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quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

ainda a Maratona de Lisboa e a minha participação nela em forma de Estafeta

A Estafeta

A Estafeta na Maratona permitiu a centenas de atletas participarem na mesma sem terem de correr os 42.195 metros. Farão companhia aos Maratonistas, darão animação, encherão as ruas, dirão muitos, mas no meu entender, que até gostei imenso de ter participado na Estafeta, tiram o brilho à Maratona. Não gostei de ser "confundida" com os Maratonistas, não gostei de ser aplaudida como se estivesse a correr a Maratona. Não gostei de estar na Maratona sem correr a Maratona. Mas isto sou eu que sou muito esquisita.

Olho para o meu umbigo e digo que foi bestial! Adorei correr com estas amigas e sentir o espírito da equipa. A responsabilidade, o saber que todas contamos com o nosso esforço para o "sucesso" de todas.

Quando a Carla me desafiou, hesitei mas não muito. Com agrado escolhi o último percurso, com o qual parecia que ninguém simpatizava e que partia ao km 30 para terminar precisamente na Meta, 12.195 metros depois. Para mim, seria o culminar do esforço de todas. Cortaria a Meta e daria por bem empregue o esforço e os passos de todas. Daria o meu melhor e com isso sentir-me-ia bem. Puro engano que ainda não sabia o que estava para me acontecer.

A noite de véspera fora de ligeira borga, mas suficiente para me tirar umas horas de sono. E se previa só começar a correr lá pelo meio dia, não deixei de ir com bastante antecedência como gosto de fazer.

Belém. Muitos atletas na zona de transmissão do testemunho. Conta-se que estavam inscritas umas 180 equipas. Vejo os atletas passarem em sentido contrário ao que eu iria, vejo passar o meu amigo Joaquim Adelino e logo a seguir a Carla, que fazia o 3º percurso da minha equipa, teria de ir lá abaixo, fazer o retorno para então voltar e me entregar a pulseira/testemunho. Ia muito perto do Adelino que corria a Maratona. Pensei logo, a Carla há-de-me passar o testemunho e eu faço a prova com o Adelino até à Meta, sendo ele Maratonista!

Esperei. Esperei. Esperei. Não que a Carla demorasse muito mas o frio e a ansiedade fez-me sentir a espera demasiado longa e deu para me enregelar.

Por fim avisto o Adelino! Lá vem ele! Mas... e a Carla?  Ou ele se adiantou ou ela se atrasou mas a distância entre eles passou de 2 metros para... muitos e largos minutos.
Lá vem o Adelino!
Por fim avisto a chama vermelha, cor escolhida pela nossa equipa. A Carla aí vinha. Feliz e contente. entrego-lhe o casaco dela, pego na pulseira suada (afinal já corria há 30 km!) e sigo toda contente. Ainda queria ir apanhar o Adelino e concretizar o que tinha planeado.
A transmissão

A Carla já depois de me ter passado o testemunho
Vou a ritmo vivo. Estou gelada. O ar frio dá-me energia e faz-me correr mais depressa. Ultrapasso imensos Maratonistas. Perante o olhar de lado da maioria deles, vou explicando que só estou a fazer a Estafeta! E sigo. Por fim apanho o Adelino (pelo km 3,7 Km) e dou-me muito feliz por isso pois já podia reduzir o ritmo a que vinha, que confesso... demasiado rápido para mim neste momento.

Vamos juntos nas calmas até ao km 5 (meu), mas o Adelino diz-me já ir um bocado estoirado e resolve parar um bocado no abastecimento ao km 35 da Maratona (km 5 para mim). Eu sigo sozinha. Acelero um pouco o ritmo a que vinha embora não tão forte como até apanhar o Adelino e continuo a ultrapassar Maratonistas.

Praça do Comécio, Martim Moniz, Rua da Palma e agora é aquela subida, pouco acentuada mas muito longa, até ao Areeiro.

Pelo caminho vou encontrando amigos, e ia bem. Ao 53 minutos de prova, passava pouco dos 9 km de prova, encontro o Pedro Carvalho, estreante e sigo com ele, mas praticamente de forma instantânea sinto o coração disparar no peito (Taquicardia) e os meus batimentos cardíacos passaram dos confortáveis, estáveis e regulares 165 bat. / min, para 221 bat. / min., vindo-se a confirmar pelo registo do Garmin que a brincadeira durou 8 minutos, com batimentos médios de 220 / min, chegando mesmo a atingir 233. Oito minutos em que caminhei, levantei os braços, tossi, conversei com o Pedro que entretanto tinha também começado a caminhar, e assim de repente, tal como começou...parou! Como se um interruptor se desligasse. Deixei de sentir o coração! Não, não morri, ainda, pensei, apenas não sinto aquele cavalo bravo à solta no peito, e olho para o Garmin e marca, claro, 143 bat / min, o normal para quem ia a caminhar numa subida. Então, que faço agora? Tenho uma corrida para acabar. Aquelas miúdas estavam à minha espera na meta, só tinha de recomeçar a correr, entrar naquele estádio e cortar a meta por nós quatro! Assim fiz, mesmo deixando o Pedro para trás que entretanto também já começara a correr, e se veio a consagrar Maratonista minutos depois!

E na Meta, lá estão os meus fotógrafos preferidos, dos quais destaco o meu pai, claro! Cortar uma Meta sem ele não é a mesma coisa.

4º percurso (eu), Pedro Carvalho, Maratonista há minutos,  o 1º percurso (Isa) e o 2º percurso (Rute)
A nossa equipa, agora também com a Carla que fez o 3º percurso
As meninas da minha equipa lá estavam também a fazer uma grande festa e outros amigos também.

Chego bem, mas algo preocupada. O que me acontecera, se por um lado não é inédito, também nunca me aconteceu em plena prova ou treino e nunca durou tanto tempo.

Terminei assim, o meu percurso de 12,195 Km em 1h15m27s.

E esta é a história da minha Estafeta na Maratona de Lisboa. Porque para falar da Maratona teria de ter corrido a Maratona e isso não aconteceu.

Reparei que o abastecimento dos 35 estava de facto abastecido quer de sólidos quer de líquidos, havia bastante água, um percurso sem trânsito, uma prova animada pelo elevado número de pessoas a correr, não só Maratonistas. Gostei da entrada no estádio e das metas. Das fotos da AMMA, As classificações parece que sofreram uma certa baralhação e  diversas correcções e erros. Gostei das medalhas. Não gostei da feira nos dias antecedentes onde se levantavam os dorsais.

E esta é a história da minha Estafeta na Maratona de Lisboa. E não me apetecia escrever, e ainda bem que não me apetecia, porque a ver pelo longo texto, se me apetecesse, só parava de escrever amanhã de manhã.

E agora há que ir ao médico. Fazer exames e perceber as causas e as possíveis consequências.

Já fui! Claro que devo continuar a correr! Claro que sim! Nas calmas, diz ele. (que sorte ter um médico que também corre!!!) E para evitar as provas. Evitar as provas, doutor?! Mas estou inscrita já para a São Silvestre do Porto no domingo! Se fosse a si não ia. Mas... Só se for "a brincar"... Sim, irei "a brincar", e não é sempre assim, "a brincar" que faço as provas?

Até amanhã querido diário, e sim, já treinei depois deste episódio e a máquina portou-se lindamente! Claro que treinei "a brincar" (8 Km em 50 min.).

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Coração avariado

















A minha Maratona de Lisboa, (em Estafeta, 4º percurso - dos 30 Km aos 42,195 Km - distância corrida: 12.195 metros) feita com um coração avariado:

Estafeta - MARATONA DE LISBOA por mariasemfrionemcasa no Garmin Connect - Detalhes
 
Milhares de fotos da Maratona de Lisboa na AMMA - Atletismo Magazine Modalidades Amadoras

Até amanhã querido diário

sábado, 8 de dezembro de 2012

Tudo (?) a postos para a Maratona de Lisboa e uma Feira pobrezinha

Sábado, 8 de Dezembro de 2012

Levantar dorsais para a Maratona de Lisboa. Para a Estafeta, claro!












Estádio 1º de Maio, Lisboa, capital de Portugal.

Feira da Maratona de Lisboa. Será a XXVII. A realizar amanhã.

Eu estarei lá, a corrê-la em forma de Estafeta, farei o 4º e último percurso. A Estafeta é a única forma que eu encontrei para poder participar na Maratona neste momento.

No entanto não deixo de achar que a Estafeta assim como outras provas a decorrer em simultâneo com a Maratona tiram o brilho à Maratona. Tiram! A chegada à Meta será uma miscelânea de atletas que muito pessoalmente acho que só servem para tirar o brilho à Maratona e aos Maratonistas! E também para ludibriar os números e a imagem que se dará para os media por detrás da palavra Maratona.

Estive na Feira a levantar os dorsais com as meninas da minha equipa: "4 NoBlog", mas ao contrário do que o nome diz em inglês, todas temos Blogue:


1º percurso: A menina que um dia descobriu que adora correr

2º percurso: A menina que corre como aquilo que é, pois Corre como uma Menina

3ª percurso: A menina que diz que correr a dois é um vício!

4º percurso: Maria Sem Frio Nem Casa - eu mesma!


A Feira da Maratona de Lisboa: Pobre, pobrezinha, pobrezinha, pobrezinha...


As meninas: fantásticas e prontíssimas para amanhã completarem uma Maratona entre as quatro.

Até amanhã querido diário

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Não treinei.

Não treinei. Ficou esta paisagem sem mim e eu sem ela. E como eu precisava dela... Se ela precisava de mim não sei, mas eu...precisava muito dela hoje...

Mas uma coisa é apanhá-la (à paisagem), assim, bela, clara, luminosa e iluminada...outra, é ser noite fechada a correr às apalpadelas e correr o risco de ir contra o moinho por exemplo ou cair no lago!!!

Tanto dinheiro que se gasta e a C.M. de Loures não põe iluminação na porra do Parque Urbano de Santa Iria... é Outono, vem aí o Inverno... e correr onde? Às escuras? A que horas? Para ter luz (do Sol entenda-se!), só se faltar ao trabalho durante o dia....



Não, parece que não é problema de dinheiro, mas é por causa dos aviões que por ali passam... e não fossem confundir o Parque com o Aeroporto... Eu não acredito... Eu acredito que o Parque não tem iluminação porque quem tem o poder de decidir está-se completamente nas tintas para quem corre!

Claro, claro, temos sempre...a estrada!

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Treinos e Poesia

- Mas isto agora é só farras, rock para a frente e para trás...e então os treinos, pá?!
Onde estão as corridas, os treinos, os relatos fictícios ou reais, parvos e banais sobre aquilo que a gente gosta: a Corrida?

Quando os olhares se tocaram (ou seria trocaram? Na ânsia de fazer poesia, pegar em quatro olhos, bolas brancas protegidas por pálpebras e pestanas para evitar que se desencaixem, saltem e soltem das cavidades do crânio, caiam e rebolem pelo solo deixando à sua passagem um rasto de muco ensanguentado no chão, cada uma com uma bolinha preta chamada menina do olho a aumentar e diminuir de tamanho consoante a luz - vulgo pupila - rodeada de cores fantásticas, do castanho ao verde, passando pelo azul e pelo cinzento numa criação única, bela e perfeita da Natureza, e transformar o momento em que essa construção de células se confrontam e deparam com as de outro alguém frente a frente e nelas se detêm por instantes, transformar esse exacto momento em palavras bonitas e românticas a fazer sonhar com histórias de príncipes e princesas, ela, nessa situação nunca sabe bem que verbo usar: o tocar ou o trocar, pois ambos fazem sentido e normalmente ambos se aplicam na mesma situação) ela por um instante, um momento fugaz e esquivo teve a certeza que ele a reconheceu. Passou-lhe em memória filme antigo, a rebobinar em velocidade estonteante, e de olhos fixos nos dele, teve nesse exacto momento a certeza que ele via o mesmo filme que ela, ambos protagonistas, personagens principais que se separaram mal o filme começara. Segundos. Não durou mais que segundos o olhar deles preso um no outro e em conjunto a desenterrar memórias e a sensação de certeza foi de uma consistência e solidez de fazer inveja a muitas certezas que julgamos ter. Pena que durara tão pouco. Como chama de fósforo acesa em dia de vendaval. Quente e forte a queimar os dedos se lhe tocarmos, mas mal acende, apaga. Assim foi aquele momento. Um flash. Mas teve tanto de breve como de intenso.

Ela podia ter falado, metido conversa entre um copo e um cigarro mal fumado que é como ela sabe fumar, puxar uma cadeira, podia falar descontraída e naturalmente e desfazer qualquer equívoco. Mas não. Disse duas palavras a roçar o banal, e timidamente pegou no papel e desandou rapidamente dali como se fugisse. O seu momento tinha passado. Breve e saboroso. Assim como um sonho que se quer manter. Deliciosamente sonhado. Porque temeu que se falasse, assim como se desfaria o equívoco também se desfaria o sonho. E há situações em que é preferível apenas sonhar para... se poder continuar a sonhar.

- Mas tens treinado ou não?! Estás para aqui a falar de cenas que mais parecem enigmas que ninguém entende e a gente quer é saber se tens corrido ou se a rapariga vai fazer o último percurso da Maratona de Lisboa já no próximo domingo, mais uma vez estupidamente sem treinos!

- Sim! Corri! Corri Sábado e corri Domingo. 9 km no Sábado mais 9 km no Domingo! Estejam as meninas da Estafeta descansadas que eu corro aquilo no Domingo! Sim...eu sei que é praticamente sempre a subir...

sábado, 1 de dezembro de 2012

O Reencontro - banda sonora: Karpe Diem

Quase trinta anos de ausência, de caminhos separados, apartados desde a adolescência sem deixar rasto. Sozinha ela foi, correu quase trinta anos com outras paisagens e outras cores, mas agora voltou a encontrá-los!



Karpe Diem e o reencontro.

Cantar, pular, sorrir, abraçar, rir e chorar. Sai reforçada a paixão pela vida. Emoção ao rubro, a exalar de cada poro.

Subir ao palco, cantar, tropeçar no baixista e corar, oh Ana tu não estás boa!

Ai estou estou! Nunca estive tão bem!

Foram os Karpe Diem hoje, no Bom Sucesso, Alverca. 

"Valem bem mais que dois euros"  - disse ele a determinada altura. (Eur 2,00 fora o preço da entrada para o espectáculo)

E o espectáculo foi um concerto bestial, de público e ambiente por vezes a raiar o surreal mas tudo controlado.

Foi ouvinte, amiga, fã, fotógrafa e aspirante a relatora de eventos na ingénua convicção que divulgar num bloguinho da treta pode ser útil a alguém promovendo o evento e neste caso a música Portuguesa, e ainda tirou muito prazer da noite. Muitos Parabéns aos Karpe Diem. Um concerto bem conseguido a satisfazer os presentes.

Uma postura em palco forte e assumida. Séria e descontraída em simultâneo.

Excelente comunicação com o público, facilitando a interacção e participação. Uma canção dedicada à Ana e à Isabel: "Uma cama no chão" e "A cura de todos os males" cantada em palco por todos os extroveridos ou apenas suficientemente descontraídos pelo álcool. Não sabe em qual dos dois grupos se enquadra mas o certo é que ela subiu ao palco e cantou absoluta e completamente envolvida no momento mágico.








Esta noite foi mais uma raridade da vida dela. Obrigada Karpe Diem. Cliquem aqui para sentirem um pouco mais desta noite.

UHF e "Raridades III"

A vida é feita de raridades. Momentos singelos que guardamos, vivemos e recordamos com prazer ou queremos apagar.

Hoje, por instantes, momentos únicos, num ápice da vida, momentos fugazes intensos e fortes levaram-me longe, longe no tempo e no espaço. A vida em filme a rodar para trás para logo rebobinar de novo ao futuro e trazer-me a hoje,  a este meu presente e a esta minha vida. Feliz por aqui chegar, mais rica por esta viagem dentro de mim mesma. Uma palavra, um olhar, um abraço, uma raridade singela vivida agora para guardar e recordar depois. Hoje apenas bem vivida.

Foi esta noite, 30 de Novembro de 2012, na Fnac do Cascais Shopping, UHF no lançamento do "Raridades III"

Obrigada UHF por existirem.