechar a porta. O espectáculo acabou. Ou antes, estamos no intervalo. Vão comprar pipocas enquanto eu não volto. Não vou demorar muito, que eu sei, pois preciso disto… O meu obrigada a todos e até breve

domingo, 15 de outubro de 2006

Feliz, a correr entre amigos! (foto de José Moutinho)


Uma Maratona Feliz

Domingo, 15 de Outubro de 2006
Falta um ano para a 4ª edição da Maratona do Porto
, pois a deste ano já está feita! E que bem feita…

Talvez pela mentalização da véspera, a frase “Dosear o esforço, gerir o esforço” tornou-se a palavra chave que me acompanhou durante os 42.195 m. E também: as razões porque estou aqui são as mais válidas que existem, são fortes como pilares, por isso eu cá estou e vou fazer a Maratona!

Parti sem grandes expectativas (apenas a pequena de conseguir fazer a maratona sem o sofrimento do ano passado e de alguns treinos que fiz aquando da preparação desta.

O Álvaro partiu comigo assim como o António (afinal partimos todos juntos não é?). O Luís Miguel estava perto mas depressa avançou e o Álvaro fica connosco. Vamos bem. A minha conversa na véspera com a Helena do Núcleo de Psicologia do Desporto e da Actividade Física, Instituto Superior de Psicologia Aplicada, estava muito presente na minha cabeça pois tirei dela (da conversa) valiosas ajudas práticas para a minha atitude face à distância e aos assaltos de pensamentos menos bons, e consequentemente teve uma importância vital no meu estado de espírito e desempenho. Estou-te muito agradecida Helena!

Corro lento, sempre a “Dosear o esforço, gerir o esforço”. Quero ir a um ritmo que seja suposto aguentar até ao infinito! E lá vamos nós, umas larachas cá para fora, para animarmos o parceiro e a nós próprios e cá dentro, bem forte: “Dosear o esforço, gerir o esforço – vou aguentar até ao fim!”

Vou Feliz! (foto de Fernando Costa)


Passamos à meia com 2h03m pelo que a manter o ritmo daria 4h06m.

Era lento é verdade, muito lento, mas eu comportei-me à altura. Mais uma vez obrigada Helena pela mentalização: abstrair-me do cronómetro, usufruir do percurso e do ambiente (tudo espectacular) e a razão, a razão porque estou ali, vai levar-me até ao fim!

Um companheiro do Porto (dorsal 416) acabou por nos acompanhar durante grande parte da prova. Um ou outro eram companheiros de ocasião durante alguns quilómetros.

Entretanto o Álvaro tinha também ficado para trás. Não insisti. Cada um tem de ir no seu próprio ritmo. Não se brinca numa maratona. Erros desses, tipo acompanhar “A”, “B” ou “C” durante uns minutos acaba por nos ir ser cobrado e bem mais à frente. Cada um por si!

- António, eu ignoro que tu aí vais, quando quiseres ir para a frente vais, ok?

O António acabou por me acompanhar do princípio ao fim! A par da vida, numa corrida os amigos e parceiros são sempre de ocasião, salvo raras excepções. O António foi a excepção naquela maratona (assim como eu o fui para ele). A partir talvez do quilómetro 32 ou 34 ficamos só os dois (o nosso companheiro de ocasião – dorsal 416) fica com caimbras e abranda. Nós seguimos.

Muito apoio do público e de amigos e conhecidos e até desconhecidos, em prova!

A caminho da Afurada, ao cruzarmo-nos com os atletas que já vinham para cá, ouço:

- Força Maria Sem Frio!!!!!

Nem vi quem era e mesmo se visse, provavelmente não conheceria… é no que dá ter um blog e ser eu, como sou, com as melhores virtudes e os piores defeitos, que ainda assim levaram a que muita gente me acompanhasse nesta viagem até à Maratona do Porto. Ilusoriamente acompanhada durante a minha preparação, mas realmente muito feliz na prova, pois efectivamente senti-me acarinhada e muito apoiada. Por gente! De carne e osso!

Ao passar o Km 28 uma ténue nuvem negra passou por cima de mim, mas ia alta, e isto foi só porque foi nesse km que no ano passado se me acabaram as energias (vulgo Berro ou Estoiro), mas este ano não, esse pensamento não passou de uma triste memória que depressa atiro para trás das costas, e continuo a dosear o esforço, gerir o esforço.

Muita gente ausente esteve presente no meu pensamento. Esses, só por ter a certeza que me estimam e me querem bem, estiveram comigo ao longo da prova, e muito me ajudaram também a conseguir. Levei-os comigo e olhando o céu, estavam todos lá, a ajudar-me! E eu consegui!

Por esta altura, simplesmente por irmos mantendo o ritmo ou aumentando-o um ínfimo que fosse, fomos alcançando atletas que estavam já a abrandar e facilmente se deixaram apanhar. A competição é sempre connosco, mas… se puder passar alguém, ai que não escapa não! E assim lá fomos avançando com optimismo e força nas pernas.

Tudo muito bem até ao km 36 ou 37, onde pela primeira vez (em 4 maratonas) me deparei com “O Muro”, esse monstro de betão tanto falado! É que nas anteriores estava muito melhor preparada e com muitos mais quilómetros nas pernas. No ano passado estoirei aos 28 por autêntico Estoiro de quem não soube “dosear o esforço, gerir o esforço”. Este ano doseei e geri muito bem o esforço, mas faltavam-me treinos longos, pelo que obviamente me deparei com aquela parede de tijolos!

Mais força Ana, mais força! As pernas são já autónomas e eu só tenho de lhes dar toda a força que ainda tenho. Porque estou aqui! Porque quero estar aqui! Vou fazer esta Maratona! Os passos vão-se sucedendo e pelo Km 39, 40 estava o muro ultrapassado!

Mais amigos e vozes amigas! Estou melhor! Agora é ir para a meta! Conseguimos António, conseguimos!

Aquela subidazinha custa, mas faz-se! Com força e vontade faz-se, até ao fim de mais de 40 km!

Chego à meta. Esperam-me amigos e os meus companheiros da vida, aqueles que estão sempre ao meu lado: o meu pai e a minha filha! A Helena está lá também! Fala comigo! Um amor de rapariga, e a ver pelo seu empenho e interesse irá longe no plano profissional. Continua assim miúda!!!

Acabamos com 4h04m58s! No meu cronómetro, que para mim esse é que vale!

a poucos metros da meta (foto de António Melro)

Verifica-se pois uma prova muito homogénea. Um ritmo praticamente constante, um nadinha de nada menos lento na 2ª meia! Foi a minha pior marca na Maratona (estava em 4h04m35s em paris 2001 – a minha primeira), mas isto não tem importância. Fiz o que me propus. Acabei a Maratona no tempo possível para a preparação física que tenho de momento. Melhor seria impossível.

Há dias dizia: “Se fosse só corpo diria que faria a maratona em 4h10m (ou talvez menos) sem dificuldade de maior.”

Hoje digo: “Se fosse só mente diria que poderia ter feito a maratona em 3h50m ou menos” – mas somos um todo, e embora a parte psicológica estivesse excelente, o corpo não tem a preparação física necessária para baixar das 4 horas.

E foi assim que acabou a história da Maria Sem Frio Nem Casa e da 3ª Maratona do Porto…

Deixo-vos com os The Doors (as portas) que se fecham mas também se abrem. E a vida está cheia de portas:

The Crystal Ship

Before you slip into unconsciousness
I'd like to have another kiss
Another flashing chance at bliss
Another kiss

Another kiss

…/…

Como eu gostaria de ter alguém que me disseste isto antes de eu partir…

NOTA: mais fotos desta minha aventura que foi a 3ª Maratona do Porto no meu album de fotos:

http://www.pbase.com/mariasemfrionemcasa/galleries

sábado, 14 de outubro de 2006

Sábado, 14 de Outubro de 2006
Faltam apenas dez horas para a Maratona do Porto

A viagem para o Porto, a chegada ao hotel, a visita à feira, o levantamento dos dorsais, o rever amigos e conhecidos. Muito agradável. Sempre. Uma lição de Orientação, dada de forma absolutamente apaixonada pela modalidade, pelo Fernando Costa (foto de José Moutinho - obrigada)

Tem a Maratona do Porto um stand na feira de Apoio Psicológico ao Corredor. Um serviço disponibilizado aos atletas, que eu considero muito interessante. Jovens do Núcleo de Psicologia do Desporto e da Actividade Física, Instituto Superior de Psicologia Aplicada, muito empenhados no que fazem avaliam o resultado de um pequeno questionário que os atletas preenchem e falam connosco numa atitude que nos leva a rever e perceber o porquê de estarmos ali, os nossos objectivos, a nossa motivação, a auto-confiança, o apoio social e a ansiedade, e o que e como poderemos fazer para ultrapassar obstáculos que nos possam dificultar a prova.

O mais curioso é que se lembravam de mim! Como é possível? Recordo-me de facto do extraordinário empenho e dedicação da jovem que falou comigo no ano passado, Tatiana, que este ano está no México, disse a colega que conversou comigo hoje, Helena, uma jovem bonita de olhar meigo e expressivo e que foi igualmente extraordinária na forma de abordagem, pois no ano passado, durante a prova, não é que a Tatiana lá estava em vários pontos a puxar por mim, e no final voltou a falar comigo? Achei extraordinário!

No ano passado eu estava num estado totalmente oposto ao deste ano. Estava optimista, nervosa, ansiosa, agitada, animada, motivada, com objectivos específicos (melhorar a marca que se situa ainda nas 3h49m), e este ano estou… tudo o que é oposto ao anterior, o que pode não ser totalmente negativo.

Passo a explicar: se nada espero porque estou desanimada e desmotivada, estou também pela primeira razão, serena e calma. Sendo o único ponto positivo ainda uma boa dose de auto-confiança – sei porque aqui estou e sei que sou capaz - (é o que me safa….a ver vamos), posso utilizar essa calma e serenidade como um trampolim para me ajudar a fazer a prova.

Tentar desligar-me do cronómetro e usufruir do percurso e do ambiente. Serei capaz?

No questionário à pergunta “Quanto tempo pensa fazer?”, respondi 4h12m, mas acho que foi mais um desejo do que aquilo que realmente penso. É que quase tudo pode acontecer: correr tudo muito bem e fazer 4 horas, ou o caldo entornar-se e bem, e acabar literalmente a rastejar com o tempo perto das cinco horas.

Para o “caldo se entornar” o que é preciso? Que me arme em parva e ande a abrir nos primeiros quilómetros para rebentar a qualquer momento, num estoiro monumental e gatinhar até à meta a chorar por dentro e por fora.

Que fazer para evitar isso? Dosear o esforço, gerir o esforço. Dosear o esforço, gerir o esforço. Dosear o esforço, gerir o esforço. Dosear o esforço, gerir o esforço. Dosear o esforço, gerir o esforço. Dosear o esforço, gerir o esforço…

Vou dormir… Até amanhã

quinta-feira, 12 de outubro de 2006


5ª feira, 12 de Outubro de 2006
Faltam 3 diazinhos para a Maratona do Porto

Lá fora fez sol, cá dentro continua escuro
Lá fora é dia, cá dentro uma névoa cobre tudo
Lá fora já há estrelas quando anoitece de novo
Cá dentro o céu continua sem estrelas
Lá fora já não chove, cá dentro as lágrimas existem sem se soltar
Lá fora, corri 52 minutos em ritmo lento, cá dentro estive parada

Lá fora tive companhia para correr, cá dentro continuo sozinha acompanhada.

Não é justo nem merecido para ele. Fez-me tudo. Tratou-me da filha, do jantar (que ele levou), lavou a louça e limpou a cozinha, enquanto eu adormeci sobre a mesa, repousando o corpo e o vinho inebriante, que anestesia, fazendo-me caminhar propositadamente para uma inconsciência consciente, absolutamente provocada e intencional, e até me colocou a mão na testa para me ajudar a suportar o peso da cabeça (e outras coisas que pesam bem mais, mas que não são o que estão a pensar) enquanto me desfaço do jantar inteiro para a sanita, num vómito que funciona como purga, acto de limpeza, como se junto com a comida pudesse me expulsar a mim própria, limpar-me, esvaziar-me até não ter nada cá dentro e fazer-me renascer de novo, criar-me, construir-me…um ser novo…

quarta-feira, 11 de outubro de 2006

4ª feira, 11 de Outubro de 2006
Faltam já e apenas 4 dias para a Maratona do Porto


Fora e Dentro

Lá fora escurece rápido. Aqui dentro escurece rápido também.
Lá fora chove. Aqui dentro chove também.
Lá fora está frio. Aqui dentro está frio também.
Lá fora já a noite caiu sem estrelas. Aqui dentro é noite sem estrelas também.
Lá fora estou só. Aqui dentro só estou.
Lá fora não corri. Aqui dentro também não corri.
Lá fora parei. Aqui dentro paro.
Lá fora morri. Aqui dentro morro também.

Resta-me esperar que amanhã nasça o dia. E que aqui dentro o dia nasça também.
Que o sol brilhe lá fora. E que aqui dentro brilhe o sol também.
Que eu corra lá fora. E que corra cá dentro também.

Sem força, por agora, resta-me esperar com a resignação própria dos derrotados, que sabem que serão sempre degolados e queimados vivos, dêm lá as voltas que derem... (não, é claro que não estou a falar da Maratona), e assim será por uma simples e cobarde razão: deixarem de ser eles próprios... incapazes de alterar o rumo do seu barco mesmo que seja evidente que este se precipita contra a ravina fatal...

Gritos de ajuda. Socorro... Ninguém me ouve. As pessoas passam indiferentes e alheias na rua, distraídas a ver as montras e incomodadas pelos moribundos estendidos no chão no meio de excrementos e sangue e urina, tudo fresco como nos melhores hipermercados onde as famílias passam os domingos.

sábado, 7 de outubro de 2006

É assim que se fica depois de 2 horinhas a correr!

Domingo, 8 de Outubro de 2006
Faltam só só 7 dias para a Maratona do Porto

Depois de Ovar, não corri nem 6ª feira nem sábado. Corri hoje.

Depois de um dia na horizontal (não, não foi a fazer aquilo em que estão a pensar, mas também não vos vou dizer a fazer o quê ou porquê), lá saí da cama ao fim da tarde e fui com o Eduardo Santos até ao Estádio Universitário de Lisboa.

E perto das cinco e meia lá começamos o treino. 2 horas de corrida contínua, lenta é certo, mas menos lento para o final o que significa que me ia a sentir bem, bastante bem.

Bastante bem para 2 horas, o que deve equivaler a qualquer coisa muito perto da meia maratona apenas.

Daqui a uma semana, depois deste “treino” teria outro de igual distância para fazer. Como reagirá o corpo e a mente? A resposta é: “não sei”.

Que tempo espero fazer? A resposta deve situar-se entre as 4 e as 4h20m. A tolerância é -2 a ­+ 40 minutos. Dentro desta tolerância tudo pode acontecer.

O treino de hoje foi bom. E quando digo bom em termos físicos (que deve ser no que a maioria pensa, em músculos, respiração e força), consequentemente é excelente em termos psicológicos e eu funciono muito em função dessa parte, da psicológica. Se estiver bem psicologicamente a resposta à pergunta anterior pode ficar bem perto do valor mínimo, mas se antes ou durante o percurso a mente falhar e entrar por onde deve, o que é fácil acontecer durante 42,195 km, então até talvez seja ultrapassado o valor máximo da tolerância. Se fosse só corpo diria que faria a maratona em 4h10m (ou talvez menos) sem dificuldade de maior.

Mas como vocês sabem, para além do corpo, há muitos outros factores que nos influenciam numa prova.

Vou-vos fazer uma confissão: Estou “morta” que isto acabe. Maratona não será tão depressa, mas novos objectivos começam a nascer. É porque parar … é morrer, e eu apesar de por vezes parecer… não quero morrer!
Reparem na t-shirt molhada (na minha é claro!!)! É mesmo suor, não me mandaram um balde de água pela cabeça abaixo, nem fiz xixi nas calças! Agora reparem no Eduardo! Pobre Eduardo! Para correr à minha velocidade tem de levar 2 t-shirts e é se quer suar um bocadinho.... obrigada Eduardo, só tu é que me aturas... mas eu mereço!!

quinta-feira, 5 de outubro de 2006

Ainda 5ª feira, 5 de Outubro de 2006
Faltam os mesmos 10 dias para a Maratona do Porto

Depois da Meia Maratona de manhã, fui tomar um bom banho, arranjei-me e fui para o 1º Encontro do Fórum Mundo da Corrida RunPorto.com.

A coisa, do ponto de vista objectivo esteve muito bem, e mais ainda se nos lembrarmos que foi o primeiro!

A organização do Encontro está toda de parabéns, tendo cada um a sua quota-parte de contributo sem a qual a coisa não seria possível.

Muito positivo, deu para o sério e para o simples(?) e salutar convívio entre amigos, e novos amigos que se descobrem.

Pois o que quero contar aqui é a minha experiência, única e inigualável como a dos demais certamente.

Sem ter tomado qualquer tipo de droga, acho que passei para uma estranha dimensão qualquer. Claro que também houve momentos “normais”, de conversa fluida e agradável, onde ainda me fez recordar que existem homens e mulheres bons, de bom coração, puros, etc.

Bem, um facto é que raramente conhecemos as pessoas o suficiente para podermos afirmar tal leviandade. Parece que a melhor forma de estar na vida talvez seja mesmo conhecer o outro, mas apenas …até ali. Pois se passarmos para o mais íntimo e profundo de cada um, as probabilidades de desilusão (mediante o que nos foi já dado a parecer ser) são enormes.

Assim, redescobri que há homens com H grande. Não, não, não, isto nada tem a ver com sexo, pois se esse item é levado em consideração então é que o homem deixa de ser gente sequer, para ser uma autêntica besta ou verme rastejante!

Bem o que quero dizer é que até onde já conheço ou até onde conheci naquele dia pessoas novas (homens e mulheres) me fez ter de novo a esperança de que ainda vale a pena. Amizade, sinceridade, franqueza, lealdade, respeito, consideração, integridade, coerência, altruísmo, valores que muito considero e que talvez ainda existam. Só por isso foi bom. Levar-me de novo a ter esperança. No quê, hão-de perguntar. No ser humano.

Mas talvez essa sensação se deva somente porque fui apenas até à linha que não se deve ultrapassar dentro de cada ser. Mas assim as coisas estão bem. Conhecemos o suficiente de cada um. Mais para quê? Para descobrirmos os monstros que por aí andam? Já me chega os que conheço demasiadamente bem.

Bem, a viagem absolutamente alucinante que tive começou quando estava sentada na sanita ainda sem ter comido nada depois da prova, com a cabeça à roda entre os joelhos, sem saber muito bem se me resolvia a vomitar ou a defecar, e ouvir uma voz masculina (eu estava no wc das mulheres note-se) a reclamar com a mulher porque esta não lhe tinha trazido peúgas para trocar e isso parecia que teria sido tarefa a ela destinada pelo que o grave erro era de sua responsabilidade. Quando a coisa acalmou cá fora e lá dentro (já me sentia melhor) atrevi-me a sair e surpreendida pela presença ainda da senhora responsável do fatídico erro, só lhe consegui sorrir de forma simpática, o que foi de imediato retribuído.

Algum tempo depois, um marido fala animadamente sem parar sobre corrida, corrida, corrida, corrida, corrida, o que até estava a ser interessante para a maioria presente na mesa, mas mediante a resposta da esposa quando solicitada por um terceiro elemento para responder se ela também corria, ela só diz:

- Não, para ele correr…não posso correr eu. Há filhos, uma casa, uma vida extra corrida. Ele está sempre ausente. Alguém tem de estar presente para os filhos. A Mãe está!

O marido falador meteu a conversa no bolso e não mais se ouviu o resto da tarde.

Depois ainda alguém (que me acaba de conhecer) me acha com cara de boa ouvinte ou psicólogo barata, e vem para cima de mim descarregar um camião de problemas de uma vida inteira. Graves, bem graves por sinal. Por humanidade ouvi-o atentamente e disse as únicas palavras que poderia ter dito. Mas as coisas, quando são assim graves, não é com palmadinhas nas costas e palavrinhas amigas que se resolvem. Problemas do foro psicológico graves necessitam da intervenção de um profissional atento e interessado, o que nem sempre se tem a sorte de encontrar. Aquela longa conversa que efeito terá tido no indivíduo? Talvez nunca o venha a saber. Mas como há uma ínfima hipótese de o ter de alguma forma ajudado, não sinto que tenha perdido tempo. Daqui a uns tempos procurarei notícias.

E o filme acabou. Homenagearam-me como participante com algum relevo e importância no último ano no fórum, e recebi essa coisa aí abaixo. O que vale é que as palavras do Fernando Andrade e do Carlos Viana me convenceram pois vindo de quem vieram só podem se verdadeiras. Obrigada!



Mais fotos do dia no meu album de fotos: http://www.pbase.com/mariasemfrionemcasa/
5ª feira, 5 de Outubro de 2006
Faltam somente 10 dias para a Maratona do Porto

Hoje foi a 18ª edição da Meia Maratona Cidade de Ovar

Estive lá. Tive um acolhimento e tratamento acima de cinco estrelas. Ao AFIS, nas pessoas do Joaquim Margarido e do Manuel Ramos, deposito todo o meu apreço e reconhecimento pela forma como me trataram.

O Joaquim Margarido, conhecimento mais recente, mas não menos rico, e o Manuel Ramos, conhecimento de vários anos, são duas pessoas que tenho em elevada consideração.

Às vezes há pessoas com as quais sentimos uma empatia fora do comum. Uma dessas pessoas é o Manuel Ramos. Corro o risco de todas as interpretações possíveis e imaginárias com esta frase, mas preciso de o dizer, este espaço é meu, e se o que pensam ou dizem de mim se sobrepusesse aquilo que sou e que acho importante continuar a ser e a dizer, já tinha desaparecido. E como podem constatar, não é o caso. Continuo viva e até me atrevo a dizer: Viva e recomenda-se!

Para ele todo o meu carinho especial, os meus parabéns sinceros pela 18ª Meia Maratona Cidade de Ovar, e os desejos de tudo lhe correr bem!

E pronto! Já disse!

Agora, eu e a Meia:

A marca foi uma porcaria. 1h59m03s. Corri na companhia do António, meu amigo e companheiro de treinos e de equipa. Começamos devagar para acabarmos devagar na mesma mas não tanto.

O tempo estava excelente, o percurso muito agradável, a partida ordeira , as ruas de Ovar acolheram-nos da forma habitual: calorosa! Sente-se carinho ali! É uma prova bonita, bem organizada, onde os atletas se sentem, e são, bem tratados!

No fim apanhamos o Fonseca Santos e a Célia Azenha. Acabamos juntos. Daqui a dez dias estaremos os quatro na Maratona do Porto. A certeza de hoje, a incógnita de amanhã. Nunca sabemos. Acabei contente e bem, apesar da marca…

segunda-feira, 2 de outubro de 2006

3ª feira, 3 de Outubro de 2006
Faltam apenas e tão só 12 dias para a Maratona do Porto

Tenho pena que isto acabe. Mas a seguir a isto, mais virão. Assunto para me libertar nunca me há-de faltar.

Hoje, preparo-me para partir. Não treino desde 6ª feira passada e não se prevê que venha a treinar amanhã.

Depois, 5ª feira, dia 5 de Outubro vou fazer a 18ª edição da Meia Maratona Cidade de Ovar, prova pela qual nutro um especial carinho, por razões especiais mas que são só minhas.


Em Ovar, ainda a correr pela Palissy Galvani, Outubro 2002, época em que de forma enganosa e ingénua me julgava feliz, o que me faz questionar agora e sempre: somos felizes mesmo ou não passamos de tontos que pensam ser felizes, visto raramente estarmos na posse de todos os dados que compõem a realidade?


Assim, preparo-me já hoje para partir. Partir para Ovar. Malas à porta com o necessário se é que não me esqueci de nada. Só quando lá chegar descobrirei, se entretanto não me recordar de nada por ora esquecido.

Amanhã cedo, o despertador tocará pouco depois das 6. Um dia de trabalho me espera, e à noite, depois de preparar a filhota, dar-lhe jantar e “depositá-la” onde também a amam, vou pegar no meu pai e partirei para Ovar, onde espero dormir umas horas descansadas (não serão muitas de certeza) antes da prova.

Depois, haverá o Encontro do Fórum, que não perdia nem por nada, depois de tantos episódios, interessantes uns, escaldantes outros, cómicos outros, e felizes e infelizes também não faltaram.

Ao fim de um ano, quero ver ao vivo, no que isto deu. Como simples e anónima assistente, já que isto de participação activa, por razões conhecidas de uns e desconhecidas de outros, são águas passadas. Hoje, sou um mero utilizador, que como a palavra indica, utiliza o fórum.

Mas é capaz de ser interessante. No meio de uma centena de pessoas, haverá sempre alguém interessante para se conversar, aprender e conviver. Talvez assim seja.

Como um amigo me disse há bem pouco tempo: não devemos esperar muito das coisas e das pessoas, pois o risco de desilusão é elevado. Se pouco ou nada esperarmos, talvez sejámos positiva e agradavelmente surpreendidos.

Em termos gerais da vida, acho que é uma excelente filosofia de vida. Corremos o risco de não sermos agradavelmente surpreendidos mas seguramente evitamos uma pancada seca, protegendo-nos desta forma de uma tremenda desilusão.




2ª feira, 2 de Outubro de 2006
Faltam apenas 13 dias para a Maratona do Porto

Às vezes estamos tão perto e ninguém se apercebe. E por vezes nem nós próprios nos apercebemos e aí é que começa o perigo. Quando nós próprios não nos apercebemos de quão perto estamos. A facilidade de tornar tudo real, irreversível e irremediável. Essa facilidade assusta-me. Um único gesto necessário…

Não podemos acabar de vez com isto tudo? Eu sei que sim. Não procuro gritos a implorar para que fique. A vida é mesmo assim. Quem está está, quem foi, foi. A diferença é nenhuma. Mas uma única coisa aqui me prende. Só isso me impede de partir. Mas estou assustada.

A ponte tantas vezes atravessada. O uivo do vento e o silvo dos carros que passam e o balançar dos próprios ferros da ponte à noite. Um convite que a morte nos estende todos os dias e em todos os lugares. Eu queria só ser uma pessoa normal, como já soube ser. E feliz.
Leião, 1997

domingo, 1 de outubro de 2006


Domingo, 1 de Outubro de 2006
Faltam apenas 14 dias para a Maratona do Porto

Atropelamento

Há dias em que ao acordamos temos a nítida sensação que nos passou um camião por cima. Um TIR, com a carga máxima a ultrapassar várias toneladas.

Fomos tolhidos, esmagados e totalmente esborrachados. Ossos disformes, incluindo o crânio, e as entranhas escapam-se-nos pelos golpes profundos no ventre, tórax, membros e cabeça, e espalham-se agora pelo asfalto até voltarem a ser pisadas e repisadas por grossos pneus a alta velocidade, até se tornarem num tapete seco e original, totalmente paralelo à estrada, do qual já poucos automobilistas se desviam. Não terá já mais de poucos milímetros de espessura a esta hora. E dentro de dias, ninguém já vai notar o que ali se passou.

Levantarmo-nos? Como?