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sexta-feira, 30 de novembro de 2007
segunda-feira, 19 de novembro de 2007
II G.P.ARRÁBIDA em imagens
Palmela: o monte para subir e o Castelo para conquistar:
Classificações em: http://www.lebresdosado.pt/Atletismo/071118.htm
Classificações em: http://www.lebresdosado.pt/Atletismo/071118.htm
II Grande Prémio da Arrábida – 18 de Novembro de 2007
II Grande Prémio da Arrábida – em palavras:
Três dias sem internet e eis que aqui chego e vejo a quantidade e a riqueza dos comentários aqui deixados nas minhas últimas mensagens. A todos sem excepção, agradeço a paciência de me lerem e ainda de gastarem algum do seu tempo (que não é perdido, pois as palavras têm poder e fazem diferença sim!).
Pois conforme muitos previram, a minha opção de caminho é mesmo a 3ª opção: fazer o meu próprio caminho, a corta mato, por mais arranhadelas que isso me provoque nas canelas e coxas. A corrida está-me no sangue e enquanto este correr, correrei eu também. Desistir nunca!
E estive ontem no II Grande Prémio da Arrábida, e planeio já uma próxima Maratona (com treinos!) para "limpar" a minha desistência no Porto.
E ontem fui feliz no G.P.Arrábida! Muito feliz! 1h12m10s! Conquistar Palmela e voltar! E eu conquistei! Aqui deixo o meu relato (que não é o da bola):
Por razões alheias à minha própria vontade, apenas na semana que antecedia a prova e já após a data limite para as inscrições, me decidi a participar na 2ª edição deste Grande Prémio, por várias razões sendo a principal o percurso que já conhecia do ano passado: sair de Setúbal, subir ao Castelo de Palmela e voltar. Absolutamente magnífico. Só razões bastantes fortes me tornariam ausente.
Um telefonema para a organização: Lebres do Sado. A boa vontade de aceitar ainda a inscrição, e envelope enviado a correr, em correio azul com os dados e o valor da inscrição, que por sinal ia todo em moedas, daí que passados exactamente 2 dias, recebo a carta devolvida por franquia insuficiente 8faltava 20 cêntimos!) para o peso da mesma! 6ª feira! Como quando acredito que vale a pena, não sou dada a desistir facilmente, faço novo telefonema para a Organização, na pessoa do Sr. Mota, que com redobrada boa vontade e uma grande dose de paciência também, me aceitou a inscrição por telefone e o pagamento far-se-ia no acto de levantamento dos dorsais. O que veio a acontecer com a maior das eficiências (levantamento de dorsais).
Os meus maiores agradecimentos à Organização e para o ano prometo não só ir, como me inscrever a tempo e horas.
Agora a prova:
Chego cedo para regularizar a minha inscrição e sempre acompanhada do meu pai sobra-me tempo mais que suficiente para o café e rever amigos. A par da corrida existia também uma caminhada, pois parece-me que já não se fazem aquelas sem estas, o que é de louvar e incentivar sem dúvida alguma.
Há um ambiente festivo e música no ar, com pessoal a promover o aquecimento e os alongamentos, a partir de um palco e incentivando de forma contagiante a repetição dos movimentos sempre ao som da música.
Cerca de 3 centenas de atletas estão à partida. Primam as Lebres do Sado por fazer correr o pelotão em massa nos primeiros 3 km da prova, ritmo lento (?) imposto pelas Lebres que atletas como eu não sentem.
Basicamente a prova divide-se em subir – a inesquecível Subida da Cobra – até ao Castelo de Palmela, e regresso, numa assustadora descida – Descida da Lagartixa. O percurso faz-se em perfeita segurança, muito bem sinalizado, num misto de alcatrão e terra batida com 2 abastecimentos durante a prova, e de forma original quase nos fazem parar 2 indivíduos de camisa branca e laço preto, tentando nos servir um Moscatel, de Setúbal certamente. Engraçado, apesar de pessoalmente dispensar a experiência. Ainda assim, sem dúvida alguma aquela passagem faz parte da animação da prova. Gostei!
A chegada ao ponto de partida – Jardim de Vanicelos, faz-se precisamente atravessando uma boa parte do jardim, sinalizado por fitas e onde somos levados a correr na relva macia.
Para não destoar de tudo o que foi a prova, somos muito bem recebidos à chegada e um saco de prémios é-nos oferecido, dos quais destaco a t-shirt, a garrafa de Moscatel com o logótipo da prova e um boné.
A equipa organizativa esteve muito bem, desde o início ao fim. Vontade de voltar para o ano? Sem dúvida que sim! Por tudo o que disse, e por muito mais que nem sempre se consegue dizer mas que se sente! E eu senti!
Três dias sem internet e eis que aqui chego e vejo a quantidade e a riqueza dos comentários aqui deixados nas minhas últimas mensagens. A todos sem excepção, agradeço a paciência de me lerem e ainda de gastarem algum do seu tempo (que não é perdido, pois as palavras têm poder e fazem diferença sim!).
Pois conforme muitos previram, a minha opção de caminho é mesmo a 3ª opção: fazer o meu próprio caminho, a corta mato, por mais arranhadelas que isso me provoque nas canelas e coxas. A corrida está-me no sangue e enquanto este correr, correrei eu também. Desistir nunca!
E estive ontem no II Grande Prémio da Arrábida, e planeio já uma próxima Maratona (com treinos!) para "limpar" a minha desistência no Porto.
E ontem fui feliz no G.P.Arrábida! Muito feliz! 1h12m10s! Conquistar Palmela e voltar! E eu conquistei! Aqui deixo o meu relato (que não é o da bola):
Por razões alheias à minha própria vontade, apenas na semana que antecedia a prova e já após a data limite para as inscrições, me decidi a participar na 2ª edição deste Grande Prémio, por várias razões sendo a principal o percurso que já conhecia do ano passado: sair de Setúbal, subir ao Castelo de Palmela e voltar. Absolutamente magnífico. Só razões bastantes fortes me tornariam ausente.
Um telefonema para a organização: Lebres do Sado. A boa vontade de aceitar ainda a inscrição, e envelope enviado a correr, em correio azul com os dados e o valor da inscrição, que por sinal ia todo em moedas, daí que passados exactamente 2 dias, recebo a carta devolvida por franquia insuficiente 8faltava 20 cêntimos!) para o peso da mesma! 6ª feira! Como quando acredito que vale a pena, não sou dada a desistir facilmente, faço novo telefonema para a Organização, na pessoa do Sr. Mota, que com redobrada boa vontade e uma grande dose de paciência também, me aceitou a inscrição por telefone e o pagamento far-se-ia no acto de levantamento dos dorsais. O que veio a acontecer com a maior das eficiências (levantamento de dorsais).
Os meus maiores agradecimentos à Organização e para o ano prometo não só ir, como me inscrever a tempo e horas.
Agora a prova:
Chego cedo para regularizar a minha inscrição e sempre acompanhada do meu pai sobra-me tempo mais que suficiente para o café e rever amigos. A par da corrida existia também uma caminhada, pois parece-me que já não se fazem aquelas sem estas, o que é de louvar e incentivar sem dúvida alguma.
Há um ambiente festivo e música no ar, com pessoal a promover o aquecimento e os alongamentos, a partir de um palco e incentivando de forma contagiante a repetição dos movimentos sempre ao som da música.
Cerca de 3 centenas de atletas estão à partida. Primam as Lebres do Sado por fazer correr o pelotão em massa nos primeiros 3 km da prova, ritmo lento (?) imposto pelas Lebres que atletas como eu não sentem.
Basicamente a prova divide-se em subir – a inesquecível Subida da Cobra – até ao Castelo de Palmela, e regresso, numa assustadora descida – Descida da Lagartixa. O percurso faz-se em perfeita segurança, muito bem sinalizado, num misto de alcatrão e terra batida com 2 abastecimentos durante a prova, e de forma original quase nos fazem parar 2 indivíduos de camisa branca e laço preto, tentando nos servir um Moscatel, de Setúbal certamente. Engraçado, apesar de pessoalmente dispensar a experiência. Ainda assim, sem dúvida alguma aquela passagem faz parte da animação da prova. Gostei!
A chegada ao ponto de partida – Jardim de Vanicelos, faz-se precisamente atravessando uma boa parte do jardim, sinalizado por fitas e onde somos levados a correr na relva macia.
Para não destoar de tudo o que foi a prova, somos muito bem recebidos à chegada e um saco de prémios é-nos oferecido, dos quais destaco a t-shirt, a garrafa de Moscatel com o logótipo da prova e um boné.
A equipa organizativa esteve muito bem, desde o início ao fim. Vontade de voltar para o ano? Sem dúvida que sim! Por tudo o que disse, e por muito mais que nem sempre se consegue dizer mas que se sente! E eu senti!
quarta-feira, 14 de novembro de 2007
Fantasma e Bifurcação
Quando se vem de uma desistência, ainda por cima de uma desistência na prova Rainha –
Maratona – por mais voltas que demos, por mais bonito que queiramos pintar a coisa, o fantasma está cá. Comigo. A viver oscilando entre as minhas entranhas e tomando a posição ao meu lado, praticamente colado a mim, não se afastando mais de um milímetro sequer, bombardeando-me com dúvidas e ameaçando-me com um veredicto final e fatal.
A Meia da Nazaré apesar de feliz até metade da prova, apesar dos beijos bons e das palavras motivadoras que recebi feliz, revelou-se muito desmoralizadora em termos pessoais. Apenas por responsabilidade minha, é certo. Responsabilidade, não culpa, como me frisou um amigo na tentativa (falhada) de me fazer sentir menos mal.
Demorei 2h13m39s para completar a distância da Meia Maratona. A partir de meio da prova sofri. Em demasia. Não foi para isto que a corrida se fez – penso vezes sem conta. E é esta a verdade!
Caminhei várias metros, alternando com corrida muito lenta. Demasiadas vezes, com o cansaço a pesar-me no corpo e mais ainda na alma. A ser incentivada por todos os que facilmente me passavam. Incentivo esse que durava sempre pouco pois depressa se afastavam de mim, e voltava a encontrar-me comigo apenas.
Questiono se mais alguma vez irei voltar a correr como dantes: com ligeireza (a minha ligeireza) e com todo o prazer. Se voltarei a fazer 1h36m na Meia, como já fiz. Se voltarei a fazer uma Meia em 1h45m com a maior das facilidades. Se voltarei a ser feliz na corrida. Se, se, se, se…
Medito sobre o sentido da corrida, e obrigatoriamente da vida. O sentido de tudo aquilo.
Estou a atingir o limite. O limite da falta de preparação, em paralelo com outros limites. Absoluta dona de casa arredondada que tenta correr aos domingos. É isso que eu sou, com a grave desvantagem de não ser grande dona-de-casa sequer. Não sei que sou. Mas corro, e sei que se deixar de correr morro. Isso sei. Literalmente morrerei. E não posso deixar que isso aconteça.
Cheguei a um ponto do caminho em que há bifurcações, e posso:
1 – Continuar no caminho que tenho seguido, o que significa continuar a correr como corro, sem hábitos de treino e manter um peso elevado, mas neste caso terei de limitar a minha participação a provas com distância inferior a 10 km, ou mesmo apenas a Caminhadas ligeiras e Minis;
2 – Optar por outro caminho: arrumar as botas (neste caso os ténis), o que significa abandonar completamente a actividade, e arcar com as consequências que conheço e não quero;
3 – Seguir em frente, criando um caminho próprio, a corta-mato, saltando giestas e cardos e rosas e espinhos, alterando hábitos, o que significa recomeçar a treinar de forma a poder tirar partido das competições que mais gosto me dão: longas!
Tendo em conta que a duas primeiras significam frustação, castração e mergulho num abismo de difícil regresso, resta-me escolher a terceira hipótese, mesmo sabendo bem o que ela acarreta também, na minha rotina diária.
Mas não estou só, mas não estou só! É tão bom saber! Só tenho de aproveitar … o que tenho!

A Meia da Nazaré apesar de feliz até metade da prova, apesar dos beijos bons e das palavras motivadoras que recebi feliz, revelou-se muito desmoralizadora em termos pessoais. Apenas por responsabilidade minha, é certo. Responsabilidade, não culpa, como me frisou um amigo na tentativa (falhada) de me fazer sentir menos mal.
Demorei 2h13m39s para completar a distância da Meia Maratona. A partir de meio da prova sofri. Em demasia. Não foi para isto que a corrida se fez – penso vezes sem conta. E é esta a verdade!
Caminhei várias metros, alternando com corrida muito lenta. Demasiadas vezes, com o cansaço a pesar-me no corpo e mais ainda na alma. A ser incentivada por todos os que facilmente me passavam. Incentivo esse que durava sempre pouco pois depressa se afastavam de mim, e voltava a encontrar-me comigo apenas.
Questiono se mais alguma vez irei voltar a correr como dantes: com ligeireza (a minha ligeireza) e com todo o prazer. Se voltarei a fazer 1h36m na Meia, como já fiz. Se voltarei a fazer uma Meia em 1h45m com a maior das facilidades. Se voltarei a ser feliz na corrida. Se, se, se, se…
Medito sobre o sentido da corrida, e obrigatoriamente da vida. O sentido de tudo aquilo.
Estou a atingir o limite. O limite da falta de preparação, em paralelo com outros limites. Absoluta dona de casa arredondada que tenta correr aos domingos. É isso que eu sou, com a grave desvantagem de não ser grande dona-de-casa sequer. Não sei que sou. Mas corro, e sei que se deixar de correr morro. Isso sei. Literalmente morrerei. E não posso deixar que isso aconteça.
Cheguei a um ponto do caminho em que há bifurcações, e posso:
2 – Optar por outro caminho: arrumar as botas (neste caso os ténis), o que significa abandonar completamente a actividade, e arcar com as consequências que conheço e não quero;
3 – Seguir em frente, criando um caminho próprio, a corta-mato, saltando giestas e cardos e rosas e espinhos, alterando hábitos, o que significa recomeçar a treinar de forma a poder tirar partido das competições que mais gosto me dão: longas!
Tendo em conta que a duas primeiras significam frustação, castração e mergulho num abismo de difícil regresso, resta-me escolher a terceira hipótese, mesmo sabendo bem o que ela acarreta também, na minha rotina diária.
Mas não estou só, mas não estou só! É tão bom saber! Só tenho de aproveitar … o que tenho!
segunda-feira, 12 de novembro de 2007
A 33ª Meia Maratona da Nazaré
A Nazaré estava bonita, como já me habituou desde há três anos para cá, altura em que a conheci e não mais deixei de visitar para nela correr e me procurar e encontrar.
Desde o temporal com o mar a parir dores na areia da praia e do vento que nos varreu, do ano passado, ao sol bonito e mar sereno desta manhã, a Nazaré encanta. O peixe a secar na praia e as mulheres de sete saias e chinelo no pé, de bocas desdentadas a sorrir-nos ao passarmos. Mulheres bonitas também, com o sol e o mar sempre no olhar. As lágrimas não têm hoje lugar. E as ruas sorriem à nossa passagem. E sorrimos nós também.
Recebeu-me bem a Nazaré. A Meia Maratona mais antiga de Portugal. A Mãe, como muitos lhes chamam, encontra-se bem, de boa saúde e recomenda-se. Acolhe bem os filhos que a procuram. Uns com carinho nascido há muitos anos atrás, outros que só tarde a descobrem, com pena. Muito dela se tem escrito, e eu sem tempo nem paleio para colocar mais flores.
Tratou-me bem a Nazaré, como bem tratou os caminheiros, estes a troco de demasiado dinheiro, apesar de ser na mesma maquia dos Meios Maratonistas.
Estes últimos sim, nem disso nem de outros males se poderão queixar, a não ser dos seus próprios, como é o meu caso, mas que não vem agora para o caso.
A Meia Maratona da Nazaré é uma prova encantadora e muito bem cuidada que se recomenda. Quem a trata gosta dela e quer mantê-la e quem lá vai correr fica com vontade de voltar. Só isto. E só isto não sendo tudo, é quase.
Desde o temporal com o mar a parir dores na areia da praia e do vento que nos varreu, do ano passado, ao sol bonito e mar sereno desta manhã, a Nazaré encanta. O peixe a secar na praia e as mulheres de sete saias e chinelo no pé, de bocas desdentadas a sorrir-nos ao passarmos. Mulheres bonitas também, com o sol e o mar sempre no olhar. As lágrimas não têm hoje lugar. E as ruas sorriem à nossa passagem. E sorrimos nós também.
Recebeu-me bem a Nazaré. A Meia Maratona mais antiga de Portugal. A Mãe, como muitos lhes chamam, encontra-se bem, de boa saúde e recomenda-se. Acolhe bem os filhos que a procuram. Uns com carinho nascido há muitos anos atrás, outros que só tarde a descobrem, com pena. Muito dela se tem escrito, e eu sem tempo nem paleio para colocar mais flores.
Tratou-me bem a Nazaré, como bem tratou os caminheiros, estes a troco de demasiado dinheiro, apesar de ser na mesma maquia dos Meios Maratonistas.
Estes últimos sim, nem disso nem de outros males se poderão queixar, a não ser dos seus próprios, como é o meu caso, mas que não vem agora para o caso.
A Meia Maratona da Nazaré é uma prova encantadora e muito bem cuidada que se recomenda. Quem a trata gosta dela e quer mantê-la e quem lá vai correr fica com vontade de voltar. Só isto. E só isto não sendo tudo, é quase.
domingo, 11 de novembro de 2007
33ª Meia Maratona da Nazaré - 11.11.2007
Por agora deixo apenas imagens. As palavras virão depois.
- Olhando o mar... em que pensas Maria?
- Chiuuuu... É segredo, não posso dizer. Livre é o pensamento, não já as palavras...
O meu querido pai (em cima), e a minha equipa (em baixo), à qual muito me orgulho de pertencer - AFIS:
- Chiuuuu... É segredo, não posso dizer. Livre é o pensamento, não já as palavras...
- Vais partir daí Maria? Humm, olha que me parece muito à frente...
A escassos metros da linha de chegada. Obrigada pai por estares aí:
No fim, a tentar recompor-me com uma suculenta laranja que quase acabei por vomitar horas depois (síndroma dos mal preparados que se põem a fazer provas sem a mínima preparação)
Classificações em: http://www.meiamaratonanazare.pt.vu/
segunda-feira, 29 de outubro de 2007
Corrida da Freguesia da Caparica - Clube União Recreativo União Raposense
Podemos sempre correr! Podemos sempre correr!
Quando quase tudo o resto falha, podemos sempre correr! Excepção feita quando o que falha é a nossa saúde e a nossa própria vida, mas tirando esses pontos, quando o tecto da casa desaba e o vento fustiga as paredes que ameaçam ruir, e temos de procurar entres os escombros uma maçã por roer ou um casaco de malha que as noites já são frias, podemos sempre correr! Podemos sempre correr meus irmãos!
E eu ontem corri!
Com a desculpa de ir levar a minha filha a uma corrida em que o pai a inscrevera, onde ela ia entusiasmada por levar uma amiga que se ia estrear nestas andanças e que veio a adorar por sinal, dou por mim a pensar: porque não vou eu também correr?
E se me interroguei, mais depressa decidi. - Vou aparecer e espero que aceitem inscrições de última hora! - pensei. E aceitaram!
Sentia algumas saudades destas provas rápidas, de 3 km apenas para o sector feminino e que obrigam mesmo a… correr! Desperta o corpo, adormece a morte! Ai, como eu gosto de correr!
De cabelos soltos hoje, corri como pude e com prazer, muito prazer! 14m13s apenas, mais um curto período de aquecimento. Prova rápida com desnível: desce, sobe, desce, sobe, meta!
E assim, um “clube de bairro”, contrariando a decisão da Câmara Municipal de Almada, que acabou com o “Cidade de Almada” este ano, o Clube Recreativo União Raposense teimou em manter a “sua” Corrida da Freguesia de Caparica com o apoio da Junta de Freguesia de Caparica e comércio local, e colocou perto de 3 centenas de pessoas (contando com todos os escalões) a correr na bonita manhã de 28 de Outubro de 2007.
Bonito de se ver! Água e uma peça de fruta era o conteúdo do saco de plástico que era ofertado a todos. Uma estrada para correr, uma ambulância, voluntários e muito amor a esta coisa chamada corrida.
Medalhas e taças por classificação para todos os escalões, o que muito agradou às crianças.
Saliente-se as inscrições gratuitas ainda!
No fim, combino já outras provas. Uma Meia em breve para acompanhar uma amiga que se irá estrear em Lisboa. Outras Meias, e outras distâncias, fundamental não parar, para em Janeiro ou Fevereiro de 2008 tentar então a minha 5ª Maratona sem desistir.
Parabéns ao Clube Recreativo União Raposense, que organizou e pôs de pé esta bonita manhã!
sexta-feira, 26 de outubro de 2007
A minha MARATONA DO PORTO ou Foi bom enquanto durou!
Na Feira, jantar massa com música ao vivo:
Antes da partida: O Melhor e mais forte abraço:
A darem-me força:
e mais força, que bem ia precisar:
Agora estamos todos para o mesmo: confiantes, apreensivos, nervosos, sabe-se lá o que vai dentro de cada um:


Partida dada: a sorrir feliz para o Margarido:


A avidar o francês para se preparar para a foto (obrigada Carlos):





Ainda confiante que ia chegar à meta a correr:
Dois dias felizes no Porto
Sem treinos mais longos que metade da distância da Maratona, e com regularidade de semanal a quinzenal, chegando mesmo a atingir as três semanas sem correr, assim cheguei eu à Maratona do Porto.
E quando praticamente na véspera, em conversa com um amigo, ele me diz que temia que eu lhe dissesse que ia mesmo fazer a Maratona, eu fingi não o entender, e reforcei a ideia de que apesar de muito mal preparada ia tentar, ajustando o ritmo e traçando um novo objectivo, e acreditei que ia ser possível. Acreditei mesmo.
No sábado véspera da prova, partimos de Lisboa, divididos em dois autocarros, 66 indivíduos rumo à Maratona do Porto, dos quais, exactamente 33 iam para a Maratona.
Segui tranquila, apesar de ter passado muitas dias e muitas noites a pensar se deveria alinhar à partida, a sentir medos e pavores, confiança e desgraça oscilando num mesmo segundo.
A véspera foi passada em viagem, um almoço com os amigos mais chegados: sardinhas fritas e arroz de tomate, e a tarde foi passada na Feira da Maratona, onde se levantava os dorsais e onde era oferecida a Festa da Massa.
Muitas caras conhecidas, verdadeiros reencontros felizes de pessoas que por mais distantes que estejam e sejam, continuam a ter esta magia que as une invisivelmente e que muitas vezes se torna visível: a corrida.
Saliento outra vez, acho que não é demais, o trabalho do gabinete do Apoio Psicológico ao Corredor, a decorrer na feira, onde reencontrei a Tatiana que me atendeu há 2 anos, e a Helena que me atendeu no ano passado, e que mais uma vez estiveram cinco estrelas no brio e entrega que têm ao que fazem. Se formos capazes, com elas (ou seus colegas) nos vemos a analisamos. Factores como a motivação, a ansiedade e a expectativa, são ali analisados e saímos sempre reforçados para alinhar na partida da Maratona e para suportamos os vários estádios que atravessamos na prova. Com elas e através delas, saímos mais fortes das nossas convicções e das nossas razões de ali estarmos. Para elas (e todos os seus colegas), do lado de cá, os meus mais sentidos agradecimentos e a maior salva de palmas.
E assim me deitei tranquila. Muito bem mentalizada e motivada para correr durante umas 4 horas e muito, talvez 5 horas. Devagar, devagarinho. Acreditei partir e chegar ao fim.
A manhã chega depressa e estou já na partida. De novo os mesmos amigos e agora outros também. Verdadeiro e sentido prazer em rever. Os que vão correr e os que estão ali só para nos verem partir. Emoção, muita emoção. O dorsal da Maratona pesa-me no peito e sinto a responsabilidade. Abraços leves e outros apertados.
- Gosto muito de ti, Mamã! – o abraço não me larga a corrida toda e ela, a minha filhota vai esperar-me para cortar a meta comigo.
Encontro ao meu lado na partida, posicionado bem cá atrás, um amigo que não via há 2 ou 3 anos. Está ali para se estrear na Maratona o Luís. Diz que se lembra muito do que eu dizia sobre a Maratona, e treinou para ela. Vai estrear-se mas vai com algum receio.
Seguimos juntos e também com o Fonseca que já tinha prometido acompanhar-me, o que eu agradeci mas pessoalmente não gosto muito desses compromissos, mais ainda numa prova tão longa. Apanhamos um francês e seguimos juntos. Devagar, felizes.
Ao quilometro 10, incentivo o Luís a deixar-nos e acompanhar 2 colegas que iam ligeiramente menos lentos.
- Segue Luís! Confia em ti! Tens treinos para acabar isto, e sempre é melhor ires com companhia. Por aqui as coisas não se sabe como acabam. Confia em ti! Vai!
E ele foi. E hoje é um Maratonista!
Nós seguimos bem os 3: eu, o Fonseca e o francês. Bem connosco e com o mundo.
Km 25 sensivelmente: o francês vai para a frente, o Fonseca para trás (com caimbras) e eu sigo conforme posso. Nesta altura sinto já um certo esforço em manter a passada (por mais ridículo que isto parecer a algumas pessoas).
Ao subir para a Ponte D.Luís, ainda a comer laranja do abastecimento, caminho e as pernas parecem troncos de árvore pesada que tento fazer deslocar para a frente: primeiro um pé, depois o outro, e parece que é isto andar…
Volto a tentar correr: não! Uma dor fina, aguda e bem definida está instalada no joelho direito e o tornozelo esquerdo queixa-se do mesmo, em cada vez que o pé toca o solo, alternadamente os pés, alternadamente as dores. Não! – grito mudo este. Caminho. Corro, caminho, corro, caminho, olho o cronómetro, corro, dois passos, o joelho, o pé, outro passo, caminho, impulsionar a perna para a frente é trabalho árduo e nunca pensei que caminhar pudesse ser tão difícil. Coordenar as pernas é difícil. Ouço-me. Paro, olho o rio. Mais 2 passos de corrida. Não! O joelho! O pé! Caminho.
Sou passada por alguns atletas que iam atrás de mim.
Ouço-me. Grito por dentro. Solto lágrimas sem soltar! Ouço-me!
Quilómetro 29: o cronómetro marca 3h19m19s. Faltam 13,195 m e eu ouço-me! Paro o cronómetro (como se isso fosse importante) e encosto-me à placa aguardando.
- Estás à minha espera? - diz-me o Fonseca ao passar por mim agora parada.
- Não… estou à espera da ambulância… mas estou bem, apresso-me a dizer.
A Cruz Vermelha abre-me a porta da ambulância e pergunta-me.
- Que é que você tem?
- Tenho falta de treinos, só isso. Estou bem! – respondo subindo já para o banco, onde choro por fim.
----------------------------------
- Mãe! Tu disseste que nunca se desistia!
- Amor! Sim, disse, mas mais importante que não desistir é sermos inteligentes para perceber quando temos de parar, e pararmos antes de cometer excessos que prejudiquem a nossa saúde e nos façam mal, percebes?
A Mãe tentou, mas ainda faltavam 13 km, estava a doer-me um pé e um joelho, estava exausta, até andar me custava, foi melhor desistir e estar agora aqui bem, do que não desistir e cair para o lado, não achas?
A explicação era para ela mas eu também precisava ouvir aquilo, por isso assim falei bem alto. E repeti vezes sem conta.
De facto, racional e inteligentemente fiz o que tinha de ser feito. Mas existe uma sombra, ai isso existe, e uma culpa, pois não respeitei a Maratona. Resta-me pensar que respeitei o meu corpo. Que acreditei, que tentei, e que foi muito bom… enquanto durou.
Antes da Maratona escrevi que participar seria um acto louco mas consciente. Hoje, resumo assim: a loucura enquanto durou foi muito bom, mas mesmo muito bom, e quando tive realmente de ser consciente e tomar uma decisão, fi-lo! Com inteligência e coragem!
Mas cá dentro o Km 29 ficará sempre na memória como um marco, uma barreira, e um fantasma! Ai quando passar por ele na minha próxima Maratona… mas irei treinada, porque loucuras destas não são para se repetir muitas vezes.

Partida dada: a sorrir feliz para o Margarido:


A avidar o francês para se preparar para a foto (obrigada Carlos):







Sem treinos mais longos que metade da distância da Maratona, e com regularidade de semanal a quinzenal, chegando mesmo a atingir as três semanas sem correr, assim cheguei eu à Maratona do Porto.
E quando praticamente na véspera, em conversa com um amigo, ele me diz que temia que eu lhe dissesse que ia mesmo fazer a Maratona, eu fingi não o entender, e reforcei a ideia de que apesar de muito mal preparada ia tentar, ajustando o ritmo e traçando um novo objectivo, e acreditei que ia ser possível. Acreditei mesmo.
No sábado véspera da prova, partimos de Lisboa, divididos em dois autocarros, 66 indivíduos rumo à Maratona do Porto, dos quais, exactamente 33 iam para a Maratona.
Segui tranquila, apesar de ter passado muitas dias e muitas noites a pensar se deveria alinhar à partida, a sentir medos e pavores, confiança e desgraça oscilando num mesmo segundo.
A véspera foi passada em viagem, um almoço com os amigos mais chegados: sardinhas fritas e arroz de tomate, e a tarde foi passada na Feira da Maratona, onde se levantava os dorsais e onde era oferecida a Festa da Massa.
Muitas caras conhecidas, verdadeiros reencontros felizes de pessoas que por mais distantes que estejam e sejam, continuam a ter esta magia que as une invisivelmente e que muitas vezes se torna visível: a corrida.
Saliento outra vez, acho que não é demais, o trabalho do gabinete do Apoio Psicológico ao Corredor, a decorrer na feira, onde reencontrei a Tatiana que me atendeu há 2 anos, e a Helena que me atendeu no ano passado, e que mais uma vez estiveram cinco estrelas no brio e entrega que têm ao que fazem. Se formos capazes, com elas (ou seus colegas) nos vemos a analisamos. Factores como a motivação, a ansiedade e a expectativa, são ali analisados e saímos sempre reforçados para alinhar na partida da Maratona e para suportamos os vários estádios que atravessamos na prova. Com elas e através delas, saímos mais fortes das nossas convicções e das nossas razões de ali estarmos. Para elas (e todos os seus colegas), do lado de cá, os meus mais sentidos agradecimentos e a maior salva de palmas.
E assim me deitei tranquila. Muito bem mentalizada e motivada para correr durante umas 4 horas e muito, talvez 5 horas. Devagar, devagarinho. Acreditei partir e chegar ao fim.
A manhã chega depressa e estou já na partida. De novo os mesmos amigos e agora outros também. Verdadeiro e sentido prazer em rever. Os que vão correr e os que estão ali só para nos verem partir. Emoção, muita emoção. O dorsal da Maratona pesa-me no peito e sinto a responsabilidade. Abraços leves e outros apertados.
- Gosto muito de ti, Mamã! – o abraço não me larga a corrida toda e ela, a minha filhota vai esperar-me para cortar a meta comigo.
Encontro ao meu lado na partida, posicionado bem cá atrás, um amigo que não via há 2 ou 3 anos. Está ali para se estrear na Maratona o Luís. Diz que se lembra muito do que eu dizia sobre a Maratona, e treinou para ela. Vai estrear-se mas vai com algum receio.
Seguimos juntos e também com o Fonseca que já tinha prometido acompanhar-me, o que eu agradeci mas pessoalmente não gosto muito desses compromissos, mais ainda numa prova tão longa. Apanhamos um francês e seguimos juntos. Devagar, felizes.
Ao quilometro 10, incentivo o Luís a deixar-nos e acompanhar 2 colegas que iam ligeiramente menos lentos.
- Segue Luís! Confia em ti! Tens treinos para acabar isto, e sempre é melhor ires com companhia. Por aqui as coisas não se sabe como acabam. Confia em ti! Vai!
E ele foi. E hoje é um Maratonista!
Nós seguimos bem os 3: eu, o Fonseca e o francês. Bem connosco e com o mundo.
Km 25 sensivelmente: o francês vai para a frente, o Fonseca para trás (com caimbras) e eu sigo conforme posso. Nesta altura sinto já um certo esforço em manter a passada (por mais ridículo que isto parecer a algumas pessoas).
Ao subir para a Ponte D.Luís, ainda a comer laranja do abastecimento, caminho e as pernas parecem troncos de árvore pesada que tento fazer deslocar para a frente: primeiro um pé, depois o outro, e parece que é isto andar…
Volto a tentar correr: não! Uma dor fina, aguda e bem definida está instalada no joelho direito e o tornozelo esquerdo queixa-se do mesmo, em cada vez que o pé toca o solo, alternadamente os pés, alternadamente as dores. Não! – grito mudo este. Caminho. Corro, caminho, corro, caminho, olho o cronómetro, corro, dois passos, o joelho, o pé, outro passo, caminho, impulsionar a perna para a frente é trabalho árduo e nunca pensei que caminhar pudesse ser tão difícil. Coordenar as pernas é difícil. Ouço-me. Paro, olho o rio. Mais 2 passos de corrida. Não! O joelho! O pé! Caminho.
Sou passada por alguns atletas que iam atrás de mim.
Ouço-me. Grito por dentro. Solto lágrimas sem soltar! Ouço-me!
Quilómetro 29: o cronómetro marca 3h19m19s. Faltam 13,195 m e eu ouço-me! Paro o cronómetro (como se isso fosse importante) e encosto-me à placa aguardando.
- Estás à minha espera? - diz-me o Fonseca ao passar por mim agora parada.
- Não… estou à espera da ambulância… mas estou bem, apresso-me a dizer.
A Cruz Vermelha abre-me a porta da ambulância e pergunta-me.
- Que é que você tem?
- Tenho falta de treinos, só isso. Estou bem! – respondo subindo já para o banco, onde choro por fim.
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- Mãe! Tu disseste que nunca se desistia!
- Amor! Sim, disse, mas mais importante que não desistir é sermos inteligentes para perceber quando temos de parar, e pararmos antes de cometer excessos que prejudiquem a nossa saúde e nos façam mal, percebes?
A Mãe tentou, mas ainda faltavam 13 km, estava a doer-me um pé e um joelho, estava exausta, até andar me custava, foi melhor desistir e estar agora aqui bem, do que não desistir e cair para o lado, não achas?
A explicação era para ela mas eu também precisava ouvir aquilo, por isso assim falei bem alto. E repeti vezes sem conta.
De facto, racional e inteligentemente fiz o que tinha de ser feito. Mas existe uma sombra, ai isso existe, e uma culpa, pois não respeitei a Maratona. Resta-me pensar que respeitei o meu corpo. Que acreditei, que tentei, e que foi muito bom… enquanto durou.
Antes da Maratona escrevi que participar seria um acto louco mas consciente. Hoje, resumo assim: a loucura enquanto durou foi muito bom, mas mesmo muito bom, e quando tive realmente de ser consciente e tomar uma decisão, fi-lo! Com inteligência e coragem!
Mas cá dentro o Km 29 ficará sempre na memória como um marco, uma barreira, e um fantasma! Ai quando passar por ele na minha próxima Maratona… mas irei treinada, porque loucuras destas não são para se repetir muitas vezes.
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Resultados da Maratona em: http://www.maratonadoporto.com/resultados.htm
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