Dá por ela a escrever o nome dele nas margens do caderno onde está a matéria que deveria estudar para o exame que vai ter em breve.
A imagem dele é uma constante na sua cabeça, personagem fictícia retirada do mundo real, recriada do nada e ajustada aos seus sonhos e desejos de menina-mulher. A voz dele, o cheiro, o toque da sua pele macia quando trocaram o único beijo dado com pressa e as faces se tocaram por breves instantes, o olhar intenso, doce e penetrante dele e a forma como se move e ri, só de recordar fazem-na sentir-se nas nuvens.
Adormece com ele, agarrada à almofada, imaginando-o ali num abraço só sonhado, a cabeça dela sobre o peito dele que imagina belo como adónis.
Suspira e quase chora de saudade. Não sabe o momento de o voltar a ver. Aguarda. Uma palavra, um toque, um gesto, um sinal.
Acorda a horas incertas com ele no pensamento. Não tem fome nem sono nem sede nem nada. Vive na lua e sente-se docemente perdida numa amálgama de emoções experimentadas pela primeira vez. Está apaixonada.
Tão bom ter 15 anos! E um dia bem mais tarde na sua vida, vai descobrir que uma mulher pode ter 15 anos por várias vezes na sua vida e nessas alturas... sentir-se-á mais viva que nunca!
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terça-feira, 17 de junho de 2014
segunda-feira, 16 de junho de 2014
Momentos
Na correria da vida há momentos a que me obrigo, de paragem do comboio da vida que segue louco e desvairado sobre os carris. Páro. São meus estes momentos. Momentos de que preciso. Momentos que procuro e quero viver sofregamente, saboreando com verdadeiro deleite. Momentos em que estou verdadeiramente bem e recarrego baterias.
Uma banda nova, de nome União das Tribos, invade o panorama musical com uma energia contagiante. Gosto. Gosto muito!
Obrigada União das Tribos por este bocadinho bom na minha vida!
E hoje foi assim na Fnac Vasco da Gama:
| A capa do cd autografada |
| Cebola, Sérgio Lucas, Wilson, António Côrte-Real e Nuno Moás |
Mais algumas fotos, para ver, aqui
Se hoje corri, perguntarão alguns, mas isto afinal não é um blogue de uma mulher que ama a Corrida, reclamarão argumentando que assim o blogue se auto intitula... E eu respondo, corri, corri sim senhor, corri hoje, ontem e anteontem, mas isto é um blogue de uma Mulher que ama a Corrida e muitas coisas mais na vida e mais coisas tem ainda para descobrir e para amar! Porque a vida sem amor e sem paixão não é vida. E ela cada vez sente mais isso!
terça-feira, 10 de junho de 2014
Os dias...entre UHF
Sinto os dias como nunca senti. A Vida corre. Mais e bem mais rápida que eu. Mas hoje já a não deixo passar. Se posso fazer, faço. Se posso dizer, digo. Se posso ir, vou. Se posso sentir, sinto. Se posso beijar, beijo. Se posso amar, amo! Se posso correr, corro! Se posso viver... vivo!
Por isso não perdi os UHF no sábado no Pinhal Novo e não perdi UHF ontem em Oeiras.
Pelo meio ficou um dia inteiro com o meu pai no hospital. Nada de especial, nada de mais, dirão, e assim foi de facto: foi apenas trocar a bateria do "pace-maker" que tem instalado há 3 anos. Nada de mais pois, mas não deixa de ser sempre fonte de ligeira preocupação por mais simples e banal que a operação seja no meio clínico. Mas é o meu pai que ali está. É o meu pai e isso faz tudo passar de banal a especial num ápice!
Correu tudo muitíssimo bem e passadas 12 horas de termos saído de casa, já estávamos de volta.
E que melhor para celebar, brindar à vida ... que isto? Isto que me faz pular, saltar, sorrir e sentir-me mais viva que nunca?
Foi um fim de dia fantástico ontem em Oeiras! Obrigada António Côrte Real, António Manuel Ribeiro, Cebola, Ivan Cristiano e Nuno Oliveira! Obrigada por este concerto brutal. Intenso, forte, a agarrar-nos e a fazer-nos vibrar em cada canção. A tocar-nos a alma, remexendo-a, sacudindo-a para depois a levar em braços docemente para um local perto do Paraíso. ADOREI! Porque foi assim que vivi e senti este concerto!
Porque foi assim que comemrei a Vida, brindei ao meu pai e a todos que amo!
Obrigada UHF
"Quando (dentro de ti) - UHF:
UHF - Oeiras - 9 de Junho de 2014 - Mais algumas fotos no meu facebook, aqui
Do Pinhal Novo, no dia 7, deixo por aqui:
"Os Vampiros" - de José Afonso, com a brutal interpretação dos UHF:
terça-feira, 3 de junho de 2014
Memórias de uma menina
Não sabe porque as memórias a assaltam assim, invadindo-a sem permissão ou chamamento. Nem sabe porquê estas precisamente.
As janelas estão abertas de par em par. Rectângulos gigantescos de luz a iluminarem o quarto. Está um dia soalheiro, a luz é intensa e o branco é dominante, demasiado até. Brancas são as paredes e os lençóis que cobrem os corpos magros. Branca é a pele de avô deitado sobre a cama. Branca é a bolacha de água e sal, as únicas que o avô pode comer e que ela segura na sua pequena mão e mordisca devagar.
"Conta ao avô, vá!", incentiva-a a mãe, mas ela, de pé encostada à cama, não diz nada, tímida e assustada sem compreender bem a situação nem entender porquê o avô está ali. "Ela hoje fez o almoço!" Disse a mãe orgulhosa e perante a fingida surpresa do avô, a menina acena com a cabeça afirmativamente num misto de orgulho, timidez e tristeza.
Recorda o cheiro. O cheiro das bolachas "Cracker", irrepetível na vida dela, misturado com o cheiro a hospital, a desinfectante e a doença ao mesmo tempo. O cheiro. Esse cheiro consegue senti-lo hoje tão intenso e tão vivo como o era nessa época. Claro, inequívoco e inigualável.
Outra vez, quando chegaram para a visita, não a deixaram entrar. A mãe afastou-a empurrando-a para trás com firmeza com uma mão sobre o peito dela. O osso estava à vista, disseram-lhe mais tarde, e nesse dia ela não viu o avô.
Outra vez ainda, a mãe teve de ajudar o avô a fazer xixi, assim, ali mesmo no quarto, e recorda as duas figuras de costas: o avô grande e branco (branco também pelas roupas vestidas), calvo, apoiado com o braço sobre os ombros da sua filha, figura pequena mas grande em força que o ajudou a manter-se sentado na cama e a aliviar-se, acertando no recipiente para o efeito.
Outro dia ainda, à hora da visita a cama do avô estava vazia. Feita de lavado, lençóis impecavelmente alvos, esticados sobre a cama, sem um vinco ou uma ruga sequer.
Depois, no dia seguinte por certo, seguiu-se a visita à casa mortuária, ali mesmo, naquela que pertencia ao hospital, revestida de azulejos coloridos e muito preenchidos, do tecto ao chão. Pequena, apertada, com decoração beata e um pequeno altar. Muitas pessoas de idade e ela. No meio, o corpo do avô em caixão aberto. Não houve receio. Apenas um mistério a pairar sobre a criança. Pouca dor, ou mesmo tristeza. Um sentir estranho este.
No dia seguinte, já no cemitério, a cena foi observada e digerida de longe. O lenço que tapava o rosto do avô, agora desviado para o mostrar e para que todos se pudessem despedir dele, teimosamente voltava a cobrir o rosto do avô com a brisa que se fazia sentir e que de quando em quando era mais forte e levava o pano a cobrir de novo o rosto do avô, para ser também de novo retirado pelo senhor da funerária, deixando o rosto descoberto. Isto repetiu-se algumas vezes e é a última imagem que a pequena tem do avô.
Depois, há todos os passeios que deram no meio do campo. O sabor dos passeios à Fonte dos Porcos e à Fonte do Freixo, agora inexistentes. Caminhos de terra entre vegetação. E mais uma vez o cheiro. O doce cheiro desses passeios com o avô...O cheiro das ervas, das flores, do mato. A mão forte do avô e os passos de gigante que ela tinha dificuldade em acompanhar.
As vezes que juntos caminharam, de mão dada com ela, pois era a mais nova dos netos...
Recorda-se daquela vez que foram só os dois e levaram duas pêras para o lanche. Comida a dela, a pequena ainda com fome pergunta ao avô "Tu tens fome avô?" ao que ele responde que não, não tinha, para logo ver ripostada pela menina de 4 anos apenas "Então podes dar-me a tua pêra!", episódio esse contado depois repetidas vezes, com muito orgulho pelo avô, a toda a família e amigos. Como era esperta a pequena! Dizia ele.
Por tudo isso, por tudo isso, este monte de pedras tem um significado muito especial para a rapariga. Este edifício em degradação, conta muitas histórias, muitas histórias, e uma delas, é a dos últimos dias desta menina com o seu avô. O avô Quico...
As janelas estão abertas de par em par. Rectângulos gigantescos de luz a iluminarem o quarto. Está um dia soalheiro, a luz é intensa e o branco é dominante, demasiado até. Brancas são as paredes e os lençóis que cobrem os corpos magros. Branca é a pele de avô deitado sobre a cama. Branca é a bolacha de água e sal, as únicas que o avô pode comer e que ela segura na sua pequena mão e mordisca devagar.
"Conta ao avô, vá!", incentiva-a a mãe, mas ela, de pé encostada à cama, não diz nada, tímida e assustada sem compreender bem a situação nem entender porquê o avô está ali. "Ela hoje fez o almoço!" Disse a mãe orgulhosa e perante a fingida surpresa do avô, a menina acena com a cabeça afirmativamente num misto de orgulho, timidez e tristeza.
Recorda o cheiro. O cheiro das bolachas "Cracker", irrepetível na vida dela, misturado com o cheiro a hospital, a desinfectante e a doença ao mesmo tempo. O cheiro. Esse cheiro consegue senti-lo hoje tão intenso e tão vivo como o era nessa época. Claro, inequívoco e inigualável.
Outra vez, quando chegaram para a visita, não a deixaram entrar. A mãe afastou-a empurrando-a para trás com firmeza com uma mão sobre o peito dela. O osso estava à vista, disseram-lhe mais tarde, e nesse dia ela não viu o avô.
Outra vez ainda, a mãe teve de ajudar o avô a fazer xixi, assim, ali mesmo no quarto, e recorda as duas figuras de costas: o avô grande e branco (branco também pelas roupas vestidas), calvo, apoiado com o braço sobre os ombros da sua filha, figura pequena mas grande em força que o ajudou a manter-se sentado na cama e a aliviar-se, acertando no recipiente para o efeito.
Outro dia ainda, à hora da visita a cama do avô estava vazia. Feita de lavado, lençóis impecavelmente alvos, esticados sobre a cama, sem um vinco ou uma ruga sequer.
Depois, no dia seguinte por certo, seguiu-se a visita à casa mortuária, ali mesmo, naquela que pertencia ao hospital, revestida de azulejos coloridos e muito preenchidos, do tecto ao chão. Pequena, apertada, com decoração beata e um pequeno altar. Muitas pessoas de idade e ela. No meio, o corpo do avô em caixão aberto. Não houve receio. Apenas um mistério a pairar sobre a criança. Pouca dor, ou mesmo tristeza. Um sentir estranho este.
No dia seguinte, já no cemitério, a cena foi observada e digerida de longe. O lenço que tapava o rosto do avô, agora desviado para o mostrar e para que todos se pudessem despedir dele, teimosamente voltava a cobrir o rosto do avô com a brisa que se fazia sentir e que de quando em quando era mais forte e levava o pano a cobrir de novo o rosto do avô, para ser também de novo retirado pelo senhor da funerária, deixando o rosto descoberto. Isto repetiu-se algumas vezes e é a última imagem que a pequena tem do avô.
Depois, há todos os passeios que deram no meio do campo. O sabor dos passeios à Fonte dos Porcos e à Fonte do Freixo, agora inexistentes. Caminhos de terra entre vegetação. E mais uma vez o cheiro. O doce cheiro desses passeios com o avô...O cheiro das ervas, das flores, do mato. A mão forte do avô e os passos de gigante que ela tinha dificuldade em acompanhar.
As vezes que juntos caminharam, de mão dada com ela, pois era a mais nova dos netos...
Recorda-se daquela vez que foram só os dois e levaram duas pêras para o lanche. Comida a dela, a pequena ainda com fome pergunta ao avô "Tu tens fome avô?" ao que ele responde que não, não tinha, para logo ver ripostada pela menina de 4 anos apenas "Então podes dar-me a tua pêra!", episódio esse contado depois repetidas vezes, com muito orgulho pelo avô, a toda a família e amigos. Como era esperta a pequena! Dizia ele.
Por tudo isso, por tudo isso, este monte de pedras tem um significado muito especial para a rapariga. Este edifício em degradação, conta muitas histórias, muitas histórias, e uma delas, é a dos últimos dias desta menina com o seu avô. O avô Quico...
segunda-feira, 2 de junho de 2014
78 anos
Passam os dias. Passa a Vida. E afinal descobrimos que somos nós é que vamos passando. Vamos passando os nossos dias. Vamos passando a nossa Vida. Distraídos, muitas vezes. Surpreendidos outras tantas.
Como escolhemos, dirão alguns. Como nos deixam e nos é permitido, dirão outros. Como queremos, dirão outros e como sabemos dirão outros ainda.
Pois eu digo que é um pouco disso tudo. Como escolhemos, como nos deixam e nos é permitido, como queremos e como sabemos.
E o meu Melro já cá passou 78 anos. Fez no dia 29 de Maio. Festejámos.
As velas guardam-se para daqui a 9 anos, quando trocarem a ordem agora disposta no bolo, dizemos meio a sério meio a brincar.
Por ora, o Melro foi feliz neste dia do seu 78º aniversário. E se ele foi feliz, nós também!
Pois então muitos Parabéns Pai e muitos anos de Vida com muita saúde e alegria. O resto...a gente dá sempre um jeito.
Como escolhemos, dirão alguns. Como nos deixam e nos é permitido, dirão outros. Como queremos, dirão outros e como sabemos dirão outros ainda.
Pois eu digo que é um pouco disso tudo. Como escolhemos, como nos deixam e nos é permitido, como queremos e como sabemos.
E o meu Melro já cá passou 78 anos. Fez no dia 29 de Maio. Festejámos.
As velas guardam-se para daqui a 9 anos, quando trocarem a ordem agora disposta no bolo, dizemos meio a sério meio a brincar.
Por ora, o Melro foi feliz neste dia do seu 78º aniversário. E se ele foi feliz, nós também!
Pois então muitos Parabéns Pai e muitos anos de Vida com muita saúde e alegria. O resto...a gente dá sempre um jeito.
domingo, 1 de junho de 2014
União das Tribos
Estiveram ontem, 31 de Maio de 2014, na Fnac do Fórum Almada. Eu estive lá e gostei muito. Muito mesmo!
Surpreenderam-me estes rapazes! Uma excelente actuação de todos, mas deixem-me confessar que o Sérgio Lucas me cativou e prendeu a atenção a roçar o fascínio. Muito bom! Parabéns a todos por ontem em Almada e que este seja o 1º de muitos espectáculos dos União das Tribos a que eu assitirei! Muito sucesso pois... vocês merecem!
Surpreenderam-me estes rapazes! Uma excelente actuação de todos, mas deixem-me confessar que o Sérgio Lucas me cativou e prendeu a atenção a roçar o fascínio. Muito bom! Parabéns a todos por ontem em Almada e que este seja o 1º de muitos espectáculos dos União das Tribos a que eu assitirei! Muito sucesso pois... vocês merecem!
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