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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

ainda o XXV Grande Prémio de Atletismo de Carnaval do Alto do Moinho

Realizou o Centro Cultural e Recreativo do Alto do Moinho no dia 27 de Fevereiro de 2011, o XXV Grande Prémio de Atletismo de Carnaval do Alto do Moinho. Vigésima quinta edição que inovou pelas provas abertas aos escalões mais jovens. Desde o Benjamim ao Veterano, todos puderam nesta edição correr, participar e competir, ganhando os habituais prémios por classificação, taças, troféus e medalhas, para além da t-shirt oferecida a todos os participantes.

Um clube organizador, com os apoios locais e da Câmara Municipal do Seixal, que aproveita e bem para divulgar e promover a Corrida para todos, salientando-se o facto do Clube manter viva uma escola de atletismo, onde se proporciona às crianças a possibilidade de conhecer o Atletismo e desse forma activa se formarem também como indivíduos para além da vertente desportiva.

A prova teve inscrições gratuitas, abastecimento suficiente e o trânsito apenas condicionado o que, salvo raras excepções, se traduz em segurança deficiente, mas aqui não foi excepção. Percurso bem marcado (2 voltas na corrida principal), e um pórtico insuflável a marcar quer as Partidas quer as Chegadas. Fita de controlo dada a meio do percurso, um "speaker" entusiasta e animado, entrega de prémios em pódio, bancada da Asics e da Gold Nutrition e temos uma prova que completa as 25 edições com sucesso, e tendo em conta os recursos disponíveis, ainda inova e renasce com a criação das provas para os escalões de formação, só pode estar de parabéns.



Classificações por escalões

Classificações por equipa - Prova Principal

Classificações por equipa - Provas Jovens





Mais de 400 novas fotos do Grande Prémio Carnaval Alto do Moinho no site da AMMA - Atletismo Magazine Modalidades Amadoras - um sítio ao serviço do Atleta, esse, que rápido ou lento, famoso ou anónimo, criança ou velho, corre, nada, joga, sua, ri e chora e enche a vida, a dele e a nossa, de muito mais cor, alegria e saúde. E aí estão eles em centenas de fotos, imagens que ficam de momentos ímpares da vida de cada um. Expressões e esgares captados no exacto instante que dura uma mensagem transmitida por um olhar ou um gesto, muitas vezes dizendo muito mais que as palavras.



A Prova da Maria

"Eu gostei da prova" - diz ela como se isso tivesse algum significado especial para além de revelar uma opinião pessoal num momento e numa circunstância também pessoal, quer do seu estado de espírito quer de saúde física e mental, quer ainda do envolvimento social em que se encontra naquele determinado momento.

No entanto, se reflectirmos um pouco, se por um lado aquela e todas as outras opiniões pessoais que se baseiam em factos e vivências pontuais e pessoais não podem de forma nenhuma caracterizar ou definir uma prova, por outro, não deixam de ser válidas pelo simples facto de existirem, mais que não seja como momentos fotográficos captados num instante, diluídos num todo que é a Prova.

Correu mais devagar do que alguma vez correu. Não caminhou, nem mesmo quando o suave desnível lhe revelava a força da gravidade em todo o seu esplendor, a puxar os seus 70 quilos para baixo e para trás, exactamente no sentido inverso ao que ela queria seguir.

Deu por si a admirar as pernas dos velhotes ainda com força para vencerem as subidas e a deixavam para trás a ela, sem dó nem piedade. Exactamente como ela quando pode. Mas desta vez não pôde.

Correu como pôde, partiu e chegou à meta. Sem grande história ou marco na memória. Talvez os tenha substituído pelos outros momentos, aqueles que passou a fotografar os miúdos nas suas provas, por exemplo. Aqueles em que sentiu viva a força da Corrida, mas não nela desta vez. Acontece... pensa. E sim, valeu a pena, claro que valeu a pena ainda assim. E se aqueles homens e mulheres não se cansam de organizar o evento, não é ela que se cansará de correr. Nem de escrever, só porque não lhe apetece por preguiça ou falta de organização mental. O certo é que quando insiste, nem sempre o resultado é satisfatório, mas ainda assim, ela continua. Por aí a correr e a fotografar e por aqui a escrever. E só por essa teimosia, já a vida lhe traz ganho, garante. Por isso, pensa continuar.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

XXV Grande Prémio de Carnaval Alto do Moinho

XXV Grande Prémio de Carnaval Alto do Moinho - 27 Fevereiro 2011


Imagens:

A partida da prova principal:
Eu, cá atrás, logo na Partida:
Em prova:

A chegar à Meta:
Com Joaquina Flores, um exemplo de Vida, dentro na Corrida:
As provas dos mais novos:



O meu registo de Corrida: 8960 metros em 55m29s, média de 6:11 / Km


Mais fotos do Grande Prémio Alto do Moinho, no site da AMMA - Atletismo Magazine Modalidades Amadoras

Palavras aqui só amanhã

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Sábado de Sol

Nada de jeito ou de especial, dirão. Mas isso, se é especial ou não, só eu é que sei, tal qual como os sportinguistas, só eu é que sei porque não fiquei em casa, e fui correr alguma coisa neste Sábado de Sol.

Alguma coisa, especial como só eu sei, e que se traduziu em 4550 metros (sim, só 4,5 Km, e depois?!) em 27m45s, média de 6:08 / Km.

Amanhã tenho Corrida, podia servir de desculpa e justificação, mas não, só corri isso porque ... porque amanhã tenho Corrida é verdade, mas que me vi à rasca, vi, admito e assumo que me seria muito penoso correr mais tempo e distância! E sei muito bem porquê. Em forma física, prática de exercício e aumento de peso, é como se tivesse andado a ver até onde podia descer. Já vi! Agora é voltar a subir. Não quero descer mais! Mais que isto!

Beijinhos e abraços e um bom fim de semana para todos. Ah, é verdade, e amanhã tenho mesmo Corrida: XXV Grande Prémio de Carnaval do Alto do Moinho, porque a Margem Sul está no meu coração

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Grande Prémio de Atletismo da Charneca da Caparica

Organizado pelos Amigos do Atletismo da Charneca da Caparica e pela Junta de Freguesia da Charneca da Caparica, com os apoios da Câmara Municipal de Almada, Bombeiros Voluntários de Cacilhas e Comércio Local, realizou-se hoje o Grande Prémio de Atletismo da Charneca da Caparica.

Destaco a perseverança do Clube que mantém a prova viva, ano após ano. Em moldes idênticos aos das provas do antigo e agora inexistente Troféu de Almada, a organização divide as provas por escalões, desde os mais novos que Benjamins, passando por estes, até aos escalões mais velhos. Peca por isso por manter a prova feminina fora da prova principal, que tem cerca de 8500 metros, ficando o sector feminino condicionado a uma corrida de distância inferior a 3 Km.

Com excepção das provas dos mais pequenos, todas aquelas que se alargaram no perímetro, tiveram de se defrontar com fraca sinalização e igualmente fraca a segurança no que ao condicionamento do trânsito diz respeito.

Valorizo os prémios de presença: bolo, fruta e água, assim como Troféus e medalhas por classificação para todos os escalões, e também por equipas, sabendo nós a importância que estes assumem nos escalões mais jovens.

Valorizo principalmente a vontade e o trabalho de manter esta corrida de pé, assim como as inscrições gratuitas e todo o trabalho necessário para conseguir realizar a prova, não sem percalços como atrasos nas partidas e outros referidos, revelando um amadorismo que por isso mesmo, reveste estas gentes de um valor especial, pois sem intuitos lucrativos, promove e divulga a Corrida, não só neste evento, mas num trabalho de todo o ano, com treino e motivação aos seus próprios atletas e à comunidade.

Está por tudo isto, o Clube dos Amigos do Atletismo da Charneca da Caparica, meritório dos mais sinceros Parabéns, que lhes dou sem dúvida alguma.

Ana Pereira


A Prova da Maria

Venci. Ganhei. Lutei e venci! Venci os fantasmas e sozinha como há muito não fazia (desta vez o meu querido pai não me pôde acompanhar), levantei-me cedo, arranjei-me e pûs-me a caminho. 40 Km depois, estava na Charneca da Caparica. Cedo. Demasiado cedo talvez. Vou tomar café enquanto aguardo pelo meu Clube e pelas horas. Dali a pouco, o reencontro. Um abraço e beijinhos a todos. Pego na máquina. Gosto de fotografar. Principalmente as provas dos mais pequenos. Enquanto acho que ainda não é tempo de fazer o meu aquecimento, fotografo os pequenos. As condições não são as melhores, o Sol parece estar sempre do lado errado e não me facilita o trabalho/prazer de fotografar. Faço o que posso.

Depressa chega a minha hora de aquecer. Com o António, companheiro como poucos. Apesar da sua prova só começar depois da minha acabar, faz-me companhia no aquecimento. Conversamos um pouco. A máquina fotográfica já mudou de mãos (obrigada Inês, mas para a próxima eu quero-te é a correr ao meu lado), e o sinal de partida é dado.

Faço a prova com tanto bom senso que nem me reconheço. Em vez de correr à maluca por a distância ser curta, aqui a menina modera o andamento para um nível aceitável de esforço. É que a máquina está parada praticamente desde o ano passado, 31 Dezembro, e os 42 anos já pesam, mais o corpo que os anos, mas enfim deixai-a pensar assim, que são os anos que pesam. Desta forma faço uma prova bastante tranquila:

2730 metros em 15m28s, média de 6:40 / Km

Logo nos primeiros metros as posições se definem: fico de imediato para trás com umas senhoras perto de 2 décadas mais velhas que eu, e com a minha chefe de equipa, que já só corre a brincar. Deixo-me ir com elas, mas depressa (500 m) me apercebo que eu poderia ir um nadinha mais rápido. E vou. E a partir daí faço a prova totalmente sozinha. A perder-se de vista a atleta da frente e idem para a de trás, chegando mesmo em determinados cruzamentos ter de perguntar a populares por onde deveria seguir. Corro na berma, há veículos na estrada, até que um camião do lixo encosta para fazer a devida recolha do lixo e obriga-me a sair da berma e ir pelo meio da estrada, no preciso momento em que um veículo que o seguia ao vê-lo encostar, o resolve ultrapassar. Nada de especial, assim como numa curva apertada de muito má visibilidade é-me feita uma tangente por um outro veículo de vem de frente para mim. Escapo destas mas não gosto e quem me conhece sabe que em minha opinião a segurança é dos itens que mais valorizo numa organização e é óbvio que nem o facto de não pagar inscrições atenua o perigo e a responsabilidade, que a organização tem o cuidado de deferir para o atleta no regulamento, por isso, não há reclamações, mas nem por isso deixo de ter a minha opinião do ocorrido.

Passados estes episódios, há uma vozinha de criança que me chega aos ouvidos: "Força menina!" - levanto os olhos da estrada e do caminho e deparo-me com um petiz de 4 anitos, de olhos negros a bater-me palmas. Arranca-me um sorriso de orelha a orelha. Menina?! Sorrio, aceno-lhe e agradeço.

Rapidamente estou a chegar à meta. Muita gente chama por mim. Diz o meu nome. O meu nome na boca delas e o sorriso é agora constante. Falta o meu pai mas nem por isso me sinto só.

Recebo a água, o bolo, a maçã e depressa volto a pegar na máquina fotográfica para agora fotografar a prova principal. Pena que as pilhas se acabaram e não consegui fotografar todos os atletas à chegada. Ainda assim, como cada vez que corro, ganhei e venci.


Boa semana para todos

Maria Sem Frio Nem Casa


Algumas imagens:

As provas dos mais jovens:
A partida da minha prova:
A minha chegada, isolada, pois claro, seja lá o que isso queira dizer, mas que foi isolada, ai isso foi, como a imagem comprova: Já com os prémios de presença, dados à chegada: água, uma peça de fruta e um bolo de chocolate:
A partida da prova principal:
A mesa à chegada, com água, fruta e bolos:
Cerca de 150 Fotos do Grande Prémio de Atletismo da Charneca da Caparica, na AMMA - Atletismo Magazine Modalidades Amadoras

sábado, 19 de fevereiro de 2011

O Sábado


O Sábado revestiu-se de outras cores, tonalidades mortiças e baças, a distorcer as imagens, mas tão reais e definidas elas, as tonalidades, cinzentas e baças. Recorda-o, ao Sábado, como se fosse hoje, hoje mesmo e de novo Sábado. Cinzento e molhado também como o outro. A repetir-se indiferente e alheio a ela. O Sábado vestiu-se de negro para sair e mais nenhum sábado será igual. Revê as pedras da calçada molhadas, entre as botas calçadas, que ela palmilha no caminho que fez naquele Sábado. Baço e chuvoso. Como hoje. Não havia mais ninguém na rua, Sábado cedo, Sábado negro. Recorda o cheiro do pato a cozer na panela quando reentra em casa. O caldo a fervilhar e o arroz que cozeu nele. Jamais uma canja de pato será igual para ela. Este Sábado entranhou-se de odores, de vozes, de sons e silêncios, de gritos mudos, de dores amordaçadas e escondidas fingidas, que digeriu sozinha.

Hoje, sábado de novo, igual e diferente, mas há coisas que nem o tempo apaga e o Sábado continuará a ter o mesmo sabor, ácido e cruel, amargo como o fel, o mesmo cheiro adocicado e fétido, nauseabundo misturado com o pato a ferver na panela, e o silêncio a doer na alma, apesar dos gritos dentro dela... estridentes e agudos, uivos de dor a rasgar-lhe as entranhas e a querer sair pela casa, atravessar janelas e romper paredes e perder-no no céu cinzento do Sábado, em busca de compreensão, perdão e paz.

Amanhã, Domingo, quere-se igual a tantos outros domingos: dia de Corrida, de rever gente, a correr e a repetir-se alheia e indiferente, como o Sábado, e é dia de correr sozinha e voltar para casa feliz... só porque correu.

Entretanto sente-a aproximar-se, a querer instalar-se ameaçando paralisá-a e castrá-la, mas ela sacode-a com as forças e as armas que tem. É só por isso que amanhã Domingo, ela vai correr. Se ainda for a tempo, se ela a não a apanhar antes disso.

E hoje, ouve vezes sem conta e canta, canta baixinho com o coração cheio de esperança e alegria e paz...não sem sentir um nó na garganta só porque se emociona, e chora e sorri ao mesmo tempo...e segura-se, e segura-se à Vida e canta e canta:


Israel "IZ"


"Somewhere Over the Rainbow"

Música de Harold Arlen, Letra de E.Y. Harburg

"Somewhere over the rainbow
Way up high,
There's a land that I heard of
Once in a lullaby.

Somewhere over the rainbow
Skies are blue,
And the dreams that you dare to dream
Really do come true.

Someday I'll wish upon a star
And wake up where the clouds are far
Behind me.
Where troubles melt like lemon drops
Away above the chimney tops
That's where you'll find me.

Somewhere over the rainbow
Bluebirds fly.
Birds fly over the rainbow.
Why then, oh why can't I?

If happy little bluebirds fly
Beyond the rainbow
Why, oh why can't I?"

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

O Filme

O filme fazia-se anunciar de mistério e aventura com cheirinho a romance no ar. Deixava adivinhar riscos corridos e algum perigo, mas depressa se revelou muito romântico e cómico, com verdadeiras cenas de autêntica comédia romântica como por exemplo o primeiro encontro deles, a querer ser comemorado à lareira, com uma garrafa de vinho que se revelou estragado mas que nem por isso lhes estragou a noite, alternando com sério e doce romance e ainda algum erotismo por vezes a roçar a pornografia e muita sensualidade. À mistura algum suspense e terror quando por exemplo na banheira ela apavorada esperava a qualquer momento a invasão dele na casa de banho, de serra eléctrica ou machado na mão, a correr o cortinado de rompante e a (não) surpreendê-la nua e molhada, totalmente indefesa na banheira daquela mansão isolada no meio da montanha no Nordeste de Portugal, ou quando nus, pela primeira vez ela o abraçou a medo, e fazendo deslizar a sua mão pelas costas dele devagar, temia descobrir-lhe algum indício de ser alienígena, como escamas ou objecto frio e metálico, o que felizmente não se veio a concretizar. O início de uma vida a dois, cheia de partilha e muito amor, num constante descobrir do outro e o redescobrir do Amor, fazem-nos acreditar que o Amor é ainda possível depois de algumas más experiências de vida das personagens. Algumas dissidências resolvidas a bem, e o solidificar de uma relação, não sem dificuldades, vão sendo mostradas ao longo do filme, fazendo-nos agarrar às personagens e à história. Mas de repente o romance que parece belo e excitante e nos embala durante quase duas horas de duração do filme, dá lugar ao drama, ao abandono e ao crime. Pequeno nada que impõe um fim inevitável, triste, dramático e ensanguentado, digno dos mais célebres "Thrillers" que surpreende tudo e todos os desatentos que não observaram os vários sinais que foram sendo dados na segunda parte do filme, mas que, absorvidos pelo sonho de um amor de sonho que quereriam para si, não repararam neles. Quando a fita é cortada e abruptamente chega ao fim, acaba o filme e o espectador não sabe se a história morre assim ou se vai haver continuação, com outras personagens ou estas mesmas, mortas ou vivas, que isto nos filmes tudo é possível.

Bons sonhos e bons filmes

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Quem?

Quem me deu a mão e o seu corpo quente e forte para eu me encostar e apoiar nestes dias?

Quem me olhou impotente mas profunda e comtemplativamente enquanto eu sofria, matava e morria? Quem me beijou o rosto lavado em lágrimas (lavado salvo seja, que haveria de certeza muito muco nasal também à mistura) e quem não me abandonou um minuto que fosse? Quem sem saber, sabia tudo, e não me largou e me apoiou o tempo todo? Porque sentia e simplesmente sabia que eu precisava?

Quem me lambeu as lágrimas e o ranho, sem pudor, querendo de novo o meu rosto limpo? Quem me pediu um sorriso quando eu chorava? Quem me desafiava para brincar quando o que mais me apetecia era estar quieta, e que depois, me respeitava, largava a bola e ficou horas silenciosamente a olhar-me nos olhos?

Quem esteve sempre comigo? E hoje quem me fez interromper o tédio e a rotina das limpezas e me fez calçar os ténis e ir para a rua correr?

Ela, a Molly:2 Km com ela: corre / anda /faz xixi / cheira aqui / cheira ali
+
6 Km sozinha em 38 minutos, tendo lá pelo Km 3, caminhado cerca de 200 metros


Eu sei que nós humanos, gostamos (e precisamos) de humanizar as acções dos cães e de outros animais, que eles quando nos lambem as lágrimas é mesmo pelo sabor e não estão propriamente a oferecer-nos o seu melhor lenço de branco alvo e bordado à mão. Mas sabe bem. Sabe muitíssmo bem ter um Amigo assim: que sem compreender as razões, nos compreende, está ali connosco, em perfeita sintonia, a apoiar-nos, a tentar que fiquemos melhor. Não tenho qualquer dúvida que um Cão é um Amigo. Dos melhores que se pode ter. E eu tenho: a Molly.

Com isto não quero dizer que desvalorize os humanos. Tive e tenho amigos que também estiveram (e estão) comigo. Em horas más também. Porque normalmente nessas é que se apuram e refinam as amizades e o amor e outras balelas tantas vezes referidas mas não sentidas.

Quis apenas, hoje, demonstrar o valor que atribuo a um peludo de quatro patas e mostrar o que ele nos pode dar. Sem pedir nada em troca, sem segundas intenções, sem se importar com o nosso aspecto, sem nos julgar ou censurar - embora tenhamos as nossas dissidências e ela me mostre muito bem quando está chateada e/ou amuada, - sem interesse para além do Amor que nos tem. Porque Amizade é uma forma de Amor.

Também podia fazer uma composição, tão ou mais comprida que esta, acerca das desvantagens de ter um cão. Mas agora não me apetece, até porque na minha opinião, o acima descrito sobrepõe-se a tudo o resto e tem um valor inestimável, valor esse que pretendo preservar.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Branco


Acordou com a claridade do amanhecer. Paredes brancas, quadros em tons de azul a mostrar o mar e a sua vida, e a cortina branca a dançar com a leve brisa marítima e fresca que entrava pela fresta da janela.

Um balbuciar de bebé fê-la virar o rosto para o lado, abandonando o branco dos lençóis do lugar vazio ao seu lado na cama e pousou o olhar sobre o rosto que mais a ilumina. A sua filha que completou agora um ano, brinca no berço, com os seus próprios pezinhos descalços e ensaia sons, imitando palavras. Quando os seus olhos castanhos redondos tocam os da sua mamã, rasga o rosto com o sorriso mais lindo do mundo, mostrando os seus únicos dois dentes e um queixo a luzir de babinha.

- Olá...bebé... - Levanta-se a trá-la para a sua cama enchendo-a de beijos no pescoço fazendo-a soltar doces gargalhadas. Genuínas. Depois, vai preparar o biberão, passa pelo outro quarto onde dormem ainda a sua filha mais velha e a sua enteada, filha do seu namorado. Satisfá-la poder oferecer esta casa e estas férias aos seus.

Alimenta a pequena, muda-lhe a fralda, fá-la arrotar, e fica-se a vê-la adormecer de novo, nos seus braços, de boca entreaberta, deixando-lhe ver os dois dentinhos de baixo, os únicos que ela tinha, e de bochecha esmagada contra o seu seio nu, sob a fina película da sua camisa de dormir transparente, deixando adivinhar o mamilo castanho.

Podia ficar ali para sempre, assim, a olhar o seu bebé com amor, sabendo que o seu outro amor dormia também descansado no quarto ao lado. Não lhe fossem doer os braços, e poderia ficar ali para sempre, sim. Assim. Voltou a colocar a bebé no berço e recostou-se na sua cama, contra as almofadas grandes e brancas que lhe amparavam as costas, e as lágrimas em noites de dor, e os desejos em noites quentes, em que sozinha usa os seus próprios dedos para se satisfazer, percorrendo com eles o seu corpo sem temor ou segredos, e pensando nele, ausente, afogava nelas os seus suspiros quando sozinha se amava.

Era cedo e a casa dormia de novo, como elas. Estavam de férias e ainda era muito cedo para irem para a praia. Deixou-se ficar ali a gozar a casa de férias que agora conseguia pagar com alguma facilidade, ouvindo as gaivotas lá fora a dizerem que já era dia, e esticou-se na cama, só sua. Encheu-a de si, com o seu odor, puxou para si uma almofada que abraçou com força, desejando que fosse ele, pensando nele. Apertou-a contra si e abraçou-a como se fosse gente, ausente.

Mas inexplicavelmente os braços continuavam a doer-lhe, como se o cansaço a tivesse vencido, e à sua volta estão de novo as paredes brancas mas sem quadros azuis. E o branco dos lençóis engole-a e quando os levanta como se a certificar-se que as suas pernas bambaleantes agora mesmo antes de se deitar, ainda ali estivessem e lhe pertencessem obedientes, descobre que a humidade que sente entre as pernas não é fruto de desejo ou sonhos eróticos, mas do sangue que jorra em catadupas e mancha o imaculado branco dos lençóis, das paredes, dos quadros que não existem, da sua camisa de dormir de tecido grosso e áspero, e ela sabe nesse momento que o seu bebé está morto.

Um dia, ela vai levantar-se. Dessa cama branca nesse quarto de paredes brancas apenas manchadas de sangue pelas suas próprias mãos sujas que não souberam salvar o seu bebé, ainda quente o seu corpo quando o soltou para a Morte. Um dia ela vai levantar-se. E talvez correr ainda, se ela for uma dessas mulheres. Mas não hoje. Não hoje, porque hoje o seu bebé está morto, e o branco ocupou o seu lugar, invadindo outros espaços, sobrepondo-se às outras cores.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

XXII Grande Prémio Fim da Europa, por Ana Groznik

Acabei 2010 e comecei 2011 de uma forma que jamais imaginaria. Acontecimentos sérios e graves levaram-me ao afastamento e consequente silêncio no blogue, para que não gritasse o que precisava (e ainda preciso), mas que deve continuar silenciado e guardado, só para a quem diz respeito.

Deixei de correr, o Grande Prémio Fim da Europa ficou completa e absolutamente fora de questão, não apenas por falta de preparação, que isso raras vezes me impediu de alinhar onde sinto que devo e preciso estar, mas precisamente o dia 30 de Janeiro revelou-se o dia da chacina, pela qual ainda choro sem lágrimas e me enluto em silêncio, e por isso foi-me de todo impossível comparecer.

No entanto tive lá amigos. E a Ana, tendo feito esta Corrida pela 1ª vez e respondendo ao meu desafio, trouxe de lá estas palavras que vos deixo de seguida. E assim, retomo o blogue, com as palavras da Ana, pois as minhas, na ânsia de preservar o que de mais íntimo tenho, soariam falsas e vazias, sem sentido e ocas, enquanto falaria de banalidades evitando o âmago da minha alma, aquele sítio que me doí. E se dessa forma eu também sei escrever, não gosto. Não gosto de escrever assim, sem sentir. E por isso me calo. Até poder escrever de novo o que sinto, quando o sentir for outro. Não este sentir. É demasiado. Talvez daqui a dias o sentir seja outro, não que este desapareça, mas que haja também outro sentir. E nesse dia, escreverei sobre ele, abafando este que sinto agora. Desculpem-me e muito obrigada Ana por me fazeres retomar o blogue.



Sintra, 30 de Janeiro de 2011

XXII Grande Prémio Fim da Europa, por Ana Groznik

"Correr até ao fim da terra

Já tinha estado várias vezes em Sintra, quer sozinha quer com amigos que me visitavam em Lisboa, e quase sempre apanhávamos um autocarro de Sintra para o Cabo da Roca.

Quando há alguns meses atrás ouvi falar que havia uma Corrida entre estes dois belos e magníficos pontos, fiquei imediatamente tentada a ir.

O percurso da Corrida tem pouco menos de 17 Km e eu diria que no total são aproximadamente 300 m a subir e 400 m a descer. Os primeiros 3 Km são uma subida constante: subir, subir, subir. Do Km 3 ao 10 há algumas oscilações moderadas numa subida praticamente constante.

Cerca do Km 10, surge a última (e a mais intimidante) subida, apesar de não ter mais de 1 km de extensão. A partir do Km 11, é uma verdadeira prova de "dowhhill", sempre a descer até à Meta.

A Partida é em frente à bela e famosa fonte em Sintra.Logo após a partida e todo o caminho até os últimos quilómetros, a estrada asfaltada leva-nos através da floresta verde (bem, para mim é ainda bastante surpreendente e agradável ver uma floresta verde em Janeiro ...)

Até ao Km 11 km, temos breves vislumbres do Oceano, mas logo depois do início de descida grande, há uma vista deslumbrante sobre o imenso oceano profundo em todo o horizonte. Bem, nós fomos realmente abençoados com o tempo este ano: um sol brilhante de Inverno, e apenas uma pequena amostra de nuvens brancas no contraste do azul do céu a tocar o azul do mar...

Esta corrida prometia ser muito desafiante, bonita e diferente. E de facto, foi tudo isso!

A organização foi muito boa e houve um bom apoio (e foi inteiramente minha culpa, pelo facto do meu Português não ser bom o suficiente para entender exactamente quando era a hora limite para entregar os sacos com roupa seca e quente para serem transportados até à meta, e por isso deixei o meu com um prestável guarda do parque em Sintra).

Havia dois abastecimentos de água, em lugares estratégicos do percurso. Embora houvesse cerca de 1500 participantes na Corrida maior, tudo foi muito bem gerido, e também durante o percurso, definitivamente não senti que houvesse sobrelotação. Seria difícil melhorar alguma coisa, e eu não tenho nenhuma sugestão ou comentário notáveis, apenas os meus parabéns e apreço.

Ou talvez tenha um comentário geral. Percebi que aqui em Portugal os participantes nas corridas são predominantemente homens: se virmos com atenção os dados publicados, as senhoras eram menos de 10% dos corredores que terminaram este XXII Grande Prémio Fim da Europa.

Se por um lado é bom estar na minoria feminina, eu acredito que a participação das mulheres corredoras deveria ser mais activamente apoiada. Talvez os escalões para as mulheres devam ser definidos como para os homens, para premiar e motivar as mulheres (e os clubes para incentivar as mulheres), mesmo que em alguns grupos etários, presentemente haja poucas participantes. Ou talvez outra coisa qualquer, mas alguma coisa dever-se-ia fazer ...

Pessoalmente, fiquei feliz com o meu esforço e o meu resultado final. O meu tempo de chip foi 01:31:28 (o tempo oficial, exactamente 1 minuto a mais). Subi a serra com um ritmo moderado e constante, apenas para jogar pelo seguro.

Eu não estava no meu melhor, e pensei: eu já estava a andar há cerca de 300 m na última subida, o que não teria sido realmente necessário, sabendo agora que esta última subida era relativamente curta e não era terrivelmente íngreme. Mas eu esforcei-me sobretudo na descida: as pessoas passavam por mim em grande número, como o vento, e eu estava absolutamente impressionada! No últimos 3 quilómetros segui um corredor simpático que tinha um bom ritmo forte, trocámos algumas palavras e ele era uma "lebre" ideal para mim (obrigada!).

Devo admitir que raramente participo em corridas organizadas. Correr para mim é sobretudo uma meditação, e eu adoro correr em zonas verdes e tranquilas, sobre superfícies macias, não em zonas cinzentas e monótonas. A minha zona favorita de Lisboa é o Monsanto, o que diz tudo.

Eu também gosto verdadeiramente de correr sozinha e, por vezes, com amigos. Mas finalmente decidi no ano passado, fazer algumas corridas em Portugal, só para sair da minha zona de conforto e correr em lugares novos, de preferência fora de Lisboa - e isso acabou por ser uma boa idéia e eu gostei muito de todas as cinco provas que fiz no ano passado.

Este "Grande Prémio Fim da Europa" foi a primeira Corrida para mim este ano, com certeza não será a última, e no próximo ano espero repetir esta Corrida, talvez sem caminhar e com algum treino em declive. E espero que lá vá também a minha amiga "Maria Sem Frio Nem Casa" ... Sem ti, Ana, eu não teria sequer ouvido falar desta corrida, e tu e o António também me ajudaram a obter o dorsal: muito obrigada, malta, vocês facilitaram-me as coisas!

Outra Ana"


Ana Groznik
Class. geral: 933º
Class. escalão: 10º
Dorsal 284
Tempo chip: 01:31:28
Tempo Oficial: 01:32:28
Natural de Eslovénia


Resultados no site da Organização

Fotos no site da AMMA




Muito obrigada Ana

Para ler em Inglês, na língua originalmente escrita pela autora, ver aqui

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Resoluções para o Feliz Ano Novo

Todos fazem. Consciente ou inconscientemente todos fazem. Com excepção daqueles cujas circunstâncias e armadilhas e partidas da vida, os obriga MESMO a ter outra vida, a ser OUTRO dentro de si mesmo, todos os indivíduos ilusoriamente planeiam, prometem a si próprios e desejam mudar isto ou aquilo, vivem misticamente a viragem do ano como se de uma porta se tratasse e naquele último minuto exacto do dia 31 de Dezembro, algo mudasse no universo e dentro deles algo se iniciasse, e outro algo ficasse para trás. Pura ilusão. Pura, nua e crua em que queremos acreditar.

Não sou excepção. Como é evidente. E a minha primeira resolução de Ano Novo, é:

para além de não frequentar o ginásio, o que já vinha acontecendo há demasiadas semanas, decido nesta viragem de ano... o quê? o quê? .... deixar de pagar o ginásio! Parece-me sensato, no mínimo!

Resolução tomada. Acção desencadeada e tomada. Página virada. Sou outra vez e oficialmente um indivíduo que não frequenta o ginásio. E para além de o não frequentar, também não o paga, o que me retira de um grupo onde não gostava nada de estar instalada: os que pagam e não vão.

Beijinhos e abraços e venham, não mais resoluções e propósitos de Ano Novo, mas sim... mais acções em cada dia da minha vida! E as acções, meus amigos, ao contrário das resoluções que acabam por morrer em breve na maior parte dos casos, dão-me uma satisfação tremenda.

sábado, 1 de janeiro de 2011

36ª S.Silvestre da Amadora




Realizou-se como habitualmente na última noite do ano. Foi a 31 de Dezembro de 2010 e realizou-se pela 36ª vez aquela que é em minha opinião, a S.Silvestre mais popular de Portugal.

Organizada pelo Desportivo Operário do Rangel com o apoio da Câmara Municipal da Amadora e Hipermercado Continente, a 36ª S.Silvestre da Amadora colocou nas ruas sumptuosamente iluminadas a marcar a época natalícia em que nos encontramos, 93 mulheres e 685 homens, número de atletas chegados à meta.

Com o apoio técnico da Xistarca, a prova teve controlo por chip, insufláveis a marcar as partidas e a meta, e decorreu em ruas com o trânsito totalmente cortado, onde o público deu o mote, habituado já ele, a participar também nesta despedida de ano velho. De facto, o apoio popular é muito marcante e nota muito positiva. O público faz a prova com os atletas. Senti isso. Jamais estive sozinha.

A prova é também caracterizada pelos sucessivos desníveis, tem um abastecimento de água e marcação de quilómetros. A partida das mulheres dá-se 10 minutos antes da masculina.

Tem prémios monetários por classificação, e um t-shirt SportZone, um calendário de secretária e uma barra de cereais, como prémio de presença para todos. Água na chegada não faltou.

Entrega de prémios no local, com rapidez e divulgação das classificações no site da organização em poucas horas.

As inscrições e o levantamento de dorsais decorreram de forma regular e esta é em minha opinião uma São Silvestre muito querida de todos, bem organizada, a permitir boas corridas, quer em termos competitivos, quer para o atleta de pelotão. A moldura humana das gentes da Amadora embelezam esta São Silvestre de forma ímpar.

Está pois a organização de parabéns e conto dia 31 de Dezembro de 2011 lá voltar para a correr de novo e a manter viva pela 37ª vez.



A nível competitivo, no pódio masculino, esteve Nicolas Korir, do Quénia, com 29:09 na 1ª posição, logo seguido de Manuel Damião do GDR Conforlimpa com 29:10, e de Goitom Kifle, da Eritreia com 29:16.

No sector feminino, obteu a 1ª posição, Sara Moreira, do Maratona com 33:56, com uma vantagem clara e significativa, sobre as Russas, Eugenia Danilova e Maria Kovaleva, ambas com 35:13.




Classificações no site da organização


Fotos da S.Silvestre Amadora no site da AMMA - Atletismo Magazine Modalidades Amadoras


A Minha Corrida

A Maria não tem frio. A noite está boa. Muito boa para correr. Há uns anos que já não fazia Amadora. Foi este ano de novo. No último dia do ano, carregado de misticismo, viu amigos e amigos e amigos! Gostou de os ver. Muito. A todos. Agradeceu o ano que passou com eles a correr, e desejou sinceramente que mais um ano venha, e que a saúde não falte a uns e a outros e que mais um ano corram juntos.

A prova é dura. Sobe e desce inúmeras vezes. Parte só com as cerca de 100 mulheres. Jamais é deixada só. Por companhias momentâneas por alguns quilómetros, e constantemente pelo público. Há sempre público. Sempre! A puxar por ela. A não a deixar baixar os braços nem render as forças. Exceptuando uma ou outra piada menos feliz a lembrar-nos que ainda estamos presos a uma mentalidade que deveria de estar ultrapassada e que diz respeito ao facto das mulheres correrem e dos atletas lentos e muito lentos correrem. Nada de novo portanto. Combater a correr. É o que ela pode fazer. E a escrever. E ela corre e ela escreve como se as palavras lhe corressem nas veias e tropeçassem muitas vezes, mas ainda assim saem para serem lidas mesmo que incompreendidas.

Corre o tempo e corre ela. Termina feliz, como sempre quando corre.

10,120 Km em 57m34m média de 5:41 / Km


Um Feliz Ano para todos e até amanhã ou depois querido diário

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

ainda este ano



ainda este ano eu quero:

Correr uma S.Silvestre. E vai ser a 36ª S.Silvestre da Amadora, mais loguinho quando for escuro e quase noite.

e ainda quero cozinhar, receber, rir, beijar, abraçar, amar, comer, beber, conversar e dessa forma, entre amigos, me despedir de 2010 e acreditar que 2011 vai ser um ANO BOM!
E desejo a todos que por aqui passam:

UM FELIZ ANO NOVO! QUE 2011 VOS PERMITA SER TUDO O QUE DESEJAM. POR MIM, FICO-ME POR QUERER SER FELIZ. MAIS.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

XVII S. Silvestre Cidade do Porto

Decorreu numa noite fria. Fria demais para os preguiçosos mas não para os 2281 que atempadamente se inscreveram, alinharam na Partida dos 10 Km e cortaram a Meta da XVII S. Silvestre Cidade do Porto na noite de 26 Dezembro de 2010 na cidade do Porto.

Com uma Mini/Caminhada com cerca de 4 km, onde alinharam cerca de 3000 entusiastas que correram e/ou caminharam, a XVII S. Silvestre Cidade do Porto levou à rua cerca de 5300 indivíduos para praticar exercício físico, a maioria em prol da saúde e do bem estar.

Inscrições fáceis, de custo acessível, levaram a inscrições esgotadas e a um número de participantes com record atingido, o que inevitável e consequentemente se traduziu em falta de t-shirts e de medalhas para todos, o que prontamente a Organização - Runporto - se comprometeu e enviar dentro de dias a todos os não contemplados.

Um percurso de 2 voltas, bem marcado, com subidas e descidas, com abastecimento de água, levou os atletas a percorrerem ruas iluminadas a assinalarem o Natal, e com bastante público apesar do frio, sem marcação de quilómetros mas em total segurança com o trânsito completamente cortado.

Tempos cronometrados por chip no dorsal, partida a horas, animação na Partida e na Chegada.

Sem atletas estrangeiros convidados, este ano a prova disputou-se competitivamente falando com atletas nacionais, sendo os resultados no sector masculino:

Rui Pedro Silva, do Maratona CP, com 29m17s
2º Tiago Costa, do Sporting de Braga, com 30m05s
3º Rui Silva, do Sporting CP, com 30m10s


No sector feminino:

Fernanda Ribeiro, Indivudual, com 34m58s
2º Cláudia Ferreira, do Sporting de Braga, com 35m22s
3º Ercília Machado , do Sporting
de Braga, com 35m27s

Apesar do elevado número de participantes, todos puderam cortar a meta a correr e o saco com os prémios de presença foram entregues rapidamente.

É uma S.Silvestre bonita e com muita animação, proporcionada quer pela organização quer pelo público.

A par de anos anteriores, gostei e recomendo.

Por tudo isto, está a Runporto de Parabéns.


Fotos propriedade da organização Runporto



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A Minha S.Silvestre Cidade do Porto

26 de Dezembro de 2010
É de noite e está frio. Está muito frio, e mesmo considerando que o frio é subjectivo e relativo, não deixo de sentir e de dizer que está muito frio. Mas fiz 300 km par vir correr nesta cidade e quero de novo palmilhá-la sob as iluminações de Natal rodeada de companheiros que como eu, suam em esforço apesar do frio. E eu lá estive.

Corri. Não propriamente cansada mas com dificuldades respiratórias devidas ao frio, penso eu.

Demorei 1h01m19s para correr os 10 km, e pessoalmente a maior dificuldade encontrada e do que não gostei foi o frio. Nada que me faça recuar, portanto.

Correr revigora-me. Faz-me bem. Faz-me sentir bem. Mesmo com esforço e em esforço, compensa. Compensa sempre. Por isso continuo.

Até amanhã ou depois querido diário, e já 6ª feira há outra S.Silvestre... a da Amadora, e eu conto lá estar.

sábado, 25 de dezembro de 2010

A Menina dos Fósforos e o Dia de Natal

É dia de Natal. Chove e está frio. Ainda assim, ela equipa-se e sai para a rua. Vai correr. O vento que a fustiga no rosto é gelado e as gotas de chuva parecem farpas a penetrarem na única parte do corpo exposto. "Mal habituada é o que tu estás" - pensa ela e com razão, recordando-se do seus amigos Xavier e Amélia a treinar lá na gélida Holanda, no meio da neve. Correu 8 Km em 48:32, média de 6:02. Chegou a casa, despiu as roupas encharcadas de suor e chuva, tomou um banho quente e ficou pronta, completa e plena para continuar a viver o Natal, junto da família, que não é mais que aqueles que nos alegram o coração e nos fazem sorrir. Porque o Amor, está sempre presente e nós sem ele não somos nada.

E amanhã, consta que estará na Invicta, para à noite correr a
S.Silvestre do Porto

E porque hoje é dia de Natal, e porque é uma história bonita que nos leva para além do peru recheado e das rabanadas e dos telemóveis e dos jogos electrónicos oferecidos e recebidos, trago aqui...


de Hans Christian Andersen

"Estava tanto frio! A neve não parava de cair e a noite aproximava-se. Aquela era a última noite de Dezembro, véspera do dia de Ano Novo. Perdida no meio do frio intenso e da escuridão, uma pobre rapariguinha seguia pela rua fora, com a cabeça descoberta e os pés descalços. É certo que ao sair de casa trazia um par de chinelos, mas não duraram muito tempo, porque eram uns chinelos que já tinham pertencido à mãe, e ficavam-lhe tão grandes, que a menina os perdeu quando teve de atravessar a rua a correr para fugir de um trem. Um dos chinelos desapareceu no meio da neve, e o outro foi apanhado por um garoto que o levou, pensando fazer dele um berço para a irmã mais nova brincar.

Por isso, a rapariguinha seguia com os pés descalços e já roxos de frio; levava no avental uma quantidade de fósforos, e estendia um maço deles a toda a gente que passava, apregoando: — Quem compra fósforos bons e baratos? — Mas o dia tinha-lhe corrido mal. Ninguém comprara os fósforos, e, portanto, ela ainda não conseguira ganhar um tostão. Sentia fome e frio, e estava com a cara pálida e as faces encovadas. Pobre rapariguinha! Os flocos de neve caíam-lhe sobre os cabelos compridos e loiros, que se encaracolavam graciosamente em volta do pescoço magrinho; mas ela nem pensava nos seus cabelos encaracolados. Através das janelas, as luzes vivas e o cheiro da carne assada chegavam à rua, porque era véspera de Ano Novo. Nisso, sim, é que ela pensava.

Sentou-se no chão e encolheu-se no canto de um portal. Sentia cada vez mais frio, mas não tinha coragem de voltar para casa, porque não vendera um único maço de fósforos, e não podia apresentar nem uma moeda, e o pai era capaz de lhe bater. E afinal, em casa também não havia calor. A família morava numa água-furtada, e o vento metia-se pelos buracos das telhas, apesar de terem tapado com farrapos e palha as fendas maiores. Tinha as mãos quase paralisadas com o frio. Ah, como o calorzinho de um fósforo aceso lhe faria bem! Se ela tirasse um, um só, do maço, e o acendesse na parede para aquecer os dedos! Pegou num fósforo e: Fcht!, a chama espirrou e o fósforo começou a arder! Parecia a chama quente e viva de uma candeia, quando a menina a tapou com a mão. Mas, que luz era aquela? A menina julgou que estava sentada em frente de um fogão de sala cheio de ferros rendilhados, com um guarda-fogo de cobre reluzente. O lume ardia com uma chama tão intensa, e dava um calor tão bom! Mas, o que se passava? A menina estendia já os pés para se aquecer, quando a chama se apagou e o fogão desapareceu. E viu que estava sentada sobre a neve, com a ponta do fósforo queimado na mão.

Riscou outro fósforo, que se acendeu e brilhou, e o lugar em que a luz batia na parede tornou-se transparente como tule. E a rapariguinha viu o interior de uma sala de jantar onde a mesa estava coberta por uma toalha branca, resplandecente de loiças finas, e mesmo no meio da mesa havia um ganso assado, com recheio de ameixas e puré de batata, que fumegava, espalhando um cheiro apetitoso. Mas, que surpresa e que alegria! De repente, o ganso saltou da travessa e rolou para o chão, com o garfo e a faca espetados nas costas, até junto da rapariguinha. O fósforo apagou-se, e a pobre menina só viu na sua frente a parede negra e fria.

E acendeu um terceiro fósforo. Imediatamente se encontrou ajoelhada debaixo de uma enorme árvore de Natal. Era ainda maior e mais rica do que outra que tinha visto no último Natal, através da porta envidraçada, em casa de um rico comerciante. Milhares de velinhas ardiam nos ramos verdes, e figuras de todas as cores, como as que enfeitam as montras das lojas, pareciam sorrir para ela. A menina levantou ambas as mãos para a árvore, mas o fósforo apagou-se, e todas as velas de Natal começaram a subir, a subir, e ela percebeu então que eram apenas as estrelas a brilhar no céu. Uma estrela maior do que as outras desceu em direcção à terra, deixando atrás de si um comprido rasto de luz.

«Foi alguém que morreu», pensou para consigo a menina; porque a avó, a única pessoa que tinha sido boa para ela, mas que já não era viva, dizia-lhe muita vez: «Quando vires uma estrela cadente, é uma alma que vai a caminho do céu.»

Esfregou ainda mais outro fósforo na parede: fez-se uma grande luz, e no meio apareceu a avó, de pé, com uma expressão muito suave, cheia de felicidade!

— Avó! — gritou a menina — leva-me contigo! Quando este fósforo se apagar, eu sei que já não estarás aqui. Vais desaparecer como o fogão de sala, como o ganso assado, e como a árvore de Natal, tão linda.

Riscou imediatamente o punhado de fósforos que restava daquele maço, porque queria que a avó continuasse junto dela, e os fósforos espalharam em redor uma luz tão brilhante como se fosse dia. Nunca a avó lhe parecera tão alta nem tão bonita. Tomou a neta nos braços e, soltando os pés da terra, no meio daquele resplendor, voaram ambas tão alto, tão alto, que já não podiam sentir frio, nem fome, nem desgostos, porque tinham chegado ao reino de Deus.

Mas ali, naquele canto, junto do portal, quando rompeu a manhã gelada, estava caída uma rapariguinha, com as faces roxas, um sorriso nos lábios… morta de frio, na última noite do ano. O dia de Ano Novo nasceu, indiferente ao pequenino cadáver, que ainda tinha no regaço um punhado de fósforos. — Coitadinha, parece que tentou aquecer-se! — exclamou alguém. Mas nunca ninguém soube quantas coisas lindas a menina viu à luz dos fósforos, nem o brilho com que entrou, na companhia da avó, no Ano Novo."

Hans Christian Andersen

Os melhores contos de Andersen

Editora Verbo / adaptação









sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Feliz Natal e...

e... vamos atravessar a época tentando não engordar, pelo menos tentar não engordar, já que a postura permanente e actual é emagrecer!

Intenções... boas intenções todos temos. Aliás, delas está o Inferno cheio, dizem... mas esse não mora aqui.

Pois intenção é não me armar em super mulher não comendo nada para além do bacalhau cozido e das couves, mas sim, como humana que sou, e ainda por cima um bom garfo, eu não vou deixar de comer as Fatias Douradas, o Bolo Rainha (que prefiro ao Rei), a Lampreia de Ovos, os frutos secos, e uma ou outra iguaria que por aqui apareça. A ideia é comer UM POUCO de tudo o que aprecio especialmente e que só comemos nesta época. Viver o Natal, e a comida faz parte dele. Confeccionar, partilhar e apreciar! Não faltará também um bom vinho, que não dispenso nestas ocasiões.

Outra intenção é mexer-me! Exercício físico! Mas isto está difícil. Ele é o frio, ele é a chuva, ele são os dias pequenos, ele é o tempo que preciso para preparar o Natal e receber os que amo, ele é isto, ele é aquilo! Preguiça é o que é. E essa contraria-se! Luta-se contra ela e vence-se! Mas nem sempre. E ainda não foi hoje.

UM FELIZ NATAL PARA TODOS COM MUITA SAÚDE, PAZ, AMOR E ALEGRIA

domingo, 19 de dezembro de 2010

Arruda com vida - 8ª S.Silvestre Arruda dos Vinhos


8ª S.Silvestre Arruda dos Vinhos

Ao fim da tarde do dia 18 de Dezembro de 2010, já no centro da Arruda se viam sinais do que se ia passar, fruto de toda uma engrenagem posta a laborar invisivelmente há algum tempo atrás: a 8ª S.Silvestre de Arruda dos Vinhos. Arruda convidou e 389 atletas, incluindo escalões jovens e que tiveram as suas provas a partir das 18:30hrs, correram e chegaram à meta, sendo 240 o seu número na Prova Aberta.

Com um secretariado simples mas eficiente, instalado bem junto à Partida e Chegada, assinaladas por um pórtico insuflável, a prova foi organizada pela Câmara Municipal de Arruda dos Vinhos e CRD Arrudense, e contou com vários apoios de onde se destacam a Arruda TV, a Remax Advantage (Arruda) e o Good Grill (Arruda). Teve inscrições gratuitas para as provas dos mais jovens, e valor acessível para a Prova Aberta (EUR 3,00).

Ofereceu um percurso urbano, de 3 voltas na Prova Aberta, o que não é especialmente apreciado quer pelos atletas que lutam pelas primeiras posições e se vêm obrigados a dar uma volta de avanço aos últimos, muitas vezes tendo de pedir licença para passar, quer para estes últimos que são passados pelos primeiros e se vêem a estorvar sem culpa ou necessidade nenhuma. Uma volta maior e evitar-se-ia esta situação. O percurso estava muito bem assinalado, com trânsito cortado, mesmo numa das partes quando apenas foi deixada uma faixa para os atletas e outra para o trânsito, a segurança manteve-se inalterável.

Abastecimentos suficientes quer no decorrer da prova quer no final.

Pecou a prova por anunciar uma distância de 8 Km, quando no terreno não terá muito mais de 7 Km. Pecou também pelo deficiente escoamento no funil da meta, o que impediu uma boa parte dos atletas de acabar a prova bastante antes da linha da Meta. Impedidos de cortar a meta a correr, formou-se uma fila a lembrar os velhos métodos de registo dos atletas chegados à meta. E pecou ainda pelo facto dos prémios de presença não serem iguais para todos. Houve sacos com água, maçã, t-shirt, garrafa de vinho da região e baralho de cartas em miniatura. Houve sacos sem o vinho e sem a t-shirt e com um par de meias. Pequenos pormenores que bem poderiam ter sido evitados.

Provavelmente a justificar isto temos o facto de ser possível efectuar com toda a facilidade inscrições de última hora, ao mesmo custo, minutos antes da prova, o que aparentemente se mostra muito agradável e positivo, desde que não tivesse consequências.

Havia ainda caldo verde quente para todos, e esse foi mesmo para todos, o que foi muito apreciado tendo em conta que é uma prova à noite, corrida à hora de jantar, e em que estará sempre frio.

Houve ainda prémios por classificação, troféus e medalhas, quer individualmente e por escalão quer por equipas.

Balneários disponibilizados com banho quente e um acolhimento geral muito simpático por todos os envolvidos.

Desta forma, a prova, se tem reparos a corrigir numa próxima edição, não deixa de ser uma prova muito agradável, numa terra muito bonita, e o reparos são dos que se resolvem e em nada comprometem a segurança e a saúde do atleta, que esses sim, poderão ter consequências irreparáveis. Saliento as provas jovens, onde mais de 100 miúdos praticaram a Corrida, numa noite mais favorável a estar em casa a ver televisão. Só por esse facto, de ter posto na rua a correr precisamente 149 miúdos, fruto de um trabalho diário, já seria de louvar o trabalho efectuado e o resultado conseguido pela organização. Para além disso proporcionou ainda a 240 adultos o prazer de correr uma S.Silvestre, que se poderia ter sido melhor, já foi muito boa.
Os meus parabéns a toda a organização e a continuação do bom trabalho que já fizeram.

Em termos competitivos, e no sector masculino tivemos:

1º Miguel Santos, do CRD Arrudense, com 22m23s
2º Joel Martins, do CUA Benavntense com 22m31s
3º Artur Santiago, do CDR Arrudense com 22m45s

Em Femininos, foram as seguintes as vencedoras:

1º Celina Rodrigues, do CRD Arrudense, com 29m17s
2º Catarina Carola, do CRD Arrudense, com 30m24s
3º Marta Fonseca, Individual, com 31m26s

Ana Pereira
Dezembro de 2010

Aqui as Classificações da 8ª S.Silvestre de Arruda dos Vinhos

fotos da 8ª S.Silvestre Arruda na galeria de fotos da AMMA - Atletismo Magazine Modalidades Amadoras, na sua habitual e magnífica Reportagem Fotográfica, por José Gaspar e Carlos Viana Rodrigues

sábado, 18 de dezembro de 2010

e já se correu hoje...

E já se correu hoje a 8ª S.Silvestre de Arruda dos Vinhos

E eu corri também. 7,070 Km em 40m02s, fazendo uma média de 5:40 /Km, o que não traduz de todo o que aconteceu, porque o que aconteceu é que comecei depressa demais (para o que podia) e o que aconteceu, o que foi, adivinhem lá. Estoirei completamente. É bom ser assim recordada do que é um valente estouro! Já nem me lembrava. Isto quanto mais os anos passam, menos juízo pareço ter. Sabia bem que não poderia manter o ritmo de 5:07 em que fiz o 1º Km durante 8 Km num percurso bastante sinuoso de 3 voltas. E o que me valeu é que foram só 7 Km, senão ainda seria pior.

Valeu a amizade, ali ao meu lado a correr comigo e todos os que encontrei inesperadamente antes, durante e depois da prova. E valeu o meu pai, sempre presente. Ali. Sabê-lo ali dá-me verdadeiramente alento.

Foi-me uma prova muito feliz, apesar do desastroso desempenho. Mas afinal o que vale mais? É ser feliz pois claro. E eu fui. Muito.

Amanhã volto com mais palavras sobre a prova.

Já disponíveis fotos da 8ª S.Silvestre Arruda na galeria de fotos da AMMA - Atletismo Magazine Modalidades Amadoras, na sua habitual e magnífica Reportagem Fotográfica, por José Gaspar e Carlos Viana Rodrigues

Até amanhã querido diário