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segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Há dias...

Há dias em que a exposição é maior, absolutamente descarada, pele branca e sorriso franco de dentes fortes brilhantes, ou rosto molhado e olhos negros de tristeza sem fim, ali, a encher plenamente o ecrã, expostos para quem quiser ler, qual afronta aos bons costumes e à suposta felicidade que a Vida deve ser, a suscitar palavras de compreensão e palmadinhas nas costas por parte de uns, ou sermões, verdadeiras lições de vida de quem sabe que tudo sabe, por parte de outros. É este o pão-nosso-de-cada-dia dos blogues.
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No dia de hoje, ela precisa despir-se. Encher a banheira de água quente, o copo de vinho tinto e completamente despida, mergulhar neles.

Mas, se lhe dão licença, no dia de hoje, ela vai encostar a porta.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

o dia de ontem

Fazer anos não é nada de especial. Especial é sermos capazes de fazer os acontecimentos, os dias, diferentes e especiais! Ontem fiz anos, e foi de facto um dia especial.

Obrigada a todos que me desejaram aqui um dia feliz. E foi. Um dia feliz. E ler TODAS as mensagens aqui deixadas, TODAS, ver desfilar tantos Amigos, uns mais chegados, outros menos, uns com mais palavras, outros de forma mais abreviada, mas todos se deram ao trabalho de me desejar um dia Feliz. Sei que também isso contribuiu para o meu feliz dia de anos (43).

A TODOS o meu agradecimento e muita emoção também... Com todos partilho as flores que recebi, e desejo que daqui a um ano cá estejamos todos, com muita saúde e alegria, para partilharmos estes pedacinhos de vida. Um beijo para todos que aqui passaram ontem, nesse dia "especial".

Muito Amor, carinho, mimos e alegria, foram ingredientes bem presentes no dia de ontem. A TODOS que contribuíram para isso...Obrigada!

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No dia de anos...






No dia de anos, a rapariga acordou cedo. E   imaginando-se Rainha, porque fez anos, tirou o dia de férias e foi correr, porque ela agora só corre quando "o rei faz anos"!


Correu 5,200 Km, mas seguiu aquele conselho fantástico que ela dá aos outros, àqueles que estão a começar: "corre devagar e se estiveres muito ofegante, caminha um pouco e depois de recuperares a respiração, retoma a corrida. É preferível que faças isso algumas vezes e totalizes por exemplo 30 minutos ou 1 hora de actividade entre correr e andar, do que correres mais rápido e depois parares ao fim de pouco mais de 1 Km, 2 km ou 3 km. E no dia seguinte, vai de novo, e depois outra vez! Nunca desistas!"


Sim, a rapariga está a falar em 1 km, 2 km, 3 km, treinos(?) de 5 km e 200 metros, feitos a correr e a andar! Sim, a rapariga, que já é mulher feita, Maratonista fantasma, está neste estado!



Mas mesmo assim, ficou toda satisfeita depois da corrida e caminhada que fez depois. E é por isso que ela ainda insiste. Por essa sensação única de prazer, de liberdade, de satisfação e bem estar, que ela sempre sente cada vez que sai para correr! Mesmo que corra... assim!




Beijos a abraços aos seus queridos leitores e ela promete voltar em breve.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Porque hoje faço anos ou A Idade de ser feliz"


24 de Janeiro de 1969 - 24 de Janeiro de 2012

Há 43 anos a minha mãe sofria para eu nascer. E eu...não nascia. Na posição de sentada, jamais nasceria sozinha, sem ajuda. Após vários dias de agonia mútua, lá resolveram tirarem-me de seu ventre golpeado e por fim, livre e ensanguentada mas viva, resistente e sobrevivente, respirei e gritei para o mundo, chorando a afirmar liberdade! Foi há 43 anos... porra, 43 anos é muito tempo... muitos dias, muitos acontecimentos, vivências,  emoções e sentimentos... um mundo novo, em constante mutação, dia após dia e a chamar-se Vida.

Que venham mais 43, grita a alma hoje num ímpeto de vida e liberdade igual ao momento do nascimento. Momento belo e dramático.

Cuida-te, mima-te e faz deste dia um dia feliz, disse a voz.

Sim...obrigada, assim farei, respondeu a rapariga. Acho que estou na idade de ser feliz...

"A Idade de Ser Feliz

Existe somente uma idade para a gente ser feliz,
somente uma época na vida de cada pessoa
em que é possível sonhar e fazer planos
e ter energia bastante para realizá-las
a despeito de todas as dificuldades e obstáculos.

Uma só idade para a gente se encantar com a vida e viver apaixonadamente
e desfrutar tudo com toda intensidade
sem medo, nem culpa de sentir prazer.

Fase dourada em que a gente pode criar
e recriar a vida,
a nossa própria imagem e semelhança
e vestir-se com todas as cores
e experimentar todos os sabores
e entregar-se a todos os amores
sem preconceito nem pudor.

Tempo de entusiasmo e coragem
em que todo o desafio é mais um convite à luta
que a gente enfrenta com toda disposição
de tentar algo NOVO, de NOVO e de NOVO,
e quantas vezes for preciso.

Essa idade tão fugaz na vida da gente
chama-se PRESENTE
e tem a duração do instante que passa."

autor desconhecido


"A idade de ser feliz... puf... não me digas que só agora descobriste isso...sinceramente..."

"Não, eu já sabia, mas gosto de me relembrar, só isso! E há algum mal nisso, por acaso?"

domingo, 22 de janeiro de 2012

Dormir com o inimigo

Que emagrecer não é fácil e que mais difícil ainda é manter o peso depois do emagrecimento, não é nada que não se saiba.

Que o corpo precisa de aproximadamente 1 mês por cada quilo perdido, para estabilizar e funcionar normalmente em função desse novo peso, já é coisa que nem todos sabem.

Claro que sabemos que depois de emagrecer é necessário manter esforços e atitudes para que o novo peso se mantenha, e que o corpo funcione sem continuar a emagrecer mas também sem recuperar os quilos.

Eu sou uma pessoa que emagrece com relativa facilidade. E velocidade. Não é nada de que me orgulhe por aí além, visto nunca ter sabido manter o "novo" peso e esse é o meu objectivo final e permanente.

Há um ano atrás tinha sensivelmente o mesmo peso de hoje: 70, 7 Kg. Desengane-se quem pense que mantive o peso durante o último ano! Não! Nada disso! Eliminei 14 kg e voltei a recuperar 14 Kg! Sim, no espaço de 1 ano! Claro que sabia que estava a emagrecer depressa, e sabia também que a parte mais difícil seria manter o novo peso! Mas achava que estava a controlar a coisa mesmo sabendo que era difícil.

O que eu não sabia era que por ter perdido esses 14 quilos, precisaria de cerca de 14 meses para solidificar esse novo peso. Para o meu organismo deixar de lutar com vista a recuperar esses mesmos 14 quilos perdidos, que ele interpretou  como um período de privação de alimentos, e logo accionou um alerta de sobrevivência. Logo, 14 meses (no meu caso)  - após atingir o peso desejado -  de atenção e cuidados redobrados serão necessários, pois durante esse tempo estarei literalmente a dormir com o inimigo. Pois apesar de lhe garantir energia e nutrientes necessários à sua manutenção e actividade diária, o corpo reagirá em modo de defesa e quererá recuperar o peso eliminado.

texto assumidamente inspirado aqui, onde poderão perceber melhor a ideia do que quis transmitir

E porque também sei que não é a escrever no blogue que emagreço, hoje já fui... bem...não diria treinar, antes: mexer-me um bocado! Com a cadela, que não me deixou sair de casa sozinha. Logo, foi cerca de 1 hora, mas foi muito mais tempo a caminhar que a correr... E a correr...Devagar! Por isso...a coisa está feia! Muito feia!

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

O prazer de dormir e filosofias baratas (por causa da crise)

Há muitos anos atrás, numa aula de filosofia, veio à baila o prazer de dormir, actividade (?) tão apreciada pelos adolescentes que já discutiam animadamente o assunto.

Houve logo ali quem defendesse afincadamente que não podia haver prazer em dormir. Dormir implicava uma inconsciência, um não estar, não sentir, logo, não poderia de forma alguma sentir-se prazer em dormir.

Outros diziam que sim, havia um prazer gerado pelo acto de dormir. Não tinham dúvidas! Dormir era bom!

Confrontados pelos primeiros opositores, os acima mencionados, depressa mudaram a sua opinião, e já diziam que afinal, sim sim, não há prazer em dormir, mas sim em acordar! Aí há um intenso prazer (em acordar), proporcionado pelo estado anterior: o prazer de acordar depois de uma noite bem dormida e descansada, depois de uma sesta proveitosa à tarde, acordar é altamente indutor de prazer, diziam.

Já a maioria parecia estar de acordo: O prazer de dormir não existia afinal, mas sim o prazer de acordar, quando a escassos segundos de darem a sua brilhante conclusão por verdade definitiva e absoluta, quando ela lá do fundo da sala levantou o braço e contrariou a maioria fazendo reiniciar a discussão, quando veio afirmar como sua verdade absoluta que o acto de acordar (interrupção do sono) comparado com o acto de adormecer (início do sono) não lhe causava absolutamente prazer nenhum, ao contrário deste (adormecer), que proporcionando uma sensação de apagar, de cair em inconsciência, num mundo de paz e descanso por umas horas, lhe davam um intenso e deleitoso prazer...  Só porque sabia que iria acordar, contrapuseram alguns de imediato, logo, mantinha-se o acordar como gerador de prazer e não o adormecer! Mas houve quem percebesse a coisa e sim, concordasse que havia prazer em adormecer sim!

Concluindo... naquela sala de aula, como seria de esperar, não chegaram a conclusão nenhuma, simplesmente porque não há verdades absolutas e muito menos quando se fala de sensações pessoais, logo subjectivas.

Parece um pouco desconcertante, mas a filosofia da coisa mantêm-se até hoje e ela já não é nenhuma miúda. Por defeito ou feitio, continua a sentir um prazer intenso no acto de se deixar adormecer. Claro que até hoje, é um facto que tem acordado todas as manhãs, exactamente em igual número de vezes que se deixa adormecer, e se não há nenhum prazer especial nisso, à medida que o dia avança - e ela avança - a coisa recompõe-se. Mas Adormecer é inequivocamente muito mais prazeroso que Acordar.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

A rapariga e a cadela

A rapariga gorda e a cadela gorda saíram ontem à noite para correr. A rapariga neste momento, pesa exactamente o dobro da cadela. A cadela devia perder um ou dois quilos. A rapariga quer perder cerca de 20% do seu peso actual. Devia perder pelo menos 10%, mas ela coloca sempre metas difíceis, fasquias demasiado altas, que depois nunca consegue alcançar. Parece incorrigível...

Na 1ª parte do "treino", com a cadela, tão felizes da vida que precisavam ver, correram juntas 18 minutos e percorreram cerca de 2,5 Km. Pode-se chamar a essa parte do "treino" uma espécie de Fartlek, pois esses 18 minutos foram passados da seguinte forma: ora trota, ora sprinta, ora pára para cheirar ervinhas, ora trota, ora pára para fazer xixi, etc.

Depois, cadela cansada posta em casa, e a rapariga saiu de novo para a rua. Para o seu verdadeiro treino. Queria correr 5 Km, e lá recomeçou a correr, agora ao seu ritmo lento mas constante, mas sentia-se um bocado cansada, e ao Km 4... estava esfalfada! Incrível, não é? E parou o cronómetro e parou ela. Foram à sua conta 26 minutos para correr 4 km apenas...

Bom fim de semana deseja-vos esta rapariga e esta cadela

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Tropas

Quando vejo um animal de estimação com excesso de peso ao ponto disso lhe trazer verdadeiramente problemas de saúde e consequente diminuição da sua qualidade de vida, ocorrem-me palavras para com o dono, muito pouco abonatórias, tais como, total irresponsabilidade, desleixo, falta de respeito pelo animal e pela própria vida e até crime, não duvidando de forma alguma que dono que deixa o seu companheiro e amigo, vulgo animal de estimação, chegar a uma situação extrema destas, é de uma irresponsabilidade, inconsciência, falta de tino, desinteresse e maldade a roçar a criminalidade, que em nada fica atrás ao vulgarmente condenável abandono e atitudes que normalmente chamamos de maus tratos.

O animal que acolhemos é e está totalmente à nossa responsabilidade. Deposita em nós total confiança. Faz tudo por nós. Deveríamos retribuir. Que raio de pessoa somos nós se permitimos e até promovemos, fomentamos e conduzimos o nosso comportamento e atitudes para uma situação como esta?!

Sinto uma revolta gritante. Que raio de pessoa é esse dono, irresponsável e desmerecedor dessa vida que se entrega nas suas mãos, oferecendo um amor incondicional?!

E então, quando esta situação se passa com nós mesmos? Quando permitimos, promovemos, fomentamos e conduzimos o nosso comportamento e atitudes para uma situação como esta, tratando-se da nossa própria vida e do nosso próprio corpo?! Que raio de pessoa somos nós?! Que raio de pessoa sou eu?! Irresponsável e desmerecedora desta vida que se me entrega nas minhas mãos para que eu a viva?!


Estou outra vez mais gorda, pois claro! Com este discurso, está-se mesmo a ver.
É que isto a cabeça de uma pessoa (a pessoa sou eu, está claro!) é muito complicada, e nas batalhas da vida (cada um tem as suas, quer sejam aéreas, marítimas ou terrestres) nem sempre se vence em todas as frentes. E por estes dias, mandei as tropas avançarem e protegerem outras frentes e essa ficou fragilizada, sem tropas e à mercê do inimigo,  e o resultado está aí.

Azar! Tenho de reunir as tropas e reorganizar uma vez mais a defesa e o ataque nas várias frentes. Que nenhum dos flancos fique totalmente desprotegido, isso é que é fundamental, mas parece-me sempre que nunca tenho tropas que cheguem...
Foto retirada de O Operacional

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Urtigas

Sexo: Mulher
Idade: 42 (quase 43)
Altura: 165 cm
Peso: 70,1 Kg
Estilo de vida: sedentário
Data: 05.01.2012

Tinha prometido que não iria anunciar ao mundo o seu renascimento. A sua volta à Vida. O Regresso. O Recomeço. Agora que a Primavera se aproxima e os dias vão sendo cada vez maiores, o sol aquece e chama para o ar livre, ela retoma a Corrida, e inicia uma mudança de estilo de vida que entretanto se instalara. As florzinhas lá fora, o chilrear dos passarinhos, tudo se coaduna para um desabrochar da vida, pela milésima vez. E ela, regressa também. Floresce uma vez mais, pela milésima vez na sua já longa vida. Isto é tudo muito bonito mas a situação é que, se por um lado, de facto os dias vão sendo maiorzinhos, a Primavera ainda vem longe e dela nem o cheiro se sente, e essa história do renascer, do "estou aqui a recomeçar", "agora é que é", etc e tal, já cansa tanto que até agonia.

"Mas não és capaz de pôr essa mulher outra vez a correr? Essa doninha de casa anafadinha e preguiçosa, ser amorfo em que se tornou?"

"Claro que sim! Mandei-a correr hoje meia hora! Fosse lá a que ritmo fosse! E a tipa, ao fim do dia, noite já, foi correr! Correu não só a meia hora, mas lá meteu nos cornos que ao menos 5 Km tinha de fazer, e fê-los! Tendo corrido para isso exactos 32 minutos! Eu acredito que se ela quiser, ela consegue! Consegue até correr a Maratona, correr aos ritmos do passado, e se calhar até melhor! Mas tem é de querer! E o problema dessa gaja é que demasiadas vezes deixa de querer... desmotiva, desiste, acha que não vale a pena, manda tudo p'ras urtigas...E tudo, é a vida dela, porra! Esse é o problema..."

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Boas Festas, Feliz Ano Novo e Sangue

Diz-se que é tempo da família, do amor, da solidariedade, da tolerância, dos desejos e dos votos de mais 365 dias felizes (neste caso preciso, 366). Como se os items acima pudessem ser exclusivos de um período de tempo, que acontece de vez em quando na nossa vida, e depois desaparecessem como o Sol todos os fins de tarde.

As famílias são cada vez mais pequenas, outras, ainda numerosas, afastam-se fisicamente e em muitos casos emocionalmente também. Outras, para além de reduzidas a pequenos núcleos, mesmo próximas geograficamente, deixam perder os laços e um dia acordam e reparam que já nada os une à sua família de sangue.

Há ainda as que afastadas, são unidas, um elo que se torna visível e palpável as une e chama-se amor. E se esforçam para que pelo menos uma vez no ano se juntem. É no Natal e Ano Novo. Várias gerações à roda de uma mesa, de uma lareira, ou apenas à volta de um círculo invisível, representado e materializado por telefonemas, cartas , postais, elas conversam, riem, trocam histórias, contam novidades e falam das suas vidas, problemas e alegrias, e assim se vão amando mais, unindo, cimentando e fortificando o que existe: a Família.

Sempre sonhei com famílias grandes. De mesas corridas, com crianças, avós, pais, tios, primos. Unidos pelo amor e pelo bem querer mútuo. Pelo prazer de estar junto, pelo gosto de ouvir, ver, falar, tocar, abraçar, beijar. Uma família grande... Nunca tive nem a tenho.

Por outro lado, sei também que as há de fachada, que aparentam o que não são, unidas(?)  "obrigatoriamente" pelo Natal, onde actuam hipocritamente gestos e conversas jamais imaginados sequer, no resto do ano...


Não tenho uma família grande. Entristece-me que a pequena que tenho não seja o que eu gostaria. Apesar disso não lamento que eu não seja também o que "a família" gostaria. É a vida. Resta-me pensar que Família é muito mais que Sangue. Família é amar. Família é bem querer. Família é gostar de estar, partilhar, alegrar-nos com o bem deles. Entristecer-nos com a tristeza deles e tudo fazer para a minimizar. É rir genuinamente. É chorar de coração. É preocupar-nos, é...

Talvez esteja a confundir conceitos, mas na minha óptica, alegra-me constatar que Família não tem nada a ver com sangue, e que afinal a "minha Família" é "grande" o suficiente para me fazer feliz.

Um Feliz Ano de 2012 para todos os que aqui passam e suas Famílias. De sangue...ou não.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Natal


Não que seja tão difícil de explicar como o será de entender, as razões de um ateu celebrar o Natal, mas ainda assim, cá vai um breve resumo na tentativa de me explicar:

Natal. Época carregada de simbolismos de união, fraternidade, solidariedade, amizade, paz e amor. Oportunidade de juntar a família, quando se a tem e com ela minimamente nos damos e sentimos mutuamente bem. Simbolismo também de renascimento da vida, e com ela renovação da esperança e dos sonhos para realizar.

Em criança, apesar dos Natais pobres e frios, eu gostava da época. Sonhava ao colo de minha mãe nessa noite, a olhar a árvore quase nua, que o Pai Natal nos visitaria e deixaria um presente no sapatinho. Um ser misterioso, que alguns Natais me desiludiu pois o sapatinho acordava como tinha adormecido: vazio. 

Depois numa fase entre a adolescência e a idade adulta, houve uma renúncia e negação gritante. Alegava que a hipocrisia era a nota dominante da época e eu não alinharia nisso. 

Depois, anos mais tarde, com o nascimento da minha filha, e com um natural amadurecimento, voltei a gostar do Natal. Reapreendi a gostar. E a vivê-lo com alegria. E os tais valores, o simbolismo do Natal, está cá todo! Amor, amizade, paz, solidariedade, união, tudo isso é celebrado. Vive-se como nos outros dias, é certo, mas o Natal surge como mais uma oportunidade de estarmos com quem nos sentimos bem, de partilharmos o que de mais valioso temos: o nosso coração. Tudo isto absolutamente alheio a uma qualquer religião ou crença. E é bonito: a árvore de Natal (desde que não se matem pinheiros!), o presépio com musgo verdadeiro (adoro o cheiro!), a cena do nascimento do Menino, os Reis Magos a avançarem um pouco cada dia, as figuras, é tudo tão...bonito! A história é bonita. A época é bonita!

E é isto. Paralela e alheia a qualquer religião, sinto que os valores e os princípios do Natal, estão todos cá. Se calhar até de forma mais pura e genuína que a encontrada em alguns crentes fervorosos...

Feliz Natal a todos que por aqui passam, e a quem não passa também

E se me der na bolha, ainda por cá passo eu também, antes dessa noite, que se deseja especialmente feliz: a noite de Natal
                  
Doninha... tens a certeza que o barrete é mesmo para usar na cabeça?

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Falar

Quando era adolescente e dizia que queria ter um cão, numa das vezes, o irmão mais velho, já adulto nessa altura, apesar de jovem, ripostou com um brusco "Para quê?!", ao que ela, na certeza das suas convicções muito próprias da idade, respondeu sem hesitar:

"Para falar com ele!"

Ao que o irmão, com sádico prazer contrapôs "Para quê? Se com as pessoas não falas...depois com o cão é que ias falar...", e riu-se ironicamente.

Ela engoliu calada, e deu o diálogo por terminado apesar de lhe ter ocorrido uma pergunta que não deixou que se verbalizasse mas que se gravou no seu âmago "Porque será?". Por constatação da sua incompetência de se relacionar de forma normal com os seres humanos, e da aberração em que se tornara ao crescer, ela baixou os olhos e calou-se, envergonhada e diminuída. À noite, já deitada e sozinha, quando a casa dormia, chorou baixinho e desejou que o irmão no quarto paredes meias com a sala de estar onde ela dormia no sofá por ser a mais nova, não a ouvisse. Pois se a interrogasse porque chorava, ela não saberia nem seria capaz, de facto, de falar.

Hoje é adulta, tem um cão e  já vai falando com os seres humanos, às vezes ainda menos do que devia e queria, ou não da forma que gostaria porque não consegue, mas muitas vezes de certo, mais do que devia...

sábado, 17 de dezembro de 2011

Fui encher o depósito do carro. Enchi. Deixei lá em troca setenta e dois euros. É certo que o depósito estava nas lonas, mas também é apenas o depósito de um veículo ligeiro, não de nenhum camião.

Posso fazer mais de 700 km com ele. Setecentos e tal quilómetros. O tal depende da condução e da velocidade. Mais de 700 Km... Só ida. Sem regresso.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Por um momento...

Feriado, 8 de Dezembro de 2011

Aspira, limpa, lava, esfrega, enfeita, decora, a casa está limpa e arrumada.

Quase preparada para o Natal que aí vem, a correr. A correr mais que ela, diga-se de passagem, que ela não tem corrido nada. E cansada, ainda que sem ter corrido, senta-se no sofá ao fim do dia, usufrui do ambiente acolhedor diante do calor da lareira acesa, admira com satisfação a casa fruto do seu próprio trabalho, e por um momento...

As casas não são nada sem os que amamos e sem aqueles que realmente nos querem bem...


O que vale é que depois de amanhã é já fim de semana e com ele mais tempo para o que mais gostamos e para quem mais amamos.

Até amanhã querido diário

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Sorrisos e provas

O sorriso é quase sempre bonito. Quando consegue parecer genuíno e nos faz acreditar que transmite simpatia, empatia, como se de um abraço fraterno e caloroso se tratasse. Mas nem todos os sorrisos são bonitos. Sim, porque há os sorrisos cínicos mas esses não enganam ninguém. Maus, maus, são aqueles que parecem os primeiros mas que são nada mais nada menos que os segundos bem treinados e escondem os mais vis dos sentimentos e pensamentos.
Às vezes, esta correria de ir correr às provas, encontrar muitos amigos e outros tantos sorrisos, já me cansa. Cansam-me os sorrisos que não consigo identificar. E também os que identifico bem. Cansa-me querer acreditar que 99% dos sorrisos são daqueles, dos bonitos, que me fazem de imediato retribuir genuinamente ou de forma igualmente indiferente porque afinal, sendo diferente, sou quase igual a toda a gente. Talvez as escolhas sejam as erradas. E sejam errados os lugares e os momentos. Erradas as pessoas. Talvez a errada seja eu. Talvez. Mas entretanto, e sempre, continuarei a sorrir. Genuinamente como grande percentagem das pessoas que me sorriem e a quem eu sorrio. Continuarei a sorrir. Porque me faz sentir bem e porque acredito que tenha o mesmo efeito naqueles a quem o ofereço. Sim, porque eu continuo a acreditar no sorriso e para o caso de não terem captado, este texto é apenas um desabafo de uma situação específica e singular. Ou...pensando bem, não tão singular assim...

Até amanhã querido diário, numa prova qualquer, a correr e a sorrir...

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

1 de Dezembro de 1640

Hoje, 1 de Dezembro de 2011 é feriado nacional num país chamado Portugal.


Foi neste dia 1 de Dezembro de 1640 que a revolta dos Portugueses se iniciou contra uma soberania e dependência espanhola. Comemora-se hoje pois então, a Restauração da Independência. Do país chamado Portugal. E é feriado nacional.

Para comemorar ou não, enquanto parece que o Sr. Coelho nos quer pôr a trabalhar neste dia, como se acreditasse seriamente que abolir os feriados ajudasse o dito país a sair da crise, vamos usufruindo das 24 horas do dito feriado (por enquanto), cada um como pode e sabe.

Cá em casa, até a bolo tivemos direito. Por enquanto também. E o direito "por enquanto" tanto se refere ao bolo como à casa. Isso mesmo. Sim senhora! E eu sou uma sortuda.

Vai uma fatia? Enquanto isto dura?

terça-feira, 29 de novembro de 2011

VI Grande Prémio da Arrábida

Sobe o pano e os holofotes, verdadeiras luzes da ribalta mostram o palco amplo,  vazio e nu, e lá no meio, ponto minúsculo a passar despercebido está ela, sob quem as luzes fortes incidem, focando-a denunciam-na e descobrem-na. De cócoras, os braços a esconder o rosto e a proteger a cabeça, em busca vã de sossego e intimidade. Palco de vaidades, de famosos de trazer por casa, a despir pessoas e emoções. De que ela gosta na maior parte do tempo, é verdade, e a provar isso mesmo está este espaço de partilha. Mas às  vezes cansa...às vezes... apetecia-lhe só... correr. E outras vezes, nem isso...

- E do VI Grande Prémio da Arrábida, o que contas?

- Adorei, como em todas vezes que o corri. Gosto de levantar os olhos, alcançar Palmela, saber que tenho de subir até lá e depois descer regressando ao ponto de partida. É como se fosse...simbólico, místico... não sei explicar muito bem, apenas sinto. Como se fosse conquistar o castelo e voltar, deixando-o lá intacto, tendo no entanto usufruído dele, sabendo-o lá, ali mesmo pertinho de mim, senti-lo respirar como eu, com as devidas diferenças, claro. Ofegante eu, sereno ele a contagiar-me a alma. Tocá-lo sem no entanto o devastar ou melindrar sequer. É assim o Grande Prémio da Arrábida. Leva-nos serra acima, primeiro em pelotão, pois atletas da organização, Lebres do Sado, impõem um ritmo mais lento aos atletas mais rápidos, obrigando o pelotão a seguir praticamente compacto até ao 2º km. Caminhos de terra, campo, e depois subir a serra. Palmela com o seu empedrado, alcatrão, agora a descer, para logo sermos de novo empurrados serra abaixo. Descida feita e um atleta amigo da montanha, vestido agora de empregado de mesa a rigor, oferece em bandeja uma prova de Moscatel, em copo pequeno como convém. E eram mais ajudantes. A oferecer Moscatel e línguas de gato (biscoitos). Até porque a corrida teve este ano o seu maior número de participantes e havia que dar conta de todos: cerca de 583 chegados à meta. E este ano pela 1ª vez, provei! "Ana! Tem de ser! Vá lá!" - e o copo estendido... oh pá, não resisti! Em dois golos, um por dentro outro por fora e lá segui com o esófago a arder, e um adocicado na boca que agora neste instante que escrevo me sabe imensamente bem, mas que a meio da corrida, nem por isso, mas  no entanto, só a visão daquele cenário dá um ânimo e carisma muito especial à prova, não fosse o Moscatel representativo de Setúbal, terras das Lebres organizadoras. De novo nas ruas de Setúbal, uma breve passagem pela relva do jardim de Vanicelos, e somos canalizados para a Meta. No final temos no saco uma garrafa de Moscatel com o logotipo da prova, uma t-shirt e água. Tudo muito bem! Limitaram as inscrições e estas se esgotaram e houve ainda quem ficasse de fora a querer ir. Para o ano já sabem, é fazer a inscrição mais cedo (ouviste João?).

Gostei do percurso, com trânsito condicionado, apenas a tornar a prova ligeiramente menos agradável num curto trecho do percurso para os atletas mais lentos (saída de Palmela). Bem sinalizado, com abastecimentos de água, e muito bonito. Muita animação na Partida e na Chegada. As inscrições foram fáceis, a organização divulgou lista de inscritos, a entrega de dorsais foi rápida e eficiente, os resultados saíram rápido, e mais uma vez fico muito satisfeita por ter lá ido correr, recomendo a prova e para o ano quero de novo marcar presença! Houve ainda prémios por classificação por escalão, atribuídos no local. Ainda em simultâneo decorreu uma caminhada de 7 km, denominada com originalidade de "7 km ao seu ritmo". Na realidade, também fiz da minha prova  "os 12.700 metros ao meu ritmo" e fiquei bastante satisfeita.

Corri os 12,700 Km da prova em 1h16m57s


Deixo algumas imagens, e para o ano lá conto estar de novo a correr.
No aquecimento, com cara de má, apreensiva, vá-se lá saber porquê...Ah! Já sei! O Pinho falava-me da Maratona de Sevilha e o assunto deixou-me assim: séria, carrancuda, serei eu capaz? Ser, sou, desde que queira, a questão é que ainda não quero o suficiente...

A Partida, com as Lebres à frente, a controlar o ritmo e a obrigar o pelotão a seguir junto durante 2 kms

A minha amiga Ana Groznik a cumprimentar o fotógrafo, ainda sem saber que ia ser 2ª classificada no seu escalão
E lá venho eu atrás, também sem saber ainda que ia ser a 8ª classificada no escalão, que é o mesmo da Ana Groznik, e que teve 13 atletas chegadas à Meta
 
José Sousa, uma Lebre a chegar à Meta, com um sorriso bonito, não contribuísse ele também para o sucesso desta prova

Ana Groznik e um casual companheiro de corrida, a poucos metros da Meta


E eu mesma, a metros de cortar a meta

No funil da Meta, também com companheiros de percurso aqui e ali, em partes da corrida

Com Ana Groznik e Dina Mota (Lebres do Sado - Organização da Prova)
Com meu pai, a fotografar para a AMMA, (e para mim)


Com amigos, conhecidos e desconhecidos dos Run 4 Fun - atletas, amigos, uma coisa em comum temos sem dúvida alguma e que partilhamos: A Corrida




Classificações do VI Grande Prémio da Arrábida 

Outras informações no site da organização: Lebres do Sado

Fotografias de meu pai, António Melro, na AMMA 

De atletas que correm e fotografam, o que todos nós agradecemos pois apanham a prova bem pelo meio e conseguem fotos que mais ninguém consegue:

De Carlos Lopes

De Fernando Almeida

De Paulo Fernandes

De José Carlos Melo

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Outra

Há instantes, momentos, horas, dias, espaço de tempo dolorosamente longo e vagaroso, em que ela queria ser...

Outra...

Outra mãe
Outra filha
Outra mulher
Outra namorada
Outra amiga
Outra pessoa

Há instantes, momentos, horas, dias, espaço de tempo dolorosamente longo e vagaroso, em que ela queria ser... Simplesmente... Outra.

São instantes, momentos, horas, dias, levados da breca, esses. O que vale é que passam. Passam sempre. Para darem lugar a outros dias, dias em que ela sabe bem o valor que tem, e em que gosta muito de ser quem é.

domingo, 20 de novembro de 2011

Troféu da Caparica 2011



A Partida da prova principal

A Partida dos mais novos

A minha corrida em imagens:
Meia dúzia de gatos concentram-se para a Partida

A Partida é dada
Eu durante a prova
A poucos passos da Meta
Foi o Troféu da Caparica 2011, e eu estive lá

Aquecimento: 15 minutos lentos

Prova: 3,780 Km em 19m31s, média de 5:09 / Km

Fotos de António Melro e Ana Pereira, na Galeria de Fotos da AMMA Atletismo Magazine Modalidades Amadoras

Outras imagens desta manhã:





A manhã foi passada a correr entre muitos amigos que gostei de rever e por isso foi boa, mas acabar a manhã com o meu pai a desfalecer nos meus braços, acabou por não me deixar com muita vontade de escrever. Está tudo bem agora...

Até amanhã querido diário