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sábado, 7 de outubro de 2006

É assim que se fica depois de 2 horinhas a correr!

Domingo, 8 de Outubro de 2006
Faltam só só 7 dias para a Maratona do Porto

Depois de Ovar, não corri nem 6ª feira nem sábado. Corri hoje.

Depois de um dia na horizontal (não, não foi a fazer aquilo em que estão a pensar, mas também não vos vou dizer a fazer o quê ou porquê), lá saí da cama ao fim da tarde e fui com o Eduardo Santos até ao Estádio Universitário de Lisboa.

E perto das cinco e meia lá começamos o treino. 2 horas de corrida contínua, lenta é certo, mas menos lento para o final o que significa que me ia a sentir bem, bastante bem.

Bastante bem para 2 horas, o que deve equivaler a qualquer coisa muito perto da meia maratona apenas.

Daqui a uma semana, depois deste “treino” teria outro de igual distância para fazer. Como reagirá o corpo e a mente? A resposta é: “não sei”.

Que tempo espero fazer? A resposta deve situar-se entre as 4 e as 4h20m. A tolerância é -2 a ­+ 40 minutos. Dentro desta tolerância tudo pode acontecer.

O treino de hoje foi bom. E quando digo bom em termos físicos (que deve ser no que a maioria pensa, em músculos, respiração e força), consequentemente é excelente em termos psicológicos e eu funciono muito em função dessa parte, da psicológica. Se estiver bem psicologicamente a resposta à pergunta anterior pode ficar bem perto do valor mínimo, mas se antes ou durante o percurso a mente falhar e entrar por onde deve, o que é fácil acontecer durante 42,195 km, então até talvez seja ultrapassado o valor máximo da tolerância. Se fosse só corpo diria que faria a maratona em 4h10m (ou talvez menos) sem dificuldade de maior.

Mas como vocês sabem, para além do corpo, há muitos outros factores que nos influenciam numa prova.

Vou-vos fazer uma confissão: Estou “morta” que isto acabe. Maratona não será tão depressa, mas novos objectivos começam a nascer. É porque parar … é morrer, e eu apesar de por vezes parecer… não quero morrer!
Reparem na t-shirt molhada (na minha é claro!!)! É mesmo suor, não me mandaram um balde de água pela cabeça abaixo, nem fiz xixi nas calças! Agora reparem no Eduardo! Pobre Eduardo! Para correr à minha velocidade tem de levar 2 t-shirts e é se quer suar um bocadinho.... obrigada Eduardo, só tu é que me aturas... mas eu mereço!!

quinta-feira, 5 de outubro de 2006

Ainda 5ª feira, 5 de Outubro de 2006
Faltam os mesmos 10 dias para a Maratona do Porto

Depois da Meia Maratona de manhã, fui tomar um bom banho, arranjei-me e fui para o 1º Encontro do Fórum Mundo da Corrida RunPorto.com.

A coisa, do ponto de vista objectivo esteve muito bem, e mais ainda se nos lembrarmos que foi o primeiro!

A organização do Encontro está toda de parabéns, tendo cada um a sua quota-parte de contributo sem a qual a coisa não seria possível.

Muito positivo, deu para o sério e para o simples(?) e salutar convívio entre amigos, e novos amigos que se descobrem.

Pois o que quero contar aqui é a minha experiência, única e inigualável como a dos demais certamente.

Sem ter tomado qualquer tipo de droga, acho que passei para uma estranha dimensão qualquer. Claro que também houve momentos “normais”, de conversa fluida e agradável, onde ainda me fez recordar que existem homens e mulheres bons, de bom coração, puros, etc.

Bem, um facto é que raramente conhecemos as pessoas o suficiente para podermos afirmar tal leviandade. Parece que a melhor forma de estar na vida talvez seja mesmo conhecer o outro, mas apenas …até ali. Pois se passarmos para o mais íntimo e profundo de cada um, as probabilidades de desilusão (mediante o que nos foi já dado a parecer ser) são enormes.

Assim, redescobri que há homens com H grande. Não, não, não, isto nada tem a ver com sexo, pois se esse item é levado em consideração então é que o homem deixa de ser gente sequer, para ser uma autêntica besta ou verme rastejante!

Bem o que quero dizer é que até onde já conheço ou até onde conheci naquele dia pessoas novas (homens e mulheres) me fez ter de novo a esperança de que ainda vale a pena. Amizade, sinceridade, franqueza, lealdade, respeito, consideração, integridade, coerência, altruísmo, valores que muito considero e que talvez ainda existam. Só por isso foi bom. Levar-me de novo a ter esperança. No quê, hão-de perguntar. No ser humano.

Mas talvez essa sensação se deva somente porque fui apenas até à linha que não se deve ultrapassar dentro de cada ser. Mas assim as coisas estão bem. Conhecemos o suficiente de cada um. Mais para quê? Para descobrirmos os monstros que por aí andam? Já me chega os que conheço demasiadamente bem.

Bem, a viagem absolutamente alucinante que tive começou quando estava sentada na sanita ainda sem ter comido nada depois da prova, com a cabeça à roda entre os joelhos, sem saber muito bem se me resolvia a vomitar ou a defecar, e ouvir uma voz masculina (eu estava no wc das mulheres note-se) a reclamar com a mulher porque esta não lhe tinha trazido peúgas para trocar e isso parecia que teria sido tarefa a ela destinada pelo que o grave erro era de sua responsabilidade. Quando a coisa acalmou cá fora e lá dentro (já me sentia melhor) atrevi-me a sair e surpreendida pela presença ainda da senhora responsável do fatídico erro, só lhe consegui sorrir de forma simpática, o que foi de imediato retribuído.

Algum tempo depois, um marido fala animadamente sem parar sobre corrida, corrida, corrida, corrida, corrida, o que até estava a ser interessante para a maioria presente na mesa, mas mediante a resposta da esposa quando solicitada por um terceiro elemento para responder se ela também corria, ela só diz:

- Não, para ele correr…não posso correr eu. Há filhos, uma casa, uma vida extra corrida. Ele está sempre ausente. Alguém tem de estar presente para os filhos. A Mãe está!

O marido falador meteu a conversa no bolso e não mais se ouviu o resto da tarde.

Depois ainda alguém (que me acaba de conhecer) me acha com cara de boa ouvinte ou psicólogo barata, e vem para cima de mim descarregar um camião de problemas de uma vida inteira. Graves, bem graves por sinal. Por humanidade ouvi-o atentamente e disse as únicas palavras que poderia ter dito. Mas as coisas, quando são assim graves, não é com palmadinhas nas costas e palavrinhas amigas que se resolvem. Problemas do foro psicológico graves necessitam da intervenção de um profissional atento e interessado, o que nem sempre se tem a sorte de encontrar. Aquela longa conversa que efeito terá tido no indivíduo? Talvez nunca o venha a saber. Mas como há uma ínfima hipótese de o ter de alguma forma ajudado, não sinto que tenha perdido tempo. Daqui a uns tempos procurarei notícias.

E o filme acabou. Homenagearam-me como participante com algum relevo e importância no último ano no fórum, e recebi essa coisa aí abaixo. O que vale é que as palavras do Fernando Andrade e do Carlos Viana me convenceram pois vindo de quem vieram só podem se verdadeiras. Obrigada!



Mais fotos do dia no meu album de fotos: http://www.pbase.com/mariasemfrionemcasa/
5ª feira, 5 de Outubro de 2006
Faltam somente 10 dias para a Maratona do Porto

Hoje foi a 18ª edição da Meia Maratona Cidade de Ovar

Estive lá. Tive um acolhimento e tratamento acima de cinco estrelas. Ao AFIS, nas pessoas do Joaquim Margarido e do Manuel Ramos, deposito todo o meu apreço e reconhecimento pela forma como me trataram.

O Joaquim Margarido, conhecimento mais recente, mas não menos rico, e o Manuel Ramos, conhecimento de vários anos, são duas pessoas que tenho em elevada consideração.

Às vezes há pessoas com as quais sentimos uma empatia fora do comum. Uma dessas pessoas é o Manuel Ramos. Corro o risco de todas as interpretações possíveis e imaginárias com esta frase, mas preciso de o dizer, este espaço é meu, e se o que pensam ou dizem de mim se sobrepusesse aquilo que sou e que acho importante continuar a ser e a dizer, já tinha desaparecido. E como podem constatar, não é o caso. Continuo viva e até me atrevo a dizer: Viva e recomenda-se!

Para ele todo o meu carinho especial, os meus parabéns sinceros pela 18ª Meia Maratona Cidade de Ovar, e os desejos de tudo lhe correr bem!

E pronto! Já disse!

Agora, eu e a Meia:

A marca foi uma porcaria. 1h59m03s. Corri na companhia do António, meu amigo e companheiro de treinos e de equipa. Começamos devagar para acabarmos devagar na mesma mas não tanto.

O tempo estava excelente, o percurso muito agradável, a partida ordeira , as ruas de Ovar acolheram-nos da forma habitual: calorosa! Sente-se carinho ali! É uma prova bonita, bem organizada, onde os atletas se sentem, e são, bem tratados!

No fim apanhamos o Fonseca Santos e a Célia Azenha. Acabamos juntos. Daqui a dez dias estaremos os quatro na Maratona do Porto. A certeza de hoje, a incógnita de amanhã. Nunca sabemos. Acabei contente e bem, apesar da marca…

segunda-feira, 2 de outubro de 2006

3ª feira, 3 de Outubro de 2006
Faltam apenas e tão só 12 dias para a Maratona do Porto

Tenho pena que isto acabe. Mas a seguir a isto, mais virão. Assunto para me libertar nunca me há-de faltar.

Hoje, preparo-me para partir. Não treino desde 6ª feira passada e não se prevê que venha a treinar amanhã.

Depois, 5ª feira, dia 5 de Outubro vou fazer a 18ª edição da Meia Maratona Cidade de Ovar, prova pela qual nutro um especial carinho, por razões especiais mas que são só minhas.


Em Ovar, ainda a correr pela Palissy Galvani, Outubro 2002, época em que de forma enganosa e ingénua me julgava feliz, o que me faz questionar agora e sempre: somos felizes mesmo ou não passamos de tontos que pensam ser felizes, visto raramente estarmos na posse de todos os dados que compõem a realidade?


Assim, preparo-me já hoje para partir. Partir para Ovar. Malas à porta com o necessário se é que não me esqueci de nada. Só quando lá chegar descobrirei, se entretanto não me recordar de nada por ora esquecido.

Amanhã cedo, o despertador tocará pouco depois das 6. Um dia de trabalho me espera, e à noite, depois de preparar a filhota, dar-lhe jantar e “depositá-la” onde também a amam, vou pegar no meu pai e partirei para Ovar, onde espero dormir umas horas descansadas (não serão muitas de certeza) antes da prova.

Depois, haverá o Encontro do Fórum, que não perdia nem por nada, depois de tantos episódios, interessantes uns, escaldantes outros, cómicos outros, e felizes e infelizes também não faltaram.

Ao fim de um ano, quero ver ao vivo, no que isto deu. Como simples e anónima assistente, já que isto de participação activa, por razões conhecidas de uns e desconhecidas de outros, são águas passadas. Hoje, sou um mero utilizador, que como a palavra indica, utiliza o fórum.

Mas é capaz de ser interessante. No meio de uma centena de pessoas, haverá sempre alguém interessante para se conversar, aprender e conviver. Talvez assim seja.

Como um amigo me disse há bem pouco tempo: não devemos esperar muito das coisas e das pessoas, pois o risco de desilusão é elevado. Se pouco ou nada esperarmos, talvez sejámos positiva e agradavelmente surpreendidos.

Em termos gerais da vida, acho que é uma excelente filosofia de vida. Corremos o risco de não sermos agradavelmente surpreendidos mas seguramente evitamos uma pancada seca, protegendo-nos desta forma de uma tremenda desilusão.




2ª feira, 2 de Outubro de 2006
Faltam apenas 13 dias para a Maratona do Porto

Às vezes estamos tão perto e ninguém se apercebe. E por vezes nem nós próprios nos apercebemos e aí é que começa o perigo. Quando nós próprios não nos apercebemos de quão perto estamos. A facilidade de tornar tudo real, irreversível e irremediável. Essa facilidade assusta-me. Um único gesto necessário…

Não podemos acabar de vez com isto tudo? Eu sei que sim. Não procuro gritos a implorar para que fique. A vida é mesmo assim. Quem está está, quem foi, foi. A diferença é nenhuma. Mas uma única coisa aqui me prende. Só isso me impede de partir. Mas estou assustada.

A ponte tantas vezes atravessada. O uivo do vento e o silvo dos carros que passam e o balançar dos próprios ferros da ponte à noite. Um convite que a morte nos estende todos os dias e em todos os lugares. Eu queria só ser uma pessoa normal, como já soube ser. E feliz.
Leião, 1997

domingo, 1 de outubro de 2006


Domingo, 1 de Outubro de 2006
Faltam apenas 14 dias para a Maratona do Porto

Atropelamento

Há dias em que ao acordamos temos a nítida sensação que nos passou um camião por cima. Um TIR, com a carga máxima a ultrapassar várias toneladas.

Fomos tolhidos, esmagados e totalmente esborrachados. Ossos disformes, incluindo o crânio, e as entranhas escapam-se-nos pelos golpes profundos no ventre, tórax, membros e cabeça, e espalham-se agora pelo asfalto até voltarem a ser pisadas e repisadas por grossos pneus a alta velocidade, até se tornarem num tapete seco e original, totalmente paralelo à estrada, do qual já poucos automobilistas se desviam. Não terá já mais de poucos milímetros de espessura a esta hora. E dentro de dias, ninguém já vai notar o que ali se passou.

Levantarmo-nos? Como?

sexta-feira, 29 de setembro de 2006


6ª feira, 29 de Setembro de 2006
Faltam só e apenas 16 dias para a Maratona do Porto

Cinco e vinte da manhã e os pés descalços vêm-me acordar.

"Amor? Isso não tocou?" ("isso" é o despertador evidentemente)

O coração salta-me! O pânico da manhã ir já demasiado adiantada assalta-me e salto da cama num pulo.

Mas não. "Aquilo" não tinha tocado porque ainda faltavam uns escassos dois minutos. Tudo dentro do previsto então. Abraço-o e ainda me introduzo na sua cama para apenas repousar a cabeça no seu peito quente. Ele afaga-me os cabelos e beija-me com doçura nos lábios, o que eu retribuo com prazer. Acho que o amo mas ele não pode saber, pois quando amamos ficamos expostos e frágeis. E tontos e ridículos! E eu tenho de ser forte. E fria. E … inteligente!

Fiz hoje 50 minutos de corrida contínua a um ritmo médio. Este médio talvez só eu o entenda. Mas o que quero dizer é que não ia a um ritmo demasiado confortável. Ia em algum esforço. Isto é absolutamente independente da velocidade, mas sim directamente relacionado com a nossa forma física. Como me senti? Nem sei bem… foi tudo tão… rápido! Isto significa que me senti bem! Estipulei o treino a fazer, 25 minutos para lá e retorno, e fiz! Sem nada de especial a notar.

De novo à volta da baía, apenas iluminada pelos ainda acesos candeeiros. Do princípio ao fim. Já que o dia só acordou já eu tomava o pequeno almoço na cozinha, e pouco faltava para, não iniciar o dia, mas sim, dar-lhe continuidade.

Os treinos de madrugada têm o dom de nos dar energia e boa disposição. A perspectiva com que se vê e enfrenta toda uma rotina diária, é totalmente diferente de quando não se treina de manhã. Alargam-se-nos os horizontes e o dia é pintado de outras cores que não o cinzento.

quinta-feira, 28 de setembro de 2006

4ª feira, 27 de Setembro de 2006
Faltam apenas 18 dias para a Maratona do Porto

Vida

Nunca me senti assim. Uma inconstância constante que me torna a vida num verdadeiro paradoxo.

Trémulas estão as minhas pernas enquanto descem ou sobem escadas, ou de “x” em “x” passos enquanto corria no treino de hoje. Débeis e inseguras, como que a confirmar que a única coisa segura é a própria insegurança.

Esquecemos isso facilmente. Julgamos firmes paredes que derrocam afinal num abrir e fechar de olhos. O que hoje é certo, daqui a menos de um segundo…

Queria falar de tanta coisa, mas não posso. Emerge a necessidade do anonimato sobrepondo-se à intrepidez de sermos muito assumidos (Aonde? Num blog? Não me faças rir e não sejas ridícula).

Fiquemos por aqui. Olhemos esta Baía à noite.



Hoje dei-lhe a volta quase completa. Saí do Seixal, e voltei. Fui até à Amora velha, contornando aquele lençol de água onde repousam os barcos e sonhos de gente.

Fiz 1 hora de corrida contínua não muito lenta. As pernas fraquejam de vez em quando como se recebessem uma leve e seca pancada por trás dos joelhos. Nada de preocupante. Mantive o ritmo, acho até que a 2ª metade foi mais forte que a 1ª, e acabei bem. Uma hora apenas. À volta da Baía perfumada de mar e do cheiro do carvão em brasa esperando o peixe para o jantar.


segunda-feira, 25 de setembro de 2006

Domingo, 24 de Setembro de 2006
Faltam apenas 21 dias para a Maratona do Porto

"Tomou um banho com a água bem quente e perfumada a acariciar-lhe o corpo. Limpou-se à toalha mais macia que tinha, hidratou a pele com creme suave que a deixava macia como a de um bebé. Perfumou-se no pescoço, pulsos, interior dos cotovelos, por trás dos joelhos e entre os seios. Uma gota do néctar desceu-lhe pelo ventre.

Vestiu-se bem. Uma lingerie sexy mas confortável, e roupa prática mas sensual. Preta. Queria sentir-se bem. Até se maquilhou. Lápis e rímel nos olhos, uma cor nas pálpebras e nos lábios e penteou-se de forma simples. Cabelo solto, comprido a moldar-lhe o rosto, por trás das orelhas onde os brincos eram simples mas esplendorosos.

Estava pronta. Meteu-se no carro e acelerou ao som da canção. As palavras eram para ela. As palavras eram dela. A canção era dela. Aumentou o volume. Pisou o acelerador quase a fundo. As costas encostaram-se ao banco. Gostou da sensação. A paisagem voava ao seu lado e os outros viram-na avançar parados eles.
O asfalto à sua frente esperava-a, chamava-a. A estrada era dela e era ela. Aumentou mais o volume e simultaneamente carregou mais no acelerador. Só ouvia a canção. Lentamente, em contraste com a velocidade com que tudo o que a rodeava decorria, levou a mão direita ao fecho do cinto de segurança e em plena auto estrada, soltou-o.
Não sabe quanto tempo depois, acordou no hospital. Uns tubos no nariz e nas veias dos braços. A boca seca e o corpo praticamente dormente. O branco envolvia-a. Paredes, lençóis e a bata daquele homem que falava com uma enfermeira que em total incompreensão recalcitrava apontando para ela ali deitada imóvel. Uma náusea invadia-a. Estava viva…"

Alguém sabe o que sente um falhado suicida que até no acto mais cobarde falha, pois nem na fuga à vida é capaz de levar a missão por diante? O barco a um porto qualquer, já que o bom porto parece estar reservado apenas para alguns? Um porto qualquer serviria, mas nem na morte ele é bem sucedido…



Hoje, fui fazer mais uma sessão longa. Queria correr 3 horas. E o treino teve efectivamente a duração de 3 horas. Mas infelizmente não de corrida contínua, pois a partir talvez dos 40 min, comecei a sentir-me cansada. E do cansada depressa passei ao exausta, e já só ouvia a minha respiração ofegante, os pés a arrastar no solo, e na minha cabeça só me martelava a voz dos demónios que nos incapacitam: não vais ser capaz… a sentir-te assim como serás capas de correr continuamente por mais de 4 horas? Para quê tudo isto? Provar o quê? A quem? Vencer-me? Superar-me? Mas para provar o quê?! Que preciso eu de mostrar? A mim mesma, aos outros? Que gozo isto tem?

E se pudéssemos dizer que no fim me senti muito bem por ter conseguido fazer um treino de 3 horas, é mentira! E se quando pisar a meta da Maratona do Porto vos disser que me sinto muito bem por a acabar com quase 5 horas, será mentira! Já não sei se isto vale a pena… O que vale a pena nesta vida? Porque corremos? Porque vivemos?

O treino teve vários abastecimentos, boa companhia e o local é agradabilíssimo. Terra batida molhada pela chuva da noite, e agora os raios de sol, fazendo emanar aromas de todas as plantas e arbustos, e da própria terra mãe.

Contabilizando, foi assim:

2h20m – corrida contínua
5 min – caminhar
5 min - corrida contínua
5 min – caminhar
10 min - corrida contínua
5 min – caminhar
10 min - corrida contínua

Tempo total do treino: 3 horas, conforme previra, mas que raio de treino foi este? Miserável!

Como me senti depois e agora: pernas sem força, doridas e trémulas. Psiquicamente: em estado quase deplorável, com a teimosia no entanto de que hei-de fazer a Maratona do Porto seja lá em que estado for, mas também com a mesma firmeza: sem possibilidade e motivação para me preparar e fortalecer quer física quer mentalmente, não será tão depressa que me meto noutra!

quarta-feira, 20 de setembro de 2006

4ª feira, dia 20 de Setembro de 2006
Faltam 25 dias para a Maratona do Porto


De que vale levantarmo-nos muito cedo se chegamos ao local de trabalho atrasadíssimos e quase cinco horas depois?

Com cinco horas gastas desde que uma pessoa se levanta até enfrentar o ar crítico e fulo do chefe (e desta vez com razão) bem que podia pensar em ir trabalhar para o Porto ou para Faro!
Pelo menos o tempo que passava dentro do carro seria em deslocação e não nesta bicha infernal!


E foi assim: Excepcionalmente tive a oportunidade de treinar de manhã, quer dizer, noite ainda.

Fiz um treino de apenas 45 minutos sob um céu escuro e estrelado. Regresso a casa e o céu aclarou um pouquinho só.

Como me senti no treino: mal.

O que quero dizer com isso? Quero dizer: cansada, exausta, pesada, respiração descontrolada, trôpega, etc.

Esta é a minha 4ª maratona e é sem dúvida alguma aquela para a qual mais mal preparada vou.

Enquanto corro penso vezes sem conta como é que eu a sentir-me assim vou correr durante mais de 4 horas? Como?! Isto é uma loucura. Mas no entanto não desisto dela, assim como de outras...

domingo, 17 de setembro de 2006

Ainda Viana do Castelo, Domingo, 17 de Setembro de 2006
Faltam 28 dias para a Maratona do Porto

Acordamos cedo (cedo para um Domingo) e passados 15 minutos estávamos já na rua a correr.

Ai os desgraçados dos músculos… Tensos, presos, emperrados. Parece que os ouvia indignados: “Eh pá! O quê?! Já é para acordar?! Já é para trabalhar?!” - perante a brusquidão com que se viram obrigados a acordar e a trabalhar, depois do treino da véspera.

Mas é mesmo assim a vida, e nunca ouvi dizer que vida de músculo fosse fácil.

Fomos até Darque, Praia do Cabedelo e voltamos a Viana. 1h10m de corrida contínua.


Depois do banho, do substancial pequeno almoço, como quem não tem nada melhor para fazer subimos a pé os muitos degraus (não tive paciência para os contar) que nos levam de Viana do Castelo à Basílica de Santa Luzia, numa fantástica viagem de mais de 800 metros num desnível constante de cerca de 25%, não contanto com a claustrofóbica subida ao zimbório.

Depois, a respectiva descida e creio que este exercício deve ter valido por um treino específico: degraus!

Tudo parece estar no bom caminho, não parece? Eu não diria isso. Pois rodemos então lá a Terra e escutámos a conversa entre o gnomo, a rã e a princesa, na orla da floresta negra:

- Que farás tu à tua vida quando encontrares o verdadeiro amor? Alguém que mereça o teu coração? Porque fazes isto agora? Estás a estragar a tua vida. – dirige-se-lhe a rã.

A princesa baixa os olhos, encolhe os ombros, e responde baixinho:

- Não vou encontrar ninguém assim... E estragada já a minha vida está.

- Olha princesa, nunca deixes de acreditar, e lembra-te que Amor não é mais que partilhar vivências, sentimentos e afectos, e ter um prazer imensurável nessa espontânea partilha. – reforça o gnomo.

- Eu sei isso tudo gnomo, mas já não acredito – duas lágrimas rolam pelo rosto ainda bonito da princesa.

- Não digas isso princesa. Até eu um dia me vou transformar em príncipe. – diz a rã brincando.

A princesa sorri tristemente e volta para a densa, fria e negra floresta. Ninguém a verá nos próximos dias. Pelo menos tem sido assim, até ao dia em que ela desaparecerá para sempre nessa bruma fantasmagórica.

sábado, 16 de setembro de 2006


Viana do Castelo, Sábado, 16 de Setembro de 2006
Faltam 29 dias para a Maratona do Porto

Vejo-me aqui em Viana do Castelo. Um treino longo para fazer. Prefiro fazê-lo hoje pois dúvidas pairam sobre mim como nuvens negras sobre a cabeça num dia de trovoada. Assim, o que for será, e depois do desastre em S.João das Lampas, este treino longo é quase como um tira-teimas. Ou as coisas melhoram, ou o melhor é encostar-me à box.

E as coisas melhoraram. Eu, o António e o Eduardo. A descobrir Viana. 2h50m de corrida contínua. Muito bom!

Quer dizer a corrida não foi bem contínua, pois a uma dada altura (tinha 1h34m de corrida) resolvi tropeçar e estatelar-me ao comprido numa estrada de calçada romana, entre campos de milho, a serra e o mar.

Uma pessoa parece que vai devagar, mas experimentem lá mandar-se para o chão enquanto correm! O balanço é jeitoso e o travão para parar o pesado corpo foi o tórax, abdómen, e coxas, que paralelas ao sol se deslocam uns metros a velocidade alucinante! Pelo menos foi o que me pareceu ali com o chão tão perto!

O rosto foi levantado por instinto, e quando finalmente paro, braços estendidos à frente do rosto, que também por instinto assim reagiram, a minha principal preocupação foi deslocar lentamente e com dificuldade a mão direita, que a sangrar e a doer se moveu a menos de um escasso centímetro do solo até encontrar a esquerda, levantei o polegar direito o que me provocou uma dor intensa pela mão toda, e desliguei o cronómetro.

Entretanto enquanto executava esta complicada operação, já os rapazes estavam a tentar levantar-me segurando-me nos braços. Gritei:

“Parem! Parem! Esperem, a sério!”

Precisava verificar como estava, não me podia voltar a posicionar na vertical assim de repente. Tinha de ver os estragos.

Forço as mãos contra o chão. Tudo dorido, mas inteira. Os joelhos empurram o chão obrigando-me a ficar de gatas. Estou inteira. Agora sim, posso levantar-me.

“Temos de ir! Vamos!” – recomeço de imediato a correr e o cronómetro retoma o seu trabalho.

Toda esta operação não demorou mais de 30 segundos.

Custa-me respirar nos minutos seguintes, mas ao fim de pouco tempo tudo está de novo controlado.

Cai porque ia em esforço, como habitualmente, pesada e trôpega. Mal conseguia levantar os pés. Mas dali a pouco parece que a coisa começou a melhorar. Caminhos sem saída, ladeados e salpicados pelo mar e com o farol a marcar o retorno obrigatório, parece que me entusiasmaram, e acabei por me sentir bem durante praticamente toda a segunda metade do treino.

O que restou: Uma sessão longa realizada, um corpo dorido e uma mão intensamente dorida, umas nódoas negras e umas arranhadelas. Nada de especial portanto com excepção do treino que me devolveu algum optimismo e confiança.

Amanhã, outro dia para treinar.

quarta-feira, 13 de setembro de 2006


4ª feira, 13 de Agosto de 2006
Faltam 32 dias para a Maratona do Porto,
apenas

Hoje, depois de digerir (mal) a porcaria que fiz e o que constatei no sábado passado, aquando da minha participação na Meia de S.João das Lampas, lá me decidi a voltar a treinar ainda com o objectivo inicial: A Maratona do Porto.

Sim, porque cheguei a colocar a hipótese de mandar a Maratona às favas! Sim, se no ano passado fiz 1h49m em S.João das lampas, e acabei por fazer 4h02m na Maratona do Porto, este ano, com 2h02m nas Lampas, a Maratona será feita em quê? 5 horas?!

Oh meus amigos, isto da participação é muito bonito, blá blá, mas eu ando a competir! Ai ando sim senhora. O meu principal adversário sou eu própria. Se acho um determinado objectivo alcançável e razoável, então todo o resultado aquém disso não tem outro nome senão Fracasso e Derrota! Gosto muito de flores, mas não vamos encher esta história de floreados e dizer que estive muito bem nas Lampas, blá blá, e que estou no bom caminho para o Porto. É mentira! Nas Lampas fiz a minha pior marca de sempre!!! Daqui a 32 dias estou a correr uma maratona?! A correr a Maratona ou a rastejar penosamente pela estrada?!

E para além do cronómetro e da distância há outro factor que mais mal me faz sentir: como me sinto nos treinos e provas, salvo raríssimos dias: sempre pesada, cansada, trôpega e obesa!!! Nem sei quanto peso! Acho que já não estou tão gorda como quando comecei esta viagem, mas não me sinto nada menos gorda!

Bem, ainda não desisti, até porque não o penso fazer!

A minha mensagem anterior teve um comentário do meu amigo Álvaro. Gostei de ler e fez-me reflectir. O Indivíduo! O que o rodeia e o que o influencia. Aplicando a mim mesma, o que está a falhar? Tanta coisa a falhar que não sei se o que sobra será suficiente para levar o barco a bom Porto.

Hoje voltei a treinar: apenas 51 min no ritmo habitual. Depois foi chegar a casa (a correr) e correr para o fogão, e para a filhota e para tanta coisa e para nada. A questão que levanto é mesmo: se não ando a correr para Nada.

Só eu poderei responder, eu sei.
Até amanhã talvez

sábado, 9 de setembro de 2006


Sábado, 9 de Setembro de 2006


A minha pior Meia Maratona de sempre!

Era o dia da 30ª edição da Meia Maratona de S.João das Lampas. Tendo lá estado o ano passado, com o tempo de 1h49m, este ano sabia perfeitamente que estava em pior forma, pelo que esperava fazer entre 1h55m a 1h58m. Se as coisas corressem mal (quem correu mal fui eu e não as coisas!) chegaria ou ultrapassaria as 2 horas.

E as coisas (eu!!) correram mal! Pessimamente mal!!

Esforço mal gerido. Uma pessoa por muita experiência que tenha, muitas vezes ainda não consegue moderar-se num ritmo que esteja de acordo com a sua forma e a distância a percorrer.

Aquecimento 20 min, e na parte inicial da prova andei a cerca de 5m15 e 5m20, para evidentemente estoirar entre o km 9 e 10 e a partir daí ver-me passar por tudo que eu tinha passado antes!

Tempo de reflexão este. Triste reflexão.

Acabei com 2h02m08s!!! A minha pior marca de sempre!!! Toma! É bem feita! Quando a cabeça não tem juízo quem é que paga?

nota: pedi a um amigo para me fotografar antes e depois da prova. Antes, é essa coisa que está aí em cima, (ainda não sabia a experiência que me aguardava ansiosa!). Mas à chegada à meta fui esquecida e a imagem de uma mulher desesperada e desanimada não a posso colocar aqui. O que vale é que outros amigos me fotografaram, mas só daqui a uns dias terei a foto, e nessa altura, já será tarde. Enfim, estamos sempre a aprender com quem podemos contar e com quem simplesmente não podemos contar. Ou será que não aprendemos?

quinta-feira, 7 de setembro de 2006

5ª feira, 7 de Setembro de 2006
Faltam 38 dias para a Maratona do Porto


A contagem decrescente veloz assusta-me. Só faltam 38 dias para a Maratona do Porto.

E eu como estou? Ainda muitas sessões longas por fazer e o sentir em cada pequeno treino uma dificuldade que já devia estar ultrapassada.

Muitas vezes, ao fim de 10 a 15 minutos de treino parece que estou de rastos, cansada e pesada. Desejosa de parar pois parece que não aguento nem mais 3 minutos. Na maior parte das vezes, incluindo os treinos mais longos que já fiz, depois desta sensação quase inicial mas que se pode prolongar por mais de meia hora, já perto dos 45 ou 50 minutos de treino parece que começo a sentir-me melhor. E realmente melhor me sinto a partir dessa altura.

Penso que isto seja tudo físico, mas na maior parte dos dias acaba por ser-me bastante difícil manter o moral elevado lutando contra o corpo durante 45 minutos, para depois quando fisicamente me sinto melhor, ter vontade de correr o mesmo tempo ou mais do que aquele que acabei de fazer em esforço físico e mental.

Não sei se perceberam alguma coisa, ou se por ventura alguém tem sensações idênticas, provavelmente sim, mas não me ocorre nada melhor ou original para contar, e o sono aperta.

Pois hoje, quase véspera da Meia Maratona de S.João das Lampas, corri apenas 40 min em ritmo suave, o que significa lentinho, como se estivesse a descomprimir para a Meia e esperasse fazer uma grande marca. Lá grande vai ser ela vai! Pelo menos longa e extensa no tempo!

Foi aqui, ao longo da Baía mais linda de Portugal. Qual Cascais qual quê! Alguém sabe o que é correr ao fim do dia nesta paisagem? Felizmente já muita gente vai sabendo, para bem da corrida!

quarta-feira, 6 de setembro de 2006


4ª feira, 6 de Setembro de 2006
Faltam 39 dias para a Maratona do Porto


Procuro as palavras, o verbo, um poema, o poema. Que diga o que eu não consigo dizer.

Porque eu não consigo. Mas vou ter de o fazer, pois não há no mundo poema com tais dizeres.

Vou ter de dizer que me tornei numa pessoa má, negra e sombria como um corvo, fria, triste, alimentada a ódio, e que esse mesmo ódio que me alimenta me corrói e destrói. A cada segundo que passa.

Não suporto o riso das crianças, o canto dos pássaros e o brilho do sol. A Felicidade. Porque a minha jamais voltará a existir. O som da alegria fere-me como punhais e fecho os olhos como se pudesse deixar de existir e de sentir. Mas não posso...

É triste. Sei que é triste sentar-me perante mim, despir-me e ver-me aquilo em que me tornei. É muito triste, garanto-vos.

Queria que me devolvesses a inocência e a pureza para poder voltar a acreditar nas pessoas e na nobreza de sentimentos e de valores.

Mas é mentira, nem tu consegues, nem eu consigo. Jamais deixarei que cheguem a mim e me toquem . O risco é demasiado grande mas o preço é também demasiado alto.

Racional. Somos animais racionais. Para que nos serve o raciocínio afinal se vivemos impulsionados pelos sentimentos, dos mais baixos aos mais nobres?

É tudo mentira! Até isto. E isso que dizem e pensam agora, e o que dizem que pensam, também, porque neste mundo já não se aproveita ninguém.

Eu queria um poema. Para dizer isto e fingir que não sinto, que era só um poema... de outro alguém.

É óbvio que hoje não treinei. E precisei de escrever isto porque não encontrei um poema bonito e triste, arrumado e certinho, para fingir que estava a fingir...

terça-feira, 5 de setembro de 2006


3ª feira, 5 de Setembro de 2006
Faltam 40 dias para a Maratona do Porto

Graças a tantas coisas que de aparentemente tão pequenas e vulgares fizeram o meu dia grandioso, hoje sinto-me bem! As coisas estiveram sempre lá e estão sempre a acontecer. Eu é que muitas vezes as não vejo, ou distorço-as como um espelho da feira popular. Passei o dia a correr mas foi bom o movimento!

E hoje voltei a treinar. 51 m corrida contínua lenta, bem nas calminhas como a água da minha baia que tantas vezes me acompanha.

O treino em si nem correu bem nem mal. Continuo a sentir-me pesada e mal preparada seja lá para o que quer que seja! Estipulei o tempo e corri. Sem pressa ou esforço por aí além.

Faltam apenas 40 dias para a Maratona e as dúvidas continuam a existir. Quer dizer, eu fazer a
Maratona faço, mas se passar das 4 h e .... 5 ou 10.... é uma verdadeira decepção. Isto para mim pessoalmente! Pois uma Maratona é sempre uma vitória e essa lenga lenga toda continua a ser válida, mas sabendo eu as capacidades que tenho, se ultrapassar essa marca significa apenas que não fui persistente e forte o suficiente para me preparar nas condições mínimas para poder usufruir da Maratona com todo o prazer e não transformá-la numa tortura que não o é!

Bem, já no próximo sábado tenho a Meia Maratona de S.João das Lampas. Bem ou mal, é com a preparação que tenho (ou que me falta) que a vou fazer. No ano passado fiz 1h49m, para depois na Maratona do Porto fazer 4h02m num esforço imensamente mal gerido!

E este ano como será? Veremos. A vontade vai e vem, como as marés. E milagres não há.

segunda-feira, 4 de setembro de 2006


2ª feira, 4 de Setembro de 2006
Faltam 41 dias para a Maratona do Porto


Nostalgia

Antes, quando eu era feliz, eu corria feliz.

Deixava a cama quente e partia para o dia ainda por nascer. O corpo quente do meu amor ficava enroscado agora só e eu treinava quando a minha ausência seria menos notada. No quarto ao lado o nosso bébé dormia como dormem todos os bébés. Olhava-a enternecida sempre antes de sair de casa. Levava o cão. Feliz ele, feliz eu!

Outras vezes corria à noite. Chegava a casa ensopada em suor. Soltava o cão, dáva-lhe água limpa, e depressa ia tratar daquela menina de bibe da escola ainda com o sobretudo posto e chucha na boca, aguardando a mãe. O meu tempo tinha acabado. Agora era hora de tratar daquela menina de cabelos encaracolados sobre a testa e olhar doce. O mesmo que tem hoje!


Mas hoje eu não corri...

domingo, 3 de setembro de 2006

Domingo, 3 de Setembro de 2006
Faltam 42 dias para a Maratona do Porto

Quando há perto de vinte anos atrás, andava eu num curso intitulado "Detecção e Dissuasão de Alcoólatras e Toxicómanos", e num dos muitos trabalhos realizados em campo, perguntei a um viciado em drogas duras se ele tinha a mínima consciência que a sua conduta era uma forma de suicídio lento, ele, tranquilamente, como se tivesse todo o tempo do mundo, enrolando um charro, respondeu-me que não tinha pressa.

Penso nisto até hoje. Nem sei sequer se ele já chegou ao inevitável, sem pressas, como fez questão de mencionar, em tranquilidade num chão de uma casa de banho pública imunda de excrementos e sangue, ou talvez nos lençóis onde os pais o haviam de encontrar, se é que havia pais.

Isto para dizer que há muitas formas de nos suicidarmos, de nos deixarmos morrer, ou deixarmos que nos matem, aniquilando-nos, submetendo-nos sem força para acabar com tudo de vez, quer isso signifique viver ou morrer.



J.Henrich Fussli - Suiça - 1741 - 1825


É necessária uma acção. A indefinição é o limbo.

Não corri sexta, sábado nem hoje domingo. Este fim de semana teria sido dia de sessão longa. Não foi. Que estou a perder? Que estou a fazer?

Estou "assim" porque não corri? Ou porque não corri estou "assim" ?

quinta-feira, 31 de agosto de 2006


5ª feira, 31 de Agosto de 2006
Faltam 45 dias para a Maratona do Porto

Hoje sinto-me cansada. Cansada. Cansada. Cansada. Cansada. E triste.

Cansada ao ponto de me interrogar qual a verdadeira razão desta luta? Porquê tudo isto? Cansada ao ponto da cama me esperar e eu estar aqui, escrevendo só para renunciar ir para algum lugar, evitando a dinâmica de uma decisão e consequente acção.

Poderei ficar aqui para sempre? Ao abrigo do mundo? Poderei refugiar-me aqui atrás das palavras que me salvam, ou pelo menos me mantêm à tona da água? Eu sei que não...

Daqui a pouco os meus amigos levar-me-ão para a cama onde esquecerei o mundo por escassas horas.


Hoje fiz 1 hora de Corrida Contínua lenta e como me senti? Exactamente! Cansada, pesada e trôpega.

O corpo e a cabeça formam um único ser: Eu.

terça-feira, 29 de agosto de 2006

Eu, Eduardo Santos e a rede da Pista de Atletismo fechada

3ª feira, 29 de Agosto de 2006
Faltam 47 dias para a Maratona do Porto


O Antes, o Durante, o Depois e o Agora

Estou de rastos, uma lástima, uma nódoa, um bicho pestilento a cair para o lado de agonia nauseando até à morte que o há-de salvar deste triste pesar.

Quer dizer, agora já me sinto melhor, mas a cena passou-se assim:

O Antes: Depois do treino mais rápido ontem, hoje fui para a relva de uma Pista de Atletismo fechada (a da Sobreda da Caparica, que para mim já não tem segredos para lá entrar seja lá a que dia e hora for) e resolvi que o treino seria rolar nas calmas na relva.

O Durante: Rolar rolei, mas senti-me um hipopótamo tal era o peso de cada perna cada vez que a tinha de levantar do chão. O vento forte não ajudou (parecia que não me deixava respirar), os ténis novos apesar de bastante bons, não me salvaram, e lá me aguentei durante 56 m Corrida muito lenta na relva.

O Depois: sem sede excessiva bebi água no final em quantidade normal. O regresso a casa é feito de carro a voar pelas estradas e chegada a casa, eis que o filme se repete com muito poucas variações: toda a água que bebi, tão limpa como entrou, sai teimosamente para a sanita num urro animalesco.

O Agora: Já jantei - sem grande apetite, deixei por beber um vinho especial qualquer, e agora semi-agoniada escrevo enquanto me doi o calcanhar e a tíbia esquerda. Não, não é nada, não vai ser nada, apenas o acusar da carga introduzida nos últimos dias.
2ª feira, 28 de Agosto de 2006
Faltam 48 dias para a Maratona do Porto

Pedacinhos...

A vida é feita de pedacinhos. Pedacinhos de amor, de dor, de pão, de lágrimas, de suor, sorrisos, de vinho, de mel e de fel.

Hoje corri 1 hora de Corrida contínua em ritmo bem mais vivo do que o habitual; entre 5m a 5m15s o km, o que considero bestial depois da sessão longa de ontem (2h11m). Senti-me razoavelmente bem, em esforço sim, mas um esforço controlado e bem gerido para durar exactamente 60 minutos, que foi o que fiz de forma mais que satisfatória. Começo até a ambicionar mais do que simplesmente terminar a maratona... Estarei a sonhar? A ter alucinações?

Um facto é certo: a coisa está a melhorar.

segunda-feira, 28 de agosto de 2006


Domingo, 27 de Agosto de 2006
Faltam 49 dias para a Maratona do Porto (7 semanas)


"Se o teu próprio assassino se debruçar sobre a tua campa, e nela derramar lágrimas e depositar as flores mais lindas, luxuriosas e caras, assim como beijos que tardaram, mas tristemente iguais e falsos como os do passado, vais ser capaz de lhe agradecer e sorrir? Quando já for tarde demais e ele insistir que tu vivas como antes, tu vais ser capaz?"


- Querida, tens o cinto posto?
- Sim Mãe... - nem o carro iniciava a marcha se o cinto não estivesse colocado. Bem colocado. - aquela conversa era só para confirmar o que já se sabia, pois nesta altura elas seguiam a mais de 160 km/hr pela A2.

Nada de especial. Há apenas a notar que algo a prende à vida. Muito mais que o cinto, mas o próprio conteúdo que o cinto segura. A Mãe carrega no acelerador, com a música aos berros e as duas cantarolam, presas à vida.

Hoje corri no pinhal durante 2h11m - Corrida Contínua lenta

Foi uma sessão estranha pois durante a mesma existiram os mais variados e distintos estados de espírito assim como sensações físicas. Acho que passei por todas:

- Não vou conseguir fazer 2 horas
- Para quê isto? É esforço inglório,não vou conseguir fazer a Maratona.
- Parece que vou melhor...Tenho de ver que esta é praticamente a 1ªsessão longa
- Estou bem, até fazia mais tempo.
-Vou de rastos....Calma, mesmo devagar é importante fazer o tempo estipulado. Gradualmente hei-de lá chegar
- Vou conseguir. Sinto-me relativamente bem. Fiz 2h11m e estou bem! Vou conseguir!

Este foi o último pensamento. Mas foi um treino estranho pois num mesmo treino não costumo ter tantas oscilações de estado de espírito e consequentes sensações físicas.

Revendo a história, de uma forma geral, a coisa foi melhorando à medida que o treino avançava.

Convém frisar que me abasteci (água apenas) durante o treino, talvez de 25 em 25 minutos, em média, o que me evitou sensações de desidratação como da última vez.

sábado, 26 de agosto de 2006

Sábado, 26 de Agosto de 2006

Faltam 50 dias para a Maratona do Porto

Hoje, podias estar aqui. Podias talvez ter treinado comigo 45 minutos e suado ao meu lado, para depois repousarmos e suarmos de novo, para por fim descansarmos exaustos.


Podias... mas não estás. Podias, mas outras opções me venceram. E eu? Treinei sozinha 45 m Corrida contínua, suei e agora repouso exausta sobre a cama.

"O Tempo que passa
Em cada segundo
A Vida é tão escassa
Que fica sem graça
O Sol do meu Mundo"

Olho em frente. Aceito o que tenho. Ambiciono mais. Terei mais. Mas não hoje. Hoje, como oportunista que me ensinaste a ser, aproveito o que tenho e não olho para trás. Cada segundo faz o presente, prepara o futuro para logo ser passado. É a Vida que passa e não se coaduna nem apieda com hesitações ou erros.

Amanhã é outro dia. Dia de sessão longa. Lá estarei a caminho da Maratona do Porto. E tu sempre ausente mesmo quando hipoteticamente presente, não passarás do que sempre foste: miragem, paisagem, fantasia e utopia.

quinta-feira, 24 de agosto de 2006

5ª feira, 24 de Agosto de 2006

Faltam 52 dias para a Maratona do Porto


Estive dois dias sem correr...

- Lembras-te como foi a tua última Maratona rapariga?

Sim, lembro-me bem. Descurei os treinos, praticamente limitei-me a fazer as sessões longas semanais e houve semanas em que apenas corria ao domingo. Pois, claro que me lembro bem. Muito bem. A partir do km 28 foi arrastar-me até à meta. Triste e dolorosa Maratona.

Pois, mas de nada serve chorar sobre o leite derramado. Há sim que tomar providencias para evitar que o que correu mal no passado se repita.

Por isso, este ano, esta preparação iniciada tardiamente não pode de forma nenhuma assemelhar-se à do ano passado. As sessões longas semanais são obrigatórias mas também há que fazer treinos durante a semana. Quantos mais melhor. Há que fazer muitos e muitos kms.

Presentemente não tenho qualquer base para fazer um treino específico para a Maratona. Tenho de me limitar a fazer kms, de forma a criar a resistência necessária para correr ininterruptamente ao longo de 42,195 metros no dia 15 de Outubro de 2006 nas ruas do Porto e Gaia, atravessando o Douro gloriosamente e com plena capacidade para usufruir de toda a magnífica paisagem que me vai rodear!

Estive dois dias parada, mas hoje lá fui estrear uns ténis (só com os novos nos pés é que nos apercebemos de como os velhos estavam desgastados representando um autêntico perigo e uma porta aberta para as lesões).

1 hr Corrida Contínua ao longo da Baía. A do Seixal desta vez.

quarta-feira, 23 de agosto de 2006

O Rottweiler está solto.

Afugentou tudo e todos e hoje põe aquele ar bonzinho, pachorrento e inofensivo, também possível nos Rotweillers.

A presa, indefesa, fingiu não perceber enquanto todos os cães se afastavam, restando apenas aquele, pronto para a defender e sempre ao seu lado demonstrando uma falsa e hipócrita coragem, entrega e dedicação, depois de a todos morder e aterrorizar.

Aterrorizada ela, fingiu sempre acreditar na casualidade dos acontecimentos. E foi vendo, um a um, os cães que se faziam seus amigos, Pastores Alemães, Boxers, Cockers, Serras da Estrela e até rafeiros, se irem afastando um a um. Uns mais descaradamente alegando mentiras esfarrapadas, outros frontalmente evocando as perseguições caninas de que eram vítimas, e outros ainda optaram pela cobardia, desaparecendo simplesmente em silêncio.

Seu amigo fingido, depois de a todos afastar sobrou apenas e só ele. O Rotweiler. A presa estava só, vulnerável julgava ele. Ele espera que ela o valorize e ame pela sua prestação de falsa amizade, falso companheirismo e firmeza de sentimento e comportamento. Sozinho, sem rivais, julga que o caminho está livre e fácil.

Mas ela pura rafeira de gema não se deixa enganar. O caminho está cortado. Jamais ele chegará verdadeiramente a ela. Inalcançável jamais será sua presa de novo. Porque ela o conhece, demasiadamente bem, talvez como nunca devéssemos conhecer ninguém...

segunda-feira, 21 de agosto de 2006

2ª feira, 21 de Agosto de 2006
Faltam 8 Semanas para a Maratona do Porto
Mais especificamente 56 dias apenas

A boca está ainda seca. E continuo com sede. Não tanto nem de uma coisa nem da outra como durante o treino de hoje.

A maré vazia dá-nos o maravilhoso areal da Costa da Caparica para correr. Não há outro igual.

Anoitece mais cedo, e a maré vai enchendo. À 1h20m de treino liberto os pés dos ténis e meias encharcadas (por descuido ou necessidade de me refrescar pisei deliberadamente a água que corria ao meu lado e por vezes à minha frente) e faço mais 20m como mais gosto: de pés descalços, com água ora pelo tornozelo ora pela canela, saltando as ondas, parece que tenho ainda mais força do que quando calçada arrastava os pés pesados.
Cada ondulação é pretexto para levantar mais as pernas e avançar com a energia que ainda me resta. O que me cansa agora são os ténis na mão. Sorte tiveram eles não os ter lá abandonado...

A boca está seca, seca como um pedaço de madeira. Avanço e desejo água. Está muito calor nesta praia aquecida durante todo o dia, e nem agora depois do sol se esconder está mais fresco.

Anseio por água. Olho o mar e desejo água. É verdade que durante o dia bebi imensa água, mas agora precisava de mais.

Termino o treino com 1h40m de corrida e a morrer de sede. Alongamentos feitos e arrasto-me para o carro seguindo o companheiro de treino, quase a cambalear, e aí mato aquela sede anormal com uma garrafa de litro e meio. Primeiro bebi metade mas até chegar a casa acabei com ela. Em casa bebo mais, e continuo com sede.

Tomo banho, e quando me estou a pentear, sou assaltada por uma náusea e de forma violenta os perto de 2 litros de água que ingeri saem num jorro só acompanhados por uma dor no estômago.

Pronto, lá se foi todo o abastecimento. E o que sinto? Acabou a náusea mas continuo com sede!

Esta história já não é inédita em mim. Falta de hidratação durante o esforço e uma quantidade exagerada de água ingerida num curtíssimo espaço de tempo sem tempo ou forma de ser absorvida foram sem dúvida as razões para este triste episódio.

Agora o que me apetece? Água e fruta, coisas frescas, com sumo. Trinco uns pêssegos suculentos acabados de sair do frigorífico que deixam escorrer o seu suco pelo canto da boca e bebo alguma água, moderadamente agora. Mas continuo com sede...

- Foi um belo treino Amor.
- Não, não foi, sinto-me mal. Estou mal disposta - respondeu-lhe ela a sair do Audi novo dele - Mas de qualquer forma obrigada pela boleia e pela companhia no treino.
- Não precisas de agradecer - responde ele com sinceridade desta vez.

Ele sempre se prestou para essas coisas. Ajudar e orientar indivíduos que se iniciam (na corrida) ou que tentam alcançar qualquer objectivo, sempre foi um estímulo e uma motivação para ele. Uma vez gabou-se de já "ter posto" X mulheres a correr. Fiquei impressionada antes de perceber na totalidade os seus métodos e compreender completamente a sua entrega.

Uma atitude bonita essa de se disponibilizar para qualquer um, e para alguns como um autêntico treinador pessoal bem pago. É o seu amor à Corrida a explicação. E o Amor não se compra nem se vende. Dá-se! Muito bonito de se ver. Amanhã de manhã bem cedo parece que já tem treino marcado com um outro que fará uma maratona daqui a 3 semanas e precisa de companhia para treinar.

sábado, 19 de agosto de 2006

Sábado, 19 de Agosto de 2006

De novo e ainda na Ria Formosa, Algarve.

Desde que aqui estou tenho treinado dia sim dia não. Feito praia, piscina, conforme o tempo o permite mas infelizmente não tem permitido muito. Vento, frio e céu encoberto. Férias aproveita-se sempre mas não há dúvida que se o tempo estivesse melhor teria sido melhor.

Com excelente gastronomia me tenho regalado, mas também não sou difícil de satisfazer. Desde que haja peixe fresco grelhado sobre a mesa, um bom pão, bom vinho e boa companhia não peço muito mais.

Tenho é treinado sozinha, mas já dizia alguém: não se pode ter tudo.

Esta noite sonhei que corria. Corria a Transestrela, e estava a conseguir. A conseguir! Apreciava a paisagem e corria sem me cansar. No entanto acordei antes de chegar à meta...

E hoje senti-me cansada e não me apetecia nada treinar. No entanto, contrariei a preguiça e lá me meti pela ria. Fui devagar (pareceu-me) e senti-me bastante cansada e pesada, no entanto cheguei ao local onde tinha chegado com 30 minutos de corrida no último treino, hoje com 28 minutos. Entrei mais na ria até atingir os exactos 30 minutos e voltei. O vento está contra. Solto o cabelo que dança com o vento e prossigo com algum esforço, com alguma dificuldade. Olho de novo as diversas espécies de aves da ria. Voam, pescam, mergulham, fogem-me, seguem-me, nadam, brincam. Maravilhoso! Maravilhosa que é a Vida, na ria e noutros lugares!



A luta é minha, o esforço é meu e a vitória também - penso no regresso já a menos de 1 km do hotel enquanto subo para retornar ao alcatrão. Turistas na praia, ostentanto óculos de Sol da Chanel, bolsas Louis Vuitton e T-shirts Dolce & Gabbana olham-me admirados enquanto esperam um autocarro que os trará de volta da praia para o mesmo hotel para onde me dirijo eu, a correr, a suar e a ostentar uma t-shirt de algodão que diz "Estou a Treinar para a Maratona do Porto".
Aquelas pessoas não andam... mas estou certa que frequentam o ginásio...

Chego ao hotel com 58 m. Entro no pinhal mais 1 m e volto. Tenho feito mais um treino de
1 hr de Corrida Contínua. Senti-me cansada é certo, mas pelos vistos também andei mais rápido que no treino anterior. Há que reaprender a dosear o ritmo, agora que estou a reaprender a correr, e a reaprender a gostar de correr.

sexta-feira, 18 de agosto de 2006

5ª feira, 17 de Agosto de 2006

Eis que estou na Ria Formosa, Algarve, terra de Mouros, mas que mais parece de Alemães, Franceses, Ingleses e Espanhóis.

Portugueses? Somos nós e mais alguns que nos oferecem serviços de maus modos e de má qualidade.

Que me desculpem os Algarvios, mas quando num restaurante de 4 estrelas não sabem o que é um simples mas divinal Moscatel de Favaios, e sugerem um internacional Martini, fico deveras decepcionada.

Portugal, para os portugueses? Não no Algarve... onde as ementas estão em destaque em diversas línguas e onde o português é apenas uma legenda em rodapé. Triste, é triste a mentalidade que continuamos a ter. Têm sido uma luta quase constante estas mini férias, onde não prescindo dos meus direitos de consumidor, português neste caso.

Tristes histórias levo deste Algarve, mas coisas muito boas também. Aquilo que o Homem ainda não destruiu.

Treino de 1 hora de Corrida Contínua em plena Ria Formosa, através de carreiros por entre a água. Eu, o céu, a ria, a fauna e a flora. Não preciso de mais nada por ora. Senti-me bem, comigo e com o que me rodeava.

quarta-feira, 16 de agosto de 2006

3ª feira, 15 de Agosto de 2006

Há quem diga que a Maria não é a Ana e que a Ana não é a Maria. Mas o que poucos sabem é que a Ana e a Maria são a Ana Maria. E quem a conhece?

Quem pode dizer que conhece outro alguém ou até que se conhece a si mesmo?

Isto é "apenas" um blog.

Longe de casa corri sozinha num misto de asfalto e terra batida junto ao mar. Foi bom porque fiz 5 0 m Corrida contínua e não me senti muito mal. Até talvez bem, razoavelmente bem. Talvez pela novidade e descoberta do percurso.



Volto a mim. Há questões e não há respostas. Isto é um sonho e um pesadelo. Não pensar, mergulhar no mar e correr. É isto Viver?

Amanhã outro dia talvez.




"Quero que sejas o meu homem e faças de mim tua mulher"

Ele abraçou-a como sempre a abraçava. Ela apertou-o como se aquele abraço contivesse o mundo. O dela, aquele que ela ainda acredita que existe e onde gostaria de um dia viver.

domingo, 13 de agosto de 2006

Domingo, 13 de Agosto de 2006

Faltam 9 semanas para a Maratona do Porto, mais exactamente 63 dias se é que a tabuada não me falha.

Hoje as coisas estão melhores.

Primeiro, finalmente estou a escrever em tempo real. Hoje é mesmo domingo, pelo menos neste preciso momento e durante mais uns escassos minutos.

Em segundo, hoje recebi uns ténis novos que me estão como uma luva! Há anos que não tinha uns ténis que me ficassem como estes. Eu e o pé somos um só, sem existir qualquer incómodo pois a acomodação é perfeita, o amortecimento excelente e a estabilidade suficiente, mesmo o necessário para pesos pesados que é o no que eu estava em risco de me tornar caso não tivesse agarrado o cavalo! Mas agarrei o cavalo! Mesmo a tempo, o que vem mais uma vez demonstrar que estamos sempre a tempo! Só quando a morte já nos tiver levado é que será tarde demais.

E em terceiro, estreei os ténis e desta vez acompanhada, treinei durante 1h30m! Sim, leram bem! Aquele fardo que se arrastou ontem durante 32 minutos em sofrimento, hoje correu durante 1h30m e mais: ao longo do treino, durante talvez três quartos do mesmo senti-me muito confortável, muito bem mesmo! Sinal que o amor voltou. A Corrida está a dar-me de novo o que no passado já saboreei!

Pois foi 1h30m de corrida contínua no pinhal, em terra batida, e bem acompanhada.

Questiono-me: já não sei treinar sozinha? Coisa que quase sempre o fiz?

Será fraqueza, falta de força, de vontade, desanimo e um leque de palavras negativas? Não sei nem me interessa, também não tenho de ter respostas para tudo!

Agora, depois do treino, deitada de costas no chão macio do pinhal, sob as ramas dos pinheiros e o céu azul, levanto as pernas, cruzo-as no ar, vejo o caminho indicado nas meias brancas que hoje calcei e só tenho uma certeza: com estes ténis vou correr a Maratona do Porto 2006!

sábado, 12 de agosto de 2006

Sábado, 12 de Agosto de 2006

Sem encontrar resposta lógica, interrogo-me sobre o que faço nesta terra, nesta rua.

Andei. Sem saber ou querer, parei o carro na "Rua da Teimosa" e sozinha acabo de me equipar e vou pela estrada fora, agora a pé e em passo de corrida.

De ambos os lados gado. Bovino, ovino e cavalar. Na estrada os automóveis mais rápidos do que seria de desejar, e na berma, sempre correndo de frente para o trânsito, vou eu num piso acidentado alternando terra batida, areia e pedras, e ainda algum asfalto.

Estou decepcionada. Depois de 4 treinos em 7 dias, estou absolutamente na mesma! Ate parece que estou pior. É verdade que estava muito calor ainda, apesar da hora avançada da tarde, mas o piso era plano, não havia subidas nem dificuldades de maior! Fiz 16 minutos e retorno, pelo que totalizei 32 m de corrida contínua, em absoluto esforço apesar da lentidão.

Estava bem hidratada (bebo água em grande abundância repartida ao longo das 24 horas do dia), e se é verdade que não me lembro de ter almoçado na forma como 95% dos portugueses interpretam o almoço, e se comi a meio do dia um bom pão rico em diversas sementes, queijo fresco e fruta fresca, essa situação em mim é usual, pelo que não vejo nada que justifique tal cansaço no treino. Dificuldade em respirar, extrema e disparatadamente ofegante tendo em conta o ritmo, um peso no corpo, falta geral de energia. Que se passa comigo?

Mas há outra coisa: um pensamento constante esteve comigo durante o curto treino:

"Que faço eu aqui nesta terra de estranhos, sozinha a correr, apenas com o meu amor? " - O próprio, entenda-se, que apesar de ténue e frágil é ainda o único que me acompanha para além do da minha família.

Estou inscrita para a Maratona do Porto, mas ainda vejo a minha participação extremamente comprometida. Sinceramente, penso que não vou conseguir. Uma razaõ aponto para isso: o prazer de correr que eu tinha? O meu amor pela Corrida onde está? Alguém o viu passar, ou fugiu de mim e encostou-se aí num lugar qualquer ?

Se alguém tiver dele qualquer informação agradeço imenso que me contacte. Procuro-o incessantemente mesmo sem ter a certeza se vale a pena voltar a encontrá-lo. Temo que nada seja igual. Houve demasiadas agressões, estragou-se qualquer coisa, que eu busco em vão agora.

Como ele é? Daquilo que me recordo, ele era grande, belo, contagiante, singular, fazia-me sentir como ninguém... Dava-me vontade de sorrir, de lutar, de viver. E ultimamente...tenho sorrido pouco...

quinta-feira, 10 de agosto de 2006

4ª feira, 9 de Agosto de 2006

Faltam 67 dias para a Maratona do Porto.

A Inscrição para a Maratona já seguiu.

A Maratona… desta feita a do Porto. Embora aparentemente pareça um fim, um objectivo a alcançar, não o é de todo! A Maratona não é nunca um fim, mas um meio. Um meio para me sentir capaz, forte, viva. Um meio para suportar melhor a vida. Um meio para me sentir melhor e colorir os meus dias. Um meio para viver melhor afinal. É isto que a Maratona é para mim.

Hoje, à mesma hora da véspera, na mesma praia, a mesma mulher e o mesmo homem a correr. Os mesmos pescadores roubando vida aos mesmos peixes, as mesmas gaivotas, os mesmos últimos banhistas, as mesmas ondas, o mesmo Sol, o mesmo mar, a mesma brisa, o mesmo céu e a mesma lua.

Sabes para onde vais e ainda assim vais? – perguntam-lhe as ondas do mar enquanto a afagam docemente na escuridão que a envolve.

Ela responde que sim, que ainda assim vai. E mergulha outra e outra vez naquele mar maravilhoso com o qual partilha segredos, estórias e emoções. Escorre o cabelo molhado comprido que lhe acompanha as costas, seca-se e vai comer um daqueles peixes mortos roubados ao mar, agora sobre o carvão e divinamente temperado com sal, azeite, alho, limão e coentros.
O Treino? Foram 52 minutos de corrida contínua no areal macio e molhado.

quarta-feira, 9 de agosto de 2006

3ª feira, 8 de Agosto de 2006
Faltam 68 dias para a Maratona do Porto.

Peripécias, Tesouros e a Importância das coisas

Emerjo na mesma praia, apenas o dia vai mais avançado e o Sol já toca de novo o mar para nele descansar.

E eu? Corro pela areia molhada, maravilha da natureza. 47 minutos de corrida contínua apenas interrompida uma dezena de vezes para voltar atrás, baixar-me, colher tesouros e retomar o ritmo. Tesouros, autênticos tesouros depositados no areal limpo que agora tenho em casa ainda salgados a lembrar vida.
Cai já a noite, e o peixe é roubado ao mar para agora descansar morto na areia molhada. Hoje sou eu a amante despida banhada pelas ondas sem Sol. Este mar fresco que me afaga e ama. Melhor que o treino sem dúvida. Ou talvez o tenha sentido assim, precisamente porque tinha acabado de treinar. Tem destas coisas a vida. Se algumas coisas são tão boas e nos sabem tão bem, têm afinal uma razão menos boa que sem esta no entanto aquela não seria o que é!

Perder uma chave de carro num imenso e vazio areal quando a noite já sobre nós caiu e nos cobre totalmente não é coisa que se deseje a ninguém! Molhados, frescos e quentes dos beijos trocados, a roupa suada no chão, e um carro por abrir, fizeram o cenário da noite que durou até à uma da manhã.

Hoje, outro dia para correr.

terça-feira, 8 de agosto de 2006

Fonte da Telha, 2ª feira, 7 de Agosto de 2006

O dia chega ao fim.

Os banhistas absorvem os últimos raios de sol e à brisa fresca que se levanta oferecem seus corpos despidos dourados. A água fresca e viva deste mar único recebe-os e ama-os como se amam aqueles dois amantes que ingenuamente se entregam ao sabor das ondas. Pescadores protegidos do frio pelas roupas fortes recebem o peixe fresco acabado de ser resgatado ao seu mundo. Gaivotas rondam preguiçosas na esperança de algo colher.

E eu? Eu corro pelo areal. Já nada é novo. Nem o mar, as ondas, a brisa, o sol, as gaivotas ou o amor. Nem os peixes, nem a corrida, nada.

Tudo me parece irremediavelmente velho e gasto esbatido.

Corro 20 m contra a brisa e ainda bem que assim o fiz, pois depressa me sinto em esforço, e quando retorno soube-me imensamente bem deixar de sentir a brisa contra e sinto-me renovada pela prazer antecipado de acabar dali a outros 20 m e assim como o sol, no mar me deitar, nele me fundir e desaparecer.

Assim o fiz. 40 m de corrida contínua na areia molhada. O pensamento? A Maratona do Porto? É quase uma missão impossível, mas ainda assim vou tentar, pois se não o fizer nunca me perdoaria, desistir sem tentar.

No fim, cansada, e nem por isso feliz, me deito no mar e desapareço. Até amanhã emergir de novo numa praia qualquer.

segunda-feira, 7 de agosto de 2006

Sábado, 5 de Agosto de 2006

Não me interessa que digam que hoje é outro dia. Hoje é sábado, 5 de Agosto de 2006 e faltam 71 dias para a 3ª Edição da Maratona do Porto, prova que se realizará a 15 de Outubro de 2006.

Ontem tomei uma decisão e um compromisso para comigo mesma: vou participar nessa prova.

Único e mesmo assim ambicioso objectivo: conseguir fazê-la num tempo não muito superior às 4 horas.

Estou no ponto de partida em que a única bagagem é a experiência do passado e muitas promessas a mim mesma, mas o facto é que as memórias e as promessas, só por si de nada valem. A mala está vazia e inicio a viagem de mãos a abanar. Levo comigo apenas a minha vontade e muitos sonhos.


Hoje depois de meia hora a brincar a andar de bicicleta, voltei a treinar. Apenas 30 m de corrida contínua em estrada. Assusto-me! Sinto-me como se nunca tivesse corrido na vida!

Persistência é do que mais necessito agora. Para manter a motivação para treinar e para continuar a acreditar que vale a pena!