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terça-feira, 6 de março de 2012

Adoro cãezinhos...

Ir a correr, no meu treino já noite escura, num percurso no meio de vivendas para fugir ao intenso trânsito, e ser surpreendida por uma voz grossa de homem a gritar vigorosa e repetidamente pelo Tobias, Tomás, Tomé, Timóteo, Tiago, Teófilo, Teodoro, Teotónio, Telmo, ou outra coisa qualquer começado por "T", virar-me e ver o vulto de um canídeo a correr direitinho a mim como uma flecha, a mostrar a sua melhor dentição, e ver diminuir a distância entre mim e ele, a 100 à hora, e ficar a escassos metros e a escassos segundos de sentir os fortes dentes do Tobias, Tomás, Tomé, Timóteo, Tiago, Teófilo, Teodoro, Teotónio, Telmo ou outra coisa qualquer, nos meus tornozelos, como se ele fosse o caçador e eu a presa em tentativa falhada de fuga, não é das melhores experiências que se possa ter.

Senti medo. Pensei "é hoje!". Mas depois, num ímpeto de coragem, força e conhecimentos retirados de muitos episódios vistos e revistos do "Encantador de Cães", parei e de frente para ele enfrentando-o, num acto de heroísmo quase inconsciente, levanto o braço e num tom de voz forte e seguro (nem sei como consegui), ordeno: "Ei! Não! Não! - (supondo que qualquer dono usa essa palavra para repreender o animal de qualquer coisa que ele esteja a fazer e com isso o obrigue a parar) - Para trás, vai embora!" - e acompanho as palavras com o gesto de o mandar embora.

A minha sorte é que o animal era um Beagle, e obediente e submisso, parou a menos de 1 metro de mim, olhou-me de frente com um olhar doce e, também (ou apenas, mas deixem-me pensar que eu também tive influência nisso) pelo chamamento do dono, saiu em retirada.

Agora até me rio do "perigo" que corri, mas na altura, não achei graça nenhuma...

Treino: 8 Km em 50m37s, média de 6:19 / Km

segunda-feira, 5 de março de 2012

Eu e a Spiridon



"Eu e a Spiridon..."  A corrermos há mais de 30 anos, eu uma Veterana, ela uma Revista que resiste no tempo, veterana também, a correr ao lado dos Corredores, sempre actual, sempre  com algo para nos ensinar, a ler no blogue do João Lima

Obrigada João Lima e Obrigada Jorge Branco, por me darem esta oportunidade, de  partilhar o que sinto e sei no que à Spiridon e Corrida diz respeito e por me considerarem. Os meus agradecimentos sentidos.

domingo, 4 de março de 2012

Descanso Activo é...

...depois de meses de inactividade e com apenas uma semana de treino e 12 Km corridos ontem, hoje, acordar TODA partida, e ao fim da tarde, apesar de apetecer continuar assim:
... ter coragem para calçar as sapatilhas e sair para um trote lento. Corri 5 Km em 33m17s, numa média de 6:39 / Km.

E sim, estou a preparar-me para uma Meia Maratona! E o dia de hoje, a que chamo de Descanso Activo, também contou!

Beijinhos e boa semana

sábado, 3 de março de 2012

Sessão longa?

Sábado - o diário semanal


nome: o mesmo da semana passada
idade: a mesma da semana passada (mais uma semana)
sexo: o mesmo da semana passada
altura: a mesma da semana passada
peso: 69,1 Kg - Peso eliminado na semana: 3,6 Kg


Resumo dos Treinos da 1ª semana (das 12 de Treino para a Meia)





Carga Semanal: 29 Km em 4  Treinos:

sábado 25.02: 7 Km
domingo 26.02: 7 Km
3ª feira 28.02: 7 Km
5ªfeira 01.03: 8 Km


Faltam agora 11 semanas para a 7ª Meia Maratona Douro Vinhateiro

E hoje, manhã cedo, ao lado do Rio Tejo, entre o nevoeiro e para começar a minha semana corri:

12 Km em 1h15m, média de 6:14 / Km, num treino de confortável corrida contínua

Posso chamar a isto uma sessão longa? Acho que sim, se me lembrar que há 2 semanas me esforçava (imenso) para correr continuamente 2 ou 3 km.

Talvez não devesse já aumentar tanto a distância, mas estes 12 km foram já a pensar (também) nas Lezírias e nos 15 Km que vou querer correr de amanhã a 8 dias.

E então digam lá, estou no bom caminho ou não estou?

Agora, vamos lá continuar a usufruir deste fim-de-semana, que a Vida não é só Corrida: 
Sem "estragar" muito, prometo!

Um Bom Fim-de-Semana para todos os que aqui passaram hoje

quinta-feira, 1 de março de 2012

O Sonho

As palavras que se seguem não são minhas. Mas hoje especialmente fazem sentido nesta semana em que volto a acreditar. Em que sonho que dia 20 Maio vou conseguir correr a 7ª Meia Maratona do Douro Vinhateiro, num dos mais belos cenários que conheço

"O Sonho"


"O sonho começa do nada e
Vai crescendo, crescendo
Vai ganhando forma
Cor, vida e movimento
Quando dou por mim
O sonho está nítido
Está vivo e bem claro


Aí eu sei o que quero
E começa a luta
A luta para o realizar
Para que deixe de ser sonho
E passe a ser real


Mas depois vem o medo
O medo que me diz (não vais conseguir)
Nessa altura é preciso coragem,
Audácia, força, e, sobretudo uma mão amiga...
Para que de uma vez por todas
O sonho se torne realidade
E passe a fazer parte da vida."

De autoria da minha Amiga Eugénia do Vale, (a nossa conhecida Horticasa), in "Crónicas do Tempo"

Hoje corri 8 Km em 52 min, média de 6:29 / Km

Muito há a fazer! O ritmo é lento, a frequência cardíaca elevada a respiração ofegante a denunciar o esforço, e realizar este sonho não vai ser fácil! Preciso de continuar a acreditar e a sonhar, mas também de lutar, e não esqueço que é necessária "coragem, audácia, força, e, sobretudo uma mão amiga"

E eu tenho isso tudo, que eu sei!

Obrigada minha amiga Eugénia!
Na 6ª Meia Maratona Douro Vinhateiro, 2011, que terminei com 2h06m

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Os treinos para a Meia e o bailado dos sete

Quando treino para uma Meia, teimam os treinos de menor distância (é uma mania que tenho) serem no mínimo na distância de 7 km, um terço da Meia, que é a prova que vou querer fazer a 20 Maio lá nas margens do Douro.

Hoje não foi diferente, tendo corrido à noite e no meio dos carros:


7 Km em 44min, numa média de 6:21 / Km

E posso dizer que esta semana já fiz uma Meia (3 treinos de 7 km, perfazendo a distância de 21). Tendo sido 45 min o primeiro, e 44 quer o segundo quer o terceiro (hoje). O que, ingenuamente e se fôssemos leigos na matéria, nos poderia erroneamente levar a pensar que faria 2h15m na Meia, o que me é só por si assustador e mais ainda se tivermos em consideração que como estou hoje, muito dificilmente faria uma Meia, e a fazê-la esses cerca de 45 min por cada terço da prova se iriam esticar no tempo a raiar o infinito...

Portanto, só há uma coisa a fazer: tenho de continuar a treinar, tenho de perder peso (estou a tratar disso, também a nível da alimentação) e consequentemente tenho de melhorar. Muito há a melhorar e acho que o posso conseguir. Atiro já com a meta (tomem nota e dia 20 Maio voltamos a falar disso, ok?) de fazer a Meia abaixo das 2 horas, e chamem-me maluca, louca completa, optimista alienada ou outra coisa qualquer, que eu não me importo mesmo nada. Acredito que está ao meu alcance e vou lutar por isso.

"Uma Meia meia feita, outra meia por fazer, diga lá minha menina quantas meias vêm a ser?"

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Domingo

Domingo dantes, era sinónimo de prova! Agora e até à próxima Meia - 7ª Meia Maratona do Douro Vinhateiro, 20 de Maio - o Domingo será sempre sinal de Corrida, quer em prova, quer em treino! É um dia em que não trabalho e tenho de o aproveitar para... entre outras coisas, correr!

E hoje corri. Mais 7 Km, hoje em 44:13, numa média de 6:18 / km

Correu e corri "bem". E constatei o que já desconfiava mas que andava a evitar: preciso de ténis novos! É que 72 Kg em cima de ténis gastos, em que o amortecimento é já uma ténue e longínqua lembrança, não me deixam adivinhar um futuro muito risonho (lesões!), o que me comprometeria e arruinaria todos os planos que ando para aqui a fazer.

Portanto...muito em breve, lá terei de abrir os cordões à bolsa. E se há coisa em que acho bem empregues os meus euros, é sem dúvida alguma nos ténis de Corrida!
Nike Lunar Eclipse +2  - querias não querias? QUERO!

Boa semana pessoal, e deixem-la lá sonhar, depois logo vos conto o que acabarei por comprar.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Diário Semanal - Sábado 25 de Fevereiro de 2012 - Faltam 12 Semanas

O que se pode fazer em 12 semanas?

- fazer um filho e vê-lo ter tamanho (ok, um bocado miniatura, mas sempre ouvi dizer que os Homens não se "medem" aos palmos) e forma de gente;
- emagrecer 12 quilos,
- engordar 15, 20 ou mais quilos;
- rigorosamente nada de novo;
- preparar uma Meia Maratona (21.097,5 metros) em condições mínimas para a começar e acabar.

Parvoíces (mais):

Sempre gostei de "começar" as semanas ao Sábado. Sábado é um bom dia para me pesar (se me quiser pesar semanalmente). Sábado é "fim-de-semana" e há lá coisa melhor para começar a semana? Para nos prepararmos física e mentalmente para mais 5 dias de trabalho com suas rotinas, obrigatoriedades e horários cansativos? Eu gosto de começar a semana ao Sábado e nem preciso de razões ou de concordância! Sábado é (normalmente) véspera de prova. E hoje, neste Sábado, faltam precisamente 12 semanas para o dia. Que dia, perguntam e podem tentar adivinhar,  que eu hoje ainda não me apetece dizer, mas não é nada difícil até para os  pouco atentos.

nome: Maria Sem Frio Nem Casa
idade: 43
sexo: F
altura: 165 cm
peso: 72,7 Kg
exercício: Corrida contínua lenta 7 km em 45m00s, média de 6:26 / Km
observações: corrida confortável, algumas dores nos gémeos, que se foram dissipando à medida que o treino decorria; batimentos cardíacos regulares numa média de 158 bat/min; depois no fim do treino, já no período de alongamentos e quando o ritmo cardíaco já havia baixado para 90 bat/min, surge uma taquicardia, sentida no peito e registada no Garmin. 185, 210, 220. Respiro fundo, tusso, tento acalmar-me mas estou assustada. O músculo bate no peito com violência. Dura cerca de 60 segundos acima dos 200 e depois pára de bater (não deixou de bater obviamente, apenas deixo de sentir bater). Olho o Garmin e regista 95 bat /min. É para isto também que o Garmin serve. Alerta! Cuidado! Estou pesada, mal preparada, talvez tenha sido do esforço a que não estou habituada, apesar do treino me ter parecido dentro de um ritmo bem confortável. Vou ao médico em breve, até porque tenho exames para lhe mostrar...
faltam 85 dias! E eu quero chegar lá e correr 21.097,5 metros e cortar a meta. De preferência viva!

Até ao próximo Sábado querido diário semanal (mas a Maria virá cá antes, com mais parvoíces, por certo)

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

"O que sempre quis dizer", "O politicamente correcto" ou "Os títulos em Portugal"

O telefone toca com frequência. Público variado. Apanha-se de tudo. Todo o tipo de pessoa. Todo o tipo de personalidade. Todo o tipo de carácter.

- Bom dia, (nome da empresa)... - responde a rapariga ao atender.
- Bom dia. Posso falar com "Fulano de tal"? - responde a voz do lado de lá.
- Com certeza. Diz-me quem fala, por favor?

Até aqui tudo normal, até à sequência seguinte do interlocutor:

- Engenheiro "Sicrano"

- Oh pá, está a conversa estragada! Desceu de nível completamente! ENGENHEIRO Sicrano?! Então o senhor engenheiro não sabe que não lhe fica nada bem, diria até que lhe fica muito mal e é de uma falta de classe tremenda se auto denominar por engenheiro, doutor ou lá o que for? Só tinha de dizer o seu nome, senhor engenheiro! E se faz questão que o tratem por engenheiro, porque afinal muito provavelmente até é, e para isso muito teve de estudar, supõe-se, então pedia à secretária, se é que a tem, ou à telefonista para lhe fazer a chamada e o anunciar, antes do senhor aparecer na linha! E ela sim, diria naturalmente e sem lhe cair nada ao chão "É o engenheiro Sicrano que vai falar". Agora o senhor se auto intitular engenheiro ao apresentar-se, é de uma grande falta de pedigree...

Claro que aqui a rapariga é apenas uma administrativa que mal acabou o secundário, mas já imaginou o ridículo da coisa se ao atender ela se apresentasse assim:  Fala a administrativa certificada com o 11º ano de escolaridade, fulana de tal" ?! É que é exactamente o mesmo tipo de resposta que o senhor engenheiro acabou de dar! Ridícula. O que vale é que pela voz, o senhor engenheiro parece ser um puto novo e ainda deve ter pouco traquejo nestas coisas, e se calhar nem é cagança mas ignorância, mas aprenda senhor engenheiro que eu não duro sempre: se auto apresentar como engenheiro é de uma grande falta de classe...

.../...

Claro que isto era o que ela queria ter respondido, mas que jamais responderá. E claro, politicamente correcta, saiu-lhe com a maior naturalidade a seguinte resposta:

- Com certeza, vou passar. - e já sem o interlocutor ouvir, dirigiu a palavra ao colega da secretária do lado - "M, é para ti, engenheiro Sicrano, (nome da empresa)." - e passou a chamada.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Um caminho novo

De início, o animal estava calmo e não ofereceu resistência. Quiseram convencê-lo a subir para a plataforma, primeiro com palavras e gestos brandos, depois mais consistentes e firmes e por fim, para fazerem face à sua relutância que aumentava, já o puxavam e empurravam com violência.

Não queria subir, expor-se assim perante numerosa assistência, mostrar o que afinal já não era surpresa para ninguém, nem mesmo para ele. Sentia vergonha, queria fugir e esconder-se para não revelar um comportamento que facilmente se adivinharia e que ele sabia reprovável e condenável.

No entanto, também sabia que fugir às evidências perante os outros, não era mais que tentar fugir de si mesmo, e isso, ele sabia que não passava de uma tentativa de se enganar a si próprio, o que, sabia também, não podia perdurar muito no tempo.

Fez uma pausa, pediu para pararem de o puxar e empurrar, e pelos seus próprios pés, num gesto quase solene subiu para a balança. Uma ovação ecoou na praça, seguida de um silêncio ensurdecedor.

71,7 Kg foi a indicação do mostrador da balança.

Olhou a multidão, depois o céu e por fim, para dentro de si mesmo. Um caminho novo estava traçado, escolhido sem medo, com um sonho no horizonte, e o primeiro passo tinha acabado de ter sido dado.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

O Amor, o Amor... e o Dia dos Namorados

Porque Amar é bom e porque não vivemos verdadeiramente se não amarmos, hoje, neste dia em que comercialmente somos bombardeados com Ele, em que os símbolos traduzidos em materialismo, se confundem com o próprio Amor, deixo aqui (também eu) um magnífico e eterno hino ao Amor:


Jane Birkin et Serge Gainsbourg "Je T'aime, moi non plus" - 1969


E há coisa melhor, que nos disponha esplendidamente bem que uma  noite, um dia, um fim-de-semana, uma semana, um mês, um trimestre, um semestre, um ano, uma vida... cheia de Amor?! Aiiiiiiiii....(suspiro profundo), como o Amor é lindo... lindo! E como é bom namorarmos. Também neste dia chamado Dia dos Namorados, namorem muito e amem muito no tempo que vos resta.


"Anda daí rapaz, que para a semana não sabemos se cá estaremos!" - foi só para rimar mas também é verdade.






Beijos da Maria Sem Frio Nem Casa, ainda sem correr a preguiçosa...

Para o Dia dos Namorados...

Para o Dia dos Namorados...

"Prova que o Amor é lindo"

Lindo? Assim como uma pizza gordurenta cheia de chourição e pimentão verde a reluzir gordura ? Gordura essa que iluminará de seguida as beiças e o queixo do/a amado/a? Não está lindo o anúncio? E os passarinhos a segurarem a faixa com seus biquinhos? Não são tão lindos?


Que raio de anúncio! Lindo e amoroso sem dúvida, eu hoje é que não estou para amar. Pelo menos, não com pizza pelo meio!

Mudando de assunto... ou talvez não, eu hoje estou mais assim:
Olhar numa nova direcção. Afinal há uma infinidade delas... e é sempre bom lembrarmos que temos vários caminhos.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

"Dois saquinhos de sangue" ou "Um fim de semana memorável"


A Vida é todos os dias, vive-se cada segundo sabendo que em cada segundo vivido, se usa e gasta um exacto segundo do crédito dos segundos que a vida nos deu e temos para viver. "Eu vivo muito intensamente cada segundo...porque a vida está sempre a contar e ...eu aproveito cada momento ao máximo, ao contrário de alguns que passam pela vida adormecidos, vazios e pobres...blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá... - parece ouvir.

Não gosta do discurso. Conhece-o bem. Pousa o lápis de carvão sobre o papel, e recosta-se na poltrona. Escreverá mais tarde. 
Mais tarde...

Há muito tempo que o desejava fazer. Sempre sentiu que é uma obrigação de todos os indivíduos saudáveis, no entanto, poderíamos agradavelmente e até orgulhosamente dizer que foi sempre a sua vida "cheia, rica e completa" que nunca lhe permitiu ir dar sangue, por falta de tempo e oportunidade, mas seria uma mentira descarada, o que a impediu de o fazer até agora foi clara e inequivocamente o egoísmo, o comodismo e a indiferença. Vira uma vez mais o cartaz a anunciar a vinda do Instituto Português do Sangue à sua aldeia para recolha de sangue e pensou que desta vez é que seria! 

De mãos dadas entraram no edifício. Seria a primeira vez de ambos. Mais um momento de cumplicidade e partilha. Algum nervosismo e muito altruísmo. Lá seguiram todos os passos necessários que à partida os habilitaria como dadores, e depressa já estava ela deitada numa maca de agulha espetada no braço, a sangrar para uma bolsa que se ia enchendo lentamente de sangue vermelho escuro. Sentiu-se ligeiramente tonta por escassos segundos, sentiu frio, mas estava bem, sempre sob a vigilância e cuidados dos técnicos, extremamente profissionais e amáveis, e no fim, quando o médico jovem e bonito, de olhos doces castanho avelã, ao analisar o sangue dela, assim, a olho nu, que com dificuldade percorria os tubos estreitos, e com suavidade como que a não querê-la assustar, conversou com ela, fez-lhe várias perguntas e falou-lhe do que "via" naqueles tubos transparentes, e que não seria nada bom que viesse a acontecer dentro das veias dela, e a aconselhou a procurar um médico com alguma brevidade, ela sentiu um frio estranho e intenso a entranhar-se-lhe no corpo. Viu o pai e escureceu-se-lhe a alma e o olhar, tem a certeza. Ainda assim sorriu, ouviu tudo com muita atenção, agradeceu, prometeu ir ao médico e foi tentar aquecer-se com café de cafeteira que ofereciam juntamente com bolinhos. Depois, deu de novo a mão ao namorado, e saiu de lá contente. Tinham lá deixado dois saquinhos de sangue. Para servir a alguém que precise dele. 

De facto, cada segundo que passa, cada passo que damos, cada acção que tomámos, é decisiva para o delinear e a direcção do nosso caminho. O nosso e até o dos outros. E este fim de semana, foi sem dúvida alguma... um fim de semana memorável.
 

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Quando nós somos os outros

Adoro conduzir. Volante nas mãos, máquina à minha mercê, controlada, poderosa, mais de uma tonelada de metal em deslocação veloz, peso bruto, potente, forte, a devorar asfalto, a comer quilómetros e a levar-me mais além até onde eu quiser, máquina bruta e assassina mas suave e delicada às minhas mãos, besta controlada, e eu sinto-me especialmente bem! Conduzo todos os dias. Coisa pouca, o necessário e o possível, dadas as inúmeras limitações. Mas adoro!

Numa determinada curva da minha "aldeia", onde passo sempre, via rápida ladeada por "rails" de ferro, via rápida que convida a acelerar por escassos quilómetros, coisa pouca portanto, noite escura, aproximação da curva, estrada em mau estado, berma quase inexistente, abrando. Não tanto (mas também) por ter de fazer a curva, mas por me lembrar que podem vir ali outros, pessoas a caminhar, a correr ou a andar de bicicleta, pois à falta de melhor quando a noite começa ao fim da tarde, ainda a horas que deveria ser dia, as bermas da via rápida são usadas como verdadeira pista de manutenção, para andar, correr e andar de bicicleta. São estas as condições da minha "aldeia" para se praticar exercício físico ao ar livre em pleno Inverno. E eu abrando a máquina. Dou sempre um espaço na curva apertada, mantendo determinada distância entre a besta de ferro, potente, e o "rail", também de ferro, sempre à espera de dar de caras com um desses heróis corajosos que se exercitam àquela hora fria e escura, naquelas condições, vulneráveis e frágeis perante as máquinas assassinas que se deslocam ali muitas vezes a mais de 100 km/hora quando nem têm condições para isso. Abrando sempre e faço a curva. A pensar nos outros.

Outras noites, quando treino e ali passo a correr, como eu desejo e gostaria que os outros, outros nessas noites, condutores dominantes dessas máquinas potentes com que me cruzo, que tanto têm de magníficas como de assassinas, dependendo das mãos, cabeça e coração de quem as manobra, se lembrassem que outros possam ir ali a correr, noite escura e fria, vulneráveis e frágeis, e que nessa noite o outro sou eu, assim como noutras noites, esse mesmo outro... serão eles. Mas muitos poucos têm essa capacidade... de perceber que em todas as situações... nós podemos ser e somos também o outro.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Há dias...

Há dias em que a exposição é maior, absolutamente descarada, pele branca e sorriso franco de dentes fortes brilhantes, ou rosto molhado e olhos negros de tristeza sem fim, ali, a encher plenamente o ecrã, expostos para quem quiser ler, qual afronta aos bons costumes e à suposta felicidade que a Vida deve ser, a suscitar palavras de compreensão e palmadinhas nas costas por parte de uns, ou sermões, verdadeiras lições de vida de quem sabe que tudo sabe, por parte de outros. É este o pão-nosso-de-cada-dia dos blogues.
  .
No dia de hoje, ela precisa despir-se. Encher a banheira de água quente, o copo de vinho tinto e completamente despida, mergulhar neles.

Mas, se lhe dão licença, no dia de hoje, ela vai encostar a porta.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

o dia de ontem

Fazer anos não é nada de especial. Especial é sermos capazes de fazer os acontecimentos, os dias, diferentes e especiais! Ontem fiz anos, e foi de facto um dia especial.

Obrigada a todos que me desejaram aqui um dia feliz. E foi. Um dia feliz. E ler TODAS as mensagens aqui deixadas, TODAS, ver desfilar tantos Amigos, uns mais chegados, outros menos, uns com mais palavras, outros de forma mais abreviada, mas todos se deram ao trabalho de me desejar um dia Feliz. Sei que também isso contribuiu para o meu feliz dia de anos (43).

A TODOS o meu agradecimento e muita emoção também... Com todos partilho as flores que recebi, e desejo que daqui a um ano cá estejamos todos, com muita saúde e alegria, para partilharmos estes pedacinhos de vida. Um beijo para todos que aqui passaram ontem, nesse dia "especial".

Muito Amor, carinho, mimos e alegria, foram ingredientes bem presentes no dia de ontem. A TODOS que contribuíram para isso...Obrigada!

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No dia de anos...






No dia de anos, a rapariga acordou cedo. E   imaginando-se Rainha, porque fez anos, tirou o dia de férias e foi correr, porque ela agora só corre quando "o rei faz anos"!


Correu 5,200 Km, mas seguiu aquele conselho fantástico que ela dá aos outros, àqueles que estão a começar: "corre devagar e se estiveres muito ofegante, caminha um pouco e depois de recuperares a respiração, retoma a corrida. É preferível que faças isso algumas vezes e totalizes por exemplo 30 minutos ou 1 hora de actividade entre correr e andar, do que correres mais rápido e depois parares ao fim de pouco mais de 1 Km, 2 km ou 3 km. E no dia seguinte, vai de novo, e depois outra vez! Nunca desistas!"


Sim, a rapariga está a falar em 1 km, 2 km, 3 km, treinos(?) de 5 km e 200 metros, feitos a correr e a andar! Sim, a rapariga, que já é mulher feita, Maratonista fantasma, está neste estado!



Mas mesmo assim, ficou toda satisfeita depois da corrida e caminhada que fez depois. E é por isso que ela ainda insiste. Por essa sensação única de prazer, de liberdade, de satisfação e bem estar, que ela sempre sente cada vez que sai para correr! Mesmo que corra... assim!




Beijos a abraços aos seus queridos leitores e ela promete voltar em breve.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Porque hoje faço anos ou A Idade de ser feliz"


24 de Janeiro de 1969 - 24 de Janeiro de 2012

Há 43 anos a minha mãe sofria para eu nascer. E eu...não nascia. Na posição de sentada, jamais nasceria sozinha, sem ajuda. Após vários dias de agonia mútua, lá resolveram tirarem-me de seu ventre golpeado e por fim, livre e ensanguentada mas viva, resistente e sobrevivente, respirei e gritei para o mundo, chorando a afirmar liberdade! Foi há 43 anos... porra, 43 anos é muito tempo... muitos dias, muitos acontecimentos, vivências,  emoções e sentimentos... um mundo novo, em constante mutação, dia após dia e a chamar-se Vida.

Que venham mais 43, grita a alma hoje num ímpeto de vida e liberdade igual ao momento do nascimento. Momento belo e dramático.

Cuida-te, mima-te e faz deste dia um dia feliz, disse a voz.

Sim...obrigada, assim farei, respondeu a rapariga. Acho que estou na idade de ser feliz...

"A Idade de Ser Feliz

Existe somente uma idade para a gente ser feliz,
somente uma época na vida de cada pessoa
em que é possível sonhar e fazer planos
e ter energia bastante para realizá-las
a despeito de todas as dificuldades e obstáculos.

Uma só idade para a gente se encantar com a vida e viver apaixonadamente
e desfrutar tudo com toda intensidade
sem medo, nem culpa de sentir prazer.

Fase dourada em que a gente pode criar
e recriar a vida,
a nossa própria imagem e semelhança
e vestir-se com todas as cores
e experimentar todos os sabores
e entregar-se a todos os amores
sem preconceito nem pudor.

Tempo de entusiasmo e coragem
em que todo o desafio é mais um convite à luta
que a gente enfrenta com toda disposição
de tentar algo NOVO, de NOVO e de NOVO,
e quantas vezes for preciso.

Essa idade tão fugaz na vida da gente
chama-se PRESENTE
e tem a duração do instante que passa."

autor desconhecido


"A idade de ser feliz... puf... não me digas que só agora descobriste isso...sinceramente..."

"Não, eu já sabia, mas gosto de me relembrar, só isso! E há algum mal nisso, por acaso?"

domingo, 22 de janeiro de 2012

Dormir com o inimigo

Que emagrecer não é fácil e que mais difícil ainda é manter o peso depois do emagrecimento, não é nada que não se saiba.

Que o corpo precisa de aproximadamente 1 mês por cada quilo perdido, para estabilizar e funcionar normalmente em função desse novo peso, já é coisa que nem todos sabem.

Claro que sabemos que depois de emagrecer é necessário manter esforços e atitudes para que o novo peso se mantenha, e que o corpo funcione sem continuar a emagrecer mas também sem recuperar os quilos.

Eu sou uma pessoa que emagrece com relativa facilidade. E velocidade. Não é nada de que me orgulhe por aí além, visto nunca ter sabido manter o "novo" peso e esse é o meu objectivo final e permanente.

Há um ano atrás tinha sensivelmente o mesmo peso de hoje: 70, 7 Kg. Desengane-se quem pense que mantive o peso durante o último ano! Não! Nada disso! Eliminei 14 kg e voltei a recuperar 14 Kg! Sim, no espaço de 1 ano! Claro que sabia que estava a emagrecer depressa, e sabia também que a parte mais difícil seria manter o novo peso! Mas achava que estava a controlar a coisa mesmo sabendo que era difícil.

O que eu não sabia era que por ter perdido esses 14 quilos, precisaria de cerca de 14 meses para solidificar esse novo peso. Para o meu organismo deixar de lutar com vista a recuperar esses mesmos 14 quilos perdidos, que ele interpretou  como um período de privação de alimentos, e logo accionou um alerta de sobrevivência. Logo, 14 meses (no meu caso)  - após atingir o peso desejado -  de atenção e cuidados redobrados serão necessários, pois durante esse tempo estarei literalmente a dormir com o inimigo. Pois apesar de lhe garantir energia e nutrientes necessários à sua manutenção e actividade diária, o corpo reagirá em modo de defesa e quererá recuperar o peso eliminado.

texto assumidamente inspirado aqui, onde poderão perceber melhor a ideia do que quis transmitir

E porque também sei que não é a escrever no blogue que emagreço, hoje já fui... bem...não diria treinar, antes: mexer-me um bocado! Com a cadela, que não me deixou sair de casa sozinha. Logo, foi cerca de 1 hora, mas foi muito mais tempo a caminhar que a correr... E a correr...Devagar! Por isso...a coisa está feia! Muito feia!

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

O prazer de dormir e filosofias baratas (por causa da crise)

Há muitos anos atrás, numa aula de filosofia, veio à baila o prazer de dormir, actividade (?) tão apreciada pelos adolescentes que já discutiam animadamente o assunto.

Houve logo ali quem defendesse afincadamente que não podia haver prazer em dormir. Dormir implicava uma inconsciência, um não estar, não sentir, logo, não poderia de forma alguma sentir-se prazer em dormir.

Outros diziam que sim, havia um prazer gerado pelo acto de dormir. Não tinham dúvidas! Dormir era bom!

Confrontados pelos primeiros opositores, os acima mencionados, depressa mudaram a sua opinião, e já diziam que afinal, sim sim, não há prazer em dormir, mas sim em acordar! Aí há um intenso prazer (em acordar), proporcionado pelo estado anterior: o prazer de acordar depois de uma noite bem dormida e descansada, depois de uma sesta proveitosa à tarde, acordar é altamente indutor de prazer, diziam.

Já a maioria parecia estar de acordo: O prazer de dormir não existia afinal, mas sim o prazer de acordar, quando a escassos segundos de darem a sua brilhante conclusão por verdade definitiva e absoluta, quando ela lá do fundo da sala levantou o braço e contrariou a maioria fazendo reiniciar a discussão, quando veio afirmar como sua verdade absoluta que o acto de acordar (interrupção do sono) comparado com o acto de adormecer (início do sono) não lhe causava absolutamente prazer nenhum, ao contrário deste (adormecer), que proporcionando uma sensação de apagar, de cair em inconsciência, num mundo de paz e descanso por umas horas, lhe davam um intenso e deleitoso prazer...  Só porque sabia que iria acordar, contrapuseram alguns de imediato, logo, mantinha-se o acordar como gerador de prazer e não o adormecer! Mas houve quem percebesse a coisa e sim, concordasse que havia prazer em adormecer sim!

Concluindo... naquela sala de aula, como seria de esperar, não chegaram a conclusão nenhuma, simplesmente porque não há verdades absolutas e muito menos quando se fala de sensações pessoais, logo subjectivas.

Parece um pouco desconcertante, mas a filosofia da coisa mantêm-se até hoje e ela já não é nenhuma miúda. Por defeito ou feitio, continua a sentir um prazer intenso no acto de se deixar adormecer. Claro que até hoje, é um facto que tem acordado todas as manhãs, exactamente em igual número de vezes que se deixa adormecer, e se não há nenhum prazer especial nisso, à medida que o dia avança - e ela avança - a coisa recompõe-se. Mas Adormecer é inequivocamente muito mais prazeroso que Acordar.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

A rapariga e a cadela

A rapariga gorda e a cadela gorda saíram ontem à noite para correr. A rapariga neste momento, pesa exactamente o dobro da cadela. A cadela devia perder um ou dois quilos. A rapariga quer perder cerca de 20% do seu peso actual. Devia perder pelo menos 10%, mas ela coloca sempre metas difíceis, fasquias demasiado altas, que depois nunca consegue alcançar. Parece incorrigível...

Na 1ª parte do "treino", com a cadela, tão felizes da vida que precisavam ver, correram juntas 18 minutos e percorreram cerca de 2,5 Km. Pode-se chamar a essa parte do "treino" uma espécie de Fartlek, pois esses 18 minutos foram passados da seguinte forma: ora trota, ora sprinta, ora pára para cheirar ervinhas, ora trota, ora pára para fazer xixi, etc.

Depois, cadela cansada posta em casa, e a rapariga saiu de novo para a rua. Para o seu verdadeiro treino. Queria correr 5 Km, e lá recomeçou a correr, agora ao seu ritmo lento mas constante, mas sentia-se um bocado cansada, e ao Km 4... estava esfalfada! Incrível, não é? E parou o cronómetro e parou ela. Foram à sua conta 26 minutos para correr 4 km apenas...

Bom fim de semana deseja-vos esta rapariga e esta cadela