O dia de hoje finda.
O de amanhã quere-se a correr. Na Corrida do Sporting.
E eu tenho um dorsal com um número e um nome. Que me foram atribuídos. O último há muitos anos e o primeiro há dias. E o dorsal tem ainda a distância que devo correr amanhã: 10 Km. E à esquerda tem uns caracteres que juntos dizem que devo demorar mais de 60 minutos para ir da Partida até à Meta.
E tenho o meu pai todo contente, já com a camisola da Corrida vestida, prontinho para amanhã me ir ver correr e aguardar pela minha chegada à Meta naquele campo da bola daquele clube que ele tanto estima e que tem no coração desde sempre: Sporting Clube de Portugal. Naquele campo que já teve pista de Atletismo à volta do relvado e onde eu já corri, menininha ainda, há muitos anos atrás, cheia de emoção e alegria e com os meus pais a verem-me e a aplaudirem-me, apoiando-me como sempre. Agora o campo é outro, e eu, a mesma e outra, volto para correr lá.
Bom domingo para vós, com boas Corrida e bons treinos!
E até amanhã
sábado, 13 de outubro de 2012
sexta-feira, 12 de outubro de 2012
"São pessoas afinal" ou " Prenúncio ignorado"
Falam-se há anos. A profissão as aproximou mantendo as devidas distâncias profissionalmente impostas e também a que vai da cidade de Viana do Castelo à capital do seu pequeno país.
São diferentes sem dúvida. Estas cidades e estas mulheres. Vivências e circunstâncias de vida bem diferentes. Idades idênticas no entanto, como idênticas as suas essências afinal, com os mesmos medos, ânsias e desejos. Mulheres. Mães. Esposas. Trabalhadoras. Filhas. Vidas não tão diferentes assim, camufladas atrás de um profissionalismo exigido e cumprido.
São competentes. São tolerantes também. São compreensivas mas são também exigentes. E são falíveis como pessoas que são afinal.
Falam-se há anos. Sem sentimento ou emoção. São profissionais. Nunca se viram cara a cara nem os seus olhares algumas vez se trocaram. A linha que as liga é agora invisível aos olhos.
No entanto aos poucos, foi-se estabelecendo uma relação. De confiança, respeito, admiração e amizade também. Por trás das palavras sem calor pressentia-se a pessoa, humana que é, tão diferente e tão igual. São pessoas afinal.
Falam-se há anos e só hoje por uma necessidade sentida e por uma receptividade adivinhada, espontaneamente falaram como se de conversa entre duas amigas íntimas se tratasse. Confidentes desabafaram, partilharam temores e procuraram apoio e obtiveram-no transformando uma mensagem à primeira vista negativa, num optimismo carregado de fé, esperança e amor à vida. Não foi preciso muito tempo, apenas o suficiente e necessário de que ambas precisavam hoje. Para se sentirem melhor. Porque precisavam de se fazer ouvir naquelas palavras que queriam brotar para fora de si e precisavam de igual forma de ouvir aquelas outras palavras também. Porque elas são pessoas afinal.
São diferentes sem dúvida. Estas cidades e estas mulheres. Vivências e circunstâncias de vida bem diferentes. Idades idênticas no entanto, como idênticas as suas essências afinal, com os mesmos medos, ânsias e desejos. Mulheres. Mães. Esposas. Trabalhadoras. Filhas. Vidas não tão diferentes assim, camufladas atrás de um profissionalismo exigido e cumprido.
São competentes. São tolerantes também. São compreensivas mas são também exigentes. E são falíveis como pessoas que são afinal.
Falam-se há anos. Sem sentimento ou emoção. São profissionais. Nunca se viram cara a cara nem os seus olhares algumas vez se trocaram. A linha que as liga é agora invisível aos olhos.
No entanto aos poucos, foi-se estabelecendo uma relação. De confiança, respeito, admiração e amizade também. Por trás das palavras sem calor pressentia-se a pessoa, humana que é, tão diferente e tão igual. São pessoas afinal.
Falam-se há anos e só hoje por uma necessidade sentida e por uma receptividade adivinhada, espontaneamente falaram como se de conversa entre duas amigas íntimas se tratasse. Confidentes desabafaram, partilharam temores e procuraram apoio e obtiveram-no transformando uma mensagem à primeira vista negativa, num optimismo carregado de fé, esperança e amor à vida. Não foi preciso muito tempo, apenas o suficiente e necessário de que ambas precisavam hoje. Para se sentirem melhor. Porque precisavam de se fazer ouvir naquelas palavras que queriam brotar para fora de si e precisavam de igual forma de ouvir aquelas outras palavras também. Porque elas são pessoas afinal.
terça-feira, 9 de outubro de 2012
Autocarro para a 9ª Maratona do Porto
AUTOCARRO A PARTIR DE LISBOA - 9ª MARATONA DO PORTO - 28 Outubro
Vai à 9ª Maratona do Porto? À prova dos 15 km ou à Mini que se realizam em simultâneo? É de Lisboa ou arredores e quer ir e voltar por EUR 10,00 ? Quer juntar-se às várias dezenas de atletas que vão em Autocarro facultado pela organização RUNPORTO, Lisboa - Porto - Lisboa no fim de semana de 27 e 28 Outubro? Ainda há lugares nos Autocarros!
Interessado?
Contactar Ana Pereira, por MAIL: anamariasemfrionemcasa@gmail.com ou telemóvel: 964 937 456
Vai à 9ª Maratona do Porto? À prova dos 15 km ou à Mini que se realizam em simultâneo? É de Lisboa ou arredores e quer ir e voltar por EUR 10,00 ? Quer juntar-se às várias dezenas de atletas que vão em Autocarro facultado pela organização RUNPORTO, Lisboa - Porto - Lisboa no fim de semana de 27 e 28 Outubro? Ainda há lugares nos Autocarros!
Interessado?
Contactar Ana Pereira, por MAIL: anamariasemfrionemcasa@gmail.com ou telemóvel: 964 937 456
segunda-feira, 8 de outubro de 2012
Dia 7
Outubro
2012
Treino ao fim do dia: 8 km em 51m55m
às vezes tenho medo de morrer
não da morte em si, do momento, da dor, do desconhecido, embora confesse e admita que também
mas principalmente tenho medo de deixar a minha filha, assim, com quinze anos mal criados e muitos mais como se espera, sem mim.
não que eu seja alguma coisa de jeito, fundamental ou essencial para alguma coisa
mas alguma diferença faço...
assim eu queira
e EU QUERO
por isso tenho medo de morrer
mas só às vezes
a maior parte do tempo nem penso nisso
só vivo
Boa semana para vocês, eu quero ver se volto a treinar na 3ª feira, e vou convidar um amigo, acho que lhe faz bem a ele, e a mim também
2012
Treino ao fim do dia: 8 km em 51m55m
às vezes tenho medo de morrer
não da morte em si, do momento, da dor, do desconhecido, embora confesse e admita que também
mas principalmente tenho medo de deixar a minha filha, assim, com quinze anos mal criados e muitos mais como se espera, sem mim.
não que eu seja alguma coisa de jeito, fundamental ou essencial para alguma coisa
mas alguma diferença faço...
assim eu queira
e EU QUERO
por isso tenho medo de morrer
mas só às vezes
a maior parte do tempo nem penso nisso
só vivo
Boa semana para vocês, eu quero ver se volto a treinar na 3ª feira, e vou convidar um amigo, acho que lhe faz bem a ele, e a mim também
sexta-feira, 5 de outubro de 2012
Dia 5 de Outubro de 2012
5 de Outubro de 1910
Destituição da Monarquia e Implantação da República em Portugal
Corremos com os reis e instituímos a República, uma "coisa pública", regime em que o chefe de estado é eleito através de voto pelos cidadãos.
5 de Outubro de 2012
Recordamos a nossa História, em recriações bonitas de se ver e onde "esquecemos" as condições de vida daquelas pessoas.
Ficam os lugares, as memórias recriadas a partir dos livros e das histórias que contam. E ficam as pedras, as trabalhadas e as outras, as brutas.
Foi a Feira Setecentista em Santo Antão do Tojal, concelho de Loures, que não foi hoje mas há meia dúzia de dias e que recria a época de D.João V, e a bênção dos Sinos, vindos de Antuérpia, antes de irem para o Convento de Mafra.
e ainda hoje, 5 de Outubro de 2012:
- Comecei a fazer dieta.
- Quando?
- Hum...há bocadinho.
- Vamos jantar umas amêijoas à Bulhão Pato, com um bom pãozinho, queijo e vinho?
- Boa! Vamos nessa.
Mas antes de jantar, pelas mesmas ruas do desfile setecentista de há dias, e sem a vida de há séculos que não consigo imaginar, no mesmo espaço, agora sem a balbúrdia e a alegria das gentes, houve corrida. Lenta e serena como as ruas em sossego, pelos campos a prepararem-se para novos cultivos, eu corri! 10 Km em 1h07m.
Foi excelente! Estou mais que bem para a Corrida do Sporting! Só vou querer é fazer um bocadinho de menos tempo, talvez 1 hora certinha, ou pouco mais! O que conseguir farei!
Até amanhã querido diário
Destituição da Monarquia e Implantação da República em Portugal
Corremos com os reis e instituímos a República, uma "coisa pública", regime em que o chefe de estado é eleito através de voto pelos cidadãos.
5 de Outubro de 2012
Recordamos a nossa História, em recriações bonitas de se ver e onde "esquecemos" as condições de vida daquelas pessoas.
Ficam os lugares, as memórias recriadas a partir dos livros e das histórias que contam. E ficam as pedras, as trabalhadas e as outras, as brutas.
| O meu pai |
| Os tanques e o chafariz ao fundo |
Foi a Feira Setecentista em Santo Antão do Tojal, concelho de Loures, que não foi hoje mas há meia dúzia de dias e que recria a época de D.João V, e a bênção dos Sinos, vindos de Antuérpia, antes de irem para o Convento de Mafra.
| O porco a assar |
| O outro chafariz e a cerimónia da bênção dos sinos |
| O Rei e a Rainha |
| Nobreza
A passagem d'El Rei D. João V, em filme:
|
e ainda hoje, 5 de Outubro de 2012:
- Comecei a fazer dieta.
- Quando?
- Hum...há bocadinho.
- Vamos jantar umas amêijoas à Bulhão Pato, com um bom pãozinho, queijo e vinho?
- Boa! Vamos nessa.
Mas antes de jantar, pelas mesmas ruas do desfile setecentista de há dias, e sem a vida de há séculos que não consigo imaginar, no mesmo espaço, agora sem a balbúrdia e a alegria das gentes, houve corrida. Lenta e serena como as ruas em sossego, pelos campos a prepararem-se para novos cultivos, eu corri! 10 Km em 1h07m.
Foi excelente! Estou mais que bem para a Corrida do Sporting! Só vou querer é fazer um bocadinho de menos tempo, talvez 1 hora certinha, ou pouco mais! O que conseguir farei!
Até amanhã querido diário
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
Coisas que nos fazem sentir mal
Conduzir de manhã cedo numa terra outrora mais pacata, num dia de greve de boa parte dos transportes públicos, com calma e com tempo, também dispensada de outros serviços e por isso privada da correspondente remuneração (são sempre os mexilhões que pagam!), em consequência dessas mesmas greves, não será à partida nada para nos fazer sentir mal.
Também, depois de passar os olhos pelo espelho retrovisor do seu próprio veículo e verificar que não vinha ninguém lá atrás na estrada, pousar suavemente o pé sobre o travão e abrandar até parar para facilitar a saída de marcha atrás de um outro veículo de uma praceta, não nos parece nem à primeira nem à segunda vista, também, motivo para nos fazer sentir mal.
Já, observar a traseira do veículo cada vez mais fora da praceta e cada vez mais dentro da estrada e um terceiro veículo surgir veloz em sentido contrário e querermos acreditar que ele vai parar mas parecer-nos que não vai parar, e por fim assistir à trancada que este segundo deu no primeiro, isto sim pode fazer-nos sentir mal. Mesmo mal.
Porque se é verdade que a estrada tem dois sentidos, e que quem conduz e manobra tem de estar alerta no mínimo e impreterivelmente para essa condição habitual e nesta situação mesmo em marcha atrás havia visibilidade para ambos os lados, também é verdade que ao parar, eu possa ter induzido em erro o sujeito que fez a manobra julgando-se "à vontade" para sair.
Certo é que se eu não tivesse parado naquele instante, ele não teria avançado naquele instante. E naquele instante não teria levado com o outro.
Coisas que nos fazem sentir mal. Tão mal que em dias mais cinzentos nos poderiam conduzir ao miserável estado mental em que acreditamos que só fazemos porcaria e que nada do que fazemos se aproveita e que o mundo estaria muito melhor sem nós. Coisas que nos fazem sentir bastante mal se nós deixarmos.
Mas felizmente este mês de Outubro está ainda cheio de Sol. E temos pela frente um fim de semana de três dias. E eu agora até me sinto bem.
Até amanhã querido diário e bom fim de semana GRANDE!
Também, depois de passar os olhos pelo espelho retrovisor do seu próprio veículo e verificar que não vinha ninguém lá atrás na estrada, pousar suavemente o pé sobre o travão e abrandar até parar para facilitar a saída de marcha atrás de um outro veículo de uma praceta, não nos parece nem à primeira nem à segunda vista, também, motivo para nos fazer sentir mal.
Já, observar a traseira do veículo cada vez mais fora da praceta e cada vez mais dentro da estrada e um terceiro veículo surgir veloz em sentido contrário e querermos acreditar que ele vai parar mas parecer-nos que não vai parar, e por fim assistir à trancada que este segundo deu no primeiro, isto sim pode fazer-nos sentir mal. Mesmo mal.
Porque se é verdade que a estrada tem dois sentidos, e que quem conduz e manobra tem de estar alerta no mínimo e impreterivelmente para essa condição habitual e nesta situação mesmo em marcha atrás havia visibilidade para ambos os lados, também é verdade que ao parar, eu possa ter induzido em erro o sujeito que fez a manobra julgando-se "à vontade" para sair.
Certo é que se eu não tivesse parado naquele instante, ele não teria avançado naquele instante. E naquele instante não teria levado com o outro.
Coisas que nos fazem sentir mal. Tão mal que em dias mais cinzentos nos poderiam conduzir ao miserável estado mental em que acreditamos que só fazemos porcaria e que nada do que fazemos se aproveita e que o mundo estaria muito melhor sem nós. Coisas que nos fazem sentir bastante mal se nós deixarmos.
Mas felizmente este mês de Outubro está ainda cheio de Sol. E temos pela frente um fim de semana de três dias. E eu agora até me sinto bem.
Então e correr ? Três dias para correr, sem horários para cumprir, vais correr ?
Não sei, veremos...
Olha o Sporting, olha o Sporting...
A Corrida do Sporting, queres tu dizer, que aí vem e que cobra para correr 15 euros a cada inscrito: desde os bebés aos anciões
Só vai quem quer, ora essa! Tu também vais!
Cada um tem os seus motivos para ir.
E além disso deixaste passar a fase as inscrições mais baratas! Não te podes queixar!
Mais baratas?! 12 euros para não-sócios ? Achas mesmo que eram baratas?!
Não tens razão para falar! Vai quem quer! E tu até vais! Vai quem quer!
Quem quer e quem PODE! E cada um sabe de si e eu, Benfiquista de coração, só eu sei porque não fico em casa, la la la la la la la. . . la la la la la la la...la la la la la la la. . . la la la la la la la...
Até amanhã querido diário e bom fim de semana GRANDE!
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
Dia Um
Se vocês não me conhecessem e se eu própria não me conhecesse, eu podia vir aqui hoje dizer entusiasticamente que hoje é dia um, o primeiro do mês de Outubro e que os dias um são sempre bons dias de recomeço, que estou cheia de vontade de mudar o estilo de vida que tenho levado nos últimos dias, semanas, meses, anos, que tenho vontade de recomeçar a correr, de querer perder peso uma vez que o que tenho é excessivo, que tenho vontade de fazer alguma coisa por mim, etc e tal, que estou pela milésima a renascer, a redescobrir-me, etc e tal e outros afins. Podia dizer que agora vou lutar, vou mudar, etc e tal. Podia dizer que agora é que é! Podia. Podia vir aqui dizer isto tudo e implorar disfarçadamente (mal disfarçada claro!) por palmadinhas nas costas e palavras de apoio que não duvido me dariam com a maior das sinceridades próprias de uma noite de fim de Verão em frente ao computador, entre olhadelas na "Casa dos Segredos", uma telenovela qualquer e as visitas aos inúmeros blogues.
Mas não, eu hoje já não renasço. Hoje, eu progrido, avanço continuamente em cada minuto do dia e em cada dia que passa. Tenho perfeita noção disso. Não há renascimentos neste velho corpo. Ele já está desperto há bastante tempo, apesar de gordo e de não correr há semanas. Euforias histéricas já não fazem parte dos meus dias. Vivo com uma serenidade diferente de há uns anos atrás. As coisas já não são tão dramáticas e aceito os meus defeitos e limitações. E Correr é bom, muito bom, e pesar 58 Kg também é (seria) espectacular, mas de coisas dessas já não depende a minha felicidade e o meu equilíbrio.
Hoje, sei que se correr, muito provavelmente me vou sentir muito bem por isso, mas se não correr e tiver uma outra actividade qualquer (ou mesmo nenhuma), também me vou sentir tão bem ou até melhor! Mesmo com os meus 69,1 Kg que hoje peso. Mesmo sem correr há 3 semanas (desde a Meia de S.João das Lampas).
No entanto não esqueço nem menosprezo o prazer que a Corrida dá. Pela Corrida em si e pela forma e disposição que nos faz ter depois, para todas as outras actividades do nosso dia. Conheço bem esse efeito. Conheço e aprecio-o sobremaneira ao ponto de por vezes pensar que preciso dele. Por isso, a Corrida continua a ser importante. Muito importante. Mas assim, à minha maneira: quando me apetece! Quando quero! Quando "posso". Quando o factor prazer ultrapassa todos os sacrifícios que se terão de fazer para ir correr. De outra forma, deixa de fazer sentido. Talvez este seja o meu caminho certo e eu esteja finalmente nele.
E hoje, porque me pediste, queres a camisola, queres a medalha e queres ver-me correr e porque é o teu clube, eu vou ter de me inscrever na Corrida do Sporting.
Quinze euros, caraças!!! Até dói!
Obrigada pai! Lá estaremos de novo!!
E por isso hoje a rapariga foi correr! "Treinar para o Sporting", disse com a sua alma de Benfiquista, e correu 5 Km, 31 minutos! Magnífico! Daqui a 2 semanas temos então o Sporting... são 10 Km. E ela lá estará a correr. E o pai lá estará para ver!
Mas não, eu hoje já não renasço. Hoje, eu progrido, avanço continuamente em cada minuto do dia e em cada dia que passa. Tenho perfeita noção disso. Não há renascimentos neste velho corpo. Ele já está desperto há bastante tempo, apesar de gordo e de não correr há semanas. Euforias histéricas já não fazem parte dos meus dias. Vivo com uma serenidade diferente de há uns anos atrás. As coisas já não são tão dramáticas e aceito os meus defeitos e limitações. E Correr é bom, muito bom, e pesar 58 Kg também é (seria) espectacular, mas de coisas dessas já não depende a minha felicidade e o meu equilíbrio.
Hoje, sei que se correr, muito provavelmente me vou sentir muito bem por isso, mas se não correr e tiver uma outra actividade qualquer (ou mesmo nenhuma), também me vou sentir tão bem ou até melhor! Mesmo com os meus 69,1 Kg que hoje peso. Mesmo sem correr há 3 semanas (desde a Meia de S.João das Lampas).
No entanto não esqueço nem menosprezo o prazer que a Corrida dá. Pela Corrida em si e pela forma e disposição que nos faz ter depois, para todas as outras actividades do nosso dia. Conheço bem esse efeito. Conheço e aprecio-o sobremaneira ao ponto de por vezes pensar que preciso dele. Por isso, a Corrida continua a ser importante. Muito importante. Mas assim, à minha maneira: quando me apetece! Quando quero! Quando "posso". Quando o factor prazer ultrapassa todos os sacrifícios que se terão de fazer para ir correr. De outra forma, deixa de fazer sentido. Talvez este seja o meu caminho certo e eu esteja finalmente nele.
E hoje, porque me pediste, queres a camisola, queres a medalha e queres ver-me correr e porque é o teu clube, eu vou ter de me inscrever na Corrida do Sporting.
Quinze euros, caraças!!! Até dói!
Obrigada pai! Lá estaremos de novo!!
| Corrida do Sporting - 2011 |
E por isso hoje a rapariga foi correr! "Treinar para o Sporting", disse com a sua alma de Benfiquista, e correu 5 Km, 31 minutos! Magnífico! Daqui a 2 semanas temos então o Sporting... são 10 Km. E ela lá estará a correr. E o pai lá estará para ver!
domingo, 30 de setembro de 2012
e ainda e sempre UHF
Para recordar a noite de 27 de Setembro de 2012, no Teatro do Bairro, Lisboa:
"Cavalos de Corrida", "Sábado (nos teus braços) e "Vejam bem"
"Cavalos de Corrida", "Sábado (nos teus braços) e "Vejam bem"
sábado, 29 de setembro de 2012
UHF
Início dos anos 80. Costa da Caparica. Duas miúdas. 14 anos de idade. Esperam ansiosas e excitadas. A emoção é enorme e a liberdade concedida ultrapassa todas as expectativas e o sonho está prestes a realizar-se. É uma incerteza porém. Elas são só duas miúdas e eles, os ídolos, famosos e lindos e ocupados. Podem nem aparecer. Elas esperam porém. Pacientes, seguras e firmes. Nada as arredaria dali. Junto à Lota, em frente ao apartamento onde o grupo tinha um estúdio.
Não houve cigarros para descontrair, nem ganzas ou outras drogas. Apenas elas. Com a suficiente e gratificante excitação de quem ia ter (ou não) a possibilidade de ver os ídolos, ali, ao vivo e de perto, em ambiente calmo, longe dos palcos, dos concertos e da fama. Ali, na terra deles, como se fossem pessoas normais, iguais a elas.
Falaram, riram, comeram o lanche trazido de casa, confidenciaram segredos que eram já poucos entre elas e aguardaram sem arredar pé.
Por fim avistaram-no. Um deles. O principal para ela, o mais admirado, amado e idolatrado. Deus em terra, ídolo de carne e osso a poucos metros delas. Não sabiam o que iria acontecer. Abordaram-no, foram bem recebidas com simpatia e à vontade e subiram ao estúdio. Homem feito e duas miúdas de catorze anos num andar fechado de uma torre alta a ver o mar. Perigo eminente, ingenuidade e aventura, deleite emocional (sabem o que é ter 14 anos, ter um ídolo e estar a 1 metro dele a conversar como pessoas normais?) O rapaz, já homem feito, era mesmo um Homem na altura e portou-se como tal. Conversou, tocou viola e cantou para elas uma breve melodia, mostrou-lhes fotos, falou disto e daquilo à pressa e por fim convidou-as a despedirem-se pois tinha de ir a qualquer lado.
Alguém imagina como aquelas miúdas saíram dali?!
Muito para além do vulgar "nas nuvens". Muito para além do "felizes e extasiadas". Muito para além do que quaisquer palavras que hoje consiga encontrar possam descrever.
Aquele dia ficou gravado para sempre naquelas miúdas. A partilha da espera ansiosa, a partilha do momento mais íntimo com o ídolo. Partilha gravada na pele e na alma destas miúdas, Pelo menos nesta. Gravada até hoje de forma inabalável e preciosa.
E hoje, quase trinta anos depois vai ouvi-los de novo. Ao vivo. Em ambiente intimista. Acompanhada do seu homem, entre copos de cerveja e fumo de cigarro, quase trinta anos depois, de brilho nos olhos, constata que está tudo lá! Lá! Vivo! Dentro dela a fazê-la viajar, sentir e viver! Viver melhor esta única vida que ela tem.
Obrigada António Manuel Ribeiro por continuares a manter bem vivo o som e a mensagem UHF, e por continuares a nos proporcionar magníficas Noites Lisboetas como esta que foi a de 27 de Setembro de 2012 no Teatro do Bairro.
Não houve cigarros para descontrair, nem ganzas ou outras drogas. Apenas elas. Com a suficiente e gratificante excitação de quem ia ter (ou não) a possibilidade de ver os ídolos, ali, ao vivo e de perto, em ambiente calmo, longe dos palcos, dos concertos e da fama. Ali, na terra deles, como se fossem pessoas normais, iguais a elas.
Falaram, riram, comeram o lanche trazido de casa, confidenciaram segredos que eram já poucos entre elas e aguardaram sem arredar pé.
Por fim avistaram-no. Um deles. O principal para ela, o mais admirado, amado e idolatrado. Deus em terra, ídolo de carne e osso a poucos metros delas. Não sabiam o que iria acontecer. Abordaram-no, foram bem recebidas com simpatia e à vontade e subiram ao estúdio. Homem feito e duas miúdas de catorze anos num andar fechado de uma torre alta a ver o mar. Perigo eminente, ingenuidade e aventura, deleite emocional (sabem o que é ter 14 anos, ter um ídolo e estar a 1 metro dele a conversar como pessoas normais?) O rapaz, já homem feito, era mesmo um Homem na altura e portou-se como tal. Conversou, tocou viola e cantou para elas uma breve melodia, mostrou-lhes fotos, falou disto e daquilo à pressa e por fim convidou-as a despedirem-se pois tinha de ir a qualquer lado.
Alguém imagina como aquelas miúdas saíram dali?!
Muito para além do vulgar "nas nuvens". Muito para além do "felizes e extasiadas". Muito para além do que quaisquer palavras que hoje consiga encontrar possam descrever.
Aquele dia ficou gravado para sempre naquelas miúdas. A partilha da espera ansiosa, a partilha do momento mais íntimo com o ídolo. Partilha gravada na pele e na alma destas miúdas, Pelo menos nesta. Gravada até hoje de forma inabalável e preciosa.
E hoje, quase trinta anos depois vai ouvi-los de novo. Ao vivo. Em ambiente intimista. Acompanhada do seu homem, entre copos de cerveja e fumo de cigarro, quase trinta anos depois, de brilho nos olhos, constata que está tudo lá! Lá! Vivo! Dentro dela a fazê-la viajar, sentir e viver! Viver melhor esta única vida que ela tem.
Obrigada António Manuel Ribeiro por continuares a manter bem vivo o som e a mensagem UHF, e por continuares a nos proporcionar magníficas Noites Lisboetas como esta que foi a de 27 de Setembro de 2012 no Teatro do Bairro.
Desculpem a qualidade ou antes a falta dela, mas bom bom bom mesmo, foi estar lá!
sexta-feira, 21 de setembro de 2012
Estádios
Não se conhece.
Está em constante transformação. Mutação, evolução, crescimento ou deterioração. Vive estádios.
Animal mutante, viajante, recua e avança no espaço e no tempo em busca de si, para se encontrar sempre diferente, sempre nova.
É sempre novo o ar que respira. Única a inspiração e a viagem pelas vias respiratórias até aos pulmões e a sua incursão depois de minuciosa, natural e perfeita escolha, na corrente sanguínea e consequente visita a todos os órgãos, todas as células do seu corpo usado, gasto e às vezes cansado.
Nova, sente-se nova a cada dia. Novas ideias, novas descobertas, novas sensações, novos sentimentos, novas vidas dentro da sua, a desabrocharem com um gesto, uma voz, uma vivência qualquer a qualquer hora de um dia qualquer também.
Equilíbrio e harmonia não são sinónimos de monotonia ou repetição. São antes forças de equilíbrio estrategicamente, fragil e dificilmente colocadas e alinhadas dentro de si própria, aprendidas e encontradas no meio do tumulto, do turbilhão de emoções, no meio dos vendavais e das tempestades intemporais, permitindo-lhe viver bem consigo própria e com os outros. Mas fundamentalmente bem consigo própria, já que sem esta condição, torna-se insustentável a outra.
Vive estádios.
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A rapariga não tem corrido nada! Nada mesmo! Suspeita-se que ela quer ver se dificulta a sua passagem pelos 15 Km da Maratona do Porto, prova de 15 Km a decorrer em simultâneo com a Maratona, que ela quer correr (os 15 km, claro!)no fim de Outubro.
- Ainda falta muito e tenho estado mais que ocupada! Achas pouco o que tenho feito?! Estou cansada. Até cansada de correr! Que se lixe. Tenho tempo! Depois treino! Agora, agora...dança comigo amor! - Pega-lhe na mão e dançam até ao sol nascer! E canta a desafinar descaradamente e sem vergonha só para ele:
".../...
Tu és o anjo
Que me protege
Do grande amor
Que a vida me deve
Dança comigo
A primeira vez
Ficarei contigo
Até o sol nascer
Quero-te tanto
Por ti esperei
Por este dia
Mil anos passei
.../..."
António Manuel Ribeiro, UHF
terça-feira, 18 de setembro de 2012
"A Ursa" ou "Jamais serei uma atleta de Trail" ou ainda "O equívoco"
Depois das Lampas, a rapariga abrandou, ou antes, parou. Outras corridas a chamaram a que ela respondeu e só com uma vontade de ferro teria continuado a treinar Corrida, mas como isso ela já não tem, pelo menos no que à Corrida diz respeito, a rapariga tem estado parada no que a treinos de Corrida diz respeito.
Claro que nem por isso se julgue que esteve efectivamente parada. Bem pelo contrário.
Entre outras (muitas outras) coisas, ela mexeu. A entrada da filha na escola, as caminhadas (longas e duras) e a praia, ainda enquanto se pode aproveitar despida e sentir o sol e o sal na pele.
E mais um recanto deste Portugal descoberto: A Praia da Ursa, a praia mais ocidental da Europa, a dois passos do Cabo da Roca, ali mesmo pertinho de Sintra e da Azóia.
De acesso difícil, ela constatou o que já sabia: jamais será uma atleta de trail. Ela tem consciência que é uma medricas a descer, e gostaria de ter metade da perícia e destreza dos pescadores que por ali abaixo deslizam como serpentes brilhantes e carregados que nem uns burros com o material de pesca. Ligeiros descem a encosta numa harmonia e equilíbrio admiráveis. Mas ela não. Ela vai pé ante pé, tem medo, escorrega, e é uma medricas é o que é. Mas nem por isso desiste, é persistente. Devagar, a escorregar, rabo no chão, ora cai ora levanta, ela demorou imenso tempo a descer ao areal mas nunca duvidou que valeria a pena.
Lá em baixo uma pequena praia acolhedora. Rochas sobressaem da água e ela procura "a ursa", a que dará nome à praia. Várias rochas de vários ângulos observadas com atenção à espera da ursa. E de repente parece que a ursa é ela. Assim como de repente, quando já tinha deixado de procurar e descansa a cabeça no peito dele molhado, salgado e quente, de repente avista-a: a Ursa. Magnífica e imponente. A Ursa. Ao Sol, de barriga para cima como ela. Bela e magnífica. Mais tarde a rapariga averigua, procura alguma informação sobre tão singular lugar de beleza arrebatadora e parece que afinal a Ursa da praia não era aquela mas sim outra, embora já meio destruída pela erosão...
Parece pois que afinal a Ursa era uma outra rocha, do lado Norte da praia, rocha alta a fazer lembrar uma ursa em pose altiva. Conta a lenda que há milhares de anos, quando a terra estava coberta de gelo, ali naquele lugar vivia uma ursa e suas crias. Quando o degelo começou, os Deuses avisaram todos os animais para abandonarem a beira-mar, mas esta ursa, teimosa que nem uma ursa, recusou-se pois ali tinha nascido e ali queria ficar. Os Deuses enfurecidos transformaram a ursa em pedra e os seus filhotes em pequenas rochas dispersas à volta da mãe e ali ficaram para sempre dando assim o nome à praia.
Assim, a Ursa foi vista, mas parece que afinal não passou de imaginação. Mas a outra, a verdadeira ursa-rocha não é ela também fruto da mesma ou de outra imaginação? E afinal que importância tem isso? Se é mesmo pelo sonho é que vamos e se o que nos guia é o nosso coração, a rapariga viu a ursa, sim.
Está plenamente convicta que viu a ursa, teimosa e persistente como ela.
Claro que nem por isso se julgue que esteve efectivamente parada. Bem pelo contrário.
Entre outras (muitas outras) coisas, ela mexeu. A entrada da filha na escola, as caminhadas (longas e duras) e a praia, ainda enquanto se pode aproveitar despida e sentir o sol e o sal na pele.
E mais um recanto deste Portugal descoberto: A Praia da Ursa, a praia mais ocidental da Europa, a dois passos do Cabo da Roca, ali mesmo pertinho de Sintra e da Azóia.
De acesso difícil, ela constatou o que já sabia: jamais será uma atleta de trail. Ela tem consciência que é uma medricas a descer, e gostaria de ter metade da perícia e destreza dos pescadores que por ali abaixo deslizam como serpentes brilhantes e carregados que nem uns burros com o material de pesca. Ligeiros descem a encosta numa harmonia e equilíbrio admiráveis. Mas ela não. Ela vai pé ante pé, tem medo, escorrega, e é uma medricas é o que é. Mas nem por isso desiste, é persistente. Devagar, a escorregar, rabo no chão, ora cai ora levanta, ela demorou imenso tempo a descer ao areal mas nunca duvidou que valeria a pena.
Lá em baixo uma pequena praia acolhedora. Rochas sobressaem da água e ela procura "a ursa", a que dará nome à praia. Várias rochas de vários ângulos observadas com atenção à espera da ursa. E de repente parece que a ursa é ela. Assim como de repente, quando já tinha deixado de procurar e descansa a cabeça no peito dele molhado, salgado e quente, de repente avista-a: a Ursa. Magnífica e imponente. A Ursa. Ao Sol, de barriga para cima como ela. Bela e magnífica. Mais tarde a rapariga averigua, procura alguma informação sobre tão singular lugar de beleza arrebatadora e parece que afinal a Ursa da praia não era aquela mas sim outra, embora já meio destruída pela erosão...
Parece pois que afinal a Ursa era uma outra rocha, do lado Norte da praia, rocha alta a fazer lembrar uma ursa em pose altiva. Conta a lenda que há milhares de anos, quando a terra estava coberta de gelo, ali naquele lugar vivia uma ursa e suas crias. Quando o degelo começou, os Deuses avisaram todos os animais para abandonarem a beira-mar, mas esta ursa, teimosa que nem uma ursa, recusou-se pois ali tinha nascido e ali queria ficar. Os Deuses enfurecidos transformaram a ursa em pedra e os seus filhotes em pequenas rochas dispersas à volta da mãe e ali ficaram para sempre dando assim o nome à praia.
| A descida e o medo vencido |
| A meio da descida |
| A vista sobre a praia |
| Descubram a Ursa |
Está plenamente convicta que viu a ursa, teimosa e persistente como ela.
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
36ª Meia Maratona de S.João das Lampas
Podemos achar que descrever a 36ª Meia Maratona de S.João das Lampas é dizer que foi organizada pelo Meia Maratona de S. João das Lampas - Grupo de Dinamização Desportiva com o apoio da Câmara Municipal de Sintra e da Junta de Freguesia de S. João das Lampas, que decorreu no fim da tarde de sábado, 8 de Setembro de 2012, que o percurso tinha a extensão de 21 097m, aferido pela CNEC, que ultrapassou as cinco centenas de atletas a cortar a meta da Meia e a centena de participantes na Mini-Maratona de meia dúzia de quilómetros, que este ano a prova esteve integrada no programa das Festas de Nª Senhora da Saúde, que os vencedores foram António Sousa do Garmin CO Oeiras com 1h12m15s e Anabela Gomes do Arrudense com 1h26m26s, que o trânsito estava condicionado, que os quilómetros estavam marcados e que havia quatro postos de abastecimento. Podemos ainda dizer que as inscrições custavam seis euros, que não havia este ano prémios monetários mas troféus para a classificação por escalões e que o saco de prémios de participação continha uma camisola, lembranças e produtos alimentares. E que o controle era feito por pulseiras distribuídas em pontos estratégicos. Podemos ainda dizer que a cronometragem e classificação esteve a cargo da Xistarca que disponibilizou resultados com rapidez. Podemos dizer tudo isto e pensar que descrevemos a 36ª Meia Maratona de S.João das Lampas, mas desengane-se quem assim pense, porque para sentirmos e sabermos o que é a Meia Maratona de S.João das Lampas temos de lá ir correr.
Temos de ver e ouvir a animação da rua, os pórticos, especialmente o tradicional que consiste na Meta. Temos de levantar o dorsal e resolver pequenos conflitos e até fazer inscrições de última hora com bastante facilidade e eficiência. Temos de aquecer naquelas ruas animadas à volta do coreto. Temos de sentir a afabilidade da organização, um carinho pelos atletas e um amor pela Corrida sentido na pele, personificado e bem representado pelo director desta que é a 2ª Meia Maratona mais antiga de Portugal, Fernando Andrade. Temos de partir a horas à frente dos Caminheiros. Temos de sentir as ruas da vila enfeitada, o Coreto, a Igreja, as gentes pelo caminho fora, os rostos, os sorrisos e o brilho dos olhos, as serras e o deslumbramento da paisagem, os ares, os moinhos, as crianças de mãos estendidas a procurarem as nossas. Temos de encontrar água com abundância nos abastecimentos apesar de sermos a cauda do pelotão. Temos de ser surpreendidos por um copo de bebida isotónica ao km 15, que bem que soube depois de tão duras rampas a confundir com Lampas, de tanto suor derramado, de tanto passo dado e sorriso retribuído num constante oscilar de sobe e desce.
Temos de ouvir as gentes a dar-nos força, porque somos mulheres ou homens ou velhos ou novos. Simplesmente a darem-nos força em gestos e palavras singelas proferidas com pureza. Vejo-lhes as vestes, de gente do campo à porta da cidade, à porta de casa, a improvisarem chuveiros para os atletas se refrescarem, a oferecerem água e o que podem dar.
Temos de olhar para um relógio posicionado a cada 5 km, a lembrar estações ferroviárias e o nosso próprio andamento e ritmo. Temos de ouvir as palavras amáveis de quem zela pela nossa segurança e nos pede para ocuparmos a outra faixa da estrada, quando já o trânsito tinha sido aberto. Temos de ser acompanhados pela polícia e observar o bom trabalho em relação ao trânsito garantindo a nossa segurança e integridade. Temos de receber as pulseiras de controlo com a simpatia com que são dadas. Temos de pisar a passadeira verde para a meta e sermos "abraçados" no fim. Temos de ser fotografados como se fôssemos vedetas e favoritos ao pódio.Temos de receber os bons tratos e o saco e a camisola e nem nos importarmos por já não termos recebido os produtos alimentares de outros tempos e que a maioria dos classificados à nossa frente ainda recebeu. Temos de levar à boca pedaços de melancia doce e fresca e sentir o suco escorrer pelos cantos da boca e não nos importarmos com isso, limpando o queixo com as costas da mão e parabentearmos o principal mentor desta grande Meia Maratona: Fernando Andrade de novo, que se mantém no leme deste barco desde o nascimento da prova. Temos de assistir à entrega de prémios, apenas cheirar as flores oferecidas aos vencedores e tomar um bom banho, e depois ficar para a festa.
É isto apenas. Temos de correr a Meia Maratona de S.João das Lampas para sabermos então o que é a Meia Maratona de S.João das Lampas. Deseja-se que 2013 permita a sua 37ª edição. É uma prova de eleição que tenho no coração. Prova em moldes simples e humildes, sem no entanto deixar de satisfazer plenamente os requisitos essenciais para o sucesso que tem.
Temos de ver e ouvir a animação da rua, os pórticos, especialmente o tradicional que consiste na Meta. Temos de levantar o dorsal e resolver pequenos conflitos e até fazer inscrições de última hora com bastante facilidade e eficiência. Temos de aquecer naquelas ruas animadas à volta do coreto. Temos de sentir a afabilidade da organização, um carinho pelos atletas e um amor pela Corrida sentido na pele, personificado e bem representado pelo director desta que é a 2ª Meia Maratona mais antiga de Portugal, Fernando Andrade. Temos de partir a horas à frente dos Caminheiros. Temos de sentir as ruas da vila enfeitada, o Coreto, a Igreja, as gentes pelo caminho fora, os rostos, os sorrisos e o brilho dos olhos, as serras e o deslumbramento da paisagem, os ares, os moinhos, as crianças de mãos estendidas a procurarem as nossas. Temos de encontrar água com abundância nos abastecimentos apesar de sermos a cauda do pelotão. Temos de ser surpreendidos por um copo de bebida isotónica ao km 15, que bem que soube depois de tão duras rampas a confundir com Lampas, de tanto suor derramado, de tanto passo dado e sorriso retribuído num constante oscilar de sobe e desce.
Temos de ouvir as gentes a dar-nos força, porque somos mulheres ou homens ou velhos ou novos. Simplesmente a darem-nos força em gestos e palavras singelas proferidas com pureza. Vejo-lhes as vestes, de gente do campo à porta da cidade, à porta de casa, a improvisarem chuveiros para os atletas se refrescarem, a oferecerem água e o que podem dar.
Temos de olhar para um relógio posicionado a cada 5 km, a lembrar estações ferroviárias e o nosso próprio andamento e ritmo. Temos de ouvir as palavras amáveis de quem zela pela nossa segurança e nos pede para ocuparmos a outra faixa da estrada, quando já o trânsito tinha sido aberto. Temos de ser acompanhados pela polícia e observar o bom trabalho em relação ao trânsito garantindo a nossa segurança e integridade. Temos de receber as pulseiras de controlo com a simpatia com que são dadas. Temos de pisar a passadeira verde para a meta e sermos "abraçados" no fim. Temos de ser fotografados como se fôssemos vedetas e favoritos ao pódio.Temos de receber os bons tratos e o saco e a camisola e nem nos importarmos por já não termos recebido os produtos alimentares de outros tempos e que a maioria dos classificados à nossa frente ainda recebeu. Temos de levar à boca pedaços de melancia doce e fresca e sentir o suco escorrer pelos cantos da boca e não nos importarmos com isso, limpando o queixo com as costas da mão e parabentearmos o principal mentor desta grande Meia Maratona: Fernando Andrade de novo, que se mantém no leme deste barco desde o nascimento da prova. Temos de assistir à entrega de prémios, apenas cheirar as flores oferecidas aos vencedores e tomar um bom banho, e depois ficar para a festa.
É isto apenas. Temos de correr a Meia Maratona de S.João das Lampas para sabermos então o que é a Meia Maratona de S.João das Lampas. Deseja-se que 2013 permita a sua 37ª edição. É uma prova de eleição que tenho no coração. Prova em moldes simples e humildes, sem no entanto deixar de satisfazer plenamente os requisitos essenciais para o sucesso que tem.
domingo, 9 de setembro de 2012
A 36ª Meia Maratona de S.João das Lampas e o TGV das 2.30
A minha Meia Maratona de S.João das Lampas e o TGV das 2:30
8 de Setembro de 2012
Chegar cedo a S.João das Lampas. Costas guardadas e pilares sólidos a suportarem-me. Amor, amizade, companheirismo, está tudo lá.
Os treinos tinham sido escassos, fraquinhos, insuficientes como já parece ser meu apanágio. No entanto, mesmo mal preparada tudo faria para não faltar à Meia de S.João das Lampas e quando o Jorge Branco me aliciou com um bilhete baratinho (vendido na candonga) para o TGV das 2:30, que tinha como maquinista que eu intitularia antes de "grande máquina" o nosso amigo Joaquim Adelino que nos garantiria a finalização da prova em 2h30m, não hesitei e quase todos os temores se desvaneceram. Teria companhia e afinal fazer os 21,097 Km em 2h30m seria uma média acessível e bem confortável (7:09/Km). Os únicos senãos seriam o desnível acentuado da prova, que comprometeria um ritmo constante e a minha fraca resistência com treinos com pouco mais de 1 hora de duração. Ainda assim, o convite que muito agradeço foi o empurrão de que eu precisava e no dia alinhei na Partida embarcando no TGV das 2:30 com promessas seladas a sangue e cuspo que seria um por todos e todos por um, o que mais tarde me fez lembrar uma certa anedota(*) que não deixa de ter um fundo de verdade e que se aplica também aqui. Mas já lá vamos.
Assim, Joaquim Adelino e Jorge Branco (maquinista e carruagem principal), eu, António Pinho que também comprou bilhete mal soube da aliciante viagem, e à última hora, Carlos Coelho e Álvaro Costa. Rui Lopes também comprou bilhete e acompanhou-me até ao km 13, pois a média prevista veio a esfumar-se rapidamente (exemplo: 1º km em 6:13) e as carruagens andaram bem mais depressa que o previsto, vendo-se que a sólida promessa afinal não passava de uma vulgar boa intenção, daquelas com que o inferno está cheio, não sendo mais que o revelar do ser humano na sua mais íntima essência.
O comboio destrambelhou-se completamente. Houve carruagens a passarem à frente da máquina, carruagens desengatadas e até descarrilamentos. Nem mesmo os relógios de 5 em 5 Km, a lembrarem a passagem pelas estações ferroviárias e o rigor dos horários que deveriam ser cumpridos, os fez atinar e encarrilhar de novo (eu incluída, claro).
Assim, com excepção de Joaquim Adelino e eu mesma - porque o Adelino soube esperar e soube depois puxar por mim e porque eu respondi, todas as outras carruagens chegaram isoladas. Mas apesar do objectivo sair gorado, com excepção para o Pinho que cumpriu horário (apenas com pouco mais de 2 minutos de atraso), todos chegaram felizes e contentes à sua meta porque fizeram o que habitualmente fazem: o seu melhor. Tal qual como eu. E o resto são cantigas.
A chegada das carruagens:
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| O Álvaro Costa |
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| O Jorge Branco |
A minha meta: chegar bem, entre amigos, e a sorrir! Meta alcançada plenamente! Obrigada Joaquim Adelino!
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| O Carlos Coelho |
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| O António Pinho |
| António Melro, meu pai, meu companheiro, fotógrafo, amigo, amante da Corrida que descobriu já depois dos 60 anos de idade, e da qual se viu obrigado a separar poucos anos depois - para ler ou reler aqui |
E nós na TV.Saloia. Sim, o nosso fantástico grupo aparece neste filme da 36ª meia Maratona de S.João das Lampas, para ver aqui!
(*) A anedota:
Um jornalista entrevistava um comunista sobre a sua ideologia e forma de ser e estar, e perguntou-lhe:
Jorn. - Então o senhor é comunista, defende a divisão dos bens por todos, o fim da exploração, defende a igualdade, etc e tal... blá blá blá...?
Comunista - Sim, sim, claro!
J - Então se o senhor tivesse uma fábrica e milhões de euros de lucros, o senhor dividia pelos seus empregados, suponho?
C - Sim, sim, claro!
J - E se o senhor tivesse uma quinta com muita produção de cereais, por exemplo, o senhor também dividia os produtos pelos seus colaboradores e pela comunidade?
C - Sim, sim, claro!
J - Então e se o senhor tivesse duas galinhas que punham ovos diariamente, o senhor também dividia pela comunidade, certo?
C - É pá! Isso é que não!
J - Não?! Não dividia?! Então porquê?!
C- Ora! É porque isso eu tenho!
- A anedota ilustra a realidade geral de que as nossas teorias são muito bonitas desde que não sejamos nós os lesados, ou desde que não tenhamos de ser nós a fazer cessões, que foi mais ou menos o que se passou com o nosso TGV
NOTA: Agradeço aos meus amigos que me acompanharam neste TGV. A começar pelo Jorge Branco que me incentivou a partir e ingressar no comboio, passando por Rui Lopes que muito me aturou nos treinos que fizemos e nos que não fizemos, por António Pinho que logo que soube da viagem se comprometeu, por Carlos Coelho e Álvaro Costa que embarcaram à última hora, e claro acabando no grande Joaquim Adelino que dadas as circunstâncias, me acompanhou sempre e me deu uma grande ajuda a partir do Km 15, puxando por mim como um louco. Que fique claro que a todos agradeço e ressentimentos são zero, porque afinal de promessas destas não dependia nem a vida nem a morte, nem nada que se lhe compare porque isto era só uma Corrida e porque a Vida, por mais paralelismos que queiramos fazer e por muitos floreados que façamos comparando-a à Corrida, a Vida...é muito mais que isso. E Solidariedade, Companheirismo e Amizade são muito mais que ajudar um amigo a correr. E não me façam lembrar as beatas e beatos que dentro da igreja é só beijinhos e são todos irmãos e irmãs para depois cá fora é só facadas.
Até amanhã querido diário, que amanhã sim, quero falar-vos da 36ª Meia Maratona de S.João das Lampas
sábado, 8 de setembro de 2012
36ª Meia Maratona de S.João das Lampas
Parabéns à Organização da Meia Maratona de S.João das Lampas!
que se realizou hoje pela 36ª vez e onde eu tive o prazer e o privilégio de correr! Entre amigos e com tudo de bom à minha volta e dentro de mim!
Fotos da 36ª Meia Maratona de S.João das Lampas na AMMA - Atletismo Magazine Modalidades Amadoras
Classificações já disponíveis no site da Xistarca
Amanhã chegam aqui as inúmeras palavras que desfilam e dançam soltas pela minha cabeça hoje. Tenho de as arrumar... porque hoje só consigo libertar estas:
Foi uma prova espectacular! Muitos Parabéns ao meu amigo Fernando Andrade, que se mantém no leme desta Meia Maratona que é tão só a 2ª mais antiga de Portugal, e inequivocamente continua bem viva e se recomenda sem qualquer hesitação!
Até amanhã querido diário
que se realizou hoje pela 36ª vez e onde eu tive o prazer e o privilégio de correr! Entre amigos e com tudo de bom à minha volta e dentro de mim!
Fotos da 36ª Meia Maratona de S.João das Lampas na AMMA - Atletismo Magazine Modalidades Amadoras
Classificações já disponíveis no site da Xistarca
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| O meu pai, António Melro, a aguardar-me pacientemente e pronto a guardar imagens de nós atletas, aqui, quase quase a chegar à meta - foto descaradamente copiada de Fernando Almeida, a quem agradeço a foto e principalmente o gesto |
| Com a Meta à vista e a imprescindível ajuda do Joaquim Adelino |
| O "comboio" desmembrado - a explicar amanhã, agora no fim, com quase todas as carruagens reunidas de novo: Jorge Branco, António Pinho, Joaquim Adelino e eu |
Amanhã chegam aqui as inúmeras palavras que desfilam e dançam soltas pela minha cabeça hoje. Tenho de as arrumar... porque hoje só consigo libertar estas:
Foi uma prova espectacular! Muitos Parabéns ao meu amigo Fernando Andrade, que se mantém no leme desta Meia Maratona que é tão só a 2ª mais antiga de Portugal, e inequivocamente continua bem viva e se recomenda sem qualquer hesitação!
Até amanhã querido diário
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