A minha Meia Maratona de S.João das Lampas e o TGV das 2:30
8 de Setembro de 2012
Chegar cedo a S.João das Lampas. Costas guardadas e pilares sólidos a suportarem-me. Amor, amizade, companheirismo, está tudo lá.
Os treinos tinham sido escassos, fraquinhos, insuficientes como já parece ser meu apanágio. No entanto, mesmo mal preparada tudo faria para não faltar à Meia de S.João das Lampas e quando o Jorge Branco me aliciou com um bilhete baratinho (vendido na candonga) para o TGV das 2:30, que tinha como maquinista que eu intitularia antes de "grande máquina" o nosso amigo Joaquim Adelino que nos garantiria a finalização da prova em 2h30m, não hesitei e quase todos os temores se desvaneceram. Teria companhia e afinal fazer os 21,097 Km em 2h30m seria uma média acessível e bem confortável (7:09/Km). Os únicos senãos seriam o desnível acentuado da prova, que comprometeria um ritmo constante e a minha fraca resistência com treinos com pouco mais de 1 hora de duração. Ainda assim, o convite que muito agradeço foi o empurrão de que eu precisava e no dia alinhei na Partida embarcando no TGV das 2:30 com promessas seladas a sangue e cuspo que seria um por todos e todos por um, o que mais tarde me fez lembrar uma certa anedota(*) que não deixa de ter um fundo de verdade e que se aplica também aqui. Mas já lá vamos.
Assim, Joaquim Adelino e Jorge Branco (maquinista e carruagem principal), eu, António Pinho que também comprou bilhete mal soube da aliciante viagem, e à última hora, Carlos Coelho e Álvaro Costa. Rui Lopes também comprou bilhete e acompanhou-me até ao km 13, pois a média prevista veio a esfumar-se rapidamente (exemplo: 1º km em 6:13) e as carruagens andaram bem mais depressa que o previsto, vendo-se que a sólida promessa afinal não passava de uma vulgar boa intenção, daquelas com que o inferno está cheio, não sendo mais que o revelar do ser humano na sua mais íntima essência.
O comboio destrambelhou-se completamente. Houve carruagens a passarem à frente da máquina, carruagens desengatadas e até descarrilamentos. Nem mesmo os relógios de 5 em 5 Km, a lembrarem a passagem pelas estações ferroviárias e o rigor dos horários que deveriam ser cumpridos, os fez atinar e encarrilhar de novo (eu incluída, claro).
Assim, com excepção de Joaquim Adelino e eu mesma - porque o Adelino soube esperar e soube depois puxar por mim e porque eu respondi, todas as outras carruagens chegaram isoladas. Mas apesar do objectivo sair gorado, com excepção para o Pinho que cumpriu horário (apenas com pouco mais de 2 minutos de atraso), todos chegaram felizes e contentes à sua meta porque fizeram o que habitualmente fazem: o seu melhor. Tal qual como eu. E o resto são cantigas.
A chegada das carruagens:
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| O Álvaro Costa |
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| O Jorge Branco |
A minha meta: chegar bem, entre amigos, e a sorrir! Meta alcançada plenamente! Obrigada Joaquim Adelino!
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| O Carlos Coelho |
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| O António Pinho |
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| O Rui Lopes, que com parcas condições para correr os 21 Km, me acompanhou (devidamente inscrito!) até ao km 13, onde ficou, mais por não querer atrasar o TGV que ia adiantado em relação ao horário, do que propriamente por não conseguir correr mais |
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| António Melro, meu pai, meu companheiro, fotógrafo, amigo, amante da Corrida que descobriu já depois dos 60 anos de idade, e da qual se viu obrigado a separar poucos anos depois - para ler ou reler aqui |
E nós na TV.Saloia. Sim, o nosso fantástico grupo aparece neste filme da 36ª meia Maratona de S.João das Lampas, para ver aqui!
(*) A anedota:
Um jornalista entrevistava um comunista sobre a sua ideologia e forma de ser e estar, e perguntou-lhe:
Jorn. - Então o senhor é comunista, defende a divisão dos bens por todos, o fim da exploração, defende a igualdade, etc e tal... blá blá blá...?
Comunista - Sim, sim, claro!
J - Então se o senhor tivesse uma fábrica e milhões de euros de lucros, o senhor dividia pelos seus empregados, suponho?
C - Sim, sim, claro!
J - E se o senhor tivesse uma quinta com muita produção de cereais, por exemplo, o senhor também dividia os produtos pelos seus colaboradores e pela comunidade?
C - Sim, sim, claro!
J - Então e se o senhor tivesse duas galinhas que punham ovos diariamente, o senhor também dividia pela comunidade, certo?
C - É pá! Isso é que não!
J - Não?! Não dividia?! Então porquê?!
C- Ora! É porque isso eu tenho!
- A anedota ilustra a realidade geral de que as nossas teorias são muito bonitas desde que não
sejamos nós os lesados, ou desde que não tenhamos de ser nós a fazer cessões
, que foi mais ou menos o que se passou com o nosso TGV
NOTA: Agradeço aos meus amigos que me acompanharam neste TGV. A começar pelo Jorge Branco que me incentivou a partir e ingressar no comboio, passando por Rui Lopes que muito me aturou nos treinos que fizemos e nos que não fizemos, por António Pinho que logo que soube da viagem se comprometeu, por Carlos Coelho e Álvaro Costa que embarcaram à última hora, e claro acabando no grande Joaquim Adelino que dadas as circunstâncias, me acompanhou sempre e me deu uma grande ajuda a partir do Km 15, puxando por mim como um louco. Que
fique claro que a todos agradeço e ressentimentos são zero, porque afinal de promessas destas não dependia nem a vida nem a morte, nem nada que se lhe compare porque isto era só uma Corrida e porque a Vida, por mais paralelismos que queiramos fazer e por muitos floreados que façamos comparando-a à Corrida, a Vida...é muito mais que isso. E Solidariedade, Companheirismo e Amizade são muito mais que ajudar um amigo a correr. E não me façam lembrar as beatas e beatos que dentro da igreja é só beijinhos e são todos irmãos e irmãs para depois cá fora é só facadas.
Até amanhã querido diário, que amanhã sim, quero falar-vos da 36ª Meia Maratona de S.João das Lampas