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sexta-feira, 12 de maio de 2017

6ª Corrida Rota do Queijo, 7 de Maio de 2017




Confesso que por vezes me soo a repetitiva, enfadonha, sem graça ou originalidade. Longe vão os tempos, há 10 anos atrás quando este espaço dava os primeiros passos e eu já levava 30 anos desta coisa entranhada em mim chamada Corrida e corria e escrevia. E escrevia e corria e levava a correr comigo na melodia das palavras este e aquele que me lia. Hoje, como naquele tempo também (afinal) não sei quem me lê, onde chego e para que chego.
Hoje, as pessoas correm cada vez mais e mais depressa e não há tempo. Tempo para ler, tempo para escrever, tempo para nada. A facilidade e rapidez doutros meios empurrou a maioria dos blogues para um pantanal mal cheiroso, onde eu própria, confesso, pouco paro. Por dificuldades e limitações técnicas também, no meu caso, mas no geral é assim. Ofereço palavras que pouco mais de meia dúzia absorverão e menos ainda apreciarão. Porque não há tempo. Ou talento. Para escrever e para ler.

Ainda assim, Correr está em mim. Uma e outra e outra vez. Sempre! Com melhor ou pior forma, em provas populares ou ali na estrada ou na serra. Correr é como respirar. É preciso para continuar viva! Por isso...Corro! E escrever também! 

E nesta fase de retoma, depois de praticamente um ano parada, por lesão, a Corrida tem ganho espaço de novo na minha vida. Aos poucos. Muito devagarinho, mas de forma contínua e até teimosa, quando as condições (e algumas pessoas) me dizem que parar e desistir talvez fosse o mais ajuizado e...fácil! Fácil! Como se as coisas fáceis nos dessem um ínfimo da alegria e prazer das que, não sendo propriamente difíceis, nos dão alguma luta, e talvez precisamente por isso me fazem sentir tão viva. 

Assim, aparentemente repetitiva, mas as coisas são como são, e é importante dizê-lo, voltei à Corrida Rota do Queijo, na sua 6ª edição, realizada no dia 7 de Maio de 2017, em Lousa. 
Repetir dirão alguns, reinventar digo eu. Correr e viver...sempre! Corrida esta integrada no 33º Troféu "Corrida das Colectividades", Loures

São provas gratuitas, várias, organizadas pelas colectividades do concelho de Loures, a proporcionar a custo zero (sim, isto é muito importante!) a oportunidade a todos de Correr! Papel fundamental o dos clubes, que promovem a Corrida desde a tenra idade e preparam os seus atletas, e os leva e traz a casa, e dá a muitos jovens uma oportunidade que vai muito além da Corrida. Conhecem outro mundo, outras vidas e abrem-se portas e caminhos possíveis de percorrer. Desde os Benjamins aos Veteranos todos têm aqui a sua oportunidade.

Pessoalmente, inscrevi-me no próprio dia da prova, apesar de ter enviado mail para a Camara de Loures dias antes, conforme indicação de simpático e prestável elemento da Junta de Freguesia de Lousa, mais infelizmente, por algum motivo, a inscrição não fora considerada. Sem qualquer entrave, fui inscrita na hora, ali, minutos antes do início das provas e possuo agora um dorsal que me dá acesso a todas as provas do Troféu.

A Corrida Rota do Queijo é uma Corrida muito especial. Lousa é verde, é colinas, é casas antigas a lembrar-me que tenho raízes ali também. 
As provas começam a horas. É ver a pequenada a correr como se não houvesse amanhã. 

Depois a prova principal, com a distância de 7,900 Km, que eu percorri em 49m37s. 

Aqueço um pouco antes, num trote ligeiro, e à hora marcada alinho na Partida, bem lá de trás. Verifico que somos poucos. Demasiado poucos para o oferta da prova. Mas verifica-se que o mediático é o mais procurado. Cegamente. Como ovelhas cegas que somos. Depois há Corridas como a Corrida Rota do Queijo, despercebida e desconhecida para muitos. Ou talvez desinteressante. Sim, também poderá ser desinteressante, conforme o perfil e objectivo do Corredor. Desinteressante pelas características da prova: uma distância de 7,900 Km, um percurso misto de asfalto e caminhos de terra batida, um desnível acentuado (elevação de 214 metros), inscrição gratuita, pontualidade, percurso bem marcado e sem trânsito, abastecimento de água durante a prova, bons prémios de presença (mas quem se mata por uma medalha e pela 1701ª  t-shirt que ganhará numa prova...não pode vir aqui e gostar), boa recepção na Meta, com pórtico insuflável e um saco com uma garrafa de água, uma maçã, uma barra energética de fruta, um bom pão saloio e um melhor queijo Tété, com produção em Carcavelos, localidade rural por onde passámos na prova, e onde o cheiro a cabra, ovelha e vaca nos invade as narinas, transportando-nos para lugares encantados dentro de nós. Comigo é assim e adoro! As classificações são rápidas, apesar de não haver chip e além da entrega de prémios no local ser relativamente rápida, as classificações são também disponibilizadas na internet poucos dias depois.

Resumindo, é uma prova diferente, bonita, bem organizada, de dificuldade relativa (acessível a todos com algum treino) e onde nos sentimos muito bem-vindos.

Por tudo isto, dou os meus sinceros Parabéns à Junta de Freguesia de Lousa, que com o apoio dos Bombeiros Voluntários de Loures e da Camara de Loures levou a cabo com sucesso esta magnífica prova!

Se recomendo e se penso voltar? A repetir ou reinventar? Sem dúvida que sim! 

A minha Corrida, registada pelo Strava, para ver aqui

Regulamento, informações da prova e Classificações podem ser vistas aqui:

33º Troféu "Corrida das Colectividades", Loures


Algumas fotos:

O meu pai, eterno companheiro, a repetir aventuras Corridas, reinventando cada uma delas como se fosse a primeira:



 Pela Gabriela, Amigos de Vale Silêncio, ainda a aquecer aqui:



Por Ana Paula Silva, dos Amigos de Vale Silêncio:


Pelo meu pai, a caminho da Meta, sempre a descer agora!!!




A chegada à meta, fotos de Célia Fonseca:



Foto de Ana Paula Silva, já depois da meta cortada:

As fotos, pelo meu pai...com máquina emprestada...sem prática...foi o que se conseguiu, para ver e usufruir, aqui

domingo, 30 de abril de 2017

Juro...


Seguimos por esta estrada. Quero ver se chegamos ao Rio Trancão, antes dele chegar ao Tejo, e voltamos.
Está muito calor. Estou a morrer de sede.
Juro que não vais, aqui e agora, morrer de sede!
Vamos andar.
Caminhamos.
Corremos.
Estou a morrer de sede.
Esquece isso. Juro que o Rio está perto.
Estou a morrer de sede!
Talvez naquela casa esteja alguém e possamos pedir água. 
E se ali estivesse uma mulher, de negro vestida, ao portão da casa, de bilha de barro apoiada na anca e púcaro estendido e nos oferecesse a água fresca que chilreia como um passarinho ao verter da bilha? Ah? Que tal? Depois, quando olhasses para dentro do púcaro, já nas tuas mãos, sôfrega e agradecida, e o elevas para matar a sede, verificas que a serpentear na água como doidos estão dezenas de pequenos vermes escorregadios e pretos?
Juro que te mato! Achas que tens graça?
Acho! 
Olha para este muro. Esta casa podia contar-nos tantas histórias...
Pois...se as casas falassem...
Olá bom dia, diria a casa e tu borravas-te de medo!
Oh! Não é isso!
Caminhamos mais. Suadas. Vermelhas. Juntas. Felizes neste instante de Vida.
Olha! Olha para aquela janela! 
Juro que naquela janela estava uma pessoa. Ali, lá dentro de casa! 
Não vejo nada.
Juro!

E hoje foi isto - ver aqui, sem saber se as fotos justificam o ritmo ou se o ritmo justifica as fotos. E quanto importa isso?    Foi uma belíssima manhã! Juro!


Quinta do Brasileiro:




Quinta do Brasileiro

Quinta do Monteiro-Mor:












Quinta do Monteiro-Mor





Rio Trancão

terça-feira, 25 de abril de 2017

40ª Corrida da Liberdade, Lisboa, 25 de Abril de 2017

E como foi? Conta!

Bem...

Em 2013, quando tão tardiamente a "descobri", foi assim, ver aqui

Em 2014, foi assim, ver aqui

Em 2015...assim, ver aqui

Em 2016...andava a fornicar com toda a energia e paixão a Fascia Plantar do meu pé esquerdo e portanto, andava a subir e descer montes e vales nas maiores distâncias que conseguia (que nunca chegaram a ser nada por aí além) e por isso faltei a esta prova ímpar e singular, que comemora o nosso 25 de Abril, a nossa Liberdade e que relembra a nossa história que faz de nós o que somos hoje!

Este ano, depois de 11 meses sem participar em qualquer prova (sim, ONZE MESES) dos quais 9 PARADA, em buscas sucessivas, inglórias e frustrantes, de alguma cura ou apenas melhoria para a Fascite plantar que desenvolvi no pé esquerdo, e com 2 meses de "recomeço" (quando comecei a sentir algumas efectivas melhoras no pé, atrevi-me a voltar à Corrida da Liberdade e a prestação foi assim, registada no Strava.
Está bem, mas não nos interessa as tuas médias, o que queremos saber é como foi a Corrida. Como é esta Corrida e como foi corrê-la no dia 25 de Abril de 2017, passados 43 anos da revolução.


Bem, posso começar por me armar em espécie de jornalista, supostamente imparcial e dizer que a Corrida foi organizada pela ACCL - Associação das Colectividades do Concelho de Lisboa, que teve milhares de participantes, entre as várias possibilidades de participação proporcionadas (houve vários eventos, como corridas para os mais jovens, caminhada e a prova principal, na qual participei, com quase 11 Km de extensão, a começar no quartel, agora da GNR, na Pontinha, a percorrer as avenidas da capital e a terminar na Praça dos Restauradores). Que teve inscrição gratuita e muito fácil (até se podia aparecer no próprio dia e era-nos dado um dorsal, dando-os direito à participação e a tudo que isso nos proporcionava). Que teve as ruas completamente cortadas ao trânsito, segurança assegurada portanto, que houve uma partida bonita e a horas, com solta de pombos e a banda a tocar, que tivemos água a meio do percurso, percurso esse perfeitamente assinalado, que houve uma medalha para todos os chegados à meta, assim como uma t-shirt de algodão, água, um saco e uma garrafa em plástico reutilizável a incentivar ao consumo de água canalizada. Que não houve classificação e houve alguma demora no escoamento dos atletas depois da chegada à meta. Que tudo na balança (Custo zero!) a Corrida da Liberdade, realizada pela 40ª vez é um evento admirável e imperdível! Uma comemoração a lembrar o que agora é "só" uma memória (e em risco de se perder) e a assinalar uma  viragem crucial na história de Portugal que todos os verdadeiros Amantes da Corrida só podem aplaudir e de pé durante largos minutos! A Corrida da Liberdade é verdadeiramente um marco simbólico e prático na Corrida para todos em Portugal! 

Oh pá, mas isso já sabemos, vem em todo o lado que se fale de Corrida! (mas onde se fala de Corrida?! Ah...nos 1001 blogues que existem e nas redes sociais e ainda talvez duas ou três linhas num ou outro jornal). O que queria mesmo saber era da tua Corrida, rapariga!

Oh pá...a minha Corrida da Liberdade, esta especialmente, foi a Liberdade em acção! Livre para Correr! Livre sem necessidade de dinheiro para mais tratamentos e exames e consultas médicas especiais sem resultados. Livre para Correr sem dinheiro! Livre para sorrir, de cravo ao peito orgulhosa. Livre para escrever ou não escrever e dizer o que penso sem ir presa ou/e levar uma carga de porrada. Livre para ter amigos e sentir a amizade. Livre para voar como  os pombos correio na bonita solta que fizeram na Partida e como há tanto tempo eu própria não voava. Livre para SER EU, só isto, e só isto...é tudo! 25 de Abril sempre!

Corri 10,800 Km em 58m, média de 5m20s/Km








 Fotos:

Pela AMMA - Atletismo Magazine Modalidades Amadoras, aqui 

Pelo Portugal Running, aqui


terça-feira, 24 de janeiro de 2017

48 anos






48 Primaveras, outros tantos Verões, mais 48 Outonos e também 48 Invernos. Acumulo estações como emoções. Estas últimas exponenciadas ao máximo, limitadas pelas correntes que me prendem, circunstâncias e fraquezas, mas multiplicadas pelos meses, pelas semanas, pelos dias, pelas horas, pelos momentos e por cada exacto instante em que respiro. Instante excepcional este, em que inspiro e expiro. Injustamente esquecida a sua singularidade e magnitude e remetido para a banalidade das coisas esse instante, tal a sua frequência e suposta e assumida garantida regularidade. 48 anos depois do primeiro, tento não esquecer o quão especial é este instante. Este! Exactamente este! Sinónimo de Vida desde que nascemos e depois, tão menosprezado, até ao dia em deixe de se cumprir naturalmente...

"Soneto de aniversário

Passem-se dias, horas, meses, anos
Amadureçam as ilusões da vida
Prossiga ela sempre dividida
Entre compensações e desenganos.

Faça-se a carne mais envelhecida
Diminuam os bens, cresçam os danos
Vença o ideal de andar caminhos planos
Melhor que levar tudo de vencida.

Queira-se antes ventura que aventura
À medida que a têmpora embranquece
E fica tenra a fibra que era dura.

E eu te direi: amiga minha, esquece...
Que grande é este amor meu de criatura
Que vê envelhecer e não envelhece."
Vinicius de Moraes

sábado, 12 de novembro de 2016

13ª Maratona do Porto - Do lado de fora este ano





















A Maratona do Porto para mim, começa sempre no início de cada Verão. Quer seja por ser nessa altura que considero e reconsidero o que quero e posso fazer em termos de participação e ser altura de embarcar num qualquer plano de treinos, quer seja por começar a receber os primeiros contactos de participantes que pretendem reservar o seu lugar nos autocarros que a Runporto tem disponibilizado e eu coordenado. Autocarros esses que fazem 300 Km (Lisboa-Porto) para levar de forma económica, cómoda e prática, quem pretenda participar em qualquer das provas inseridas no evento Maratona do Porto.
Este ano foram apenas 110 pessoas. Cerca de 75 delas eram inscritos na Maratona. Vários estreantes que voltaram de lá Maratonistas, o que sempre me alegra e emociona, especialmente quando partilham comigo receios e sonhos e eu com eles vivo e vibro na sua conquista desta Meta.

Ora este ano, ambicionar o que quer que fosse em relação à minha participação (mesmo que fosse apenas na Family Race)  se de início ainda existia uma réstia de esperança, com os primeiros mini treinos só para experimentar voltar a correr verifiquei rapidamente que a ideia era para esquecer (lesão continua agarrada a mim). Choro e birra não houve mas quase. Mas vamos lá levar os autocarros na mesma...

Confessso que organizar isto sem ir Correr é no mínimo estranho. Bizarro e doloroso até. Mas deixemo-nos de egocentrismos, que a Maratona do Porto merece mais. E sem me surpreender acabei por adorar, mesmo sem ter corrido.Divertido, emocionante e muito gratificante.

Acompanhar os amigos nesta viagem, levá-los à partida, ficar com o meu pai e com amigos, que como eu este ano estão de fora: Paula Cristina e Ruben, apoiar a chegada dos atletas durante 5 horas, gritar como louca até a voz doer e dei por mim a apoiar todos, a chamar pelo nome até os que não conhecia (os dorsais tinham o nome do atleta), a usar o meu Francês, Inglês e Espanhol, numa trapalhada gigante sempre que me apercebia que o atleta era estrangeiro, a desejar que eles tivessem a melhor experiência possível e que levassem as melhores recordações possíveis. E eu ali estava a aplaudir, a gritar e a dar força, força que me falta agora para ser eu a Correr. Corri com eles, alegra-me pensar. E assim é um bocadinho. E se por instantes "descansava" de aplaudir e  gritar, alguém conhecido, em plena Corrida chamava por mim e eu retomava o ritmo da animação, feliz por reencontrar mais um rosto amigo entre os atletas. "Então os atletas é que gritam por ti?!" Comenta a minha amiga Paula, que como eu e o Ruben ali estiveram, incansáveis, a participar e a viver a Maratona do Porto, como nos foi possível. Dos atletas, retenho os rostos cansados, suados, muitos disfigurados, mas o olhar e o sorriso com um brilho fantástico, a dizer tanto em resposta aos nossos aplausos. Fui paga em sorrisos e saí de lá muito rica! 


A Maratona do Porto assume-se e com todo o mérito como A Maratona de Portugal. Profissionalismo e atenção ao atleta fazem dela a nossa Maratona.Uma feira fantástica que nos recebe, a Pasta Party, com bom escoamento e pouco tempo de espera. Vários stands para visitar e até aproveitar alguma promoção de artigos sempre do interesse do atleta.

No dia da prova, um ambiente fantástico. Uma partida junto ao mar, (corrigido o erro do ano passado e do estrangulamento na saída dos atletas), e um percurso muito bonito. Muita animação, bons abastecimentos, apoio médico e uma fantástica chegada à meta. Do primeiro ao último atleta!

E de novo a Maratona do Porto bate o record de atletas chegadas à meta em Portugal: 4746! E eu não estive entre eles, mas em Novembro de 2017, para a 14ª edição da Maratona do Porto, tenho já lugar marcado, de preferência do lado de dentro das grades e a cortar a meta depois de suar e sorrir 42.195 metros. Assim a saúde me deixe, que do resto, do resto, eu trato!








A Maratona resumida, arrepiante:




A chegada do último participante, para ver aqui

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Prometo

Meu amor
Eu prometo.
Levar—te de novo a ver o Mar
Uma e outra vez
Para correres na praia
Mordiscares as ondas
Escavares e rebolares na areia molhada

Prometo levar—te meu amor
Para correres livre
E me ensinares a ser feliz em cada exacto instante da vida
Não logo, não amanhã, não um dia
Mas feliz agora

Tu que me vês com o coração
Me conheces o âmago e só isso te importa
E por isso me amas, que eu sei

Prometo meu amor
Levar—te ainda a correres no Monte
E brincares no pinhal
Prometo meu amor
Levar-te à cidade
Mostrar-te mundos, o Ceú, o Sol, a Lua

Prometo meu amor
Levar—te comigo para todo o lado
Prometo fazer—te feliz como tu me fazes

Prometo meu amor.
Só te peço uma coisa
Fica comigo.